From Lady Rasta

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Vídeos de coletivas da FLIP

agosto 20th, 2010 · Darlings de Cabeceira, FLIP

Estas duas semanas foram muito muito corridas pra mim, e acabou não dando pra postar nada.

Mas ao menos subi mais alguns vídeos das entrevistas coletivas da Flip que presenciei, tanto da Isabel Allende quanto do Crumb. Pra quem ainda tem paciência para FLIP, seguem os vídeos.

CRUMB e SHELTON

Além do primeiro, neste post aqui, seguem mais 3:

Crumb and Shelton – Coletiva FLIP 2010 – 2 from Lady Rasta on Vimeo.

Crumb and Shelton – coletiva FLIP 2010 – 3 from Lady Rasta on Vimeo.

Crumb and Shelton – coletiva – FLIP 2010 – 4 from Lady Rasta on Vimeo.

ISABEL ALLENDE

falando sobre feminismo

Isabel Allende – feminismo from Lady Rasta on Vimeo.

falando sobre o Governo do Chile, terremoto e o Prêmio Nacional do Chile

Isabel Allende – FLIP 2010 – coletiva from Lady Rasta on Vimeo.

“eu não seria escritora hoje se não fosse o golpe militar do Chile”

Isabel Allende – FLIP 2010 – COLETIVA 2 from Lady Rasta on Vimeo.

falando sobre sexo e erotismo

Isabel Allende – FLIP 2010 – COLETIVA 3 from Lady Rasta on Vimeo.

Isabel Allende – Press Conference – FLIP – Paraty – 2010 from Lady Rasta on Vimeo.

Fico devendo o post sobre a mesa do Terry Eagleton, que adorei – mas como estou lendo o livro, faço um bem-bolado de ambos quando terminá-lo.

Também saíram alguns textos meus no El Mercurio do Chile; se quiserem conferir, estão aí embaixo:

- Lo que muestra y esconde el Festival Literario de Paraty

- Festival Literario de Paraty abriò su primera página e se entusiasma com Isabel Allende

- Isabel Allende asegura que “las calles” desean su victoria en el Premio Nacional de Literatura

Ano que vem tem mais. :-)

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FLIP – Modo de Usar

agosto 9th, 2010 · FLIP, turismo

Esse post eu tô fazendo meio embalada pelo @riqfreire, que num post daqueles que me deixam toda pimpona chamou a FLIP de “ Lavagem do Bonfim dos livros”, mencionando também o termo que eu uso, que é “Carnaval Cabeça”.

Vocês podem xingar, mas há muitas coincidências entre pular Carnaval e ir à FLIP

a) eventos são anuais;

b) os mais fanáticos ficam contando os dias que faltam para evento chegar;

c) a cidade “sede”, apesar de ficar divertidíssima, é muito diferente da cidade sede quando o evento não rola;

d) há os habituais chatinhos de plantão dizendo que o evento “já perdeu a identidade, que não é mais como era antes”, bla bla bla

A FLIP não é pra ser um debate sério sobre os rumos da literatura; é pra festejar a literatura (tentei explicar isso para os chilenos aqui). É como se os livros fizessem aniversário em julho e todo mundo fosse lá pra Paraty cantar parabéns e dizer que eles são legais. E cá entre nós, entre esse caminho e o da sisudez, fico com o primeiro se tiver que pegar algum deles para estimular a leitura. E vocês?

Tenda dos Autores - fim do dia, ou "antes do drink"

vc sai de uma mesa e dá de cara com um batuque

Paraty é uma teteia de cidade, que tem vista pro mar apesar de não ser uma cidade de praia; tem bons restaurantes, galerias, barzinhos, atmosphère…já valeria por si só uma visita. Se ainda por cima tiver boxixo, umas palestras que te fazem pensar, melhor, né?

Mas vai por mim: o bacana não é ficar enfurnado o dia todo nas tendas – até porque dependendo do que seja nem dá pra apreender tudo; é pegar uma ou duas mesas bacanas por dia e depois disso passear, almoçar, brincar o Carnaval, ops, a FLIP.

O Dunga poderia ter escrito isso, né? No Flipzona

Eu fiquei enfurnada nas entrevistas coletivas na 5a feira e tava postando de lá, então me atrapalhei um pouco no quesito diversão. Mesmo assim, fugi pra praia dois dias (ainda que umas duas horinhas só).

entre uma mesa e outra, caipirinha na praia pra relaxar. que tal?

