From Lady Rasta

whatever pops in my mind

From Lady Rasta header image 1

Os véus islâmicos e a liberdade da mulher

fevereiro 5th, 2010 · Assunto Sério

Quem me conhece um pouco sabe que tenho uma fascinação ingênua pelos véus islâmicos; acho que justamente pelo fato de adorar usar um decote, aquele ar de mistério emanado pela burqa e congêneres me é fascinante. Claro que não ignoro o que tem (aos olhos de uma ocidental) de opressão naquelas roupas, e as minhas fantasias são aquelas decorrentes de toda ocidental que possui plenos poderes e direitos sobre si própria; mas fantasias, como o próprio nome diz, não são exatamente a realidade, certo?

A polêmica sobre a proibição das burqas na França aguçou minhas reflexões sobre o tema (li bastante, inclusive um post ótimo da @semiramis, apesar de não concordar muito com ele) e nunca havia conseguido  formar uma opinião. Isso porque, se de um lado eu entendia que a burqa poderia  ser um símbolo da opressão da mulher e da enorme diferença de direitos existente entre homens e mulheres no Islã, de outro havia a questão cultural, e por mais que meus olhos ocidentais tendessem a enxergar alguns costumes como bárbaros, não podia deixar de pensar que isso é meramente uma questão de ponto de vista.

Por mais absurdo que possa parecer, penso eu, o que é bárbaro para uma cultura não necessariamente é bárbaro para outra – e o nome que se dá a impor nossos conceitos e ideias sobre as de outrem não é exatamente democracia, não é mesmo?

Essa semana, com o burburinho causado por decisão judicial afirmando que não é permitido usar burqa na França, pensei com mais afinco quanto ao tema e (acho que formei) minha opinião.

Antes porém, queria analisar alguns argumentos utilizados para proibir a burqa ( e outros contra a proibição) junto com vocês.

acima a partir da esquerda: burqa e chador; abaixo: hijab e niqab

1. Burqa é opressão ao feminino.

Sim, é opressão caso seu uso seja imposto  (e nem todas as mulheres gostariam de deixar de usá-lo). No entanto, não acredito que ela seja mais opressiva para as muçulmanas do que são para nós ocidentais  as revistas com mulheres irreais e a exigência cada vez mais premente e ridícula da mulher se manter bela e jovem como se tivesse 25 anos para sempre (esse artigo bárbaro nos explica isso muito bem – e o Fabio Hernandez o resumiu lindamente aqui).

Ora, existem grupos feministas que abominam a exposição do corpo da mulher; mas no que me diz respeito, acredito que somos donas dos nossos narizes (ou das nossas pernas e peitos) para decidirmos se queremos mostrá-los ou não (acredito também, com todo o respeito por quem pensa ao contrário, que sim, we do choose our choices); então, se vejo capacidade de discernimento na mulher que opta por andar seminua na rua, não posso (ou ao menos acho que não posso) negar capacidade de discernimento  a uma mulher que opte por andar completamente vestida. Simples assim.

Para mim, a opressão ao feminino através das roupas  ocorre quando a mulher não escolhe usar determinada roupa, é obrigada a fazê-lo (como o marido ou namorado que  proíbe sua mulher de usar roupa decotada ou maquiagem); e se de um lado há mesmo muitas muçulmanas que são obrigadas a usar burqa, de outro há aquelas que gostam de fazê-lo, que se sentem mal sem eles.

Não pretendo deixar as muçulmanas obrigadas a aceitar o véu à própria sorte; no entanto acredito que a sociedade deva dar estrutura, força, instrumentos para que elas consigam deixar de ser obrigadas e façam sua própria opção, e não impor uma alternativa. Com todo o respeito, não faz sentido tirar a mulher de um algoz (no caso, aquele que a obriga a usar burqa) para entregá-lo a outro (o Estado que a obrigará a usar roupas ocidentais, ainda que ela não deseja isso).  Aliás, se não me engano, esse é exatamente o tipo de política que imperou entre os países europeus na época da colonização da África: o “branco sabe tudo” impondo sua cultura e seus costumes aos “negros ignorantes”.  ;-)

2. Há mulheres obrigadas a usar burqa

Há mesmo. E eu acho que elas não deveriam ser obrigadas a fazê-lo. Mas eu pergunto: por que a vontade das que são obrigadas a usar burqa deve prevalecer sobre a vontade daquelas que o usam por prazer? Neste vídeo temos um exemplo de que elas existem:

Eu tenho hoje plena convicção de que ao invés de impor roupas ocidentais às muçulmanas, dever-se-ia (através, isso sim, de coerção inteligente) dar às mulheres condição para que exerçam sua vontade, para que sejam independentes.

A proibição da burqa ou do niqab certamente fará com que muitas mulheres não possam sequer sair mais de casa, e eu acho isso uma temeridade, um fato que deve sim, ser levado em consideração, e não ser considerado um mal menor perto do “horror”  (says who?) de usar a burqa.

Por outro lado, tenho certeza que ensino fundamental é obrigatório na França, seja para muçulmanos, para judeus, católicos ou protestantes.

Ora, não acho que se possa proibir mulheres de usar o que bem entenderem, mas acredito ser possível  criar penas severas para os pais que não deixem suas filhas ir à escola. Estudo e instrução certamente garantirão que em uma ou duas gerações elas possam estar aptas a impor sua vontade – até porque há várias “categorias” de véus no Islã, e a combinação estudo+instrumentos de apoio certamente fará com que aquelas que não mais desejem usar a burca ou niqab passem a usar outro véu, caso queiram chegar a um meio termo  entre a cultura da nação onde  habitam e seus costumes ancestrais. Acredito que as mudanças paulatinas e mais embasadas sejam mais consistentes e por isso, tenham mais chance de se perpetuar (não nos esqueçamos que o finado Xá Reza Pahlevi proibiu o uso do véu como forma de “civilizar” seus súditos. Vocês lembram bem o que rolou depois de sua queda, né? Saca o Irã?)

3. Vestes incompatíveis com o mundo ocidental

Well, como bem lembrou o Paulo Nogueira, não há como sustentar esse argumento quando temos entre nós freiras que se vestem dessa forma:

A pergunta que não quer calar: no que a veste acima se distingue da veste abaixo?

Não entendo porque não há um movimento proibindo o hábito das freiras, ou dizendo que eles não cabem no nosso mundo… Eles não seriam também opressivos?

4. País laico não pode permitir tais vestes

O fato de um país ser laico não significa que seus habitantes devam igualmente sê-lo. Um país laico significa meramente um Estado separado da Igreja (qualquer que seja ela), e que não tome decisões ou  promulgue leis que privilegiem uma religião em detrimento de outra.

Não é atribuição de um estado laico impedir que religiosos professem sua religião em público, ou restrinjam serviços públicos àqueles que o fazem, pois isto configura cerceamento de livre expressão e de professar sua fé.

Assim, um estado laico não pode ter uma cruz nas repartições públicas (como acontece direto e reto aqui no Brasil), mas não vejo porque alguém que adentre tal recinto não possa usar um crucifixo no pescoço, por exemplo.

Além do mais, acho esta conduta um tanto quanto “método avestruz amedrontada” : os conflitos inter-religiosos não deixarão de acontecer porque não vemos seus símbolos em recintos públicos e sim, quando houver tolerância religiosa – e esta só vem com o conhecimento e o respeito do que seja “o outro”. É a ignorância e a intolerância ao que seja diferente que causa conflitos, e não a existência de diferenças em si.

Cumpre lembrar que desde 2004 é proibido às mulheres adentrar as escolas públicas francesas usando qualquer tipo de véu, o que me soa pouco inteligente: por conta do que para nós não passa de um pano na cabeça, muitas meninas podem deixar de ir à escola. Eu pergunto: o que é mais importante? Que elas estudem e se estruturem para fazer uma opção futura, ou que elas corram o risco de seus pais proibirem-nas de ir à escola? Será que é mesmo na segurança e no bem estar das mulheres que a França está pensando?

Há portanto, que distinguir entre estado laico e estado que proíba manifestações religiosas, motivo pelo qual considero absurda a proibição de meninas usarem o hijab nas escolas sob o argumento da laicidade do Estado.

4. Questão da segurança

O @VladimirAras, conversando comigo no Twitter disse uma coisa muito importante, na qual não havia pensado: que há a questão da segurança. É impossível reconhecer um criminoso que usa burqa. Tive que dar a mão à palmatória,  esse é um critério objetivo, não passa por juízo de valor de se avaliar qual sociedade é bárbara ou não, qual costume é mais libertário ou não.

Curvo-me portanto a esse argumento no que tange ao uso do niqab e da burqa; inobstante, acho que por uma questão de igualdade, deveriam ser proibidas todas as vestimentas, orientais ou não, que deixassem à mostra apenas os olhos, e isso não foi aventado, evidenciando que  cerne da questão  não é a  segurança, e sim a proibição de se usar as vestimentas islâmicas.

5. Discriminação disfarçada de defesa dos direitos da mulher

Antigamente, nos blockbusters americanos, o vilão era sempre um “russo malvado”, tendo em vista estarmos vivendo, à época, a Guerra Fria. Nos dias de hoje, o vilão é sempre um árabe (e os acontecimentos de 11 de setembro não deixam muitas dúvidas do motivo para que isso ocorra, d’ accord?).

O islã é uma cultura (não acho que estejamos falando apenas de religião, acredito que seja um conceito mais amplo que isso) que assusta pela sua unidade, pela sua coesão, pela certeza daqueles que estão vivendo sob seu manto (gostei da metáfora aqui, :lol: ). É um pouco maluco aos olhos ocidentais ver religiosos que ainda hoje decidem morrer por sua fé para praticar atos terroristas, acreditando naquilo, ou mesmo vivendo sob leis e conceitos que nos remetem à Idade Média.

