Desde que foi lançado , o blog Classe Média Way Of Life tem sido incensado como genial, fantástico, engraçadíssimo, “uma das coisas mais legais da internet nos últimos tempos”, e coisas desse jaez. Sem desmerecer o humor dos autores (e eles certamente não pretendem agradar todo mundo) o blog me incomodou sobremaneira desde o início, e eu não entendia o porquê.
E nem me venham com aquele papo de “psicanalista da livro de auto-ajuda” dizendo que me incomodava porque eu me via naqueles esteriótipos, porque não é nada disso, eu não tenho aquele perfil.
Hoje finalmente, num daqueles meus arroubos de flood no Twitter, entendi: eu não gosto daquilo porque é preconceituoso, e de um preconceito malvado, porque perpetrado por pessoas que não se julgam preconceituosas de forma alguma (ou ao menos as pessoas que incensam os posts não se julgam preconceituosas). Como se o fato de pessoas “estudadas”, intelectualizadas tivessem o direito de tirar sarro de quem curte Céline Dion, vai pra balada na Vila Olímpia e adora o Outback sem que com isso tivessem a pêcha de preconceituosos. São sim, preconceituosos, não adianta negar.
O mais engraçado é que a maioria das pessoas que detona a classe média é egresso dessa classe social. E a ressalva que fazem é: Ah, mas nós não pensamos como “eles”, nós somos diferentes “disso tudo que está aí”. Engraçado… Esse é e-xa-ta-men-te o tipo de frase que os soidisant “classe média” usam quando falam de pobres… sem tirar nem por…dá o que pensar, fala a verdade?
Pode ser que esteja enganada (e eu me engano pra burro, graças a Deus) mas sinto nesse movimento “contra a classe média” uma sede dos seus defensores em se diferenciar dela. Só que quem precisa evidenciar diferença não é assim tão diferente né? Ao menos é assim que penso.
Antes que vocês perguntem, eu respondo: tenho sim problemas com o tal “pensamento classe média” do qual as pessoas falam; não gosto e tenho dificuldades em me identificar com a tal “classe média” porque acho a maioria dos integrantes desse segmento extremamente medrosa e insegura, e isso gera pasteurização de hábitos, costumes e gostos.
Explico:
Pobre não tem medo – não tem o que perder, não é mesmo? Vai receber o Príncipe Charles com cerveja e churrasco na laje sem nem pensar duas vezes, porque festa pra eles é daquele jeito (festas essas normalmente divertidas porque as pessoas estão pensando em se divertir, não em se mostrar ou em agradar os outros). Idem para os ricos: rico, rico mesmo, ali na batata, vai continuar rico não importa quanto dinheiro perca; e como também não precisa provar nada pra ninguém, faz o que quer e o que bem entende.
Já a classe média não. Têm mais dinheiro que os pobres, mas ainda não são ricos (e nem vão ser, mas alguns têm a esperança de ser aceito no clube dos ricos se disfarçarem direitinho); então morrem de medo de fazer alguma coisa que possa, ainda que remotamente, confundi-los com os “pobres” (que horror né? Ser confundido com “eles”).
Resultado? Pasteurização. No afã de não parecer pobre e na esperança de vir a ser rico um dia (ou ser convidado para as festas, fazendas, barcos e casa de praia dos ricos) ficam tremendamente enfadonhos e repetitivos. Lembram Edward Mãos de Tesoura, a cena em que todos os caras saem pra trabalhar, daquelas casas iguaizinhas? Então… É aquilo. Então eles leem o livro do Reveillon ( obrigatoriamente na lista dos 10 mais da Veja) pra dizer que são instruídos antenados, sabem o bê-a-bá do small talking educado, têm opiniões politicamente corretas, se vestem todos iguaizinhos (ter estilo requer ter personalidade né? E eles têm medo de mostrar a deles e parecer pobres), as festas têm sempre aquela coisa pseudo-chique… Um porre. Também adoram ter um amigo gay pra dizer que não são preconceituosos ( o que só evidencia preconceito, porque “amigo gay” não é item de closet, d’ accord?)
