
<abre parênteses>: se vc perdeu o longa metragem que deu origem à série, dê uma olhada no “o que andei lendo – julho de 2008” (e também o texto falando sobre a mudança de formato) para captar a mensagem e entender o porquê dessa lista…</fecha parênteses>
Eu adoro romances históricos. Eu sei, a grande maioria deles não é considerada “literatura” com L maiúsculo (bom, confesso que eu não saberia identificar uma literatura com L maiúsculo se encontrasse com ela, é bem verdade), mas acho que tais livros cumprem muitíssimo bem duas funções importantes, e que, quando estão juntas pode ser uma experiência agradabilíssima: divertir enquanto se aprende. Claro que alguns autores ainda conseguem fazer tudo isso de uma forma elegante, diferente, que os tornam especiais; mas se todos tivessem essa habilidade referidos autores não seriam especiais, certo?
Quando a pesquisa histórica é bem feita ( e isso deve ser conferido de preferência antes de se comprar o livro) a gente aprende sem perceber; livros como a Canção de Tróia, os Reis Malditos, ou o Livro de Saladino e suas continuações são leituras que recomendo de verdade.
Joia de Medina é um desses romances históricos: trata da história do nascimento do Islamismo e das suas subdividões (xiitas e sunitas), de uma forma super didática, vista sob a ótica de uma das mulheres de Maomé, A’isha – tida como a predileta (bom, acho que vocês imaginam que nada é muuuito certo no que tange a Cristo, Maomé e outros líderes religiosos, certo?)
O livro obviamente recebeu críticas da comunidade islâmica, tendo a editora Random House cancelado o lançamento quando as provas já estavam prontas - e a casa de funcionária da editora Gibson Square foi atacada por bombas , como mostra essa matéria aqui. De minha parte, confesso que acho muito complexo definir o limite entre o direito à liberdade de expressão (que é um dos pilares das sociedades democráticas) e o respeito à crença do próximo: onde termina um e começa o outro? Eu não sei. Mas seja lá qual for o limite, tenho certeza que ele foi respeitado no livro.
Algumas coisas ficaram muito claras: como na verdade o Islamismo ao menos inicialmente não era uma religião que visava à opressão da mulher (e antes que vocês reclamem comigo: pelo que entendi era muito pior antes - e não nos esqueçamos que os judeus ortodoxos são igualmente rigorosos no trato de suas mulheres); o surgimento do dissenso entre sunitas e xiitas (eu não sabia que era uma questão surgida no seio da família de Maomé, numa típica trama rodriguiana).
O livro pra mim (e aí já posso pensar na licença poética da autora, embora eu não duvide) mostrou um Maomé que não resiste a um rabo de saia (embora diga que só faz isso pela “causa”,, e por razões políticas,
) e que fica maluco com as brigas de suas mulheres (também pudera né?); ao mesmo tempo, mostra a frugalidade em que vivia. Por outro lado, o livro, ainda que de forma sutil, não deixa de fazer uma crítica às visões e iluminações divinas que teria tendo em vista suas crises epiléticas – algumas delas, diga-se de passagem, bastante convenientes para solucionar questões de ordem prática (como em um de seus casamentos).
Eu gostei. Não é uma leitura profunda, não é algo de que vou me lembrar daqui a 10 anos, mas eu sinceramente acho que essa não é a única função das histórias; livros devem entreter, distrair; se além disso nos fizerem pensar, melhor ainda.
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Na linha do que falei sobre romances históricos, vale ver a entrevista com Mary del Priore discorrendo sobre os bons exemplos deles (inclusive mencionando os Reis Malditos) e sua utilização como acessório para o estudo da história (que eu super defendo). Percam uns minutos, vale a pena meeeeesmo.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=GHxv2ENg4n8]
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Recebi esse livro como cortesia da Record, pois estou fazendo parte do Bookcrossing criado por eles em parceria com a Bites. Vou fazer o livro continuar circulando através do Livro Livre. Já fiz o cadastro e essa semana solto ele por aí, depois complemento o post com as informações da “libertação”.
















Flavinha, confesso que fiquei curiosa com o livro. Embora não seja um dos seus supercotados, parece uma ótima forma de conhecer um pouco mais sobre o Islamismo. Mas, acho que vou adorar mesmo os Reis Malditos. Depois te conto!
P.S.: A ideia do boockcrossing é demais! Parabéns! bjoo
Flavia
como sempre, seu post está irreprensível, né? Aquele negócio de advogado vencendo os debates mesmo! (risos)
Abri dois topicos de discussão deste livro em redes sociais e estou deixando aqui para você e seus leitores opinarem lá se quiserem, ok?
http://www.goodreads.com/topic/show/214528-ficou-com-raiva-de-maom-tamb-m
http://www.olivreiro.com.br/comunidade/479-a-joia-de-medina#
Obrigado pela participação no nosso “beta” do Book Crossing!
Sam uau, thanks, adoro ganhar estrlinha na lição
Advogado é uma raça engraçada mesmo, hehehe…
Vou passar lá sim!
Beijos!
A joia de Medina #review | A Vida Como A Vida Quer // out 26, 2009 at 12:27 AM
[...] para seu povo. Não vou fazer spoiler nem reiterar a história (até porque as resenhas de @ladyrasta (com um video ótimo de Mary Del Priore sobre romances históricos) @smiletic @cybelemeyer @elfinha [...]