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Cidades onde deixei meu coração

*Blogagem coletiva “Umas com tanto, outras com nada“, detalhes ao fim do post

Meu pai era do tipo para quem 600km de distância (de carro, bien compris) eram ali do lado. Programar viagem? Claro… Você comprava a passagem, reservava o hotel da chegada e o da volta, alugava um carro, fazia um roteiro aproximado das principais cidades que você queria conhecer e quantos dias gostaria de ficar em cada uma delas, e tava feito.

O estudo era do trajeto. Das cidades pelo caminho onde poderíamos parar. Ou não. Tudo podia ser mudado de última hora se, por exemplo, no meio do caminho tivéssemos um lauto almoço que nos obrigasse a parar para pernoitar no andar de cima do Relais Chateau em questão (como aconteceu uma vez em Dijon, cidadezinha pela qual me apaixonei). Dane-se se com isso um dia de [coloque aqui o nome de uma cidade gracinha da França de sua escolha] ia ser sacrificado. Ele não dava a mínima. “Não recebo do Guia Michelin por cidade ticada”, costumava dizer.

Para ele, realmente interessava o trajeto, e não o destino. “As únicas cidades que merecem 4 ou 5 dias são Paris, Londres, Nova York, Madrid; o resto, um ou dois dias está bom, então pra que se preocupar?”.

Exagero, claro. Mas meu pai era exagerado. Talvez por conta desse exagero, eu seja exatamente o contrário. Até curto o trajeto – porque nele, como bem diz meu sábio filho, normalmente acontecem os micos que distinguem a *nossa* viagem da viagem dos outros mortais.

Por isso, quero voltar sempre (assim como a Mari Campos) aos locais que já estive. Alguns acham isso perigoso. Mas sabem de uma coisa? Só é perigoso se vc quer viver exatamente a mesma experiência que viveu antes. E não dá né? Aquela história do homem no rio, bla bla bla. Mas se você não quiser repetir, e sim *descobrir* mais, devorar a cidade como um gafanhoto, aí é bacana… eu sou uma rata da minha própria cidade e nem mesmo assim consegui esgotá-la :-D

Por conta disso vivo sempre um dilema: quero conhecer lugares novos, mas quero voltar aos antigos. Não fazer isso me parece traição. E como não nasci milionária, instala-se um problema sério…

Tá, eu sei, tô enrolando e vocês querem saber pra quais cidades eu não me canso de voltar. Mas é que eu tô aqui mais interessada no motivo pelos quais as cidades nos fazem voltar. Beleza? Há cidades belas que nos fazem voltar, mas não creio que seja isso. Beleza não é (só) o que nos faz voltar a uma cidade, assim como não costuma ser o que nos prende a um companheiro por um grande período de tempo Adoro aquela música do Vinicius em que ele diz que “…senão, é como amar uma mulher só linda”. A música diz também que uma mulher tem que ter “aquele molejo de amor machucado” (uma frase que não me canso de repetir e de amar – e que espero ser um dia, aos olhos de alguém).

Acho que é isso, sabem?As cidades para as quais voltamos, de um jeito ou de outro, nos emocionam. Sempre. E eu acho que a emoção vem desse tal de “molejo de amor machucado” que cada uma delas tem para nós: o que elas têm de imperfeito que justamente as faz tão… humanas. Talvez seja o jeito de tratar o turista (mal ou bem), talvez sejam seus habitantes, mas de um jeito ou de outro, as cidades para as quais queremos voltar sempre nos aconchegam. E justamente por isso, o que apraz a uns não a outros, do mesmo jeito que eu só olho pra morenos e raramente pra loiros, e com outras pessoas é o inverso. Deu pra entender?

Nova York, apesar de fazer anos que não vou para lá, é quase hors concours: sua vida cultural feérica misturada com aquela bagunça de gentes (que eu enxergo um pouco em Londres) faz com que cada ida pra lá seja sempre tão diferente uma da outra que nem sei se dá pra dizer que você está voltando para a mesma cidade.

 

Paris idem. Paris pra mim tem uma peculiaridade: não dou a mínima se a parte cultural é bacana ou não. Sempre é, mas não é por isso que sempre quero voltar pra lá. Vocês vão rir, mas… é pelo jeito como em algumas padarias eles embrulham as tartelettes de framboesas, parecendo um origami.

Paris está nos detalhes, como eu sempre digo, precisa ser descoberta. E cada vez que estou lá, fantasio que moro lá um pouquinho naqueles dias. Vou comprar meus queijos, meus vinhos, paro pra tomar meu capuccino com croissant… eu não quero “fazer coisas” (como diz meu filho), não quero “ticar monumentos”, ou em ve-ene-vês, não quero fazer lerês; eu quero parisiar, flanar. Como diz a música, J’ai deux amours, mon pays et Paris.

Meu sonho de consumo? Ser clone do Jorge Amado e morar 6 meses em Paris e passar o verão na Bahia. Sim, na Bahia.

Porque eu adoro Salvador né? Aquela cidade feia, meio suja, que ninguém entende direito. Aquela mistura de sacro e profano que me encanta. Aquela mistura de sal, dendê (e xixi no Carnaval). Tem o lado feio também. O racismo (nem tão) surdo que você ouve, e que um dia vai explodir. Mas é ali que me refaço. É ali que chego quase todo final de ano quase rastejante, sem forças, e volto renovada. É, eu sei, eu pego o melhor que Salvador tem pra me oferecer: a cidade no seu auge, no seu melhor, com milhões de coisas acontecendo.

