From Lady Rasta

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Sem lenço nem documento – mas com dignidade

setembro 1st, 2009 · 25 Comments · Comportamento, Eu tava pensando..., Histórias Reais, São Paulo

Tem dias em que determinadas coisas acontecem na nossa vida só pra fazer com que nossos conceitos sejam revistos; ontem foi um deles. Estava chegando no “meu samba” sábado à tarde quando reparei que embaixo de uma marquise ao lado  havia alguns moradores de rua com características bastante peculiares. O que era peculiar? A arrumação, a organização. Sim, isso mesmo.  Vocês podem me chamar de fútil, superficial, podem dar risada, mas eu pergunto: que tipo de morador de rua se dá ao trabalho de ter vasos de flores e plantas na sua “casa”?
Fiquei com vontade de parar para “assuntar”, mas tive um pouco de pudor, confesso: tinha medo que eu pudesse ofendê-los, nunca tinha tentado falar com um morador de rua antes … Deixei pra lá.

Mas algumas coisas simplesmente têm que acontecer né? Terminado o samba, uma  conversa daquelas simples com o guardador de carros da rua, nosso velho conhecido, acabou nos levando até os moradores da marquise. Quando falei que tive vontade de parar pra falar com eles, o Gringo (nome do guardador de carros) falou que era pra já, pois “Neguinho é um cara muito bacana”.

E lá fomos nós falar com eles (eram 3). Um deles, Ezequiel, tinha realmente uma história tristíssima: viu o filho de 8 anos ser atropelado na sua frente, e desde então nunca mais saiu da rua. Virou evangélico, chegou a sair “daquela vida”, mas voltou. Voltou segundo ele porque, tendo se convertido, era ali que ele julgava mais correto estar para falar sobre a “palavra de Deus” – mas sobretudo, disse ele, voltou  porque não conseguiu não voltar. Não conseguiu não viver na rua. Simples como isso.

Já Neguinho e Moacir, irmãos, não me contaram nenhum motivo triste que os colocou na rua. Ah sim! É bom ressaltar: nenhum dos 3 estava drogado, ou bêbado. Sequer estavam cheirando mal (podem falar mal de mim, mas a grande maioria das pessoas faz esta ideia dos moradores de rua – eu só estou verbalizando isso).  Eu falei o quanto tinha me impressionado a limpeza e a arrumação do lugar – principalmente o cuidado com as plantas. Neguinho me disse que tinha horror de sujeira. “Amanhã”, disse ele, “é dia de feira e eu vou ficar puto com a D. Fulaninha – das verduras – pq ela emporcalha a frente da minha casa“.

Eu confesso: estava perplexa. Como assim o cara mora na rua e está asseado, com o seu lugar limpo, em ordem? Como assim ele não me parecia uma daquelas pessoas dignas de pena?

Comecei a cutucar né? Falei na lata: Mas se você consegue manter sua dignidade aqui, no meio da rua, por que não sai dela, arruma um lugar pra morar?

“- Porque aqui,  dona menina” -ele me chamava assim, não me pergunte o motivo-, “a gente é livre. A gente faz o que quiser”  ( e é bom ressaltar: os outros dois concordaram na hora – aquilo pra eles era o óbvio ululante).

E ele continuou:

- Pessoal do bairro dá comida pra gente; chegam até a colocar envelope de dinheiro aqui em cima da mesa, acredita?!” (e apontou para a mesa absurdamente arrumada, com garrafa térmica e tudo o mais). “Banho, a gente vai nos abrigos e toma banho” (não vou dizer que ele recendia a Dolce e Gabbana, mas estava longe de feder, e estava, dentro das possiblidades dele, alinhado). “Se a gente estivesse no abrigo agora, teria horário, teríamos que estar dormindo, não estaríamos aqui conversando. É por isso que a gente não sai da rua” (e lendo alguns  textos percebi que esse sentimento de liberdade é dominante entre eles).

Perguntei se a polícia atrapalhava. Eles disseram que não – que só não deixavam ficar nas ruínas do pentágono da Praça Roosevelt porque “lá é propriedade privada”. Perguntei se não era ruim no frio ou na chuva. Ele disse que ali não chovia. Eu estava me sentindo uma boba; parecia que Neguinho era um sábio paciente tentanto explicar para um aborígene que aquele teto da marquise impedia a chuva de cair em cima deles, sabe?

