A @fatorell me mandou post da Ruth de Aquino sobre livro lançado recentemente que se pretende um guia para moças “detectarem” gays. A obra é recheada de uma quantidade tal de absurdos, lugares-comuns e clichês de esquetes baratos de programas de televisão que realmente não consegui ficar quieta; preciso dividir minha indignação com vocês.
Segundo Ruth Aquino, as autoras resolveram escrever o livro porque
“Muitas mulheres já caíram em armadilhas sentimentais com gays que não se assumem publicamente. Elas se encantam com um homem numa festa, num jantar ou na praia e, de repente, descobrem que o time dele é outro. Se for assumido, é fácil, porque o assunto virá à tona num trejeito ou numa confissão sincera. E se for enrustido? Aí, pode complicar. Muitos apelam para ser bi. Outros casam com uma mulher e podem se esconder a vida toda, mesmo a um custo alto”. (grifos meus).
Estou mais do que acostumada a ver pessoas escreverem sobre assuntos que desconhecem por completo, mas dessa vez foi demais; só o parágrafo acima demonstra (na minha modesta e humilde opinião, evidentemente) como as autoras são cruas em relações humanas e sexualidade. Afirmar que o “assunto virá à tona num trejeito” é um dos maiores absurdos que já ouvi, porque parte da premissa que todo homossexual faz trejeitos. O mesmo quanto à afirmação “muitos apelam pra ser bi”. Não sei por onde essas pessoas têm andado, sinceramente…
Então, porque me indignei, fiz questão de ressaltar aqui os “piores momentos” da leitura da resenha (não, não li o livro – e tenho medo de ler e querer escrever um tratado sobre a estultice alheia); divirtam-se (e sobretudo, pensem):
gay tem que assinar protocolo de intenções ao se relacionar com uma mulher
Bom, pelo que li, é isso mesmo: gay tem obrigação de contar suas preferências sexuais ao conhecer uma mulher assim que perceba que ela interessa por ele.
Sério, não sei daonde as pessoas tiram que homossexual tem que sair por aí bradando aos 4 cantos da terra que sente atração por pessoas do mesmo sexo. É a mesma coisa, grosso modo, que eu sair por aí (ou melhor, sua mãe) dizendo quais as minhas ( ou da sua mãe) posições sexuais preferidas. Não orna, né? Não precisa. É muita informação. Pois bem: se a gente não faz isso, porque os gays precisariam fazê-lo? Ele fala se quiser. Ponto.
“Ah, mas ele sai comigo, me liga direto e não quer nada comigo e isso não é justo, porque eu não sei de nada”. Ué, por que não é justo? Se você estiver incomodada, diga o que pretende. E não, ele não tem obrigação nenhuma de dizer pra você que é gay. Ele pode simplesmente dizer que você não o atrai, como qualquer outro homem que não se sinta atraído por você diria (aliás, ele não está mentindo, convenhamos).
Claro, eu também acho mais confortável que o homossexual se sinta à vontade para falar sobre seus objetos de desejo; inobstante, isso não é obrigatório, é questão de foro íntimo; ninguém tem a obrigação de fazer um disclosure para que virgenzinhas incautas não se iludam e caiam de amores por ele. Alguns dirão: ah, mas e se eles iludirem as moças, as enganarem? E eu direi que isso é muito improvável, e que as moças querem lidar com a frustração delas usando a homossexualidade como justificativa ao invés de aceitar um mero “ele não está a fim de você”.
Convenhamos, só há duas hipóteses possíveis aqui: ou ele está agindo como um amigo que não faz, digamos, “avanços” em sua direção (e portanto, em nada difere de um amigo heterossexual que não sente atração por você -ou não quer uma relação carnal com você, coloquemos assim) ou então ele…hummm… conheceu a moçoila no sentido bíblico de modo assaz satisfatório e portanto, não sei realmente do que ela poderia reclamar, não acham? Caso em que as autoras fariam o comentário a seguir…
Bissexual é que nem o homem do saco: não existe
Com todo o respeito, quando fala dos bissexuais (e de como detectá-los, e de como eles não existem), as autoras parecem parentes das irmãs Cajazeira (aliás, acho muito engraçada essa história de detectar bissexuais – parece que eles conspurcam a sociedade,
).
São taxativas: “não existe bissexual, eles são sempre gays no armário, todo gay fala isso”.