É um amor de verão. Mas ao menos eu sou uma amante de verão fiel, que a defende com unhas e dentes, e ela sabe disso. Não troco minha querida Salvador e suas festas de largo por praia de areia branca e mar verde do Caribe nenhum. Como diz o Riq Freire, e lá no Caribe tem sirigueloska por acaso? Tem não…

O Rio de Janeiro é outra cidade que não consigo ficar um ano sem ir. Seja pelos amigos queridos que tenho lá, seja pela paisagem impressionante, linda, pelas rodas de samba, calçadão, ah sei lá. Não dá pra falar do Rio depois desse texto aqui. Só sei que o Rio de Janeiro continua lindo, vale mesmo com chuva, e não vivo sem ele.

<abre parênteses>: não sei porque, mas uma cidade que acho visualmente parecida com o Rio, ainda que somente no jeitão, é Honolulu – talvez a Lucia Malla saiba me explicar por quê… </fecha parênteses>

Barcelona é uma cidade para se voltar sempre. Madrid também é, mas eu tenho ascendência catalã, então puxo brasa pro meu lado. Mas preciso conhecer Portugal. Tenho a impressão que vou adorar Lisboa.

E tenho medo de Berlim. Muito medo. Já desmarquei mais de uma vez passagem para Berlim, porque tenho a impressão de que se me soltarem por lá, periga de eu enlouquecer. Feeling. Um dia eu conto o que aconteceu :-)

Na seção lindinhas queridas pra passar o fim de semana estão Ilhabela e Paraty. Ambas cidades coloniais paulistas (sim, paulistas. Cariocas têm essa mania boba de achar que Paraty lhes pertence só porque a cidade está do lado deles da fronteira, mas é bobagem. Em Paraty o dialeto dominante é o paulistês – nem sei se isso é bom, na verdade, mas é uma curiosidade sobre a cidade, hehehe), com vistas lindas, restaurantes gostosos e um pessoal bacana.

 

Ilhabela vista da pousada onde costumo ficar

 

 

não é uma delícia de lugar pra se tomar café lendo um livro?

Das cidades que eu não faço questão de voltar… Vocês vão me matar, mas Buenos Aires, que todo mundo adora, não me apaixona. Tenho preguiça. Tenho muito mais vontade de conhecer Santiago ou Lima do que voltar pra Buenos Aires. Tô nem aí pra Buenos Aires. Prefiro, sei lá, passar o fim de semana em Paraty (que eu adoro). Eu sei, ela vale a pena, tem os restaurantes, as compras, o câmbio tá bom… mas de novo: eu tenho preguiça.

Não preciso voltar pra Quebec, mas a viagem até lá é linda (alá meu pai influenciando). Niagara Falls definitvamente é lugar que não só não preciso voltar como também um ao qual não precisaria jamais ter ido. É um mix de Poços de Caldas com Chafariz de Shopping (sem o doce de leite de Poços, bien compris – nem o leitãozinho). Las Vegas é divertido, mas também não carece de mais que uma visita (um dia preciso contar o episódio em que o pai de lordrastajr foi preso no caminho de ida e eu tive que trocar travellers num casino furreca para soltá-lo, numa cidade daquelas de filme pesadelo no meio do deserto). Mas sei lá, de repente, num rompante…

Florianópolis é outra cidade pela qual não morro de amores (perdão amigos queridos que moram lá). E é linda né? Mas o tal do molejo de amor machucado, sacumé… Costumo provocar dizendo que praia sem coqueiro eu tenho aqui do lado, em Ilhabela.

 

 

O pôr do sol mais lindo que a poluição pode te proporcionar

Mas sabem? Eu reclamo, reclamo, reclamo… Mas a não ser aquele combo jorgeamadiano que mencionei, não troco esse maldito por do sol cor de rosa aí de cima por nada. Não adianta. Como dizia meu pai, melhor hotel ainda é a minha casa, e pra cá que eu sempre quero voltar. <3

****

Sobre a blogagem coletiva:

*Na semana passada, numa troca de tuites entre CláudiaNatalieCarinaPatriciaCarmemMarcie, surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma delas considerava “viu-tá-visto”. Aí a conversa evoluiu e dedidiram fazer também uma segunda lista – com cidades ou países para onde voltariam sempre. Mais gente foi entrando na conversa e, no fim,  a notícia se espalhou e a gente decidiu, vejam só fazer uma blogagem coletiva com o tema “umas com tanto, outras com nada” hoje, dia 19. Então aqui vamos nós. VISITEM OS OUTROS PRA VER O QUE ELES APRONTARAM!!! CORRÃO!!

Blogs que participaram da postagem:

Abrindo o Bico

Agora Vai Mesmo

Aprendiz de Viajante

Área de Jogos da Dri

Big Trip

Blog da Nhatinha

Boa Viagem

Caderninho da Tia Helô

Colagem

Cristomasi

Croissant-Land

De uns tempos pra cá

De volta outra vez

Dicas e Roteiros de Viagens

Dividindo a Bagagem

Donde Ando? Por aí.

