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Controlando o que seus filhos veem na internet

maio 26th, 2009 · 10 Comments · Métodos Lady Rasta de Educar Crianças, educação

No meio de maio, fui entrevistada,  juntamente com a Sam Shiraishi pelo G1  sobre segurança e controle dos filhos na internet, (achei que a matéria ficou bem bacana).

Por causa dela, a produção do Olhar Digital da Rede TV entrou em contato  e gravou a entrevista abaixo, comigo e com o meu filho (aka lordrastajr).

Deem uma olhada:

Todo mundo elogiou bastante.

Aproveitando o gancho, acho que vale a pena me estender um pouco mais no assunto: quem lê meus textos sabe que, apesar de usar bom senso, por vezes tomo algumas decisões um tanto quanto heterodoxas ; e como toda decisão  implica em risco, é bom termos certeza das decisões tomadas para não só decidir se queremos correr aqueles riscos, como também para não nos arrependermos depois. Então achei legal trazer os conceitos que eu utilizei para conduzir este assunto dentro de casa. Vamos lá:

1. Crianças Muito Pequenasacompanhamento dos pais “corpo a corpo”

Eu acho que até determinada idade ( e qual é a idade é algo que tem que ser determinado pelos pais, com bom senso – criança não é manual, e cada caso é um caso, até pelo amadurecimento) a criança sob hipótese alguma deve acessar a internet sem assistência de um adulto. Sou radical mesmo. Vocês agora vão me perguntar: e no caso dos pais que trabalham e não ficam o dia todo perto dos filhos? Bom, eu vou responder: os pais que trabalham não devem permitir que uma criança de 4, 5, 6 anos acesse a internet quando eles não estiverem em casa. Simples como isso. Sem nó nem piedade. Até porque criança tem que brincar, fazer outras coisas.

<parênteses>: meu filho, apesar de estudar à tarde no primário, não podia ver televisão pela manhã. Cansei de ter que responder à pergunta: mas se ele não vê televisão, o que ele faz? Ao que eu respondia: ele BRINCA. Brinca como toda criança brincava antes de existir televisão, exercitando o lado lúdico dela. </fecha parênteses>

2. Crianças maiores – limitação do tempo ao computador

Passada essa fase, acredito ser viável dar um pouco de autonomia para a criança, deixar ela navegar sem você estar ali ao lado como um papagaio de pirata. Nessa fase, caso a opção tenha sido permitir acesso à internet na ausência dos pais, creio ser de suma importância um filtro ou programa controlando horário de utilização tanto da internet quanto do próprio computador (pessoalmente, acho que o tempo da criança tem que ser dividido entre esportes, leitura, tempo pra fazer nada, para ela poder inventar brincadeiras, tv e computador).

3. Porque eu não gosto de filtros de conteúdo

Não sou muito adepta dos filtros de conteúdo, confesso. Por outro lado,  eu sou aquela que também não é adepta de grades, então tenho consciência de que minha conduta não é corrente majoritária, digamos assim. No entanto, a vigilância antes de deixar meu filho entrar na internet sem filtro era mais cerrada. Explico:

a). Como eu disse no item 1, no começo a vigilância era mais cerrada; mesmo depois, havia algumas proibições:  antes dos 10 anos, por exemplo,  meu filho não podia ter orkut (quando eu liberei, ele não quis, achou idiota :lol: ), não deixava apagar o histórico (ele nunca fez isso, mas se apagasse, eu o deixaria sem um computador por uns tempos – simples como isso). Ou seja: restringi bastante o meu filho quando ele era  pequeno porque acredito que liberdade implica em responsabilidade – e só posso colocar responsabilidade nas mãos de meu filho quando ele tiver condições de exercê-la. E não, não acho que uma criança de 5 anos tenha discernimento para entrar na internet sozinha, onde terá que decidir se um site é confiável ou não, e otras cositas más. Além disso, como eu gosto de explicar os motivos das restrições, eu realmente não estava a fim de ter que explicar pra alguém com 5 ou 6 anos o que é pedofilia, sequestro e porque você não pode conversar com estranhos. E eu só vou até onde EU consigo (fato do qual os pais esquecem – não é somente os limites dos filhos que devem ser respeitados, mas os deles).

