
Elegia, de Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos, cantada por Caetano Veloso é uma de minhas músicas prediletas (alguns pedaços dela simplesmente me inebriam):
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=qAuNRlAxBQY]
Pra quem não sabe, é baseado num poema de Jonh Donne bárbaro, que eu não conhecia até hoje e amei, deem um’olhada:
ELEGIA: indo para o leito
Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado.
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
o que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
o que o meu anjo branco põe não é
o cabelo mas sim a carne em pé.
Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho de tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.
John Donne,
poeta, prosador e clérigo – 1572/1631
Tradução: Augusto de Campos
Acho excelente para ouvir no Dia do Orgasmo (cuja existência aliás, eu ignorava); a letra é linda de morrer, me perco nela.
Aliás, eu diria que é uma letra perfeita para fechar a never-ending week de discussões acerca d “Aquele-que-não-deve-ser-nomeado-day...
Bom fim de semana a todos.
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Pera lá!!! Como é que eu fui esquecer de uma cena antológica de um de meus filmes prediletos hein?
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