Outro dia minha querida @syferrari falou uma coisa que me fez compreender várias atitudes e comportamentos que tenho tido ultimamente.
Ela falou: é horrível ter 20 e poucos anos; eu queria ter 40 como você, e já ter passado por um monte de coisas que me fizessem entender tudo pelo que passo de uma forma melhor – quando estou atrapalhada sempre penso que você deve ver as coisas de uma forma muito mais clara e serena, que deve ter um jeito mais fácil de encarar a parada, mas eu simplesmente não consigo enxergar, e sei que não enxergo porque me faltam anos. Eu queria ter 40 anos como você!!
<parênteses> na sequência expliquei que só consigo enxergar um monte de coisas porque já as vivi e, de alguma forma, tive cabeça pra ver onde eu errei, quais burradas eu fiz e o que poderia ter feito diferente. Como costumam dizer,”there’s no fucking free lunch” </fecha parênteses>
O Diego é outro que alega não saber como aguento algumas incertezas que a vida por vezes coloca na minha frente… (ah, esses meus amigos de 20 anos realmente fazem com que eu veja o quanto valeu a pena passar pelos perrengues que já passei, sabiam?).
Ouvindo esses comentários, e principalmente ao prestar atenção nas minhas atitudes hoje, fico pensando: será que amadurecer significa enfim entender que, feliz ou infelizmente, a vida é feita de incertezas e inconstâncias? Que não importa a quantidade de planos que façamos aos 20 anos, muitos deles serão inelutavelmente impossíveis de ser alcançados (ou sequer serão desejados anos à frente), e que, ao contrário do que pensávamos, isso não é nem um pouco ruim? Enfim, será que amadurecer é (finalmente) entender que não podemos tudo, que devemos aceitar derrotas com dignidade, aprender a ver o lado bom das coisas e viver o que a vida nos dá? E que, se tivermos bom humor, errar não vai ser algo tão terrível assim, porque no fim das contas, não somos tão importantes como julgávamos ser aos 20 anos e portanto, tampouco aquelas besteiras que fizemos serão vistas como algo terrível? Será que é isso?
Acho que sim – amadurecer talvez seja não se levar tão a sério, aliado ao fato de termos uma visão mais clara de quem somos e o que queremos para nossa vida.
Outro dia, conversando com um moço X no msn, disse pra ele que a diferença entre os 30 e os 40 anos era a seguinte: aos 30, você sabe o que não quer, mas ainda não conseguiu descobrir o que realmente quer; aos 40 você sabe o que quer e o que não quer. Pensando bem, é uma boa definição, e a ela acrescentaria: além disso, na maioria das vezes você tem estrutura pra sustentar suas decisões – justamente porque está mais certo delas.
Serenidade para enfrentar a vida (o que é muito, muito diferente de conformismo); compreender o sentido da palavra serendipity; saber que o segredo para a ausência de rugas não é o preço dos cremes, mas sim, a incapacidade de se tornar amarga – talvez pudesse me resumir aos 40 assim…
Sabe aquela coisa de livro de auto-ajuda, ou de amiga metida a espiritualizada que fala “aproveite o momento”, o que a vida lhe dá, pare de ficar ansiosa com coisas sobre as quais você não tem o menor controle? Então… Estou pegando o jeito. É meio uma questão de auto-confiança mesmo, ou melhor, de confiança na vida… Hummm… Posso ser sincera? Não é nada disso; é que dos 18 aos 40 você planejou tanta, tanta coisa que ou não aconteceu ou foi um lixo, que uma hora você aprende né?
Não é também uma questão de subitamente ter virado o ser humano mais equilibrado, calmo e zen do planeta, porque na maioria das situações continuo a ser molecona, agitada, espevitada, e choro pra burro (e desconfio que serei assim aos 80 anos também); estou apenas dizendo que em relação aos meus 20 e poucos anos, sem dúvida alguma eu evoluí- porque consegui aprender alguma coisa com as bobagens que fiz ou pensei fazer.
E sabem o que descobri? Que essa confiança no seu discernimento e na vida passa para os outros; estou longe de estar na forma física que gostaria, mas tenho recebido muitos elogios e não posso reclamar que ninguém me dê atenção. Sabe aquela coisa… desabrochando? É meio assim que tenho me sentido; parece que um monte de coisas que eu tinha dentro de mim finalmente puderam ser expostas, têm coragem de se mostrar… Estou finalmente aberta. Well, se eu parar pra pensar, nunca gostei de rosas em botão – gosto de rosas abertas-; então nada mais coerente do que ter odiado minha adolescência (acreditem, eu odiei) e estar adorando essa fase balzaquiana da minha vida.