Dri Everywhere

Filigrana

Flashes por Si

Guardando Memórias

Inquietos Blog

JB Travel

Jr Viajando

Liliane Ferrari

Ladyrasta

Mi Blogito

Mala de Rodinhas e Necessaire

Mauoscar

Mikix

Olhando o Mundo

O que eu fiz nas Férias

Pela Estrada Afora

Pelo Mundo

Psiulândia

Rezinha Por aí

Rosmarino e Outros Temperos

Sambalelê

Senzatia

Sunday Cooks

Turomaquia

Uma malla pelo mundo

Uno en cada lugar

Viagem pelo Mundo

Viaggiando

Viajar e Pensar

Viagem e Viagens

 


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Livros

- “Filho, sua mãe não tá boa hoje, viu? Tô meio nervosa”.

- “Vamos na Cultura, mamãe? Você sempre fala que se acalma quando entra numa livraria; a gente podia ir lá e você fica melhor, que tal?”.

Meu filho tinha uns 10 anos quando esse diálogo aconteceu, e como (quase) sempre, ele estava certo: se tem um lugar onde eu consigo me acalmar é numa livraria ou numa biblioteca. Tem para mim o mesmo efeito que entrar numa igreja tem para algumas pessoas. Ver aquele monte de informação, aquele monte de histórias e modos de ver o mundo sempre me fascinou de tal forma que para mim é impossível não sair de lá diferente, pensando em um monte de coisas – ou com vários livros na sacola :lol:

Sem contar o cheiro né? Sempre adorei o cheiro dos livros: desde os novos, prontos para serem anotados (sim, eu cometo isto que alguns julgam ser uma heresia: anoto livros – digo que tenho que marcá-los da mesma forma que eles me marcam), aos mais velhos, com aquele cheiro de sebo. É quase um afrodisíaco para mim. Poderia dizer que só o cheiro deles já faz com que eu me acalme, como um bebê que sente o cheiro da mãe, saca? Ou como uma moça apaixonada quando sente o cheiro do perfume do seu amor.

Foi meu pai o responsável por minha paixão pelos livros quando menina, hábito que felizmente consegui inculcar também no meu filho. E vou contar uma coisa para vocês: apesar de quase ninguém acreditar quando eu afirmo ser reservada (e mesmo tímida) ainda hoje, a verdade é que não só estou sendo sincera como eu era muito muito pior quando menina.  E os livros continuam tendo esse papel na minha vida: desde a minha infância, eles estão ao meu lado quando ninguém pode ou quer estar ali, ou quando eu estou tão triste ou tão sem vontade de interagir que só a companhia deles me é tolerável.  Sim, eu acho livros um remédio quase perfeito para solidão e para os momentos tristes da vida: nada como uma história cativante e envolvente para fazer você esquecer os seus problemas e se preocupar com o dos outros (no caso, dos personagens). Livros pra mim são quase uma medicação: quando algum amigo está muito triste eu digo que está “na hora da saga”: é o momento perfeito para você ler aquela história rocambolesca de vários volumes compridíssima – e quando terminar, tenha certeza: você estará melhor.

Sou tão fiel que os prefiro a filmes, disparado. Os amantes do cinema que me perdoem, mas para mim são raros os filmes que conseguem me prender como um bom livro consegue. Nas palavras do Nick Horby em “The Polyssalabic Spree”,

“Books are, let’s face it, better than everything else. If we played Cultural Fantasy Boxing League, and make books go fifteen rounds in the ring against the best that any other art form had to offer, then books would win pretty much every time. Go on, try it. The Magic Flute v. Middlemarch? Middlemarch in six. The Last Suuper v. Crime and Punishment? Fyodor on points. See? I mean, I don’t know how scientific this is, but it feels like the novels are walking it. You might get the occasional exception – Blonde on Blonde might mash up The Old Curiosity Shop, say, and I wouldn’t give much for Pale’s Fire’s chances against Citizen Kane. And every now and again you’d get a shock, because that happens in sport, so Back to Future III might land a lucky punch on Rabbit, Run; but I’m still backing literature 29 minutes out of 30. Even if you love movies and music as much as you do books, it’s still, in any given four week period, way, way more likely you’ll find a great book you haven’t read than a great movie you haven’t seen, or a great album you haven’t heard”

Não poderia concordar mais; como o diálogo do início do texto mostra, cada um tem o seu templo: um dos meus é uma livraria. Podem ter certeza: se um dia vivêssemos uma realidade similar à de Fahrenheit 456, eu seria da resistência. :-)

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Este post faz parte da blogagem coletiva sugerida pelo Alessandro Martins, ” Por que eu gosto de ler livros“. Fiz depois do tempo regulamentar, mas o que vale é a intenção, né? :-)

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Livros da minha infância

A minha xará Flavia Durante me convocou para um meme criado por ela que adorei: falar sobre o primeiro livro que li na vida.

O primeiro, primeirão, confesso que não lembro; mas lembro bem de quando me encantei pela leitura, como comecei a achar que livros eram uma coisa legal, e isso se deu  através do meu pai.

<abre parênteses> meu pai tinha um jeito peculiar de contar histórias: lembro que uma vez ele comprou uma Bíblia ilustrada – e não, ele não era católico, dizia que as pessoas viravam poeira de estrela quando morriam – e numa ilustração de anjos falava algo como “eles falavam anjos em carruagem, mas bem poderiam ser ETs em disco voador”… Entenderam agora porque sou assim? :lol: </fecha parênteses>.