Em resumo, o bacana é fazer o seguinte:

a) escolher uma ou duas palestras por dia;

b) Se elas estiverem mais perto do almoço, almoce, passeie por Paraty; caso contrário, vá conhecer uma praia bacana perto da cidade (quem tá de carro pode até andar uns 15, 20 km, porque a estrada não tem trânsito e as praias perto da divisa de São Paulo são estonteantes

Crianças na Praça

queria brincar disso mas fiquei com vergonha

doces de rua, outro clássico (delicioso) de Paraty

c) saia de barco, ou alugue uma bike, ou vá fazer trilha na Mata Atlântica (toda aquela região de Paraty é área de proteção ambiental). Depois, pegue as palestras do fim do dia, tome um café na praça e vá jantar linda (o). Que tal?

d) faça almoços gostosos, pare pra tomar drinks, vá tomar café em vários pontos da cidade (eu adoro a Livraria que tem do lado da Pousada do Ouro – não tem nada demais, mas adoro tomar café naquela esquina);

não é uma delícia de lugar pra se tomar café lendo um livro?

e) descubra as outras coisas que estão acontecendo na cidade – tem muita, muita coisa. Só ficar ali ao lado do “Muvucão” que é como eu chamo a Tenda do Telão já é um programa divertido.

não é discussão sobre o futuro da literatura, mas é democrático, né?

f) saia pra jantar cedo se não quiser se aborrecer; faça a linha “ acabei de sair da última mesa morta de fome”, ou imite gringo e chegue às 8 no restaurante. Ou então desencana e fique alegrinha tomando vários drinks enquanto espera uma mesa – também é uma delícia, ainda mais com tanta gente bacana na cidade

tirei foto de costas pro mar pra vocês verem que vale a pena

g) coloque na cabeça que você não vai encontrar a Paraty que você conhece, a Paraty tranquila. Nem quem mora lá encontra essa cidade. Mas se fizer questão, faça como eu: chegue antes. A cidade nos dias em que antecedem a FLIP começa a encher, os autores convidados já estão lá, há um clima diferente na cidade, mas ainda dá pra curti-la.

Como eu disse, a FLIP é uma festa pra quem gosta de livros e leitura. Vá com essa expectativa e você não vai se decepcionar :-)

****

P.S. Vou fazer um post com os lugares gostosos pra comer lá. aguardem….

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Crumb and Shelton

agosto 9th, 2010 · Cultura, Darlings de Cabeceira, FLIP, Literatura, Uncategorized

Sábado a noite passei na frente da Tenda dos Autores e do “Muvucão”- como eu chamo a Tenda dos Autores e parecia que eu estava na frente de um estádio de futebol em dia de jogo. Mas era “só” a tenda do Crumb e do Shelton, cartunistas conhecidíssimos.

Teve gente que reclamou muito, dizendo que eles não falaram muito, que a mesa foi chata, e que muita gente saiu no meio.

Eu não entendo nada de quadrinhos, nunca morri pelo Crumb (descobri o Shelton por causa da FLIP) então não vou dar pitaco. Mas cá entre nós, não era muito difícil imginar que essa possibilidade existisse, né? Os caras fazem quadrinhos, criam personagens para se expressar. Via de regra, quem faz isso o faz porque é tímido. Quem é tímido, normalmente trava em público. Até achei que eles se esforçaram, sério. E na boa? Pelo que vi na coletiva, eles não estão dando a mínima pro futuro dos quadrinhos, novos artistas, bla bla bla. Os caras eram uns malucos, viveram os 60 e 70 com literalmente tudo a que tinham direito, deram sorte de ser geniais, de todo mundo curtir seus quadrinhos e hoje são dois velhinhos respeitáveis que moram na França. Acho que é bom pras pessoas verem que as pessoas que idolatramos, por mais que queiramos ver de outra forma, são apenas… pessoas.

De minha parte, achei que eles realmente se esforçaram pra ser simpáticos. Tanto que a @livbrandao, mesmo receosa com a fama do Crumb, pediu autógrafo pra ele e disse que eles foram smpaticíssimos.

Posso dizer o mesmo da entrevista coletiva, que eles fizeram acompanhados das respectivas mulheres, que aliás ajudam bastante, porque falam por eles, dão uma “empurrada” nos caras. Elas são divertidíssimas!

Os chapeuzinhos ali na frente dão um toque diferente, fala a verdade?

