Métodos Lady Rasta de educar crianças: explicando que gays existem

Adoro fazer perguntas à queima roupa pra lordrastajr, pois acredito que  só assim consigo descobrir como ele pensa realmente.

Então, certo dia, perguntei:

-  Filho, se tivesse um menino na classe que vc tivesse certeza que era gay, você seria amigo dele?

- Depende, Mã; só se ele fosse legal.

Ou seja: ele estava dizendo que a orientação sexual daquela pessoa não era de forma alguma relevante para decidir se ele seria ou não amigo dela; além disso, também estava me dizendo que o fato de uma pessoa ser gay, por si só não a alçaria automaticamente à condição de amigo – pois para ser amigo de meu filho, a pessoa antes de qualquer outra particularidade, “tem que ser legal” e mais nada.

Não posso esconder que fiquei inchada de orgulho ao ouvir isso. E tenho orgulho sabe por quê? Porque deu um trabalho dos diabos chegar até a frase aí em cima.

eles

Tenho pensado muito na abordagem da homossexualidade com as crianças desde que li um post da Liliane Ferrari sobre o assunto, falando do preconceito que pré-adolescentes e adolescentes gays sofrem na escola.  E sabe o que é engraçado? Eu que sempre fui super atenta, uma “S” convicta digamos assim, nunca tinha me dado conta de como deve ser dura a vida de uma criança (ou de um pré-adolescente, ou adolescente), que se descobre gay na escola.

Não tenho elementos técnicos pra discorrer sobre causas e origens da homossexualidade, mas o que sei empiricamente, através de confissões de amigos gays, é que alguns percebem esse desejo cedo – se vão conseguir admiti-lo ou não cedo, ou mesmo se vão admiti-lo um dia, é um outro problema.

No entanto,  parece que a gente (estou falando “a gente” generalizando os heteros tá?) esquece disso né? Parece que gay nasce “por geração espontânea”,com 18, 19 anos. Pode reparar, (quase)  ninguém fala em adolescente gay, criança gay, esse é um assunto invisível; nem sei se posso chamar de tabu, pois acho que é ainda pior: não é que seja um assunto proibido – é simplesmente um assunto sobre o qual ninguém fala.

Sexta feira vi um tweet da Denise Arcoverde mencionando um texto sobre a questão da homofobia nas escolas e fiquei assustada com a taxa de rejeição aos gays na faixa dos 10 anos de idade.

Sempre ficamos horrorizados com esses números, né? Na hora em que lemos uma coisa dessas, todo mundo fala “nossa, que absurdo, como somos atrasados, como essas crianças devem sofrer, bla bla bla”.  Sim, a indignação é geral.

Mas pergunto: o que nós fazemos para que isso deixe de acontecer? Como nós introduzimos essa questão da homossexualidade para nossos filhos? Fico pensando aqui: se algumas pessoas ainda têm dificuldades em falar sobre sexo na sua forma, digamos,  straight com eles, que dirá falar de homossexualidade, certo?

Parando pra pensar na questão, pensei que de uma forma geral temos contato inicial com a homossexualidade de uma forma totalmente errada: através de piadinhas de mau gosto, ou de personagens caricatas (tanto em programas de humor quanto em novelas);alguns inclusive acreditam  que  gays são aquelas pessoas que estão sempre de bem com a vida e alegres (além de promíscuas), como se eles não fossem seres de carne e osso. Há mulheres que falam inclusive “o meu amigo gay” como se fosse um item do seu closet.

E tá errado né? Porque o preconceito só acaba (e não sejamos ingênuos, demorará gerações para que ele acabe- se é que um dia vai acabar) a partir do momento em que determinados assuntos fazem parte do nosso cotidiano, tão comuns quanto, sei lá, o último capítulo da novela.