Acredito que quando vemos mulheres andando de burqas, niqabs e congêneres, essas ideias perpassam nosso cérebro, ainda que de forma muito randômica, e nos assustam. Será que não queremos (estou usando o nós como ocidentais de uma forma geral)  acabar com a visão dos véus islâmicos para com isso, esquecer que há pessoas no mundo com valores, conceitos e ideais muito diferentes dos nossos, eles também acreditando que nós somos selvagens? Será que não queremos acabar com os véus islâmicos para com isso não precisarmos questionar e refletir sobre nossos costumes? Será que não estamos almejando uma homogeneidade que, como todos sabemos, sempre é mãe de ideias tacanhas e da intolerância?

6. Inexpressividade dos números

A França tem 63 milhões de habitantes, aproximadamente. O total de mulheres adeptas do niqab e da burqa é de menos de 2.000 mulheres (há pesquisas falando em 367 -!- mulheres). É um número ínfimo perto da população francesa, vocês hão de convir comigo (não é à toa que alegam interesses do governo francês em aplacar os radicais de direita que detestam os imigrantes…).

Causa espécie realmente que apenas 2.000 mulheres num universo de 64 milhões consigam nos impingir um medo do Oriente e dos seus costumes.

Faz pensar mesmo… Será que elas não nos assustam porque no fundo, tememos que eles tenham mais certezas que nós? Porque têm mais apego aos seus costumes que nós, que toda semana mudamos nossos hábitos de acordo com o que dita o mercado? Eu não sei. Mas eu sequer sei se é bom ter certeza de alguma coisa :lol:

Em resumo, me decidi: sou contra a proibição que o Governo Francês quer impor às muçulmanas. E vocês?

******
P.S. Não posso deixar de fazer aqui um agradecimento especial ao Paulo Nogueira que, por conta desse debate no Twitter, me municiou de textos, vídeos e ideias para que eu formasse minha convicção. Muito, muito obrigada, viu? :-)

P.S. II. Pra provocar um pouco, termino com o sexy e instigante vídeo abaixo…

  • Share/Bookmark

→ 20 CommentsTags:·····

5 moços da literatura com quem eu teria um affair

fevereiro 3rd, 2010 · Comportamento, Literatura, Moços

Como todo mundo na noite de 3a feira só falava do #BBB, e eu estava assaz irritada com isso,  propus para o @luizmarcondes uma brincadeira: falar sobre as personagens da literatura que gostaríamos de ter um affair:

A @anamarialmada fez a listinha dela,

no que foi seguida pelo @mrguavaman:

Então, aí segue a minha seleção de moços da literatura que me fazem suspirar, devidamente motivada:

Arsène Lupin

Quem é: Personagem principal de uma série de livros muito antiga de Maurice Leblanc, onde Arsène Lupin era um ladrão sofisticadíssimo. Se James Bond fosse do mal, seria Arsène Lupin, certamente. Ele não gostava de violência, vivia dando nós no Inspetor de Polícia Ganimard, pregava altas peças em Herlock Sholmes (sim, uma paródia do famoso detetive) e era extremamente charmoso, galanteador, culto e com aquele senso de humor que só os bem sem vergonha conseguem ter.  Eu, do alto dos meus 12 anos, suspirava por causa dele. E hoje, mesmo (um pouco :lol: ) mais velha, continuo suspirando.  Os livros são ótimos, vale a pena ler (mesmo que você seja homem :-) )

Achei dois trechos de filmes sobre o Arsène Lupin, uma versão nova, que coloco abaixo, e outra, de 1932

Petruchio

Personagem principal da Megera Domada de Shakespeare. Para quem não sabe, Petruchio é um grosseirão que se casa por interesse financeiro com a filha mais velha de um cara abastado, que tinha fama de ser uma peste. O pai só casaria  a filha mais nova depois do casamento da mais velha, e obviamente ninguém queria casar-se com aquela peste. Só que a Catarina não é uma peste; a braveza dela é aquela típica das pessoas muito doces que têm medo de se machucar, sabem?  E o Petruchio acaba por fazer aflorar o que tem dentro dela (e eu gosto de pensar que no afã de “domá-la”, ele começou a gostar dela também – mas eu sou uma romântica inverterada, como vocês bem sabem).

Como eu disse nesse post aqui:

“Ele, bonachão, estouvado, agressivo, grosseiro; ela aquela coisa “cavalo bravo”, com aquela agressividade típica das pessoas que são frágeis demais, doces demais e, de medo que as pessoas descubram isso, se fingem de megeras (por que será que gosto dela hein? hehehe). Nas brigas que eles têm, fica evidente que um morre de tesão pelo outro – e depois, com o tempo, que eles se amam…O Petrucchio e a Catarina pra mim são o Calvin e a Susie quando crescerem (crescerem? e lá apaixonados crescem? acho que não)…” .

Adoro o trecho onde ela finalmente começa a se render e concorda com tudo o que o Petruchio diz (um dos meus trechos preferidos daobra). Algumas correntes feministas detestam essa peça (especialmente o discurso final), mas eu adoro, e onde elas vêem submissão, eu vejo vontade da mulher em fazer as vontades do moço dela). O Petruchio  é um grosseirão sim, mas do jeito dele, sem declarações, fez aflorar o melhor dela (e de certa forma, dele também – eu estou convencida que a peça termina com amor entre os dois); é aquele tipo de cara que você nunca na vida vai conseguir colocar cabresto, mas querem saber? Eu gosto disso, guardadas as devidas proporções evidentemente  – e cá entre nós, graças a Deus vivemos numa época em que as mulheres só se submetem porque assim o desejam, certo? ;-)

Aqui um trecho da peça no filme com a Liz Taylor e o Richard Burton:

3. Mr. Darcy

Mr. Darcy é o chique, quieto e contido (e por isso soa esnobe) nobre por quem Elizabeth Bennet se apaixona em Pride and Prejudice, uma das obras mais conhecidas de Jane Austen (e particularmente, super recomendo a série gravada pela BBC, com os diálogos na íntegra). Eu, na minha costumeira contradição costumo dizer que o homem perfeito pra mim é uma versão up to date do Petruchio com o Mr. Darcy. Mas eles no fundo têm certa semelhança: ambos são contidos no que dizem (e eu sempre desconfiei de quem fala muito; quem fala muito, pra mim, sente pouco). Mr. Darcy não fala, mas faz; é do tipo que ajuda os seus queridos sem fazer alarde, para não melindrar os ajudados. E o fato de ser contido só aumenta a felicidade daquela que tem a bem aventurança de vê-lo explodir quando ele não aguenta mais. Acho que é isso que sempre me fascinou nele: alguém tão controlado perder o controle por causa da mulher que ele ama. <suspiros>.

4. Capitão Rodrigo

Personagem da saga de Érico Veríssimo, o Capitão Rodrigo é um daqueles homens de espírito livre, inquietos, mulherengos  e guerreiros. Não é o tipo de homem que uma mulher gostaria de ter como marido, mas certamente é o tipo de homem que inspira umas voltinhas… Se não me engano, quando era menina, li um trecho do livro que continha a descrição do Capitão Rodrigo ” um dia chegou a cavalo…) e meus olhos brilharam… A descrição está nesse trecho aqui:

5. Vadinho

É, ué, o Vadinho, um dos 2 maridos da Dona Flor! Cafajeste, mulherengo, imprestável, bla bla bla mas… acho que toda mulher deveria dar uma volta com alguém assim um dia na vida (mas só vale se você esquecer que ele existe no dia seguinte, não pode se apaixonar!! ;-) ).

E vocês? Quais são as 5 personagens da literatura com as quais vocês dariam uma voltinha, hein? Me conta?

  • Share/Bookmark

→ 14 CommentsTags:··

Blogs e Direito na Campus Party

janeiro 28th, 2010 · Assunto Sério

Hoje, às 15:45, participo da mesa de debates no Campus Party sobre blogs e Direito, junto com Alessandro MartinsJorge Araújo, e Marcel Leonardi, com moderação doTrasel.

Estou super animada. Pra quem não acompanha tão de perto, vale ressaltar que em consequência do crescimento e da exposição que a Internet tem hoje em diatêm aumentado o número de processos sofridos pelos blogueiros, nos últimos tempos (principalmente no último ano, como ressaltou a reportagem da Isto É recentemente, onde fui uma das pessoas entrevistadas).

Há algumas ideias visando esclarecer os blogueiros quanto aos seus direitos e deveres, bem como há algumas parcelas da blogosfera empenhadas em criar uma associação que os defenda (uma das dificuldades que vêm enfrentando é justamente arcar com os custos de uma ação judicial – além de, evidentemente, todo o desgaste emocional que isso implica).

O Alessandro Martins tem se empenhado bastante em divulgar e tentar “amarrar as pontas” dessa questão; o Jorge Araújo, juiz de direito e blogueiro, tem sido um norte para todos nós, tendo em vista suas ponderações (e é ótimo ter alguém que enxergue não só o lado do Juiz de Direito – que é uma visão diferente do advogado- como também o do blogueiro); Marcel Leonardi, dentre outros títulos,  é advogado graduado e Doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (as famosas Arcadas, onde também me graduei), integrou a EFF e certamente fará uma contribuição rica no debate; eu, além de pitaqueira de plantão pra tudo quanto é assunto, estive à frente da defesa de alguns blogueiros.

O painel será transmitido ao vivo pela TV do Campus Party – não sei o canal exato (acho que é o 7) – mas embedei o link aí embaixo:



Pelo “esquenta”que rolou por emails entre os participantes tenho a impressão de que será um debate suculento. Vou adorar se vocês puderem assistir e dar seus pitacos depois!!

  • Share/Bookmark

→ 3 CommentsTags:···

Morro de São Paulo : Como R$0,62 arruinam a imagem de um lugar

janeiro 22nd, 2010 · Viagens

Olha, eu sei que tem que ser muito ingênuo (ou muito novo) para achar que um lugar pequeno como Morro de São Paulo aguenta o tranco da invasão de turistas na semana do Reveillon; mas também entendo que a Secretaria de Turismo do Estado deve fazer o possível para tornar a estada do turista mais agradável e evitar cenas como esta:

Horror né? E se eu contar pra vocês que a confusão continua e piora?

Sabem o que é isto? A fila para embarque em Morro de São Paulo dia 03 de janeiro. Fila esssa causada pela cobrança da taxa de embarque no valor de… R$0,62!!!

