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Como seus filhos estudam?

abril 14th, 2009 · 4 Comments · educação

Meu filho e eu temos conversas bacanas – principalmente as que ocorrem no carro durante nossas viagens, ou então à mesa no jantar (sim, na minha casa, apesar de sermos só nós dois, senta-se à mesa para jantar, com toda a formalidade de um grande jantar de família, sem TV ou similares: é a hora em que conversamos sobre o nosso dia). Ontem, falando sobre uns amigos dele que são, digamos, intelectualmente limitados, meu filho falou:

- Sabe Mã, dá um pouco de aflição, porque eles estudam TODO DIA, eles se esforçam e não conseguem tirar mais do que 5, 6… Se bem que…eles estudam que nem todo mundo estuda, lendo e pedindo pra alguém tomar a lição depois; eles não estudam que nem vc me ensinou sabe?

Quando ele disse isso, eu me lembrei. Tenho métodos um tanto quanto heterodoxos pra fazer algumas coisas (como aquele da história do ovo, ou quando estimulei meu filho a ler), e se de um lado eu simplifico as coisas para não dar muito peso em algumas denominações, de outro tenho que admitir que não me esquivo das minhas obrigações de mãe. E ensinar a estudar, como meu filho bem lembrou, foi uma delas.

Em primeiro lugar, aqui em casa História, Geografia, Física, Biologia etc não são matérias do curriculum escolar; são assuntos – os quais são tratados a qualquer hora do dia ou da noite, a depender do interesse ou da situação que propicie a conversa; o fato daquilo servir sei-lá-quando para avaliar o desempenho escolar dele é DETALHE. Eu quero um filho culto; tirar boas notas é consequência e não causa.

Em segundo lugar, quando ele foi para o 1° ou 2° ano e começou a ter provas, eu o chamei para uma conversa. Disse que a partir dali os professores iam querer saber se ele tinha aprendido as coisas que eles ensinavam, se ele sabia fazer as lições, e que para isso, ao invés de ver somente as lições que ele fazia em casa, haveria uma “lição especial” que seria feita em classe – e que essa lição, não me perguntasse ele porquê, chamava “prova”, mas era a mesma coisa: tudo o que ele precisava fazer era fazer a lição especial caprichada do mesmo jeito que ele fazia as lições de casa, ou seja: dando o melhor de si (vale dizer: às vezes, um 9 é um lixo se a criança fez a prova de qualquer jeito, e 7 pode ser excelente se ela se esforçou)

mãe e filho estudando

Na primeira semana de provas, eu fiz questão de ensiná-lo a estudar. Sentei com ele, e fiz a mesma coisa que minha mãe fez comigo quando eu era pequena: ensinei-o a ler tentando entender quais partes eram mais ou menos importantes no texto, grifando o que ele tivesse julgado importante (e essa é a parte mais difícil de ensinar, e no começo somos nós que mostramos o que é e o que não é relevante, delegando a tarefa ao correr das páginas); depois, ensinei-o a fazer um resumo da matéria (inclusive com aquelas chaves e tal – qualquer criança hoje em dia compreende um sistema simples). Repeti o procedimento em praticamente todas as matérias naquela semana.  E só.

Ensinei-o  a ler o resumo que ele mesmo fez antes da prova, pra lembrar o que estudou. Fiz questão de ver as provas e perguntar se ele sabia a resposta do que ele tinha errado (aliás, faço isso até hoje); antes da prova falava pra ele prestar atenção nos pontos fracos dele (em matemática ele é distraído, em português prestar atenção na ortografia e pontuação etc), exatamente como um técnico de um time faria durante o jogo (afinal, educar é darmos coaching da vida, se pensarmos bem…)

Resultado? Ele vai super bem, e hoje eu não tenho preocupações. Eu sei que tenho a sorte de ter um filho disciplinado, que apesar de só estudar em véspera de prova (no método tradicional, bien compris, porque aqui em casa é raro o dia em que não temos um assunto interessante para debater), estuda e não vê problema nisso. Mas pensando bem, talvez ele não veja problema nisso porque aprendeu a estudar de uma forma mais ativa, menos maçante, e que tem também a propriedade de determinar  o tempo de estudo dele também – pois uma vez terminado o resumo, terminou o estudo -  fait acomplit. E quem tem filhos sabe que para uma criança, ter noção e definição de tempo e duração das atividades é muito importante – ainda mais quando estamos falando de obrigações e não de lazer…

****

Espero não ter sido pretensiosa no texto;  mas a verdade é que  outro dia uma leitora do blog fez um elogio que me deixou toda pimpona: disse que dava os meus textos sobre educação (uau, chique né?) para o marido dela ler, porque os achava muito sensatos. Então, já que tenho público, falo o que eu penso, certo? ;-)   Espero ter ajudado! E quem tiver alguma dica sobre o assunto, favor deixar seu pitaco nos comentários tá?

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4 Comments so far ↓

  • Cristina

    Oi, querida, é a Cristina, VnV. Tinha tempo que eu não passava aqui por pura falta de tempo, mas adorei esse texto. Eu trabalho na área pedagógica, apesar de ser a única não-pedagoga. Tá digno de uma delas!!! ;-)

  • Ladyrasta

    Cristina sabe que tenho recebido tantos elogios quando falo sobre educação? Tô super contente, porque realmente me esforço horrores na educação do meu filho, e tento entender o que eu faço…tem mais uns textos lá no “Método Lady Rasta de educar crianças”, quando tiver um tempo dê uma passeada por lá…

    beijos!

  • gabrielle

    vcs sabia que estes computatores estão mentindooooooooo

  • estrainhooooooo

    garaca meu queque isso ela esta valando mentira essa gostosaaaaa

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