Os véus islâmicos e a liberdade da mulher

Quem me conhece um pouco sabe que tenho uma fascinação ingênua pelos véus islâmicos; acho que justamente pelo fato de adorar usar um decote, aquele ar de mistério emanado pela burqa e congêneres me é fascinante. Claro que não ignoro o que tem (aos olhos de uma ocidental) de opressão naquelas roupas, e as minhas fantasias são aquelas decorrentes de toda ocidental que possui plenos poderes e direitos sobre si própria; mas fantasias, como o próprio nome diz, não são exatamente a realidade, certo?

A polêmica sobre a proibição das burqas na França aguçou minhas reflexões sobre o tema (li bastante, inclusive um post ótimo da @semiramis, apesar de não concordar muito com ele) e nunca havia conseguido  formar uma opinião. Isso porque, se de um lado eu entendia que a burqa poderia  ser um símbolo da opressão da mulher e da enorme diferença de direitos existente entre homens e mulheres no Islã, de outro havia a questão cultural, e por mais que meus olhos ocidentais tendessem a enxergar alguns costumes como bárbaros, não podia deixar de pensar que isso é meramente uma questão de ponto de vista.

Por mais absurdo que possa parecer, penso eu, o que é bárbaro para uma cultura não necessariamente é bárbaro para outra – e o nome que se dá a impor nossos conceitos e ideias sobre as de outrem não é exatamente democracia, não é mesmo?

Essa semana, com o burburinho causado por decisão judicial afirmando que não é permitido usar burqa na França, pensei com mais afinco quanto ao tema e (acho que formei) minha opinião.

Antes porém, queria analisar alguns argumentos utilizados para proibir a burqa ( e outros contra a proibição) junto com vocês.

acima a partir da esquerda: burqa e chador; abaixo: hijab e niqab

1. Burqa é opressão ao feminino.

Sim, é opressão caso seu uso seja imposto  (e nem todas as mulheres gostariam de deixar de usá-lo). No entanto, não acredito que ela seja mais opressiva para as muçulmanas do que são para nós ocidentais  as revistas com mulheres irreais e a exigência cada vez mais premente e ridícula da mulher se manter bela e jovem como se tivesse 25 anos para sempre (esse artigo bárbaro nos explica isso muito bem – e o Fabio Hernandez o resumiu lindamente aqui).

Ora, existem grupos feministas que abominam a exposição do corpo da mulher; mas no que me diz respeito, acredito que somos donas dos nossos narizes (ou das nossas pernas e peitos) para decidirmos se queremos mostrá-los ou não (acredito também, com todo o respeito por quem pensa ao contrário, que sim, we do choose our choices); então, se vejo capacidade de discernimento na mulher que opta por andar seminua na rua, não posso (ou ao menos acho que não posso) negar capacidade de discernimento  a uma mulher que opte por andar completamente vestida. Simples assim.

Para mim, a opressão ao feminino através das roupas  ocorre quando a mulher não escolhe usar determinada roupa, é obrigada a fazê-lo (como o marido ou namorado que  proíbe sua mulher de usar roupa decotada ou maquiagem); e se de um lado há mesmo muitas muçulmanas que são obrigadas a usar burqa, de outro há aquelas que gostam de fazê-lo, que se sentem mal sem eles.

Não pretendo deixar as muçulmanas obrigadas a aceitar o véu à própria sorte; no entanto acredito que a sociedade deva dar estrutura, força, instrumentos para que elas consigam deixar de ser obrigadas e façam sua própria opção, e não impor uma alternativa. Com todo o respeito, não faz sentido tirar a mulher de um algoz (no caso, aquele que a obriga a usar burqa) para entregá-lo a outro (o Estado que a obrigará a usar roupas ocidentais, ainda que ela não deseja isso).  Aliás, se não me engano, esse é exatamente o tipo de política que imperou entre os países europeus na época da colonização da África: o “branco sabe tudo” impondo sua cultura e seus costumes aos “negros ignorantes”.  ;-)

2. Há mulheres obrigadas a usar burqa

Há mesmo. E eu acho que elas não deveriam ser obrigadas a fazê-lo. Mas eu pergunto: por que a vontade das que são obrigadas a usar burqa deve prevalecer sobre a vontade daquelas que o usam por prazer? Neste vídeo temos um exemplo de que elas existem:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=OI7IZ88Xgug]

Eu tenho hoje plena convicção de que ao invés de impor roupas ocidentais às muçulmanas, dever-se-ia (através, isso sim, de coerção inteligente) dar às mulheres condição para que exerçam sua vontade, para que sejam independentes.

A proibição da burqa ou do niqab certamente fará com que muitas mulheres não possam sequer sair mais de casa, e eu acho isso uma temeridade, um fato que deve sim, ser levado em consideração, e não ser considerado um mal menor perto do “horror”  (says who?) de usar a burqa.

Por outro lado, tenho certeza que ensino fundamental é obrigatório na França, seja para muçulmanos, para judeus, católicos ou protestantes.

