Assédios

Onde termina a cantada e começa o assédio? Por que em algumas circunstâncias as mulheres simplesmente não conseguem ter reação alguma,  e dão pra isso as mais diversas justificativas?

Antes que falem “ih, de novo esse assunto”, não é apenas do Bunnygate que eu vou falar, mas sim de alguns casos de assédio por parte de seguranças ocorridos no Campus Party, os quais na verdade não passam de situações razoavelmente comuns na vida da mulher brasileira (e muito provavelmente da maioria dos países latinos, imagino eu).

<parênteses para explicar o Bunnygate> : semana passada no Campus Party, tivemos um episódio lamentável ocorrido com a Ana Lucia,  uma coelhinha da Playboy que estava trabalhando no stand da Abril: um elemento do sexo masculino, segundo as afirmações da moça, teria apertado sua bunda, em um evidente abuso. A foto da moça chorando após o incidente deixou todo mundo consternado, e causou reações violentas de repúdio na chamada blogosfera. Houve também o time pro-burca das Irmãs Cajazeira, afirmando  que a moça mereceu o ocorrido tendo em vista a sua exígua vestimenta em um evento com 4000 geeks. </fecha parênteses>

Ana Lucia minutos após ter sido assediada - by skateonrails

Aos fatos pois!

Como meu filho não pôde participar do Campus Party durante a semana, na 6a feira à tarde eu fui com ele dizendo que ficaríamos até mais tarde e que, caso  ficássemos cansados, poderíamos descansar nas barracas que havíamos montado. Saindo da área do camping, percebi que não estava com minha credencial, abri a bolsa e comecei a procurá-la  e ao ver que eu ia para barraca e falei para o meu filho me esperar lá, ele decidiu me acompanhar (achei esquisito, mas pensei que ele estivesse desconfiado que eu não possuísse crachá). Quando chegamos, vendo  que eu só tinha a chave de duas barracas, perguntou onde estava “o meu esposo” –  e a burra aqui ainda disse que não tinha mais “esposo”. Ele ficou olhando eu procurar o crachá, com metade do corpo fora da barraca, metade dentro, e enquanto isso  puxava assunto. Quando eu estava terminando e me levantando pra sair da barraca, ele falou: “Viu, eu vou querer tomar um café com vc. Mas não agora!Mais tarde, lá pelas duas da manhã”. E  quando eu havia finalmente me levantado ele me pegou pelos braços (sabem meninas, quando não dá muito pra mexer o braço?)  deu um daqueles olhares incisivos e disse com voz enfática ” porque mulher como vc não é pra ficar sozinha por aí”.

Sim, isso mesmo que vcs ouviram!

Lívia Forte, a @misslivia, também teve problemas no Campus Party. Ela conta:

O cara foi de fato muito grosseiro e as minhas amigas (Pri e Vitória) viram tudo e ficaram indignadas com a atitude dele. Explico até: eu estava saindo pro #NoB e chegando na entrada para encontrar o pessoal e pegar o taxi, ele entrou na minha frente e ficou dando passos para os lados, não me deixando passar e falando gracinhas. Para não perder a calma, olhei muito feio pra ele e consegui desviar, mas as meninas foram falando indignadas até a portaria do evento.

A Lívia, talvez por estar com mais gente por perto, ao menos foi corajosa e fez alguma coisa; vocês sabem o que eu fiz, além de reparar no número de identificação dele? NADA. Não fiz NADA. Eu até poderia dizer pra vcs que ia ser a palavra dele contra a minha (bom, disso eu tenho certeza), que o meu filho estava lá na frente  mas…na real? Eu não fiz nada simplesmente porque na hora não me ocorreu fazer nada. Me senti muito mal e fiquei sem ação. Não fiz nada porque, por mais absurdo que pareça, já estamos acostumadas a isso;   no fundo, do mesmo jeito que a Ana Lucia (dentro das devidas proporções obviamente, afinal ela é uma mulher linda que deve ser assediada um zambilhão de vezes ao dia) eu acho que é meio do negócio, fico chateada, me sinto meio suja na hora e pronto, bola pra frente – comportamento que  está, evidentemente, errado.

Contando essa história para a @gabibianco, do Casa da Gabi, ela falou uma coisa importante:

é engraçado, quando é com as outras a gente fala “ah, se fosse comigo eu fazia um escândalo!” mas na hora a gente perde a fala, se sente pequena como uma mocinha de livro romântico, precisando ser salva.

