Youkali e os tons de cinza

Passeando com um dos meus amigos mais queridos da vida (falo dele no último trecho deste post) sábado na feira orgânica da Barra Funda, comentava sobre  um dos últimos textos do Contardo Calligaris, que eu adorei e que muita gente viu como um soco no estômago.

Segundo o Contardo Calligaris, depressão acontece quando as pessoas não conseguem mais ver o encanto do cotidiano, aquilo que eu chamo de ver ritual onde as pessoas vêem rotina aborrecida, ver cor no dia a dia, nas pequenas coisas, porque é disso afinal, que a vida é feita: de pequenos momentos aqui e ali, e não dos momentos grandiosos, dos acontecimentos retumbantes. Estes têm sua força, nos nutrem por certo, mas é nas cores do dia a dia, é na conversa de todo santo  jantar, naquele telefone de boa noite ou pra dizer “não tive um dia bom e precisava falar com você” que as relações se constroem e a vida acontece.

Aí ele responde: ” o problema está justamente aí: não é que você não vê cor; às vezes você até vê cor, mas as únicas cores que você vê são vários tons de cinza”.

Tive que concordar. Quem nunca esteve lá no fundo do poço que atire a primeira pedra.

Inconscientemente ou não (ele sempre teve o dom de saber o que acontece comigo sem que nem mesmo eu saiba, aquela peste), depois do almoço ele me mostrou um vídeo lindo, da soprano Teresa Stratas (que eu, felizmente eterna ignorante, não conhecia), um Tango Habanera tristíssimo chamado Youkali, de Kurt Weill (o mesmo que escreveu a deliciosa Speak Low), cuja música sem a letra originariamente fazia parte de uma peça chamada Marie Galante e que merece ser visto:

 

A

A letra é linda:

C’est presqu’au bout du monde
Ma barque vagabonde
Errant au gré de l’onde
M’y conduisit un jour
L’île est toute petite
Mais la fée qui l’habite
Gentiment nous invite
À en faire le tour

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Youkali
C’est la terre où l’on quitte tous les soucis
C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L’étoile qu’on suit
C’est Youkali

Youkali
C’est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C’est le pays des beaux amours partagés
C’est l’espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Mais c’est un rêve, une folie
Il n’y a pas de Youkali

Et la vie nous entraîne
Lassante, quotidienne
Mais la pauvre âme humaine
Cherchant partout l’oubli
À, pour quitter la terre
Se trouver le mystère
Où nos rêves se terrent
En quelque Youkali

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Youkali
C’est la terre où l’on quitte tous les soucis
C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L’étoile qu’on suit
C’est Youkali

Youkali
C’est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C’est le pays des beaux amours partagés
C’est l’espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Mais c’est un rêve, une folie
Il n’y a pas de Youkali

Mais c’est un rêve, une folie
Il n’y a pas de Youkali

(a versão em inglês, pra quem não entende francês, está aqui)

Chorei de borrar o rímel vendo o vídeo. Tá tudo misturado ali: tem mulher velha com moço moço, mulher com mulher, velhinhos, gente gorda, gente magra, todo mundo dançando feliz… Tem esperança. Tem serenidade. Tudo flui.

Mas como a letra bem diz,  isso não existe, né? Principalmente nos dias intolerantes de hoje. Youkali é só um sonho, uma loucura, não existe, nos conta a letra.

O problema é quando a gente não consegue sequer sonhar com ele. Como eu sempre digo, a pior coisa que pode acontecer a alguém é sentir desesperança, ter a plena convicção de que vai ver tudo cinza pra sempre e o pior: se conformar com isso, sequer ter forças de se revoltar com essa cinzidão toda. Ter forças somente para respirar fundo e olhar para o outro lado, colocando um sorriso no rosto quando vê que vai chorar se parar pra pensar em determinados aspectos da vida, porque se parar para pensar, vai chorar dias a fio e entrar num buraco de dar medo aos mais corajosos. Só quem já esteve (ou está) lá sabe como é isso. Não quero isso para o meu pior inimigo. Vou contar pra vocês: sorte daqueles que ainda conseguem sonhar com Youkali.

 

 

O verdadeiro ponto G são os ouvidos

“O verdadeiro ponto G são os ouvidos”. Não dá pra não se encantar com uma mulher que consegue insinuar sua sensualidade sem ser vulgar. Posso parecer fútil, mas depois de vê-la na coletiva e na mesa de hoje, esta foi o que mais me marcou.