Ora, não acho que se possa proibir mulheres de usar o que bem entenderem, mas acredito ser possível  criar penas severas para os pais que não deixem suas filhas ir à escola. Estudo e instrução certamente garantirão que em uma ou duas gerações elas possam estar aptas a impor sua vontade – até porque há várias “categorias” de véus no Islã, e a combinação estudo+instrumentos de apoio certamente fará com que aquelas que não mais desejem usar a burca ou niqab passem a usar outro véu, caso queiram chegar a um meio termo  entre a cultura da nação onde  habitam e seus costumes ancestrais. Acredito que as mudanças paulatinas e mais embasadas sejam mais consistentes e por isso, tenham mais chance de se perpetuar (não nos esqueçamos que o finado Xá Reza Pahlevi proibiu o uso do véu como forma de “civilizar” seus súditos. Vocês lembram bem o que rolou depois de sua queda, né? Saca o Irã?)

3. Vestes incompatíveis com o mundo ocidental

Well, como bem lembrou o Paulo Nogueira, não há como sustentar esse argumento quando temos entre nós freiras que se vestem dessa forma:

A pergunta que não quer calar: no que a veste acima se distingue da veste abaixo?

Não entendo porque não há um movimento proibindo o hábito das freiras, ou dizendo que eles não cabem no nosso mundo… Eles não seriam também opressivos?

4. País laico não pode permitir tais vestes

O fato de um país ser laico não significa que seus habitantes devam igualmente sê-lo. Um país laico significa meramente um Estado separado da Igreja (qualquer que seja ela), e que não tome decisões ou  promulgue leis que privilegiem uma religião em detrimento de outra.

Não é atribuição de um estado laico impedir que religiosos professem sua religião em público, ou restrinjam serviços públicos àqueles que o fazem, pois isto configura cerceamento de livre expressão e de professar sua fé.

Assim, um estado laico não pode ter uma cruz nas repartições públicas (como acontece direto e reto aqui no Brasil), mas não vejo porque alguém que adentre tal recinto não possa usar um crucifixo no pescoço, por exemplo.

Além do mais, acho esta conduta um tanto quanto “método avestruz amedrontada” : os conflitos inter-religiosos não deixarão de acontecer porque não vemos seus símbolos em recintos públicos e sim, quando houver tolerância religiosa – e esta só vem com o conhecimento e o respeito do que seja “o outro”. É a ignorância e a intolerância ao que seja diferente que causa conflitos, e não a existência de diferenças em si.

Cumpre lembrar que desde 2004 é proibido às mulheres adentrar as escolas públicas francesas usando qualquer tipo de véu, o que me soa pouco inteligente: por conta do que para nós não passa de um pano na cabeça, muitas meninas podem deixar de ir à escola. Eu pergunto: o que é mais importante? Que elas estudem e se estruturem para fazer uma opção futura, ou que elas corram o risco de seus pais proibirem-nas de ir à escola? Será que é mesmo na segurança e no bem estar das mulheres que a França está pensando?

Há portanto, que distinguir entre estado laico e estado que proíba manifestações religiosas, motivo pelo qual considero absurda a proibição de meninas usarem o hijab nas escolas sob o argumento da laicidade do Estado.

4. Questão da segurança

O @VladimirAras, conversando comigo no Twitter disse uma coisa muito importante, na qual não havia pensado: que há a questão da segurança. É impossível reconhecer um criminoso que usa burqa. Tive que dar a mão à palmatória,  esse é um critério objetivo, não passa por juízo de valor de se avaliar qual sociedade é bárbara ou não, qual costume é mais libertário ou não.

Curvo-me portanto a esse argumento no que tange ao uso do niqab e da burqa; inobstante, acho que por uma questão de igualdade, deveriam ser proibidas todas as vestimentas, orientais ou não, que deixassem à mostra apenas os olhos, e isso não foi aventado, evidenciando que  cerne da questão  não é a  segurança, e sim a proibição de se usar as vestimentas islâmicas.

5. Discriminação disfarçada de defesa dos direitos da mulher

Antigamente, nos blockbusters americanos, o vilão era sempre um “russo malvado”, tendo em vista estarmos vivendo, à época, a Guerra Fria. Nos dias de hoje, o vilão é sempre um árabe (e os acontecimentos de 11 de setembro não deixam muitas dúvidas do motivo para que isso ocorra, d’ accord?).

O islã é uma cultura (não acho que estejamos falando apenas de religião, acredito que seja um conceito mais amplo que isso) que assusta pela sua unidade, pela sua coesão, pela certeza daqueles que estão vivendo sob seu manto (gostei da metáfora aqui, :lol: ). É um pouco maluco aos olhos ocidentais ver religiosos que ainda hoje decidem morrer por sua fé para praticar atos terroristas, acreditando naquilo, ou mesmo vivendo sob leis e conceitos que nos remetem à Idade Média.

Acredito que quando vemos mulheres andando de burqas, niqabs e congêneres, essas ideias perpassam nosso cérebro, ainda que de forma muito randômica, e nos assustam. Será que não queremos (estou usando o nós como ocidentais de uma forma geral)  acabar com a visão dos véus islâmicos para com isso, esquecer que há pessoas no mundo com valores, conceitos e ideais muito diferentes dos nossos, eles também acreditando que nós somos selvagens? Será que não queremos acabar com os véus islâmicos para com isso não precisarmos questionar e refletir sobre nossos costumes? Será que não estamos almejando uma homogeneidade que, como todos sabemos, sempre é mãe de ideias tacanhas e da intolerância?

