
<abre parênteses>: se vc perdeu o longa metragem que deu origem à série, dê uma olhada no “o que andei lendo – julho de 2008” (e também o texto falando sobre a mudança de formato) para captar a mensagem e entender o porquê dessa lista…</fecha parênteses>
Alguns livros nos encantam profundamente. Este é um deles. Demorei para comprá-lo, apesar do @riqfreire ter elogiado o dito cujo já ha algum tempo. Mas pensando bem, talvez a hora certa fosse exatamente nesta viagem…
O livro é um apanhado das colunas do autor pra um jornal português onde ele conta sua volta ao mundo, feita apenas com transportes não aéreos; no entanto, eu diria que é antes um livro de reflexões sobre a vida e o ser humano do que um mero relato de viagem, reflexões essas decorrentes de um senso de observação do ser humano bastante apurado.
É o tipo do livro que continua conosco mesmo quando já o fechamos, pois algumas ideias ficam dançando na cabeça da gente nos fazendo pensar.
Um exemplo? A afirmação de que viagens são “catalisadores do destino”, porque precipitam acontecimentos ou permitem encontros que talvez nunca ocorressem (e eu acrescentaria que aceleram o estreitamento ou o fim de relações, nos casos de viagens não solitárias).
Ou então quando ele desmistifica um pouco o mito de que o americano se desprende fácil de seu local de origem (baseado nas pesquisas sobre a média de mudança dos americanos durante a vida), pois na verdade suas casas apesar da pouca durabilidade, são estáveis à medida que são replicadas exaustivamente pelo país.
Posso também mencionar o trecho destacado pelo Riq abordando o “turismo alternativo de massa” da Ásia, quando Cadilhe chega à conclusão de que a aventura mais difícil e desafiadora é ter uma relação estável e conseguir pagar suas contas com os frutos de um trabalho que dê prazer.
E tem também as peculiaridades de alguns locais que frequentam os jornais não nos cadernos de turismo, e sim nos de política internacional: quando Cadilhe pergunta a seu guia em Peshawar se havia alguma coisa turística pra fazer, disseram que o mais legal era fazer “uma visita a uma oficina artesanal de metralhadoras”, com “direito a tiros com Kalashnikovs “.
Mas também tenho que confessar que o livro me deixou pessoalmente frustrada: adoro viajar, adoro ir para lugares diferentes, adoro ver como pessoas com modus vivendi diferente do meu vivem; no entanto, sei que não tenho coragem (ou estofo, ou idade, ou tudo isso junto) para fazer algo remotamente parecido com o que Cadilhe fez. E dá uma pontinha de inveja sabe? Inveja da coragem e da disposição que eu não tenho
Mas em suma? O livro é inteligente, leve e delicioso. Estou encantada – e vou procurar mais livros do autor pra comprar.
Olhem só como o meu exemplar ficou:

cotação Lady Rasta:
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P.S. Mais Gonçalo Cadilhe você encontra aqui e ali
















Lady Rasta,
Escrevo-lhe de Portugal. Acompanho-a no twitter e neste seu blog.
Devo-lhe dizer que para além da sua estimulante escrita – perpassada por um humor muito peculiar – admiro a sua capacidade de dizer o pensa sempre com invulgar pertinência.
Sobre o Gonçalo Cadilhe, já li e reli parte da sua curta obra e concordo consigo. Mais do que as peripécias de viajante, apresenta-nos as contradições (boas e más) deste mundo e as diferentes idiossincrasias das pessoas com quem contacta, não fazendo disso, no entanto, um estereótipo.
Assim de memória, julgo serem estes os restantes títulos publicados: 1 Km de Cada Vez; Tournée; Nos Passos de Magalhães; No Princípio Estava o Mar; África Acima; A Lua Pode Esperar. Salvo erro todos editados pela Oficina do Livro.
Bem-haja por partilhar connosco a sua sensibilidade
Cumprimentos
Miguel Santos
@migueldouro
Flavia, que coincidência, no momento que leio esse post o meu exemplar acaba de chegar do correio!!
Segui sua dica da livraria cultura e agora ele está aqui, como uma preciosidade há muito acalentada e finalmente diante de mim. A capa do meu é diferente, sabia? Vem com um senhor agachado, limpando um peixe e o Gonçalo ao lado dele, também agachado, num sorriso que logo denuncia que é gente boa.