Isabel começou a mesa contando sobre os rituais que faz para começar a escrever (usualmente todo dia 8 de janeiro, hábito que segundo sua declaração, abandonadonará no próximo livro). Disse que fica com muito medo sempre que vai iniciar um livro, e que os rituais lhe dão forças para começar. Entendi durante a mesa a origem do seu realismo fantástico (que Isabel afirmou na entrevista coletiva não fazer parte da sua atual literatura): ele existe em suas obras porque existe nela. Querem mais um exemplo? Durante a conversa com Humberto Werneck ela mencionou que colocou várias características negativas de seu pai no personagem da Casa dos Espíritos sem nunca tê-lo conhecido, a ponto de sua mãe ficar brava com ela, e atribui isso ao imponderável. Entenderam?

Impressionou ter ouvido que só conheceu o pai depois de morto, quando foi reconhecê-lo no necrotério, e me espantei de ouvi-la contar essa passagem, certamente dolorida de sua vida com um sorriso – mas aí me lembrei da entrevista coletiva, onde ela afirmou que isso a fortalece ao invés de enfraquecer. Como eu falei: não tem como não ser cativado pela conversa de Isabel.

Falou também de suas relações familiares, abaladas depois da publicação da “Casa dos Espíritos”. Espirituosamente, disse que a familia só fez as pazes com ela depois que o filme foi lançado, “afinal, tinha Meryl Streep and Jeremy Irons”…

Voltando ao início do texto: é muito bom ver uma mulher bonita, já madura (maturidade da qual falou ao final da conversa) falar de sua sexualidade como qualquer outro assunto sem ser vulgar. Também é muito bom vê-la falar, daquele seu jeito muito engraçado, que gostaria que Penélope Cruz a interpretasse num filme – mostrando aí sua vaidade (que mulher não gostaria de ser Penélope Cruz, não é mesmo?).

Isabel Allende falou que “o verdadeiro ponto G são os ouvidos”, porque não há como se apaixonar sem gostar do que ouve do outro. Tenho certeza que o marido dela é uma pessoa de sorte.

Noite de insônia

“Ai ardido peito
quem irá entender o seu segredo
quem irá pousar em teu destino
e depois morrer de teu amor
ai mas quem virá
me pergunto a toda hora
e a resposta é o silêncio
que atravessa a madrugada
vem meu novo amor
vou deixar a casa aberta
já escuto os teus passos
procurando o meu abrigo
vem que o sol raiou
os jardins estão florindo
tudo faz pressentimento
que este é o tempo ansiado
de se ter felicidade…”

(Pressentimento

(Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho)

Ontem a noite depois de semanas, fui pra varanda da minha casa e vi que todas as minhas damas da noite (que eu adoro e que tinha replantado há pouco tempo) morreram. E como sempre comparo meu jardim com o meu estado de espírito, lembrei da música aí de cima.

Ah, quem dera fosse fácil assim, e que a casa estivesse aberta e os jardins floridos tão logo a casa estivesse vazia, né? Aliás, ultimamente, no mundo em que tudo é acelerado e preencher formulários de redes sociais é algo corriqueiro, há quem acredite que é só dizer que a casa tá vazia  e pronto – mas pensando bem, talvez seja isso mesmo e a errada seja eu. Ou talvez eu só seja mais romântica e mais lenta. Mas prefiro assim.

“Casa vazia” pra mim é algo mais complexo. Fim de algo significa casa vazia? Acho que não, porque fim é uma coisa, abrir espaço interno pra esvaziar a casa é outra. Às vezes demora tempo pra termos coragem de deixá-la vazia (da última vez foram vários anos; não um ou dois, mas vários – não digo que acho isso certo ou desejável, mas aconteceu e foi o suficiente pra entender que não é uma experiência a se repetir).

Sempre precisei ir até o inferno beijar o diabo pra depois voltar – inteira e refeita, mas não é um caminho que eu goste de fazer, acreditem. É que na verdade, a mim parece incongruente que a maturidade faça com que abandonemos emoções vividas, obriguemo-las a ficar num local espremidinho no coração da gente rápido; sempre achei que isso seria uma espécie de traição para com o que foi vivido, sabem? Sabe quando você está triste, com saudades e tem uma noite divertida? Eu já cheguei a ficar indignada com o fato de estar me divertindo, acreditem. Sempre me senti meio mal com a ideia de que, para seguir em frente, eu tivesse que deixar de lado ou abandonar sensações que foram importantes e bonitas de se viver. Hoje eu sei que estou errada – mas não consigo abandonar fácil essa sensação de que estou “traindo” o que foi vivido. Talvez porque quando algo é muito especial, você tenha dúvidas de que possa viver algo semelhante novamente. Falta de fé, né? Porque dá, juro. Mas eu só descobri isso há pouco tempo, então vocês têm que dar um desconto…