Ora, pra mim é óbvio que todo gay fala isso: é interesse “deles” ! Falo isso porque já presenciei cenas de gays tolhendo tais desejos – e nem são todos que falam isso, aliás… A verdade é que há um super preconceito contra o bissexual, porque eles teriam a obrigação de se “definir”. Olha, eu até entendo que haja maior ou menor inclinação por este ou aquele sexo, mas de uma vez que o cara é bacana, te proporciona uma relação bacana e não parece ter problemas com isso, qual é o problema (além, va lá, de você passar a ter ciúme de toda a população da Terra ao invés de apenas metade dela,
)?
Mas pra mim as autoras são extremamente preconceituosas quando falam que ”muitos apelam pra ser bi”. Como assim muitos apelam pra ser bi? Desde quando isso é crime? Desde quando isso é uma atitude condenável? Mas que jequice, Deus meu!! Quer dizer que o cara transa com a menina, ela gosta, e ainda assim ele é um ser indigno? Juro, eu simplesmente não entendo.
O mais divertido, no entanto, é a “justificativa” para que o gay consiga “preencher as condições de sexo satisfatório”: ”
“Bissexualidade masculina existe? Para a “Sophia”, consultora super radical do livro, não existe. Os gays assumidos concordam. O homem “bi” seria de fachada. Na verdade, a fissura do enrustido seria sempre por outros homens. “O gay de armário fica noivo, casa, e transa com mulher. Mas é como gostar de chocolate sem ser chocólatra. Ou seja, alguns cumprem o papel direitinho, mas burocraticamente”.
Hummm… Peraí: uma pessoa chocólatra (termo que denota vício e falta de controle, salvo melhor juízo) é o equivalente a uma pessoa que faz sexo de maneira satisfatória? Estranho…E vem cá… se alguns cumprem o papel direitinho, mas burocraticamente, porque a parceira não reclama? Estranho de novo, nénão?
E daonde elas tiraram que sexo com um bissexual é “direitinho e burocrático”? Sério, definitivamente, essas moças tiveram muita pouca sorte na vida, porque as minhas impressões sobre o tema são diametralmente opostas…
Dirão alguns que muitos bissexuais escondem sua condição e traem suas mulheres com homens; eu diria que esse procedimento é lamentável, desprezível, mas não porque ele saiu com um homem, mas porque foi desleal (tão desleal quanto os caras casados que passam cantadas em mulheres e são infieis, ressalte-se); a análise que se deve fazer aqui é do caráter, e não do objeto de desejo da pessoa. O cara é desleal porque lhe falta caráter, não é desleal porque é bissexual. Não é possível que as pessoas não enxerguem isso.
Essa vibe “depoimento Marie Claire” de “meu marido me trocou por um homem” – centro da trama do livro – é a coisa mais anos 50 que eu já vi (ou 70, quando a dona de casa surta com o marido que resolveu levar a sério o “toda forma de amor vale a pena”). Pensem comigo: você foi trocada. Tomou o maior pé na bunda do planeta. Em que faz diferença se a pessoa escolhida pelo seu ex-parceiro é do mesmo sexo que você ou não? Eu respondo: em nada (eu aliás, preferiria ser trocada por pessoa de sexo diferente do meu…).
Tal linha de raciocínio mostra inclusive uma baixa-auto estima atroz. Digamos que a relação fosse bacana, sexo legal, o cara sempre tenha sido companheiro etc. Acabou porque acabou, porque tudo na vida acaba. Quer dizer que se ele te trocar por outra mulher tá tudo certo, mas se ele te trocar por um cara é sinal de que tudo isso foi de mentira? Sério, não entendo essas pessoas.
Conselhos como esse privam (ou podem vir a privar) as pessoas de viver coisas muito legais. As autoras deveriam pensar nisso antes de sair por aí regurgitando fórmulas mágicas de normalistas dos anos 50.
Gay tem código de postura municipal
As pérolas não param:
“Como perceber antes de se apaixonar? Ou até casar?“Já tive paqueras gays”, conta Ticiana. “Um sinal óbvio é quando o cara começa a contar uma história, de uma viagem, e um hotel em que ele estava com ‘uma pessoa’. Não é uma namorada, ou a mulher, nem mesmo um amigo. É ‘uma pessoa’. Aí, pode ter certeza, é gay”.
Olha, não entendo xongas de linguagem, linguística, métodos de comunicação, mas de uma coisa eu sei: quando todo mundo fala “a minha ex-namorada” e um cara fala “uma pessoa”, a menos que você esteja falando com uma normalista dos anos 50 (aha!!) me parece bastante óbvio que a pessoa está sim, sendo honesta com você e mesmo dando abertura para a pergunta “essa pessoa era um cara?”.