É isso mesmo. A gente sempre fala que vai fazer e acontecer, mas não é sempre que achamos que a situação merece esse incômodo todo. Enquanto escrevia esse texto, decidi procurar por posts escritos por mulheres para falar sobre o assunto – e querem saber? NÃO TEM. Nenhuma mulher se sentiu suficientemente motivada para escrever sobre o caso – eu mesma, só estou escrevendo porque além de me sentir muito mal (e amedrontada né? eu não dormi lá, mas já pensou se tivesse que dormir?) tive vários amigos que insistiram para que eu metesse a boca no mundo;  caso contrário, teria tuitado um ou dois resmungos e mais nada.

Sabe por quê? Porque  toda mulher que viva num país latino vez ou outra passa por uma situação dessas e também se sente  mal, conspurcada, fica puta, mas meio que aprende a sair fora da maioria das grosserias e superar o assunto. E sinceramente? Eu nem sei se quero viver em um país onde eu possa andar pelada na rua sem levar uma cantada. Não é essa a questão – mas  existe uma diferença muito grande entre cantada, cantada grosseira, e assédio, investida física – como são os casos acima, em maior ou menor escala. Eu até admito (embora saiba que sou minoria, e que tenho idéias um tanto quanto preconceituosas e machistas) suportar uma cantada mais grosseira em prol de não viver num país falsamente assexuado como os Estados Unidos, onde tudo pode vir a ser sexual harrassment. Sim! Até admito que em razão da roupa (ou da inadequação da roupa ao lugar)  num arroubo de chauvinismo, ouvir umas besteiras mais pesadas, e acho que devemos usar roupas adequadas para cada situação social (e essa regra tanto eu e a Lívia que estávamos participando do evento quanto a Ana Lucia, que estava trabalhando fantasiada, obedecemos) –mas o contato físico é inadmissível.


Como disse a Carla do Brasil :

Acho que estamos perdendo a essência da discussão: mais importante que dizer “coitadinha, você tem meu apoio” ou então “bem feito, biscate” é pensar em quanto a garota, nesse momento, não foi dona do próprio corpo. Que tipo de pensamento misógino, de dominação, machista (coloque aqui seu adjetivo favorito) permite que um homem (o agressor é homem feito) “tome para si”, ainda que por instantes, o corpo de uma mulher, sem que ela dê liberdade para isso. O corpo É DELA. Mexeu no seu cabelo, na sua mão, na sua perna ou na sua bunda sem sua autorização, é agressão. Isso serve para mim, para você, para a Ana Lúcia, para qualquer outra pessoa. Inclusive para o homem que iniciou toda essa discussão, com uma atitude ridícula.

E, desculpa, não tem essa de “ela estava pedindo”. É exatamente esse pensamento que justifica o uso da burka. Os homens tem de ser responsabilizados pelos seus atos, chega de botar a culpa na mulher por qualquer coisa. Não consegue controlar a própria mão? Amarra ou corta fora. (grifos meus).

Agora vou um pouco além: sabe o que me envergonha sobremaneira admitir? Que lá, lááá no fundo, eu tenho um pouco das Irmãs Cajazeira dentro de mim – porque senti vergonha e me senti suja ao ser cantada(?) daquela forma. Porque depois do ocorrido, fiquei me questionando se estava muito decotada, ou se eu tinha em algum momento, falado alguma coisa inapropriada que pudesse ter induzido aquele elemento desclassificado a tomar aquelas “liberdades” comigo – da mesma forma, mal comparando mas ainda assim fazendo a comparação, que a Ana Lúcia diz que está sujeita a esse tipo de comportamento bestial em razão do seu trabalho. No fundo, tanto ela quanto eu achamos que merecemos esse tipo de comportamento (como foi dito por algumas pessoas ao comentar o “Bunnygate” ).

irmas-cajazeira3

É o fim isso né? Porque o que quer que estejamos vestindo, isso não pode justificar a invasão do nosso  espaço físico – e o mais triste é que se nem uma boa parcela das mulheres entendeu isso (tanto que, apesar de indignadas, nos perguntamos se não fizemos algo errado), como é que vamos conseguir exigir isso dos outros?- ia falar homens, mas já passei por situação igualmente humilhante, há pouco tempo atrás, onde uma mulher fez isso comigo – e a cretina aqui ficou puta mas não fez nada também.

