A @syferrari na última hora decidiu me fazer companhia no Reveillon; só que ela chegou na madrugada do dia 30 pro dia 31 e voltou na madrugada do dia 02 pra 3. Praticamente 72 h na cidade. Não vou dizer que ela conhece a cidade como a palma da mão dela, mas acho que ela saiu de lá com um boa noção dela, sem muita correria, e acho que o nosso roteiro é um excelente guideline para a estréia de alguém em Salvador.
Querem ver?
1º dia
Acordamos dia 31, e queríamos ir para algum bar na noite, então fomos até a Barra pela orla para comprar convites – e ela já ficou conhecendo esse pedaço. De lá fomos pra praia, e como íamos “por dentro”, ela já conheceu o Dique do Tororó (sim, o da música) com as imagens dos orixás, que eu julgo um “lerê” bacana da cidade, e que não precisa mais do que uma olhada do carro.

Os orixás são presença constante em Salvador
Fomos pra praia de Aleluia (passando Itapoã, onde ficam as praias e barracas bacanas da cidade). A barraca do Loro estava entupida, idem a Margarita (até porque a ideia é essa, tendo em vista serem pontos de paquera) e acabamos indo parar numa barraca menos badalada, passando o Baionês, mas com sossego na praia, e mais espaço. Recomendo.

Voltamos e comemos o acarajé de uma das 3 baianas mais famosas da cidade, o de Cira – as outras duas, também com barraca no Rio Vermelho, são Dinha e Regina.
Descansamos e a noite fomos ver os fogos no Farol da Barra, que estavam maravilhosos, realmente impressionantes – mais do que os da Av. Paulista, que já tive oportunidade de ver. Com as pessoas de branco na praia me senti meio numa mini-copacabaninha sabem?
<abre parênteses> quem vai a Salvador sem ter um Reveillon no meio pode muito bem ir jantar num dos restaurantes bacanas da Marina – eu não recomendo comida régiónal porque acho pesado comer isso a noite – recomendo o Soho Marina, pelo visual. Vc também pode passear pelos bares do Rio Vermelho </fecha parênteses>
2º dia:
No dia seguinte, era uma 6ª feira, dia de ir ao Bonfim. Como ainda por cima era 1º de ano, lá fomos nós pra missa das 6 da manhã – os detalhes (e os motivos de se ir ao Bonfim às 6as feiras) vocês podem conferir aqui.

Do Bonfim nós fizemos uma vírgula para a ponta de Itapagipe, onde tem o Monte Serrat, que tem uma vista linda. Voltando, dá pra passar no Mercado Modelo, que é no caminho de volta de qualquer hotel.Já compre os berimbaus e lembrancinhas que precisar (eu prefiro o andar de cima) – mas não perca mais do que uma hora lá, afinal, você tem uma cidade a sua espera…

aproveite e compre todos os berimbaus que precisar
Ah, já ia esquecendo: na volta, caso esteja de taxi, peça para o motorista ir pela orla para vc ter uma ideia da cidade e ter uma noção espacial dela. Voltando da Cidade Baixa dá pra passar no Campo Grande, no Corredor da Vitória, na Ladeira da Barra, no Porto da Barra, no Farol da Barra.
Como era dia 1º de janeiro e íamos ver Daniela Mercury no Farol da Barra a noite, voltamos pro hotel, depois de passar pela casa de Yemanjá que fica também no Rio Vermelho; mas quem não tem compromissos pode muito bem escolher entre passear no Forte São Marcelo ou subir pro Pelourinho pelo Elevador Lacerda. Eu gosto de fazer as coisas mais lentas, então iria pro Forte São Marcelo, combinado com o Mercado Modelo e dava o dia de visitas por bom.
Se não der praia, você não quiser piscina e ainda estiver animado, vá almoçar no Paraíso Tropical que já aviso: é longe, não é fácil de chegar, mas vale a pena, acredite. Duvida? Confira aqui.
Sua noite vai depender do dia da semana específico: se for uma 3ª feira, vá ao Pelourinho lá pelas 6, pegue a missa na Igreja do Rosário dos Pretos – vale a pena pelo sincretismo religioso; na seqüência, veja o Olodum se apresentar (confira a programação do Pelourinho aqui).
Às 6as feiras (ao menos nesse verão 2010) no Centro Cultural Barroquinha (na Praça Castro Alves), uma igreja em ruínas restaurada transformada em Centro Culural onde Mariene de Castro comanda o projeto Santo de Casa (uma explicação detalhada você encontra aqui, e o @riqfreire contou nossa ida pra lá nesse post, que tem fotos lindas). Definitely worth going
Se for um domingo há o sarau de Carlinhos Brown perto do Porto, no Museu do Ritmo.
E moçada, conselho que todo viajante digno desse nome TEM QUE seguir: não deixe de ver a seção de eventos dos jornais da cidade visitada (A Tarde é o maior em Salvador– com um caderno de eventos às 6as feiras) para ver “qual é a boa”do dia, porque sempre tem alguma coisa – no caso de Salvador, você pode até cair numa festa de largo perto de você…
3º dia
Acordamos com chuva forte. Ela melhorou depois das 10, mas o tempo estava fechado, então invertemos a ordem da programação que eu sugiro aqui. Aliás, em caso de chuva, faça o mesmo (e saia preparada pra ir direto pra praia se der vontade caso o tempo abra – quase todas as barracas têm banheiro pra você se trocar, não precisa andar de biquíni pela cidade).
Vá à praia (eu sugeri pra @syferrari a da Pedra do Sal, escondidinha entre Itapoã e Aleluia.