Já contei um pouco dessa história aqui, mas não com detalhes: o meu pai lia “Reinações de Narizinho” pra mim criando vozes de cada uma das personagens. A voz da Emília era uma voz fininha de taquara rachada, e eu morria de rir com ela. Na melhor parte da leitura ele parava. Eu falava “ah pai, lê mais!!” E aí ele falava que não, que se eu quisesse  era só continuar. E lá ia eu pro quarto  devorar Monteiro Lobato, lendo com aquelas vozes que meu pai havia criado… Foi assim que comecei a me empolgar com a leitura e a ver nos livros amigos fiéis (porque são, né? nada como uma boa leitura pra fugirmos da vida quando ela não está boa…Um dia conto pra vocês minha “teoria da saga”…).

Curioso: parando pra lembrar agora, apesar de ter certeza que ele começou a ler Monteiro Lobato pelo primeiro volume da coleção, “Reinações de Narizinho, eu me lembro melhor do meu pai lendo “ Os 12 trabalhos de Hércules” – onde a Emília chamava o Hércules de Lelé, adorava Palas Atena e se dirigia aos deuses com familiaridade… Eu adorava a entonação que meu pai dava à voz da Emília e à do Hércules. Foi por causa de Monteiro Lobato também que me encantei por mitologia grega quando menina – devorava tudo que me aparecesse à frente sobre o assunto (e, devo confessar, naquela época eu achava que os deuses gregos faziam muito mais sentido do que os deuses da Igreja Católica, hehehe).

Posso contar um momento #mortadevergonha da minha vida que tem relação com tudo isso que estou contando? Certo dia, falei pro meu pai que tudo que eu queria na vida era ter um pouquinho de pó de pirlimpim (pros que não leram Monteiro Lobato, pó de pirlimpimpim era a forma de aparatação do pessoal do Sítio do Picapau Amarelo). Ele respondeu que era fácil, pois na verdade o pó era a “peninha do Dumbo” da moçada: bastava eu me concentrar, mentalizar o lugar praonde eu queria ir e voilà… E lá foi a pastel aqui pro quarto, tudo escuro, de pé em cima da cama, pensando em um lugar… Vocês não imaginam a minha vergonha quando me toquei que tinha sido vilmente enganada. Claro, meu pai me enrolou dizendo que a gente ia com a mente e não com o corpo, que livro servia para entrarmos em outros mundos e tal, mas… não me convenceu à época, confesso. Hoje ao  me ver empolgada com alguma leitura, chegando a sonhar com as personagens quando estou muito envolvida na história, me pergunto se ele não teria razão…

E vocês? Qual foi o primeiro livro que leram, hein?

****

P.S. Sabe que “História do Mundo para as crianças” é um livro muito bacana pra se ler na faixa dos 7, 8 anos, para que as crianças percam a mania de achar que história é algo chato, né? E é uma delícia de livro, recomendo que vocês o leiam com seus filhos como meu pai fazia… E achei um texto interessante e curto sobre o universo de Monteiro Lobato aqui

P.S. II Alguns livros que amei ler quando menina: Tistu o menino do dedo verde, “Camilinha no País das Cores”, “Pimpinela Escarlate” (nossa, agora que me dei conta que certas características sempre me fascinaram, hehehe) eum outro que sempre procuro em sebos e nunca achei (aliás, acabei de achar, uhu!!): Três Garotos na Amazônia (onde aprendi o que era uma zarabatana com curare – artefato que sempre quis ter na vida, hehehe)

P.S. III – Pra continuar o meme, convoco (pra não dizer notifico, hehehe)  a Liliane Ferrari, Sam Shiraishi, Liv Brandão, Srta. Bia e Lucia Malla (nossa, só mulher, né? não sei o que me deu…). E como o @inagaki é o mestre da organização, sugiro mandar o link pra ele também, hehehe

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Todos pela Educação

todos_pela_educacao

Sabem de uma coisa? Eu costumo dizer que se as pessoas nesse país se mobilizassem  como se mobilizam para a Copa do Mundo a cada 4 anos, este seria um país muito diferente. E acredito de verdade que se cada um fizer um pedacinho, o que estiver ao seu alcance, o mundo muda. Devagar, mas muda.

E por acreditar nisso, adorei quando fui convidada (através de indicação da @samegui) para participar como voluntária do Projeto Todos pela Educação, cuja campanha de 2010 foi lançada em novembro.

O Todos Pela Educação é um movimento da sociedade civil, apartidário, que reúne lideranças sociais, educadores, gestores públicos e representantes da iniciativa privada, com o objetivo de ajudar o Brasil a garantir Educação pública de qualidade para todas as crianças e jovens até o ano de 2022 (bi-centenário da Proclamação da Independência).

O Projeto definiu metas objetiva e numericamente mensuráveis que servirão de baliza para aferir se a educação no país está melhorando ou não. São elas:

Meta 1. Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola.
Meta 2. Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos.
Meta 3. Todo aluno com aprendizado adequado à sua série.
Meta 4. Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos.
Meta 5. Investimento em Educação ampliado e bem gerido.