Robert Crumb começou criticando forte os Estados Unidos . Quando eu digo forte, digo forte mesmo (vocês vão ver no vídeo). Falou sobre o Gênesis, sobre música brasileira (Crumb coleciona discos de música, está interessado em música brasileira dos anos 20 e 30), e disse não estar a par no que ocorre no atual mercado de comic book.

Perguntei a cada um deles o que mais admirava no trabalho um do outro. Crumb disse que nunca tinha parado pra pensar nisso, que não conversavam sobre esse assunto. Shelton disse que gostava muito do Gênesis, apenas lamentando que este não fosse engraçado (ele repetiu isso na mesa, aliás)

No meio da entrevista, Crumb ficou puto com os fotógrafos e pediu para eles pararem (e querem saber? Faz parte da fama, mas deve ser bem chato viver com aquele barulhinho irritante fazendo parte da trilha sonora da sua vida…).

No final da coletiva, eu, que morro de vergonha de fazer essas coisas, fui pedir um autógrafo para o Shelton. Ganhei mais do que isso, alá:

O primeiro vídeo da entrevista coletiva vocês conferem aí embaixo, durante a semana subo os que faltam…

Untitled from Lady Rasta on Vimeo.

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FLIP é festa, não é sarau

agosto 7th, 2010 · Cultura, Darlings de Cabeceira, FLIP, Literatura, Uncategorized

Li ontem no UOL : Mauricio Stycer achou que a mesa de Isabel Allende parecia “talk show da Oprah”. Fiquei na dúvida se comentava isso ou não, porque afinal de contas, ele tem a opinião dele, eu tenho a minha, this is a free country e tá tudo certo.

Mas tem um porém: sem querer meter meu bedelho na opinião alheia, e sem nem entrar no mérito da qualidade do programa,  me pareceu que Stycer vê isso como algo negativo, como se uma “Festa Literária” só pudesse ter homens e mulheres sisudos discutindo o futuro da literatura mundial. Só que a pegada da FLIP não é essa. A FLIP, como o próprio nome diz e eu não canso de dizer, é uma FESTA, não um sarau literário. A tônica é a informalidade. A ideia justamente é falar de livros de maneira acessível. Pouco importa se tem gente que vem aqui só pra passear. Uma coisa ou outra sempre se apreende. É assim que o mundo anda. E é bom que crianças associem livros com festa e prazer ao invés de associá-los a bancos escolares (assunto aliás que Burke, Allende e Lionel Shriver abordaram nas coletivas).

Outro ponto que gostaria de observar quanto ao comentário de Stycer: o “talk show da Oprah”está super antenado com o que foi dito em várias mesas. Gilberto Freire, autor homenageado desta FLIP, usou como método para construir o retrato da sociedade brasileira a descrição do dia a dia, as histórias comezinhas a que os historiadores não davam muita importância. Robert Darnton por sua vez, falou em sua mesa das Anedotas da M. Du Barry, ressaltou a necessidade de se analisar os relatos dos cidadãos ditos comuns e também das personalidades- e no caso destas últimas, tais relatos têm o condão de humanizá-las.

Ora, ao ouvir Isabel Allende dizer que queria ser interpretada por Penélope Cruz, que acha Antonio Banderas um gato, por alguns momento nos sentimos próximos dela, uma escritora com milhões de livros vendidos. Talvez eu saiba que ela é uma mulher como todas as outras em algumas situações, talvez Stycer também saiba, mas certamente muitas pessoas que ouviram Isabel naquele tarde não tivessem essa percepção. E tê-la é bom. A Caras vende justamente por isso: porque mostra pessoas que o povo normalmente idealiza em situações comuns. Idem para o Twitter do William Bonner.

E ó: eu não quero que a FLIP vire uma discussão acadêmica. Quero que ela continue sendo uma festa. Em time que tá ganhando a gente não mexe né? Então, desculpaê Stycer, eu nunca vi um programa da Oprah mas achei que a conversa de comadre que rolou na 5ª foi bem bacana, viu?

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Darnton, Burke e os livros

agosto 7th, 2010 · Cultura, Darlings de Cabeceira, FLIP, Literatura, Uncategorized

Normalmente acreditamos que os jovens são aqueles que trazem ideias novas, as quais são rechaçadas pelos mais velhos. Devo dizer que não foi o que vimos ontem na mesa em que Peter Burke e Robert Darnton discutiram o futuro dos livros.