No post da Ruth Aquino há uma sequência de dicas que miram um segmento muito específico do universo gay, e que de forma nenhuma representam sua totalidade.
Convenhamos, dizer que homem que toma caipirinha com adoçante é gay é a mesma coisa que dizer que todo hetero vai pro Carnaval da Bahia, caso contrário é gay (atenção, heteros de raiz que estejam lendo este post e detestem Carnaval: digam EU!! \o/ :lol).
Conheço vários “hetero de raiz” que detestam futebol; por outro lado, conheço muitos gays que não perdem um jogo do seu time predileto, inclusive nos estádios. Também conheço muitos homens hetero que adoram grifes, assim como conheço gays que detestam gastar dinheiro com roupa. Esse tipo de “dica” chega a ser um insulto à inteligência de quem as lê, sério.
A mim parece que as autoras só conhecem gays de “ouvir falar”, ou no máximo têm “o meu amigo gay” (expressão que mostra igualmente o preconceito, a meu ver), daqueles bem estereotipados. As pessoas teimam em confundir homossexual com o estilo de vida de uma parcela de gays de certa forma responsável pelo conceito de “cultura gay” que sequer representa sua maioria. Há gays que são abstêmios por exemplo. Há gays que jamais usariam uma roupa de ginástica justa na vida (aliás, pasmem, ah gays que odeiam ginástica e têm barriga de cerveja, acreditam? ooooohhhh :-0 )
Vou repetir até morrer de exaustão: o que faz de uma pessoa homossexual é o fato dela sentir desejo sexual por pessoa do mesmo sexo – não a marca da sunga, o carro ou o bairro em que vive. É simples assim (aliás, bem menos complicado que decorar um hipotético código de posturas municipais de comportamento, não acham?).

Em resumo: com todo o respeito que posso ter às autoras (ou ao menos, ao direito que elas têm de escrever o que bem entendam), o livro me parece um amontoado de equívocos.
Até admito que elas pudessem fazer um guia de ajuda para identificar aqueles caras que tentam viver dentro do armário (embora isso me pareça meio policialesco demais) – mas com outra abordagem (que ao menos fosse mais eficaz, convenhamos). Sim, existem gays que estão no armário e se escudam em mulheres para manter sua imagem; mas normalmente essas relações são muito mais complexas do que um manual de auto-ajuda (e todos nós sabemos que pra alguém ser algoz um outro tem que se dispor a ser vítima, certo?;-)
Detesto essa coisa do politicamente correto, mas gosto muito de bom senso. E certamente não é medida de bom senso dizer que é o fim do mundo ser trocada por um homem ao invés de ser trocada por uma mulher, ou que “bissexuais não existem”, ou que todo homossexual uma hora solta um trejeito. Isso é um desserviço – pra não dizer que é mentira…
A sexualidade humana é cheia de nuances – até porque o desejo também é assim; não dá pra generalizar. Há casais que vivem relações abertas, outros vivem relações assexuadas (Cole e Linda Porter são um belo exemplo de como isso é verdadeiro); há pessoas que vivem em trios (sim, em trios, e muito bem – not my kind of town, mas acontece); há cross-dressers (e parece que grande parcela deles é hetero); enfim, é um universo grande demais para que se o reduza aos lugares comuns mencionados no livro. Longe de esclarecer, o livro vai deixar a cabeça das mocinhas que o lerem ainda mais confusas quando estas se depararem com a realidade do mundo, acreditem.
Querem saber? Eu tô achando é que as autoras do livro na verdade são as irmãs menos esteticamente privilegiadas com inveja da Cinderela porque ela é linda :-

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P.S. : Eu sei que os profissionais da Psicanálise talvez tenham uma visão diferente sobre bissexualidade, a depender da corrente doutrinária adotada. Só queria deixar claro que me ative à parte prática do problema, digamos assim.















Tweets that mention As Drizelas e Anastácias da Cinderela Gay | From Lady Rasta -- Topsy.com // mai 27, 2010 at 7:45 PM
[...] This post was mentioned on Twitter by Diego Maia and Flavia Penido, Kris Bruscatto. Kris Bruscatto said: RT: @ladyrasta: Pra quem, como eu, se irritou com aquele livro de "como detectar gays" segue meu post http://migre.me/JlAf [...]