Queria terminar falando que eu não quero ter que usar burca (ainda que seja “burca ocidental”, como essas roupas de mocréia, de Irmã Cajazeira) para ser respeitada.Porque se a mulher para ser respeitada tiver que esconder seu feminino, isso não é um avanço; é um retrocesso –  pois para mim ela estará sendo respeitada por disfarçar seus atributos femininos e se passar por homem, por ter atributos e atitudes masculinas. Eu não quero isso; eu quero ser respeitada por inteiro, com meu peito, minha bunda, meus saltos altos, minhas unhas compridas…

Eu sou tudo isso e não quero abdicar do meu feminino para ser respeitada. Eu não tenho vergonha de ser mulher. Eu gosto. Eu adoro. E tenho segurança suficiente quanto à minha capacidade intelectual para não precisar esconder  determinados atributos físicos meus (que eu nem acho que são assim tão fantásticos, mas tem quem goste, e é isso que vale certo? 😉 ). E quer saber?  Feminismo pra mim é a mulher ter condições  de não ser massacrada pela vontade do homem, ter independência para decidir o que fazer – até mesmo decidir ser um bibelô bonitinho, se isso lhe apraz.

****

P.S. Antes que venham falar que é um absurdo mulheres se prestarem a servir de fantasia para os homens, eu repito: acho que a gente pode tudo. Inclusive abdicar de exercitar o cérebro caso achemos que seremos bem sucedidas dessa forma. Uma mulher não é igual à outra, e cada uma é dona de seu nariz.

P.S. Não, não sou obrigada a ouvir “o outro lado”, o movimento em prol das Irmãs Cajazeira; defendo até a morte o direito das pessoas falarem o que quiserem, mas não preciso ouvir asneiras para defender o direito das pessoas as dizerem.  E da mesma forma que não vejo programa ruim de TV, me reservo ao direito de não ouvir parvoices, d’accord?

46 pensamentos em “Assédios”

  1. engraçado, porque eu não me sinto suja quando um homem me assedia. eu fico puta e corto no ato! de um jeito que ele até perde o rebolado. sabe cachorro quando vc demonstra que tá com medo e aí é que ele te ataca? esses animais são iguais. não pode demonstrar fraqueza nessa hora. porque eles farejam essa fragilidade. mesmo que vc trema por dentro, mostre postura de altiva e forte por fora. põe banca que ele sai ganindo. cain, cain, cain. mas, para isso, como já disse, não pode se sentir suja ou culpada. pelo contrário. o mantra é: “sou gostosa, mas ai de vc se me tocar sem a minha permissão”. já falei isso para homem antes, na menor insinuação de aproximação: “não toca em mim”.

  2. Ai Cris, eu sempre me questiono. Já dei várias cortadas feias, até já dei porrada em cara que tentou me agarrar, mas já passei por situações horrorosas (e qto mais próxima de vc a pessoa, pior é) onde tudo o que eu conseguia fazer depois é chorar. Quando eu conheço a pessoa então, me arrebento… E eu sou daquelas que todo mundo vai dizer que provocou né? Mas é o teu comportamento e o da Lívia que estão corretos, não o meu, disso eu tenho certeza.

    beijos!

  3. acho que é uma atitude interna, mais do que palavras ou porrada, temdels? tipo, não se sinta culpada nem suja que o resto ele vai sacar. é claro que estamos falando de situações corriqueiras. porque, se o cara for maluco, o negócio é fugir mesmo.

  4. Eu me considero a mais sem sal do mundo em termos de roupa e comportamento, mas ainda assim eu ouço pelo menos uma bobagem de homem cada vez que saio na rua. E eu fervo, mas não reajo. Porque eu tenho medo. Eu não sei quem é o cara, se ele é louco, se ele vai me agarrar ou me seguir caso eu mande ele pro inferno. Sim, acho que sou bem paranóica nesse ponto. Por exemplo, indo trabalhar eu sempre subia a mesma rua paralela a minha casa, todo dia. Cruzava com dois caras. Nos primeiros dias percebi q viravam pra me olhar. Depois, um deles me disse bom dia. Não tive duvidas, nunca mais andei por ali. Dois caras e eu sozinhos as 6:30 da manhã numa rua deserta, mesmo que ao lado de casa? E se eu tivesse reagido, o que poderia ter acontecido? E como denunciar isso? Ouvir um “bom dia”, mesmo de alguem que te come com os olhos na rua, é denunciável? Acho que falta condições pras mulheres reclamarem, não basta rodar a baiana pro cara, ele não vai se sensibilizar com isso, vai é ficar ainda mais satisfeito por ter conseguido incomodar…