Sério moçada, não é possível que esse seja o meio mais fácil de cobrança, até porque quando se entra na ilha é cobrada uma taxa de turismo; dava perfeitamente para cobrar a taxa de embarque da volta daqueles que voltarão de barco, né?

E a pergunta que não quer calar: por que R$ 0,62? Pra ficar mais difícil de arrumar troco? Ou seria algum número cabalístico?

Vi pessoas chegando (ou seja, que só passaram pelo  perrengue de atravessar a fila- e já era difícil :-( ), que ao ver aquela bagunça, afirmavam peremptoriamente ser a primeira e última vez que iam pra lá.

Alô Governo da Bahia, que tal prestar atenção nisso, hein?  O turista agradece.

****

P.S. Vale dizer: a moça aqui estava no contrafluxo; não fico em Morro de São Paulo no Reveillon (tampouco na alta temporada) por nada desse mundo…

  • Share/Bookmark

→ 5 CommentsTags:···

Algumas considerações sobre o PNDH III

janeiro 21st, 2010 · Assunto Sério

Tem alguns dias que discuto com uns e outros no Twitter a questão do controle do jornalismo, das concessões de rádio e TV, previstas (ou melhor dizendo, aventadas) em razão do PNDH, resultante do Decreto 7037/09.

Depois de ler vários textos que me foram enviados (um dos quais, bastante didático, serviu como diretriz para mim), cheguei à conclusão que há gritaria demais e leitura de menos. Não tenho aqui a pretensão de pontificar, mas há alguns argumentos e alguns pontos bastante falhos, ou ao menos alguns pontos sobre os quais vejo discussões sem fundamento no texto e acredito que seja salutar uma discussão sobre o tema. E já adianto: para mim, não há inconstitucionalidades no que tange ao PNDH III; no entanto, o mesmo não pode ser dito no que tange a algumas propostas para a legislação que advirá em razão do PNDH III.

A confusão toda está (até onde sei, corrijam-me se estiver errada) na tal Diretriz 22 do III PNDH, que diz:

” Diretriz 22: Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos” .

Objetivo Estratégico I:

Promover o respeito aos Direitos Humanos nos meios de comunicação e o cumprimento de seu papel na promoção da cultura em Direitos Humanos.

Nas ações programáticas temos os seguintes itens, que comentarei um a um:

a)Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas’ .

Bem, e o que diz o art. 221 da CF?

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Bom, até aí, eu não vejo nenhum problema. E sinceramente, duvido que alguém venha a se colocar contra o incentivo, ou a divulgação, ou obediência aos direitos humanos. Basicamente, a regulamentação do que está disposto no art. 221 teria que respeitar o preconizado na Declaração de Direitos Humanos, e alguns Tratados,  imagino eu.

O problema em si não está na regulamentação do art. 221 da CF (que simplesmente define parâmetros que as concessionárias devem obedecer – e isso deve ser definido sim), ou sua obediência aos Direitos Humanos, porque ninguém em sã consciência seria contra isso (ao menos eu não sou). Não há como, no entanto, pretender fazer algumas alterações, tais como alterar participação societária (inclusive de estrangeiros, o que eu acho bem 70′ s e coisa de milico, mas enfim…), ou mesmo, algo que eu julgo bastante importante, que seria a proibição da detenção de redes de TV e rádio pela mesma empresa, ou mesmo (algo que sei que vou morrer sem ver implementado) a proibição de políticos participarem da composição societária dos canais de rádio e tv. Embora eu quisesse ver a aprovação desses itens, não há como fazê-lo levando-se em conta o PNDH III - mas, evidentemente, é possível fazê-lo através de projetos de lei, e imagino que  a ideia seja essa.

O problema são as propostas que estão sendo feitas. Através da regulamentação desse artigo você pode penalizar e até mesmo, em casos gravíssimos, cassar a concessão -;  e a forma como a legislação será interpretada é importantíssima, de forma a não configurar cerceamento de direito de expressão. É importante ressaltar que as leis devem ser feitas de tal forma que sua interpretação não permita manipulações em épocas de instabilidade política ou institucional.

Por exemplo: o que é ferir os direitos humanos? Um filme que mostre tortura não poderá ser mostrado? Um filme do período da escravatura também não? Melhor: um filme que mostre um torturador pai de família amantíssimo com os filhos poderia? Sim, estou exagerando, e de propósito, para que vocês mensurem as consequências, pois a redação dos artigos pode vir a deixar brechas que mais tarde sirvam de instrumentos coação – e tenho certeza que esse não é o intuito tanto do PNDH III quanto  de seus defensores ardorosos.

Há também a questão da execução da legislação futura, e aí eu temo que os defensores do PNDH III estejam se iludindo um pouco: ainda que a lei determine sanções administrativas, a fim de obedecer ao princípio fundamental do devido processo legal, cláusula pétrea da Constituição, estas serão objeto de defesa e recurso administrativo (há necessidade de se obedecer ao duplo grau de jurisdição mesmo em instâncias administrativas) e depois de exaurida a via administrativa, as concessionárias ainda poderão recorrer ao Judiciário – ou seja, há grandes possibilidades de uma multa administrativa demorar anos para ser consolidada (e ainda nem comecei a falar em cobrança aqui!).

Nas discussões das quais participei, os assuntos da Confecom (e  reputo excelentes algumas de suas propostas, embora algumas, sinto informar, sejam flagrantemente inconstitucionais) e do PNDH III também se misturavam muito; mas a mim parece, (corrijam-me por favor se eu estiver errada) que estão colocando no mesmo balaio de gatos duas coisas distintas.

Vou dar exemplos portanto, apenas de propostas aprovadas pela Confecom diretamente ligadas ao PNDH III que podem ter sua consitucionalidade questionada, e deixarei de lado as demais.

Uma delas diz o seguinte:

Tenho a impressão de que tal proposta não se coaduna de forma alguma com as disposições constitucionais mencionadas. Ou me engano? O artigo 221 visa apenas regular como os itens ali elencados integrarão a grade de rádios e TVs; não fala, de forma alguma, em política de concessões, mecanismos de distribuição e afins. Mesmo que tal proposta se referisse a algo totalmente distinto do PNDH III, não vejo como isso pudesse funcionar. Espero sinceramente que não seja um Tribunal Popular decidindo sobre concessões e ” regulação de conteúdo” – regular conteúdo é um termo muito forte, e vejo aí, sim, sem sombra de dúvida, cerceamento do direito de livre-expressão.

Vamos para outra  proposta aprovada pela Confecom (que repito novamente, tem propostas excelentes e constitucionais – estou apontando algumas,  onde vejo problemas quanto a sua constitucionalidade)

Epa, peraí… mas o que os jornais estão fazendo nesse imbroglio? Eu até posso admitir essa discussão para rádio e televisão (visto serem concessões públicas) mas JAMAIS, repito, JAMAIS para jornais. O art. 221 da CF não fala em jornais – e nem poderia -, que são propriedade privada.  E se isso for um projeto de lei distinto daqueles que serão encaminhados em decorrência do PNDH III, já aviso: é inconstitucional da unha do pé até o último fio de cabelo.

Estes são apenas alguns exemplos, mas há mais; importante ressaltar novamente: o PNDH III em si não possui inconstitucionalidades, mas algumas propostas de projeto de lei idealizadas para complementá-lo, sim – e é contra isso que me insurjo.


b)Promover diálogo com o Ministério Público para proposição de ações objetivando a suspensão de programação e publicidade atentatórias aos Direitos Humanos.

Bom, eu falei bastante sobre isso no Twitter, e lendo as propostas aprovadas pela Confecom descobri que há várias delas prevendo uma atuação mais efetiva do Ministério Público no que tange à violação dos direitos humanos na imprensa – que, em minha modesta opinião, juntamente com a desconcentração das teletransmissões e radiofusões, seriam a forma mais efetiva de se alcançar a democratização da comunicação almejada. Não acho ruim tal medida; só ressalto que o MP hoje já tem tal atribuição; caberia à sociedade cobrar posturas mais assertivas quanto a isso.


c)Suspender patrocínio e publicidade oficial em meios que veiculam programações atentatórias aos Direitos Humanos.

Aqui eu vejo um dado complicador não para as emissoras de televisão, mas sim para o Poder Público. Confesso que não sei como funciona o sistema de anúncios do Poder Público nas emissoras de rádio e televisão, mas imagino que eles possam ser interrompidos a qualquer momento, por ato do responsável (ato arbitrário puro e simples). A partir do momento em que existe um artigo dizendo que serão suspensos os patrocínios oficiais em emissoras que veiculam programações atentatórias aos direitos humanos ( e ressalto de novo para o perigo de uma definição mal feita do que seria isso) , haverá, a fim de obedecer-se ao princípio da legalidade, necessidade de processo administrativo (com duplo grau de jurisdição) a fim de se verificar a ocorrência ou não do fato. Repito: eu não sei como isso funciona, mas acho que, apesar de legítima, essa disposição é um tanto quanto inócua.

d)Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de Direitos Humanos, assim como os que cometem violações.

Bom, aqui a coisa complica. Em princípio, elaborar rankings não é um problema, eles aliás são feitos toda hora; o problema é se esses tais ” rankings” servirão de base para cassação das concessões outorgadas (imagino que sim). Nesse caso, eu confesso que não gosto não.

Não gosto porque esse tipo de controle envolve sempre questões de convicção pessoal. Querem ver um exemplo? Tem mulheres que acham abuso contra a mulher ela aparecer nua, ou em roupas sensuais, porque isso a objetificaria. Eu acho um tanto quanto exagerado mesmo a quantidade de comerciais onde um monte de mulher bonita aparece semivestida, mas sinceramente? Prefiro isso a ter uma comissão de mulheres definindo que não pode aparecer mulher em trajes sumários, ou que elas só possam aparecer exercendo cargos elevados. Ou ainda, que não possa aparecer, numa novela, cena de uma mulher apanhando do marido. Certamente violência contra a mulher fere direitos humanos, mas acho que negar a realidade não vai melhorá-la; ao contrário, acredito que determinados assuntos devam ser expostos a fim de suscitar o debate público. Enfim, o problema não é o ranking em si, mas o que farão com ele. E definitivamente não quero um Estado na função de grande pai dizendo pra mim o que é bom e o que não é bom. Não gosto desse tipo de tutela. Prefiro descobrir sozinha. ;-)

e)Desenvolver programas de formação nos meios de comunicação públicos como instrumento de informação e transparência das políticas públicas, de inclusão digital e de acessibilidade.

