Darnton, Burke e os livros

Normalmente acreditamos que os jovens são aqueles que trazem ideias novas, as quais são rechaçadas pelos mais velhos. Devo dizer que não foi o que vimos ontem na mesa em que Peter Burke e Robert Darnton discutiram o futuro dos livros.

No início, Darnton, historiador especializado na história dos livros, falou da importância de se manter escritos triviais e corriqueiros para se entender os hábitos, o cotidiano de cada época para assim se construir um cenário histórico preciso (e por causa disso, escreveu em seu recente livro, é contra o microfilme dos jornais, pois muito se perde à medida em que não há uma visão da estrutura dos jornais, suas manchetes, seus assuntos relevantes e tal).

<abre parênteses> ontem aparentemente, sexo was in the air: depois de Isabel Allende mencionar que “os ouvidos são o verdadeiro ponto G”, foi a vez de Darnton e Burke mencionarem as anedotas de M. Du Barry, não exatamente conhecidas por seu puritanismo, :lol </fecha parênteses>

Foi uma grata surpresa ter descoberto que Darnton e Burke são entusiastas da Wikipedia: Darnton ressaltou que é um momento muito especial, pois todos podem participar da produção do conhecimento, ao contrário do que ocorreu até os dias de hoje.

Burke, falando sobre a questão do meio físico dos livros (e-books X livros de papel) nos lembrou ser um privilégio (para ele desconfortável) participar deste momento de transição da história dos livros. Afirmou ainda estar feliz de ver tantos entusiastas do livro de papel em Paraty, pois isto significaria que a sua morte não é iminente – e em sua opinião, ao menos nos próximos 50 anos os livros físicos continuarão co-existindo com os e-books (embora progressivamente em número menor).

Ainda na coletiva, Burke tocou num ponto que me é caro: a questão da educação. Com uma visão extremente moderna, disse que escolas e educadores estão preocupados com a parcela errada do conhecimento. Quando quase todo conhecimento do mundo está a um clique de distância, disse ele, o importante não é transmitir o conhecimento em si, e sim desenvolver nas crianças o espírito crítico para discernir qual informação é relevante ou não. Como eu sempre digo, não há como se prescindir, ao menos por enquanto, do homem, não importa quantos digam o contrário ? .

Outro assunto importante abordado pela mesa foi a questão dos direitos autorais. Tanto Darnton quanto Burke acham que os direitos autorais têm uma duração muito longa.

Darnton inclusive chegou a citar frase de Thomas Jefferson “knowledge belongs all mankind”.

Como eu disse, esses senhores são muito mais jovens e idealistas que muito jovem que eu conheço…

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