No início, Darnton, historiador especializado na história dos livros, falou da importância de se manter escritos triviais e corriqueiros para se entender os hábitos, o cotidiano de cada época para assim se construir um cenário histórico preciso (e por causa disso, escreveu em seu recente livro, é contra o microfilme dos jornais, pois muito se perde à medida em que não há uma visão da estrutura dos jornais, suas manchetes, seus assuntos relevantes e tal).

<abre parênteses> ontem aparentemente, sexo was in the air: depois de Isabel Allende mencionar que “os ouvidos são o verdadeiro ponto G”, foi a vez de Darnton e Burke mencionarem as anedotas de M. Du Barry, não exatamente conhecidas por seu puritanismo, :lol </fecha parênteses>

Foi uma grata surpresa ter descoberto que Darnton e Burke são entusiastas da Wikipedia: Darnton ressaltou que é um momento muito especial, pois todos podem participar da produção do conhecimento, ao contrário do que ocorreu até os dias de hoje.

Burke, falando sobre a questão do meio físico dos livros (e-books X livros de papel) nos lembrou ser um privilégio (para ele desconfortável) participar deste momento de transição da história dos livros. Afirmou ainda estar feliz de ver tantos entusiastas do livro de papel em Paraty, pois isto significaria que a sua morte não é iminente – e em sua opinião, ao menos nos próximos 50 anos os livros físicos continuarão co-existindo com os e-books (embora progressivamente em número menor).

Ainda na coletiva, Burke tocou num ponto que me é caro: a questão da educação. Com uma visão extremente moderna, disse que escolas e educadores estão preocupados com a parcela errada do conhecimento. Quando quase todo conhecimento do mundo está a um clique de distância, disse ele, o importante não é transmitir o conhecimento em si, e sim desenvolver nas crianças o espírito crítico para discernir qual informação é relevante ou não. Como eu sempre digo, não há como se prescindir, ao menos por enquanto, do homem, não importa quantos digam o contrário ? .

Outro assunto importante abordado pela mesa foi a questão dos direitos autorais. Tanto Darnton quanto Burke acham que os direitos autorais têm uma duração muito longa.

Darnton inclusive chegou a citar frase de Thomas Jefferson “knowledge belongs all mankind”.

Como eu disse, esses senhores são muito mais jovens e idealistas que muito jovem que eu conheço…

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O verdadeiro ponto G são os ouvidos

agosto 6th, 2010 · FLIP, Literatura, Uncategorized

“O verdadeiro ponto G são os ouvidos”. Não dá pra não se encantar com uma mulher que consegue insinuar sua sensualidade sem ser vulgar. Posso parecer fútil, mas depois de vê-la na coletiva e na mesa de hoje, esta foi o que mais me marcou.

Isabel começou a mesa contando sobre os rituais que faz para começar a escrever (usualmente todo dia 8 de janeiro, hábito que segundo sua declaração, abandonadonará no próximo livro). Disse que fica com muito medo sempre que vai iniciar um livro, e que os rituais lhe dão forças para começar. Entendi durante a mesa a origem do seu realismo fantástico (que Isabel afirmou na entrevista coletiva não fazer parte da sua atual literatura): ele existe em suas obras porque existe nela. Querem mais um exemplo? Durante a conversa com Humberto Werneck ela mencionou que colocou várias características negativas de seu pai no personagem da Casa dos Espíritos sem nunca tê-lo conhecido, a ponto de sua mãe ficar brava com ela, e atribui isso ao imponderável. Entenderam?

Impressionou ter ouvido que só conheceu o pai depois de morto, quando foi reconhecê-lo no necrotério, e me espantei de ouvi-la contar essa passagem, certamente dolorida de sua vida com um sorriso – mas aí me lembrei da entrevista coletiva, onde ela afirmou que isso a fortalece ao invés de enfraquecer. Como eu falei: não tem como não ser cativado pela conversa de Isabel.

Falou também de suas relações familiares, abaladas depois da publicação da “Casa dos Espíritos”. Espirituosamente, disse que a familia só fez as pazes com ela depois que o filme foi lançado, “afinal, tinha Meryl Streep and Jeremy Irons”…

Voltando ao início do texto: é muito bom ver uma mulher bonita, já madura (maturidade da qual falou ao final da conversa) falar de sua sexualidade como qualquer outro assunto sem ser vulgar. Também é muito bom vê-la falar, daquele seu jeito muito engraçado, que gostaria que Penélope Cruz a interpretasse num filme – mostrando aí sua vaidade (que mulher não gostaria de ser Penélope Cruz, não é mesmo?).

