
<abre parênteses>: se vc perdeu o longa metragem que deu origem à série, dê uma olhada no “o que andei lendo – julho de 2008” (e também o texto falando sobre a mudança de formato) para captar a mensagem e entender o porquê dessa lista…</fecha parênteses>
É algo que todo mundo fala: aproveitaríamos muito mais a faculdade (no que tange ao conteúdo bien compris – porque as festas… ah as festas da faculdade…) se fôssemos mais maduros; é mais ou menos como falar aquele velho cliché (do qual discordo veementemente, diga-se de passagem) “queria ter a experiência de hoje e 20 anos de idade”.
Pois David Denby, crítico de cinema conhecido da New Yorker, resolveu fazer isso: aos 48 anos, de saco cheio do mundo, resolveu, fazer de novo os Cursos de Letras Clássicas e Civilização Contemporânea na Universidade de Colúmbia, que havia cursado em 1961.
A ideia do autor de escrever o livro surgiu quando no início da década de 90 começou o questionamento quanto à necessidade ou verdadeira importância de algumas obras insertas no Cânone Ocidental – vale dizer, quando a onda do politicamente correto passou a exigir que no cânone constassem à força livros cujos autores fossem negros ou mulheres, não porque seus livros fossem dignos de integrar o cânone, mas porque a sua ausência no dito cujo seria preconceito e faria com que os alunos não se identificassem com as obras.
E o resultado é delicioso. Delicioso em primeiro lugar porque o curso que ele escolheu é delicioso: Homero, Safo, Platão, Sófocles, Aristóteles, Eurípedes, o Novo e o Antigo Testamento, Hobbes, Locke, Shakespeare, todos os fodões do bairro Peixoto do pensamento ocidental estão lá, vistos de uma maneira superficial é verdade, mas muito prazerosa. Delicioso em segundo lugar porque com um bom espírito crítico ele consegue avaliar as mudanças do sistema de ensino e dos próprios alunos ao longo das décadas. Também avalia, evidentemente, o quanto ele mudou ao longo desse período (não sei quanto a vocês, mas eu acho esse tipo de auto-conhecimento fantástico), o que era importante e deixou de ser etc, e o que tinha escapado à primeira vez que fizera o curso e que agora chamava a atenção. Tive inveja dele, confesso.
É um desses livros de que depois de ano vc ainda lembra grandes trechos sabe? Eu pelo menos, esqueço muita coisa, o que não aconteceu com esse livro, lido há anos e no entanto, muita coisa perdurou.
Uma resenha bacana em inglês vocês encontram aqui; há também uma preview no Google aqui, e vcs ambém pode conferir uma entrevista com o autor sobre o livro aqui
cotação Lady Rasta:
E o teste das orelhas:
















Sugestão anotada. Fica a curiosidade em relação às orelhas… Acho que é conteúdo suficiente para um livro sobre o livro.. eheheh