  5. Cris, o mais intrigante é que eu não me faço de vítima nem me intimido nunca! Eu sou a maria encrenqueira! Mas nesse tipo de situação eu nunca consigo reagir – e já passei por situações muito sérias; o que me faz pensar que eu passo por situações dessas porque tenho “cheiro” de quem não reage… é vc tem razão, adorei o comentário!

    Renata, aí eu já sou totalmente diferente. Eu não me importo de verdade com aquelas cantadas mais “genéricas” sabe, do cara que te chama de gostosa, ou fala aquelas frases de feirante tão engraçadas – não me importo mesmo, eu encaro aquilo como uma homenagem e pronto. Mas passar num lugar às 6:30 da manhã sozinha onde vc sabe que vão ter 2 caras – não precisa pedir encrenca né?
    Por outro lado, tem o que eu falei: eu não sei se quero morar em um país onde os homens não te olham por medo de serem processados, acho que seria chato…eu só não quero que encostem em mim – mormente quando o cara está lá para teoricamente zelar pela minha segurança…

    Beios

  6. sim, renata, numa situação dessa de rua, eu tb evitaria. eu falava a respeito de situações mais corriqueiras, na lida diária com homens não tão “perigosos”. mas tb como a gente vai saber de antemão se um homem é realmente perigoso ou não, né?

    lady, pois é. talvez vc não se faça de vítima nem se intimide em outras esferas. mas nessa em particular vc pode estar passando essa “culpa de ser mulher”. sei lá. tô aqui teorizando. te ajudando a refletir. apenas isso.

    no meu caso, ter 1,80 talvez ajude… não sei…

  7. Lady,

    triste pensar que ainda existe mentalidade de cajazeira por aí, não? Eu não sei se é mania de generalizar, mas eu vejo um laço muito forte ligando o bunnygate ao caso das muitas mulheres que são mortas pelos parceiros. A gente ainda não é dona do próprio corpo, infelizmente.

    Eu também não sei reagir, especiamente na rua. Já passei por situações como a da Renata, de precisar mudar de caminho e abrir mão de clientes potencialmente “perigosos”, passando para colegas homens. Quando dava aulas particulares, nunca tinha horários livres para homens – mesmo que estivesse precisando absurdamente do dinheiro. Até o momento em que eu percebi que me escondo dentro de um moletom para não chamar a atenção. E isso que eu nem sou a última bolacha do pacote…

    Enquanto eu escrevo esse comentário, vejo um filme na TV em que o pai (rei) diz ao guerreiro que se ele destruir o demônio ele será dono da maior jóia do reino e a câmera mostra a princesa. Quantas vezes essa mensagem passa na TV? Quantas meninas são educadas como “as jóias”, prontas a serem entregues ao homem mais valoroso que aparecer no seu caminho?

    @Cristalk: 1,80 ajuda muito. Eu vejo pelas minhas amigas que são mais altas. 😉

    Ah, acredita que já vieram me falar que eu defendo a violência por causa do “corta fora” no comentário? Esse povo também não entende ironia…

  8. Não sei o que é pior nesse caso: o assédio, ou o povo tentando justificá-lo. E acho que a gente tem de seguir o exemplo da Lola, parar de tentar ser educada, e começar a reagir. Mamãe vai ficar chateada, mas é melhor do que a sensação de culpa depois…

  9. Pois é, lembra de Acusados, com Josie Foster? O argumento do estupro dos caras era que a roupa dela era inapropriada, que o modo que ela dançava é que incitou tudo. PeloamordeDeus, o limite das coisas está onde?

  10. Cris, no fundo, como eu sou toda expansiva, eu sempre me questiono se não dei sinais truncados- mesmo que não tenha dado sabe? parece que de certa forma eu me sinto culpada por ter “provocado” o cara. Ridículo, mas o caminho da cura é reconhecermos nossas fraquezas né? E engraçado, tanto vc qto a Lívia são altas!!! Me empresta uns 5 cm, please? 🙂 (ah, se fosse só isso né?)