Muito tempo se passou até que eu entendesse que dar espaço a emoções que, por uma razão ou outra, não têm mais espaço na nossa vida, é antes de tudo, não se dar a chance de viver isso de novo; demorou pra entender que temos que cuidar do peito para que ele pare de arder, para que possamos tornar a casa aberta com jardins floridos (mas de verdade, não da boca pra fora – porque sair falando que tá pronto pra outra é uma coisa, outra beeeeem diferente é estar internamente pronto). Não digo que tenha aprendido a fazer isso de forma indolor e rápida – mas ao menos entendi que é preciso fazer isso. É um começo, certo? É só ter paciência (aquela coisa que eu só conheço porque a definição está no dicionário…).

Não acho que tenha sido coincidência que todas as minhas damas da noite tenham morrido nas últimas semanas; é a casa gritando que você tem que fazer mudanças, né?

Torçam pra minha casa ficar limpa e pros meus jardins florirem logo, porque eu não sei viver sem o coração batendo forte de alegria – mas por enquanto ele tá ardendo que só…

Pelo direito de chorar em todas as fases da vida

Começa enquanto somos crianças: um dos pais dá uma bronca, a criança abre o choro, e lá vem um dos dois bobalhões, que não consegue lidar com o fato de que educar por vezes é frustar expectativas momentâneas visando algo no futuro, sair com o fatídico “engole esse choro”. Já tive vontade, inúmeras vezes, de falar pros pais “engole esse choro, por quê, cara pálida? Por que você não consegue lidar com o fato de que seu filho está desagradado? Você quer criar alguém que não seja capaz de exprimir sentimentos, alguém que pra tornar a vida dos outros confortável finge que é uma pedra? Já ouviu falar em terapia?”. Sério, nunca consegui entender a dificuldade em se dizer pra um filho: “eu sei que você está chateado, puto da vida, com raiva, mas isso não vai fazer eu voltar atrás”. Ponto. Não estou dizendo que é uma tarefa agradável. Mas como eu sempre digo, educar dá trabalho, demanda esforço. Muito esforço. <abre parênteses> deixar o filho chorar é beeeeem diferente de deixar o filho fazer escândalo em público e incomodar quem não se divertiu com o outro genitor quando a criatura foi fabricada. Mas nem assim isso justifica mandar “engolir o choro”; você some com a criança de circulação e ela que vá chorar em algum lugar apropriado pra isso. </fecha parênteses>

Quando a gente é adolescente, a gente é chato por natureza. Chora porque apareceu uma espinha no dia “daquela” festa (eu choro por isso até hoje, diga-se de passagem), chora porque brigou com o namorado, chora porque está (ou se acha) gorda, chora porque a vida é uma droga (alguém aí quer voltar pra adolescência? eu, sinceramente, passo), porque esses são problemas sérios na vida da gente quando se tem uma família razoavelmente estruturada. Adolescência é uma fase de desequilíbrio, de excessos – e nessa hora, os pais devem tentar dar um norte, ou tentar mostrar pro filho o que é realmente importante do que não é e dar soluções práticas para o que tem solução (e sim, estar gorda e não entrar no vestido que você escolheu, quando se tem 15 anos, é tão terrível quanto não conseguir aquela promoção ou bônus almejado – ou, sei lá, ter sido trocada por uma moça 20 anos mais nova quando se tem 50 anos). Trocando em miúdos: dizer “não chora, larga mão de ser boba, no dia em que você tiver problema de verdade vai ver o que é bom”  é tão idiota quanto dizer “engole o choro” (Que tal um “você está triste, mas vai passar” ? Um “faz parte da vida, não tem jeito” ? Seu filho vai te xingar e te chamar de insensível, claro, mas é pra isso que pais servem quando se tem 15 anos – pra serem xingados e culpados por todos os males do mundo, não sabiam? :lol:)

