Livros da minha infância

A minha xará Flavia Durante me convocou para um meme criado por ela que adorei: falar sobre o primeiro livro que li na vida.

O primeiro, primeirão, confesso que não lembro; mas lembro bem de quando me encantei pela leitura, como comecei a achar que livros eram uma coisa legal, e isso se deu  através do meu pai.

<abre parênteses> meu pai tinha um jeito peculiar de contar histórias: lembro que uma vez ele comprou uma Bíblia ilustrada – e não, ele não era católico, dizia que as pessoas viravam poeira de estrela quando morriam – e numa ilustração de anjos falava algo como “eles falavam anjos em carruagem, mas bem poderiam ser ETs em disco voador”… Entenderam agora porque sou assim? :lol: </fecha parênteses>.

Já contei um pouco dessa história aqui, mas não com detalhes: o meu pai lia “Reinações de Narizinho” pra mim criando vozes de cada uma das personagens. A voz da Emília era uma voz fininha de taquara rachada, e eu morria de rir com ela. Na melhor parte da leitura ele parava. Eu falava “ah pai, lê mais!!” E aí ele falava que não, que se eu quisesse  era só continuar. E lá ia eu pro quarto  devorar Monteiro Lobato, lendo com aquelas vozes que meu pai havia criado… Foi assim que comecei a me empolgar com a leitura e a ver nos livros amigos fiéis (porque são, né? nada como uma boa leitura pra fugirmos da vida quando ela não está boa…Um dia conto pra vocês minha “teoria da saga”…).

Curioso: parando pra lembrar agora, apesar de ter certeza que ele começou a ler Monteiro Lobato pelo primeiro volume da coleção, “Reinações de Narizinho, eu me lembro melhor do meu pai lendo “ Os 12 trabalhos de Hércules” – onde a Emília chamava o Hércules de Lelé, adorava Palas Atena e se dirigia aos deuses com familiaridade… Eu adorava a entonação que meu pai dava à voz da Emília e à do Hércules. Foi por causa de Monteiro Lobato também que me encantei por mitologia grega quando menina – devorava tudo que me aparecesse à frente sobre o assunto (e, devo confessar, naquela época eu achava que os deuses gregos faziam muito mais sentido do que os deuses da Igreja Católica, hehehe).

Posso contar um momento #mortadevergonha da minha vida que tem relação com tudo isso que estou contando? Certo dia, falei pro meu pai que tudo que eu queria na vida era ter um pouquinho de pó de pirlimpim (pros que não leram Monteiro Lobato, pó de pirlimpimpim era a forma de aparatação do pessoal do Sítio do Picapau Amarelo). Ele respondeu que era fácil, pois na verdade o pó era a “peninha do Dumbo” da moçada: bastava eu me concentrar, mentalizar o lugar praonde eu queria ir e voilà… E lá foi a pastel aqui pro quarto, tudo escuro, de pé em cima da cama, pensando em um lugar… Vocês não imaginam a minha vergonha quando me toquei que tinha sido vilmente enganada. Claro, meu pai me enrolou dizendo que a gente ia com a mente e não com o corpo, que livro servia para entrarmos em outros mundos e tal, mas… não me convenceu à época, confesso. Hoje ao  me ver empolgada com alguma leitura, chegando a sonhar com as personagens quando estou muito envolvida na história, me pergunto se ele não teria razão…

E vocês? Qual foi o primeiro livro que leram, hein?

****

P.S. Sabe que “História do Mundo para as crianças” é um livro muito bacana pra se ler na faixa dos 7, 8 anos, para que as crianças percam a mania de achar que história é algo chato, né? E é uma delícia de livro, recomendo que vocês o leiam com seus filhos como meu pai fazia… E achei um texto interessante e curto sobre o universo de Monteiro Lobato aqui

P.S. II Alguns livros que amei ler quando menina: Tistu o menino do dedo verde, “Camilinha no País das Cores”, “Pimpinela Escarlate” (nossa, agora que me dei conta que certas características sempre me fascinaram, hehehe) eum outro que sempre procuro em sebos e nunca achei (aliás, acabei de achar, uhu!!): Três Garotos na Amazônia (onde aprendi o que era uma zarabatana com curare – artefato que sempre quis ter na vida, hehehe)

P.S. III – Pra continuar o meme, convoco (pra não dizer notifico, hehehe)  a Liliane Ferrari, Sam Shiraishi, Liv Brandão, Srta. Bia e Lucia Malla (nossa, só mulher, né? não sei o que me deu…). E como o @inagaki é o mestre da organização, sugiro mandar o link pra ele também, hehehe

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7 respostas a Livros da minha infância

  1. Nina disse:

    Eu aprendi a ler sozinha, muito cedo. Amo, amo Monteiro Lobato. Herdei toda a coleção de livros infantis dele e até hoje gosto de reler. Eu era aquela que nas festas descobria os livros da casa e me escondia num canto pra ler.

    Mas o primeiro livro que me lembro de ler e me emocionar, pensar “nossa, que legal!” foi Clarissa, do Érico Veríssimo. Eu tinha oito anos. Logo em seguida, li Música ao Longe, e alguns anos depois, reli os dois livros e mais Um lugar ao Sol, que completa a trilogia. Até hoje esses livros ocupam um lugar especial na minha memória literária.
    Adorei seu post! Foi bem legal lembrar de Vasco e Clarissa!

    beijo

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  3. CarlaZ disse:

    Eu fui aquela criança super leitora…lias os livros da minha casa e relia mil vezes…alem de ler tudo que tinha na casa das minhas vizinhas.
    No colegio sempre era a campeã de alugar livros na biblioteca.
    Depois desse post fui até dar uma googlada e achei taaantos livros que li…fiquei ate emocionada…

  4. Lucia Malla disse:

    Oi Flávia! Tá lá minha “listinha” de primeiros livros (não dá pra contar de um só, né…) :D

    Beijos e obrigada pela lembrança! :)

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