6. Inexpressividade dos números

A França tem 63 milhões de habitantes, aproximadamente. O total de mulheres adeptas do niqab e da burqa é de menos de 2.000 mulheres (há pesquisas falando em 367 -!- mulheres). É um número ínfimo perto da população francesa, vocês hão de convir comigo (não é à toa que alegam interesses do governo francês em aplacar os radicais de direita que detestam os imigrantes…).

Causa espécie realmente que apenas 2.000 mulheres num universo de 64 milhões consigam nos impingir um medo do Oriente e dos seus costumes.

Faz pensar mesmo… Será que elas não nos assustam porque no fundo, tememos que eles tenham mais certezas que nós? Porque têm mais apego aos seus costumes que nós, que toda semana mudamos nossos hábitos de acordo com o que dita o mercado? Eu não sei. Mas eu sequer sei se é bom ter certeza de alguma coisa :lol:

Em resumo, me decidi: sou contra a proibição que o Governo Francês quer impor às muçulmanas. E vocês?

******
P.S. Não posso deixar de fazer aqui um agradecimento especial ao Paulo Nogueira que, por conta desse debate no Twitter, me municiou de textos, vídeos e ideias para que eu formasse minha convicção. Muito, muito obrigada, viu? :-)

P.S. II. Pra provocar um pouco, termino com o sexy e instigante vídeo abaixo…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SoCg4wyauWY]

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48 comentários sobre “Os véus islâmicos e a liberdade da mulher

  1. Eu não gosto de escrever um comentário apenas para dizer “ótimo post”. Mas o seu post foi tão completo e definitivo que não consigo adicionar nenhum comentário além de simplesmente, “ótimo post!”. Parabéns.

  2. A questão é complexa e concordo em que proibir o uso do véu, tal como se fez na França, só vai piorar a situação dessas mulheres.
    Também acho que não faz sentido avaliarmos o mundo tendo apenas como referências nosso ego, nossa cultura, nossos valores e etc (isso chama-se solipsismo).
    Mas é certo que também não se pode ir muito longe nessa tolerância às “manifestações culturais” de certas populações ou correremos o risco de daqui a pouco avalizar o apedrejamento de “adúlteras” em praça pública, prá citar somente um exemplo.
    Sendo assim, o que balizaria nossa aceitação de práticas consideradas não usuais em nosso meio? A resposta é difícil, mas penso que o referencial deve ser: o sofrimento.
    Se determinados usos e costumes levam ao sofrimento das pessoas (ou mesmo de animais, inclusive) então penso que isso deva ser melhor avaliado.

  3. Gostaria apenas de expressar o que aconteceu nas escolas francesas depois da proibição de se usar qualquer paramento de qualquer religião: judeus, católicos, mulçumanos e todos os demais estudantes que professavam outros credos se aproximaram.

  4. Gabriel nossa, super obrigada!!

    Marcelo então… apedrejar uma mulher é crime na França, independente da religião professada. Mas vestir-se dessa ou daquela maneira não é (volto a mencionar as freiras). Acho que na verdade as leis do país devem ser o guideline para isso…

    Paulo uau, sério? me senti ganhando estrelinha no boletim, juro! :-)

    Renato hum, interessante, não sabia disso. Mas quando eles saem da escola e retomam seus símbolos religiosos a tolerância permanece? Caso vc volte aqui, adoraria ler sobre assunto, se souber de alguma literatura a respeito me manda por favor?

    Beijos a todos!

  5. Poderia usar os mesmos adjetivos do Paulo para descrever seu post. A questao da burqa ‘e complexa – no ano passado, em Paris, ouvi N franceses se queixando do numero cada vez maior de mulheres com vestimentas do genero na cidade e de como as mesmas eram oprimidas e discriminadas, inclusive as criancas nos colegios. Por outro lado, na Turquia, conversei com mulheres que simplesmente gostavam de vestir-se com niqabs e acreditavam-se sensuais por detras da veste. Eu, que tambem nunca consegui ter uma opiniao verdadeiramente formada – mas, obvio, sou contra qq tipo de discriminacao ou opressao – acho otimas as reflexoes levantadas no post.

