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Sábado fim de tarde, na minha roda de samba predileta
na Praça Roosevelt, Centro de de São Paulo. Eu adoro samba de raiz. Mas infelizmente, não consigo sambar nem com reza brava…é uma das frustrações da minha vida. E não adianta dizer que eu vou aprender. É a mesma coisa que dizer que um homem que a gente chama de “bonzinho” pode virar um “puta gostoso”: não tem jeito…
Aí vem um negão que quer me tirar pra dançar. Eu aviso:
- Eu não sei dançar.
- Eu ensino…É fácil, olha só: pega a sua perna direita, e finge que vc é manca. Isso, isso, começa a mancar. Agora, faz de conta que vc tem que atravessar a rua – mas continua manca tá?
Confesso que foi a forma mais criativa de alguém tentar me ensinar aquilo na vida. Mas tem uma coisa que ele falou que todos eles quando (infrutiferamente) tentam me tirar pra dançar falam : seja mulher. Seja mulher que eu te levo.

Toda a vez que eu ouço isso levo um baque. E mais de uma pessoa já me falou isso, em lugares diferentes: seja mulher.
Dançar a dois é um desafio para toda mulher que quer controlar tudo o que acontece à volta dela; principalmente praquelas que são donas do seu nariz e não devem satisfação a ninguém. Porque na dança, quem conduz é o homem. Ainda que nessa condução ele preste atenção na mulher, e nas reações dela, quem conduz é ele. E ele presta atenção na mulher porque sabe que ele precisa conhecer ela para ter condição de conduzi-la. E as feministas de plantão (ou as que cresceram ouvindo essas lições, como eu, por exemplo) acham que isso é errado, que não pode ser assim…Que homens e mulheres são iguais…Não são não. E justamente porque não são iguais, têm formas diferentes de alcançar os mesmos resultados. Ser mulher e se deixar ser conduzida não é sinal de submissão, muito pelo contrário. É sinal de conhecimento da própria força, da próprio poder que ela detém. E quando nós, as mulheres que cresceram ouvindo esse discurso feminista se deixam conduzir – nem que seja numa dança…Ah, quando a gente consegue…que delícia que é né?
Tenho um amigo que uma vez, quando eu contei essa história (e quando eu disse que com ele eu conseguia dançar porque confiava nele) respondeu: caramba, mas é só uma dança…não é uma coisa tão séria assim…
Mas a dança é só uma metáfora da vida…por isso o medão…
É isso aí. Lição de casa da semana: ser mais mulher…
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=H9HuVR9I7X0]
Quer ir lá?
Você vai se quiser
Rua João Guimarães Rosa , 241 – Praça Roosevelt
todo sábado a partir das 16:00 começa, mas a Graça Braga entra perto das 19:00. Eu gosto de chegar às 18:30…
















Sem lenço nem documento – mas com dignidade | From Lady Rasta // set 1, 2009 at 8:37 AM
[...] vida só pra fazer com que nossos conceitos sejam revistos; ontem foi um deles. Estava chegando no “meu samba” sábado à tarde quando reparei que embaixo de uma marquise ao lado havia alguns moradores de rua [...]