Aliás, o Alex Castro no Twitter resumiu muitíssimo bem em 140 caracteres o que eu penso:
odiar a classe media é a coisa mais classe media do mundo.
os milionarios e os pobres estão cagando pra classe media
Vocês agora vão me perguntar: nossa, mas você é super preconceituosa hein? E eu vou responder: sou mesmo. Muito. Detesto as pessoas que descrevi acima e pago para não ter que interagir com elas (assim como tenho dificuldades em interagir com gente que usa sapatos feios). A diferença é que eu digo que tenho preconceito, não fico bancando a boa moça descolada e correta, defensora dos fracos e oprimidos, desprovida de críticas aos outros. Eu detestaria viver em um mundo politicamente correto porque acho que este termo tem muita hipocrisia e preconceito escondido; prefiro que a mudança de comportamento das pessoas em relação às questões de gênero, cor e orientação sexual se dê de dentro pra fora, paulatinamente mas com embasamento, do que aconteça só no externo como uma máscara disfarçando o ranço interno.
Então por favor: querem tirar sarro, querem detonar essa galera? estão à procura de um novo preto para poderem discriminar?Fiquem à vontade, be my guest. Mas prestem atenção no que estão fazendo. E não me venham dizer que não são preconceituosos, porque vocês são sim.















quando conheci o blog, ri de um post, pq lembrava uma pessoa conhecida e dei RT. mas uma amiga me alertou e fui fuçar mais o dito blog, e tb achei o mesmo que vc, que há o mesmo preconceito por parte de quemescreve e quem comenta. sou classe média, não há como negar, por mais que eu não comungue dos mesmos gostos ou da vontade de querer ser algo meio miami beach, então esse apontar o dedo e criticar fica parecendo tão caça às bruxas, quanto quaqluer outro preconceito. e a frase que vc destacou define muito bem:
odiar a classe media é a coisa mais classe media do mundo.
os milionarios e os pobres estão cagando pra classe media
Gente escrota é o que mais tem no mundo, quem está em cima quer sempre pisar no de baixo, independente da classe social. Até o “pobre” pisa no vizinho “mais pobre”.
Anda muito chata essa coisa das pessoas sairem rotulando atitudes isoladas. Já disse isso. Acho que ninguém é “isso” ou “aquilo” porque faz/tem “isso” ou “aquilo”. Está faltando educação, profundidade e tolerância.
mas exatamente pq é uma crítica a classe media feita de dentro, pela propria classe media, não é preconceito: é auto-crítica.
senao, vc daqui a pouco vai dizer que o saturday night life criticar o modo de vida americano é ser americanófobo ou ter preconceito contra americano….
nao dá pra comparar a própria classe media fazendo pouco de si mesma, uma classe q é dominante no brasil em termos de renda, cultura e influencia, com o preconceito contra o negro, por exemplo, que faz com q ele seja mais morto, viva menos, seja pago menos, etc etc.
Alex Eu concordaria com vc se as pessoas que adoram o blog admitissem que fazem parte dela – mas há sempre a ressalva: ” eu sou diferente dessas pessoas”, “eu não faço parte disso”. Das duas uma: ou é auto-crítica e as pessoas admitem que se identificam de vez em quando com alguns padrões de comportamento, ou não é auto-crítica, eles não têm nada a ver com isso aí mesmo e aí eu acho que é preconceito. Pra mim seria ótimo dizer que não é preconceito, porque sou daquelas que fala que não pisa na Vila Olímpia – mas eu acho que é. Se não for preconceito, ao menos uma dose muito grande de escárnio é…
Beijos!
Lu Bruscaidar eu tb acho!
Iaiá
Mandou muito bem, difícil alguém pensar com profundidade hoje em dia quando escreve sobre esse assunto (ou qualquer outro). Parece que todo mundo vomita a primeira coisa que vem à cabeça, principalmente no twitter. E há o medo de polemizar. Não é porque a ferramenta inspira agilidade que a gente tem que escrever qualquer merda. Já adorava seu blog, mas cada vez que venho aqui gosto mais.