Vale lembrar para quem não se dá conta disso: o gay tem uma vida como a nossa, dividida entre lazer e trabalho, com problemas iguaizinhos aos nossos: ir ao supermercado, arrumar faxineira, guardar dinheiro para satisfazer um sonho qualquer (casa própria, casa, viagem). A única diferença é que sente desejo sexual por uma pessoa do mesmo sexo – diferença essa punida pela sociedade, o que só aumenta a quantidade  de problemas que alguns têm que enfrentar.

elas - Michael Emberley

Como eu disse, o preconceito só vai diminuir a partir do momento em que colocarmos esse assunto no nosso cotidiano. E a quem cabe isso? A programas estúpidos de televisão? Aos amigos? À internet? À escola? Não. Sob meu ponto de vista, cabe a nós, pais esse papel – à  escola cumpre dar as linhas gerais, uma visão macro (até porque somos nós, os pais, que sabemos – ou deveríamos saber- qual a linguagem e a forma correta  de transmitirmos a informação para nossos filhos).

Obviamente, não há fórmulas, cada pessoa tem sua forma de se comunicar com os filhos, especialmente quando o assunto é mais delicado ou de abordagem mais difícil para os pais. Mas há alguns truquezinhos né?

O primeiro passo, acho eu, é não esconder a terminologia. No caso da homossexualidade,  falar em gay, travesti, drag queen ou o que quer que seja com respeito (lembrando que “com respeito” não é usar termos politicamente corretos cheio de eufemismos – o respeito está nos atos e na consciência, e não nas palavras). Portanto, não se prive de usar tais termos porque está na frente de seus filhos, use-as normalmente, porque são questões  absolutamente normais; afinal, fazem  parte do mundo e são realidades as quais estarão  cada vez mais nele explicitadas.

Homossexualidade, vale lembrar, não é doença contagiosa e garanto a vocês que ninguém “vira” gay porque ouviu falar muito no assunto, ou porque convive com gays – acreditem, ninguém passa a fazer parte de uma minoria discriminada por vontade própria, tendo que conviver com o fato de  ser diferente e não se sentir inferiorizado por isso.

Lembro que quando lordrastajr tinha uns 4 ou 5 anos, eu falei qualquer coisa de gay pra ele. Sim, nunca mascarei determinadas realidades, porque sabia que quando ele tivesse vontade, ou curiosidade, a pergunta viria.

<parênteses> E se tem uma coisa que eu aprendi educando meu filho é que a pergunta sempre vem quando eles já têm condições de ouvir a resposta, acreditem </fecha parênteses>

Então,  chegou o dia em que ele perguntou o que era gay – ao que respondi de forma simples:

-Gays são meninos que gostam de namorar meninos e meninas que gostam de namorar meninas, filho.

-Eca, Mã!

-Filho, eles gostam, e não é da nossa conta; cada um namora com quem bem tenha vontade.

Só isso? Sim, só isso. A criança ouve, vai tentar compreender e se sua relação com ela é boa, tenha certeza que quando ela tiver dúvidas, irá perguntá-las a você.

Moro na região de SPaulo que costumo chamar de East Village (região de Manhattan com grande população gay), e meu filho sempre andou comigo pelo bairro normalmente – como deve ser. Nunca ficou olhando dois homens andando juntos, nunca perguntou nada; mas talvez nunca tenha achado isso estranho porque nunca viu eu estranhar nada. Crianças tomam como padrão aquilo que seus pais habitualmente fazem, né?

Tenho amigos gays que frequentam minha casa. Sim, frequentam minha casa, convivem com meu filho, e não tenho qualquer problema com isso. E adivinhem? Como eu não tenho problema com a questão  e trato as pessoas como pessoas (ao invés de colocar seu objeto de desejo à frente delas), ele faz o mesmo (até porque crianças tendem a imitar nossos comportamentos e atitudes – que são vistos por elas como compartimentos padrão). Devo dizer a vocês que foram inúmeros os amigos a criticar tais atitudes; ouvi muitas e muitas vezes a frase “mas se você deixar seu filho conviver com seus amigos gays, ele pode achar essa forma de vida algo normal”. Sim, juro que ouvi isso. Ainda bem que somos a moçada “formadora de opinião” né?

Também não vou dizer que nunca passei uma saia justa na vida;  já tive que responder a perguntas que engasguei ao  ouvir. Mas nessas horas respiro fundo e uso a velha fórmula: não me furto a falar a verdade, mas respondo objetiva e estritamente ao que me foi perguntado, em linguagem adequada à idade dele.  É difícil? Claro que é. Mas ninguém nunca disse que ser pai era fácil, disse?

