Eu já falei em um outro post que nós brasileiros, especialmente as gerações mais novas, lidamos muito mal com a morte – somos muito diferentes dos orientais por exemplo, os quais, por acreditarem na reencarnação, não vêem na morte uma ruptura ou um fim. Mas por outro lado, acho meio bobo a gente se forçar a ser o que não somos: somos latinos, e como tal, jamais seremos muito fleugmáticos (mormente em se tratando de um assunto desses) certo?
Por isso adorei descobrir que os mexicanos têm uma comemoração muito bonita no dia dos mortos, comemoração essa que, sem perder a latinidad, sem perder o histrionismo que por vezes nos caracteriza, também não tem aquela conotação pesada que o dia de Finados tem no Brasil.
É moçada, no México, o Dia de Los Muertos (que lá é comemorado no dia 1° de novembro, nosso Dia de todos os Santos aqui) é o dia do ano onde os parentes que se foram vêm nos visitar, nos ver; portanto, é dia de muita festa – como seria se uma pessoa querida chegasse em casa para nos ver depois de uma longa ausência.
Nesse dia, é costume (derivado de uma tradição indígena) dos mexicanos enfeitar as ruas da cidade com flores e oferendas; nas casas o altar dos antepassados igualmente recebe flores e velas; também são preparados para a festa os pratos prediletos dos mortos queridos – nada mais lógico né? Afinal, na cultura mexicana, eles estão vindo nos visitar (parênteses: isso tem uma certa co-relação com o Haloween: o Trick or Threat advém da crença de que os mortos apareciam no dia de Finados para nos exigir comida – como vemos, muda o nome, muda o enfoque, mas os ritos são os mesmos…).
Achei um vídeo legal mostrando a festa, dêem um’olhada:
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=86_Z0Nscs9g]
Sabe a figura da madame encaveirada láá do começo do post? É a Catrina, muito popular no México (há várias mulheres fantasiadas como ela no vídeo que vocês viram aí em cima), que vem a ser a representação de uma grande dama da sociedade, já morta – por isso aparece sempre chique e com o rosto de caveira. Nesse mural aí embaixo, pintado pelo Diego Rivera, a Catrina aparece com o próprio Diego Rivera menino de mãos dadas com ela, e a Frida Kahlo logo atrás, vejam:
Eu sei que os mais céticos, principalmente aqueles que não acreditam em Deus, etc, vão achar isso tudo uma babaquice. Mas o fato é que a maioria da população (eu inclusa) não tem serenidade para conviver com a idéia de que tudo acaba quando morrremos. E ainda que acabasse (é gente, eu prefiro acreditar que não acaba), as memórias e as saudades de vez em quando aparecem dentro da gente né? Então, se a gente toma aspirina quando tá com dor de cabeça, por que não fazermos uma festa onde na nossa concepção aqueles queridos estão aqui com a gente? Fica mais fácil, mais leve viver assim – pelo menos é o meu modo de pensar.
Sabe uma outra coisa que eu acho muito legal? Com isso, a morte passa a fazer parte das nossas vidas, não é algo jogado embaixo do tapete, algo que não gostamos de mencionar nunca. Você vê crianças na festa, que participam dos festejos; os cemitérios estão abertos à noite, e segundo os relatos que vc lê nesse post aqui (aliás execelente post com detalhes históricos e descrição minuciosa da festa), elas correm fantasiadas pelos túmulos, sem qualquer medo. A morte faz parte da vida delas – aliás, como faz parte da vida de todos nós, queiramos ou não.
Imagino que no México, ao invés de “Vovó virou estrelinha” e outras coisas desse gênero, eles devam ouvir que todo ano eles virão festejar com a gente. É metáfora do mesmo jeito, mas essa é uma metáfora da qual a criança participa, ajudando a arrumar a casa para a festa, etc. Fica mais fácil encarar a morte quando temos algo a nos amparar (vcs vão dizer: mas isso não é muleta? claro que é né gente? mas quem disse que muletas às vezes não são necessárias – principalmente quando não conseguimos andar com os próprios pés?)
Quanto a mim, que adoro rituais e os incorporo às minhas práticas, vou entrar na onda e fazer um Pudim de Pão (receita da minha avó, que ela também adorava comer), e tomar uma bagaceira em homenagem a ela. Tenho certeza que, esteja onde estiver, ela vai adorar.
Fiquem com mais um vídeo muito bacana que descolei, enquanto pensam no assunto tá?
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=7fTySU0FxNA&feature=related]
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Pra quem gostou da história e mora em São Paulo, o restaurante Obá tem um “festival do dia dos mortos, com cardápio e decorações especialmente desenvolvidos para a ocasião, de 30 de outubro a 02 de novembro. Dêem uma conferida no menu clicando aqui (inclusive com várias informações sobre o Dia de Los Muertos).
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Mais um vídeo interessante sobre o assunto vcs encontram aqui
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(ainda preciso escrever sobre isso: que as fotos dos nossos parentes geralmente numa mesinha na sala ou sobre a lareira são o nosso altar de antepassados estilizado)




















Dia de los muertos no México:Festa de Finados animada Video // out 29, 2008 at 12:49 AM
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Adorei seu post e suas dicas!
Ma que bom que vc gostou!!! E gostei de ver vc aqui também…
beijos!!
Eu tive um orientador mexicano na USP e ele falava muitooooo do día de los muertos!!! desde q conheci essa comemoração acho uma das mais legais (ok sou meio tétrica!!!!)…
Vou ver onde compro aqui em SP calaveiras de azúcar! se achar te mando de presente!!! bjss
Lili eu não acho que vc seja tétrica! Acho tétrico o dia de Finados que nós temos, o deles é legal, é dia de festa, de arrumar a casa, de lembrar dos queridos…
Vc viu que zona que é? deve ter até história de gente que se conheceu na festa dos muertos e se casou, aposto! (olha que filme gracinha que ia dar isso, hein?)
Adoro o Obá, e fiquei feliz que vc curtiu o post!
bisous chérie!!!
Muito obrigada pela referência. Desejo-lhe o maior sucesso e que volte sempre ao meu blog. Tudo de bom !
fresquinha não poderia deixar de linkar o seu post, que está mesmo ótimo!
Pode deixar que daqui pra frente farei visitas sempre!
E aqui, a casa é sua tá?
beijos!
Ola!!!!!!!!
Nossa curti pacas
O melhor é que tudo que vc escreveu vai pro meu trabalho de espanhol
Brigado por ter feito esse blog
kkkkkkk
Bjiins
Ana Flavia Espero que vc ao menos mude as palavras e que seu professor também não seja leitor do blog