  6. Acompanhei um pouco a discussão deste post no Twitter, mas não quis expressar minha opinião em 140 caracteres. Também já me decidi: hoje em dia e dentro das atuais circunstâncias, sou a favor da proibição que o Governo Francês quer impor às muçulmanas e aos símbolos religiosos em geral, também sou a favor da proibição do Governo Suiço à construção de novos minaretes nas mesquistas e outras medidas equivalentes. E também a favor da punição aos pais americanos que deixaram de dar tratamento médico à filha em prol do ‘tratamento religioso’, o que acabou na morte da menina. É aquele velho argumento: a liberdade de uns termina onde começa a liberdade de outros. E o bem jurídico da liberdade individual vem acima da liberdade religiosa. Poderia dar mil exemplos, vou dar um apenas, o dos cartoons ‘islâmicos’ que saíram no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. Vejam que a pessoa que liderou a cruzada contra os cartoons e os tornou conhecidos no mundo todo foi, incrivelmente, um muçulmano que havia pedido e recebeu asilo na Dinamarca!! Alguém que se BENEFICIOU de um país tolerante com as religiões e outros direitos humanos, acabou por prejudicar dezenas de cidadãos dinamarqueses (houve demissões no jornal, que quase faliu, ameaças de morte, processos judiciais, etc). Detalhe: dois dos cartoons ditos mais ofensivos NUNCA foram publicados no jornal, surgiram ‘do nada’ no meio dos outros depois, quando a notícia começou a correr o mundo. Tudo isto está no livro “The God Delusion”, do Richard Dawkins, que inclusive cita todas as fontes das informações. Sugiro também a leitura do livro “Pela bandeira do Paraíso” do Jon Krakauer, publicado pela Cia. das letras em 2003, para entender como hoje em dia o Estado precisa ter um ‘pulso forte’ para que as “liberdades religiosas” não se tornem tão grandes que prejudiquem outras liberdades. É um fenômeno atual, infelizmente.
    Abraços,
    Luciana

  7. Mari Campos cada vez mais me convenço que se 2.000 pessoas conseguem inspirar tamanho terror, o problema está mais em nós do que nas vestes em si…

    Lu A questão é: a França vai proibir o niqab mas não vai proibir o hábito das freiras. Por quê? Porque o tratamento desigual ? E concordo com vc quantos aos pais que não deixam filhos receber transfusões de sangue, mas aí a questão é diferente; existe o direito à vida e o Estado tem o dever de interceder nessas situações. Você falou que “a liberdade de uns termina onde começa a liberdade de outros” e que “o bem jurídico da liberdade individual vem acima da liberdade religiosa” – mas qual é a liberdade do outro que está sendo maculada quando uma mulher sai coberta dos pés à cabeça? Não consigo enxergar qual seja, por mais que me esforce. Com relação ao que aconteceu na Dinamarca, o fato de você receber asilo não significa que vc tenha que deixar de professar sua fé, ou de reclamar, certo? Esse tipo de situação é o preço que se paga por se viver em um país tolerante. A solução seria banir a religião e deixar de ser tolerante? Duvido que os dinamarqueses pensem assim.
    Quanto ao Dawkins, eu o acho um tanto quanto midiático demais, e além disso ele já escreve partindo de uma premissa que pra mim, está errada. O Dawkins acredita que a religião é a causadora de muitos males e atrasos da sociedade; eu acho que a intolerância religiosa é que causa isso, e não a religião em si. Ora, nem todo muçulmano ortodoxo ou judeu ortodoxo é intolerante, não é isso que a Torá o o Corão pregam. O que acontece é que alguns religiosos ortodoxos mal intencionados, que manipulam os textos a seu bel prazer pregam coisas absurdas (como matar quem fala mal de seu Deus, ou Bin Laden stuff).
    E de novo: se é assim, teríamos então que proibir todos de sair com seus símbolos religiosos à rua, e eu não vejo porque eu nao possa sair com um crucifixo, ou os judeus com seus quipás.
    Ou seja, por onde quer que eu olhe, não consigo ver a proibição do niqab de outro jeito como discriminação aos muçulmanos ortodoxos.
    Bom te ver aqui de novo, viu?

    Beijos!

  8. Gostei de todas as opiniões postadas, mostram reflexões interessantes. Flavia, sem dúvida que as leis de um país são o guideline, mas essas mesmas leis refletem algo além e é a isso que me refiro, ou seja, as bases morais e éticas sobre as quais essas mesmas leis foram formuladas. Mas isso é papo prá mais de metro.
    Concordo em gênero, número e grau com sua opinião sobre a religião. Essa onda laicista me parece um tanto xiita…