Não tenho nada contra, muito pelo contrário. Quanto mais transparente o governo for, melhor.

f)Avançar na regularização das rádios comunitárias e promover incentivos para que se afirmem como instrumentos permanentes de diálogo com as comunidades locais.

Também não tenho nada contra – acho inclusive importante. Isso sim é promover acesso à difusão da informação, e não umas coisas que ando lendo por aí.

g)Promover a eliminação das barreiras que impedem o acesso de pessoas com deficiência sensorial à programação em todos os meios de comunicação e informação, em conformidade com o Decreto no 5.296/2004, bem como acesso a novos sistemas e tecnologias, incluindo Internet.

Também não há o que falar, certo?

Objetivo Estratégico II: Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação. Ações Programáticas:

a)Promover parcerias com entidades associativas de mídia, profissionais de comunicação, entidades sindicais e populares para a produção e divulgação de materiais sobre Direitos Humanos.


b)Incentivar pesquisas regulares que possam identificar formas, circunstâncias e características de violações dos Direitos Humanos na mídia.


c)Incentivar a produção de filmes, vídeos, áudios e similares, voltada para a educação em Direitos Humanos e que reconstrua a história recente do autoritarismo no Brasil, bem como as iniciativas populares de organização e de resistência.


Pergunta: um filme que mostre as iniciativas populares de resistência de forma negativa estará abarcado por este item? Porque vocês sabem, a vida não é novela da Janete Clair onde tem o vilão e o bonzinho, bem e mal, preto ou branco. Ela é feita de matizes de cinza, né? E ainda que eu não goste de determinados posicionamentos, acho que todo mundo tem o direito de dizer o que pensa (sem ofensas, bien compris).

Não tenho ideia se algumas propostas da Confecom concernentes ao jornalismo em si serão enviadas como Projeto de Lei tendo em vista o PNH III, não consegui descobrir. Achei essa matéria aqui afirmando que algumas delas serão enviadas ao Congresso após análise do Governo – e até onde eu sei, de uma vez que o Sr. José Sarney é aliado do Governo, du-vi-de-o-dó que as propostas que eu julgo  mais importantes e efetivas, visando a desconcentração,  sejam encaminhadas; por outro lado, sou capaz de apostar que tentarão impingir algumas das propostas flagrantemente inconstitucionais que prevêem o controle externo da mídia (e a própria situação em que se encontra o Estado de São Paulo é prova de que alguns são favoráveis a esse tipo de ingerência externa) -; espero estar enganada e, caso esteja,  e virei aqui fazer um mea culpa, podem cobrar.

Em resumo? O PNDH III não contém inconstitucionalidades, mas há algumas propostas em torno dele perigosas para a liberdade de expressão ( importante ressaltar que li todas as propostas  da Confecom)

Se alguém quiser discutir (discussão, bem entendido, dos fatos, de ideias, e não aquela coisa 5a série de “ah, se você não concorda com tudo você é um porco capitalista”, “mas o FHC assinou também então você não pode reclamar agora”, ” se Huguinho, Zezinho e Luizinho são contra eu sou a favor porque não fico do lado de Huguinho, Zezinho e Luizinho”) o assunto, sintam-se em casa (lembrando sempre daquelas regrinhas básicas de conduta em sociedade, certo? :-) )

****

P.S. Deixo de mencionar aqui as outras questões polêmicas do PNDH III, pois este texto ficaria (ainda mais) longo do que já está; mas lamento que o texto sobre aborto tenha sido suavizado, e não acho que audiência de conciliação antes de reintegração de posse resolva seja lá o que for (a redação anterior, exigindo presença de juízes era melhor – apesar de achar impossível de se executar); nada a opor no entanto, ao aumento do índice de produtividade das grandes propriedades de terra,  devidamente estruturadas e não do agricultor médio (pra mim não é só o tamanho que deve ser levado em consideração aí, mas a capacidade econômica do agricultor). E também acho que camponeses já assentados que venderam suas terras e estão de novo no campo pleiteando terras não podem mais fazê-lo – inclusive deveriam ser punidos por má-fé  ;-)

  • Share/Bookmark

→ No CommentsTags:···

O que andei lendo: Fashion Babylon

janeiro 19th, 2010 · Comportamento, Darlings de Cabeceira, Literatura, Livros

<abre parênteses>: se você perdeu o longa metragem que deu origem à série, dê uma olhada no “o que andei lendo – julho de 2008”  (e também o texto falando sobre a mudança de formato) para captar a mensagem e entender o porquê dessa lista…</fecha parênteses>

Fashion Babylon, de Imogen Edwards Jones

Bom, eu sou daquelas que acha que quase qualquer coisa combina com livro (tanto que recomendo leitura em viagens, hehehe) – acho que uma forma de você mergulhar em um lugar ou um evento de uma forma mais saborosa.

E nesses tempos de SPFW, nada mais divertido (pelo menos pra goiaba aqui) do que ler sobre o assunto que está rolando na boca da moçada. Li há um tempo atrás  um desses livros que a princípio parecem ser chick lit fútil, mas não é. Chama Fashion Babylon, e da mesma forma que “O Diabo veste Prada”, é uma crítica à indústria da moda, embora muuuuito mais consistente do que este último, porque traz pesquisas, números, esclarecimentos sobre as diversas etapas da elaboração de uma coleção de moda etc. Eu diria que na realidade é  uma “reportagem romanceada”  :-)

O livro mostra seis meses inteiros da vida de uma estilista de uma grife que ainda não é “top de linha” preparando sua próxima coleção – começa depois de um desfile (onde 10 minutos após o final do desfile, os jornalistas perguntam se ela já tem alguma ideia para a próxima coleção), e vai desde a sua concepção passando pela compra dos tecidos nas épocas próprias, a elaboração das roupas, a escolha das modelos, da maquiagem, dos cabelos, ou seja os desfiles propriamente ditos e sua repercussão na mídia (e consequentemente, a repercussão não só na conta bancária, como também na auto estima da estilista). Há também há os temas mais polêmicos (drogas, idade das modelos etc), abordados de uma forma que só fica superficial se você assim o quiser (achei uma resenha bacana e detalhada  aqui).

O livro serviu de mote para a BBC gravar uma série, que foi adiada e estreou semana passada na Inglaterra. Vejam o trailler:

Bom, porque eu achei o livro legal? Em primeiro lugar, eu não tinha a mínima noção que tinha tanta coisa assim pra fazer. É como se vc fizesse (dentro de lo que cabe) um mergulho nesse métier. Eu não imaginava (até porque não tinha parado pra pensar) por exemplo, que existem feiras de tecidos onde os estilistas vão escolher os tecidos a ser utilizados nos desfiles. Claro que eles têm que escolher os tecidos – eu só não pensava que era numa feira, onde todos os outros estilistas estão fazendo a meeesma coisa. São coisas bobinhas, eu sei, mas para mim, que não sou do meio, são informações novas, que eu ignorava totalmente. E eu acho que aprender é sempre bom.

cotação Lady Rasta:

  • Share/Bookmark

→ 3 CommentsTags:·····

Conhecendo Salvador em 72h sem stress

janeiro 16th, 2010 · Viagens, turismo

A @syferrari na última hora decidiu me fazer companhia no Reveillon; só que ela chegou na madrugada do dia 30 pro dia 31 e voltou na madrugada do dia 02 pra 3. Praticamente 72 h na cidade. Não vou dizer que ela conhece a cidade como a palma da mão dela, mas acho que ela saiu de lá com um boa noção da cidade, sem muita correria, e acho que o nosso roteiro é um excelente guideline para a estréia de alguém na cidade.

Querem ver?

1º dia

Acordamos dia 31, e queríamos ir para algum bar na noite, então fomos até a Barra pela orla – e ela já ficou conhecendo esse pedaço. De lá fomos pra praia, e como íamos “por dentro”, ela já conheceu o Dique do Tororó (sim, o da música) com as imagens dos orixás, que eu julgo um “lerê” bacana da cidade, e que não precisa mais do que uma olhada do carro.

Os orixás são presença constante em Salvador

Fomos pra praia de Aleluia (passando Itapoã, onde ficam as praias e barracas bacanas da cidade). A barraca do Loro estava entupida, idem a Margarita (até porque a ideia é essa, tendo em vista serem pontos de paquera) e acabamos indo parar numa barraca menos badalada, passando o Baionês, mas com sossego na praia, e mais espaço. Recomendo.

Voltamos e comemos o acarajé de uma das 3 baianas mais famosas da cidade, o de Cira – as outras duas, também com barraca no Rio Vermelho, são Dinha e Regina.

Descansamos e a noite fomos ver os fogos no Farol da Barra, que estavam maravilhosos, realmente impressionantes – mais do que os da Av. Paulista, que já tive oportunidade de ver. Com as pessoas de branco na praia me senti meio numa mini-copacabaninha sabem?

<abre parênteses> quem vai a Salvador sem ter um Reveillon no meio pode muito bem ir jantar num dos restaurantes bacanas da Marina – eu não recomendo comida régiónal porque acho pesado comer isso a noite   – recomendo o Soho Marina, pelo visual. Vc também pode passear pelos bares do Rio Vermelho </fecha parênteses>

2º dia:

No dia seguinte, era uma 6ª feira, dia de ir ao Bonfim. Como ainda por cima era 1º de ano, lá fomos nós pra missa das 6 da manhã – os detalhes (e os motivos de se ir ao Bonfim às 6as feiras) vocês podem conferir aqui.