A recompensa é ver, anos depois, seu filho responder como respondeu à pergunta que transcrevi no início desse texto. Vale a pena, garanto pra vocês. É uma sensação indescritível. Tentem – e me contem depois se puderem, tá?

****

P.S. 1. Achei posts mencionando livros infantis que abordam a questão da homossexualidade, acho bacana vocês darem um’olhada – curioisamente, a maioria (senão a totalidade, é de posts de Portugal – achei curioso, confesso).

- Famílias homossexuais e homoparentalidade nos livros de educação sexual para crianças – 2a parte

- Livro infantil aborda homossexualidade e gera polêmica na Austrália

- A homossexualidade na literatura infantil

- Homossexualidade: Preconceito nas escolas

P.S. 2 : Outros posts que podem interessar:

- Do meu querido Max Reinert: Com quem eu faço sexo é problema seu?

- Homossexualidade e crianças: como lidar

- Guia de Orientação para PAI e MÃE de homossexual. (serve para tirar dúvidas – e não, seu filho não vai “virar” homossexual se vc ler isso)

****

http://chazinhogls.blogspot.com/2007/05/homossexualidade-e-crianas-como-lidar.html

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30 respostas a Métodos Lady Rasta de educar crianças: explicando que gays existem

  1. Ah Flávia querida, grande post!!! honrada em ser citada!
    Como arte-educadora já vi coisas péssimas em escolas de primeira linha e nas de quinta categoria tbém. Preconceito é foda e qdo acontece na escola pode ser determinante na formação do caráter e na fixação de uma pecha por toda vida em alguém.

    bjos amo sua escrita!

  2. Adorei Flá… vou fazer a pergunta para o de 10 anos e depois conto. Quando me foi perguntado, minha resposta foi a mesmíssima (pessoas que gostam de namorar pessoas de outros sexos, ué). Ele estava pronto para ouvir.

    Mas as percepções mudam muito com o amadurecimento. O meu filho de 7 anos é super bebê, não saca nada de sexo e para ele gay é “olha mãe aquele menino é gay, ele tirou a calça na classe (!)” – e lá vai um “filho, que coisa não, ele não tem vergonha né?”. Sem entrar muito no assunto, mas sem mostrar preconceito!! Assim como não entro em outros assuntos ligados a sexo ainda! Afinal, ele não pergunta.

    Enfim, você tem razão, muitas (e muitas) vezes o preconceito está ligado ao desconhecimento, ao fato de não se ter contato com aquilo. Eu mesma nunca conversei intimidades com meus pais. E te falo mais: sei que você sempre foi moderna, mas a maioria das pessoas da nossa geração era preconceituosa, sim, quando adolescente!! E agora fica dando pinta de que ‘nunca fui preconceituoso’, desculpe mas é uma baita hipocrisia!!

    Hoje eu sou resolvidíssima. Trata-se de orientação sexual diferente da minha e acabou. Me irrita gente que fala de amigo gay como se fosse índice de caráter ou modernidade (além de item de closet), tipo ‘olha como eu sou legal e descolado eu tenho amigo gay’…

    Beijos!

  3. Ladyrasta disse:

    Lu Betenson a gente vai evoluindo né? Vai demorar, é um avanço paulatino, mas só pensando no assunto e fazendo alguma coisa a respeito é que evoluímos….
    Quanto ao seu filho de 7 anos – será que ele não falou qq coisa de gay pq está curioso e não tem coragem de perguntar? Dá uma pensada nisso e se ele falar de nono explique casualmente, en passant (bom, é o que eu faria, mas vc é que conhece ele melhor). Pra mim é mais fácil porque conheço muitos casais gays, e na minha casa isso sempre foi tratado com normalidade; até por isso acho legal contar a minha experiência (aliás, se quiser rir, procure o meu post sobre o Milk, vc vai dar risada…)

    Lili A gente aos poucos vai inculcando determinados conceitos né? Eu sou uma otimista por natureza, vc sabe!