  9. Uau! Excelente teu texto! Parabens!
    Mas confesso que ele sò aumentou a minha confusao e indecisao sobre o assunto. Quando ainda morava no Brasil, pra mim, era evidentemente um absurdo um Estado vetar o uso da burqa, por todas as razoes que vc assinalou.
    Vindo morar na Italia, comecei a ver um outro lado e jà nao sei mais para onde pender.
    Pelo que vejo por aqui, o que mais irrita os italianos vai alem do uso de qq roupa que caracterize uma ou outra religiao, mas sinto que existe uma certa “picuinha” no que se refere à “falta de reciprocidade” no respeito à religiao e aos costumes locais e tb à falta de vontade (ou de possibilidade e aì entra outro discurso) de adaptaçao a uma nova cultura.
    Sendo bem simplista, è aquela velha historia: se eu vou a sua casa, tenho que respeitar as suas regras; se vc vem a minha casa, tem que respeitar as minhas regras e os incomodados que se mudem.
    Exemplifico com duas noticias que deram muito o que falar por aqui:
    1 – Bahrein veta volei de praia por uniforme inadequado às creças locais (sem entrar no merito da indecencia ou nao dos uniformes, convem salientar que o pais faz parte da Federaçao Internacional de Volei de Praia e, teoricamente, conhece as regras, inclusive no que se refere ao tipo de uniforme)
    http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,governo-do-bahrein-veta-jogo-de-volei-de-praia-por-uniforme,270350,0.htm
    2 – Muçulmana foi expulsa de museu em Veneza por usar vèu que deixa apenas os olhos a mostra. Tb sem entrar no merito se a liberdade de religiao foi desrespeitada ou nao, cabe mencionar que existe uma lei em Veneza, terra das mascaras de Carnaval, que proibe que pessoas com o rosto coberto entrem em predios publicos.
    http://diario.iol.pt/internacional/burka-veu-veneza-museu-italia-seguranca/985600-4073.html
    Por conta disso, às vezes, egoisticamente, tenho a impressao de que a proibiçao da burqa, mais do que representar a defesa dos direitos da mulher ou garantir a segurança publica, seria um tipo de “auto proteçao”, um modo de fortalecer a dita cultura europeia, e a burqa seria um dos simbolos que evidencia o medo europeu de que “Estao vindo na minha casa e nao estao respeitando as minhas regras.”
    Nao sei se estou exagerando ou viajando e ainda nao consegui formar uma opiniao a respeito, mas essa è a impressao que tenho morando na Italia.
    Mais uma vez, parabens pelo texto!

  10. Experimenta pesquisar no Google com o argumento ["luc ferry" véu solidéu], sem os colchetes.

    Acho q tb li algo sobre isso no livro Aprender a Viver, do Luc Ferry, que foi o ministro da educação francês responsável pela proibição – vou conferir, se achar passo pra vc.

    Acho que a questão pode ser de dosagem e bom sendo e, tb, inteligência, como vc bem disse no post.

    Abraços,

  11. Concordo plenamente com a sua opinião.
    Acredito que deve haver a liberdade de escolha; uma suposta liberdade “imposta” pode ser tão opressiva quanto um costume rígido.
    Acho que a essas mulheres deve ser dada a educação e o conhecimento para analisar a sua escolha, e não simplesmente fazer o “I choose my choice”. E talvez, no máximo, oferecer proteção àquelas mulheres que porventura sejam discriminadas pela família e comunidade caso optem por rasgar seus véus.

  12. Oi Flá, demais leitores, estou adorando esta discussão, muito interessante!

    Flá, se olharmos só a controvérsia que causou esta discussão, de fato é injusto a França proibir o niqab se não vai proibir o hábito das freiras e outros símbolos religiosos.

    Mas quis trazer a discussão para uma perspectiva mais abrangente, que é a tendência ‘fascista’, impositiva, intolerante que uma parte dos muçulmanos pratica no mundo atualmente. Sem geneneralizar, claro.

    Não sou fã do Dawkins, aliás fiz uma resenha bem dura sobre o livro dele no meu blog, mas o exemplo mostra que a intolerância religiosa de um indivíduo – que se benefica da tolerância religiosa dos que estão ao redor – custou empregos e economias de dezenas de dinamarqueses… Outro exemplo: tem um depoimento de um inglês no You Tube que conta que foi comprar uma garrafa de uísque e atendente muçulmana do mercado SE RECUSOU a passar a garrafa pois era contra sua religião! A liberdade de quem está sendo ferida aqui? É difícil definir!

    Assim, acredito mesmo que se alguém quer professar sua fé DE MANEIRA ORTODOXA, SEM TOLERÂNCIA PELAS DIFERENÇAS, deve fazê-lo nos lugares onde isto é possível. Que vá viver numa comunidade ortodoxa! Se a pessoa quer se beneficiar de um ambiente livre, aberto, de tolerância, deve agir desta forma em troca também.

    Infelizmente, hoje, estas medidas de proibição de símbolos religiosos são necessárias. Não para sempre!! Mas como um “remédio” amargo para um mal que assola a humanidade!! Como mostrou o Renato acima, o “remédio” funciona, já que depois da proibição de se usar qualquer paramento de qualquer religião, mulçumanos e demais estudantes que professavam outros credos se aproximaram.

    Espero e tenho esperança que não tenhamos que “tomar este remédio” por muito tempo.

    Beijos!!

  13. Luciana, vc levantou um aspecto importante. Sim, é preciso haver reciprocidade, tolerância é uma via de mão dupla.
    Quanto à aproximação das pessoas de credos diferentes com a abolição das vestimentas, isso é desejável, mas claro que as diferenças entre eles vão além das roupas. É preciso romper com o solipsismo, a visão de mundo que tem o ego como o único referencial. E isso vale tb pros alunos que não tem religião alguma, pois há um sutil pressuposto de que somente no laicismo a tolerância pode existir, o que é desmentido pelas próprias atitudes ditas laicas.

  14. Marcelo,

    que a proibição possa, em um segundo momento, levar a liberação, não de trajes e sinais religiosos tão-somente, mas dos espíritos.

    Como você bem pontuou, o ego deve ser relativa e inteligentemente o centro. Não seria possível abolir essa centralidade do eu, uma vez que é a ele que o mundo se apresente e é a partir dele que percebemos e agimos no mundo. Talvez fosse o caso de uma reforma do eu, o problema é que esse trabalho é individual, se bem que pode ser catalisado pela educação e pela cultura e seus valores.