Do Bonfim nós fizemos uma vírgula para a ponta de Itapagipe, onde tem o Monte Serrat, que tem uma vista linda. Voltando, dá pra passar no Mercado Modelo, que é no caminho de volta de qualquer hotel.Já compre os berimbaus e lembrancinhas que precisar (eu prefiro o andar de cima) – mas não perca mais do que uma hora lá, afinal, você tem uma cidade a sua espera…

aproveite e compre todos os berimbaus que precisar

h, já ia esquecendo: na volta, caso esteja de taxi, peça para o motorista ir pela orla para vc ter uma ideia da cidade e ter uma noção espacial da cidade. Voltando da Cidade Baixa dá pra passar no Campo Grande, no Corredor da Vitória, na Ladeira da Barra, no Porto da Barra, no Farol da Barra.

Como era dia 1º de janeiro e íamos ver Daniela Mercury no Farol da Barra a noite, voltamos pro hotel, depois de passar pela casa de Yemanjá que fica também no Rio Vermelho; mas quem não tem compromissos pode muito bem escolher entre passear no Forte São Marcelo ou subir pro Pelourinho pelo Elevador Lacerda. Eu gosto de fazer as coisas mais lentas, então iria pro Forte São Marcelo, combinado com o Mercado Modelo e dava o dia de visitas por bom.

Se não der praia, você não quiser piscina e ainda estiver animado, vá almoçar no Paraíso Tropical que já aviso: é longe, não é fácil de chegar, mas vale a pena, acredite. Duvida? Confira aqui.

Sua noite vai depender do dia da semana específico: se for uma 3ª feira, vá ao Pelourinho lá pelas 6, pegue a missa na Igreja do Rosário dos Pretos – vale a pena pelo sincretismo religioso; na seqüência, veja o Olodum se apresentar (confira a programação do Pelourinho aqui).

Às 6as feiras (ao menos nesse verão 2010) no Centro Cultural Barroquinha (na Praça Castro Alves), uma igreja em ruínas restaurada transformada em Centro Culural onde Mariene de Castro comanda o projeto Santo de Casa (uma explicação detalhada você encontra aqui). Definitely worth going ;-)

Se for um domingo há o sarau de Carlinhos Brown perto do Porto, no Museu do Ritmo.

E moçada, conselho que todo viajante digno desse nome TEM QUE seguir: não deixe de ver a seção de eventos dos jornais da cidade visitada (A Tarde é o maior  em Salvador– com um caderno de eventos às 6as feiras) para ver “qual é a boa”do dia, porque sempre tem alguma coisa – no caso de Salvador, você pode até cair numa festa de largo perto de você…

3º dia

Acordamos com chuva forte. Ela melhorou depois das 10, mas o tempo estava fechado, então invertemos a ordem da programação que eu sugiro aqui. Aliás, em caso de chuva, faça o mesmo (e saia preparada pra ir direto pra praia se der vontade caso o tempo abra – quase todas as barracas têm banheiro pra você se trocar, não precisa andar de biquíni pela cidade).

Vá à praia (eu sugeri pra @syferrari a da Pedra do Sal, escondidinha entre Itapoã e Aleluia.

ah, o fim de tarde em Itapoã...

A Pedra do Sal é uma praia sem muito agito, mas extremamente charmosa). Almoce em uma das duas barracas de lá, a do Francês ou a Goa (conheci nessa viagem, e adorei).

O @riqfreire, darling querido e A pessoa que entende de viajar, adorou (e até exagerou um pouquinho, :lol: )

Depois, troque de roupa e vá conhecer o Pelourinho (caso não tenha ido mais cedo no dia anterior)

Gosto de recomendar a Igreja de São Francisco (aquela da música), a sede dos Filhos de Gandhi (afoxé tradicionalíssimo da cidade) e a loja de cachaças “O Cravinho”. Tem vários endereços aqui

Detalhe da Casa de Jorge Amado - todos os livros dele tem esse desenho (do Caryé)na 1a. página, para proteção, sabiam?

Mas se eu fosse você não ficaria só na parte mais turística do Pelourinho: atravesse a Baixa dos Sapateiros vá até o outro lado, pra Santo Antonio Além do Carmo – no caminho repare na escadaria da Igreja do Paço, que foi cenário de “O Pagador de Promessas”, filme de Glauber Rocha, e que serve de palco para as apresentações gratuitas de Gerônimo, todas as 3as feiras.

No “outro lado” você terá menos casas restauradas, mas eu acho mais autêntico.

Eu pessoalmente acho o máximo o boteco da Cruz do Paschoal (um pouco pra frente do chiquérrimo hotel do Convento do Carmo): mesas (de plástico, infelizmente) no meio da praça com aquela mélange de pessoas que eu adoro: moradores, turistas e por aí afora.

<abre parênteses> se eu tivesse que dar um conselho para alguém tentar entender Salvador, eu diria que o segredo é pensar em contraste, antítese, e ao mesmo tempo na simbiose desses conceitos. Não é licença poética da música; em Salvador o sacro e o profano convivem lado a lado, a festa religiosa ao lado da cachaça; catolicismo e candomblé que convivem através do sincretismo religioso; áreas pobres lado a lado com áreas ricas. A única hora (infelizmente) em que isso não existe é quando se freqüenta lugares mais caros e considerados mais “finos” da cidade – aí, é raríssimo você encontrar um negro na condição de cliente… </fecha parênteses>

é nos detalhes que a cidade se mostra; onde mais você veria uma loja assim?

Tem também um restaurante italiano simples com uma vista deslumbrante chamado Al Carmo – ainda que vc não queira comer, vale uma cerveja.

fala se não é uma delícia de pit stop?

Você decide como quer terminar sua última noite: pode ser mais um jantar regional (pode ser no Yemanjá – que apesar de ser meio turístico é frequentado por locais e tem uma moqueca correta) ou no Amado, que também tem uma vista linda. Nós tentamos ir no Soho Marina mas estava muito lotado – entramos no restaurante ao lado, no Lafayette e comemos muito bem (como eu sempre digo, se o intuito não é comido típica, a Marina é sempre um local para se comer bem).

Claro que faltaram muitas coisas para se ver – mas tenha certeza: você vai embora tendo uma bela noção da cidade (e se for que nem eu, querendo voltar). ?

****

Restaurantes, bares e afins dos quais eu gosto e que não mencionei no post:

Mistura: A Constance quando esteve lá disse que não comeu bem, e parece que o restaurante mudou de dono; mas sempre foi um restaurante super tradicional de peixes na cidade (eu fui algumas vezes e não tive problemas)

Rio Vermelho: O Rio Vermelho está cheio de botecos bonitinhos que valem a pena ser descobertos. Atenção pra programação do Café Teatro do Sesi do Rio Vermelho, que sempre tem alguma coisa interessante (e barata rolando)

Preciso conhecer a Moqueca de Don’Ana, famosérrima. Fica em Brotas, que não é uma área turística. Está na minha to do list há séculos…

MAM – o Solar do Unhão é uma construção histórica debruçada na Bahia de Todos os Santos, e aos sábados, no fim de tarde, rola um jazz por lá.

Sorveterias

Eu adoro o sorvete de coco verde da Sorveteria da Barra que fica no Jd. Brasil, não muito longe do Farol da Barra; mas os baianos talvez prefiram sugerir a Cubana (no Pelourinho ou no elevador Lacerda – na Praça da Sé) ou a Sorveteria da Ribeira, que fica lá pros lados do Bonfim.

****

P.S. Todas as fotos desse post são da @syferrari – e vale a pena ver seu álbum #SSAfeelings, onde ela associou cada foto a um trecho de música…

P.S. II – Eu adoro ler livros cuja cidade que eu visito serve de cenário para a trama; pra ler em Salvador, recomendo “A casa do Rio Vermelho” da Zélia Gattai,  e o engraçadíssimo “O Compadre de Ogun” de Jorge Amado (vale também Dona Flor e seus 2 maridos).

  • Share/Bookmark

→ 7 CommentsTags:··

Lavagem do Bonfim 2010 – eu fui

janeiro 14th, 2010 · Datas Comemorativas, Viagens

Ah, eu vim de Ilha de Maré minha senhora
Prá fazer samba na lavagem do Bonfim
Saltei na rampa do mercado e segui na direção
Cortejo armado na Igreja da Conceição
Aí de carroça andei, comadre,
Aí de carroça andei, compadre

Ah, quando eu cheguei no Bonfim minha senhora
Da carroça enfeitada eu saltei
Com água, flores e perfume
a escada da colina eu lavei
Aí foi que eu sambei, compadre
Aí foi que eu sambei, comadre…
Aí foi que eu sambei, compadre
Aí foi que eu sambei, comadre…

(Ilha de Maré  - veja uma versão aqui)

Vou contar uma coisa pra vocês: se eu tivesse que mostrar uma festa de largo baiana para um gringo, não seria o Carnaval que eu mostraria não; seria a Lavagem do Bonfim.

Digo isso porque pra mim, é a festa que sintetiza, materializa, todo aquele espírito baiano, todas aquelas dicotomias (que aqui, inexplicavelmente, deixam de ser vistas dessa forma) entre sacro e profano, candomblé e catolicismo, branco e preto…

É um percurso de 8 km, que você faz sem sentir e ao fim dele entende perfeitamente porque tanta gente gosta da Bahia: porque o baiano tem orgulho de sua terra,de sua fé, de seus costumes, e tem certeza que aqui é o melhor lugar do mundo – e com isso, o lugar fica exatamente como eles acham que é.

O cortejo sai da Igreja da Conceição, com um super clima de festa. Logo de cara, encontramos o pessoal dos Filhos de Gandhi, afoxé tradicionalíssimo aqui em Salvador:

Acho que se eu colocar som vocês vão pegar o espírito da coisa melhor, né?

Lavagem do Bonfim 1 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010 – Filhos de Gandhi

Pra vocês terem uma ideia da quantidade de gente, lá pelas 10 da manhã:

(e sim, todo mundo está fazendo o percurso de 8 km)

As baianas estão lindas:

(tem gente que, por devoção, vai descalço…)

<abre parênteses> sabe o que eu gosto na Lavagem do Bonfim? Não é aquela coisa devota contida, devoção pretensiosa, devoção sofrida; é alegre – afinal, é uma festa!!!! </fecha parênteses>

Enquanto isso, as bandas vão tocando marchinhas e sambas antigos:

Lavagem do Bonfim 4 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

(lordrastajr adorou o que ele chamou de “tiozinho que manda na banda” ):

É uma delícia ver as plaquinhas da distância diminuindo:

E nós estamos aqui!!!