Eu, sinceramente, não sei a que “classe” pertenço. Eu e meu marido tivemos acesso à excelente educação e diversidade cultural, mas estamos abaixo da faixa salarial considerada adequada para fazer parte desse grupo. Acho que isso tudo é mais sobre um estado de espírito do que uma classificação do IBGE.:)
Mas vejo muita gente que SEI que se encaixa no perfil classe média fazer essas piadinhas, como se não enxergasse os próprios defeitos, síndromes do pânico e nojo ao pegar um metrô lotado com “populares”. E vejo muito medo e preconceito em todas as classes – tente ser branca ( nossa “caucasianisse” duvidosa com pé na senzala), pobre e estudar numa escola pública? Ou ser branca, pobre, ter bolsa numa escola particular de rico e se vestir com roupas de lojas populares? Preconceito tem em todo lugar. No final das contas é a merda do ser humano que conta (acabo jogando pra geral no final do raciocínio, mas tudo bem).
Concordo com o que você diz sobre as pessoas procurarem o tempo todo alguém para discriminar, jogando o preconceito embaixo do tapete. Quantos nerds preconceituosos vc conhece? Eu conheço um milhão. Acreditam piamente que deveriam fazer parte do MENSA porque fizeram um teste porco de internet que deu 175 de QI, e sacaneiam sem piedade o coitado que fala errado na TV ou a pessoa mais humilde que se exibe no orkut com suas fotos reveladoras – tão reveladoras quanto as fotos dos usuários de internet mais “underground chiques”, que reclamam do advento da Tecpix e da “maldita inclusão digital”.
Agora, não acho que classe média é o novo preto. Uma amiga diz que o gordo é o preto do século 21. Acho que é uma “classe” muito mais sacaneada.
Um beijão!
auto-critica nao precisa ser admitida pra ser auto-critica. se eu, como carioca, digo que carioca é um povo sujo q emporcalha a cidade linda q tem, isso nao é preconceito, pq eu SOU carioca.
nao faz diferenca alguma se eu sou um carioca que suja as ruas ou se sou um carioca que nao suja as ruas… nao faz sentido vc me acusar, eu um carioca, se der um cariocafóbo, ou de ter preconceito contra cariocas, pq estou reclamando da porcaria dos cariocas… eu ser ou nao um carioca q joga lixo no chao eh irrelevante…
o cara que escreve e as pessoas q leem e riem do blog sao todas classe media, quer gostem ou nao, quer admitam ou nao, e estao rindo e escarnecendo de si mesmos, quer tenham nocao disso ou nao, e rir de si mesmo eh mt saudavel.
se formos pelo seu caminho, quase todas as piadas do casseta e planeta sao preconceituosas contra brasileiros…
o problema é que preconceito é uma coisa muito seria, que tem consequencias serias e muitas vezes fatais, e confundir isso com a classe media inocuamente rindo de si mesma é um pouco preocupante, pq demonstra que vc não entendeu bem o que é preconceito e como é um problema socioeconomico gravissimo.
o preconceito contra os negros faz com que eles ganhem menos, vivam menos, casem menos, seja mais presos, mais mortos pela policia, etc. isso é preconceito.
esse tal preconceito contra a classe media (q vem dela mesma, alias, a classe dominante!, e, por isso, não é preconceito) não tem impacto algum, é totalmente inocuo e inofensivo.
deixa a classe media rir de si mesmo. enquanto estiverem rindo de si mesmos, não vai sair queimando mendigos por aí…
O Alex foi ótimo em suas colocações.
Além do mais, se ninguém faz auto-critica, pq soa politicamente incorreto fazer QQ tipo de piadinha, o mundo vai ficar ainda mais pasteurizado e chatissimo.
Monty Python, assim como Saturday Night Life já teriam sido processados por preconceito.
Alex Eu discordo de vc. Vamos lá:
1. Por que auto-crítica não precisa ser admitida pra ser auto-crítica? Eu acho que vc precisa ter consciência de que está fazendo uma crítica. Crítica pressupõe consciência. Concordo com vc: se vc é carioca, vc pode perfeitamente dizer que carioca é um povo que emporcalha as ruas, sem precisar jogar papel no chão. Mas quando vc fala isso, sempre vem a ressalva né? “falo isso porque sou carioca”. Vc não fala : “não sou carioca de jeito nenhum, eu nasci no Rio de Janeiro mas não sou carioca, pq carioca joga papel no chão e eu não jogo”. E é isso que estão fazendo. Estão falando: “A classe média faz isso, hahahaha, que idiotas. Eu? Eu não!! Eu não penso assim, portanto não sou classe média”. Não vejo como isso possa ser auto-crítica, por mais que eu pense no assunto.