    É uma questão de despertar. As tradições religiosas e filosófica, afinal, buscam o bem-estar do homem e da humanidade.

  15. Renato tô meio corrida nesse fds, hoje a noite vejo os links com calma, super obrigada. Curioso que comprei um dos volumes do Aprender a Viver, mas ainda não o li. Sincronicidade, né?

    Luciana vamos por partes:
    a) se nós somos teoricamente mais civilizados, devemos aceitar expressão religiosa que não nos fira por uma questão de ideal, e não por reciprocidade. Eu não vou deixar de argumentar com educação com alguém só porque este alguém foi grosso comigo. Eu me recuso, como ser civilizado que sou, a praticar atos que me igualariam àqueles que critico. Denominar-se tolerante e civilizado desde que sejam tolerantes e civilizados não é tolerância. Ao menos eu acho assim. E usando o seu exemplo, as regras da minha casa jamais proibiriam que as pessoas se vestissem dessa ou daquela maneira, ou dissessem isso ou aquilo. Se vc falar em agressão, tudo bem – mas por enquanto estamos falando de uma ROUPA…
    b) vc está confundindo seguir religião ortodoxa com intolerância religiosa. E se de um lado eu admito que no mais das vezes os intolerantes religiosos saem da corrente ortodoxa de todas as religiões, o inverso não é verdadeiro. Ou seja, quase todo intolerante religioso é um ortodoxo (que normalmente compreende mal a doutrina de sua própria religiã), mas nem todo ortodoxo é um intolerante. E por que ortodoxos não podem praticar seus ritos onde vivem? Judeus não podem obedecer ao shabat? por quê? No que isso atrapalha a vida dos outros? E volto a perguntar: No que o uso do niqab ou da burca (exceto a questão da segurança) ou do hijab atrapalha, fere ou agride as pessoas? Meu ponto é esse. E acho que agride só porque nos mostra que alguns pensam diferente, vivem de forma diferente.

    b)quanto ao caso da muçulmana que se recusou a entregar bebida, evidentemente, ela está errada. Eu conheço evangélicos bacanas; devo tratá-los mal só porque um pastor idiota chutou a imagem de N. Senhora na igreja?

    A gente não tem que proibir roupas, tem é que ensinar respeito. E isso só se consegue respeitando ao próximo. É no que acredito. E respeitando os trajes das pessoas quem sabe não acabemos por conquistar o respeito delas, e quem sabe elas não reconheçam que alguns líderes religiosos manipulem a religião para incitar uns contra os outros? O problema, repito, não é a religião, e sim, alguns líderes religiosos.

    Luisa como eu disse, acho que a reciprocidade não pode ser invocada. Eu não vou deixar de agir civilizadamente se estiver na presença de selvagens (e não estou chamando muçulmanos de selvagens – os intolerantes, sim, esses são selvagens, qualquer que seja a sua religião).
    Mas no caso de Bahrein, acho que se o país não permitiu os trajes da Federação, a Federação tem que expulsá-los, simples como isso.
    Quanto à questão do museu em Veneza, temos a questão segurança. Será que não dá pra resolver o caso das religiosas com uma revista feminina em local isolado?
    E volto a insistir: é uma parcela mínima da população, não há tanta necessidade de se fazer leis para regular a roupa de 2.000 pessoas…

    Folks, tô AMANDO o papo, muito muito obrigada!!

    Beijos!

  16. Voltei pra transcrever aqui um comentário que está no post da Semiramis, que linkei acima, e que achei interessante, bonito, e prova de bom senso de uma religiosa ortodoxa:

    Alexandra
    18/07/09

    [...]

    Logo que cheguei aqui no Canadá conheci uma moça do Yemen. No Yemen as mulheres usavam burqa, ela nunca foi pra escola e teve casamento arranjado aos 14 anos. O marido faleceu depois de uns anos e ela acabou se casando por escolha propria com um francês (não lembro como se conheceram) e eles vieram morar em Montreal. Bom, aqui no Canadá ela andava super bem vestida mas não usava nem burqa e nem hijab. As amigas da comunidade muçulmanas a criticavam dizendo que ela não era a “good muslim”. A resposta dela? Ela disse que o corão determina que as mulheres usem hijab para não chamar atenção a si mesmas. Bom, no mundo ocidental, ninguém usa hijab por isso se ela usar, chamará atenção a si mesma, o que iria contra o corão.”.
    Demais, né? Quase chorei, sério (tá, eu sou uma manteiga derretida)

  17. Lu, reli seus comentários e acho que deixei de lado o seu enfoque mais global na intolerância e voltei a focar na burqa, mas vale o que eu disse: há ortodoxos tolerantes. A intolerância é a religião utilizada para disfarçar almas totalitárias e ditadoras que sob a desculpa da religião, exercem tirania. E tenho certeza que os bons religiosos não vêem esse segmento com bons olhos. :-)

  18. Concordo totalmente contigo!
    O que me deu essa posição não foi nem avaliar os argumentos, mas a leitura do livro “Neve”, de Orhan Pamuk, ganhador de Nobel.
    No livro, proibem a entrada de mulheres com véu nas universidades e começa, com isso, uma onda de suicídios.
    Enfim, recomendo ^^

  19. R A P A Z !!!!

    Completo, profundo e corajoso! Não li os outros comentários para não deixar de falar algo que gostaria pq os outros já falaram!

