
Falei semana passada da Virada Cultural, do quanto eu curto essa ideia, e tal. Mas nada na vida é perfeito e acho que quando gostamos de um projeto há que se fazer críticas, até para ele poder melhorar certo? E nesse último fim de semana ouvi um protesto que julguei muito pertinente: a galera do samba está se sentindo diminuída se comparada aos artistas de outras vertentes musicais, porque foram todos designados como “Roda de Samba” na programação, sem qualquer alusão aos artistas que vão tocar na Praça Alfredo Issa.
Quem fez a declaração para mim foi a Graça Braga, cantora que já fez inúmeras apresentações em São Paulo (vários projetos de samba do Sesc, com shows bárbaros, tiveram a participação dela), é integrante do grupo do Projeto do Samba da Vela em Santo Amaro, tendo inclusive se apresentado fora do país.
No último sábado, no Você vai se Quiser (que eu frequento há muito tempo porque pra mim é a melhor roda de samba de São Paulo) ela falou pra mim:
Fui conferir o site oficial da Virada Cultural, e realmente, quando abrimos a programação da Praça Alfredo Issa, tá lá pra quem quiser ver:
Olha, vocês me conhecem: detesto essa coisa de achar que tudo é machismo, que tudo é discriminação, acho isso meio babaca. Mas tenho que reconhecer que se TODOS os outros núcleos de programação têm horários e nomes de artistas divulgados, não vejo porque o samba não deveria obedecer ao mesmo padrão. É verdade que pra quem não conhece talvez seja difícil distinguir um grupo de outro; mas o mesmo ocorre para os que não conhecem música eletrônica se tiverem que distinguir entre minimal, techno, house e sei-lá-mais-o quê, e mesmo assim é possível elencaar os diversos DJs, certo?
Ano passado eu estive no palco onde rolou samba (a programação foi muito legal, D. Ivone Lara cantou, entre outros e tinha muita muita gente na plateia) – esse ano sequer haverá palco para eles. Ou seja, para a organização não são artistas tocando; são um bando de gente batucando no chão, é essa a ideia? Gostaria de saber…Porque, sem querer puxar a sardinha pro lado de ninguém, a impressão que dá é essa né?
Acho uma puta mancada com a música brasileira. Não sei se foi discriminação ou não; mas se não foi, foi falta de organização mesmo – o que talvez seja ainda pior certo? Procurei a organização através da assessoria de imprensa da Virada Cultural, mas não houve resposta ao meu email.
Tá dado o recado. Espero que ano que vem isso não se repita.
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Graça Braga no Metrópolis (para assinantes UOL) vc vê aqui
















Uma coisa que percebi pelo twitter é que a programação gera muita controvérsia. Eu, por exemplo, achei magnífica e orgásmica a programação brega, porém vi muita gente comentando que achou tudo um porcaria que não ia sair de casa para ver nada.
Acho que nesses tipos de eventos realmente rola uma camaradagem, quem é mais amigo dos produtores, ou estiver mais na mídia leva vantagem.
Concordo plenamente com você que a divulgação não deveria privilegiar um ritmo em detrimento do outro, mas é triste achar que isso às vezes acontece.
Aqui em Brasília mesmo, o aniversário da cidade foi dia 21 e nos palcos principais não havia nenhuma banda da cidade, nem mesmo as famosas como Móveis Coloniais de Acaju e Plebe rude. Eles cantaram no dia anterior, em outro palco. Foi triste.
Srta.Bia vc viu que o meu post sobre a Virada Brega eu dediquei a vocezinha da Silva?
Eu concordo com vc, mas colocar o nome de todos os artistas e na galera do samba ficar tudo no saco de gatos de “roda de samba” é um pouco de descaso…
Dessa vez dei razão a eles…
beijos!
lamentavél…..mas vamos combinar…essa atitude de descaso, despreparo e desconhecimento já é marca registrada da maioria dos responsáveis pela divulgação e patrocinio da cultura “SAMBA”, aqui em São Paulo, mas como sempre foi sofrido e trabalhoso qualquer movimento de boa qualidade que tem como origem a periferia……estamos ai com as “RODAS DE SAMBA” que acontecem no decorrer do mês nas periferias de São Paulo e Interior….sito aqui a comunidade de São Matheus, onde o Berço de Samba de São Matheus, se reune tambem com dificuldade e luta dos seus cabeças, mas feito com a melhor expressão cultural que conheço, e graças aos meus amigos que lá encontrei, tenho a oportunidade de juntar-me á esse time de primeira que faz tantos conhecer e lembrar de que como é bom viver……
Abraço á todos…….Axé
Marcelo no samba da Praça Roosevelt tem um pessoal que é do Berço de S. Mateus; nunca fui até lá, preciso conhecer, mas sei bem como é a qualidade do trabalho deles… Quanto ao samba…não acho que devamos valorizar só ele, mas não dá pra negar que é um traço cultural forte da gente, que está vivo, pulsante, e deve ser valorizado e reconhecido…
beijos!
Ola!
Lady…realmente falando de cultura principalmente aqui no Brasil…seria um grande pecado da minha parte afirmar que devemos só valoriza isso ou aquilo, não me entenda mal, não é essa a msg…mas quando se fala em preferencia para mim, é o Samba que me completa…bom quanto ao samba do Doutor, (samba da Praça Roosevelt ), eu já tive lá com meu compadre Casca, na época o Paquera e a Graça eu comandavam la (me parece), Samba bom …..ótima qualidade repertorio apuradissimo, falei do Botiquim do Berço do Samba porque é la ultimamente que estou frequentando e lá consigo tb tocar um pouco …em fim…lá tiro minha onda na presença de amigos e familia….alias vou nesta sexta no Samba da Roosevelt…a muito tempo não vou lá.
Abraço……felicidades ……Axé.
Marcelo fica tranquilo, eu tb tenho uma relação forte com o samba…a Graça e o Paquera continuam lá…e pode deixar que um dia apareço em São Mateus pra ver qual que é!
beijos!