Isabel Allende falou que “o verdadeiro ponto G são os ouvidos”, porque não há como se apaixonar sem gostar do que ouve do outro. Tenho certeza que o marido dela é uma pessoa de sorte.

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A coletiva de Isabel Allende

agosto 5th, 2010 · Cultura, Darlings de Cabeceira, FLIP, Literatura

Ao contrário da entrevista coletiva anterior, a sala da Pousada do Ouro onde se realizam as entrevistas coletivas da 8ª FLIP –Paraty, estava lotada para ouvir Isabel Allende.

Simpaticíssima, engraçada, despachada, com um jeito informal que encantou a todos falando sobre política do Chile, o Prêmio Nacional de Literatura, feminismo, poder e sexo.

Adorei vê-la falar sobre feminismo, porque reflete muito o que eu penso. Isabel disse que hoje em dia feminismo é um termo desprestigiado, porque “não é sexy”. No entanto, continuou, suas causas são válidas, à medida que 80% das mulheres ainda não vivem “como nós” (e por “como nós” ela quis dizer mulheres independentes e com autonomia econômica). Ao final, fez questão de ressaltar: “mas feminismo não é uma guerra contra os homens – eles me encantam”. Well, eu canso de falar isso, como vocês bem sabem…

Falou também do preconceito que sofre por ser uma vendedora best-seller. Disse que nos Estados Unidos não sente tanto este preconceito, mas no Chile “vender livro é pecado”.

Perguntei sobre o Prêmio Nacional de Literatura e se ela achava que o fato de ser uma autora “best-seller” a prejudicava. Isabel lembrou que apenas 3 mulheres haviam ganho o prêmio até hoje, evidenciando um traço machista nas escolhas, mas que também havia a questão de alguns não a considerarem uma boa escritora em razão do sucesso de seus livros. É o velho debate, também abordado na entrevista: será que todo best-seller é ruim só porque vende muito? Isabel acha que não. Falou que as ruas desejam sua vitória e que isso é importante.

O momento divertido da entrevista foi quando mencionou que não gostava de cenas muito explícitas de sexo – prefere a sugestão -, mas que escreveria um livro com cenas picantes depois que sua mãe morresse. Todos riram muito (eu gravei,  subo ainda hoje).

Curiosa sobre a exposição da sua vida nos seus livros, perguntei se isso não a incomodava. Posso contar pra vocês? Fiquei emocionada às lágrimas com a resposta: “as pessoas pensam que se expor, falar de sua vida pessoal enfraquece, quando é o contrário: isso nos torna mais fortes”.

Como não se encantar com uma mulher com tanta coragem?

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A “arroz de muvuca” na FLIP

agosto 4th, 2010 · Cultura, Darlings de Cabeceira, FLIP

Bom, vocês todos sabem que eu sou a maior “arroz de muvuca” que existe , né? Carnaval, roda de samba, copa do mundo… Como diz meu filho, eu não posso ver uma aglomeração que já vou querendo participar e saber o que é.

Com a FLIP não poderia ser diferente: adoro Paraty (esse trecho do litoral brasileiro ma-ra-vi-lho-so, aquela coisa “desenho de criança”com o mar, a montanha e a mata juntos debaixo de um sol lindo), adoro livros, e acho ainda mais legal quando esses dois itens se juntam a um monte de gente que também curte as mesmas coisas.

Apesar da decepção de alguns com o cancelamento da vinda de Lou Reed (que eu, pra ser sincera, não lamentei tanto assim, porque comungo do ponto de vista do @Biajoni), há muita coisa bacana para ser vista.

Tenda dos autores quase pronta pro Carnaval cabeça de Paraty

De cara já curti a FLIP desse ano porque, tendo em vista que o autor homenageado é Gilberto Freyre, finalmente tive motivação e disciplina pra ler “Casa Grande e Senzala”. Gostei muito do livro, e posso estar enganada, mas acho que a crítica foi muito injusta com ele (pelo visto vale o velho truque de malhar a obra do cara tendo em vista suas inclinações políticas, hábito que acho detestável e indigno, mas infelizmente é corriqueiro).