Na minha cabeça aquilo simplesmente não entrava. Como assim eles não reclamavam? Como assim eles não começaram a desfiar um rosário de misérias na nossa frente? Como assim eles tinham a pecha de aparecer na minha frente de cabeça erguida, sem representar o papel que esperamos deles? Como assim eles não inspiravam piedade? Eles também podem, pensava com meus botões, dentro daquela aparente normalidade, estar escondendo as dores que passaram pra chegar àquele ponto (quando a gente sofre de verdade – mas de verdade mesmo-, tem pudor d’alma de mostrar o sofrimento – eu sempre acho que quando os sentimentos são muito grandes, são também, na maioria das vezes, de difícil expressão).

Neguinho (morador de rua) na Praça Roosevelt

As perguntas zumbiam na minha cabeça.  O que seria ” a gente faz o que quiser”? Não trabalhar? Não precisar pensar que o pior pode acontecer, porque afinal de contas, não deve haver nada muito pior do que a vida deles? Fiquei confusa, sabiam? Depois entendi: estava confusa porque tive a nítida impressão de que eles não queriam estar em outro lugar.Eu tive a impressão de que se eu dissesse que tinha uma casa sei lá onde pra eles irem morar, eles não iriam – ou ao menos não iriam por muito tempo-;  ao menos não naquela noite; ao menos não dentro da estrutura psíquica que possuíam naquele instante (e isso não deve ser inerente ao Brasil; nos EUA foi feita uma matéria com moradores de rua que possuem laptops, Twitter, Facebook e afins e continuam morando na rua).

Antes que vocês falem: sim, sei muito bem que tem o outro lado: alguns dirão que não é função do Estado sustentar (colocando à disposição albergues e abrigos) pessoas que poderiam trabalhar, que eles não podem se dar a esse “luxo” (ironia né? achar que alguém está se dando ao luxo de morar na rua). Tem também  o “nosso lado”, egoísta: para a maioria de nós é visualmente revoltante ver as pessoas jogadas no chão dormindo ao relento (talvez porque essa cena nos faça pensar não só na desigualdade social, mas na condição humana como um todo – como estou fazendo agora.); ninguém gosta de ver isso – melhor jogar essa visãopra baixo do tapete (e com isso jogamos nossas próprias mazelas lá pra baixo também – aliás, como nossa sociedade infantilizada faz com os velhos e os mortos, né? tiramos da frente tudo o que nos incomoda).

Enquanto conversava com Neguinho e seus amigos, tentava entender como  eles se sentiam de verdade. Será que são apenas pessoas desesperançadas? O que eles estão tentando nos dizer  ao afirmar que não querem (ou não conseguem) sair da rua, não se importanto em mostrar que não se adequam ao que a sociedade esperava deles?  Será que estão mesmo conformados (quase satisfeitos), dentro daquela outra realidade em que eles vivem?  E ainda: eles estão errados ao afirmar que não querem sair da rua? Não sei responder, confesso com toda a humildade. E eu fico desnorteada quando não chego a conclusão alguma, né?

<abre parênteses> Tenho falado nisso direto (e até sei porque), mas aqui cabe de novo repetir : costumo dizer que o pior dos sentimentos não é a tristeza – é a desesperança. Aquela condição quase sub-humana em que passamos a viver num limbo e letargia permanentes, sem esperar nada, sem se alegrar com muita coisa (quando conseguimos nos alegrar), sem conseguir acreditar que as coisas um dia podem vir a ser melhores. A tristeza e a angústia, como eu sempre digo, implicam num certo inconformismo; pode ser que a pessoa arrume forças para sair do buraco, pode ser que ela veja luz no fim do túnel. A desesperança não; ela é aquilo pra sempre, porque quem tem ela dentro de si não consegue achar que um dias as coisas possam ser diferentes. E não dá pra não pensar em desesperança quando se vê pessoas morando na rua </fecha parênteses>

Fomos embora com mais perguntas do que respostas (ou ao menos eu saí de lá assim). Mas tinha uma certeza: ver aqueles vasos de plantas na “casa dele”, aquela ordem no caos, me fez pensar que dá sim, manter dignidade e seu caráter quaisquer que sejam as condições e circunstâncias em que nos encontremos; basta querer.  Me despedi atordoada.; sei  que depois dessa noite eu, @juliareis e @amsp_fadinha nunca mais vamos olhar pros moradores de rua como olhávamos antes. Pensando bem, talvez nunca mais olhemos pra nós mesmas como olhávamos antes.

****

P.S. Tem um livro muito bacana do George Orwell onde ele conta os seis meses em que viveu como mendigo em Londres. Obviamente, é uma situação completamente diferente, pois ele poderia parar de “brincar de mendigo” na hora em que bem entendesse. Mas nem por isso ele deixou de viver e avaliar de perto a vida e as sensações daquelas pessoas né?