É verdade verdadeira e concordo com vc – discordo somente quando vc diz que isso é auto-crítica. Eles estão rindo de si mesmos, mas não têm essa consciência – e o que é pior, negam veementemente que pertencem a este grupo.
2. Falando de preconceito: acho que preconceito tem graus. O preconceito contra negros, homossexuais e mulheres tem mesmo consequências gravíssimas. Mas fico pensando no preconceito contra pobres, que a própria classe média tem – e eu acho que é preconceito, porque ela não quer “se misturar” com eles. Não sei se ele tem consequências tão graves assim (talvez na questão de moradia, e consequentemente, no fato dos bairros mais pobres terem menos infra-estrutura, menos segurança, menos escolas). Os preconceitos contra as minorias são mais complicados, e têm consequências mais sérias, é óbvio – mas isso não impede que existam outros, em graus mais leves. Eu acho que o fato de eu dizer que não piso na Vila Olímpia nem morta não muda em nada a vida da Vila Olímpia. Mas isso não me faz menos preconceituosa, e canso de dizer “fulano mora na Vila Olímpia mas é boa pessoa”. Me considero sim preconceituosa. Talvez meu preconceito não seja tão letal, mas ele existe: eu tenho uma ideia pré-concebida do que seja os gostos daquela pessoa, da vida daquela pessoa antes mesmo que ela abra a boca – e acho que isso é preconceito. Talvez o tal preconceito contra a classe média seja inócuo, inofensivo, tudo isso que vc falou: mas não deixa de ser preconceito, e me incomoda ver gente dizendo que não é de forma alguma preconceituosa rindo a bandeiras despregadas de uma classe inteira, só isso.
3. Quanto ao Casseta e Planeta, que deixei por último justamente pra arrematar com o parágrafo acima: faz anos que não assisto, então não posso nem dizer qual é o tipo de humor deles. Mas repare uma coisa: eu não disse em momento algum do meu texto que como é “preconceito, não se deve fazer” – eu somente disse que devemos atentar para o fato de que é preconceito, só isso. Eu detesto o politicamente correto – mas não acredito na existência de uma pessoa total e absolutamente desprovida de preconceitos, ao menos na sociedade em que vivemos.
4. Last but not least : é verdade, enquanto estiverem rindo de si mesmos não vão queimar mendigos por aí,
(mas eles não queimam, lembra, os que riem não fazem parte daquilo…)
Beijos!
Concordo ipsis litteris com o Alex Castro. Às vezes falta leveza de espírito para nos olharmos no espelho. Principalmente nos espelhos de um parque de diversões.
abraços!
Gabi leia minha resposta ao Alex. Eu acho que não tem como have auto-crítica sem que se tenha consciência de que a estamos fazendo. E repito: eu não disse que não se pode fazer; disse apenas que é preconceito e vontade de se separar daquilo, vontade de dizer “eles são assim, eu não”. Eu estou longe de ser politicamente correta, não quero um mundo pasteurizado e chato como vc diz; mas é bom que tenhamos consciência de que todo mundo tem um pouquinhozinho de preconceito, ainda que lá no fundo… e só isso que eu quis dizer
Otimista concordo com vc, e o título do texto foi um pouco contundente demais, pra chamar a atenção mesmo. Não sei se hoje daria esse título, pois como o Alex falou, o preconceito contra os negros está longe de ser inócuo. Mas é errando que se acerta na próxima né?
Beijos!
Zander Não sei se vc chegou a ler minha resposta ao Alex, seu comentário chegou eu tinha acabado de postá-la. E concordo com vc: só não acho que as pessoas saibam que estão olhando pra um espelho, meu ponto é esse
Beijos!
