A “arroz de muvuca” na FLIP

Bom, vocês todos sabem que eu sou a maior “arroz de muvuca” que existe , né? Carnaval, roda de samba, copa do mundo… Como diz meu filho, eu não posso ver uma aglomeração que já vou querendo participar e saber o que é.

Com a FLIP não poderia ser diferente: adoro Paraty (esse trecho do litoral brasileiro ma-ra-vi-lho-so, aquela coisa “desenho de criança”com o mar, a montanha e a mata juntos debaixo de um sol lindo), adoro livros, e acho ainda mais legal quando esses dois itens se juntam a um monte de gente que também curte as mesmas coisas.

Apesar da decepção de alguns com o cancelamento da vinda de Lou Reed (que eu, pra ser sincera, não lamentei tanto assim, porque comungo do ponto de vista do @Biajoni), há muita coisa bacana para ser vista.

Tenda dos autores quase pronta pro Carnaval cabeça de Paraty

De cara já curti a FLIP desse ano porque, tendo em vista que o autor homenageado é Gilberto Freyre, finalmente tive motivação e disciplina pra ler “Casa Grande e Senzala”. Gostei muito do livro, e posso estar enganada, mas acho que a crítica foi muito injusta com ele (pelo visto vale o velho truque de malhar a obra do cara tendo em vista suas inclinações políticas, hábito que acho detestável e indigno, mas infelizmente é corriqueiro).

A programação inteira você encontra aqui. Vou fazer como no ano passado e tentar contar pra vocês o que tá rolando – do que eu conseguir ver, bien compris, porque tem muito evento simultâneo rolando…

Já adianto que na 5a feira haverão várias entrevistas coletivas, e vou tentar tuitar, postar  ou  transmitir alguma coisa via Qik. Vou deixar um post com o link do meu canal embedado amanhã, então, fiquem ligadinhos  :lol:

Mas pra começar vou contar pra vocês o que me interessa nessa FLIP (vejam bem, é a minha preferência, não necessariamente o que há de melhor – até porque acredito que isso seja questão de foro íntimo. Eu por exemplo, apesar de saber da importância de Robert Crumb, confesso não morrer de amores pela obra dele).

- Isabel Allende : escritora com milhões de livros vendidos, está vindo ao Brasil enquanto no Chile rola ainda em agosto uma votação para o Prêmio Nacional de Literatura. Muitos acham que ela não é uma escritora de qualidade, em razão da popularidade de seus livros. De minha parte a acho sensível, de prosa fácil, me faz pensar e isso pra mim é suficiente. :-)

- Wendy Guerra – escritora cubana que faz duras críticas ao regime de Castro, é um excelente contraponto à questionável Yoanni Sanchez. Como Yoanni, Wendy também é contra o regime de Fidel Castro e também não tem nenhum livro publicado ou circulando na ilha; no entato, ao contrário desta última, tem saído (e regressado, bien sur) de Cuba várias vezes. Seu último livro, “Nunca fui primeira dama” é um relato dolorido de sua relação com a mãe, permeado de histórias e críticas à Revolução Cubana que depôs Batista.

- Azar Nafisi – iraniana que vivenciou a queda do Xá Reza Pahlevi (que proibiu o uso do véu) e a ascenção do aiatolá Khomeini que voltou a torna-lo obrigatório, com tudo que isso implica no que tange à submissão da mulher. Azar escreveu “Lendo Lolita em Teerã” onde conta sua iniciativa, durante vigência do regime da sharia imposto por Khomeini, de ler o famoso romance de Nabokov em sua casa juntamente com outras mulheres, suas ex-alunas.

Seu último livro é de memórias e muito interessante, pois seu pai foi Prefeito de Teerã durante o governo do Xá, caiu em desgraça, foi preso, e vivenciou toda a Revolução Islâmica.

Assim como Wendy Guerra, Azar também descreve no livro sua turbulenta e problemática relação com sua mãe (aliás, acho ótimo as pessoas cada vez mais terem coragem de dizer que nem toda a mãe é boa mãe, assim quem diz isso pra quem quiser ouvir aos poucos não será tão discriminado…)

Robert Darnton : historiador focado em livros e sua história. Em seu último livro, ele a fala bastante sobre assunto pra lá de manjado e batido, a questão do livro eletrônico e a sobrevivência (ou não) do livro no formato analógico (ou, como gosta de dizer o @riqfreire, das “edições em árvores”.). Darnton participará de duas mesas de debates focando nesse tema (e só vou contar o que acho disto mais tarde, nem adianta perguntar).

Gilbert Shelton: cartunista famoso, um dos ícones do quadrinho underground. Confesso que não conheço muito a obra dele (não vou mentir, né?), mas durante esse período pré-FLIP recebi indicações aqui e ali e gostei do que vi. A sua mesa promete, de uma vez que ele e Robert Crumb falarão sobre a história dos quadrinhos contemporâneos.

Terry Eagleton : é meio um anti-Dawkins, e tem meu apreço justamente por isso. Tenho consciência do quão nocivo é o fanatismo religioso (seja aquele do bible belt, onde o criacionismo é ensinado nas escolas como algo real e contraposto a Darwin, como o do Islã), mas não gosto do estilo “marketing de supermercado”do Dawkins e discordo diametralmente dele quando o vejo afirmar que “religião causa a maioria dos males do mundo” (expliquei os motivos de minha discordância aqui – e reverencio o autor, também ateu, desse texto sensato que merece leitura).

Hermano Vianna -antropólogo brasileiro com interesse voltado para as manifestações culturais (tem um livro sobre samba e outro sobre funk, só pra situar vocês)

Antes que vocês me perguntem: e o Robert Crumb? Well…eu sei que ele é importante, reconheço o seu valor ( sobretudo o de ter publicado seu Gênesis numa América puritana) mas…confesso que não morro de amores por ele não. Não curto os desenhos, acho que eles são muito grosseiros. Reconheço que é arte (até porque vivo teimando em dizer que arte é aquilo que te toca de uma maneira ou outra), mas he’s not my kind of town… Posso, né?

Well, alea jacta est. Vou contando pra vcs o que tá rolando aqui, certo? Au ‘voir!!!

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