P.S II (a missão): como acho que algumas coisas só acontecem porque determinadas pessoas estão juntas na mesma hora e lugar, tenho que agradecer à @juliareis e à @amsp_fadinha pela noite.

P.S. III ( o retorno). Reescrevi esse texto sei lá quantas vezes e ainda assim tenho a sensação de que há muito a ser dito, apesar de eu não estar conseguindo encontrar as palavras certas; mas como eu disse aí em cima, quando os sentimentos são muito grandes, nem sempre é possível exprimi-los né? Please do forgive me.

Serviços:

Listagem de Albergues e Asilos para moradores de rua em SP :
Legislação Municipal sobre População de Rua
Home Page da Secretaria Muncipal de Assistência social

Twitter das subprefeituras de São Paulo: @subprefeiturasp

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25 Comments so far ↓

  • james penido

    Oi,minha querida Lady Rasta.Adorei seu blog!Li alguns posts e gostei muito mesmo.Vou vir sempre aqui.Um abraço do outro Penido,James.

  • Marcie

    Querida, precisa ter uma sensibilidade incrível para poder primeiro, aceitar que as pessoas tenham outros valores que não os nossos, e segundo para entender isso. A dignidade se manifesta de várias formas,algumas das quais totalmente fora da nossa compreensão. O fato de questionar isso já faz de você uma pessoa melhor. E o fato de não virar a cara, de querer conversar com esses rapazes, que são tão gente como a gente, faz com que não só você revise algumas das suas teorias, mas também mostre para os nós que devemos fazer o mesmo.
    Mais um brilhante texto, e mais uma lição.

  • Alexandre Giesbrecht

    Só não consegui identificar lugar em que ele fica na Praça Roosevelt. (Você sabe que não resisto a menções sobre a praça, né? :)

  • Francisco A. (FabreuJ)

    Gostei muito do seu texto e de suas conclusões, que demonstraram sensibilidade e empatia para com o próximo, sentimentos cada vez mais raros de se ver nas outras pessoas e em nós mesmos.

    Há muitos anos tive uma experiência tipo George Orwell que foi life-changing em muitos aspectos. Olhando em retrospectiva, a experiência foi mais um walkabout do que qualquer outra coisa, mas na época não parecia assim.

    Sobre o walkabout, dizem que se você andar suficientemente longe, acaba encontrando a si próprio. Eu encontrei. Talvez seja isso que essas pessoas procuram, mesmo que inconscientemente.

    De qualquer forma, para apontar “o outro lado”, cabe dizer que esse grupo que você entrevistou representa uma parte da população de rua. Sendo a outra parte composta por elementos criminosos que não hesitam em apelar para a violência física para atingir seus objetivos, especialmente contra presas que imaginam mais vulneráveis.

    Este segundo grupo acaba se infiltrando no primeiro, daí a dificuldade para a segurança pública distinguir um do outro.

  • Ladyrasta

    James Penido Que bom que vc gostou!! A casa é sua, venha sempre!!

    Marcie Sabe querida, às vezes eu acho que aprendo muito mais em meia hora de prosa com essas pessoas, que me trazem informações de mundos que desconheço, do que num jantar cheio de frescuras onde as mulheres ficam prestando atenção uma na roupa da outra (quando não estão prestando atenção nos maridos das outras, bien compris). Não sei se teria parado pra conversar com eles se fosse uma sujeira inominável, sou bem sincera – mas eles são sim, gente como a gente; e é só mostrando respeito por eles que podemos fazer com que eles se sintam menos invisíveis. Posso estar enganada, mas acho que é assim que eles se sentem: por isso se mostram…

    Alexandre G já falei no Twitter, mas falo de novo: na Guimarães Rosa com a Gravataí – do “meu” lado da Praça, :lol:

    Francisco Que bom que vc gostou!! Sim, eu tenho consciência que falei com a exceção – tanto que foi isso que me chamou a atenção. Há várias “tribos” mesmo, desde pessoas com problemas psíquicos graves, a drogados, ladrões… tem de tudo – como em qualquer classe social, aliás…
    Quanto ao auto-conhecimento, gosto muito de uma música do Paulinho da Viola que fala “voltar quase sempre é partir para um outro lugar”. Quem tem disposição e coragem de olhar pra dentro de si mesmo se transforma e quando se olha no espelho de novo, viu que é uma outra pessoa. Eu acho isso bom.
    Volte sempre!!

    Beijos a todos!

