Eu tenho mania de fazer associações. Uma das minhas brincadeiras prediletas é imaginar que tecido uma pessoa seria, caso fosse um tecido (sim, eu tenho que escrever sobre isso um dia), ou que cidade… Então, associar flores com determinadas características de homem pra mim não é nada estranho, embora possa soar esquisito para alguns. Sexta feira passada, vendo um arranho de copos-de-leite, comecei a dar umas viajadas e tuitei uma sequência “Flores e Moços”. Tanta gente curtiu que resolvi fazer uma compilaçãozinha das tuitadas, com alguns complementos. Divirtam-se (ou não).

Sabe que algumas associações são difíceis de se fazer né? Tenho que falar primeiro dos girassois para poder falar das gérberas.
Os girassois (assim como os moços- girassol, claro) são flores que estão sempre olhando pro sol. Os moços girassol nunca estão tristes; ou melhor, eles ficam tristes, mas não em público (e fazem bem, porque é complicado ver um moço-girassol triste; não sabemos bem como agir…). Eles sempre sabem o que está acontecendo por aí; sempre têm inúmeras novidades na ponta da língua. Por estar sempre olhando para o sol (ou seja, vendo luz, o lado positivo das coisas) estão sempre de bom humor, e não são invejosos (tem luz na inveja? acho que não). Mas são uns pavões né? Não é à toa que podemos tranquilamente dar apenas um girassol de presente – eles ocupam espaço, querem que olhemos só pra eles (não vão admitir isso nunca, mas no fundo é verdade). Mas…já viram um girassol murchar? É de repente e de uma vez só. Moços-girassol também; quando estão tristes, ficam realmente baqueados. E na hora em que decidirem que você não é mais o sol da vida deles, não tem jeito…

Gérberas são girassois em menor escala, na minha linha de raciocínio ao associar flores e moços. São menos pavões do que os primeiros (você até pode dar uma gérbera sozinha, mas fica meio pobrinho), menos espalhafatosos. Mas duram menos também. E murcham em igual rapidez quando decidem fazê-lo.

Copos de Leite são flores altivas. Pra mim moços copo de leite são orgulhosos: não pedem desculpas nem amarrados, nem que saibam que estão errados. No máximo, falam alguma frase cifrada que no vocabulário copo-leitês significa algo como “posso ter me enganado”; homens copo de leite são mimadinhos, voluntariosozinhos (aka malcriados) e não vão mudar; então, aprenda a fazê-los durar (ou pare de comprar copos-de-leite). O lado bom? Excelentes na atividade aeróbia de cunho heterodoxo (if you know what I mean). É uma coisa fálica-sensível. Sim, são sensíveis. Tímidos. Quietos. Falam pouco. Muito inteligentes. Cultos, muito cultos. Entendem de poesia, arte, música, literatura, cinema… Mas não se enganem meninas: por trás dessa persona descolada, tem um machista escondido, que você vai percebendo aos poucos. Copos de leite quando estragam ficam feios, perdem a soberba – por isso, aproveitem quando eles acabaram de ser colocados no vaso, viu?

Moços-lírio são interessantes. São menos humm… reais (no sentido de realeza) que os moços-girassol, e mais histriônicos, mais exagerados. Chamam a atenção sempre. High-maintenance guys; aqueles pistilos mancham horrivelmente, o perfume que exalam é forte… São meio galinhas, fazem questão que todo mundo olhe pra eles e os achem o máximo. E sabe que alguns deles são mesmo né?
Taí, de toda sequência, esta talvez seja a que eu não sei explicar nada. Cravos são tradicionais (são inclusive as flores que até pouco tempo atrás era razoável dar de presente a um homem); mas não sei porque (ou melhor, sei, mas não vou contar) alguns cravos rompem com essa tradição se tiverem confiança em você. E mais não digo.

Azaleia dura. Dá flores muitas vezes ao ano. São estáveis, não dão muito trabalho, não demandam muita energia. Mas é aquela coisa né? Não é todo mundo que aguenta uma rotina dessas. Eu não aguentaria.

Violetas são flores chatinhas. Precisam de luz indireta, de água na terra mas não nas folhas… Um saco né? Fora aquela cara de sempre delas, parece a nada tá bom, e que elas colaram um adesivo “life sucks” na testa. Acho elas muito depressivas. Tô fora.

Boca de Leão. Adoro. Flor alegre na medida certa. Também altiva (bocas de leão precisam de vasos altos sempre, como neste arranjo aqui), mas sem as frescuras, a rigidez e a racionalidade do copo-de-leite. Um moço copo-de-leite não perde a linha nunca, é contido (ele até grita baixo); o moço boca-de-leão tem arroubos; é orgulhoso, mas quando passa por cima dele tem um estouvamento (sempre com alguma pompa, afinal ninguém muda tanto assim) encantador. Acho que é por isso que os associo ao Mr. Darcy (pra quem não sabe, a minha receita de homem ideal é um up to date Mr. Darcy versão remixada com o Petrucchio): todo cheio de pompa, mas quando colocam ela de lado… ah, é uma verdadeira barragem de hidrelétrica se rompendo – periga até da gente se afogar sabiam?
É dificílimo fazer uma begônia dar flor de novo, “pegar”; por isso a associação. Moços-begônia são aqueles que tudo precisa ser milimetricamente pré-estabelecido, são cheios de “tem-que”. Mas são emocionalmente estáveis. Ao menos na superfície. Ah sim! São uó pra mim, certo? Muita gente gosta, e eu não tenho nada com isso.