<parênteses> com uns 8, 9 anos, meu filho começou a jogar gamão on line (começou fazendo isso com sua prima, que mora no exterior) – e esse tipo de jogo permite a interação entre os jogadores, daí a minha preocupação. E estou plenamente convencida que a criança obedece muito mais facilmente às regras cujas razões de ser possam ser por  ela  compreendidas. Logicamente algumas regras não podem ser explicadas – mas cabe aos pais limitar o uso desses atos arbitrários da educação. Do mesmo jeito que é horrível viver num país onde há medidas provisórias sendo promulgadas toda hora, sem que a legislação passe pelo amadurecimento do processo legislativo, uma educação fundamentada apenas no “porque sim”, a longo prazo, não vai funcionar. Há que se sopesar portanto, as determinações arbitrárias, os “porque sim”.

4. Como explicar para uma criança pequena quais são os perigos da internet

Disse aí em cima que a partir do momento em que eu decido que a criança pode acessar a internet sozinha, tenho explicar as regras básicas de segurança e os motivos pelos quais essas regras existem. O duro é abordar esses assuntos tão sérios de uma forma que deixe a criança atenta sem apavorá-la.

Eu tenho um método: falo só o que for estritamente necessário. Não há necessidade de desenvolver uma tese de doutorado sobre pedofilia para uma criança: você tem que falar o necessário para que ela entenda o perigo e saiba agir se algo ocorrer. Só. E se ela quiser saber mais detalhes, ela pergunta. Criança quando quer saber, pergunta. E aí você responde só o que ela perguntou. Simples como isso. No caso da internet, os discursos utilizados por mim foram:

“filho,  tem gente que rouba criança e se eles souberem o seu endereço  podem vir te roubar e eu não vou poder te ver mais – como a gente não sabe quem é legal e quem não é, não se dá endereço pra ninguém e desconfia-se de quem o pergunta” (é, falo assim mesmo – a ideia é assustar de ver-da-de).

filho, tem adulto malvado que gosta de namorar criança à força ( e por isso você não deve conversar com pessoas na internet. Se por um acaso alguém começar a conversar com você, saia, não responda, e se houver algum adulto por perto , chame-o” (eu sei que não é namorar, mas como eu disse, falo do jeito que eu consigo falar com uma criança de 5, 6 anos de idade).

Não sei dizer se esta é a melhor forma – é a minha, e deu certo. Cabe a cada pai descobrir como ele se sente confortável ao abordar esses assuntos com os filhos. Criança percebe insegurança na voz – e se perceber, não vai acreditar no que está sendo dito. A forma como se diz algo é tão importante quanto o conteúdo.

5. Como agir quando a criança efetivamente entra em sites impróprios

Vocês vão perguntar: e se ele entrar em sites com conteúdo impróprio para a idade dele? Bom, ele pode entrar em sites proibidos por duas, no máximo, 3 razões: a) entrou por engano: b) entrou porque quis; c) entrou porque o amigo indicou o site.

Se ele entrou por engano vai achar tudo estranho e sair dali (de certa forma, a criança sabe o que é impróprio e o que não é – veja meu filho no caso da biografia do Slash por exemplo. E se porventura ele entrar por engano e se interessar pelo assunto…bem, então chegou a hora de eu explicar o tema em questão, para que ele não tenha informações incorretas (ou incorretas sob a minha ótica, bien compris). Eu que trate de dar uma informação na linguagem e da idade dele e com as informações que ele precisa.