“heteros de raiz que estejam lendo este post e detestem Carnaval: digam EU!!”
EU!!!
(que puta texto que você fez aqui. Eu, se sou da editora, retiro o livro de circulação com isso)
Beijos
Simplesmente direto. Não li o tal comentado livro, mas não tenho vontade nenhuma e criei até uma certa aversão. No entanto, o meu comentário é mais para dizer que sou psicanalista e minha linha é basicamente freudiana e um pouco lacaniana e eu não tenho absolutamente nada para acrescentar no que você. A sexualidade é tão mais complexa e colorida nas suas nuances, ela nunca consegue ser taxativa, definitiva e imutável. O desejo responde a muito mais coisas do que simplesmente o gênero que atrai a pessoa.
Esse é um livro para mulheres burras. Infelizmente, tem público…
Minha pancinha de cerveja agradece esse post =D
hauhauhauhaua…. ri demais com o seu texto e acho que se o livro fosse de humor, poderia ser até engraçado. É só mudar o título, né?
” Como sua vó via os gays nos anos 50!” seria muito mais apropriado!!! Com certeza!
Temos uma coisa em comum: Prefiro ser trocado por uma pessoa de outro sexo que o meu! Provavelmente pq meu parceiro está buscando algo que eu teria muuuita dificuldade de suprir, né não?
E sabe da pior? Ví alguns gays divulgando esse livro como algo “descolado” e “divertido”… então tá, né?
*agora vou revisar o comentário pra ver se não deixei escapar nenhum trejeito!
típica desinformada babaca que considera suas experiências como fonte de conhecimento infinito além de não saber ABSOLUTAMENTE NADA a repeito de bissexualidade.
parabéns pelo post
Lady, não dá para saber o que é pior, esse livro ou saber que 2 escritoras mulheres acharem que mulheres precisam desse tipo de ajuda.
Você falou tudo, o livro é extremamente preconceituoso. E acho que ele nem se foca apenas nos estereótipos da cultura gay, ele desrespeita homens e mulheres como um todo e não contribui em nada para relacionamentos sociais.
As trevas! As trevas!
Xáprálá! As coitadas achavam que estavam sendo paqueradas e nem estavam… esse tipo de mulher tonta que sai à caça atirando pra todo lado acaba escrevendo um folhetim xulé desses só pra ter o que fazer sábado a noite. quanta besteira se imprime! Favor ignorar a obra. ( obra naquele sentido escatológico).
Pior que isso são certas mulheres que se dizem arrasadas porque foram trocadas por homens, preferiam ser trocadas por mulheres. Onde está a diferença, que eu não consigo enxergar? Uma vez comentei isso com uma amiga e ela me disse que minha autoestima deveria ser muito alta, que se fosse com ela teria que ir para o analista… :/
Tantas coisas… | Porque minhas opiniões não cabiam na telinha da TV // mai 28, 2010 at 12:07 PM
[...] vale a leitura do texto da Flávia sobre a bomba de um livro que diz ajudar mulher a identificarem se seu pretendente é gay (como diria a Fer: nojo [...]
Ontem mesmo postei sobre esse livro, falando sobre o lançamento, etc. Não tive a oportunidade de ler ainda, iria comprá-lo na semana que vem, mas por tudo que você escreveu, não quero mais comprar.
Vou te linkar lá, assim que ler o post, pode saber um pouco mais sobre o conteúdo do livro e decidir se quer comprá-lo ou não!
Texto incrível…
“Querem saber? Eu tô achando é que as autoras do livro na verdade são as irmãs menos esteticamente privilegiadas com inveja da Cinderela porque ela é linda ”
=*
Não é possível que ainda exista gente no mundo que diz que gay não gosta de futebol ou toma caipirinha com adoçante. Gente, estou chocada!
Lindo texto.
abs,
Excelente a sua análise. Penso exatamente da mesma forma.
As coisas do amor e do desejo são muito mais complexas do que esses livros rasos querem nos fazer crer. E que bom que é assim!
Ao invés de escrever um livro, as autoras deviam ir ouvir “Paula e Bebeto”: qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar.
(mas, no fim das contas, tenho certeza que vão é ganhar dinheiro escrevendo essas bobagens!)
É realmente lamentável. Eu li o malfadado post e é de arrepiar os cabelos.
Acho mesmo engraçado como as pessoas se julgam ‘melhores’ que aqueles que, meramente, são diferentes delas. Estereotipando condutas e posturas, pretendem rotular gays, bis e heteros como se isso fosse salvar a parcela feminina da humanidade de um mal maior. É ridículo.