E ao longo do trajeto tem de tudo (pois todos os grupos querem homenagear o Senhor do Bonfim), vários  mini-shows nessa parade divertidérrima:

Não sei quanto a vocês, mas eu me encanto com os detalhes:

À medida que vai se chegando mais perto, o cortejo vai ganhando tintas de maior fervor – aqui a bandinha já começa a tocar o Hino Do Senhor do Bonfim (ouça uma versão linda dos Novos Baianos aqui)

Lavagem do Bonfim 5 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

E como vocês podem ver, o número de gente só aumenta….

As casas por onde passa o cortejo também se enfeitam e participam da festa:

A gente nem cansa muito, fica nessas de tomar cerveja e ouvir uma coisa aqui e outra ali…

Lavagem do Bonfim 6 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

e quando vê…

estamos subindo a colina!!

Assim que chegam ao topo,

…as pessoas chegam aos portões da Igreja fazer suas preces e agradecer

Chegando lá, o Padre fala às pessoas (novidade, pois até 2 anos atrás a Igreja ficava totalmente fechada, pois o Padre anterior era contra o sincretismo religioso da festa; o Padre atual já entende de forma diferente), reza, e até soltou um pombo branco, seguido de balões e papel prateado.

Enquanto isso, as pessoas cantam o hino, e as e as baianas abençoam quem estiver lá, jogando água de cheiro…

Querem ver como fica com música?

Lavagem do Bonfim 7 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

Pronto. A parte sacra da festa acabou – agora é se jogar nos botecos ao lado pra cair na cachaça…

E como vocês podem perceber, tem gente que ainda está chegando à festa, de forma um tanto quanto heterodoxa….

É o que eu digo: para onde você olhe, tem alguma coisa acontecendo. Vão me dizer que isso não é máximo? :-)

****

Quando, como e onde:

A Lavagem do Bonfim ocorre em Salvador sempre na 2a 5a feira depois do dia de reis. Começa às 9 horas (chegue uns 15 minutos antes) e depois o cortejo percorre 8 kms, até o Bonfim. Pra sair de lá é um pouco complicado: desça por trás da igreja e pergunte como faz para chegar no “Caminho de Areia. Se táxi estiver embaçado, pegue um ônibus e desça quando vir mais táxis na rua.

****

P.S.Era unanimidade a contrariedade quanto ao excesso de cartazes e propaganda política que grassava na festa; e é praticamente impossível tirar uma foto sem que apareça algum tipo de propaganda política; alguns partidos eram mais discretos, mas outros, bem como algumas entidades, passaram dos limites. Feio, né?

  • Share/Bookmark

→ 15 CommentsTags:·····

Crianças são “adestráveis”?

janeiro 12th, 2010 · Métodos Lady Rasta de Educar Crianças, educação

<abre parênteses> Quando meu filho era bem pequeno e eu tinha que dar bronca ou falar muito sério com ele, eu segurava no queixo dele quando ele desviava o olhar pra tornar a bronca menos dura. Certo dia, nosso cachorro, o Boris, um Schauzer, fez cocô no quarto dele. Eu entro no quarto e vejo meu filho segurando o queixo do cachorro, olhando bem sério pra ele e dizendo : “Bólis, não pode fazer cocô no meu quarto, entendeu bem”? </fecha parênteses>

Fiquei pensando muito nessa história e também na forma como educo meu filho quando me mandaram a polêmica matéria da Época falando sobre a similaridade entre se educar crianças e se adestrar cães.

Claro, quando a gente lê uma coisa dessas, a primeira reação é de repúdio. Como assim aplicar técnicas de adestramento de cães a crianças? A @srtabia mesmo falou que disciplina, respeito e regras não eram o mesmo que adestrar (ou disse algo muito próximo disso), e concordei com ela.

Mas confesso: achei a abordagem um tanto quanto superficial, e num tom irônico desnecessário e ao meu ver, pretensioso.

Vou tentar mostrar minha linha de raciocínio pra vocês:

Logo que li a matéria fiquei pensando:o que é adestrar?

Fui ver lá no Houaiss:

Adestrar

Acepções

verbo transitivo direto e pronominal

volver(-se) destro, tornar(-se) capaz, hábil (em alguma coisa); habilitar(-se), preparar(-se)

Ex.: <a. soldados para a guerra> <os recrutas adestravam-se em campo aberto>

Ué, será que a gente nunca faz isso com nossos filhos?

E vou um pouco mais longe: se o que fazemos com nossas crianças em algumas áreas da educação não é adestrar, então o que é? O que eu fiz, por exemplo, nesse caso aqui?

Contudo, não acho que educação seja sinônimo de adestramento, longe disso; na verdade, acho que a educação de um filho propriamente dita se divide em vários itens, dos quais destacaria:

a) ensino das inúmeras regras de comportamento em sociedade, que vão desde determinação de horário para refeições e lições até saber se comportar em um jantar, passando pelas regras à mesa e pelo controle do intestino e uretra;

b) ensino complementar àquele ministrado na escola – que para mim consiste em habituar a criança a freqüentar exposições, a ouvir música de todos os estilos (sim, de todos os estilos – depois, ela que escolha seus preferidos), a ler livros que os pais julgam relevantes para a formação de um ser humano (obviamente, respeitando capacidade cognitiva e faixa etária da criança), viajar etc;

c) construção da alta estima da criança – que, ao meu ver, está intimamente ligada à relação afetiva entre pais e filhos e principalmente, no respeito dos pais pelas opiniões dos filhos (vale ressaltar: eu disse opiniões, e não vontades e desejos; e também não disse que toda opinião divergente de filho deve ser acatada – mas ela deve ser ouvida e respeitada).

d) monitoramento (até certa idade), apoio e aconselhamento no que tange às relações sócio-afetivas dos filhos, bem como delegação de responsabilidade, na medida do amadurecimento e idade da criança.

Tenho certeza absoluta que técnicas utilizadas no adestramento de cães seriam total e absolutamente inúteis (e mesmo indesejadas) nos itens c e d; no entanto, confesso que acho os itens a e b muitíssimo similares às técnicas de adestramento.

Em inglês, o ato de tirar a fralda da criança e habitua-la a usar o penico é chamado “potty training”, algo cuja tradução seria “treino para penico”. O que é que as mães fazem? Levam a criança em horas determinadas para o penico e elogiam quando a criança faz cocô ou xixi lá. Isso não seria um adestramento?

O mesmo vale para determinar horários para se alimentar, para fazer lição (na minha casa não se ligava TV ou se brincava antes da lição estar feita), para não comer de boca cheia, para não colocar cotovelo na mesa, para segurar talheres corretamente (a esses treinos aliás, me parece que muitas pessoas faltaram…). Também vale para cumprimentar as pessoas, pedir “por favor”, se comportar em um restaurante etc.

Sinceramente? Não consigo, por mais que eu tente, encontrar diferenças nas técnicas que se aplicam para alcançar os resultados acima com crianças das que são aplicadas aos cães, até porque não há muito mistério: os pais devem ser assertivos, devem falar com autoridade (o que é muito diferente de gritar; só grita aliás, quem sabe não ter autoridade), olhando no olho da criança, e impondo sanções positivas (prêmio – que pode ser um sorriso de assentimento ou o “mamãe está muito orgulhosa de você”) ou negativas (castigo), dependendo de a criança ter cumprido ou não o determinado pelos pais (sim, determinado e não pedido – algumas coisas são negociáveis, outras não são, e aqui estamos falando das inegociáveis).

Por causa disso, acho meio inadequado o tom de chacota da Época. A certa altura, lemos no texto, em destaque “para o Encantador de Cães, o essencial é mostrar quem está no comando. Pais perdidos adoram essa ideia”.

Ora, com todo o respeito, se pais perdidos começarem a entender que precisam mostrar que estão no comando, eles talvez deixem de ser perdidos. Qual é o problema aí? Não vejo nenhum.

Também concordo com o psicanalista citado no texto, Aric Sigman, quando ele afirma que os pais estão totalmente sem diretrizes e se apegam a qualquer coisa que julguem funcionar (tanto que temos essa moda de criança fazer o que quer, pois do contrário ficará traumatizada); só não acho que é o fim do mundo você utilizar os parâmetros utilizados no adestramento de cães, desde que evidentemente, isso se dê em estágios específicos da educação e desenvolvimento emocional dos filhos, e muito principalmente, que os pais consigam, paralelamente a isso, atender aos itens “c” e “d”que eu mencionei acima, itens estes onde não há como se aplicar nada parecido com técnicas de adestramento.

O problema está aí: quantos pais conseguem discernir em quais etapas da educação da criança se aplicam métodos de treinamento, com imposição de limites, tarefas com sanções e em quais deve-se prestar atenção aos anseios do seu filho, ou como ele está se sentindo? Mais: quantos pais estão aptos (ou têm a grandeza d’alma e segurança em si próprios) a, paralelamente a esse “adestramento”, ensinar seus filhos a pensar por si próprios na medida de seu desenvolvimento, a permitir enfrentamentos saudáveis sem que isso signifique perda de autoridade, a ouvi-los, voltar atrás e eventualmente pedir desculpas quando erraram? O cerne do problema é esse, e não a forma como se ensinam determinados comportamentos às crianças, ou de onde tais técnicas foram retiradas. No fim, como dizia meu pai, o que interessa é bola na rede, certo? E como disse o @gpavoni no Twitter, tem gente por aí que muito ganharia se tivesse aprendido a fazer xixi no jornal… :lol:

****

P.S. O debate está aberto; por favor, dêem seus pitacos!!