Ótima crítica. Sabe o que me parece? Que “classe média” é um modo de pensar, não a quantia de bens que se tem. Há pobres e ricos que agem como “classe média”. A crítica não me parece voltada a um segmento da sociedade, mas à “insconsciência” geral reinante… E para isso também há de se observar que não há solução e todos estamos no mesmo barco. é impossível viver “consciente” e criticamente o tempo todo. Tem uma hora que precisamos ligar o piloto automático, pegar receitas prontas, agir como os outros, senão a existência se nos torna por demais pesada e neurótica…
Por outro lado, o que tá faltando mesmo é viver e deixar viver! Só isso… Uns e outros não conseguem viver e por consequência não lhes soa bem que se deva deixar viver…
Ronaud Mas se é um modo de pensar – e eu concordo com vc que seja, então não se chame de “classe média”
Tweets that mention A classe média é o novo preto? | From Lady Rasta -- Topsy.com // nov 13, 2009 at 1:59 PM
[...] This post was mentioned on Twitter by Flavia Penido and Clarice Saadi, nagma swan. nagma swan said: xokei com a revolta da moça aki neste blog com a classe média: http://is.gd/4UilC [...]
Realmente, o negócio é não se levar a sério. Grande verdade.
heheh, com todo respeito mas nada mais “classe média” do que esse seu post!
Quanto à autocrítica.. como saber se o autor do Classe Media Way of Life tem consciência de que faz auto-crítica ou não?
E, assim, não é novidade revelar que há preconceitos pq todo mundo tem preconceitos http://www.brausen.com.br/2009/10/da-importancia-do-preconceito.html
E, pra falar a verdade, até agora não entendi bem seu propósito.. vc é contra o quê exatamente?
Carol eu poderia igualmente dizer que nada mais lugar comum e cliché do que chamar meu post de “classe média”
Quanto à autocrítica do autor, eu não tenho como saber – falo na verdade daqueles que incensam o blog; não vejo autocrítica ali, até porque todos fazem questão de dizer “eu não, eu não sou assim”.
Finalmente, respondendo à sua pergunta, eu sou contra aqueles que morrem de rir com o blog dizerem que não são preconceituosos, só isso. Acho que a partir do momento em que existe uma ideia pré-concebida negativa em relação a qualquer coisa ou pessoa, o preconceito se estabelece. Obviamente, há graus, há consequências maiores ou inócuas, mas o preconceito não deixa de estar lá. Só isso. De resto, acho válido rir do que se acha graça
JCCyC é eu sei. mas sou uma chata desprovida de humor, fazer o que…
Beijos!
o cara q eh brasileiro e faz um texto criticando o brasil ESTÁ fazendo auto-critica, quer ele se veja ou não inserido na critica.
O que é crítica e o que é preconceito? Quando se fala sério é crítica e quando se debocha é preconceito? Digressões.
Lembrei desse poema do Mario de Andrade.
Ode ao Burguês
Eu insulto o burgês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
“_ Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
_ Um colar… _ Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!”
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!…
Alex decide senão eu fico perdida: no comentário de cima vc disse que auto-crítica existe ainda que a pessoa não saiba que esteja fazendo auto-crítica e se exclua do que está criticando; agora vale porque o cara é brasileiro? E me desculpe, mas o cara não está criticando O Brasil, está criticando uma determinada parcela da sociedade – da qual ele (e todos que dão risada) se excluem.
Teresa ainda prefiro a expressão burguês do que a expressão “classe média” – é mais genuíno e mais fácil de determinar de quem se está falando. Boa lembrança, thanks!
Beijos a todos
Eu também concordo completamente com o Alex, inclusive já ri muito de coisas que leio no blog, ou porque me identifiquei, ou porque identifiquei uma época da minha vida, ou pessoas a minha volta e como sou negra e classe média, e vez ou outra passo pelo blog citado, tem uma grande diferença em auto-crítica e preconceito… mas essa é apenas a minha visão.
Eu morro de rir do blog da classe média. E eu sou mega preconceituosa com a classe média. Muito.
Acho que toda patizinha de cabelo chapinha é fútil, rasa e burrinha. E me acho mais inteligente que elas.
Cada um tem seu preconceito. Eu não tenho nada contra preto, gay, velho, gordo, pobre, seja lá o que for. Mas tenho contra classe média.
Eu sou classe média e adoro o Classe Média Way of Life, mesmo quando ironiza alguns hábitos meus. Gosto porque critica hábitos culturais que realmente não fazem sentido e a ironia expõe isso melhor do que qualquer outro argumento.
Os posts sobre “morar em apartamento”, por exemplo, fazem mais do que somente ironizar. No meio daquela ironia toda, dá pra pescar argumentos sobre toda a paranóia (justificada ou não) sobre a violência na cidade e as pseudo-soluções a esta situação.