Acho antúrio uma flor bem boba. Aliás, é a flor mais fácil de se confundir a versão da natureza com aquelas fakes de plástico horríveis. Vão dizer: ah, mas ele dura… Sabem por que dura? Porque nem quando está recém-colhido ele parece jovem; o antúrio parece velho desde sempre, por isso não envelhece. Sei lá, acho antigo, não gosto deste treco pendurado no meio sem nada em volta enfeitando (demonstrando insegurança e exibicionismo ao mesmo tempo). São machistas. Sabem aqueles caras que não falam em outra coisa a não ser putaria, mas nunca passam pra nós a impressão de que têm uma vida bacana, de que são felizes? Pensando bem, moços-antúrio são meio homofóbicos. É, não gosto nem de antúrios nem de moços-antúrio.

Jasmim é sempre perfumado né? Insidioso. Você não percebe o perfume e de repente bate um vento e você sente. O moço-jasmim no meu conceito é uma versão melhorada do moço copo-de-leite; mais espontâneo, mais aberto, menos tímido, mais preocupado com você, tudo isso sem perder a sensibilidade, mas uma sensibilidade bofe, sabe?
O homem jasmim é cauteloso, porque se enrosca (é uma trepadeira, né?) – e pra se enroscar é preciso ver se o local é propício para tanto; por isso eles prestam atenção em você. Eu nem diria que eles prestam atenção em você por sua causa, mas por causa deles. Ou vocês acham que eles iriam se enroscar em algo que eles não julgassem dignos deles? Sim, vaidade é um defeito. E se sentem ameaçados com certa facilidade. Mas são encantadores. E quando gostam, gostam mesmo (e nem preciso falar dos atributos e da força de uma trepadeira, preciso?
).
Já esfregaram esse roxinho na mão e cheiraram? Parece mágica: sai um perfume inebriante, delicioso, doce na medida, seco na medida…

Alfazema é uma flor deliciosa. Não dá quase trabalho nenhum, é uma flor indômita; vc só precisa podar de vez em quando. Sim, moços-alfazema são muito mandões, ranhetas, resmunguentos… Só quem os conhece consegue sentir o perfume (tem o segredinho né? se bem que num dia bem quente às vezes dá pra sentir o perfume sim…). A diferença entre o moço-alfazema e o moço-boca-de-leão é que o último é um pouco mais janotinha, menos versátil; o moço alfazema vai pra qualquer lugar. Por favor, não briguem com ele: ele é estourado. Alfazema é comum na Provence, sobrevive a calor e ventos incríveis… O Petrucchio da Megera Domada é uma alfazema.
Talvez esta seja a única correção a ser feita em todos os meus tweets: acho que a música do Lobo Bobo aplica-se aos moços-girassol, aos moços-lírio, aos moços boca-de-leão e também, claro, aos moços alfazema.

Acabou, moçada. Há quem vá perguntar: e as rosas? Ah, rosas são flores muito especiais, eu não conseguiria fazer uma associação, até porque cada cor pra mim representa algo, assim como o fato de estar ou não em botão. Não consigo mesmo…
E como disse a @danieli_ no Twitter, “as rosas não falam”, elas simplesmente exalam.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BSObDOETrgU]
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P.S. Rosas pra mim só valem se estiverem lindas e abertas – rosas colombianas são jecas, exageradas, coisa de quem não quer se dar ao trabalho de procurar as rosas abertas mais bonitas. Acho meio nouveau-riche.
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Disclaimer: obviamente, este texto é baseado nas minhas idiossincrasias ok? Ah sim! Como sou oprimida, não me venham dizer que objetifiquei vocês – eu não posso, posto que sou moça oprimida, compris?
#piadainterna















Então… eu adoro gérberas. E as flores duram sim… é só saber cuidar direitinho. E quando murcham, já logo vem outro botãozinho se abrindo logo abaixo. A gérbera é bonita porque se reinventa… E em um vaso é minimalista: nem demais, nem de menos. Um presente na medida.
Menina, divagando um pouquinho mais, dava ate pra escrever um livro! Que tal “Sobre meninos e flores”
Mari Campos e depois do livro, o Workshop ” Entenda seus homens através das flores e saiba conservá-los” – Vou ficar rica!!!
Camilla tá vendo? vc lida melhor com as gérberas do que eu, hehehe… Gostei do “se reinventa” e que ela é na medida. Pra vc ver como cada pessoa tem um ponto de vista… Obrigada pela visita!
Beijos!!!
Concordo com a Mari, acho que dá um livor! De auto-ajuda, claro!
Também, não curto violetas e antúrios!
E um Mr. Darcy é tudo de bom!
Bjs,
Corrigindo: Também não curto violetas e antúrios!
Lu Malheiros Pretendo ficar rica com o workshop “Conquiste sua flor predileta e conserve-a em seu vaso pra sempre”
que bela rosa
Sensacional suas comparações!
Não sei bem onde me enquadrei, mas fiquei impressionado como nós, homens, somos parecidos com flores.
Você tem muita sensibilidade e muito criativa!
Ah! Vc poderia me fazer um favor? Gostaria de saber como vc conseguiu esse “Leave a comment”
Se puder mande para meu e-mail.
Até logo!
Hehehehheeh acabei de comprar estrelicias e antúrio para levar um arranjo pra clínica. Tadin do antúrio… Escolhi esses porque eram mais masculinas e mais que a maioria ^^
Mas achei bacana as divagações! Bem divertido!
Parabéns pelo site/blog!
Abração!