A programação inteira você encontra aqui. Vou fazer como no ano passado e tentar contar pra vocês o que tá rolando – do que eu conseguir ver, bien compris, porque tem muito evento simultâneo rolando…

Já adianto que na 5a feira haverão várias entrevistas coletivas, e vou tentar tuitar, postar  ou  transmitir alguma coisa via Qik. Vou deixar um post com o link do meu canal embedado amanhã, então, fiquem ligadinhos  :lol:

Mas pra começar vou contar pra vocês o que me interessa nessa FLIP (vejam bem, é a minha preferência, não necessariamente o que há de melhor – até porque acredito que isso seja questão de foro íntimo. Eu por exemplo, apesar de saber da importância de Robert Crumb, confesso não morrer de amores pela obra dele).

- Isabel Allende : escritora com milhões de livros vendidos, está vindo ao Brasil enquanto no Chile rola ainda em agosto uma votação para o Prêmio Nacional de Literatura. Muitos acham que ela não é uma escritora de qualidade, em razão da popularidade de seus livros. De minha parte a acho sensível, de prosa fácil, me faz pensar e isso pra mim é suficiente. :-)

- Wendy Guerra – escritora cubana que faz duras críticas ao regime de Castro, é um excelente contraponto à questionável Yoanni Sanchez. Como Yoanni, Wendy também é contra o regime de Fidel Castro e também não tem nenhum livro publicado ou circulando na ilha; no entato, ao contrário desta última, tem saído (e regressado, bien sur) de Cuba várias vezes. Seu último livro, “Nunca fui primeira dama” é um relato dolorido de sua relação com a mãe, permeado de histórias e críticas à Revolução Cubana que depôs Batista.

- Azar Nafisi – iraniana que vivenciou a queda do Xá Reza Pahlevi (que proibiu o uso do véu) e a ascenção do aiatolá Khomeini que voltou a torna-lo obrigatório, com tudo que isso implica no que tange à submissão da mulher. Azar escreveu “Lendo Lolita em Teerã” onde conta sua iniciativa, durante vigência do regime da sharia imposto por Khomeini, de ler o famoso romance de Nabokov em sua casa juntamente com outras mulheres, suas ex-alunas.

Seu último livro é de memórias e muito interessante, pois seu pai foi Prefeito de Teerã durante o governo do Xá, caiu em desgraça, foi preso, e vivenciou toda a Revolução Islâmica.

Assim como Wendy Guerra, Azar também descreve no livro sua turbulenta e problemática relação com sua mãe (aliás, acho ótimo as pessoas cada vez mais terem coragem de dizer que nem toda a mãe é boa mãe, assim quem diz isso pra quem quiser ouvir aos poucos não será tão discriminado…)

Robert Darnton : historiador focado em livros e sua história. Em seu último livro, ele a fala bastante sobre assunto pra lá de manjado e batido, a questão do livro eletrônico e a sobrevivência (ou não) do livro no formato analógico (ou, como gosta de dizer o @riqfreire, das “edições em árvores”.). Darnton participará de duas mesas de debates focando nesse tema (e só vou contar o que acho disto mais tarde, nem adianta perguntar).

Gilbert Shelton: cartunista famoso, um dos ícones do quadrinho underground. Confesso que não conheço muito a obra dele (não vou mentir, né?), mas durante esse período pré-FLIP recebi indicações aqui e ali e gostei do que vi. A sua mesa promete, de uma vez que ele e Robert Crumb falarão sobre a história dos quadrinhos contemporâneos.

Terry Eagleton : é meio um anti-Dawkins, e tem meu apreço justamente por isso. Tenho consciência do quão nocivo é o fanatismo religioso (seja aquele do bible belt, onde o criacionismo é ensinado nas escolas como algo real e contraposto a Darwin, como o do Islã), mas não gosto do estilo “marketing de supermercado”do Dawkins e discordo diametralmente dele quando o vejo afirmar que “religião causa a maioria dos males do mundo” (expliquei os motivos de minha discordância aqui – e reverencio o autor, também ateu, desse texto sensato que merece leitura).

Hermano Vianna -antropólogo brasileiro com interesse voltado para as manifestações culturais (tem um livro sobre samba e outro sobre funk, só pra situar vocês)

Antes que vocês me perguntem: e o Robert Crumb? Well…eu sei que ele é importante, reconheço o seu valor ( sobretudo o de ter publicado seu Gênesis numa América puritana) mas…confesso que não morro de amores por ele não. Não curto os desenhos, acho que eles são muito grosseiros. Reconheço que é arte (até porque vivo teimando em dizer que arte é aquilo que te toca de uma maneira ou outra), mas he’s not my kind of town… Posso, né?

Well, alea jacta est. Vou contando pra vcs o que tá rolando aqui, certo? Au ‘voir!!!

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