Vejam o vídeo do relatório “De Olho nas Metas de 2009″, cuja apresentação ocorreu hoje no MAM (infelizmente, apesar de convidada, não tive condições de comparecer)

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=bRxtmk7SznU]

Por que eu curti? Porque eu estou absolutamente convencida que só com investimento em educação pesada é que vamos um dia conseguir resolver (ou ao menos amenizar bastante) uma série de problemas sérios que nosso país tem. Pra mim investimento em educação fundamental é o mais importante. E eu acho que a forma de ajudar o governo (e mesmo cobrar políticas pertinentes ao assunto) é fazer aquele pouquinho que está ao nosso alcance. Se todo mundo fizesse isso este seria um país melhor.

Pretendo falar bastante sobre o assunto ano que vem – tenho até umas pautinhas prontas – ; enquanto isso, deem um’olhada no site, pensem no assunto, no que podem colaborar (mesmo refletindo em casa com a família sobre o tema)  e venham me contar o que acham, ok?

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Outubro Rosa por aí


Outubro Rosa

Como vários posts bacanas rolando  sobre o Outubro Rosa, e ando sem tempo de produzir conteúdo, vou destacar alguns para que vocês os visitem:

1. A Smiletic escreveu um post super bacana sobre mamografia digital e analógica, inclusive com imagens demonstrativas  que  PRECISA SER LIDO.

Vou colocar só um trechinho aqui pra vocês sacarem a importância:

Vejam só a diferença: o foco passa de nódulos de 0,6 mm para 0,3 mm e, com a ampliação, é possível levar o foco para 0,1 mm. Apesar disso, como seu uso ainda é muito menor que o de aparelhos convencionais, muitos questionam essa melhora, usando isso como justificativa para não comprar nodos equipamentos.

É claro que o custo de um novo equipamento é de quatro a cinco vezes maior que o do equipamento convencional, o que leva hospitais a questionarem o investimento e, pior, levam convênios a evitarem a cobertura para este tipo de exame.

Ainda estão aqui? Estão esperando o que para se informar melhor, posso saber? :-)

2. Através do Luz de Luma descobri que o  Lucas Pereira resolveu não só aderir à campanha de divulgação como também fez um outro banner pros blogueiros, que ficou uma graça:

outubro rosa grandelateral - blogueiros

Pra quem quiser copiar, segue o código:

<p style=”text-align: center;”><a rel=”attachment wp-att-3859″ href=”http://www.mulherconsciente.com.br/Default.aspx”><img title=”outubro rosa grandelateral – blogueiros” src=”http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2009/10/outubro-rosa-grandelateral.png” alt=”outubro rosa grandelateral – blogueiros” width=”194″ height=”129″ /></a></p>

Tem também essa opção:

outubrorosa-meninos2

O código segue abaixo:

<p style=”text-align: center;”><a rel=”attachment wp-att-3860″ href=”http://www.mulherconsciente.com.br/Default.aspx”><img title=”outubrorosa-meninos2″ src=”http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2009/10/outubrorosa-meninos2.png” alt=”outubrorosa-meninos2″ width=”497″ height=”68″ /></a></p>

Fico contente em ver que os homens também estão se preocupando viu? Tem que acabar essa história de que só mulher tem que se preocupar com isso, afinal, todo homem tem uma mulher querida por perto, com quem ele se importe (sim, eu disse todo homem – gays included)

Rosamóvel

3.Virgem em Câncer falou sobre o itinerário do Rosamóvel, deem uma conferida please!

4. O Felipe Kiss também fez um negócio bacana: um site que compila tudo o que tiver a hashtag #outubrorosa no Twitter – em breve, num widget perto de você…

5. Outra que não está deixando ninguém esquecer do Outubro Rosa é a Flavita Valsani, que dá seu recado de um jeito artístico tão bonito que não tem como não prestar atenção… Olhem essas fotos em tamanho grande e me digam se não tenho razão?

Last but not least,  uma foto da minha sobrinha querida, que todo verão da Inglaterra faz de conta que está em Outubro e pinta o cabelo de pink…

Dun

Já falei pra vocês que conversei com o pessoal aqui de casa? E vocês, o que têm feito hein? Podem ir contando…

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Outubro Rosa – campanha, selos de divulgação e notícias

Outubro Rosa

Semana passada quando postei falando sobre o lançamento da campanha do outubro rosa, ainda não havia nada muito definido quanto às blogagens  coletivas desse ano. Agora já está tudo organizado.

1. blogagem coletiva

Quem quiser participar, posta e manda o link pro post da @samegui, que vai centralizar tudo por lá – e como já havia dito, eu vou encaminhar pra ela as postagens que foram feitas anteriormente que linkaram meu post, além de colocar a relação de blogs na minha barra lateral como fiz ano passado.

2. sorteio do livro

Os participantes da blogagem coletiva vão concorrer a o livro “ Força Na Peruca”, da absoluta  Mirela Janoti, super vencedora na luta contra o câncer de mama.  Você pode participar deixando nos comentários daqui do blog colocando o link do post ou dizendo como está colaborando para a divulgação do Outubro Rosa e dia 31/10 eu divulgo o resultado.   A  samegui e   a @danikoetz também estão  sorteando, mas o sorteio da Dani  é hoje!

3. selos da campanha

E os selinhos deste ano já estão prontos!