  • Share/Bookmark

→ 11 CommentsTags:·

O que andei lendo – Planisfério Pessoal

janeiro 8th, 2010 · Darlings de Cabeceira, Literatura, Livros

sexy_lady_reading_by_haneek

<abre parênteses>: se vc perdeu o longa metragem que deu origem à série, dê uma olhada no “o que andei lendo – julho de 2008”  (e também o texto falando sobre a mudança de formato) para captar a mensagem e entender o porquê dessa lista…</fecha parênteses>

Alguns livros nos encantam profundamente. Este é um deles. Demorei para comprá-lo, apesar do @riqfreire ter elogiado o dito cujo já ha algum tempo. Mas pensando bem, talvez a hora certa fosse exatamente nesta viagem…

O livro é um apanhado das colunas do autor pra um jornal português onde ele conta sua volta ao mundo, feita apenas com transportes não aéreos; no entanto, eu diria que é antes um livro de reflexões sobre a vida e o ser humano do que um mero relato de viagem, reflexões essas decorrentes de um senso de observação do ser humano bastante apurado.

É o tipo do livro que continua conosco mesmo quando já o fechamos, pois algumas ideias ficam dançando na cabeça da gente nos fazendo pensar.

Um exemplo? A afirmação de que viagens são “catalisadores do destino”, porque precipitam acontecimentos ou permitem encontros que talvez nunca ocorressem (e eu acrescentaria que aceleram o estreitamento ou o fim de relações, nos casos de viagens não solitárias).

Ou então quando ele desmistifica um pouco o mito de que o americano se desprende fácil de seu local de origem (baseado nas pesquisas sobre a média de mudança dos americanos durante a vida), pois na verdade suas casas apesar da pouca durabilidade, são estáveis à medida que são replicadas exaustivamente pelo país.

Posso também mencionar o trecho destacado pelo Riq abordando o “turismo alternativo de massa” da Ásia, quando Cadilhe chega à conclusão de que a aventura mais difícil e desafiadora é ter uma relação estável e conseguir pagar suas contas com os frutos de um trabalho que dê prazer.

E tem também as peculiaridades de alguns locais que frequentam os jornais não nos cadernos de turismo, e sim nos de política internacional: quando Cadilhe pergunta a seu guia em Peshawar se havia alguma coisa turística pra fazer, disseram que o mais legal era  fazer “uma visita a uma oficina artesanal de metralhadoras”, com “direito a tiros com Kalashnikovs “. :lol:

Mas também tenho que confessar que o livro me deixou pessoalmente frustrada: adoro viajar, adoro ir para lugares diferentes, adoro ver como pessoas com modus vivendi diferente do meu vivem; no entanto, sei que não tenho coragem (ou estofo, ou idade, ou tudo isso junto) para fazer algo remotamente parecido com o que Cadilhe fez. E dá uma pontinha de inveja sabe? Inveja da coragem e da disposição que eu não tenho :-(

Mas em suma? O livro é inteligente, leve e delicioso. Estou encantada – e vou procurar mais livros do autor pra comprar.

Olhem só como o meu exemplar ficou:

cotação Lady Rasta:

****

P.S. Mais Gonçalo Cadilhe você encontra aqui e ali

  • Share/Bookmark

→ 11 CommentsTags:···

Por que Santo André é bacana?

janeiro 6th, 2010 · Viagens

É uma daquelas coisas que não dá pra entender: ouço falar de Santo André pelo menos desde meados da década de 90; no entanto, foi uma das últimas praias mais famosas da Bahia que eu conheci – e não entendo como demorei tanto tempo :-(

Também sempre me perguntei como Santo André conseguiu ficar incólume e não ter sido invadida pelos ônibus de excursão que fazem parte há anos da paisagem daquela cidade,  apesar de estar apenas a 25 km asfaltados de Porto Seguro.

Por do sol no rio, que tal?

Depois de passear por lá uns dias – cheguei para passar 3 noites e passei 6, :lol:  -, concluí que não é apenas em razão da dificuldade de acesso até a década de 90 como alegam (pois isso Trancoso também tinha), mas também em decorrência de uma comunidade muito conscienciosa, realmente preocupada com a preservação do local (um exemplo? você não vê – ao menos por enquanto- casas da praia, coisa que não ocorre em Trancoso, Arraial D’Ajuda e outras praias da Bahia).  Também tenho que reconhecer que a falta de algo muito peculiar no local (como a falta de um “Quadrado” como o de Trancoso, que inegavelmente é charmosérrimo, como bem lembrou o @riqfreire) ajudou;  mas nesse caso, não ser a mais bonita (ou com características mais fortes) das praias do Sul da Bahia fez com que Sto. André se preservasse, e hoje  saia ganhando (ao menos pra mim, que acho uó ir pra um lugar encontrar as mesmas pessoas, as mesmas lojas e ouvir as mesmas fofocas que em São Paulo).

essa é uma das ruas mais movimentadas de lá...

Tenho a impressão também que o tipo de pessoas que se radicou por lá (ou que vão pra lá para passar temporadas) fez diferença: é um pessoal um pouco mais velho, que interage com os nativos e não apenas os coloca no seu cenário de férias (um bom exemplo é este blog aqui)

O resultado é aquele que eu adoro: pouca gente, uma praia deliciosamente deserta, uma meia dúzia de restaurantes gostosos, sol e rede. Passei dias maravilhosos por lá, reencontrei pessoas e fiz amigos – nada mal pra quem estava com medo de passar o Natal sozinha, né?

Pra completar, descobri que o dia do padroeiro da cidade, Santo André, é no dia do meu aniversário, 30 de novembro. Precisa falar que eu adorei?

****

LUGARES QUE CURTI

Casa Praia – O @riqfreire já havia falado dela ano passado aqui; junto com a pousada Victor Hugo, é um dos lugares onde as pessoas se encontram em Santo André.

O lugar é lindo, aquela coisa com ambiance, saca? Luz linda, decoração bacana (a suíte para hóspedes é um desbunde, veja as fotos no post do Riq que eu linkei), música legal. Você pode ir para jantar ou então (o que recomendo, pois apesar de ter comido bem, os comentários que ouvi afirmam que a cozinha é um pouco irregular) passar lá para um drink ao cair da tarde, ou após o jantar para ouvir música – eles têm uma super programação, que vai de shows variados a filmes, passando por performances diversas. Aquele tipo de lugar que você não imagina lá – e é uma delícia justamente por isso.

Mas tenho um alerta pra fazer, apesar de me doer fazer isso: por favor fiquem atentos à bolsa – tive a minha roubada lá, depois de ter dado uma bobeada e largado a dita cuja para ir dançar. E já digo: não foi coisa de nativo não; o principal suspeito, última pessoa a ser vista com a minha bolsa, era um cliente, menino de 15 anos cuja tia é moradora e comerciante de Cabrália. Complicado né? Eu por vezes baixo a guarda quando estou em cidades tidas como mais pacatas, mas a verdade é: hoje em dia não há sossego em lugar algum.

Pousada Victor Hugo – uma das mais tradicionais do lugar, um dos pontos de encontro das pessoas. Foi onde fiquei hospedada, e não só fui muitíssimo bem tratada como conheci muita gente bacana por lá. Há no entanto, diversas outras pousadas, que vc pode conferir aqui e ver algum detalhamento  ali.

El Floridita – não sei se o nome do lugar é em homenagem ao bar predileto do Hemingway em Cuba, mas adoro a ideia de que seja. Restaurante gostoso e charmosinho à beira do rio, comida variada (de peixes a sanduíches) muito gostosa. Não cheguei a ver o por do sol dali, mas pela localização deve ser uma delícia.

eesa vista + mojitos + por do sol = priceless

Estrela – pizzas muito gostosas num lugar super gracinha. Adorei e recomendo.

Apesar de ter ficado 6 dias por lá, confesso que estava mais na linha dolce far niente do que na vibe “quero conhecer tudo”; faltou conhecer Belmonte, Guaiú, vários restaurantes… Tem bastante coisa pra fazer (vejam nesse blog e naquele) – tanto que vou voltar :-)

****

P.S. Tenho que fazer um agradecimento especial pra @leapenteado, que me recebeu de braços abertos e de lambuja ainda me explicou muita coisa sobre o lugar– fica mais fácil gostar de um lugar quando se é recebido assim :-)

  • Share/Bookmark

→ 8 CommentsTags:·

De Arraial a Santo André no modo semi-roots

janeiro 3rd, 2010 · Comportamento, Viagens

“Mã, o legal de andar de ônibus nas viagens é que nos ônibus as coisas acontecem; táxi só nos leva de um lugar pro outro”.
Meu filho disse isso há um ano atrás quando por falta de táxis após uma festa no Farol da Barra, pegamos um ônibus até Itapoan e nessa volta ao hotel ele viu dentre outras coisas, dois hippies entrando com aqueles painéis de brincos e bugigangas (tá bom vai, artesanato), um entregador de pizza (!) e mais uns moleques falando besteira.
Lembrei dele hoje quando, tendo optado por fazer o trecho Arraial D’Ajuda – Santo André de ônibus, tirei essa foto aqui:
Pode ser que eu seja apenas uma maluca que vê graça nessas pequenas coisas; mas como diz o Ricardo Freire em algum lugar do blog dele, a verdadeira viagem acontece entre um lerê e outro (em linguagem VNV, “lerê” são aqueles programas que, a priori, dizem que você tem que fazer: ir à Torre Eiffel, ao Pelourinho, ao Cristo Redentor etc); pensando nisso (e vá lá, também porque não estava a fim de gastar R$200,00 no trajeto), resolvi fazer a minha ida de Arraial a Santo André no modo semi-roots.
Semi-roots porque nos trechos em que o trabalho de carregar minha mala não compensava o dinheiro economizado, eu fui de táxi. O trajeto todo incluía: transporte até a balsa entre Arraial d’Ajuda e Porto Seguro, travessia da balsa, transporte até Santa Cruz Cabrália (25 km), travessia da balsa entre Cabrália e Santo André, e transporte da balsa até a minha pousada.
Por isso,  de táxi da pousada até a balsa; minha pousada ficava longe e não tava a fim de subir morro carregando mala – paguei R$20,00.
A balsa é super bacaninha, limpa e é de graça na volta (ou ao menos ninguém me cobrou nada).
Saindo de lá, andei algumas quadras (umas 6 aproximadamente) até o ponto de ônibus; com mala de rodinha, foi tranqüilo.