    Beijos

  4. Pablo disse:

    É tão gratificante perceber que existem pessoas que ainda se preocupam com o respeito e não dão espaço ao preconceito. Se todos os pais tivessem a mesma atitude que você teve, o mundo seria tão menos violento e cheio de ódio (ódio, por sinal, de uma coisa que muitos desconhecem).

    Parabéns pelo texto, pela iniciativa e por ser uma mãe evoluída, cabeça aberta e gay friendly. O mundo precisa de milhões e milhões de Lady Rastas! :)

  5. André disse:

    Uau! uau! uau! Não poderia dizer nada menos do que fantástico para esse texto. Lindo, sensível, bem escrito.

    Impressionante ver assim, em um post, alguns dos principais medos que eu já passei na minha vida.

    E parabéns, sempre, pela educação. Pode apostar que um amiguinho que entenda, já faz toda a diferença na vida.

  6. Flavia, sou sua fã. E desde que ouvi esta história do Leozinho eu penso em como as crianças poderiam ser todas assim se os adultos permitissem que elas tivessem opinião sem preconceitos herdados.
    Sou testemunha de que vc é assim, não é – como infelizmente já vi por aí – uma pessoa que apregoa uma postura moderna, sem no fundo crer no que pretensamente defende.
    Como contei no grupo do MdeMulher, outro dia vi um filme divertidinho no Telecine: Uma familia bem diferente – Breakfast with Scot (2008). Um casal gay, mas com comportamento de bofes (porque o cara é ex-jogador de hoquei no gelo) se vê com a guarda de um menino que é muito gay. E um deles fica com medo de ser “contagiado”, o que o faz encarar os vários preconceitos que ele mesmo ainda tem.
    Engraçado que um dos personagens fala que há uma opinião negativa na Inglaterra de que os gays “recrutam” quando educam crianças e a frase me fez lembrar de várias pessoas que eu conheço que “recrutam” com ideias bem tristes e preconcentuosas também.

  7. Luiza Miranda disse:

    Olá,
    Parabéns pelo post que aborda um assunto muito cercado ainda pelo preconceito.
    Ontem mesmo discutia com uma amiga sobre o assunto, assim achei suas colocações perfeitas.
    Particularmente vivi e vivo no mundo da moda rodeada por gays, que adoro, pois são muito inteligentes, criativos e bem humorados.
    Sempre fui transparente com meu filho em relação ao assunto, requerendo respeito com relação a este universo e a todos.
    Procurei tomar cuidado ao criar meu filho evitando até me produzir perto dele.
    Mas acho que o tiro saiu pela culatra, ele é machão demais pro meu gosto… rs.
    Parabéns e sucesso!
    Luiza

  8. Diego disse:

    E olha que o Léo nunca apanhou no God of War do gay aqui… :D

    (orgulho te ser teu amigo, sério)

  9. MaxReinert disse:

    Se não falei antes, vou falar agora… sou seu fã! Gostaria que houvesse somente uma dúzia mais de mães assim… ESCLARECIDAS!

    Sou adepto de que a “ignorância” é uma das maiores causas do preconceito e da intolerância.

    Aos poucos, com posts iguais a esse, vamos ajudando a esclarecer… clarear… dar movimento às ideias!

  10. Pingback: Gays existem! Como dizer isso pras crianças? | No Ghetto

  11. Ladyrasta disse:

    Max vou pedir pra lordrastajr escrever um post sobre meus pitis e aí vc me diz se continua a seer meu fã, hehehe… Ele imitando eu mandar ele fazer uma moeda parar de fazer barulho é uma cena hilária! Mas tava pensando aqui: eu já fui criada assim – é provável que a cada geração apareçam cada vez mais pessoas esclarecidas.
    E ignorância é a mãe do preconceito mesmo… a gente faz trabalho de formiguinha, mas uma hora chegamos lá!
    Obrigada mesmo, de coração!

    Diego :lol: Ele tá esperando! Eu é que tenho sorte de ter um amigo querido como vc!!!!Muita sorte!

