Muita calma nessa hora moçada, antes que vcs achem que eu sou uma daquelas “mocréias a perigo”, porque não é nada disso!!!!
Eu explico: Sexta feira, indo pra terapia a pé (eu diria até que bem feiosinha e desarrumada), tomei umas duas cantadas na rua – daquelas do tipo “Isso lá em casa”, ou “gostosa”, coisas desse jaez. Ambas, ressalto, feitas “no respeito”. Aí lembrei de um um episódio do Sex and the City – sempre ele -, onde a Miranda (a advogada neurótica) toma a maior cantada de um cara que trabalha na rua. Não lembro direito do episódio, mas lembro que no fim, puta da vida com o que ela achava uma falta de respeito, a Miranda resolve encarar o cara e fala: “então, vamoaí”? – ao que ele responde: pelamordedeus, eu sou casado! (ou seja, estava claro que o intuito não era cortejar a moça.
Aí fiquei pensando um pouco no assunto. Dirão as mais reativas que eles querem agredir, se impor, que é tentar subestimar o sexo feminino, bla bla bla… Mas… agredir como, se é um elogio que eles estão fazendo? Será que sou tãããao ingênua assim?
Outro dia tava ouvindo um programa de rádio, onde uma louca de grade (nota: louca de grade em linguagem de Lady Rasta é igual a “louca de amarrar” – só que mais louca, porque só a corda não resolve)dizia que as cantadas no Brasil eram um absurdo, que esse era um país machista, e que no Canadá e no EUA não era assim, porque um homem poderia ir preso por passar uma cantada numa mulher, havendo portanto respeito entre homem e mulheres ( e um monte de advogados já já serão necessários para assinar contratos no first date dos caras…. Eu hein… O pior é que várias ouvintes ligaram reclamando, dizendo que era o fim, que odiavam levar cantada, que era um desrespeito, bla bla bla…, que é impossível sair sozinha na rua, bla bla bla. Tudo bem, tem certas coisas vulgares que os caras falam que são medonhas de se ouvir, desrespeitosas mesmo. Mas essas são raras (eu diria que são a exceção à regra) – mas no dia a dia, o que se ouve é um “gostosa” mais despretencioso, ou aquelas “cantadas de feirante”…
Pra mim é assim: eu tenho pavooooorrr de lugares (às vezes até considerados lugares “legais” – eca!), onde os caras se sentem no direito de chegar perto de vc e, não só falar a primeira cretinice que vem à cabeça, como também acham que, só pela razão de terem pago entrada, consumação ou whisky, têm um free-pass para contato físico (meaning, pegar no seu cabelo, na sua mão, etc). Acho “o fim”, já cheguei a quase bater num cara uma vez por causa disso – e justamente porque acho “o fim”, não os frequento- mas acho que quem vai, sabe a que está exposto (de repente tem quem goste – e o que é de gosto regala a vida, já diziam os antigos).
Cantada de rua não – é beeeem diferente. Porque a cantada de rua não é uma cantada que tenha como objetivo conquistar a moça. É uma constatação. Eu diria mais: é uma homenagem à mulher que o cara faz. Tenho uma amiga que acha (ou ao menos achava) o máximo quando levava cantada passando por uma construção, onde os caras inclusive utilizam-se de hummmm…onomatopéias por vezes constrangedoras (gente, ela gostava. E de novo: o que é de gosto, regala a vida…). Ela dizia que se sentia linda (nota: ela não é feia, muito pelo contrário). Eu acho divertido, confesso. E hoje em dia, ao invés de fechar a cara, dou risada. Afinal, ninguém está me ofendendo…
Cantada de rua é bem diferente de assédio no trabalho, do assédio na noite ou qualquer outra coisa mais insistente. Aliás, acho que acabo de descobrir a diferença entre a cantada e o assédio: a cantada é feita de forma despretenciosa, e uma vez só. O assédio não: além de insistente, tem um objetivo, que é a conquista da mulher (seja para um “let’s go out and have some fun” ou para casar e ter 10 filhos com ela…).
Quero que fique bem claro: eu não curto assédio. Também não curto grosserias, ou coisas baixas. Mas um “aê gostosa”, “isso lá em casa”, e coisas do gênero faladas no meio da rua, ah, eu acho divertido sim…E mais divertido ainda quando naquele dia vc está se achando um lixo, tá toda desarrumada – sinal que é da tua essência que eles estão falando né? (hehehe…até parece…mas vcs dão licença de eu usar uma licença poética de vez em quando?)
E o mais paradoxal é que eu sou meio tímida pra essas coisas e detesto tomar cantada em bar, por exemplo. De-tes-to. Aliás, fuçando na internet sobre o assunto, achei um post no Badulaque que eu morri de rir – só que eu acho aquela situação totalmente diversa do que a que estou abordando aqui…
Dei também uma fuçada no orkut e na internet enquanto escrevia este post. No orkut, fiquei meio besta de ver o preconceito. A maioria é de “eu odeio cantada de pedreiro” – o que me faz perguntar : a mesma cantada do pedreiro, quando feita pelo cara da Mercedes é legal? Cantada só é legal quando feita por um “target”? Outra coisa que me chamou a atenção: tem muito mais comunidades dizendo “eu odeio cantada”, do que “eu gosto de levar cantada”. E a desproporção é ainda maior quando vc vê o número de integrantes das comunidades…Será que eu sou um alien? Bom, devo ser né?