Cheguei ao ponto e esperei uns minutos (uns 15, 20 minutos, aproximadamente).
os moradores reclamaram que o prefeito não coloca um banquinho
O ônibus custou R$3,00 pila (intermunicipal), e estava em ordem. A ida pra Cabrália é agradável, de uma vez que você vai vendo o mar. Eu estava preocupadíssima em saber como eu faria pra passar com minha mala pela catraca, mas me informaram que eu passava e depois as pessoas me dariam a mala pela porta da frente. ?
Desci no ponto que me indicaram, andei algumas quadras (não saberia precisar quantas, mas foram menos de 10 minutos de caminhada) e. saí correndo porque a balsa estava saindo. Paguei voando (R$0,80) e lá fui eu atravessar o rio…
<abre parênteses> ao ver mais um mangue na traveessia cheguei a uma conclusão que comunico a vocês: não me sugiram “passeios lindíssimos pelo mangue”; vocês me desculpem, eu sei que é um ecossistema bonito, frágil, bla bla bla, mas de minha parte cansei de ver raízes de árvores retorcidas, água e siris. Mangue é um lerê devidamente “ticado” da minha lista, ok? </fecha parênteses>
A travessia durou uns 15 minutos, acho.
Quando eu desci da balsa (feliz, pois ainda não tinha dado 2 horas de viagem, e o custo benefício até então estava fantástico), começou o capítulo “tava tudo muito bom pra ser verdade”.
Well, não tinha táxi. Como a independente aqui não tinha avisado como e quando chegava, não havia nenhum carro disponível no meu destino. Pra completar, enquanto eu ligava pra pousada, saiu o ônibus que ia naquela direção (depois descobri que isso foi a melhor coisa que me aconteceu).
O próximo ônibus? Só dali à uma hora.
Fiquei puta. Aquilo ia acabar com o meu tempo de translado (tá, eu sei, não tinha “tempo”; mas eu queria chegar no mínimo tempo possível… uma competiçãozinha contra o relógio não mata ninguém afinal de contas, certo?).
Fiquei lá no ponto de ônibus inconsolável, pensando no que ia fazer; como eu sou uma moça de sorte, uns rapazes, funcionários de um hotel grande que tem em Sto. André (daqueles que destoam da paisagem local e eu acho uó), os quais estavam esperando transporte do hotel, se dispuseram a me ajudar.
Na espera, um deles (Anderson, meu anjo da guarda) me apresentou a um doce de cacau “psicologicamente light” delicioso feito ali numa salinha do “complexo rodoviário” (vulgo, um cobertinho com a salinha).
O “psicologicamente delicioso”, segundo o dono, é o seguinte: a senhora mentaliza que não vai engordar antes de comer, e não engorda ? (vou tentar fazer isso com todas as outras comidas, o que vcs acham?).
Como não havia carro, ônibus, riquixás ou pó de pirlimpimpim disponíveis, fui na própria van que levaria os funcionários do hotel numa espécie de “carona paga”– o motorista me cobrou R$15, 00, e ainda pediu desculpas por não poder carregar minha mala até a recepção.
O tempo total? 2h e 40. Se eu não tivesse marcado quando cheguei em Sto. André, teria dado umas 2 h e 10. O mesmo trajeto de carro deve dar uma 1h e pouquinho aproximadamente (o tempo de balsa é o mesmo pra todos).
Vocês podem imaginar minha sensação de felicidade quando cheguei aqui?
Moral da história: se eu não tivesse vindo no esquema seemi-roots, não teria visto o índio todo paramentado dentro do ônibus, não teria conhecido o doce de cacau “psicologicamente light” e sobretudo não teria visto como o mundo ainda está cheio de pessoas solícitas. Como diz meu filho, “coisas acontecem quando andamos de ônbus”.  De minha parte devo dizer que de vez em quando, vale a pena abdicar do conforto pra entrar em contato com esse tipo de sensação…
****
Volta
Well folks, descobri o truque: taxi fica caro se vc atravessa as balsas com ele; o trajeto Cabrália-Porto Seguro custa entre R$ 40,00 e R$ 50,00 se você atravessar as balsas como pedestre. O motorista que me levou foi o Osmar  (fone 73 -99910846)   – e ele disse que faz o trajeto a qualquer hora, é só ligar e combinar.

  • Share/Bookmark

→ 8 CommentsTags:····

1o de ano na Bahia é assim…

janeiro 1st, 2010 · Comportamento, Datas Comemorativas, Viagens

Quem me conhece sabe que eu não deixo de ir ao Bonfim quando estou em Salvador, e que tento fazer isso numa 6a feira. É um costume baiano ir àquela igreja às 6as feiras vestindo branco em homenagem a Oxalá, orixá que no sincretismo religioso é associado a Jesus Cristo e aqui na Bahia, ao Senhor do Bonfim. O costume se intensifica na última ou 1a 6a feira do ano, intensidade esta ainda maior quando o ano começa numa 6a feira, como é o caso de hoje.

Então, apesar de ter ido dormir super tarde ontem, arrastei @syferrari às 5:30 da manhã para ir aos que os baianos denominam “colina sagrada”.  Olhem só:

Missa às 6 da manhã lotada

Ganha uma prenda quem adivinhar quem está segurando as fitinhas...

Saindo da missa, a tradição é benzer as famosas fitinhas e receber água benta:

Na sequência, amarra-se as fitinhas nos portões da igreja:

Adivinha quem é?

O ritual dá um conjunto super bonito, olhem só:

Saindo de lá, passei a volta vendo se localizava rosas pra colocar no mar (o que sempre faço) e estava chateada porque não tinha achado nenhuma. Estava quase chegando ao hotel (e do Bonfim ao Rio Vermelho tem chão, acreditem) chateadíssima quando, NA FRENTE DA CASA DE YEMANJÁ tinha um velhinho vendendo “minhas rosas”.

Descemos felicíssimas; a casa de Yemanjá estava fechada, mas who cares? Era só descer e colocá-las no mar, como todo mundo faz.

E não é que ato contínuo à compra das rosas a Casa de Yemanjá foi aberta? Parecia que ela estava esperando as nossas flores!!!!

Os balaios estavam sendo preparados para sair; colocamos nossas flores, fizemos nossas orações e na sequência entraram umas filhas de santo para  colocá-los no barco.

A sincronicidade foi tão impressionante que não tem como não achar que o ano será auspicioso… :-)

****

P.S. I – Sei que para muitos a fé é algo imbecil, uma muleta; mas a mim ter fé não só  me ajuda a viver melhor (costumo dizer que não sou tão inteligente assim para dizer que não acredito em nada).

P.S. II – Queria agradecer a atenção, o carinho e o interesse de vocês todos pelas bobagens que escrevo aqui. Minha vida certamente é mais rica em trocas depois que comecei este blog, e isto se deve a vocês. Obrigada de coração.

P.S. III- Estou devendo a ida a Santo André e o que achei de lá. Essa semana sai, prometo :-)

  • Share/Bookmark

→ 14 CommentsTags:····

Feliz Natal

dezembro 24th, 2009 · Datas Comemorativas

Queridos:
Confesso a vocês que estou há uns 2 dias tentando escrever um texto de Feliz Natal sem sucesso. Soava cliché, melodramático, pretencious, tudo o que eu não queria e tento não ser.
Aos 45 do segundo tempo (tenho que ir para o jantar) desisti, porque queria falar muita coisa em pouco espaço.
Queria falar que meu pai todo santo ano vinha com a explicação de que o fato de o Natal cair em dezembro era um puta escumbelerrê da Igreja Católica para fazer coincidir a data com os festejos pagãos do solstício de inverno; queria dizer que eu sempre fiquei muito tensa no Natal porque a instabilidade emocional do meu pai poderia transformar a noite num daqueles capítulos trash de novela das 8 com componentes que prefiro não mencionar; queria explicar a benção que foram meus Natais na última década, quando passei a preparar a rabanada e o pudim de pão da minha avó para que eu sentisse a sua presença (afinal, preparar receitas é uma forma de perpetuar a memória dos entes queridos, né?) e ver meus amigos passarem na minha casa para um chill in antes das festas de família, fazendo com que minha casa tivesse um movimento sincero e alegre de bem querer entre 5 da tarde e 9 da noite; queria explicar pra vocês como eu fico feliz e me surpreendo até hoje com o fato de meu filho gostar de passar o Natal em casa apesar de sermos só nós 2, e adorar que eu cozinhe, e como isso faz com que eu me sinta tão mãe dele…
Mas como vocês sabem, eu sou prolixa e não conseguiria jamais escrever sobre tudo isso de forma sucinta; então, que vocês fiquem apenas com a ideia do que significa Natal pra mim.
Que vocês tenham um excelente Natal, um ótimo solstício de verão (sim, inverno é na Europa né?), um Festivus memorável, ou at least, um bom jantar com pessoas queridas por perto.

Um beijo enorme,

Flavia

P.S. Esse é o primeiro ano da minha vida que passo o Natal sem meu filho, que está com o pai nos Estados Unidos. Por decisão minha, ao invés de optar pela alternativa mais confortável – passar o Natal com amigos queridos-, decidi viajar sozinha e passar o Natal numa praia da Bahia. Pensei com os meus botões que, de uma vez que estar sozinha era uma opção minha  e não uma imposição da vida, ela não seria um fardo pesado. E não foi. Encontrei pessoas conhecidas, outras que me acolheram como se eu as conhecesse de há muito, e estou saindo para uma noite que tem tudo para ser extremamente agradável.  Como disse certa vez Anais Ninn, ” Life shrinks or expands in proportion to one’s courage“.  Nada mais verdadeiro ;-)

  • Share/Bookmark

→ 4 CommentsTags:·

FÉRIAS

dezembro 23rd, 2009 · Viagens

Saí de São Paulo segunda feira a noite e desde então estou na Bahia (Arraial D’Ajuda, pra ser mais precisa), então as postagens serão meio esparsas. Mas com um visual desses vocês hão de convir que não dá muita vontade de fazer outra coisa a não ser ficar curtindo a vista, certo?

Estou indo hoje pra Santo André, uma praia ao norte de Porto Seguro, mais afastada do burburinho e uma das poucas praias da Bahia que faltam no meu curriculum – darei notícias, prometo :-)

  • Share/Bookmark

→ 5 CommentsTags:·····