Finalmente estou consciente de quem eu sou, do que eu gosto, do que não gosto; que posso não ser perfeita, posso não ter rostinho de princesa mas que tenho minhas qualidades e que portanto sempre terá alguém que se encante comigo ; que não preciso mais convencer as pessoas de que sou uma pessoa com coisas interessantes pra dizer; demorou, mas entendi que não preciso convencer os outros ou que tenho razão ou o direito de agir de acordo com minha essência.
No fundo, estou tentando há várias e várias linhas dizer que chegar aos 40 é finalmente entender que o caminho para a felicidade é agir de acordo com nossas convicções, e não se deixar intimidar pelos outros; chegar bem aos 40 é finalmente entender que o mundo é muito muito grande, que existe muita coisa pra aprender, pra ver, e que não, não sabemos nada – e que ao contrário do que possamos imaginar, isso é o mais divertido.
Espero sinceramente que essa fase dure muito, muito muito… E que venha o relato dos 50!

*****
P.S. Tenho uma confissão a fazer: não sei se estaria falando tão bem da vida aos 40 se não fossem pelas decisões que tomei na vida. É realmente mais fácil falar da forma que falo quando se tem apenas um filho (hoje praticamente criado, entrando na adolescência); quando se tem a ventura (e também a coragem) de ter amigos das mais variadas idades (e se permitir isso), quando se tem a ventura de se sentir inserida, quando podemos nos sentir parte, quando podemos nos sentir compreendidos. Querem saber? Sou uma moça de sorte.
P.S. II – Eu me atrasei para postar esse texto, que deveria ter sido publicado naa 2a, junto com os textos do @penachiando e do @sergiovds – que me contive para não ler enquanto não postava o meu. Deixa eu ir lá agora (e recomendo que vocês tabém o façam).
P.S. III – O @gravz escreveu 2 posts sobre as balzacas: este aqui, que adoro, e este outro, recém saído do forno – e por favor, tratem de me dar bronca no dia em que eu virar algo remotamente parecido com a figura que ele pintou aí, certo?















Adorei! Que eu tambem tenha essa maturidade toda quando chegar la, cheia de serendipity
Flávia,
excelente texto, parabéns. Este mês chego aos meus trinta e sete anos, com orgulho e alegria – e digo, estou na melhor fase da minha vida até então. Sim, tomei muitas decisões erradas. Fiz grandes burradas, fui tola demais, séria demais algumas vezes e muito inconsequente outras tantas, mas sempre complicada em excesso. A busca pela aprovação alheia nos toma muito tempo e energia na adolescência e juventude. E a teimosia em querer que tudo aconteça exatamente como planejamos desde o princípio? Sem ver que o bacana da vida é que tudo transforma, a cada momento e não temos a mínima idéia do que será o amanhã. Sim, a idade pode ter me trago maior flacidez na pele. Mas me trouxe um sorriso mais maroto ainda, uma alegria mais sincera e um pisca alerta grande (leia-se um foda-se) para as coisas/pessoas que não me agradam. Perdi muito – mas ganhei muito mais em cada nova experiência. Não me tornei uma expert em nada, continuo ansiosa, apaixono 10 vezes por ano e ainda faço muitas tolices. Mas descobrir a mim mesma – e aprender a gostar do que venho descobrindo tem sido uma experiência maravilhosa. Sim, balzaquianas são tudo de bom! ?
Bjs
Dri Torres
Acredito que seja uma luz que brilha em nossas almas… Não a vemos, mas a vivemos, sentimos – dái os elogios… Como um astro rei em outra dimensão… Surge, cresce, ilumina, esquenta, se transforma e se vai…
Nos quarenta entendemos, o meio ciclo, temos uma visão angular ampla, percepção intensa, educada…
Daí, esse tudo de bom.
Sempre curti – e bem – todas minhas idades. Acho importante até para poder desfrutar o momento. A diferença fundamental que senti foi que aquela confiança em mim mesma que eu fazia de conta ter aos 20 e 30 eu realmente alcancei aos 40.