Quando você cresce, vêm aquelas receitas de “Revista Nova”: você tem que estar bem, você não pode descer do salto!!! A gente sempre tem uma amiga que faz esse discurso cafona, não tem jeito. E eu de novo, tenho sempre vontade de dizer “quem disse isso? Quem disse que além de ter que aguentar minhas tristezas minhas dores, minhas frustrações, eu ainda por cima tenho que ficar por aí fingindo que está tudo bem? Quem é que me contratou pra figurante da festa do mundo sem sequer combinar cachê?” Claro, não estou dizendo que você tenha que andar como um urubu agourento e olheiras por aí; mas me revolto um pouco com essa obrigação de estarmos todos bem sempre, e sobretudo, com o “estarmos-bem-para-que-o-outro-não-perceba-que-você-está-mal-por-causa-dele”… Isso pra mim não é força de vontade: é infantilidade mesmo (além de estúpido, à medida em que você coloca o desejo do outro, ou a expectativa do outro, à frente da sua. Eu hein… Nesse ponto, com raríssimas exceções, sou bem egoísta). <abre parênteses – de novo> importante ressalvar: há que se preservar, preservar os outros, não fazer tipo, não usar tristeza como chantagem sentimental, e sobretudo, há que não ser inconveniente (nunca me esqueço de uma conhecida que, em uma festa, após ter sido por mim perguntada se tava tudo bem, começou com um “não, meu pai morreu e…..” – isso é falta de educação, pois  não se fica triste em festa); defendo apenas o direito de não se estar feliz 100% do tempo ou de não se obrigar a fingir felicidade – é bem diferente de ser uma nuvenzinha negra ambulante prestes a cortar os pulsos </fecha parênteses>


Basicamente, estou defendendo aqui o direito de se emocionar com dignidade e de não mascarar essas emoções, o que, hoje em dia, é quase um tabu (e estou quase convencida que as pessoas fazem isso porque não gostam de ver estampadas nooutro a dor que também sentem…). Basta dizer que hoje em dia as pessoas acham estranho quem fique de luto pela morte de alguém querido – é o fim do mundo!

Quanto a mim, sempre fui chorona. Chorei muito na minha adolescência (que, como quase toda adolescência, foi medonha), e hoje continuo chorando por quase qualquer coisa (meu filho fica com vergonha em competições e apresentações de escola, porque eu invariavelmente estou aos prantos – pra não contar o vexame da vez em que ele foi pra Europa sozinho e eu chorava de soluçar vendo o avião dele indo embora no Mc. Donalds do aeroporto, com direito a contar pra todo mundo o que estava acontecendo – inclusive o “ele nasceu de 6 meses, era tão pequenininho” – patético, não?), sempre que me emociono muito.

Não é pra isso que chorar serve? Lavar a dor da alma, enxotar a angústia? Dá uma paz tão grande depois, uma serenidade tão boa… Alivia! Dizem que quando o choro é desespero ele não adianta nada, não acalma. Discordo. Quando o choro é de desespero, você chora tanto que acaba por dormir, aniquilada, e o sono repara. Felizmente, há muitos e muitos anos não choro mais assim, porque parei de não me conformar com as situações que por vezes me afligem (é uma das coisas boas da maturidade: você entende que ficar triste é algo legítimo, mas não se conformar é algo muito adolescente… E na real? Não se conformar não vai mudar nada, mesmo).

Já chorei na rua, sentada na calçada, de madrugada, sem me importar com quem passasse (na época dos meus inconformismos) – e não, ninguém me assaltou, pelo contrário: um rapaz parou pra perguntar se eu precisava de ajuda, e quando eu agradeci, dizendo que estava só triste mas ia passar,  disse que ia rezar por mim (Sim, eu acredito em Deus e em rezar – mas aqueles que não acreditam podem entender essa frase como “vou torcer pra você ficar bem” ). Também já fui divina e cavalheirescamente consolada por estar chorando – mas essa (na verdade é mais de uma ) é outra daquelas minhas histórias bonitinhas das quais não costumo falar muito em público… 😉

É por tudo isso aí em cima que eu choro o quanto me der na telha, sem me importar com os “não fica assim”, “isso não te faz bem” – até porque eu sei que quando o choro passar, eu vou sair pra rua em paz, nova em folha, de alma literalmente lavada e porque não dizer,  mais forte; por mais paradoxal que possa parecer, chorar me fortalece e impede que eu me torne uma pessoa amargurada e rancorosa. E danem-se aqueles que me acham boba por pensar assim 🙂

****

P.S. Vai aqui um disclosure: em situações especialíssimas, apesar de muito emocionada, eu me contenho e seguro o choro, em homenagem ao momento. E choro depois, quietinha. E por incrível que pareça, nas poucas vezes em que fiz isso, era um choro de tristeza feliz. Fazia tempo que isso não acontecia comigo. Mas também fazia tempo que um monte de coisas não acontecia comigo…

P.S. II -Sim, eu sei, ando numa fase de posts “virgenzinha assustada do século XVII”; já já passa, prometo 🙂

Me conta: no que ele te fez melhor?