Resumo da Ópera? Eu faço esse modelo liberal, mas na verdade até adquirir confiança eu sou super controladora; justamente por isso, ao invés de não deixar algumas coisas acontecerem , prefiro monitorar pra ver se elas acontecem ou não. Porque se não houver acesso a sites impróprios, sinal de que ele está com os interesses próprios da idade dele. Caso não esteja…eu quero saber. Quero saber não pra punir, mas para direcionar. Uma criança de 8, 9 anos que entra no google querendo saber o que é maconha ou cocaína está querendo saber sobre drogas – e tem um motivo para tal, então é bom ficar alerta. O mesmo vale para a sexualidade. Vou achar estranho se descobrir que meu filho entra num site de., sei lá, sexo com animais (já aconteceu com o filho de uma conhecida minha) – mas me preocupa mais entender o motivo dessa curiosidade do que a curiosidade em si, sacaram?

É assim que eu penso – sei que não é todo mundo que pensa assim, mas como eu sempre digo, que seria do vermelho se todos gostassem do azul, certo?

*****

No site do olhar digital onde a matéria foi divulgada há vários sites de controle de conteúdo e tempo na internet, inclusive com download gratuito para quem quiser se aprofundar no assunto: vale dar um pulo lá.

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10 Comments so far ↓

  • Martinha

    Flavia..
    Adorei a reportagem..
    E seu filho, meu Deus.. um charme.. muito fofo.. ele falando e mechendo os ombros, afirmando que sabia do que estava falando, divino!!
    Parabéns!!
    =)

  • Ladyrasta

    Martinha eu sou muuuito suspeita pra falar do meu filho… só posso mesmo agradecer!!! Que bom que vc gostou!
    bjs

  • Ernesto

    Ainda vou no lnaçamento do seu livro…. Fale com o Riq que ele sugere um bom título.

  • Gabriel Benjamim

    Olá lady rasta… recebi mtos acessos do teu blog e não consegui encontrar a fonte aqui, achei teu blog interessante, se quiser fazer parceria, gostaria de saber onde encontro teu banner pra adicioná-lo em meu blog..!!!

    Bejão,
    Sucesso
    Gabriel – http://www.oblogdohomem.blogspot.com

  • Ladyrasta

    Gabriel acho que foi o post do Momento Preta Gil… Sabe que eu não tenho banner? Todo mundo sempre usa o blogroll mesmo… Obrigada pela visita, beijos!

  • Ladyrasta

    Ernesto olha, não vou achar isso ruim se acontecer mesmo, viu? hehehe…

    Beijos!

  • aiaiai

    Muito legal,

    eu também to seguindo nessa direção e por enquanto está dando certo. Liberdade com monitoramento é muito melhor do que controle rígido.

    Algumas pessoas dizem para mim: mas vc está invadindo a privacidade do seu filho quando vê o histórico de acesso dele. Eu digo, to mesmo, mas ele sabe disso. Não estou futucando segredos, desde que dei o computador para ele – ele tinha 7 anos – ele sabe que o computador dele é meu também. Eu posso entrar e olhar tudo. Hoje ele está com 11 e me fala tudo o que faz, os sites que descobre e quando acha algo estranho me pergunta.

  • Ladyrasta

    aiaiai Na verdade, eu acho que criança não tem direito à privacidade (pelo menos não essa) – o direito à privacidade, para mim, é algo que se adquire aos poucos, à medida em que a criança amadurece. E eu acho ótimo esse lance da criança perguntar; Deus sabe que às vezes eu dava uma engasgadas fortes com relação a algumas perguntas, mas é maravilhoso ver que vc tem um vínculo de confiança com seu filho a ponto dele te perguntar sobre assuntos mais delicados…E já já eu não vou me meter, porque tá chegando a idade dele entrar “naqueles” sites, hehehe… Beijos e boa sorte!

  • Paula*

    Flavinha, primeiro desculpe o atraso do comentário. Mas, me atualizando do seu blog não pude deixar de comentar…adorei a entrevista! Acho vc uma mãe inspiradora! Dosa muito bem confiança/liberdade com responsabilidade. Adorei! Seu filho é lindoooo!!! Bjoooo

  • Ladyrasta

    Paula* vc vem quando quiser, a casa é sua, não precisa pedir desculpas!! Obrigada pelo elogio; é uma equação delicada de se equilibrar, mas acho que estou conseguindo sim!!! E não vou falar nada do meu filho, porque sou coruja demais, hehehe

    Beijos!

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