A @mjcoffeeholick fez o selinho do ano 2 da campanha, estão aí embaixo pra quem quiser colocar no blog, com os respectivos códigos:

outubro-rosa2

Código:

<a href=”http://www.mulherconsciente.com.br/”><img title=”outubro-rosa2″ src=”http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2009/10/outubro-rosa2.png” alt=”outubro-rosa2″ width=”195″ height=”128″ /></a>

outubro-rosa2_pequeno

Código:

Pros meninos que estão apoiando a campanha: a @samegui localizou ontem o pessoal do Conversa de Liquidificador que adaptou o selinho pros blogueiros

outubro_rosa(aliás, shame on us que todo ano esquecemos deles… pedi pra @mjcofeeholick fazer um com o ano 2, assim que ficar pronto aviso!)

o código do selo dos meninos está aqui:

<a href=”http://www.mulherconsciente.com.br/”><img title=”outubro_rosa” src=”http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2009/10/outubro_rosa.jpg” alt=”outubro_rosa” width=”210″ height=”177″ /></a>

Eu pedi pra Cris fazer o  ano 2 dos meninos, assim que ficar pronto eu aviso!

Eu costumo deixá-los o ano todo no blog na minha barra lateral, mas cada um decide como, quando e onde colocar certo?  Afinal, eu sou mandona mas nem tanto assim :lol:

E você? o que tem feito em prol da campanha? Acha que conscientização cai do céu é? Não cai não… Vamos arregaçar mangas?

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Segue a listagem do pessoal que até agora está participando

* A Vida Como a Vida Quer -
* Moda Sem Frescura
* Conversa de Liquidificador

* Pequenos Delitos

* Sentimento em Letras
* Eroti-Cidades

* Artes da Bodela -
- Rato de Biblioteca
- Agora Vai -
- Sucesso News -
- No Ghetto -
- Universo Mix -
- Azar o seu, querida -
- Ladybug Brazil -

- Janela da Alma – Flavita Valsani, no seu Flickr

A @samegui, que é muito mais organizada que eu, fez uma listinha de todos os que estão engajados no Outubro Rosa:, listinha essa da qual fiz copy-paste na cara dura – mas é por uma boa causa, afinal , né?

@louvoreintercessao,

@juliagil,

@lidifaria,

@danikoetz,

@cintiacosta,

@blogapaixonados,

@fiodeariadne,

@smiletic (com vários posts),

@dasgurias,

@claudiamidori,

@cybelemeyer,

@cobracomasa,

@bazarpop,

@casarei,

@selmarosa,

@meninamisterios,

@lume,

@carlamorais,

@jl,

@denisearcoverde,

@SentimentoEmLetras,

@JesusOMaiorAmor,

@AnaPaula (uma das vitoriosas),

@simpleseoriginal,

@mirelafenix,

@redhairtattoo,

@avessodoavesso,

@fufuquices,

@modasemfrescura,

@melhoramiga,

@mr_biglia,

@maxreinert,

@juvilela,

@fabineves,

@juliareis,

@prichufi,

@sacolaodestilo,

@tarsoaraujo,

@objetosdedesejo (que foi na festa, mas não nos vimos),

@andrealino,

@moniquebecker,

@conversadeliquidificador,

@renatanogueira,

@rosana,

@anamagal,

@daluzinha,

@cristianesilva (uma das vitoriosas),

@smiletic,

@fransayuri (no Flickr),

@drimorango,

@fashionyuppies,

@melangedetout,

@virgememcancer,

@beatrizcassia,

@pompeumacario,

@saladeespera,

@charo (a nossa vitoriosa),

@gabibianco,

@metheoro

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Outubro Rosa: Top 10 coisas que você precisa saber sobre o câncer de mama

Outubro Rosa

Outubro, pra quem não sabe, é mês do Outubro Rosacampanha mundial em prol da divulgação da prevenção e dos perigos do câncer de mama.  Hoje é  o lançamento da campanha para os blogs aqui em São Paulo, onde estarei presente, e (imagino) posteriormente vão rolar blogagens coletivas visando conscientizar as pessoas da importância vital do diagnóstico precoce. Eu começo minha campanha no blog hoje, falando sobre 10 coisas que deveríamos saber sobre o câncer de mama :

1. – Aspectos Gerais

De acordo com o Inca, o câncer de mama é o que mais causa morte entre as mulheres. No mundo, é uma das principais causas de mortalidade feminina, sendo raro até os 35 anos, com os riscos aumentando progressivamente após essa idade

2. Fatores de Risco

Os  maiores fatores de risco são : Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento de um câncer de mama estão a idade e o histórico familiar. Ingestão de álcool, menarca precoce, menopausa tardia, ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos e nuliparidade (não ter filhos) também são exemplos de fatores de risco para o desenvolvimento do câncer.

3. Sintomas

Os sintomas do câncer de mama palpável são o nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária. Podem surgir alterações na pele que recobre a mama, como abaulamentos ou retrações ou um aspecto semelhante a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.

4. Da necessidade do diagnóstico precoce :

Se no momento do diagnóstico o tumor tiver menos de 1 centímetro (estágio inicial), as chances de cura chegam a 95%. Quanto maior o tumor, menor a probabilidade de vencer a doença. A detecção precoce é, portanto, uma estratégia fundamental na luta contra o câncer de mama.