  • Simone Ferreira

    Oi Lady Rasta, quando li o teu texto, lembrei de uma situação semelhante que eu vivi. Por um tempo convivi com moradores de rua que eu enchergava todo dia da minha janela. Todo dia ao entardecer eles chegavam (eram 3), como se voltassem do trabalho. Varriam o local e ficavam ali, conversavam, comiam e mais tarde dormiam. Pela manhã levantavam, lavavam o rosto, se arrumavam, limpavam a “casa” e saiam. Algumas vezes trocávamos palavras, as vezes silenciosas… Foi aí que comecei a pensar: quem são? De onde vieram? Por que estão aí? Podia ser alguém que eu conhecia. Pode parecer estranho, mas nos sentiamos seguros, era como se estivessem cuidando do prédio. Agora o mesmo lugar está “dominado” por viciados em craque e assaltantes.

  • AmsP_Fadinha

    Bom, não preciso que a cada dia que passa, sinto mais e mais orgulho da sua amizade, da sua sensibilidade com assuntos tão delicados, e principalmente da forma natural que vc age nessas situações.

    Minha irmã, eu é que agradeço pelas oportunidades de sempre presenciar coisas tão lindas ao seu lado !!!

    Beijos no coração.

    ps. o texto tá ótimo, para de ser boba …rs

  • Ladyrasta

    Simone é complicado isso né? Na minha rua tinha uns meninos que vendiam bala que eu conhecia, dava roupa e tal…de repente eles foram embora e me senti meio órfã, juro! Por isso te entendo super… E pra vc foi uma troca de vizinhança e tanto, da água pro vinho…
    Volte sempre viu? A casa é sua!

    Amsp_Fadinha já tava na hora de vc entender que eu posso usar pashmina pq tô com frio, usar salto alto, mas não vou deixar de falar de igual com as pessoas né? Eu não teria porque agir de outra forma. E vc sabe disso…

    Beijos!!!

  • Luciana Guimarães Betenson

    Flá, você precisa ler o livro Castelo de Vidro… o tema vai nesta linha e muito mais. É super fácil de ler. Se você quiser ver, tem uma resenha pequena minha sobre ele no Goodreads.

    Lá em Pinheiros tem o ‘escriba’, aliás um colunista do Estadão (não lembro qual) falou sobre ele ontem (ou foi na segunda?) num texto semelhante a este seu. Mora na rua por opção, no caso dele traumatizado por ter sido internado em sanatórios boa parte da vida.

    Me lembro a primera vez que fui viajar para o ‘Primeiro Mundo’ e me chamou a atenção ver gente morando na rua quando toda a infra estava à disposição (educação, saúde, auxílio-desemprego, empréstimos baixos para casa própria etc). Ou seja, tem aquele sem-teto motivado por desvelos sociais e aquele sem-teto com vocação :-)

    Incrível a sua experiência. É preciso muita coragem para fazer o que vocês fizeram!

  • Ernesto

    Um texto muito sensivel, parabens!

  • CarlaZ

    Flávia, aqui na rua tem um senhor que é assim…varre a rua quando chega de noite e quando vai embora de manhã…arruma tudo todos os dias. Eu passo sempre por ele quando volto da academia e outro dia ele falou…Nossa como você emagreceu…fiquei tão sem graça!

    Mas tem de tudo na rua e acabamos generalizando…tendo medo de todos! Eu sou assim! E aqui perto de casa é bem barra pesada, afinal é subida de morro e ponto de venda de crack.

    Me incomoda muito o caminho que faço de manhã, passando por muita gente que dorme na rua, não sei se teria a coragem que teve.

  • Ladyrasta

    Carla Z Eu parto do princípio que se alguém consegue manter a dignidade e a integridade numa situação dessas (morando na rua) ela não é do bem; às vezes um bom dia, um boa tarde já fazem com que ela se sinta inserida no mundo, se sinta…uma pessoa. Eu nunca deixei de cumprimentar (nem que fosse com um aceno de cabeça) os caras que moram na minha rua – mas é bom ressaltar uma coisa: eu só fui conversar com esses caras porque fui apresentada por alguém que já os conhecia de há muito. Não vou dizer que nunca fiz maluquices similares, mas nesse caso específico eu estava segura. Todo mundo acha que eu sou muito desencanada, mas não é taaaanto assim…Tá bom, vai…só às vezes :lol:

    Ernesto obrigada querido!!!