    Luiza Miranda Obrigada!! Ah, mas é assim mesmo, bofe que é bofe não deixa de sê-lo pq tem gays em volta… E eu já tive que ouvir de um monte de gente que tinha que tomar cuidado pra não “criar um filho gay” – lembrei agora com seu comentário…Quer saber? Tenho certeza que estamos no caminho certo, ee que com atitudes como as nossas, com sorte o mundo será melhor um dia…

    Sam Ai, eu fico sem jeito com essa história de fã né? Foi como eu disse, meus pais podem ter feito muita besteira, mas nesse ponto tinham uma cabeça bacana…
    Hehehe…acho engraçado vc falar que eu “sou assim mesmo¨; fico pensando no trabalho que as pessoas devem ter tendo que ser uma coisa em público e outra na vida privada…Acho que sou muito preguiçosa pra isso…

    André sabe que fiquei emocionada aqui né? Não deve ter sido fácil mesmo… “um amiguinho que entenda, já faz toda a diferença “. emocionei. quem sabe daqui a uns anos não serão vários né? Eu acredito nisso, de verdade.

    Pablo como o Max fala, é trabalho de formiguinha. A gente chega lá E sinceramente, não acho que eu tenha que ser parabenizada por tratar as pessoas como pessoas que elas são – isso é dever. As pessoas devem ser julgadas por seu caráter, nunca pelas preferências sexuais ou cor ou extrato social né?

    Folks, fiquei muito feliz com os comentários viu?

    Beijos a todos!!

  12. Fernanda disse:

    Adorei o post!! Há algum tempo acompanho seu blog e já li muitas coisas de que gostei, mas hoje me animei a comentar porque achei realmente especial!
    Tenho pensado muito sobre a importância da educação, e como me deixa triste ver pessoas educando os filhos para um caminho de preconceito e ignorância.
    É possível perceber o caráter das crianças se formando com o passar do tempo, e me deixa muito triste ver crianças que eram ótimas se tornarem pré-adolescentes problemáticos, brigões ou preconceituosos (tive essa experiência há pouco tempo com filhos de conhecidos, e fiquei triste demais).
    Parabéns a você pela sua forma de educar! Parece que o seu filhote está formando um caráter e tanto!
    E parabéns pelo blog também! Adoro!!
    Bjs

  13. Srta.T disse:

    Sensacional. Também passo aqui sempre, te sigo no Twitter, mas nunca comentei. Não tenho filhos ainda, mas sempre tô de olho nos meus amigos, vendo como eles estão lidando com os seus, pra ir “aaprendendo”. E essa, com certeza, foi uma baita lição.

    Beijo!

  14. Tiffany disse:

    Flávia, por indicação do Pablo, no e-mail do grupo, vim fazer uma leitura. Seu texto está espetacular, tiro o meu chapéu pra você!
    Eu não tenho muita experiência com educação de filhos, sou totalmente marinheira de primeira viagem e admito, ainda estamos vivendo a fase de ensinar gêneros: o menino, a menina, amigo, amiga, mamãe, papai, homem, mulher. Ainda temos muito chão até que o pequeno aqui de casa venha nos indagar sobre as diferenças, mas creio que as sexuais não serão as primeiras a serem percebidas. Espero estar preparada para ensinar assim, facilmente, como você faz transparecer. O que posso dizer desde já é que o coração não tem sexo, ou tem?

    Voltarei a ler com mais calma para citar no Blogdati e tentar trabalhar por lá as diferenças de opção sexual e outras, na educação dos filhos.
    Abraços, Tiffany

  15. Ladyrasta disse:

    Srta.T Super obrigada!!! Sabe, se tem uma coisa que estou aprendendo com esse blog é que mesmo morrendo de medo do que possam dizer sobre minhas ideias, é bom colocá-las – não é fácil ter uma postura um tanto quanto heterodoxa no que tange à educação dos filhos, então acho importante falar que isso existe, é possível, e não faz mal algum. Mas vou contar uma coisa: eu erro bastante também viu?

    Fernanda Mas aí é que tá: as crianças não têm preconceito; quem tem são os adultos, que inculcam isso nela. E infelizmente, hoje em dia cada vez mais os pais estão abdicando da sua função de educar – no wonder temos um exército de monstrinhos por aí… E obrigada pelos elogios!

    Beijos!!

  16. Ladyrasta disse:

    Tiffany o segredo é ser objetiva, sincera, e também falar com o coração – não tem erro!!! Eu vou continuar essa série, conversei com meu filho hoje e ele me autorizou. Aguarde!!!