5. O auto exame não é mais o melhor modo de diagnosticá-lo

Durante muito tempo, as campanhas de conscientização para o câncer de mama divulgaram a ideia de que o autoexame das mamas, baseado na palpação, era a melhor forma para detectá-lo precocemente. Mas o tempo passou, a medicina evoluiu e as recomendações mudaram.

O autoexame continua sendo importante – mas de forma secundária. Quando o tumor atinge o tamanho suficiente para ser palpado, já não está mais no estágio inicial, e as chances de cura não são máximas.

6. A mamografia  é essencial para o diagnóstico precoce

Para que seja possível um diagnóstico precoce, é preciso que se faça a mamografia, que consegue detectar nódulos de tamanhos muito menores do que o auto-exame é capaz de fazê-lo. Especialistas estimam que mortalidade por câncer de mama em mulheres entre 50 e 69 anos poderia ser reduzida em um terço se todas as brasileiras fossem submetidas à mamografia uma vez por ano.

No entanto, apenas 35% das mulheres brasileiras têm conhecimento de que a mamografia é o caminho para o diagnóstico precoce do câncer de mama. Tal desconhecimento faz com que tenha sido percebido um aumento na mortalidade causada pela doença aqui no Brasil, enquanto que esse número vem diminuindo nos países desenvolvidos – diferença essa em grande parte atribuída ao diagnóstico tardio (Entre 1999 e 2003, quase metade dos casos de câncer de mama foram diagnosticados em estágios avançados, segundo estudo do Instituto Nacional de Câncer – Inca).

É de suma importância portanto, que essa informação chegue às pessoas menos esclarecidas.

7. SUS é obrigado por lei a fazer mamografia anual em mulheres acima de 40 anos

Com o advento da Lei Federal nº 11.664/2008, em vigor a partir de 29 de abril de 2009, o SUS passa a ser obrigado a fazer ANUALMENTE exames de mamografia na mulher acima de 40 anos.

No entanto, para que tal lei seja cumprida, é preciso  pressão e fiscalização da sociedade – e cumpre a nós pressionar e fiscalizar a o governo.

8. Mamografia deve ser feita em locais abalizados

Outro problema que prejudica a detecção precoce do câncer de mama é a má qualidade das mamografias feitas no País. Numa pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), 77% dos exames foram rejeitados por problemas técnicos relacionados à qualidade da imagem, ao posicionamento incorreto das pacientes e ao uso inadequado dos equipamentos. O resultado é, além de tumores que passam despercebidos e de biópsias desnecessárias, o grande número de mamografias que precisam ser refeitas.

Para combater o problema, o Colégio Brasileiro de Radiologia, em parceria com o Inca e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), criou, em 2005, um programa de certificação de mamógrafos, que conta com o apoio da Femama e do Instituto Avon – mas eles ainda são muito poucos.

9. Ele não atinge só as mulheres

Estamos acostumados a associar o câncer de mama apenas às mulheres; no entanto, apesar de o número de homens atingidos pela doença ser bem inferior (apenas 1% de todos os casos) , e bom ficar atento – principalmente aqueles que possuem histórico de câncer na família.

10.  Leis amparam os  acometidos pela doença

E é preciso se informar. Alguns exemplos:

- saque do FGTS e PIS quando titular ou dependentes sofram da doença;

- reconstrução da mama através do SUS;

- compra de veículo isento de IPI, ICMS e IPVA, dispensado do rodízio (em SP);

- passe livre nos transportes públicos;

- quitação do imóvel pelo SFH nos casos de invalidez permanente comprovada;

É necessário informar-se corretamente quanto a isso.

Pink for October by Josué Salazar

Já disse na blogagem do ano passado: pertencer a uma elite não significa ter carro carro ou viajar pro exterior; significa acima de tudo ter consciência do seu papel na sociedade, papel esse que implica em melhorar o que está a nossa volta. E já aviso: isso não se faz apenas com doação de dinheiro; se faz através de empenho pessoal. Que tal informar aqueles que estão à sua volta e que talvez tenham menos conhecimento ou acesso à informação que você hein? Pra mim, cidadania é isso. E pra você?

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Informe-se mais:

- Mulher Consciente

- FEMAMA

- Outros links de interesse

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Na verdade eu não estou sabendo ainda de nenhuma blogagem coletiva nos moldes da do ano passado. Mas se vc fizer um post a respeito (e dá pra fazer, ainda que seja um blog de tema específico – é só ser criativo, ou criar post off-topic) manda o link pra cá que eu encaminho depois ou aviso tá?


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Top 5 motivos a favor da descriminalização do aborto

Hoje é dia da  Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe .

A @anarina, com quem troco inúmeras figurinhas, fez para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) dela um mapa sobre a evolução da legalização do aborto no mundo, que achei bárbara:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=s2e7q0jBvYk]

Como vocês podem ver, não estamos aí – ou melhor, estamos sim, em companhia da maioria dos países africanos (os quais não são exatamente um exemplo de evolução social, econômica e política, certo?) e alguns países ultra-católicos da Europa. Queria portanto, fazer algumas reflexões sobre a questão do aborto:

1. a mulher tem o direito de decidir sobre seu futuro e seu corpo

Sim, sobre o seu futuro. Ninguém ignora que um filho altera a vida da mulher. Altera a vida do homem também, mas não há como negar: é a vida da mulher que fica mais complicada, ainda que o pai seja um pai presente e moderno – até porque a cobrança social em cima da mulher é maior.