Eu sempre achei que a ironia é uma das melhores maneiras de se fazer um crítica (seja auto ou não).
Gabriel Mas vc diz que é classe média – ao contrário das pessoas que mencionei no post. E não vejo nada de mais em gostar do blog. Eu não vejo graça, mas eu sou mais chata mesmo
Gabi Eu também!! Tanto que meu mote é ” I don’t do Vila Olímpia” Mas a gente assume né? Não sai por aí batendo no peito dizendo “eu não tenho preconceito”, “odeio preconceito”. That’s my point. E sim, vc é mais inteligente que elas,
Veri o que eu disse pro Alex é que sem se reconhecer classe média não há como haver auto-crítica – ele defende que podemos nos auto-criticar sem saber que o estamos fazendo. Pra mim, a partir do momento em que vc diz “eu NÃO faço parte disso mas odeio essa gente”, é preconceito. Mais leve que o preconceito contra negros e homossexuais? Evidentemente. Inócuo? Certamente. Mas nem por isso o preconceito deixa de existir. Bom te ver aqui querida…
Beijos a todos
Falar mal da classe média é coisa de esquerdistazhinho rebelde sem causa. A classe média nada mais é um grupo de gente que vive se sustentando com o seu trabalho. Quer coisa mais digna do que isso? Eles não nasceram em berço de ouro, por isso não da classe rica, e possuem recursos próprios o suficiente p/ pagarem impostos que sustentam o país e os mais pobres (inclusive proporcionalmente pagam mais do que os ricos e claro, que os pobres por razões óbvias)
Os comunistinhas adoram malhar a classe média porque o socialismo é contra a meritocracia, mas se esquecem que quanto mais pessoas na classe média um país tiver, melhor estará a sua situação econômica e as suas perspectivas de futuro. Outra coisa, a classe média não precisa da ajuda governamental (outro fetiche dos comunistas) e nem quer precisar. Com isso os esquerdistas acham que perdem votos e precisam eleger um inimigo para bode espiatório que leve a culpa dos males da nossa sociedade (além da “classe média”, a mídia, os “estadunidenses”, os capitalistas, etc). Finalizando, esses desocupados que consomem che guevara como se fosse coca cola pertencem a qual camada? Classe média. Os que fazem faculdade se ocupam de sociologia, história, filosofia…. e passam os anos de faculdade em bares em vez de estagiarem. E ainda reclamam daqueles que trabalham! Vai entender…..
Classe média é uma condição financeira mais do que qualquer tipo de grupo social. Inclusive por causa da enorme variedade de pessoas que se enquadram nesse padrão de vida. Eu sou da classe média por causa da minha renda. Mas tenho muitos hábitos que seriam considerados “de pobre” assim como outros que seriam considerados “de rico”. Isso faz de mim o que? Aclássico? Classe média-média? Classe média-baixa? Média-alta? Médi-média mediana?
Essa necessidade de classificar e dividir as pessoas só mostra como preconceito é algo natural do ser humando. O que não se pode é deixar esse sentimento instintivo e primitivo tomar conta da razão. E tb não adianta afirmar p/ si mesmo que não tem preconceito, isso é auto engano. O certo é controlar esse preconceito.
Noossaa, fiquei tonta! Não conhecia o blog mencionado no post, dei uma olhada depois de ler esse post da Lady e achei até espirituoso. Mas acredito que ele corre o risco de atirar no próprio pé pq vai tornar-se exagero o tema mt recorrente e aí vai ficar meio clichê. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi essa discussão nos comentários acima. Ficou parecendo discussão sobre futebol ou religião, roda, roda e não sai do lugar. Heheheh
No final, tudo é esteriótipo. O que é mais importante para explicar e entender o blog, e o ser do blog comentado são as palavras “The … Way of Life” e o subtítulo : “O guia de como agir para se comportar como a classe média brasileira.” Não se importa se de fato isto possa ser rotulado de classe média, ou de “classe média paulistana” “classe média yankee” ou “nova classe rica de nairobi”, etc… mas perceber que as pessoas estão cada vez mais formando um esteriótipo, ao se pausterizar a partir de “ideias”/preconceitos/máximas/valores que se escondem por trás dos atos relatados.
