Método Lady Rasta de educar crianças – vol. 1

Outro dia, comentando um post lá no Caixa de Pandora, lembrei de como meu pai me fez “pegar o gosto” pela leitura: ele pegou os livros do Monteiro Lobato, e ia lendo pra mim, “fazendo” as vozes das personagens (já repararam que ninguém mais trata “personagem” no feminino? é uma das regras que parece estar saindo de moda ); a Emília tinha uma vozinha de taquara rachada engraçada, a Tia Nastácia falava meio errado, e por aí vai. Eu fiz a mesma coisa com o meu filho, e contei isso comentando o post. Só depois me lembrei de uma coisa: eu fiz isso com ele para fazê-lo gostar de Monteiro Lobato, especificamente falando – porque para fazer ele ler livros eu usei um ouuuuutro método…Vamos lá:

Em um determinado aniversário (o de 7 ou 8 anos, eu acho) ele ganhou em DVD o primeiro filme do Harry Potter. Viu o filme e adorou. Aí a bruxa malvada aqui teve uma idéia brilhante, típica dos planos “xis-alfa-bê-quatro” do Cebolinha para derrotar a Mônica: falei pra ele que se ele lesse o segundo livro, eu compraria o DVD do segundo filme.

Bom, vcs devem estar se perguntando: mas caramba, ele não era muito pequenininho pra ler um livro assim tããão grande? Bom, e eu respondo: ele era sim, pequenininho. Já lia há algum tempo (ele leu mais cedo, com uns 4 anos), mas tinha dificuldade em memorizar o que tinha lido. Era uma tarefa difícil mesmo. Só que eu acho que tamanho de livro não importa, vc lê palavra por palavra certo? Qual a diferença entre ler 150 livros “finos” e 1 “grosso”? . Pra mim, não tem nenhuma.

No começo eu lia com ele, e é verdade, ele não conseguia mesmo apreender o que tinha lido, e esquecia, ficava meio puto, mas eu não ligava, afinal aquilo não era “pra nota” certo? Ia lembrando ele, era uma brincadeira. Depois do segundo, terceiro capítulo, ele começou a entender e começou a curtir. E se antes ele lia 1, 2 páginas, começou a aumentar, ler 5, 10, 15…No ritmo dele. E a gente lia todo dia, mas não era um tempão, eu determinava uns minutos pra leitura só pra criar o hábito – mas ele lia o Harry Potter se quisesse, havia outros livros para ler, “mais finos”.

Quando ele estava na primeira 4a parte do livro, eu disse: quando vc chegar na metade do livro, eu compro o DVD e deixo vc ver metade do filme; e quando vc terminar o livro, eu compro o videogame… hehehe…

Antes que vcs me perguntem eu já respondo: sim, eu sou uma bruxa (muito) má e tive coragem de fazer essa maldade com o meu próprio filho: dei “stop” na metade do filme e pronto…Afinal, combinado não é caro, certo?

Lembro que ele me ligou no escritório um dia, antes de ir pra escola e disse:

“-Mã, só pra falar que eu já terminei o livro viu?

Quando ele chegou da escola, claro, o vídeogame estava em cima da cama esperando por ele…e nesse dia eu liberei o horário de jogar videogame, afinal, cada idade tem o seu “porre comemorativo”…Viram como eu sou flexível?

P.S. Ele terminou a saga do Harry Potter lendo os livros no original. Mas o que eu fiz pra conseguir isso conto outro dia – fica para um dos próximos capítulos do “Método Lady Rasta de educar crianças”…

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A ilustração do menino lendo chama “reading is cool”, de gul ril, que eu vi no Devianart.

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Se vc gostou deste post, talvez queira ler o “Método Lady Rasta de educar crianças vol.2: a história do ovo

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18 comentários sobre “Método Lady Rasta de educar crianças – vol. 1

  1. RastaFlávia, adorei você confessar seu método Lady Rasta ;) Minha sobrinha também lia o Harry Potter para o filho, e eu lembro que ele adorava.

