“Mã, o legal de andar de ônibus nas viagens é que nos ônibus as coisas acontecem; táxi só nos leva de um lugar pro outro”.
Meu filho disse isso há um ano atrás quando por falta de táxis após uma festa no Farol da Barra, pegamos um ônibus até Itapoan e nessa volta ao hotel ele viu dentre outras coisas, dois hippies entrando com aqueles painéis de brincos e bugigangas (tá bom vai, artesanato), um entregador de pizza (!) e mais uns moleques falando besteira.
Lembrei dele hoje quando, tendo optado por fazer o trecho Arraial D’Ajuda – Santo André de ônibus, tirei essa foto aqui:

Pode ser que eu seja apenas uma maluca que vê graça nessas pequenas coisas; mas como diz o Ricardo Freire em algum lugar do blog dele, a verdadeira viagem acontece entre um lerê e outro (em linguagem VNV, “lerê” são aqueles programas que, a priori, dizem que você tem que fazer: ir à Torre Eiffel, ao Pelourinho, ao Cristo Redentor etc); pensando nisso (e vá lá, também porque não estava a fim de gastar R$200,00 no trajeto), resolvi fazer a minha ida de Arraial a Santo André no modo semi-roots.
Semi-roots porque nos trechos em que o trabalho de carregar minha mala não compensava o dinheiro economizado, eu fui de táxi. O trajeto todo incluía: transporte até a balsa entre Arraial d’Ajuda e Porto Seguro, travessia da balsa, transporte até Santa Cruz Cabrália (25 km), travessia da balsa entre Cabrália e Santo André, e transporte da balsa até a minha pousada.
Por isso, de táxi da pousada até a balsa; minha pousada ficava longe e não tava a fim de subir morro carregando mala – paguei R$20,00.

A balsa é super bacaninha, limpa e é de graça na volta (ou ao menos ninguém me cobrou nada).

Saindo de lá, andei algumas quadras (umas 6 aproximadamente) até o ponto de ônibus; com mala de rodinha, foi tranqüilo.

Cheguei ao ponto e esperei uns minutos (uns 15, 20 minutos, aproximadamente).

O ônibus custou R$3,00 pila (intermunicipal), e estava em ordem. A ida pra Cabrália é agradável, de uma vez que você vai vendo o mar. Eu estava preocupadíssima em saber como eu faria pra passar com minha mala pela catraca, mas me informaram que eu passava e depois as pessoas me dariam a mala pela porta da frente. ?
Desci no ponto que me indicaram, andei algumas quadras (não saberia precisar quantas, mas foram menos de 10 minutos de caminhada) e. saí correndo porque a balsa estava saindo. Paguei voando (R$0,80) e lá fui eu atravessar o rio…

<abre parênteses> ao ver mais um mangue na traveessia cheguei a uma conclusão que comunico a vocês: não me sugiram “passeios lindíssimos pelo mangue”; vocês me desculpem, eu sei que é um ecossistema bonito, frágil, bla bla bla, mas de minha parte cansei de ver raízes de árvores retorcidas, água e siris. Mangue é um lerê devidamente “ticado” da minha lista, ok? </fecha parênteses>
A travessia durou uns 15 minutos, acho.
Quando eu desci da balsa (feliz, pois ainda não tinha dado 2 horas de viagem, e o custo benefício até então estava fantástico), começou o capítulo “tava tudo muito bom pra ser verdade”.
Well, não tinha táxi. Como a independente aqui não tinha avisado como e quando chegava, não havia nenhum carro disponível no meu destino. Pra completar, enquanto eu ligava pra pousada, saiu o ônibus que ia naquela direção (depois descobri que isso foi a melhor coisa que me aconteceu).
O próximo ônibus? Só dali à uma hora.
Fiquei puta. Aquilo ia acabar com o meu tempo de translado (tá, eu sei, não tinha “tempo”; mas eu queria chegar no mínimo tempo possível… uma competiçãozinha contra o relógio não mata ninguém afinal de contas, certo?).
Fiquei lá no ponto de ônibus inconsolável, pensando no que ia fazer; como eu sou uma moça de sorte, uns rapazes, funcionários de um hotel grande que tem em Sto. André (daqueles que destoam da paisagem local e eu acho uó), os quais estavam esperando transporte do hotel, se dispuseram a me ajudar.
Na espera, um deles (Anderson, meu anjo da guarda) me apresentou a um doce de cacau “psicologicamente light” delicioso feito ali numa salinha do “complexo rodoviário” (vulgo, um cobertinho com a salinha).

O “psicologicamente delicioso”, segundo o dono, é o seguinte: a senhora mentaliza que não vai engordar antes de comer, e não engorda ? (vou tentar fazer isso com todas as outras comidas, o que vcs acham?).
Como não havia carro, ônibus, riquixás ou pó de pirlimpimpim disponíveis, fui na própria van que levaria os funcionários do hotel numa espécie de “carona paga”– o motorista me cobrou R$15, 00, e ainda pediu desculpas por não poder carregar minha mala até a recepção.
O tempo total? 2h e 40. Se eu não tivesse marcado quando cheguei em Sto. André, teria dado umas 2 h e 10. O mesmo trajeto de carro deve dar uma 1h e pouquinho aproximadamente (o tempo de balsa é o mesmo pra todos).
Vocês podem imaginar minha sensação de felicidade quando cheguei aqui?