    Em tempos de ‘liberdade de expressão’ é difícil encontrar quem REALMENTE a encoraja, ao invés de mascarar de democracia o autoritarismo da cultura ocidental!

    Sim, o que é bom para mim pode não sê-lo para vc, e vice-versa. Mas respeitar a vontade, o desejo e a religião dos outros é bom para todos!

    Já diziam nossas avós: ‘gosto não se discute, se lamenta!’. Deixemos que cada um exerça sua escolha, dentro da legalidade de cada país, logicamente.

    E pelos países onde legalidade ainda não chegou (como no caso da mutilação das meninas) tudo o que se pode fazer é lutar pela conscientização do povo, lembrando-se sempre que a mudança acontece através de gerações (como, aliás, colocado em seu texto) e não através da opressão, afinal, não se responde violência com violência. Lembremos que mesmo a mutilação só acontece porque arraigada culturalmente dentre as que a praticam, tendo um significado também para aquele povo.

    Agora, quando uma sociedade que se diz democrática, adota uma postura opressiva, baseada unicamente em seus valores, é onde realmente precisamos rever nossos conceitos!

    Parabéns pela coragem, pelo conteúdo amplo e pela análise profunda e verdadeira!

  20. Curiosamente, a maioria dos comentários a favor da proibição sequer falam dos véus em si…

    Certamente estou falando de uma posição fácil – não vivo na Europa, não conheço a realidade de perto – mas não consigo ver razão, pelo que fama, para uma proibição dessas. Mesmo a questão de segurança me parece forçada: burcas e niqabs não são incrivelmente pouco práticos para alguém que terá de fugir? Quantos casos de crime encobertos por eles há?

    Claro, o debate é grande, mas não posso deixar de concordar contigo, Lady Rasta: a proibição não faz sentido.

  21. O pior e que elas apoiam (não sei se por medo…) esses crápulas pré-históricos que se aproveitam delas. Não as deixam mostrarem o rosto e o corpo porque não se garantem.

  22. A situação de lá e bem complicada pra eles que vivenciam de perto, ainda mais para nós que estamos longe.

    Já estive na Europa por duas vezes e vi os dois lados.

    Em amsterdã vi moças muçulmanas que usavam o véu trabalhando em lojas, mas dentro do contexto do uniforme, felizes, vaidosas, educadas e, nas ruas da mesma cidade, meninas usando véu e minisais com meias-calça de lã por baixo.

    São pessoas que, de certa forma, são integradas à cultura (muito embora ache a minissaia incompatível), mas respeitam a cultura local, se adequam. Viaja, ficam em albergues, dividem quartos com meninas. isso é perfeitamente normal para mim e razoável.

    Já na França o buraco é bem mais embaixo: há muitos muçulmanos pobres que vão para lá e fazem todo o tipo de baderna: fraudes contra o sistema de seguridade social, uso de documentos falsos e, aqueles que conseguem cidadania, fazem filhos e mais filhos para terem benefícios o governo e se mantém desempregados para continuar em gozo de benefício.

    Agridem o povo que os recebeu.

    Um caso drástico que fez uma amiga retirar seu filho de uma escola foi o de uma família muçulmana, a única com filhos na aludida escola pública que EXIGIU aulas particulares para filha já que não existia classes para meninas e meninos.

    A menina em questão passou a usar o véu após a primeira menstruação e, por isso, não podia estudar com meninos.

    Como não foi atendida por motivos óbvios, juntou uma mulambada deles que quase depredaram a escola exigindo que todas as escolas tivessem ESCOLAS separadas para meninas e meninos em respeito á “lei” islâmica.

    Razoável?

    A lei que a França deve seguir é a dela e eles, adaptar-se, por isso o cerco aos véus, às burqas, está havendo abuso.

    Li recentemente que para coibir os abusos a França, depois de proibir simbolos religiosos de qualquer natureza ia exigir a matriculação de todas as crianças muçulmanas em escolas como condição sine qua non para a permanência legal das famílias muçulmanas no país.

    Lembrando que, na França, a nacionalidade é direito “do sangue” e não territorial, logo, não basta nascer lá.

    Acho que proibir o véu chega a ser abusivo, mas exigir que eles aceitem agressões daqueles que eles acolhem e ajudam também é demais, algo tem que ser feito à respeito.

    Apenas para finalizar o relato, eu fui agredida em paris por um muçulmano. Estava ventando muito, frio, cobri a cabeça com uma pashimina e estava vestida obviamente como uma ocidental: jeans, allstar, jaqueta de couro.