    Carla pois é…tem duas coisas aí
    a) eu me recuso a me vestir como freira, ou a me enfiar dentro de um moletom pra não ser assediada. E como disse, iria odiar morar num país onde não ouvisse um “gostosa” de vez em qdo. E talvez por não odiar ser cantada, por não repudiar ser apreciada só pelo estético (e não pense vc que sou grande coisa, pq não sou, longe disso – mas tem louco pra tudo né? ainda bem aliás) é que talvez me sinta culpada qdo a cantada passa dos limites. Na verdade, me incomoda o fato de saber que existe uma Irmã Cajazeira aqui dentro sabe?
    b) o problema não é a princesa se entregar ao homem que ela julgue valoroso (não vejo nada demais nisso) mas sim de ser entregue. A partir do momento em que a princesa tem o poder de decidir para quem se entrega, acho que não há problema algum…e melhor que o príncipe seja valoroso né? 😉

    Cynthia confesso que eu me recuso terminantemente a manter qq relação com a turma das Irmãs Cajazeira. E queria muito muito aprender a reagir nessas situações…

    Andrea como diria o Obelix, esses romanos são todos uns loucos…Eu até acho que a gente deve adequar as roupas aos lugares que frequentamos, mas não foi o que aconteceu em nenhum dos 3 casos (sim, porque a Ana Lucia, salvo melhor juízo, estava claramente fantasiada a trabalho…)

    beijos a todas!!!!

  11. Eu passei por uma situação estranha com um segurança, mas que não chegou a contato nenhum: o cara simplesmente ficou horas me rodeando na mesa. Andava pra lá e pra cá num raio de, sei lá, pouco mais de 5 metros e passava por mim encarando, ridículo.

    Sabe, Flávia, nunca me aconteceu esse tipo de investida, mas estou MUITO acostumada com pessoas encarando de longe, aquele lance meio psicopata (e nem me refiro apenas aos nossos “nerds”, que o fazem por pura timidez, acontece também nas baladas, com negos que estão acostumados a chegar chegando, e tenho uma teoria. Eu acredito que isso tenha muita ligação com o meu jeito, toda espalhadatosa.

    Parece que quando você fala alto, fala muito, com muita gente, gesticula muito, intimida as pessoas que normalmente teriam coragem de fazer o que esse tosco fez contigo. Pq eu sou pequena, coisa mais fácil é me segurar, então a única coisa que impede isso só pode ser o medo do tamanho do escândalo que eu faria, se já sou escandalosa normalmente hahahaha

    E olha só que coisa, enquanto o SEGURANÇA do evento fazia uma imbecilidade dessas, o vendedor de água de coco veio me pedir, humildemente, se podia tirar uma foto minha com a Gisele e a Cris, porque éramos muito bonitas.

    Quem vê uniforme não vê caráter, né.

  12. concordo com muita coisa que você disse.
    Mas, enfim, só quero adicionar um ponto à discussão: alguns homens só vão entender como nós nos sentimos quando forem assediados por algum homossexual mal-educado 2×2. É claro que respeito não tem a ver com opção sexual, ninguém tem o direito de invadir o espaço de ninguém, mas é tenho amigos que já passaram pela experiência de ser “bolinado” no ponto Xis e só aí caíram na real (e perderam a noite, é claro!).

  13. Miriam o mais doido é que eu normalmente faço um Carnaval. Já arenguei com PM no Skol Beats (mais de um, mais de 2 inclusive) por causa de um gloss da Mac, no fds do PCC; já arenguei com motoboy na 23 de maio às 6 da tarde, mas pra essas coisas, sei lá por quê, eu travo…
    Quem vê uniforme não vê coração mesmo…Cada vez mais me surpreendo ao ver como são educadíssimas as pessoas de origem mais humilde, juro!

    hahahahaah!!! é verdade!!!

    beijos!!!

  14. Flavia, parabéns! Texto maravilhoso! Falou tudo e mais um pouco. Os comentários também estão ótimos. Como não tenho mais a acrescentar corroboro a tese de que ainda sofremos muito com esse tipo de agressão por conta da sociedade que nos incute a culpa das Irmãs Cajazeiras. É a realidade, mas ainda bem que estamos vendo o problema e na próxima vez (pois é mesmo muito comum isso acontecer), talvez você levante a voz e diga pelo menos um claro e alto: “não segure meu braço, não lhe dei permissão!”

