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Little Girl Blue – série "nomes iguais, versões diferentes" n. 1

maio 19th, 2008 · 3 Comments · Achados na net, Música

Vladimir Kandinsky, composition VII

Once upon a time (quando eu tinha uns 18 anos e o carro que eu dirigia era conhecido como “carro ameba” – e mais eu não digo porque não quero que meus statements sejam usados contra mim), a 89 FM (que eu juro que era legal quando começou) tinha um programa chamado “Nomes iguais, músicas diferentes”.

O programa – como o próprio nome diz – era sobre músicas diferentes que tinham o mesmo nome (aha! what a clever explanation…Conselheiro Acácio deve estar aplaudindo…).

Vou fazer diferente: falar de versões diferentes da mesma música – tenho um playlist imenso sobre isso aqui.

Algumas são manjadas, outras nem tanto mas…sei lá, eu adoro ver como cada intérprete, ou cada arranjador “vê” a música, percebe a dita cuja. Engraçado, eu sou bem paradoxal: em música eu acho essa variação linda de morrer, mas já falei aqui que não gosto muito de cinema justamente por isso (talvez porque eu possa imaginar cenas ou histórias na minha cabeça, e não tenho a menorrrrr condição de cantar com essa vozinha de taquara rachada que eu tenho. Ou talvez – e aí com mais chances de eu acertar – é que tudo isso seja desculpa esfarrapada para não assumir que eu não consigo mesmo prestar atenção em alguma coisa que estejam me mostrando, sem eu participar, duas looooongas horas…ou seja: eu sou um bebê de 2 anos…).

Tá vendo porque não consigo ficar parada? Eu tergiverso…Voltando ao assunto (“Little girl blue“) : adoro essa música, e só nessa semana descobri que era da dupla Rodgers and Hart (mais precisamente da década de 30) – fazer o quê, ouvi pela primeira vez com a Janis Joplin e não tinha a noção de que ela fosse tão antiga assim…aliás, o Zuza Homem de Mello, lááá no curso que tá quase acabando, fala sempre que uma música, quando faz sucesso, “pega” as pessoas pela melodia; no entanto, para perdurar no tempo, para continuar a ser conhecida através das gerações, a música tem na letra a sua maior aliada, ou seja: é a melodia a responsável pelo sucesso inicial, mas é a letra que vai fazer a música “durar”. Só não sei como vai ser isso em tempos de música eletrônica, onde em uma série de vertentes sequer existe letra…mas como não entendo nada de música eletrônica, não vou me meter a falar do que não sei…pelo menos por enquanto.

A letra é super triste. E apesar de muita gente achar (com razão) a voz da Janis Joplin esganiçada, o fato é que eu adoro o jeito doído como ela interpreta algumas canções. E, pelo menos no meu conceito, arte é arte quando consegue dizer alguma coisa pra vc; arte não é interpretar “certo”, cantar “certo”, escrever “certo”: isso é tirar nota alta na prova. Arte não: vc olha, lê, ouve algo que entra láááá dentro de vc…Por isso tenho uma certa preferência por interpretações mais, digamos assim, dramáticas…

O Chet Baker é a mesma coisa: na linha “almas torturadas”, mas uma dor contida, não é como a Janis Joplin, que é uma coisa desesperada…aliás, até quando ela está contente ela está desesperadamente contente…

Tem também a versão da Nina Simone, que apesar de trazer muuuita emoção, não tem essa coisa “alma torturada”…E uma versão eletrônica da mesma Nina Simone, que, se por um lado tira um pouco essa coisa da “dor” da letra em si, tem uma super vantagem: faz com que as novas gerações conheçam músicas mais antigas através de um formato mais palatável para elas. E eu conheço mais de uma pessoa que, ouvindo a versão eletrônica que, por exemplo, a Verve lançou (Verve Remix 1, 2, 3), foi atrás das versões originais…Fala se isso não é legal?

Eu tenho certeza que deve ter uma versão do Louis Armstrong – e eu acho que já ouvi e adorei – , mas não achei de jeito nenhum…Se eu achar coloco no playlist de novo…

Essa aqui é da Ella Fitzgerald:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=MW4CY3a2IpU]

Ah sim… É bom avisar: eu não gosto de todas as versões que eu estou mostrando. Mas a idéia não é gostar de todas, e sim ver o que cada um fez com a música, right babes?