Outro dia, dei a maior bronca num amigo meu que, ao reclamar do ex namorado, desejava a ele as 7 pragas do Egito e os piores círculos do inferno de Dante. Sempre achei que esse comportamento, além de contra-producente (porque a energia que gastamos com isso pode ser utilizada pra gente ficar linda, loira e de bem com a vida) um tanto quanto indigno – até porque desmerece uma relação da qual você fez parte.

Indigno porque a vida pra mim é antes de mais nada uma grande troca entre as pessoas, e eu tenho a firme convicção que as deixamos entrar nas nossas vidasem decorrência de determinada função que elas tenham a desempenhar (e não, isso não tem nada a ver com religião ou vidas passadas, ou qualquer outra coisa desse jaez; tem a ver com olhar pra trás e ver no que precisávamos melhorar, o que precisávamos entender com tudo que foi vivido e avaliar o que nós vamos levar conosco daquilo que vivemos).

Meu filho é um exemplo claro:  ele nasceu meu filho pra me fazer entender que maternidade é algo quase divino; veio pra  me fazer ver que eu podia sim, ser uma boa mãe. Além disso (e talvez  acima de tudo), ele veio pra me dar norte. Meu filho é minha âncora; sem ele por aqui, era bem possível que a essa altura do campeonato eu estivesse escrevendo de uma aldeia de Gulu Gulu do Norte, sem saber exatamente o que eu estava fazendo por lá (e quem me conhece sabe o quanto isso é verdadeiro).

O mesmo vale para uma série de amigos queridos, tanto aqueles que passaram pela minha vida e com os quais não tenho mais contato, tanto para aqueles que, eu sei, estarão do meu lado ate o último dia da minha vida (e, espero, estarão resmungando no meu enterro quando lembrarem que eu dizia não querer ser enterrada sem maquiagem ou de salto baixo, :lol:).

Até aí é fácil; em geral quase todo mundo consegue dar valor e reconhecer o que as pessoas nos trouxeram de bom nas relações não carnais (ou melhor dizendo, nas relações onde amor e atração sexual não estejam presentes); a coisa muda de figura quando falamos de alguém de quem gostamos e que, provavelmente, não gosta mais da gente – ao menos não na intensidade e na disponibilidade de que gostaríamos-, porque isso mexe com nossas inseguranças e nossas suscetibilidades.

Quando se trata de amor, não só o reconhecimento do que o outro fez por nós ou fez por nós é difícil (até porque ele é mais doído e de certa forma prolonga o tempo de luto da relação), como também há um estímulo por parte da sociedade para que neguemos isso, como se o outro, pelo simples motivo de não ter mais os mesmos desejos ou as mesmas expectativas que você, merecesse ser punido por isso. Sempre achei esse comportamento idiota, confesso a vocês, coisa de revista feminina oca; acredito que as pessoas merecem sim, saber o que fizeram por nós – ainda que tenham frustrado algumas de nossas expectativas.

Não se trata aqui de fazer pedidos desesperados, ou de declarações inflamadas, ou acreditar que algo possa mudar (na maioria das vezes não há como), mas antes de reconhecer em que aquela pessoa específica nos fez melhor (ou quando a pessoa não teve atitudes bacanas, o que ela mostrou dentro de nós que não é bonito, ou não é desejável pras nossas vidas e que precisamos mudar).

Acho libertador, sabiam? De minha parte só consigo olhar pra frente – obviamente, depois de maior ou menor tempo, dependendo do grau de intensidade do envolvimento que tive com o moço (e eu demoro pra elaborar lutos em geral), se eu consegui dizer pra tudo o que ele me trouxe de bom e o que me acrescentou, e o motivo pelo qual  eu serei uma pessoa melhor depois dele, em razão das  coisas que eu vivi  (e sobretudo pelo que percebi em mim em decorrência daquilo que vivi, o que é ainda mais importante).