    O agressor veio para cima de mim, meteu a mão na pashimina que cobria minha cabeça e empurrou com força para baixo, machucando meu rosto e proferindo impropérios na língua dele. Dei-lhe um tapa no rosto e usei todo o francês que sabia e não sabia para demonstrar minha revolta pra quem quisesse ouvir, apontando, chamando-o de rudo, grosseiro e tudo mais até chamar a atenção da polícia. O homem tremia.

    Não tenho nada contra islâmicos e véus, acho que eles podem e devem conviver conosco, mas da forma pacífica e respeitosa como vi na holanda.

  23. Perfeitos os posts e os comentarios….Eu ja quis escrever a historia da burca e do habito da freira,e voce foi perfeita…
    A Franaca infelizmente, apesar de tudo o que tem de bom e um pais rascista e mal ssumido. Meu avo saiuda Franca porque casou com uma judia e nao era judeu… Agora o racismo e dirgido aos muculamnso,e naturalmente causa muitas reacoes …. Ja a Alemanha tem consciencia de seu passado e procura evita lo e ter consciencia do problema… Quanto aHolanda la todos conviem de maneira harmonica, mas os muculmanos sao orientados que tanto seus costumes sao respeitados, e eles usam a roupa que quiserem, quanto que os holandeses podem ficar quase que nus nos parques, e todos convivem bem… E, para morar na holanda e necessario ter uma fluencia razoavel na lingua holandesa.

  24. Meu nome é Jéssica Araujo e sou da agência online Empório de Mídia.
    Achei seu site através de uma pesquisa no Google e gostaria de saber alguns dados do site. Mas inicialmente gostaria de saber o nome e telefone do responsável pelo site.
    Gostaria de saber se atualmente vocês fazem publicidade?
    O motivo do meu contato é que futuramente, nós possamos anunciar com vocês.
    Aguardo um breve retorno.

  25. usar um véu é uma coisa. usar uma burca é como sair por aí como um bandido encapuzado. vc deixaria um bandido encapuzado entrar na sua casa? pois na minha não entra ninguém que não mostra a cara. tem mais, o islã é opressor e imperialista, só não domina o mundo por incompeteência. entre americanos e islâmicos sou USA, inclusive vc usando internete, coisa de americano. ocidental sim, com orguho.

  26. Quanto ao hábito das freiras, são pessoas que levam uma vida normal e escolhem seguir aquele caminho(ela escolheu), por favor não estou defendendo não sou católico pelo contrário sou oposição. Já essas mulheres não tem liberdade sobre suas vidas, isto lhes é imposto, ela não pode nem querer ser diferente que é humilhada pela própria família quanto mas na sociedade que ela nasceu.

  27. Olá, primeiro gostaria de dizer que sou muçulmana revertida (convertida).
    Depois afirmo para todos que o uso dos veus islamicos não é nada opressor! pelo contrario, me sinto mais livre e protegida quando uso eles.

  28. Sou muçulmana,e gostaria de esclarecer que apesar de proferirem ter o Islã como religião,muitos apenas nasceram muçulmanos e seguem a fé de seus pais,não ligados à religiosidade propriamente dita do Islã,assim como também há muitos muçulmanos ignorantes que sequer conhecem sua religião,e como todo ser humano,são passíveis de erros…daí apontar fulano ou beltrano que fez isso ou aquilo por ser muçulmano,acho complicado. Quanto ao uso da burqa,bem,burqa não é traje islâmico!! É traje cultural de alguns países que se professam islâmicos,mas também se formos analisar,não existem países islâmicos em sua totalidade! O hijab sim,é recomendado. Apedrejamento não está prescrito no Alcorão,não é islâmico,mas sim está na lei de alguns países.E assim como muitos ocidentais podem ver a religião como bárbara (bastante controverso,quando na verdade o Islã foi a única religião que sempre abriu as portas para a ciência),em sociedades orientais a nossa expressão de liberdade muito mal utilizada é que é vista como bárbara. Justamente pela alta exposição de nossos corpos e por tanto que utilizamos erroneamente nossa energia sexual. Quanto à proibição da burqa,esses posts já são antigos,e já foi dito tudo o que se poderia dizer de forma muito bem colocada.

  29. A questão não é se é opressão por parte da França ou não, um dos principais motivos para a França proibir a burca é segurança realmente. Xenofobia é um crime cometido com uma frequencia um tanto quanto alta nos países europeus, e se uma muçulmana não está usando algo que a identifique como estrangeira, ela se passará como uma cidadã local. E assim como quando ocidentais vão a países com extremismo religioso e tem que se adaptar aos seus costumes e leis (se uma mulher ocidental for a arábia por exemplo, a lei obriga ela a usar a vestimenta das mulheres árabes.), não há repressão nenhuma que um país ocidental obrigue um muçulmano, por exemplo, a se adaptar aos seus costumes e leis.

  30. Eu não tive oportunidade de nascer musulmana, mas tive oportunidade de escolha…Eu uso nikab com todo prazer, mesmo quando nas ruas eu oiço: “Ninja abre cara, Sua feia mostra cara, Musulmana de merda o que estas esconder…etc” Uso nikab, porque combinamos com meu marido que este é um mundo de “pora” onde todo cuidado é pouco. Lamento muito porque o mundo é tão cruel com nikab e com as que vestem…

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