Sem querer fazer drama e sim reconhecendo o fato como lição: o fato de ter achado que eu não chegaria viva aos 40 fez com que eu apreciasse tudo muito mais.
Sempre fui voluntariosa (maneira delicada de dizer que sou high-maintenance pra cacete) mas depois dos 40 nunca mais eu fiz nada que não quisesse realmente fazer. Não frequento quem eu não gosto, não saio pra jantar com alguém que realmente não tenha um peso na minha vida ou com quem possa aprender alguma coisa. Enfim valorizo meu tempo e só divido com quem realmente merece. Isso significa que curto muito mais o tempo que passo com as pessoas importantes na minha vida.
Acredite, aos 50 é ainda melhor. Eu curti tanto fazer 50 que acho que transmitia essa vibração aos outros.
A única coisa da idade que sempre tive, mesmo quando adolescente, foi nunca – repito: nunca – dar bola pra opinião alheia. Hoje acho que eu poderia pelo menos ter escondido essa minha característica – sei que feri muita gente na minha vida com isso.
Mas…quem sabe o que aprenderei aos 60??
Eu terminei a faculdade muito cedo; colei grau 3 meses antes de fazer 21 anos. Foi uma fase péssima, cheia de incertezas profissionais e pessoais, enfim, os 20 e poucos anos foram terríveis. Os quarenta tem sido generosos comigo – apesar de sentir falta do meu corpinho de 20! – não tenho do que me queixar. Acho que curto mais a vida hoje e, certamente, ainda faço muita bobagem, mas também rio mais de mim mesma.
Parabéns pelo lindo post! E que venham 50, 70…
Bjs
Muito bacana seu texto, Flávia!
Acho que muito do prazer que você descreve com a sua idade vem da construção que fez até aqui e do auto-conhecimento.
Feliz 40!
Beijo
Adorei o post!
Dia desses fiquei passada com minhas amigas de 20 e poucos reclamando que os 22 tinham “dado uma pesada”. Daí, me perguntaram se os 30 eram piores. Estou com quase 37 e nenhum dos anos pesou. Sou cada vez mais feiz!
Perdi aquela coisa de planejar, nao rola! De pedir tudo a Deus, coitado… Entrei numa de agradecer muito tudo que conquistei. De uns tempos pra cá, quando me lembro das burradas que cometi, não me culpo. Porque o “Efeito Borboleta” é vero. Se tivesse feito aquela “coisinha” que não fiz, hoje minha vida poderia ser muito diferente… E, como disse, estou muito feliz assim!
Ter 20 e poucos é mesmo um saco; ter 20 e poucos com algumas responsabilidades de 40 é pior ainda.
Se eu chegar a essa idade com metade da tua autoconfiança e carisma, tô feito pra todo o sempre.
Porque essa fase de estar vivendo algumas coisas pela primeira vez só é legal no começo; quando tudo tem a expectativa de uma grande estreia, não há saco que aguente. Não o meu, pelo menos.
Excelente texto. Ainda não sei se concordo com tudo, já que estou no auge dos 33, mas, na parte que me cabe deste latifúndio, concordo muito com isso:
“aos 30, você sabe o que não quer, mas ainda não conseguiu descobrir o que realmente quer; aos 40 você sabe o que quer e o que não quer”
Como disse, não respondo pela parte dos 40. Mas, quanto aos 30, concordo. E não apenas comigo, mas com todos os meus amigos dessa idade. Sabemos exatamente o que não queremos (também porque a maioria dessas coisas é algo que não quisemos a vida toda), mas não estamos muito certos do que queremos. Fazemos uma idéia, mas não o suficiente para colocar no papel.
Novamente: puta texto.
Beijos
Mari Campos Mas é claro que vc vai ter!!! Ainda mais depois desse seu ano sabático, dear!!
Adriana Torres A vantagem é que agora conseguimos rir mais rápido das tolices que fazemos…afinal, nada é tão importante assim né?
Penachi realmente é um tudo de bom mesmo…. E como!
Marcie Jura que os 50 são ainda melhores? Uau!!! Haja champagne!!
Lu Malheiros olha, não tenho saudade alguma da minha adolescência ou de meus 20 anos…nem dos meu early 30′s… To adorando essa fase quarentona, juro!!! E não me sinto nem um pouco velha…
Camila Ah sim, com certeza… só eu sei o quanto chorei, fiquei triste, chorei mais um pouco até chegar aqui… Como diz o ditado, a moçada vê os goles que eu tomo mas não vê os tombos que eu levo (ou algo assim). Obrigada!!!