O mais tocante, contudo, é que em geral aqueles que mais nos marcaram em geral não lidam bem com isso. É curioso ver como as pessoas que mais fazem por nós, que mais nos modificam, são aquelas que menos aceitam – ou reconhecem merecer – os nossos elogios, o nosso reconhecimento. Recentemente cheguei a ouvir que é difícil lidar com isso, com o fato de se ter (ou ter tido) importância na vida de alguém (aliás, as duas pessoas que mais marcaram minha vida, curiosamente me disseram a mesma coisa, fiquei até impressionada quando ouvi de novo a mesma frase – mas talvez seja porque eu curta a linha “Mr. Darcy way of behavioring”, né?). Só que eu tenho certeza (ou então sou terrivelmente presunçosa, o que não podemos descartar) que mesmo me criticando por isso,  um dia, lááá na frente, quando tudo estiver cinza na vida deles, apesar do dia estar ensolarado, isso vai fazer diferença. Assim como eles fizeram na minha vida. Como eu disse, viver é trocar.

Queria finalizar com duas de minhas tirinhas do Calvin prediletas, apesar de muito tristes:

Essas duas tirinhas pra mim resumem tudo o que eu disse acima: eu sempre fui muito grata ao que vivi (e grata sobretudo a quem me proporcionou isso), ainda que algumas situações tenham me trazido depois profunda tristeza (é, e como o Calvin eu fico feliz em ter vivido tais situações).  Por isso tudo, e por acreditar  que amor de verdade, ali na batata, não morre nunca, que eu me sinto compelida a ser sincera; só assim posso me olhar no espelho e ter certeza que sou leal a mim mesma e aos meus sentimentos. É mais triste? Sim. Por vezes choramos até dormir de cansaço. Mas a sensação de liberdade e plenitude é imensa. Vocês deviam tentar. É muito mais legal do que desejar a tristeza de quem já nos fez tão bem um dia. E depois que passar vocês vão conseguir olhar pra frente com uma leveza maior, acreditem… 🙂

Nota mental: emoção não é nervosismo

Conversando com o @diegomaia no Gtalk, o rumo da prosa me fez lembrar desse texto da Clarice Lispector (integrante  da compilação de “A Descoberta do Mundo”, presença eterna no meu criado mudo – alguns textos conheço praticamente de cor):

” Recebi uma lição de um de meus filhos, antes dele fazer 14 anos. Haviam me telefonado avisando que uma moça que eu conheci ia tocar na televisão, transmitido pelo Ministério da Educação. Liguei a televisão mas em grande dúvida. Eu conhecera essa moça pessoalmente e ela era excessivamente suave, com voz de criança, e de um feminino-infantil. E eu me perguntava: terá ela força no piano? Eu a conhecera num momento muito importante: quando ela ia escolher a “camisola do dia” para o casamento. As perguntas que me fazia eram de uma franqueza ingênua que me surpreendia. Tocaria ela piano? Começou. E, Deus, ela possuía a força. Seu rosto era um outro, irreconhecível. Nos momentos de violência apertava violentamente os lábios. Nos instantes de doçura entreabria a boca, dando-se inteira. E suava, da testa escorria para o rosto o suor. De surpresa de descobrir uma alma insuspeita, fiquei com os olhos cheios de água, na verdade eu chorava. Percebi que meu filho, quase uma criança, notara, expliquei: estou emocionada, vou tomar um calmante.

E ele: –Você não sabe diferenciar emoção de nervosismo? Você está tendo uma emoção.

Entendi, aceitei, e disse-lhe: –Não vou tomar nenhum calmante. E vivi o que era para ser vivido” .


Foi bom lembrar desse texto. Eu tenho a tendência a confundir com nervosismo e angústia qualquer sensação que fuja dos meus padrões de comportamento – e por fazer esta confusão, por vezes tenho atiitudes infantis.

Mas é bom lembrar que às vezes, uma emoção é só uma emoção, certo? É só sinal de que estamos vivos,  vivendo o que temos que viver e que que isso é bom.

Daqui pra frente vou tratar de me lembrar mais vezes desse texto. Sugiro que vocês façam o mesmo 😉

5 moços da literatura com quem eu teria um affair

Como todo mundo na noite de 3a feira só falava do #BBB, e eu estava assaz irritada com isso,  propus para o @luizmarcondes uma brincadeira: falar sobre as personagens da literatura que gostaríamos de ter um affair:

A @anamarialmada fez a listinha dela,

no que foi seguida pelo @mrguavaman:

Então, aí segue a minha seleção de moços da literatura que me fazem suspirar, devidamente motivada:

