
A FLIP 2009 terminou ontem (embora os comentários no Twitter tenham sido quase unânimes ao afirmar que Antonio Lobo Antunes encerrou-a extraoficialmente no sábado) e acho legal fazer algumas considerações sobre o que vi, observei, etc.
1. A “micareta dos livros”
Eu mesma falei que estava indo para a FLIP como quem vai pro Carnaval da Bahia; entretanto, a frase não tinha intuito pejorativo; (até porque adoro Carnaval): associei as festas pela minha excitação de véspera e pela quantidade de eventos num mesmo local concomitantemente (fico meio nervosa sabem?Quero fazer tudo ao mesmo tempo, bem criançona mesmo). Claro que existem os micareteiros dos livros, gente que vai pra Paraty na 5a ou 6a apenas para fazer de conta que é culta, ou pra ver a celebridade pop convidada do ano (em 2009, foi Chico Buarque); mas também há muita gente que vai lá pelo prazer de poder absorver cultura de uma maneira mais leve, praticamente tropeçando nela a cada esquina – e isso pra mim tem um valor inestimável, tornando a festa mais do que válida.
É importante ressaltar que a Programação Principal da FLIP é apenas uma dentre tantas outras programações ocorrendo simultaneamente em Paraty; paralelo a ela existem inúmeras exposições, mesas de palestras (como as da Casa da Cultura, por exemplo), apresentações musicais na rua, espetáculos de música erudita… Não, a FLIP até pode ter começado como uma festa literária, mas hoje em dia a vejo como um Festival Cultural mesmo – onde a literatura é a protagonista, atuando em conjunto com vários outros coadjuvantes.
2. FLIPINHA:
Sou daquelas que acredita ser a educação a chave para extinguir a maioria dos males que assola nosso país (da pobreza aos diversos preconceitos sociais existentes); então, se partirmos deste ponto, um evento que faça as crianças pensarem, que as entretenha com livros e atividades lúdicas ao invés de colocá-las na frente de uma televisão certamente deve ser louvado. É através do ensino da reflexão, do conhecimento de nossa cultura (que em última instância significa conhecer a nós mesmos) que esse processo se dá – e quem sabe, daqui a algumas gerações, teremos condições de viver em um país melhor. Fico muito feliz em ver que a cada ano a Flipinha ganha mais espaço em Paraty. Me dá esperanças, sabem?
3. Muito do mesmo
Como já disse, com tanta coisa bacana rolando ao mesmo temp, é praticamente impossível ver tudo o que acontece em Paraty durante a FLIP; no entanto, com raríssimas exceções ( o blog Recortes da FLIP, o Eduardo Carvalho, a Sam Shiraishi e o Daniel Piza) não vi nada de diferente entre as diversas coberturas – e acho que a internet deveria estimular justamente isso, certo? A meu ver, a existência de um canal como a internet, que propicia total liberdade e independência de conteúdo deveria, justamente por isso, ter uma abrangência maior, pontos de vista e opiniões diferentes, questionamentos diversos… Fico me perguntando por que isso não ocorreu. Ou rolou e eu não vi? Nem sempre concordo com aquela frase atribuída a Nelson Rodrigues afirmando que a unanimidade é burra – mas quando inúmeros veículos abordam exatamente os mesmos pontos, sob as mesmas perspectivas, às vezes utilizando as mesmas frases, alguma coisa muito errada está acontecendo. Ou não.
3. Comunicação
Tuitar, postar ou fazer streaming de Paraty através do celular (ao menos para mim, que uso TIM, e para quem usa Claro, como a @samegui) foi uma tarefa absolutamente impossível; gostaria de saber por que esse desinteresse das operadoras, mesmo as que estão patrocinando o evento!!! Achei um texto do Instituto Claro falando da cobertura da FLIP; fico me perguntando com o sinal de qual operadora eles a fizeram…
De resto? Adorei, adorei adorei, e ano que vem estou lá de novo (mas confesso que deu coceira de conhecer o Festival da Mantiqueira – ano que vem estou lá)
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P.S. 1 – Ah sim!! Estou devendo 2 ou 3 posts: sobre os chineses (que amei), o Gay Talese e o Cine-Filô. Aguardem















Acabou que a gente nem se encontrou, que pena. Mas é fácil de entender, pelos motivos que você expos acima: muito de tudo. Aliás, concordo com tudo que você escreveu.
Esta foi a minha 2ª Flip. Na 1ª tive aquela ansiedade típica e comprei quase todas as palestras. Desta vez consegui selecionar algumas e curtir mais a cidade e o buxixo. Também foi ótimo. Conheci 2 casais paulistas que estão na 5ª Flip e se orgulhavam de não terem ido a nenhuma palestra, rs.
Fui ao FLIP em 2007 e não tive problemas com celular, da Vivo. E justo agora, estou querendo mudat pra Tim. Cancelo a mudança, então?
Muito legal ler seus relatos, parabéns!
Marcos Lauro eu já tive Vivo – pega muito melhor do que qualquer outra operadora, mas é muuuuito mais caro. Vai depender do seu bolso. Eu mudei pq a Vivo tinha planos de internet muito ruins, nem mesmo eles sabiam o que podiam oferecer, me irritei e fui pra TIM – mas já faz uns 5 ou 6 anos…
Que bom que vc está gostando, eu realmente me esforcei para mostrar uma coisa legal pra vcs!
Viva acabei voltando no sábado por uma série de motivos (o tempo feio e gente demais foram os principais motivos, diria eu). Mas devo ir ao Rio no fim do mês, e aí certamente nos veremos.
Beijos a todos!