Pelo que eu entedi: a) a maioria das mulheres não gosta de levar cantada; b) as que gostam, gostam quando ela é feita por um “moço potencial”, ou como diria o 02 neurônio, por um “pretê”. Jamais quando é feita pelo “passante”. Eu já sou ao contrário: não gosto muito de cantada barata dada por “pretê” (mas confesso que quando vc curte o moço, qualquer bobagem cola…); no entanto, me sinto honrada, homenageada quando tomo cantada na rua…é…me sinto lisonjeada…é um sinal que estou exalando feromônios…hehehe…vai entender…
Voltando ao tal episódio do Sex and the City: o intuito não é o sexo, a conquista. Se, como a Miranda, ao passar numa construção vc dissser para o pedreiro que te cantou um “legal, gostei de vc, vamos se encontrar”, é bem capaz que ele morra de susto. Pode até ser que ele adore, mas tenho certeza que não é isso que ele está pensando quando “mexe” com vc. O fato é: há certamente 95% de chances de ele não ter pensado em “fazer gol”, quando passou a cantada. Ou pelo menos não como uma possibilidadade real e efetiva…
Uma vez, andando na Praça Buenos Aires, num domingo a tarde, um senhor daqueles do tipo “preto velho de novela”, virou pra mim e disse: “minha filha, vc é melhor que é dinheiro achado…”.
Comecei a rir né? E acho beeem melhor ouvir isso do que passar a vida em branco, sem ouvir nada parecido. Pois como bem dizia a avó da Maitê Proença, “cuidado com as feias minha filha. As feias são cruéis”. Tô com ela (e com o Vinicius) e não abro.
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P.S. Achei beeeem divertido o vídeo da TPM, foi engraçado ver a reação dos caras na mesma situação que nós, vale muito a pena ver. E a maioria dos meninos adora, acredita? Xiiii, será que sou um menino e não me contaram? hehehe…Mas confesso que acho estranho as mulheres dizerem que não gostam de ouvir cantada. É a mesma coisa que elogiarem sua bolsa e vc responder: cala a boca seu cretino….Tudo bem, tem aquela coisa do groteso, do vulgar – e ressalto o que eu já falei lá em cima : eu não também não me sinto à vontade com a cantada ostensiva (ofensiva ou não ) que visa a conquista…mas gosto da cantada “en passant” despretenciosa…
P.S. II (a missão):já que falei das feias, e do Vinícius, cumpre aqui fazer uma observação: toda vez que tomo cantada demais na rua, paro pra pensar se não estou precisando de um regiminho…porque quando a gente está quase ótima (só precisando perder aqueles 2 kilinhos), as cantadas na rua escasseiam horrores…O que quer dizer que os conceitos de beleza também mudam horrores…
P.S. III (a vingança): Também pesquisando na net enquanto escrevia isso, achei 2 posts legais: “Me empresta um beijo, amanhã eu te devolvo!”, do Alexandre Inagaki, abordando justamente o outro tipo das cantadas (as que têm por objeto a “conquista”), e um sobre o campeonato de cantadas de pedreiro no Chile. Juro que tentei descobrir o resultado, mas até agora minhas buscas foram infrutíferas…se alguém descobrir, por favor me avise…
P.S. IV (a volta dos que não foram): enquanto eu não arrumo a visualização da piadinha da New Yorker, segue a legenda: ” I love you Sharon, and these documents will advise you of certain rights you have in accordance with federal and state law, as well as variances and privileges you retain in the City of New York”. O mundo sem cantadas e puritano dos saxônicos já já vai ficar assim…e não sou eu quem tá dizendo…




Adorei este post, e por acaso estava lendo notícias e vi essa aqui: http://news.yahoo.com/s/nm/20080521/od_uk_nm/oukoe_uk_newzealand_naked
É uma solução mais drástica que a da Miranda… hehe
Nossa!!! Morri de rir! Mas é engraçado né, a moça fica brava por causa dos assovios e cantadas e aí resolve tirar a roupa? Pra vc ver como esse assunto incomoda as mulheres e cada uma tem uma reação diferente…
Obrigada pela visita, apareça sempre!
Acho que preciso começar a andar menos de carro e andar mais a pé pelas ruas de SP…
rs
Um “fiu fiu” despretensiosome faria bem hoje, viu ?
;o)
Beijos
hehehe…Fabi, eu pelo menos me sinto lindaaaa…
Adorei as cantadas na rua…sempre faz bem pro ego – perguntem pra qualquer loiraça se elas, no fundo, também não gostam. Apesar de achar, sempre, que é das morenas que eles gostam mais.
Hehehe..por que será que vc acha que é das morenas que “eles” gostam mais hein? sabe de uma coisa? na dúvida, é melhor passar seis meses morena e seis meses loira, com uns intervalinhos de ruivice pra garantir…
Eu preciso de uma ajuda, please!
Recebi um bilhete de um rapaz que dizia assim:
“Se eu pudesse te liquidificar, eu te beberia toda e ficava de porre”!
O que significa? É de mal gosto ou não?
Um abraço.
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Adorei o blog e o post!
Vou virar freguês.
De fato, cantada é elogio. E muitas vezes não são para conquista, é a emoção da admiração que brota e é preciso que seja expressa!
A dona que não gosta é mal resolvida… tenho absoluta certeza disso! Deve-se agradecer sempre ter alguém que enxerga qualidade, isso é valor!
Algumas mulheres tem medo (ou desejam?) que o “cara” seja um tarado…
Eu não dou cantadas, mas olhava e demonstrava interesse quando era solteiro. Depois de casado é claro que algumas belezas ainda me emocionam, algumas atitudes e gestos mexem comigo, mas fico na minha prá não mexer com vespeiro.
Faz tempo que não leio nada tão estimulante em blog, dá licença mas vou voltar!
Abraços
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