  15. Matou a pau. Literalmente. 😉
    Acho que é por isso que a maior parte das pessoas não entende pq ainda precisamos de um dia nacional da mulher ou de uma delegacia especializada. De certa forma, é como disseste, há um machismo instaurado no País que olha por cima desse tipo de atitude escrota de muitos caras por aí.

  16. Nossa, sem palavras, fiquei “atordoada” só de imaginar a cena. Homens como estes mereceriam ser amarrados e chicoteados. Falo isso de verdade. Já passei por uma situação parecida com a de Ana Lúcia e o que eu fiz também? nada. Pensei em ir na polícia etc… Mas não sabia quem era o cara, e perto da minha casa, e tb nem saberia reconhece-lo. Enfim. Acho importante discutirmos situações como esta e alertarmos sobre a importancia da denuncia e punição. Hoje eu me arrependo de não te-lo denunciado (mas será que q entraria apenas para dados estatisticos? mas já é um começo ne…) Enfim…. Mas eu ainda acho que deveriam dar uma surra em caras como este.

  17. Aê Ladyrasta! Mandou muitíssimo bem, mesmo. Com todos os efes e erres – inclusive o lado negro da força. ô feed bão de assinar, sô.
    O tema estará na nosssa pauta do LuluzinhaCamp#3, né, santa? Vê se aparece…
    bj

  18. Nossa! Adorei o texto.

    Essa coisa de se sentir errada depois de um ato de violência e terrível e parece não ter jeito, sempre acontece.

    Mas é bom ler isto pela primeira vez na net. Tomara que outras venham e que as coisas sejam repensadas por aí…

  19. SrtaBia obrigada! vindo de vc, é um elogio e tanto! Prometo que no dia em que conseguir fazer isso vou lembrar muuuito de vc!!! Eu realmente tenho que aprender a reagir!

    Raquel super obrigada! sabe o que é pior? que esse machismo está até dentro de mim né? Porque caso contrário, não hesitaria em fazer um salseiro… 🙁

    Leticia a gente acha que é o preço por andarmos mais expostas (no meu caso) e tem tb o que a Raquel falou no Twitter – temos medo que as pessoas achem que nós somos a rainha da cocada preta que está se gabando de receber uma cantada… somos umas tontas, se pensarmos bem…

    Lucia Sabe, só o Harry Potter e o Dumbledore chamavam o Voldemort de Voldemort; o resto o chamava the “aquele-que-não-deve-ser-nomeado” 😆 tá rindo né?

    Acho que é um tema muito interessante de pauta – não falto não, é que viajei mais cedo esse ano!!!

    Cecilia eu não entendo como é que eu, que racionalizo tanto as coisas e me acho tão dona do meu nariz ainda consigo pensar assim…

    beijos!

  20. Flávia, acabei de chorar com o seu texto. Literalmente.
    A questão a invasão de nosso espaço físico é muito séria. Se não tivermos a consciência de ele deve ser preservado, q somos nós que convidamos quem nos queremos que entre no nosso espaço, com certeza aconterão muitos casos como os narrados.
    É incrível como travamos numa situação de assédio. Já tive reações diferentes nos que, infelizmente, aconteceram comigo. Mas o medo, a dúvida, a vergonha em geral nos calam. Acredito q é um choque não grande se sentir violada que o silêncio toma conta.
    Muito triste, muito sério, extremanente preocupante.

  21. Sy eu faço vc chorar toda hora ou vc é manteiga derretida como eu? 🙂

    Eu não entendo como é que eu sou SÓ travo nessa situação…temos que melhorar muito ainda né? A menos que queiramos voltar pras burcas (ocidentais e orientais, bien compris)

    Sergio Nossa, estou até vermelha com o elogio!!! Muito muito obrigada mesmo!! E cá entre nós, não foi fácil reconhecer que tem as Irmãs Cajazeira dentro de mim…

    beijos

  22. Como legitimo representante da especie masculina, dou aqui meu parecer.

    O segurança, ou os seguranças, foram escrotos e covardes. O que imagino é que tenha passado pela cabeça deles que os homens que la estavam não eram de nada, e que só queriam saber de computador. Com isto as pobres moças ficavam carentes e o cara então como um bom samaritano, estava la para acalentar o intenso furor não correspondido, das divas campuzeiras.