Lu acho que parte da tranquilidade que temos hoje decorre do fato de termos entendido que não conseguimos controlar tudo…
Diego carissimo, eu não sei se tenho tanta auto-confiança assim não…acho que são vocês que me veem dessa forma. Mas admito que estou muito melhor hoje do que aos 20. E tenho certeza que vc vai estar ótemo com 40!!!
Rob Gordon uau! now I’m flattered!! Você, que me proporciona os posts mais hilários que eu jamais li falar isso é um elogio e tanto!
).
Muito obrigada! Quando eu crescer quero escrever que nem vc e fazer as pessoas rirem (elas aqui costumam chorar sabe?
Ah sim… Já ia esquecendo: a parte que eu não contei é que, apesar de sabermos o que queremos, também mudamos bastante de ideia; a vantagem é que nem nos preocupamos muito com coerência – ou em justificar nossas escolhas…
Folks, adorei os comentários viu?
Beijossss a todos!
“não preciso mais convencer as pessoas de que sou uma pessoa com coisas interessantes pra dizer; demorou, mas entendi que não preciso convencer os outros ou que tenho razão ou o direito de agir de acordo com minha essência”
Essa frase diz tudo. O amadurecimento acontece no momento dessa frase. Mas às vezes isso vem, às vezes não… independente de idade sabe…
Parabéns pelo texto!
Adorei esse texto ,pois hj tenho 4.1 , e me vi naquelas palavras descrita acima,rs.
Mesmo nas dificuldades de toda mulher de 40,por vezes ela ja sabe por onde pisou e onde pode melhorar… e os mais jovens que precisam aceitar as dificuldades como se fosse uma passagem na vida, e nada de lamentar ter mais idade, afinal todas querem ter 20 anos independente da idade de hj…Em qualquer idade temos dificuldades. “Nada é para sempre, e um dia melhor que o outro”. Beijos meninas de todas as idades.
Ana Cristina Em qualquer idade temos dificuldades, é verdade, mas acho que com 40 temos mais serenidade pra entender isso né? Mas todas as idades têm seus prós e contras, com certeza!
Beijos!
Adorei!
Espero chegar assim aos 40..rs
beijos
Carol Franco só depende de vc sabia?
Fla so agora vi (e li) este texto… merece ser repassado a todas as minhas amigas da nossa idade, tudo o que voce falou e TAO verdadeiro… fiquei emocionada juro!! E isto ai… ser balzaca nos traz mesmo sabedoria e maturidade, e assim muito mais liberdade para viver e saber viver tanta vida que ainda temos pela frente, Um beijo!
Luciana Betenson É bom né? Tô adorando, juro!!!!
Beijos!
Flávia,
Excelente o seu texto. Sinto da mesma forma, quando era garota não conseguia aproveitar tanto a vida quanto agora.
Valorizo cada momento, aprendendo a cada dia. Uma coisa muito boa é que a minha saúde melhorou pra caramba, aos 20 era asma, bronquite e gripe à toda hora, agora não tenho NADINHA. Viajei agora com o marido, mais velho do que eu (tenho 52 e ele 61) e parecíamos garotos!
Outra coisa que só vem com a idade, posso agora ver meu filho casado, bem profissionalmente, equilibrado, nossa como é BOOOM!
Parabéns pelo blog.
Virgínia meu filho ainda tem 13 anos, mas só de ver que ele parece estar indo no caminho certo já dá um alívio né? Parece que nossa hora do recreio começou, que podemos aproveitar mais a vida!
Beijos!
A Bulgária não vale a pena | From Lady Rasta // nov 9, 2009 at 4:09 PM
[...] saber? Eu cada vez mais me sinto abençoada por estar conseguindo enxergar isso com clareza (ah, nada como ter 40 anos, acreditem!). Graças à minha amiga, nunca precisei ir pra Bulgária. E recomendo fortemente que [...]
Luiza Brunet sem photoshop ou Luciana Vendramini turbinada? (Idade da Loba) | A Vida Como A Vida Quer // ago 19, 2010 at 11:36 AM
[...] Flávia Penido (@ladyrasta) tem um texto bem legal sobre esta idade: A vida aos 40 ou… adoro ser balzaca. Se você também já tiver tocado no tema, por favor, me avise e linkarei, vai ser excelente para [...]