    É impressionante como aqui as crianças e jovens lêm pouco hoje em dia.
    Em Paris, no metrô ou nas praças, eles sempre estão lendo um livro.
    beijos,

  2. Majô, sabe o que eu acho? Que as crianças e jovens não lêem porque os pais delas tb não lêem; leitura virou obrigação da escola, e não lazer. Claro que no começo vc estimula (como a sua sobrinha por exemplo), mas se a criança não vê os pais lerem dificilmente o estímulo vai se sedimentar…

    RastaFlavia é um apelido que eu adorei sabia?
    bjs!

  3. Olá, moça!

    Amei o post… Obrigada por citar o blog, nossa conversa por lá (e por aqui) fica cada dia mais interessante. =]

    Mas falando dos hábitos de leitura: sensacional o seu “método”. Tenho certeza de que seu filhote vai lembrar pra sempre, não só dos livros do Harry Potter, mas da mãe dele, ali, do lado, pensando que aquela “brincadeira de criança” vai virar um belo amor pelos livros amanhã…

    E concordo totalmente quando vc diz acima que não adianta a mais alta criatividade para estimular a leitura se não houver um real interesse demonstrado em casa. Ou seja, se o filho ou filha não perceber que a leitura faz parte dos rituais da família. Foi assim comigo e, acho eu, com boa parte das pessoas que conheço e que amam ter um bom maço de páginas nas mãos.

    Bj gde!!

  4. Não precisa agradecer, afinal o post “começou” no seu blog né?

    Ih, vc não imagina as histórias dos meus “métodos heterodoxos” de educação…são de chorar de rir… Aguarde cenas dos próximos capítulos (mas no post do Gonçalves Dias Remix dá pra ter mais uma ideiazinha…)
    Meu filho desde bebê tinha livrinho – e eu sempre sou compulsiva com leitura; resultado: ele tb já tem uma pilha de livros na cabeceira, e não dorme antes de ler alguma coisa. Mas é hábito – tanto que em casa a quase nunca vê TV, porque acha chato.
    Agora, se vc fica grudada na TV o tempo todo, só lê a Veja e “o livro do Reveillon” (saca? aquele que todo mundo ganhou no amigo secreto do Natal e vc leva pra praia pra fazer a linha culta?), fica difícil fazer com que o seu filho leia…
    Eu também gosto da nossa interação!
    beijos!

  5. RastaFlávia, minha sobrinha gosta muito de ler, falta as vêzes tempo. Trabalho, casa, etc.
    O seu argumento que os pais não lêem é válido sim, aliás nem jornal, incrível ! E não lendo, escrevem mal.
    Eu citei os parisienses porque não é a toa que são um povo culto.

  6. Ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeei o post! Quero começar a ler para o Marinho, mas ele ainda é muito disperso, nem livrinho da Fisher Price prende a atençao dele. Sei que preciso ter cuidado com minha ansiedade! O coitadinho tem apenas 8 meses. hihihihi… Beijos pra vc!

  7. Lu, que bom que vc gostou!
    Vc sabe que o Leozinho (Leozinho é ótimo, daqui a pouco o cara tá tomando porre e eu chamando ele de Leozinho) é viciado que nem eu em livros né?
    compra aqueles livrinhos de plástico e deixa na banheira quando ele estiver tomando banho!
    Com essa idade o legal é só ter por perto alguma coisa que pareça um livro…
    beijos!!!

  8. Achei aqui a explicação!!! Ignore o que escrevi no 2o post. Eu adorava também Monteiro Lobato. Eu sou aquela que sempre dá livros de presentes para crianças de 2 anos filhas dos amigos, que é a idade de começar a pegar em livro ainda que não se leia. Aprendi com a minha melhor amiga. Quando a visito, tento levar um livro para o mais velho de 5 anos. Eu acho que tomei gosto por ler pq meu avô, o que tá ruinzinho no CTI, tem uma biblioteca que eu achava “enorme”. Com 12 anos li todos os livros da Agatha Christie que ele tinha. Mas livro grossão eu demorei muito para ler, vc é doida mesmo rsrs!!!

