
<abre parênteses>: se vc perdeu o longa metragem que deu origem à série, dê uma olhada no “o que andei lendo – julho de 2008” (e também o texto falando sobre a mudança de formato) para captar a mensagem e entender o porquê dessa lista…</fecha parênteses>
Este é o segundo livro de Paul Theroux que eu leio; li “O Grande Bazar Ferroviário” há alguns anos atrás e adorei. Apesar de ter lido críticas desfavoráveis ao seu último livro, alguma coisa na capa do livro, e a ideia de alguém como ele descrever a Africa no que ela não é “pra inglês ver” me encantaram: o livro foi comigo pra casa.
Foi comigo pra casa e tenho que contar pra vocês: eu não consegui parar de ler um minuto.
Safari significa jornada, ou algo parecido com isso (procurei a citação mas não achei, sorry); pensando nisso, às vésperas de seu aniversário, Theroux resolve voltar à África, continente onde viveu durante os anos 60, quando era jovem. A viagem começa no Cairo e termina na Cidade do Cabo – percurso esse feito por via terrestre ou fluvial.
Lendo algumas resenhas, descobri que Paul Theroux tem fama de reclamão, resmunguento, bla bla bla. Eu discordo: acho que ele é um observador arguto dos locais por onde passa (Dauro Veras acha que ele observa muito e participa menos; eu não acho que seja assim: acho que ele participa, mas sem deixar de lado seu olhar crítico. E pensando bem só assim ele pode fazer comparações e ter insights, certo?)
Theroux não usa avião; somente trem, ônibus ou barcos, percorrendo desde lugares onde Flaubert andou perambulando certa feita (o que eu não sabia, devo confessar) até outros perigosíssimos ou belamente inóspitos; visita países dos quais ouvimos falar muito en passant, tendo poucas referências a respeito (como o Uganda, por exemplo) – e como cereja do bolo, pelo fato de ter ministrado aulas naquele continente nos anos 60, tem o privilégio de conhecer pessoalmente grandes figuras da cena política africana (o 1° Ministro de Uganda é um deles) podendo ter uma visão mais ampla de tudo.
Aliás, cabe aqui um comentário: devo dizer que ele percorre regiões que aguçaram tanto a minha curiosidade a ponto de me fazer lamentar pela primeira vez na vida ler livros de “edição em árvores” (pois em determinados momentos queria muuuito um hiperlink que me mostrasse as diversas tribos que ele descrevia e os locais por onde passou).
Uma das críticas mais profundas que faz durante todo o livro é com relação às entidades assistencialistas, que para ele, são responsáveis por esse quadro desesperançado e miserável da África. Critica severamente os representantes dessas organizações assistencialistas, os quais, no entender dele, são arrogantes desfilando nos seus Land Rovers, isolados do resto da população, que por sua vez não tem grande simpatia por eles. Theroux também menciona que para muitos governos africanos não interessa uma melhoria do padrão de vida da população porque isso acabaria com as doações milionárias (as quais, como vocês bem podem imaginar, têm grande parte desviadas em prol dos políticos).
Em crítica ao livro, o NYT fala:
‘‘Dark Star Safari,” his latest travel book, charts the author’s arduous journey through Africa, from Cairo to Cape Town, by truck, bus, ferry, train and bush taxi. Theroux sets out ”hoping for the picturesque,” and at first finds plenty of it. The pyramids of Sudan leave him feeling humbled and uplifted. In the walled city of Harar, a Maltese nun cooks him a gourmet meal and beguiles him with tales of the lover she left for God. An Ethiopian, once a political prisoner, recounts how in his cell he translated ”Gone With the Wind” on tiny sheets of cigarette-pack foil — 3,000 in all — and later published the translation.
A crítica do NYTimes também fez com que reparasse em algo que não tinha percebido: no quanto Theroux, durante a viagem, se importava com o fato de parecer ou não velho, do quanto o incomodava ser chamado de velho – e é verdade.
Eu não sei se já contei pra vocês, mas tenho uma relação de posse quase sexual com meus livros; costumo brincar dizendo que gosto de marcá-los da mesma forma que eles me marcam. Por causa disso, tenho o hábito não só de grifar passagens das quais gostei, como também de marcar orelhas onde essas tais passagens se encontram. As orelhas também têm tamanho proporcional à importância da passagem do livro para mim (e antes que vocês digam que livro é sagrado e não pode ser conspurcado eu digo que tenho cer-te-za que eles adoram tá? :-p ). O resultado disso é que fica fácil descobrir pelas marcas que eu fiz se eu gostei ou não de um livro – ou ao menos, se ele me marcou ou não.
Então vou mostrar pra vocês como ficou O Safari da Estrela Negra (aliás, vou começar a utilizar esse método de avaliação, hehehe – uma coisa matar a cobra e mostrar o pau, certo?)
cotação Lady Rasta:
****
Mais sobre Paul Theroux no NYT aqui
















Adorei… taí um livro que vai para a fila de livros que valem a pena ler. Um beijo,
Flavia
Se voce gostou deste, vai gostar tambem da serie pe na africa, um blog que mostra a viagem do jornalista brasileiro Fabio Zanini pela Africa, e suas opiniões autais sobre o continente. Vale a pena!
Lady Rasta,
Adorei seus comentários sobre o livro de Theroux, mas adorei mais ainda você, como leitora e eximia escritora…parabens.