Arsène Lupin

Quem é: Personagem principal de uma série de livros muito antiga de Maurice Leblanc, onde Arsène Lupin era um ladrão sofisticadíssimo. Se James Bond fosse do mal, seria Arsène Lupin, certamente. Ele não gostava de violência, vivia dando nós no Inspetor de Polícia Ganimard, pregava altas peças em Herlock Sholmes (sim, uma paródia do famoso detetive) e era extremamente charmoso, galanteador, culto e com aquele senso de humor que só os bem sem vergonha conseguem ter.  Eu, do alto dos meus 12 anos, suspirava por causa dele. E hoje, mesmo (um pouco 😆 ) mais velha, continuo suspirando.  Os livros são ótimos, vale a pena ler (mesmo que você seja homem 🙂 )

Achei dois trechos de filmes sobre o Arsène Lupin, uma versão nova, que coloco abaixo, e outra, de 1932

Petruchio

Personagem principal da Megera Domada de Shakespeare. Para quem não sabe, Petruchio é um grosseirão que se casa por interesse financeiro com a filha mais velha de um cara abastado, que tinha fama de ser uma peste. O pai só casaria  a filha mais nova depois do casamento da mais velha, e obviamente ninguém queria casar-se com aquela peste. Só que a Catarina não é uma peste; a braveza dela é aquela típica das pessoas muito doces que têm medo de se machucar, sabem?  E o Petruchio acaba por fazer aflorar o que tem dentro dela (e eu gosto de pensar que no afã de “domá-la”, ele começou a gostar dela também – mas eu sou uma romântica inverterada, como vocês bem sabem).

Como eu disse nesse post aqui:

“Ele, bonachão, estouvado, agressivo, grosseiro; ela aquela coisa “cavalo bravo”, com aquela agressividade típica das pessoas que são frágeis demais, doces demais e, de medo que as pessoas descubram isso, se fingem de megeras (por que será que gosto dela hein? hehehe). Nas brigas que eles têm, fica evidente que um morre de tesão pelo outro – e depois, com o tempo, que eles se amam…O Petrucchio e a Catarina pra mim são o Calvin e a Susie quando crescerem (crescerem? e lá apaixonados crescem? acho que não)…” .

Adoro o trecho onde ela finalmente começa a se render e concorda com tudo o que o Petruchio diz (um dos meus trechos preferidos daobra). Algumas correntes feministas detestam essa peça (especialmente o discurso final), mas eu adoro, e onde elas vêem submissão, eu vejo vontade da mulher em fazer as vontades do moço dela). O Petruchio  é um grosseirão sim, mas do jeito dele, sem declarações, fez aflorar o melhor dela (e de certa forma, dele também – eu estou convencida que a peça termina com amor entre os dois); é aquele tipo de cara que você nunca na vida vai conseguir colocar cabresto, mas querem saber? Eu gosto disso, guardadas as devidas proporções evidentemente  – e cá entre nós, graças a Deus vivemos numa época em que as mulheres só se submetem porque assim o desejam, certo? 😉

Aqui um trecho da peça no filme com a Liz Taylor e o Richard Burton:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=MlhC57L8WSE]

3. Mr. Darcy

Mr. Darcy é o chique, quieto e contido (e por isso soa esnobe) nobre por quem Elizabeth Bennet se apaixona em Pride and Prejudice, uma das obras mais conhecidas de Jane Austen (e particularmente, super recomendo a série gravada pela BBC, com os diálogos na íntegra). Eu, na minha costumeira contradição costumo dizer que o homem perfeito pra mim é uma versão up to date do Petruchio com o Mr. Darcy. Mas eles no fundo têm certa semelhança: ambos são contidos no que dizem (e eu sempre desconfiei de quem fala muito; quem fala muito, pra mim, sente pouco). Mr. Darcy não fala, mas faz; é do tipo que ajuda os seus queridos sem fazer alarde, para não melindrar os ajudados. E o fato de ser contido só aumenta a felicidade daquela que tem a bem aventurança de vê-lo explodir quando ele não aguenta mais. Acho que é isso que sempre me fascinou nele: alguém tão controlado perder o controle por causa da mulher que ele ama. <suspiros>.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=JF3ueHjUc3k]

4. Capitão Rodrigo

Personagem da saga de Érico Veríssimo, o Capitão Rodrigo é um daqueles homens de espírito livre, inquietos, mulherengos  e guerreiros. Não é o tipo de homem que uma mulher gostaria de ter como marido, mas certamente é o tipo de homem que inspira umas voltinhas… Se não me engano, quando era menina, li um trecho do livro que continha a descrição do Capitão Rodrigo ” um dia chegou a cavalo…) e meus olhos brilharam… A descrição está nesse trecho aqui:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SrMsWLnZKtI]

5. Vadinho

É, ué, o Vadinho, um dos 2 maridos da Dona Flor! Cafajeste, mulherengo, imprestável, bla bla bla mas… acho que toda mulher deveria dar uma volta com alguém assim um dia na vida (mas só vale se você esquecer que ele existe no dia seguinte, não pode se apaixonar!! 😉 ).

