Anos atrás, um moço muito querido ligou numa segunda feira à noite muito triste porque uma prima havia morrido de forma muito dolorosa para a família. Estávamos meio brigados, num relacionamento um tanto quanto turbulento cheio de idas e vindas, e ele, obviamente emocionado pelos acontecimentos do fim de semana, disse pra mim que esse tipo de morte repentina servia para fazermos uma reflexão e através dela vermos não só o que era importante nas nossas vidas, como também ver se não estávamos magoando ou deixando de dizer algo importante para pessoas queridas e próximas por motivos mesquinhos (orgulho, medo, essas coisas pequenas perto de algo tão grande como a morte).
Lembrei desse dia quando comecei a pensar nos passageiros do vôo da Air France, e sobretudo quando vi a matéria falando das (falsas) mensagens de SMS que os passageiros mandaram para seus familiares quando viram que o perigo era iminente.
Lembrei também do dia em meu pai morreu, jovem, aos 59 anos – praticamente restabelecido de uma cirurgia de ponte safena. Foi horrível, mas apesar da minha relação extremamente turbulenta que tinha com ele, ele morreu sem que nada ainda precisasse ser dito entre nós – e se nada traz uma pessoa querida de volta, tal sensação ao menos nos serve de conforto.
Então, que tal, ao invés de apenas escutarmos os detalhes da tragédia como carpideiras do drama alheio, ou de tentarmos descobrir quem é que estava no avião que nós conhecíamos, fazer essa mesma reflexão? Se você morrer amanhã, haveria algo que você gostaria de dizer e não disse? Qual é a ordem de importância das pessoas e das suas atividades na sua vida? Iria morrer com alguma coisa engasgada na garganta? Se há, pare tudo agora e vá lá dizer, fazer, se reorganizar, no matter what – ainda que a pessoa não queira te ouvir, ainda que você seja ridicularizado (e cá entre nós, quando coisas importantes deixam de ser ditas por motivos mesquinhos, a chance de você ser ridicularizado é pequena…). Faça isso não pelos outros, mas por você. Porque nada na vida é melhor e mais benfazejo do que paz de espírito; então, dê importância e valor ao que re-al-men-te é importante e valioso na sua vida; afinal, além de flores, nada mais vai no caixão…
Dessa forma, ao menos, tragédias irremediáveis terão servido para refletirmos sobre como estamos conduzindo nossa vida, quais são nossos anseios, a qualidade de nossas relações, enfim… Terão servido para chamar nossa atenção enquanto há tempo e consertar o que tem conserto; terão servido para pensarmos que se não estamos satisfeitos com o que enxergamos, a hora de fazer alguma coisa é JÁ e nem um minuto depois. Porque pode ser que não tenha depois, captaram?
E agora com licença, porque tenho uns telefonemas a fazer.
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P.S. – E indeed o aniversário desse moço está bem perto. Mas como sempre me dizem, não existem coincidências né?
P.S.II Sempre falo o quanto eu gosto de fazer parte da Comunidade VNV, o quanto me surpreende (e me orgulha) que sejamos tão unidos e solidários. O Ricardo hoje de manhã saiu aflito (numa comunidade de viajantes, nada mais compreensível, aliás) e o cunhado do Alexandre , um de nossos “tripulantes” queridos, infelizmente estava no voo. Fica aqui meu abraço imenso.
P.S. III – Não vejam esse post como algo dramático, e sim com algo inspirador tá? ![]()















Senti a mesma coisa de quando li isso: http://leiasetivertempo.blogspot.com/
Marleide é isso!!! a gente leva da vida…o que a gente viveu (redundante, eu sei, mas tem gente que não vive, vê a vida passar, é diferente). Minha avó morreu numa cadeira de rodas com as unhas feitas, arrumada, e quando teve o primeiro derrame, na maca indo pro hospital, falava:
” Flavia, eu não posso morrer agora – o menino nem se formou ainda”. O menino, no caso, era o bisneto, meu filhom, que tinha…3 anos. Mas é isso: ela não desistiu. Ela tinha motivos. E tenho certeza que morreu realizada. Algo em que devemos pensar, nós que achamos que vida vai durar pra sempre. Não vai não…
Beijos querida!
Eu penso exatamente como voce. Acho que as perguntas báscias são: voce é feliz? voce fez os outros com quem voce convive felizes? Afinal, a vida é curta, limitada e de duração indeterminada;
Ernesto eu vou ainda mais longe: tem gente que se julga infeliz porque não dá valor ao que tem, só valoriza o que lhe falta. Quando acontecem acidentes dessa magnitude é que temos condições de perceber o quanto esquentamos a cabeça com pinimba, o quanto batemos o pé por coisas que, no final das contas, não são assim tão importantes. Saúde (para nós e nossos queridos), relações afetivas sólidas, trabalho digno que te permita viver também com dignidade, é só disso que precisamos. Pena que só nos demos conta disso quando nos deparamos com a possibilidade de perder tais bens num piscar de olhos…
Concordo inteiramente com voce, Flavia!
Eli_DFR (Eliane Rodrigues) // nov 27, 2009 at 5:09 PM
Relendo e refletindo sobre o post de @ladyrasta http://ladyrasta.com.br/2009/06/01/porque-nosso-mundo-e-hoje/ Recomendo. Nosso mundo é hj!
Vim reler esse post hoje e foi como um bálsamo.
Andrea Espindola é bom a gente fazer hoje o que queremos, porque amanhã pode ser tarde né? E na verdade, não temos tanto problema assim…
beijos