Como tô em semana de TPM, vou chutar o pau da barraca mesmo, e quiçá arregimentar hordas de desgostosos (provided they read me, of course)
Quero reclamar de barulhos desnecessários e oitiva de conversas nas quais não estou minimamente interessada. Sim, vou falar dos maditos Nextel que as pessoas, em uma nítida síndrome de “otoridade” que deixaria Roberto da Matta orgulhoso de sua tese, insistem em utilizar naquele odioso modo viva-voz.
Gente, alguém me explica por quê? Em primeiro lugar, por que eu tenho que ouvir aquele maldito ” prrrriiiii…prrrrriiiii….” no começo e no fim de uma frase?Com mil demônios, será que a pessoa quando usa esse treco não se incomoda com aquele maldito apito? Não é possível!!!
Respondam para esta que vos escreve, pleaaaaase: por que eu tenho que ser obrigada a ouvir uma conversa como essa, por exemplo:
prrrrrriiiii….oi tudo bem?
prrrrriiii….prrrrriiii….tudo e vc?
prrrrriiii….prrrrriiii….já comprou a camisinha?
prrrrriiii…prrrrriiiii….
sim, mas não consegui o KY…
priiii…prrrriiii vc se incomoda se a gente fizer sem hoje?
prrrriiii…
Estou exagerando, obviamente, para que vcs tenham uma percepção do ridículo da cena. No exemplo acima, meu caros leitores, a conversa até seria engraçada. Fica mais chato (beeeem mais chato, btw) quando a conversa gira em torno de controlar os empregados, o marido, os filhos. Cacete, eu não tenho nada a ver com isso.
Eu não tenho nada a ver com a vida de quem fala naqueles telefones. Meu filho costuma dizer que quando eu chamo algo ou alguém de cafona, na minha ordem de valores é muuuito pior do que chamar alguém de filho da puta (e ele está certíssimo, afinal, ninguém tem culpa se a mãe escolheu uma profissão polêmica – já ser cafona é defeito de fabricação da pessoa mesmo, e o que é pior, defeito esse normalmente incorrigível). Pois bem: acho aquilo jeca, cafona, coisa de bicheiro com corrente no pescoço, e coisas desse jaez. Em resumo: o uó ambulante).
Mais: além da vida do próximo não me interessar (ao menos não quando sou obrigada a ouvir a conversa- claro que a briga de namorados na mesa ao lado, sussurrada, me interessa e muito, hehehe), acho uma invasão do meu espaço auditivo ter que ouvir não só aqueles prrrrriiii malditos, como também a conversa do pessoal em um volume além do suportável.
É pura e simplesmente, FALTA DE EDUCAÇÃO -nem mais nem menos. E no caso do brasileiro, é aquela coisa arraigada na nossa personalidade, de não nos importarmos com o incômodo do próximo. Aliás, queria saber por que as pessoas me impedem de fumar cigarrilhas, alegando o fedor, e eu tenho que aguentar quieta esses malditos apitos. Interessante né? Não, nem me venham falar em saúde. Eu tenho pressão alta. Sabe o mal que me faz ter que ficar ouvindo aqueles barulhos??? Por que uma coisa é proibida e outra não? Ansiedade e tensão também são doenças de nossa sociedade atual, então não me venha com a história (verdadeira eu sei) do câncer no pulmão. Ambas fazem mal.
No livro “Carnavais, Malandros e Heróis“, Roberto da Matta fala que o célebre bordão “vc sabe com quem está falando” advém do nosso conceito de pessoa e indivíduo. Enquanto na sociedade americana o cidadão segue a regra, é um indivíduo como outro qualquer, sem regalias perante qualquer outro, na sociedade brasileira o cidadão é pessoa (ou seja, sua importância e sua obediência à lei depende de quem ele é perante nossa sociedade hierarquizada – tô resumindo muuito, mas é por aí). Ele fala lá pelas tantas, ao discorrer sobre os “medalhões” de nossa sociedade:
“Mas quem é o medalhão? Novamente descobrimos que ele não é um personagem exclusivo de uma classe, grupo ou segmento social. O medalhão, como uma cristalização pessoal de qualidades morais de determinado domínio social, pode surgir onde quer que haja um grupo. Temos medalhões entre os pobrese os ricos, entre os fracos e os fortes. Trata-se, parece-me, de um modo de estabelecer diferenças e hierarquias em todos os grupos, em todas as situações; sobretudo, entre pessoas iguais.
Embora exista uma tendência a equacionar o medalhão com a classe dominante, essa ligação é simples demais. De fato, existem medalhões em todos os domínios vida social brasileira: na favela e no Congresso; na arte e na política; na universidade e no futebol; entre policiais e ladrões. São as pessoas que podem ser chamadas de “homens”, “cobras”, figuras”, “personagens” etc e que ocorrem em qualquer campo. São os que já transcenderam as regras que constrangem as pessoas comuns daquela esfera social. É alguém que não precisa mais ser apresentado e com quem se deve primeiro falar (e/ou “se entender”).