    Beijos!

  17. afonso disse:

    é por aí mesmo
    se não podemos mudar o mundo completamente, pelo menos podemos educar nossos filhos para que continuem o que começamos – não apenas na questão da homossexualidade.

  18. Sandra disse:

    Sempre vejo referências nos blogs do mãe com filhos sobre o Lady Rasta e hj finalmente tive tempo pra entrar! Eu já sabia que seria ótimo por ser indicação delas!
    Mas seu texto superou minhas expectativas, Flavia.
    Em casa o assunto é tão natural pq tenho amigos gays q meus filhos de 6 e 8 anos nem sabiam q “isso” era ser gay!!!
    Outro dia disseram q a buzina do meu carro era de bicha e eu perguntei a eles se sabiam o q era bicha. Nenhum dos dois sabia e eu dei a mesma resposta q a Flavia: homem q namora homem e mulher q namora mulher!
    Aí a piada sobre a buzina perdeu a graça!! Pq na cabecinha deles isso já é normal, então não tem graça!
    Devo dizer q fiquei orgulhosa tb, Flavia!
    E acredito q é assim q criamos um mundo melhor sobre tds os outros assuntos.
    Por exemplo religião – outro dia minha filha de 6 me perguntou pq não íamos à igreja e expliquei pra ela q nossa religião (somos espíritas kardecistas) vai ao centro mas outras pessoas podem ter outras religiões. Ela me pediu para levá-la a igreja e vamos fazer isso: assim a cabecinha deles já começou a entender sobre liberdade de escolha! E sobre respeito às escolhas diferentes da sua!
    Flavia, já coloquei no meu favoritos e já virei fã (principalmente depois de saber q vc tb dá piti!!! rsrs).
    bjus

  19. Ladyrasta disse:

    Sandra Fico feliz em ver que não estou sozinha – e só falando sobre esses assuntos é que as pessoas vão entender que isso é normal. Sabe o que estou pensando? Que essa nova geração define bichinha como algo totalmente dissociado do desejo sexual. Meu filho ainda chega aos requintes de dizer que existe gay e bichinha. “Gay, Mã, é o cara que namora homem; bichinha é aquele cara que sai dando chilique – às vezes nem é gay, sabia?”. Bicha é o comportamento estereotipado e escandaloso do gay, tal como ele é caracterizado por aí – e tal comportamento pode ser praticado por heteros. O desejo sexual não é visto como preconceito – já esse comportamento sim (e é desagradável mesmo); talvez por isso seus filhos tenham falado em “bzina de bicha”. Acho uma super evolução sabia?

    Quanto à religião, faço o mesmo – e quando falei a respeito do Richard Dawkins na FLIP falei que o problema do mundo não é a religião, mas sim a intolerância religiosa.
    Que bom que vc gostou do blog, volte sempre, a casa é sua!

    afonso aos poucos a gente chega lá!!!
    Beijos!

  20. Pingback: Meu Google Reader | 30 & Alguns

  21. Pingback: Entrelinks 13 - O que andei lendo na blogosfera e recomendo a você | Entremundos

  22. Carmem disse:

    Li, goste e reparti…

  23. Ladyrasta disse:

    Carmem Obrigada! Volte sempre!
    Beijos!

  24. Lo disse:

    Olá Nao a conheço e vc não me conhece, mas gostaria de dizer que o mundo seria melhor com pessoas como vc. Achei seu artigo muito..muito..oportuno, legal mesmo. Nós costumamos reclamar dos adultos e quando temos filhos educamos de forma quadradinha de sempre e depois teremos adultos quadradinhos tbm. Beijus obrigada.

  25. Charles disse:

    Meus filhos são acostumados a ficarem bem longe de aberrações como retardados, viados (“gays”), sapatonas, etc.. São criados para saberem que existem, mas questionarem e se possível resolverem tais defeitos nos seres humanos e não para aceitarem como se fosse coisa natural ou mesmo “opção”.

    Nas escolas as sapatonas mirins, oriundas de um meio pervertido dos pais parentes ou vizinhos, vivem agarrando as crianças normais ingênuas.