De acordo com essa pesquisa aqui, 66% das famílias monoparentais são chefiadas por mulheres; o número chega a 80% quando falamos de famílias monoparentais negras – ou seja, não há como negar que um filho traz mais alterações sobre a vida da mulher do que a do homem.

Você não pode deixar ao sabor do acaso um fato que pode alterar drasticamente a vida de uma pessoa – falhas acontecem, pessoas erram,  e é até mesmo irresponsabilidade obrigar uma mulher a ter uma criança que não deseja.

2. O fato de não acharmos ético o aborto como método contraceptivo não significa que ele deva ser proibido

Eu não acho que o aborto deva ser utilizado como método contraceptivo – mas não é por isso que ele deve ser proibido. A solução é orientar a população menos informada e menos privilegiada, explicando que pílula anticoncepcional e  camisinha (assim como outros métodos menos populares de contracepção) são a melhor solução para o caso. Vai demorar ? Vai. Mas não é negando um direito que você vai conscientizar as pessoas, e só a legalização vai permitir esclarecimento e debate. Não nos esqueçamos: não dá pra fazer uma ampla conscientização de algo que é tabu e proibido.

Proibir o aborto  (que, sejamos sinceros, já existe né?) sob essa alegação é inconsistente – até  porque eu posso não concordar com a utilização do aborto como método contraceptivo, mas essa questão é mais filosófica do que médica, e não tenho como impor meu ponto de vista sobre os outros; no máximo posso tentar convencê-la aos poucos, certo? ;-)

3. aborto já existe – só que só é possível às  classes privilegiadas

Sim, sou eu, aquela que abomina chavões que está dizendo isso. E estou dizendo isso porque é a mais pura verdade ((há post escrito sob pseudônimo no Blog dos 500, projeto do qual faço parte,  falando justamente sobre isso).  Ninguém ignora que existem inúmeras clínicas clandestinas de aborto pelo país, sobretudo nas cidades mais abastadas; ninguém ignora que todo ginecologista “estrelado” (no sentido de conhecido, respeitado etc) tem um colega que exerce a profissão no, digamos assim, “lado negro da força”, para ser acionado em situações, também digamos assim, “mais delicadas” (sim, tudo que é proibido mas acontece à larga precisa de inúmeros eufemismos, sabiam?). Mas como é ilegal, é caro, e somente quem tem dinheiro pode pagar. Quem não tem dinheiro, como todo mundo sabe, utiliza aqueles métodos que podem causar danos terríveis, como a famosa agulha de tricô, os remédios comprados no câmbio negro etc – e como tais métodos deixam sequelas, ao invés do SUS arcar com uma curetagem, tem que arcar com custos de tratamentos mais sérios. Isso é injusto e não pode continuar assim

4. aborto não será  obrigatório

Parece óbvio né? Mas acho que as pessoas não se dão conta do que falam, por isso a ressalva: aqui não é a China (onde por vezes o aborto é forçado, como Xinran falou inúmeras vezes em seus livros) e isso não vai acontecer tá?

Eu tambem sei sei que algumas convicções religiosas não admitem o aborto. Mas… vcs lembram quando o divórcio foi aprovado no país, ainda nos idos de 1970? Lembro do meu pai ter falado : mas gente, divórcio só vai ser permitido, não será obrigatório, vocês estão entendendo?

Falo o mesmo: a legalização do aborto não implica na obrigatoriedade de se fazê-lo. Caso a sua religião não permita, ou se você é contra, é muito simples: não o faça. Mas intolerância religiosa tem sido a causa dos últimos incidentes internacionais e massacres no mundo, e deve ser combatida a todo custo. Ninguém tem o direito de impor suas convicções a outrem – ao menos não em um Estado laico, como é o nosso.

e também não acho que seja a coisa mais legal do mundo; mas acho que é direito da mulher decidir se vai ter a criança ou não, até porque será dela a responsabilidade de criá-lo. Não nos esqueçamos: ainda que feito de forma consciente, o aborto é uma situação onde o emocional da mulher, por mais equilibrada que seja, sofre. Ou vocês acham que ela não sente esse estigma todo que permeia a nossa sociedade?

5. Auxílio à mulher que optou por abortar

Descriminalizar não é obrigar; a respeito da descriminalização, a @semiramis fez um post muito bacana, de onde destaco:

Por descriminalização, entenda-se: fazer o aborto deixar de ser assunto de polícia (resultado: prisão) para ser, simplesmente, assunto de saúde pública, envolvendo apoio psicológico, informação adequada sobre contracepção, direito de optar pelo aborto ou pelo prosseguimento da gravidez, direito de fazer um aborto ou parto com toda a segurança e higiene que a medicina pode oferecer. Essa deve ser uma escolha de cada mulher, e não uma imposição estatal, religiosa ou social. Deixemos que a consciência ou a religião de cada gestante diga o que devem fazer. E respeitemos a vontade de cada mulher.

Não tenho nada mais a acrescentar, a não ser que espero estar viva quando essa situação mudar.

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Veja também:

- parte do documentário “Clandestinas”, também da @anarina, sobre o tema:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=lUNvDG7bcLM]

- Seleção de posts sobre aborto da @tdbem, onde destaco este pela racionalidade e pela lógica argumentativa, e ainda esse aqui pela coragem e emoção

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