Parabéns pela contribuição, afinal o pior preconceituoso é aquele que nem imagina-se preconceituoso, por premissa falsa… e a classe media é mestra em premissas falsas. Vale uma bossa, uma valsa, uma pichação, uma ópera e até um livro. Não sei por que não um blog!
Blog não tem cor | Casa da Gabi // nov 19, 2009 at 5:44 PM
[...] ainda o fazem em voz alta. Mas o preconceito está ali, latente, o tempo todo. Eu, por exemplo, tenho preconceito contra patricinha-classe-média-cabelo-chapinha. Acho que todas são burras e fúteis. Desculpem-me as que não o sejam: é só preconceito [...]
Cara Lady Rasta,
Passei dois dias revirando o conteúdo do CMWoL. Sinceramente não achei argumentos para concordar com a sua postagem. Não vi em momento algum o autor sugerir que não faz parte do comportamento que ele critica e, na boa, ele não saberia descrever tão bem se pelo menos em alguma época da vida ele não tivesse participado daquilo.
A afirmação de que “a classe média é o novo preto”, pra mim tem o mesmo valor que um branco reclamar que negro é que é racista. Às vezes falta leveza de espírito e bom senso para sabermos digerir uma crítica, e no seu texto eu vejo uma tentativa meio desesperada de justificar isso de outra forma.
Sinto muito, mas não concordo com você, e nem com nenhum dos argumentos que expôs aqui na caixa de comentários.
Marcelão em primeiro lugar, vc pode perfeitamente discordar, blog é pra discordar mesmo, não quero ninguém concordando incondicionalmente com tudo o que eu falo não!!
Em 2o, eu não falei do autor do blog: falei sim, de todos os politicamente corretos da minha timeline que dizem não fazer parte da classe média (apesar de fazerem) e que falam mal dela posando de politicamente corretos… Na verdade, meu ponto é: todo mundo tem preconceito contra alguma coisa.
Quanto ao título, eu já disse que não sei se hoje daria esse título…
É tão legal criticar a classe média usando computador, internet banda larga, celular. Enfim, essas coisas de gente pobre. Não é verdade
O discreto charme da burguesia « Por quem os sinos dobram-blog de Fabio M // nov 28, 2009 at 9:03 AM
[...] outrora e passa a ser furibunda e aberta, como o blog Socialismo e Classe Média ou o post “A classe média é o novo preto” do blog da Lady Rasta. Claro, claro… enquanto os negros foram sequestrados, [...]
mvkampen (mvkampen) // dez 18, 2009 at 2:07 PM
@bozobozoca Sobre esse blog, leia isso: http://ladyrasta.com.br/2009/11/12/a-classe-media-e-o-novo-preto/
Tava lendo o blog agora… não achei preconceituoso não. Achei que é uma crítica ao modo de vida que a grande maioria das pessoas hoje em dia leva (não acho que ele esteja se excluindo desse meio, assim como eu não estou) que é uma coisa que precisa REALMENTE mudar.
E achei forte o termo “a classe média é o novo preto”, pq isso é uma coisa impossível de acontecer, já que a classe média nunca será minoria…
Cecilia se vc ler os comentários vai ver que eu me arrependi de ter dado esse título mas optei por mantê-lo- não tenho a pretensão de ser perfeita
. Eu leio e não consigo ver auto-crítica ali…
E não concordo com essa história de que só minorias são discriminadas: pobres não são minoria, apenas não têm voz ativa na nossa sociedade (infelizmente); idem para os negros.
Eu acho que quem escreve se exclui sim, mas é a minha percepção – vc tem a sua
O sr Alex ficou tão empolgado em defender o seu ponto de vista, que largou um “inócuo e inofensivo”… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… E redundância, é sintoma de gente da classe média?
LadyRasta, os pobres-pobres só têm uma leve percepção do que se passa na sala-de-jantar da classe mérdia; os ricos-muit0-ricos nem isso, estão bem ocupados, se divertindo por aí, enquanto nós estamos aqui, discutindo sobre o nada. Se o fulaninho e sua corja leem e gargalham deste ou daquele blog, que aponte tal ou tal sintoma de uma determinada classe social, apenas está manifestando escrachadamente o seu reconhecimento – o efeito reflexo – e ri com um misto de bom-humor e vergonha das próprias babaquices. É como um trocadilho em idioma estrangeiro: só faz sentido para os nativos…