    O que falei é totalmente absurdo, mas é o que de fato se passa no imaginário masculino, nos homens pensamos assim, ao menos nos os homens latinos. Um tranco, ou um olhar feio são suficientes para quebrar esta aura de fantasia, ou não, o cara vai acabar pensando que a mulher em questão é lésbica.

    Alias, somos tão idiotas, que achamos que numa relação entre um homem e duas lésbicas, as duas irão dar preferência a ele, nos temos uma imaginação fértil, depois dizem que as mulheres é que vivem no mundo da fantasia.

    Por fim, eu de fato estou indignado, acho que cantada é cantada, e assédio é assédio, e confesso que tivesse tomado conhecimento disto no evento teria literalmente espalhado “merda no ventilador”.

    Por falar nisto, vocês não estão a fim de tomar um café comigo ? >:)

  23. um fato triste. pena que o ponto-de-vista machista infecta as mulheres também. todo mundo tem direito de mostrar a bunda, o peito e o que mais quiser. se quisermos honrar nossa reputação de civilizados, temos que aprender a dialogar e respeitar o não.

    aki em campinas, houve um caso de estupro numa festa de república. vi o depoimento de mulheres dizendo “ah, mas ela era meio galinha também”. ela poderia ser galinha e meia, ser a arca de noé toda, não é não. os homens por se acharem mais fortes não tem o direito de abusar do corpo alheio, não importa o quanto ele está a mostra.

    fatos assim, me deixam triste, vejo como a luta feminista está difícil até mesmo entre as mulheres. sou casado com uma feminista e tenho orgulho disso. acredito que casos como esse, não deveriam nem jogar merda no ventilador, mas dar uma boa lição nos infratores, pra que sirvam de exemplo. sei que isso as vezes exige mais do que somos capazes ou estamos prontos e dispostos a fazer.

    sei que qdo alguém fere esse sentimento de civilidade, dá carta branca p/ que outro aja como animal. então, esse segurança merecia um belo murro na boca, assim como o cara que passou a mão na coelhinha.

  24. ah, tbém não acho que esse fato seja de exclusividade dos povos latinos. vejam os estupros no iraque, o louco da austria que violentou sua própria filha. podem parecer casos extremos, mas na minha opinião, eles tem início em pequenos casos de desrespeito. (alguém já viu dog ville?)

  25. Caribe hehehe… vc sempre foi um gentleman, nem vem se comparar com esse mané…eu devia ter feito um carnaval mesmo. Mas foi o que eu falei: no fundo, a gente se acostuma, acha “que faz parte” e deixa pra lá (e vc pode ver pelos comentários que não sou só eu que penso assim…). O que me chocou nisso tudo foi ver que tem uma Irmã Cajazeira dentro mim, um alien nojento sabe? Espero melhorar para, no futuro, ter condições de reagir!

    Luiz Carioca obrigada pela força! E falo o que falei pro Caribé aí em cima: espero que eu entenda isso e tenha condições de reagir… Valeu mesmo viu?

    beijos!

  26. não me pergunte como cai aqui, eu apenas cai , concordo que qualquer passada de mão seja na bunda ou mesmo no ombro(com má intençoes) ja trata-se de uma agressão, e o pior é encarar estas situações a gente se sente suja, nos sentimos culpadas por tudo no momento, por estar com um batom mais chamativo, por ter prendido o cabelo diferente, por ter usado uma roupa mais justa ou mesmo decotada, e ficamos com vergonha de contar estas coisas, por diversas vezes ja fui assediada de forma agreciva, parece que o fator do homem ser mais forte que a mulher pesa muito, o machismo tambem, como se a mulher fosse apenas um objeto que a qualquer momento ele pode usar mesmo não se conhecendo ou não tendo nenhuma relação, e no final ainda dizem que nós provocamos e etc, ja me falaram á mais voçê é nova (17 anos) toda garota desta idade gosta de se exibir! mais não, por diversas vezes enquanto eu tava com roupas normais nada sexy( quase sempre com calça, tenis, e uma baby-look) ainda me ocorria casos de homens abusivos, ou mesmo olhares abusivos, as vezes eles nos olham como se estivessemos nuas e naquele momento é como nos sentimos, é como se fossemos pequenas bonecas e eles nos pudessem controlar e nós não termos força para fazer algo contra!
    falei demais!
    bjos, bela iniciativa!

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