ah, o fim de tarde em Itapoã...
A Pedra do Sal é uma praia sem muito agito, mas extremamente charmosa). Almoce em uma das duas barracas de lá, a do Francês ou a Goa (conheci nessa viagem, e adorei).

O @riqfreire, darling querido e A pessoa que entende de viajar, adorou (e até exagerou um pouquinho,
)

Depois, troque de roupa e vá conhecer o Pelourinho (caso não tenha ido mais cedo no dia anterior)

Gosto de recomendar a Igreja de São Francisco (aquela da música), a sede dos Filhos de Gandhi (afoxé tradicionalíssimo da cidade) e a loja de cachaças “O Cravinho”. Tem vários endereços aqui

Detalhe da Casa de Jorge Amado - todos os livros dele tem esse desenho (do Caryé)na 1a. página, para proteção, sabiam?
Mas se eu fosse você não ficaria só na parte mais turística do Pelourinho: atravesse a Baixa dos Sapateiros vá até o outro lado, pra Santo Antonio Além do Carmo – no caminho repare na escadaria da Igreja do Paço, que foi cenário de “O Pagador de Promessas”, filme de Glauber Rocha, e que serve de palco para as apresentações gratuitas de Gerônimo, todas as 3as feiras.
No “outro lado” você terá menos casas restauradas, mas eu acho mais autêntico.

Eu pessoalmente acho o máximo o boteco da Cruz do Paschoal (um pouco pra frente do chiquérrimo hotel do Convento do Carmo): mesas (de plástico, infelizmente) no meio da praça com aquela mélange de pessoas que eu adoro: moradores, turistas e por aí afora.
<abre parênteses> se eu tivesse que dar um conselho para alguém tentar entender Salvador, eu diria que o segredo é pensar em contraste, antítese, e ao mesmo tempo na simbiose desses conceitos. Não é licença poética da música; em Salvador o sacro e o profano convivem lado a lado, a festa religiosa ao lado da cachaça; catolicismo e candomblé que convivem através do sincretismo religioso; áreas pobres lado a lado com áreas ricas. A única hora (infelizmente) em que isso não existe é quando se freqüenta lugares mais caros e considerados mais “finos” da cidade – aí, é raríssimo você encontrar um negro na condição de cliente… </fecha parênteses>

é nos detalhes que a cidade se mostra; onde mais você veria uma loja assim?
Tem também um restaurante italiano simples com uma vista deslumbrante chamado Al Carmo – ainda que vc não queira comer, vale uma cerveja.

