Ir ao Samba da Vela não é ir a uma roda de samba: é ir à um culto onde o samba é adorado. Bom, eu pelo menos não consigo pensar em outra forma de explicar o que é “aquilo” (imagino que “samba cult” ia soar meio pretencioso né?).
Há oito anos atrás começou esse projeto, liderado pelo Paqüera e o Chapinha, com o intuito de – sempre preservando o conceito de samba de raiz -, incentivar compositores e músicos novos.
A história da vela é a seguinte: para as pessoas não perderem a noção do tempo e como os encontros são às 2as feiras, o pessoal da comunidade acende uma vela no começo (cuja cor varia entre branca, azul ou rosa – explicações no vídeo que eu separei logo abaixo) – o samba rola até o final da vela arder, medida de tempo escolhida para que a roda de samba não adentrasse a madrugada (e consequentemente, ninguém conseguisse trabalhar direito no dia seguinte…).
Mas…para ser sincera…aquilo pra mim é tão mais um ritual onde o samba é cultuado, uma “missa”, um “culto”, uma adoração ao samba em si, que eu não consigo dar essa justificativa pragmática de “a vela serve pra controlar o tempo”. E o próprio Chapinha disse para a reportagem UOL:
Onde tem batuque e uma vela acesa, acaba chegando mais do que gente pra cantar samba.
Preciso falar mais?
O conceito não é de roda de samba. É quase um sarau-místico: vc chega, há cadeiras dispostas em círculo (a vela e os músicos ficam no meio), as pessoas ficam sentadas e não se pode beber lá dentro. Em alguns encontros, o pessoal da platéia pede pra apresentar um samba, ou um poema; em outros, canta-se sambas já conhecidos da comunidade. E há trabalho comunitário também feito por eles também, se não me engano (ou é a Casa de Cultura de Santo Amaro, e estou confundindo…).
É muito, muito interessante. Mas tem que ir pra tirar as suas próprias conclusões. E ir preparado, porque aquilo é um verdadeiro estudo antropológico. Pessoalmente, toda vez que vou lá alguma coisa (e coisas boas) me acontecem. Como se o além me mandasse sinais sabe? Juro! Estive lá na comemoração dos 6 anos, ano retrasado, e nunca mais voltei. Vou hoje. Amanhã eu conto se aconteceu alguma coisa retumbante na minha vida…hehehe…
Dêem uma olhada no vídeo contando a história do Samba da Vela que eu separei:
[youtube=http://youtube.com/watch?v=WTl92pU6jmg]
E aqui uma matéria que saiu no Metrópolis:
[vodpod id=Groupvideo.1408758&w=425&h=350&fv=]
Ah! Já ia esquecendo de dar uma informação importante: em compensação, tudo o que vc não pode beber lá no Samba da Vela, vc pode (e deve) beber no bar do Paqüera e da Graça Braga lá na Praça Roosevelt, o “Você vai se quiser” todos os sábados!!! Eu não falto em um!!

Quer ir? Anota o endereço:
Casa de Cultura de Santo Amaro,
Praça Francisco Ferreira Lopes 434 (altura do nº 820 da Avenida João Dias).
Toda Segunda-feira
Das 20h até a vela se apagar (+/- 23h30)
Entrada: R$2,00 (com direito à sopa comunitária)
Nota: como hoje é dia da comemoração do aniversário, é bom chegar beeem mais cedo…
Você vai se quiser
Rua João Guimarães Rosa , 241 – Praça Roosevelt
todo sábado a partir das 16:00 começa, mas a Graça Braga entra perto das 19:00. Eu gosto de chegar às 18:30… E tem hora pra acabar viu? 9 da noite em ponto…
Site do Samba da Vela : clica aqui
Post “aparentado”com esse: Mancando…
atualização:
Acabei de voltar de lá, e tava cheio de gente e muito, muito legal. Não fiquei até o fim. Amanhã subo as fotos (se alguma tiver ficado decente, bien compris).
Ah sim! Hoje foi um dia movimentado, onde tive que aparar algumas arestas do passado. Conversas daquela de deixar o nariz vermelho e inchado, mas a sensação de dever cumprido e de poder morrer amanhã sem ter nada ainda a ser dito é maravilhosa viu? Estou leve como uma pluma. Eu não digo que dia que vou no Samba da Vela é sempre um dia de acontecimentos?
















ladyrasta (Flavia Penido) // dez 14, 2009 at 1:17 PM
@Larajanuario http://ladyrasta.com.br/2008/07/21/hoje-e-aniversario-do-samba-da-vela/