    Somos contra essa integração torta nas escolas onde até débeis mentais são colocados junto com os outros alunos e por aí vêm os marginaiszinhos favelados cheios de maus costumes de outro planeta, junto com os viadinhos e outras porcarias a escola perde o seu sentido original e vira um inferno.

    Não existe mais respeito, ordem, paz nem moral nas salas de aula e ainda se perguntam porque a violência aumentou e os professores apanham na cara.

    Curto e grosso.

  26. Ana disse:

    Minha filha de 5 anos tem padrinhos gays. Foi batizada sim, mas sob uma mangueira aos 2 meses pq um padre gay meu amigo insistiu. Tenho mil amigos gays que frequentam minha casa e nós – papai e mamãe mais nossa filha vamos a muitas festas (almoços, aniversários, de dia, claro) em que eles são absoluta maioria. Nunca a levei à parada, mas sempre à feirinha da Vieira, agora Arouche. Cerca de um mês atrás ficamos apreensivos com uma possível reação dela pq num almoço, dois de nossos amigos – muito grandes, com quase 2 m de altura ambos – trocavam carinhos mais acalorados (nada indecentes, mas nada discretos). Nada. Ela nem reparou. No dia seguinte, noutro almoço, noutra cidade, na mesa ao lado de nosso restaurante, foi a vez de duas moças fazerem o mesmo. Detalhe: conversamos antes com uma delas, que educadamente perguntou se elas atrapalhariam se sentassem ali, num lugar meio apertado, numa mesa de 2 lugares. E respondemos que elas talvez fossem incomodadas pq minha filha ficaria encantada com uma delas, que era “a cara”de sua professora. Nada. Minha filha não estranhou. Parece que estamos acertando.

  27. Ladyrasta disse:

    Charles contaí pra gente: pra vc ficar tão enraivecido só de pensar nos gays, deve ter tido alguma paixão proibida…posso contar? Não é proibido não, seja feliz!! :-)

    Lo obrigada! mas saiba que algumas coisas sou bem quadradinha viu? Meu filho abre porta pros mais velhos, pede licença pra sair da mesa, tudo como vovó aprovaria, hehehe

    Ana eles não estranham – não estranham porque nós não estranhamos. E filho vê o que nós fazemos mais do que nós dizemos…

    Beijos!

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  29. mãe sofrida disse:

    Tenho um filho de 12 anos. Domingo passado meu sobrinho de 2° de 14 anos pediu pra durmir na minha casa, e meu filho também, mais tudo bem era normal não só ele como os outros primos dele até mesmo colega dele. ai tudo bem fui pro meu quarto deitar e eles foram lá no meu quarto ficaram um pouco lá comigo e chamei eles pra durmir no meu quarto e recusaram dizendo que iriam dumir na sala pra assistirem na tv grande o dvd. Tá eu fiquei assistindo no meu quarto até durmir, não ouvi nem barulho de tv, fui na sala quando abro a porta do meu quarto naõ vejo um deles no outro sofá assistindo estavam os dois no mesmo tipo 69 só que de lado, e um chupando o pênis do outro eu fiquei estatalada, sem ação nenhuma eu queria morrer naquele momento, eles tomaram o maior susto da vida deles e eu pensei que tivesse morrido, eu quis me matar naquele momento com pano me enforcando, e até hoje estou flutuando com a situação e quando lembro, eu gostaria de saber a respeito será que meu filho tem mesmo vontade em outro menino ou é apenas curiosidade de menino? mais nunca ouvi uma história dessa, só quando já era mesmo gay. Me ajude a entender isso porque naõ sei o que penso sobre isso e estou com muito medo estou sofrendo muito com isso por mais que eu seja uma mulher de mente aberta. eu não consigo entender ele não tem jeito de gay de jeito nenhum e até machista ele é! me ajudem!

  30. Lety disse:

    Eu não tenho filhos gerado de ventre, tenho um irmão, afilhado e filho por oopção minha de 6 anos. É uma pena que eu não sou mãe unica dele: a mãe biologica (e é a que cuida mesmo dele) consegue fazer tudo diferente disso. Dá uma dor no coração….

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