fala se não é uma delícia de pit stop?
Você decide como quer terminar sua última noite: pode ser mais um jantar regional (pode ser no Yemanjá – que apesar de ser meio turístico é frequentado por locais e tem uma moqueca correta) ou no Amado, que também tem uma vista linda. Nós tentamos ir no Soho Marina mas estava muito lotado – entramos no restaurante ao lado, no Lafayette e comemos muito bem (como eu sempre digo, se o intuito não é comido típica, a Marina é sempre um local para se comer bem).
Claro que faltaram muitas coisas para se ver – mas tenha certeza: você vai embora tendo uma bela noção da cidade (e se for que nem eu, querendo voltar). ?
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Restaurantes, bares e afins dos quais eu gosto e que não mencionei no post:
Mistura: A Constance quando esteve lá disse que não comeu bem, e parece que o restaurante mudou de dono; mas sempre foi um restaurante super tradicional de peixes na cidade (eu fui algumas vezes e não tive problemas)
Rio Vermelho: O Rio Vermelho está cheio de botecos bonitinhos que valem a pena ser descobertos. Atenção pra programação do Café Teatro do Sesi do Rio Vermelho, que sempre tem alguma coisa interessante (e barata rolando)
Preciso conhecer a Moqueca de Don’Ana, famosérrima. Fica em Brotas, que não é uma área turística. Está na minha to do list há séculos…
MAM – o Solar do Unhão é uma construção histórica debruçada na Bahia de Todos os Santos, e aos sábados, no fim de tarde, rola um jazz por lá.
Sorveterias
Eu adoro o sorvete de coco verde da Sorveteria da Barra que fica no Jd. Brasil, não muito longe do Farol da Barra; mas os baianos talvez prefiram sugerir a Cubana (no Pelourinho ou no elevador Lacerda – na Praça da Sé) ou a Sorveteria da Ribeira, que fica lá pros lados do Bonfim.
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P.S. Todas as fotos desse post são da @syferrari – e vale a pena ver seu álbum #SSAfeelings, onde ela associou cada foto a um trecho de música…
P.S. II – Eu adoro ler livros cuja cidade que eu visito serve de cenário para a trama; pra ler em Salvador, recomendo “A casa do Rio Vermelho” da Zélia Gattai, e o engraçadíssimo “O Compadre de Ogun” de Jorge Amado (vale também Dona Flor e seus 2 maridos).















Lindo roteiro! E ainda ler Zelia Gattai ou Jorge Amado visitando a cidade eh uo de bom.
Moça…me emociono lendo os eu post sobre Salvador, que é minha cidade….vc me faz voltar a ver o lugar onde moro com olhos de novdade. E melhor, com olhos de alguém que nitidamente ama a Bahia… Mas o que mas gostei do post é que vc entendeu bem as indissiocrasias da cidade, as separações e o sincretismo… O sagrado e Profano unidos…
Bem, parabéns pela sensibilidades e belas dicas para quem vem conhecer Salvador…
Dica: Aconchego da Zuzu no Garcia…Zuzu, a dona é uma senhora de 102 anos…O abará é uma delícia…Domingo tem samba, uma delícia…
Abçs, Pattricia
Ótimo roteiro de viagem! Da próxima vez que for a Salvador, com certeza tentarei ir à missa na Igreja do Rosário dos Pretos. Da última vez que fui, queria ir lá, mas infelizmente não tive tempo.
Mari obrigada!!! Eu adoro ler alguma coisa que se passa na cidade, é como se eu colocasse umas personagens na minha viagem…
Patricia fico muito muito feliz em receber um feedback desses!!! E é verdade, eu adoro isso aqui mesmo!!!
Acabei de achar o tal Aconhego da Zuzu num post se der vou passar lá!!!!
Gabriel
Menina, que roteiro!
Adorei e já fiz algumas anotaçõezinhas para minha próxima estada em Salvador.
Tweets that mention Conhecendo Salvador em 72h sem stress | From Lady Rasta -- Topsy.com // jan 17, 2010 at 1:43 PM
[...] This post was mentioned on Twitter by Sy, Carmem Almeida. Carmem Almeida said: RT @ladyrasta: conhecendo Salvador em 72 h sem stress… O link correto: http://bit.ly/5NifMz [...]
Carmem tem bastante coisa né? Depois me conta!
Correção: O filme, “Pagador de Promessas”, foi realizado por Anselmo Duarte e não do Glauber Rocha.
Eu conheço Salvador e sou Portuguesa.
E sobre a cultura Portuguesa que os nossos ancestrais aí deixaram? Era bom falarem também um pouco nisso. Afinal a cidade está cheia de cultura Portuguesa….
Cidade maravilhosa cheia de encantos. Fico feliz e tenho a certeza que moro em uma cidade que é desejada por muitos, cheia de opções para turistas e moradores e com os problemas como todas as grandes cidades. Obrigado por escrever bem da minha terra e tenha certeza que Salvador oferece muitos mais.
Gostei das dicas!Volto de uns dias de ferias em Boipeba, pensei em dar uma volta pelo pelourinho antes de ir para o aeroporto .Este restaurante italiano Al Carmo é la?é perto do convento do carmo? nao consegui achar a pg na inernet…