Em sistemas igualitários, essas figuras são chamadas de VIPs (very important persons) e são raras. Em sistemas hierarquizantes, elas existem em toda a parte, em todos os domínios, e são elas que fazem as conexões básicas entre os diversos círculos hierarquizados que formam uma espécie de esqueleto do universo social. Gozam, assim, de uma fama justificada e de um prestígio especial que se manifesta no modo como são tratados: livres das regras constrangedoras do sistema, colocados unanimemente numa espécie de Nirvana social, um Himalaia de escalar hierárquicas, acima das brigas rotineiras” (trecho de ”Carnavais, Malandros e Heróis”, p. 205 – grifos meus)
Acho que o comportamento acima descrito tem relação com esse babado do viva voz no Nextel. Do mesmo jeito que mães de alunos de escolas mais “chiques” se acham no direito de ficar em fila dupla no horário da saída porque seus filhinhos não podem andar uma quadra, do mesmo jeito que o Brasil é o país da ala VIP e pessoas acham que podem furar filas impunemente, as pessoas se sentem com o “pudêr” nas mãos, se acham “otoridade” ao falar naquela bagaça e acham que tudo bem incomodar o próximo, afinal, ele tem algo importante pra falar, qsl?
HUmpf…
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P.S. Se vc é uma daquelas pessoas que fala no viva-voz e tá puta comigo, faz um favor? Ponha-se no lugar do outro. Veja se vc quer fazer uma refeição num local público com um treco desses na sua orelha. E pensando bem: será que custa falar no modo “normal”?
















Olá Lady!!
Nossa, hoje vc fez voz a quem não tem voz !!!
Minha irmã mais velha viaja pra cá de vez em qdo e fica falando nesse MALDITO nextel dela, o qual ela carinhosamente chama de “rádio”.
E já reclamei um monte mas não adianta, acho que ela se sente o máximo brincando de segurança de shopping!!!
As vezes estamos vendo tv e ela começa com aquele troço medonho.
Obrigado por este espaço para eu desabafar junto com vc!!
Beijão!
Hehehe Rodrigo então toquei no ponto certo né? Sabe o que eu acho incrível? é que não tem diferença, vc está falando com a pessoa do mesmo jeito. Eu acho falta de respeito com quem está do seu lado sim…acho mesmo!
beijos!
Aquilo lá é nojento mesmo! Também acho muito cafona aquele povo falando no viva-voz do Nextell. Será que só dá pra falar daquele jeito?
não Ju , tem o modo “normal” sim. Mas uma vez com aquele maldito telefone, as pessoas só sabem falar dessa forma insuportável…
nossa, tô feliz em ver que as pessoas concordam comigo!
beijos
Aqui em Fortaleza não tem nextel, mas me identifiquei total com esse post porque toda vez que vou ao Rio eu fico impressionada/incomodada com essas conversas pelo ‘rádio’. A única diferença entre o nextel e quem fala no celular gritando é que com o rádio a gente pelo menos escuta os dois lados da conversa. Eu fico imaginando se essas pessoas vão achar ruim se eu der minha opinião no assunto que elas estão conversando: (usando o seu exemplo) “Ah, se eu fosse você não fazia sem ky de jeito nenhum”.
RastaFlávia, eu também odeio aqueles aparelhinhos CAFONAS, e o pior é que eu não entendo nada que o interlocutor diz. O povo daqui do meu trabalho já andou sondando a hipótese de implantar aquele tribufu pra falar internamente, eu me recusei, fiz um escarcéu e consegui barrar esse ícone brega. Obrigada por divulgar essa campanha na web.
Oi Flávia, não teve como não rir do seu artigo, mas seria comigo se não fosse trágico. Além desse “rádio” ter um barrulho horrível dá um “baita” susto se vc está desprevinido. Deus, antes eu achava que celular já era uma forma de localização excessiva com o nextel então é muito pior e por cima um incomodo constante. Quando minha irmã vem com meu cunhado eu já começo a reclamar na porta…”Desliga isso, trabalho só de seg a sex da 8h as 18h, final de semana é pra familia”…ele faz como o nextel, chia um pouco mas logo entende a mensagem…rs…quem sabe essa sindrome como vc mesmo diz “otoridade” acaba…rs
Beijos
karine ótima idéia!!!!
preciso me lembrar dessa solução qdo estiver de TPM…uia! e não é que eu ESTOU? 
Meilin eu tô quase criando um banner “Falar no Viva Voz é JECA”. O mais louco é que naquele mesmo telefone existe o modo “normal” – ou seja, a moçada é abilolada das idéias messssmo!!
beijos!
pequenapaty sabe que eu digo que telefonar pra mim é uma mera expectativa de comunicação, porque o mais normal é que ele esteja desligado ou eu não atenda mesmo…acho invasivo e acho o fim as pessoas acharem que é obrigação atender ao telefone. Não, não é.
E as pessoas acham que nós é que somos doidas porque não gosto de ouvir conversa dos outros…então tá…Xô cafonas!!!
Fantástico, tô contigo e não abro. E já mandei p/filha que está querendo mudar pra Nextel pra ver se ela se manca…..
Marcie o Nextel pode ser usado no modo “convencional” – o problema é que todo mundo acha bacana brincar de segurança de shopping quando tem um nas mãos…
beijos
Você acreita que eu tinha feito até uma comunidade falando disso? http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=48940442
Menina, eu estou toda semana no aeroporto e as pessoas acham CHIQUE ficar aos berros no Nextel.
É overdose de falta de educação!!!!