    Lu Betenson A @srtabia me falou desse livro no dia do Luluzinhacamp também, fiquei muito interessada!!! Quanto à coragem… Eu já fiz coisas similares que foram bem arriscadas, mas como eu disse pra Carla Z, nesse caso eu estava tranquila – fui falar com eles apresentada por alguém em quem eu confiava e que os conhecia. Mas confesso que essa coisa da sagitariana que acha que nunca nada vai dar errado ajuda sim, :lol:

    Beijos!!

  • AmsP_Fadinha

    Eu já lí “A Casa de Vidro” e achei muuuito interessante tbm…

    Ladyrasta, se vc quiser, tá as ordens…

    Beijos

  • Paula*

    Flavinha, fiquei muito (bem) impressionada com esse post! Primeiro porque, sem hipocrisia, nunca vi moradores de rua organizados como vc descreve. Depois, não há como não refletir sobre tudo isso após ler suas palavras.
    Parece que essas pessoas não têm os mesmos questionamentos, sentimentos, visão de mundo que nós (pessoas que moram em casas, têm empregos…). Acho muito louco, não consigo alcançar o benefício dessa sensação de liberdade. Senti, assim como vc disse, um pouco de desesperança lendo sobre essa questão.
    Tb não tenho respostas, mas, como várias outras coisas que a vida já me colocou frente a frente, não questiono (não mais), aceito que cada um seja do jeito que é (não é conformação, mas nem tudo pode ser como gostaríamos, não é mesmo?!).
    Assim como a AmsP_Fadinha, tb li “A Casa de Vidro” e adorei!!! Pq, no final das contas, o que realmente importa é ser feliz e se aceitar do jeito que é! Excelente post! Bjos querida! ;)

  • Ladyrasta

    Paula* Pra mim o mais maluco é que sempre vi pessoas que moram na rua como pessoas que se abandonam, que pura e simplesmente desistem, e vivem um dia após o outro sem se importar com o que aconteça, esperando o dia em que tudo acabe. E de repente vejo que nesse meio há pessoas que possuem energia pra manter a dignidade mesmo vivendo na rua, ainda que não direcionem essa energia para sair de lá – e é isso que me deixou atrapalhada sabe?

    Vou ler esse ” A casa de vidro” – pelo visto todo mundo já leu menos eu, hehehe

    Beijos!

  • Sérgio Freire

    Excelente texto. Melhor: excelente proveito da experiência. Obrigado por dividir. Abraços amazônicos. SF

  • Ladyrasta

    Sergio Freire Obrigada!!! Legal saber que alguém me lê na Amazônia!! De onde vc é?

    Beijos!

  • Sérgio Freire

    Manaus, cidade caótica de dois milhões de habitantes, cravada no meio da selva. Em trinta minutos, however, dá para focar jacaré à noite e tomar banho de cachoeira vendo araras voando…

  • Ladyrasta

    Sergio Freire eu tava em Manaus quando recebi a notícia de que tinha entrado em Direito na USP sabia? E nunca mais voltei, faz uns 20 anos… Tenho saudades de umas caldeiradas que tomei aí…

    Beijos!

  • Renata Marques

    Nossa. Fiquei sem palavras.
    Experiência incrível.

  • Ladyrasta

    Renata, foi mesmo viu? Como eu disse, eu não consegui no texto exprimir tudo o que eu senti naquela noite, sabia?os!

    Beijos!

  • Leka

    Fiquei chocada/emocionada/fascinada com essa história! Faltam palavras para descrever o que sinto!

  • Ladyrasta

    Leka Eu só queria ter conseguido passar um terço do que eu mesma senti aquela noite, juro – tenho consciência que não consegui…
    Beijos!!

  • marymeggie

    Me parece um apego pela liberdade em seu “estado puro”, uma radicalização mesmo. É como se eles dissessem: “Eu quero viver minha vida, do meu jeito, com minha dignidade sem que pra isso eu precise de estar sujeito a qualquer coisa. Nada de satisfação para pessoas, nada de apego a bens, nada de preocupação com padrões. Apenas respirar, observar e absorver “.

    Uma vez estava num buteco aqui em BH, uma esquina, e fomos abordados por um pedinte. Ele não estava bebado nem drogado, mas não tinha o alinhamento que vc descreveu. Nos pediu dinheiro ou cigarros. Alguém deu um cigarro e ele entrou na conversa. Falava inglês e francês e entendia a fundo de política internacional. Não quis dizer quem era, se estava naquela vida de passagem, se era escolha ou qq outra coisa. Só foi embora sorrindo por impressionar um bando de estudantes juninhos na vida.

    É sempre engrandecedor essas experiências que nos fazem questionar nossas visões de mundo, não?

    Obrigada pelo texto.

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