Harry Potter e o inglês de meu filho

Harry Potter and the Half-Blood Prince Cover

Quem leu esse post aqui sabe que Harry Potter teve uma importância decisiva na iniciação à leitura do meu filho (aka lordrastajr); pois bem, aproveitando o gancho do lançamento do filme do Harry Potter, vou contar como a mesma saga fez com que ele começasse a ler em inglês.

Quando ele tinha uns 8 anos, já lia super bem, mas só em português; e como vocês devem saber, o lançamento dos livros do Harry Potter ocorrem primeiro na versão em língua inglesa, para depois ser traduzidos para as outras línguas.

Como eu adoro uma brincadeira, e sou daquelas que tudo tem que ser ontem, comprava sempre o livro na versão em inglês- que ele não conseguia ler. Quando o Harry Potter and the Half  Blood Prince saiu (por sinal, livro cujo respectivo filme estreia nessa madrugada) meu filho estava viciadíssimo em Harry Potter, feitiços, contra-feitiços, e coisas desse tipo.

Pois bem, o que eu fiz? Entrei naquelas comunidades de tradução dos livros (há uns anos atrás, assim que saía o livro o pessoal de cada uma dessas comunidades se dividia, cada um fazia a tradução automática e na sequência iam “acertando” as incorreções – algumas traduções ficavam bem razoáveis, devo dizer).

Eu imprimia cada um dos capítulos e… evidentemente não os entregava de mão beijada pro meu filho né? Tão pensando que ser meu filho é moleza? Na na ni na não…. ele tinha que PAGAR os capítulos, hehehe (nota: favor acrescentar risada maquiavélica ao fim desta frase).

grifinória

Eu fazia o seguinte: para ter o direito de ler o capítulo traduzido, ele tinha que traduzir algumas frases deste capítulo, que eu escolhia previamente (as mais simples, geralmente) e entregava numa folha de papel – mas bacana, eu decorava com marca d’água dos brasões das casas, ou colocava figuras das personagens…

Ele ficou puto, claro. Beeem puto. E eu ajudava um pouco, obviamente – meu intuito não era fazer dele um tradutor, e até sei que este não é um bom método para se aprender inglês; mas eu tinha dois objetivos ali: a) fazer com que ele valorizasse o que eu estava fazendo; b) fazer com que ele perdesse o medo de ver frases, livros etc,  em inglês.

Sabe que depois ele começou a curtir né? E é muuuito bacana ver a cara de satisfação de uma criança ao se sentir vitoriosa, ao sentir que conseguiu alcançar algo que ela julgava difícil conseguir, ao ver que superou um desafio – sem contar o que isso fortalece a auto-estima dela.

sonserina - harry potter

Anos depois (em 2007, ele tinha 10 anos) forcei-o a ler as tirinhas do Calvin em inglês. Comecei lendo com ele, obviamente, e ele, também obviamente, bufava de raiva. Mas aqui em casa tem algumas “matérias obrigatórias” e eu não tava nem aí. Todo dia lia com ele 2 ou 3 tirinhas (não mais que isso).

calvin

Depois de uns 2 ou 3 dias, ele mesmo começou a ler sozinho (histórias em quadrinhos são ótimas para ensinar língua estrangeira, porque os desenhos tornam o aprendizado mais leve, e dão a sensação – às vezes falsa- de que te ajudam na compreensão do texto).

Quando saiu o último livro do Harry Potter, estávamos no meio dos Lençois Maranhenses e não teríamos acesso a ele tão cedo. Mas como o mundo não é tão grande assim (e vá lá, eu conheço bastante gente) encontrei um casal de amigos com os filhos, em uma tarde numa cidadezinha micro micro micro que tem ruas de areia chamada “Santo Amaro do Maranhão”.

Santo Amaro do Maranhão por Ricardo Freire

Santo Amaro do Maranhão por Ricardo Freire

E esses meus amigos também tinham um método: o pai lia para os dois filhos o livro em inglês, em voz alta (o que, não sei se vocês perceberam, além de estimular o estudo de língua estrangeira, ainda agrega pai e filhos, certo? O veeeeelho truque de matar dois coelhos com duas cajadadas só, hehehe)  – e o que as crianças não entendessem, ele explicava. Como dali a alguns dias iríamos nos encontrar em Jericoaquara, meu filho  começou a participar dos saraus de leitura assim que chegamos lá.

Quando finalmente pegamos nosso exemplar do livro, fiz a mesma coisa. Algumas horas depois, meu filho falou que era melhor eu parar de ler em voz alta porque a leitura assim era mais devagar. E perdi o livro na minha primeira ida ao banheiro, porque na volta ele estava lendo absorto e não ia me esperar de jeito nenhum… E foi assim que ele começou a ler fluentemente em inglês, alguns meses apenas antes de embarcar sozinho para a Inglaterra a fim de visitar os primos e os tios.

Ensinar (e consequentemente aprender) pode ser uma atividade divertida – é só fazer com que seja assim. Para mim e para meu filho, que somos (dizem, eu não acredito) extremamente competitivos, fazer do aprendizado uma gincana sempre será algo estimulante. Tudo o que vocês precisam descobrir é qual é a forma de diversão do filho de vocês e explorar isso” ;-)

THE END

****

P.S. Desde que ele voltou da Inglaterra nós só vemos filmes e seriados com legendas em inglês – e essa é uma boa dica para usar com filmes que seus filhos já viram um zambilhão de vezes (crianças adoram ver filmes muitas vezes). Elas vão reclamar? Claro que sim!! Mas elas também reclamam quando as mandamos escovar os dentes ou tomar banho, certo? É a mesmíssima coisa.