Agora estou num dilema: leio agora ou na minha viagem de férias? Vou prá Aldeia Beijupirá, na Rota Ecológica, depois do carnaval e me parece o livro perfeito prá se ler num lugar assim.
Mas não sei se vou conseguir me segurar…rsrs
Beijão e muito grato, viu?
Ah, eu quero ler!!!
Miguel Nossa, fiquei super lisonjeada com os elogios! É muito bom ler isso, ainda mais vindo de Portugal! Vc sabe que tenho um carinho especial pelo que eu chamo de “Twitters d’além mar” – uma das coisas bacanas que o twitter trouxe foi esse estreitamento de laços entre Brasil e Portugal. Obrigada mesmo!!
Quanto ao Cadilhe, realmente me encantei com ele. Qual desses livros vc me recomenda para ler na sequência? Assim que voltar a S. Paulo – estou de férias na Bahia – pretendo encomendar mais um e adoraria uma sugestão
Marcelo Prado Nossa que delícia ir pra Rota Ecológica! Já conhece lá? Eu passei um reveillon na Amendoeira e adorei!! Olha, é uma delícia de livro pra se ler na rede, mas como vc mesmo disse, vai demorar um tantinho né? Eu, apesar de super ansiosa normalmente me seguro quando decido que determinados livros são específicos para as férias, mas não sei como você é…
Quanto à capa do livro, eu sei que foto é essa: está na contra-capa do meu
Enjoy!! E depois não esqueça de vir me contar o que vc achou!!!
Beijos a todos
Lucia tenho certeza que você vai adorar!! Pode ir comprando!!!
Eu sou suspeito porque África está no meu ADN. Por acasos da vida foi o meu berço – em Moçambique - e embora não tenha tido tempo de criar memórias, ficou-me sempre um âmago interior muito forte sobre esse continente. Por diversas vezes, não tantas quanto gostaria, já tive a oportunidade de comprovar o quão especial é aquela terra e as suas gentes. Assim, aconselharia o “África acima”. Da Cidade do Cabo a Lisboa, reflexão cadilhiana, cheiro a terra molhada, sorrisos orgulhosos no meio da mais funda indigência. Espero que goste.
Continuação de boas férias nessa terra tão especial onde se encontra.
Flávia, tenho curiosidade de ler esse livro desde que o Riq mencionou. Agora, com você reforçando a opinião, vou procurar. Curiosidade: a Martha Medeiros falou sobre ele um dia desses, mas ela não gostou. Enfim, gosto é gosto (e, no caso de livros, pode ser a hora errada também).
Ah, este link não está funcionando: http://ladyrasta.com.br/2009/02/13/o-que-andei-lendo-o-olho-da-rua/
ADORO livro de viagens!!!! Acho que por gostar tanto delas e não poder fazê-las tanto quanto gostaria… Faz um post só de livro de viagem!
Vc já leu “Viagem à Italia” de Goethe?
muito legal… Observação sobre arte, natureza, costumes, pessoas… essa viagem ( na verdade foram duas bem longas) mudou a vida dele.
Hum…gostei dessa sua sinopse sobre o livro. Quero ler…
Vc já leu o The Best American Travel Writing 2009? Eu estou lendo e posso te emprestar depois…curte trocar livros?
Ah, adicionada no BrasiLéo – http://brasileo.wordpress.com
Miguel Santos dica anotada!! E se vc gosta da África, já leu o “Safari da Estrela Negra” do Theroux? Eu tenho um post sobre ele, livro delicioso também!!
Wanessa olha, eu amei o livro. Do que ela não gostou? E como vc disse, gosto é gosto: eu mesma não curto a Marta Medeiros, acho ela meio clichezona Marie Claire – mas é só a minha opinião…
ChrisL li há muitos anos atrás, mas de forma meio “chutada”, sem prestar muita atenção sabe? Preciso reler…
Leo Luz pra ser sincera, sou ciumenta como uma sarracena com meus livros prediletos… E esse é um livro que vc vai querer ter, acredite…
Beijos a todos!
Nem me lembro mais o que ela falou especificamente sobre o livro, Flávia, só registrei na memória que não gostou. Eu também não sou tão fã dos livros da Martha, mas gosto muito do blog dela, por estranho que pareça…
Wanessa sabe que por uma coincidência me mandaram um texto do blog dela essa semana sobre as pessoas sensatas que eu amei? Até retuitei!