  9. A-D-O-R-E-I I-S-S-O!!!!!!!!!
    Vou ‘copiar’ com minhas meninas, pode?!!!
    Vc é super alto astral! Adorei conhecer vc! Pena não termos tido tempo suficiente para que todos pudessem conversar mais (pena não ter conseguido ir com vcs no CCC…sniff…snifff).
    Fica pra próxima! :-)

  10. Cristina, mas foi o que eu falei: a gente lê uma palavra por vez, então qual a diferença entre um livrão e um livrinho, a não ser que a história de um demora mais a ser contada que a de outro? hehehe…Olha, releio Monteiro Lobato ainda hoje, e tenho certeza que me apaixonei por mitologia por causa dele…Espero que seu avô esteja melhor…

    que bom que vc gostou Paula!!! Pode copiar a vontade – e aguarde, porque eu tenho um monte desses métodos na manga, hehehe…

    tb adorei te conhecer!

    beijos!

  11. Poderia ser educadora hein… que tal que tal?

    Super Lady Rasta hein?
    Mané Super Nanny o que!!! hahahahahha

    falando sério agora, muito bem feito. Muita gente acha crueldade com a criança, mas acredito que esta imposição de limites e fazer conforme o combinado é importantíssimo para mostrar as crianças que a sua palavra vale e que a dele deverá também valer como a sua quando ele começar a prometer coisas para os outros!

    Isso é importante realmente, e qdo eu tiver meus filhos irei te contratar como babá. Depois me passe os valores, ok?

    parabéns pelo texto!

  12. Diego Super Lady Rasta, rules! Essa combinação de zona de verdade com obrigações sérias dá uma super combinação, porque dá segurança pra criança: ela sabe que quando é zona é zona mesmo, mas em compensação tem as regras…

    Acho que aprender tem que ser uma gincana – se for assim, a criança topa entrar na história. Meu filho adorava Harry Potter, e quando era menor não lia inglês fluente. Sabe o que eu fazia? Ia atrás das traduções que aqueles grupos de fãs faziam, para ele poder ler o livro assim que saísse em inglês, numa tradução informal. Só que ele tinha que pagar os capítulos…com traduções de algumas pequenas frases dos capítulos que ele tava comprando. Eu fazia umas páginas coloridas, com desenhos impressos, uma coisa legal. Ele não era obrigado a fazer; mas também não ganhava os textos, hehehe…

    O segredo é desafiar e usar os interesses da criança para fazer com que ela aprenda o que vc quer. Não é difícil; mas dá trabalho e exige dedicação…

    Pra vc faço de graça!
    Beijos!

  13. Meu pai morreu qdo eu tinha 8 anos. Sim, ele tb me ensinou a ler e eu li o mundo antes dos 8. Mas Lobato todo, especialmente. Claro, ainda mais sendo taubateana como ele. Hj leio para minha filha de 5 anos e confesso que, se fico feliz por um lado, por outro fico exausta: ela não dorme e pede mais, mais, mais e eu não consigo parar de ler… adentramos a madrugada com Reinações de Narizinho…

  14. Meu filhote está com 3 anos e 9 meses. Leio história para ele dormir, diretamente de livrinho, ou um “Normal” de criança, ou de um livro de contos, sem ilustração.

    Gostei da sugestão – vamos ver daqui a 3 anos, como andaremos….

  15. Lívio coisa muito importante é ele ter os livrinhos dele: os de plástico pra tomar banho, os com figuras, os de pano… quando vc for à livraria, faça questão de comprar um livro pra ele também. Meu filho deixava os livros de pano e figuras empilhadinhos na cabeceira dele do mesmo jeito que eu tenho os meus. O mais importante é que ele entenda que leitura é um lazer, algo prazeroso, e não uma obrigação de escola. Se os pais pensam assim já é meio caminho andado…

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