Logo embaixo, segue uma versão da Diana Krall (e podem começar a me xingar, porque é assim: eu até gosto dela – mas depois de ouvir 3 músicas seguidas, começo a me perguntar : por que mesmo é que não estou ouvindo Ella Fitzgerald? Pois é…she bores me…A Diana, bien compris).

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=HjXB69HrvhQ]

Achei até uma versão da Karen Carpenter (que eu acho uma chata, mas de novo: a idéia é mostrar diferenças, e não o que está manjado…)

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=2m3dbsnUtmU&feature=related]

Na linha “tristeza introvertida”, tem também o Hank Mobley - cuja versão eu não conhecia até começar a escrever essa bagaça aqui…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BM-kpimjqRk]

Estou colocando a letra aqui (sem o recitativo, que não achei em lugar nenhum). E olha…É triste mesmo. Aliás é pior que triste: é desesperançada (existe essa palavra, ou dei uma de Magri?). A tristeza é algo que vem, mas pode passar, é transitório. Desesperança não; é aquele sentimento de impotência que mata a gente aos poucos, tira a nossa essência (que nem os dementadores…).

Sit there and count your fingers
What can you do
Old girl you’re through
Just sit there and count your little fingers
Unlucky little girl blue.

Just sit there and count the raindrops
Falling on you
It’s time you knew
All you can count on
Are the raindrops
That fall on little girl blue

No use old girl
You may as well surrender
Your hopes are getting slender
Why won’t somebody send a tender blue boy
To cheer up little girl blue

No use old girl
You may as well surrender
Your hopes are getting slender
Why won’t somebody send a tender blue boy
To cheer up little girl blue

A Janis Joplin mudou um pouco a letra da música, mas estou colocando a versão original. E respondendo à pergunta que não me foi feita: Sim, a versão da Janis Joplin, parelha com a da Nina Simone (cujo primeiro LP tinha esse título) , são as que eu mais gosto. E curto tb a eletrônica. Algumas versões que eu tenho em áudio não consegui “âpiloudar” (como diz o Ricardo Freire), então procurei no youtube, e estão aí. Também não achei todas as que eu tenho em áudio no youtube, então isso aqui ficou meio um mix. Have fun.

No link abaixo vcs vão achar mais algumas versões, inclusive a ma-ra-vi-lho-sa da Nina Simone, e uma da Linda Ronstadt que eu adoro:

http://www.imeem.com/people/RaUI6Lz/music/TphMrEX3/chet_baker_little_girl_blue/

Last but not least, a versão da Nina Simone feita para o Verve Remix, e a da Janis Joplin – que é a mais doída, pungente, e, acho que já deu pra perceber- até porque disse aí em cima, a minha predileta…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=DMfgIh5liAQ&feature=related]

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=-u_nrcFpsa8]

Ah sim! em tempo: tenho consciência que esse post não está “redondinho”, e preciso dar uma melhorada na organização – talvez definir um número X de versões, e em que forma eu apresento elas, se pelo imeen ou só colocando vídeos do youtube. Mas como de novo diria o Conselheiro Acácio, se a gente não começar um dia, não começa nunca…E só erra quem dá a cara pra bater né?

Fui!

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3 Comments so far ↓

  • claudia ramos

    gostaria de encontrar uma versão mais lenta, bem lenta de teorema de Renato Russo, setiver me envie por favor.
    bgda

  • Lady Rasta

    claudia ramos infelizmente eu não tenho, meu blog não é de arquivos de músicas – eventualmente eu falo sobre elas, mas sem manter arquivos.
    Boa sorte na sua procura!
    beijos!

  • Caio

    Navegando na net, feito um besouro cabeceando as paredes, vim parar neste excelente blog. Quero parabenizá-la!

    Apesar de um bocado atrasado no post, gostaria de aduzir que esta linda música consta também no disco My favorite things do Dave Brubeck Quartet.

    Um abraço!

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