Eu sou daquelas que não vive sem um decote, mesmo no inverno. Costumo brincar dizendo que na última encarnação morri enforcada, porque tenho PÂ-NI-CO de coisa grudada no meu pescoço – nem gargantilha!
Tenho uma amiga que fala: vc faz o gênero pin up. Que, pelo que entendi, é uma perua hype (tipo: eu não sou uma perua estilo Hebe Camargo, também não sou Patricinha, mas adooooro salto, maquiagem, vestido – só que com estilo – o meu).
Bom, e aí? E aí que essa mesma pessoa que não vive sem decote, maquiagem, salto e unha vermelha…tem verdadeira fas-ci-na-ção por burcas. Fetiche? Também um pouco né? Mas fico mesmo fascinada em ver aquele monte de mulheres andando juntas como se fossem fastasminhas negros, em lugares suuuper cosmopolitas como Londres (bom, e Londres é cosmopolita justamente porque tem isso, a Madonna, os indianos…certo?). Pra mim tem uma aura de mistério, medo…E tenho curiosidade em saber como seria usar uma delas.
Já li um monte de coisas sobre o assunto. Que algumas mulheres acham bom, porque não são assediadas. Que ela causa problemas à pele, pela falta da exposição ao sol. Que o cabelo pode cair, pelo calor e o abafamento…
E bom, tenho certeza que odiaria ser obrigada a usar aquilo a minha vida inteira, e não estou defendendo o seu uso. Mas tenho curiosidade de imaginar como é ver o mundo através dela. Será que você vê o mundo à distância? Ela dá alguma sensação de proteção? Acho que não. Acho que essa é a sensação que nós, ocidentais, possamos ter ao usar uma delas. De invisibilidade, de proteção, de submissão…Acho que para as muçulmanas deve ser…algo incômodo que elas estão acostumadas a fazer desde que nasceram. Do mesmo jeito que nós, ocidentais, fazemos regime desde os 15 anos. Ou depilação. Ou usamos salto alto. Não sei se elas se sentem oprimidas pelo seu uso. Ou pelo menos, não mais oprimidas do que nós quando vemos aquele monte de mulher bonita nas revistas, e achamos absolutamente normal passar a alface e água (pão engorda né?) para ficarmos parecidas com as ditas cujas – ainda que nem elas sejam parecidas com as “elas mesmas” da revista…
Todo esse preâmbulo pra falar o seguinte: vi duas notícias sobre o assunto hoje.
Olhem só o texto e a imagem na primeira delas:
A burca está na moda
Parece estranho mas é verdade, a burca anda nas passarelas e está sendo adaptada para o esporte
Liberdade de movimento
A Nike está elaborando uma alternativa para o uso do hijab, o véu que cobre o rosto e grande parte do corpo. Tudo começou num campo de refugiados da Somalia, no Kenya. As mulheres costumam jogar vôlei no campo e com o hijab ficou quase impossível. A pressão da família para que elas larguem o esporte é grande.
Agora dêem uma olhada no croquis :
Bom, temos duas hipóteses aí né? Ou a comunidade islâmica está lenta e paulatinamente tentando chegar a um meio termo entre o mundo moderno e os seus conceitos morais – meio termo esse onde as mulheres, ao contrário do que se fala, não só são ativas como fazem, sim, os seus protestos e fazem sim, valer as suas opiniões (tanto que continuam a jogar o seu vôlei ao invés de irem pra casa e obedecerem aos seus pais e maridos), ou então, estamos assistindo a uma liberação dos hábitos islâmicos – e da mesma forma que entre os maiôs do começo do século 20 (que mais pareciam os macaquinhos que foram sensação no último verão) e os micro biquínis das brasileiras, passaram-se 100 anos, elas talvez possam evoluir para um modelo mais, digamos assim, ocidental de vestuário.
Não sei qual das duas hipóteses é correta (se é que existe uma). E de novo, não sei nem se isso é evolução – porque o que parece bárbaro para nós pode não ser para os outros…e a verdade é que dois filhos não se desenvolvem da mesma maneira. Não dá pra exigir que 2 (ou mais) povos o façam…
Mas sabe o que eu achei graça? De uma foto que eu tirei em Londres no começo do ano…Olhaqui:
Hehehe..acho que vou perguntar para a Nike se eles querem a foto…
A outra matéria sobre o assunto:
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Sabe o que eu acho louco? Que seja justamente na Noruega, país onde as mulheres gozam de uma liberdade individual imeeensa, com os seus direitos civis preservados, bla bla bla, onde haja este anseio por usar a tal burca. Da mesma forma que eu, que adoro decotes e salto alto, tenho curiosidade pra saber como é… Sinal de que, em sendo livre, vc pode fazer tudo. Até mesmo decidir que vc pode ser menos livre se quiser (Tem uma música do Caetano que fala isso: “liberto-me sendo teu escravo”…é pra parar pra pensar…o que parece escravizante à primeira vista, pode na verdade ser libertador…).
Mas já vou avisando: esse treco ho-rro-ro-so de bolinhas coloridas versão “Bozo vai ao Islã” eu não uso nem mooooorta...


















Tweets that mention Burcas, decotes, liberdade…e a Nike | From Lady Rasta -- Topsy.com // out 25, 2009 at 2:00 PM
[...] This post was mentioned on Twitter by Flavia Penido, Paulo Nogueira. Paulo Nogueira said: E o burkini? http://bit.ly/4tWXHj RT @ladyrasta MInha irmã mora aí e tirei uma foto ano passado divertida, tá no post http://migre.me/9SQj [...]