Seu post consegue esclarecer brilhantemente uma série de observações absurdas que a autora fez, mas e esse povo que ri destas obras como hienas, alheios à realidade de que, na verdade, somos todos iguais?
Os homo e os heteros só tem de diferente o objeto do desejo. No resto, sentem igual, desejam igual e se relacionam igual. Acho de uma falta de respeito sem tamanho colocações como “para sacar o homossexual enrustido, precisa ‘ligar o gaydar’”, como coisa que gay fosse como um bichinho ruim que precisa ser ‘detectado’. Francamente.
Tenho amigos e amigas maravilhosos, independente da orientação sexual deles, que para mim, nada vem ao caso. Mas acho lastimável que meus amigos (as) gays tenham que andar de crachá para avisar moçoilas (e porque não dizer, tb os moçoilos) dos ‘males’ terríveis que possam causar ao egos delas (es).
Parabéns, mais uma vez, por expor com precisão, e por que não dizer, incomparável graça, as mazelas que estultice humana pode causar.
Contra a ignorância, não há argumentos. Lamentemos.
Beijos
Vale a pena Ler #7! | No Ghetto // jun 10, 2010 at 8:02 PM
[...] As Drizelas e Anastácias da Cinderela Gay @LadyRasta comenta e destrói novo livro de Ruth de Aquino, que se pretende um guia paras as donzelas identificarem os gays. [...]
Não tenho preconceito nenhum com gays, pelo contrário todos os que conheci adorei, são pessoas muito acessíveis. O que acho errado é um gay não se assumir ou pior ainda procurar uma mulher para esconder sua identidade, porque realmente a mulher pode se apaixonar sim e ai ele esta engando outra pessoa e a si proprio.
Também trabalho com psicanálise, sou psicóloga, e faço minhas as palavras da Tathi a respeito da bissexualidade. A propósito, você já ouviu falar de Kinsey? Fizeram até um filme (Kinsey – Vamos Falar Sobre Sexo). Tem tudo a ver com esse colorido da sexualidade sobre o qual você fala no texto.
E eu tenho um método bem mais fácil pra descobrir o gosto sexual (acho estranho o termo “opção sexual”) da pessoa. Assim que tiverem um pouco de liberdade, pergunte. Se ele for gay e disser que é hetero, engatar um relacionamento de fachada e fazer de tudo pra te satisfazer (inclusive sexualmente), azar o dele, não?
Talvez as autoras estivessem com a intenção de ser engraçadinhas, sei lá… Bem… Não conseguiram. Isso não é nem mesmo pseudo-humor. (Não vou criticar, até porque não li o livro; e nem pretendo ler, esse tema não me interessa).
De qualquer forma, já me relacionei com três bissexuais (uma relação casual e duas sérias). O que me preocupou um pouco é que todos eles – e os amigos do círculos deles – tinham pouca preocupação em se prevenir contra DST’s (só fiz sexo propriamente dito com um deles e usamos preservativo sempre, felizmente). Não que isso tenha a ver com a bissexualidade, mas os três (que não se conheciam e moravam em estados diferentes do Brasil) tinham tanta gana por essa liberdade sexual, que a ampliavam a um campo perigoso.
O primeiro deles morreu este ano em consequência de pneumonia (estava com o sistema imunológico debilitado porque havia contraído HIV). O segundo (o único com quem transei de fato) continua vivendo perigosamente e, infelizmente, trata mulheres de maneira não muito sensata, o que me faz pensar que talvez ele seja mais inclinado a ter afinidade com homens. O terceiro está se relacionando com uma mulher no momento, mas também; eu a conheço e infelizmente sei que ela é constantemente traída.
Eu não teria problemas em ser trocada por um homem (até prefiro, confesso, assim não daria aquela sensação de “o que ela tem que eu não tenho?”), mas não gostaria de me relacionar com um gay enrustido. Não por ele ser gay, mas por ele me enganar e viver num relacionamento de aparências – enquanto eu estaria me envolvendo sem receber o retorno afetivo desejado (assim como eu também não gostaria de viver com um hétero que me traísse por aí. O problema é a mentira).
É claro que não é um livro preconceituoso destes que vai dizer como saber se o sujeito é gay ou não. Mas que não é certo o sujeito ludibriar uma mulher afetivamente e esconder sua opção sexual dela, ah, isso não é mesmo…!