Conversando com o @diegomaia no Gtalk, o rumo da prosa me fez lembrar desse texto da Clarice Lispector (integrante da compilação de “A Descoberta do Mundo”, presença eterna no meu criado mudo – alguns textos conheço praticamente de cor):
” Recebi uma lição de um de meus filhos, antes dele fazer 14 anos. Haviam me telefonado avisando que uma moça que eu conheci ia tocar na televisão, transmitido pelo Ministério da Educação. Liguei a televisão mas em grande dúvida. Eu conhecera essa moça pessoalmente e ela era excessivamente suave, com voz de criança, e de um feminino-infantil. E eu me perguntava: terá ela força no piano? Eu a conhecera num momento muito importante: quando ela ia escolher a “camisola do dia” para o casamento. As perguntas que me fazia eram de uma franqueza ingênua que me surpreendia. Tocaria ela piano? Começou. E, Deus, ela possuía a força. Seu rosto era um outro, irreconhecível. Nos momentos de violência apertava violentamente os lábios. Nos instantes de doçura entreabria a boca, dando-se inteira. E suava, da testa escorria para o rosto o suor. De surpresa de descobrir uma alma insuspeita, fiquei com os olhos cheios de água, na verdade eu chorava. Percebi que meu filho, quase uma criança, notara, expliquei: estou emocionada, vou tomar um calmante.
E ele: –Você não sabe diferenciar emoção de nervosismo? Você está tendo uma emoção.
Entendi, aceitei, e disse-lhe: –Não vou tomar nenhum calmante. E vivi o que era para ser vivido” .
Foi bom lembrar desse texto. Eu tenho a tendência a confundir com nervosismo e angústia qualquer sensação que fuja dos meus padrões de comportamento – e por fazer esta confusão, por vezes tenho atiitudes infantis.
Mas é bom lembrar que às vezes, uma emoção é só uma emoção, certo? É só sinal de que estamos vivos, vivendo o que temos que viver e que que isso é bom.
Daqui pra frente vou tratar de me lembrar mais vezes desse texto. Sugiro que vocês façam o mesmo
