Moral da história: se eu não tivesse vindo no esquema seemi-roots, não teria visto o índio todo paramentado dentro do ônibus, não teria conhecido o doce de cacau “psicologicamente light” e sobretudo não teria visto como o mundo ainda está cheio de pessoas solícitas. Como diz meu filho, “coisas acontecem quando andamos de ônbus”. De minha parte devo dizer que de vez em quando, vale a pena abdicar do conforto pra entrar em contato com esse tipo de sensação…
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Volta
Well folks, descobri o truque: taxi fica caro se vc atravessa as balsas com ele; o trajeto Cabrália-Porto Seguro custa entre R$ 40,00 e R$ 50,00 se você atravessar as balsas como pedestre. O motorista que me levou foi o Osmar (fone 73 -99910846) – e ele disse que faz o trajeto a qualquer hora, é só ligar e combinar.















Hum, vc não comentou muito sobre a praia em si, mas presumo que tenha gostado tanto quanto meus amigos. Eles ficaram nesse hotel uó que vc citou, mas parece que ele não é tão mau, prá quem gosta de resorts, claro (me inclua fora dessa).
Já tive essas experiências de ajudas inesperadas: uma vez me meti a fazer um passeio a pé em Boipeba, de Barra Velha a Bainema. Mas o tonto não levou em consideração a danada da maré. Resultado: fiquei “ilhado”…rsrs…recebi ajuda dos donos de um restaurante em Moreré, um deles até carregou minha mochila ao atravessar um braço de mar.
Adorei sua foto do índio!
Marcelo nos próximos posts eu vou falar da praia e dos restaurantes, aguarde! estou meio atrasada com os comentários, mas terminei o Gonçalo Cadilhe e vou comentar (e tem pra vender na Cultura, pronta entrega). E super coincidência: estou em Boipeba agora!!Mas que travessia de Barra Velha a Bainema é essa? Eu fui a Bainema ano passado, quando dormi uma noite em Moreré; a única travessia que conheço que implica nas marés é a da Cueira pra Moreré…
Olá, Lady Rasta! Gostei muito deste post, ainda mais que sou “insider” pois moro em Santo André da Bahia há 3 anos e mantenho um blog sobre o local (www.redefurada.blogspot.com)
Tomei a liberdade de retirar um excerto do seu relato e colocar no Rede, dando o crédito e o endereço, bien sur.
Felicidades, espero ler mais coisas sobre nossa Vila, aqui no seu blog.
Flavia, aconteceu assim: quando cheguei ao extremo da praia de Bainema, resolvi voltar. Mas a maré começou a subir ali mesmo, engolindo quase toda a areia da praia em um dos trechos. Fui andando rapidinho até chegar a um trecho de areia mais largo. E quando cheguei a Moreré, me disseram lá no restaurante que eu não poderia passar a Cueiras, precisaria esperar.
E quando finalmente passei, a maré não tinha vazado de todo, então aquele trechinho de água entre Moreré e Cueiras virou um verdadeiro braço de mar, com água até o queixo!rsrs
Mas um rapaz do restaurante me ajudou a atravessar e fez questão de carregar minha mochila através da água, levando-a no alto da cabeça. De Barra Velha a Bainema é uma pernada e tanto, mas é gostoso! (quando a maré não te pega de calça curta).
Nossa, que inveja estou de vc!! Adorei Boipeba!!!
Olímpia que coincidência, eu entrei no seu blog esses dias justamente pra fazer o próximo post…aguarde!! Vai rolar mais um post sim!!
beijos e apareça sempre!!
Marcelo ah, foi na passagem de Moréré pra Cuieiras, agora entendi… Já aconteceu isso comigo – ano passado-, e também me ajudaram – mas eu sou mulher, né? Estou acostumada a ser ajudada
Eu tenho voltado todo ano aqui – e esse ano eles capricharam sabia? tem flores plantadas nos canteiros, gramaram o pier e até podaram as árvores, está tudo muito arrumadinho…
E ainda encontrou o Raoni. O Sting estava mais à frente, aí não saiu na foto.
Eu sei que para as pessoas que vivem ali ir em balsa é cansativo e pesado, porque para ir a escola o trabalho tem que ir em balsa muitas vezes ao dia. Mais para as pessoas que estamos de férias ir em balsa é uma aventura. É uma diversão, algo exótico!
A natureza em Brasil é tão forte, salvagem e imprevisível que deve ser dificultoso fazer boas estradas. Ademais seguro que há problemas com a flora, fauna e meio ambiental.
Adorei as fotos, tão lindas das balsas e do rio azul, azul!!!
Estive em Santo André no começo do ano e concordo com vc: o lugar é uma delícia e a gente não entende como ainda está tão preservado (que bom!). Provei o “psicologicamente light” na fila da balsa e adorei (provei não, me empanturrei). Tenho até foto da plaquinha. Quero voltar!