P.S. II – pros curiosos, mais fotos dos Lençóis aqui

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12 comentários sobre “Harry Potter e o inglês de meu filho

  1. Também desde pequeno me afeiçoei pelo inglês. Lembro que meu pai comprou o cd do Alladin pra mim, e lá ficava eu com o encarte na mão tentando acompanhar (e aprender a pronúncia certa) as músicas.

    Depois eu comecei a imprimir letras de músicas e fazer a tradução – por conta própria, sem saber gramática, só no dicionário mesmo; claro que tinha muita coisa errada – no verso da folha.

    Com livros, olha que engraçado, só tive coragem de ler em inglês de uns anos pra cá. Eu tinha resistência (= insegurança) por não saber algumas palavras. Hoje vejo que é impossível saber o vocabulário inteiro… sequer sabemos o nosso, não é? :)

  2. eu sou da época em que a gente grava a música numa fita, e ia ouvindo até conseguir tirar a letra – e tínhamos que voltar um milhão de vezes num determinado pedacinho para podermos descobrir o que estava sendo dito…

    Foi por causa dessa história de ter insegurança que forcei o meu filho a ler em inglês desde cedo, porque eu passei pelo mesmo problema – a sorte é que como eu tinha muitos amigos que só liam em inglês, acabei entrando no mesmo esquema.

    beijos!

  3. Oi Lady!

    Achei Ótimo realmente saber disso!
    Penso muito em fazer algo parecido com minha filhinha, que ainda tem 2 aninhos.

    Eu estudo inglês sozinho faz um tempo, pouco, mas tenho tido um resultado que até a mim tem surpreendido.
    Trabalho com TI e sei da importância disso, conhecimento em um segundo idioma, mas comecei porque gosto muito, mas muito mesmo desse idioma. Acho elegante, sofisticado, gostoso, enfim, adoro!

    E vejo hoje minha princesa repetindo literalmente tudo o que ouve. Quero que ela faça isso com inglês também.
    As vezes falo algumas coisinhas em inglês pra ela. Sei que ela ouvi muito bem o que eu dito, ela gosta, presta atenção, tenta repetir, mas ainda é muito novinha. Tipo, acho que será melhor quando ela tiver nessa idade, ou partir dos 5. Sei lá…

    Mas enfim, gostei da sua dica, dessa sua história, vou levar comigo e ver onde consigo chegar com ela… e comigo também.. rssrs.. tipo, vou ver o quanto aprenderei seguindo por esse caminho também.

    É isso. =D
    Parabéns para você em relação a essa atitude e boa sorte pra vocês também!!!

  4. Flavia,
    desde pequena fui incentivada a estudar inglês, fiz curso desde antes de aprender a ler e sempre tentava ver filme, ler livros etc…
    Foi passando o tempo…fui ficando mais velha, e deixei o inglês pra lá…hoje está bem mais ou menos…
    Acho que vou passar uns tempos com você…

  5. CarlaZ olha, tenho uns amigos que dizem que o Instituto Corregedor Flavia Penido é uma maravilha para crianças indóceis, hehehe… Tô super orgulhosa: ele leu Slam (do Nick Hornby) em uns 2 dias (no original) e pediu mais um dele… Mas ele só faz isso pq eu tb sou assim né?

    Cristiano Em primeiro lugar, seja benvindo! Sabe o que vc pode fazer? Pegue aqueles filmes que ela já viu 50 vezes (criança tem disso, querer ver o mesmo filme muitas vezes) e troque o áudio de português para inglês – ela já sabe a história, de cor, então ajuda. Mais pra frente vc dá uns livrinhos pra ela (e se ela não tem em português, tá na hora de ter, pra se habituar a ter prazer livros)

    beijos!!

  6. Ola!Eu começei a ler livros em lingua estrangeira de uns anos pra cá,terminei a minha graduação em letras,leciono em escolas estaduais e com a ideia fixa de um mestrado e doutorado,eu começei a montar a minha biblioteca de lingua estrangeira (nota que eu tenho livros em ingles,espanhol,frances,entre outros)e ler o livro em sua lingua original não é um bicho de sete cabeças não,pois muitos estrangeiros dissem que ler livros em português é bem dificil tambem!

  7. hahaha!

    Meu Santo Deus, vou te dizer uma coisa que não digo pra qualquer um(a): vc é o máximo!

    Passei pelo seu blog por curiosidade e virei fã. Mas este foi o ápice, tive que comentar… Ideia ótima. Sou pedagoga e tudo o que vejo por aí é um bando de criança mimada porque os pais têm medo de dizer não, de colocar “obstáculos”, de estimular. Triste, não?

    Beijos…

    PS: Sou eu, Isabella, namorada do Gustavo, lembra? :)

  8. Isabella Nossa, que delícia te ver aqui!!! Eu gosto de tornar aprendizado divertido – e na maioria das vezes dá, mas como eu disse num post aí, dá um trabalho dos diabos. Precisa ter “vontade política”. Dizem que eu tenho.

    Beijos e apareça sempre, a casa é sua!

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