E vocês? Quais são as 5 personagens da literatura com as quais vocês dariam uma voltinha, hein? Me conta?

Parabéns a você

Há 13 anos atrás, mais ou menos na hora em que escrevo esse post, eu e você estávamos bem encrencados; fazia uns 2 ou 3 dias que já estava internada naquele hospital, e não podia ouvir o barulho daquela bombinha apertando o meu braço pra medir a minha pressão. Claro  que eu achava aquilo um exagero (ah, as certezas que a ignorância nos dá). No dia seguinte, quando soube que o seu parto teria que ser feito com apenas 27 semanas de gestação porque eu era uma panela de pressão ambulante prestes a arrebentar, e era o parto ou eu virava um pé de alface, vi que a coisa tava feia (e comecei a me maquiar – sua mãe sempre foi meio atrapalhada mesmo né?)

Cópia de leo e flavia ponta do m

Sabe, olhando pra trás hoje em dia filho, sua mãe era uma idiota. Aliás, eu era exatamente igual às várias pessoas que eu critico por aí hoje em dia: ter um filho era algo que eu tinha que fazer, porque era isso que as pessoas faziam depois de 2 anos de casada. Tendo aprendido a repetir como papagaio o que me era dito em casa (e minha mãe, tirando o fato de ter me ensinado a fazer resumo de História e me ensinado a me maquiar, não era lá um bom exemplo de mãe – antes, um anti-exemplo, um “do not repeat this at any circunstances), dizia que não eu tinha jeito pra criança (claro, se ela não tinha, porque eu deveria ter né?), mas resolvi resolver esse assunto logo, pensando que se demorasse muito era capaz de desistir e me arrepender com 40 anos (é, seu sei, não é uma coisa bacana de se dizer – mas o mundo às vezes não é bacana, e você sabe disso). Mas tenho que repetir de novo o que vc já ouviu um monte de vezes: aqueles 56 dias mudaram minha vida – e pra melhor.

Ah sim, eu também dizia que queria ter uma menina, apesar de intuir desde sempre que eu teria um menino. Mas quer saber? A moçada lá em cima acertou ao me mandar um menininho. Hoje eu entendo que as minhas chances de ser uma boa mãe aumentaram sensivelmente ao ter um filho homem. É tão diferente sabia? Tão diferente de tudo o que eu poderia imaginar, inclusive no aprendizado. Parece que ao te ver crescer, entendo os homens muito melhor hoje… Você me fez entender tanta coisa com suas observações, suas prioridades, seu jeito de simplificar as coisas (como no dia em que vc disse que numa viagem com o seu pai vc tinha sentido saudades, me deixando – pra variar – com lágrimas nos olhos e na sequência acrescentou um “aí eu fui jogar bola e passou”, numa observação tão  boyish que até deu raiva, :lol:).

Leozinho quilombo - by VRJr.

Sabe, as pessoas dizem que eu sou uma boa mãe. Acho que sou mesmo; ao menos me esforço muito. Um querido outro dia disse que de todos os projetos que eu resolvi tocar na minha vida, esse é o que eu mais me empenho, mais me esforço – e talvez seja mesmo verdade.

O que eles talvez não saibam meu filho, é o quanto eu sou uma pessoa melhor graças a você; o quanto eu aprendo com você, e não ao contrário. Eu posso te passar alguns conselhos, experiências, conhecimento…mas vc me ensina tão mais filho, tão mais… Pra começar, ensinou o que é ter amor incondicional por alguém, e isso não é pouco.

Mas é sobretudo nas reações que vc tem comigo, no jeito como me trata, que eu me espanto sabe? Eu não sabia que ser mãe era tão bom assim. Ou deveria dizer que não sabia que ser SUA mãe era assim tão bom?

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Como não se emocionar às lágrimas quando, naquele fim de semana em que eu estava com febre, tossindo e doente, mal pra burro, e a gente pediu comida e eu não queria sair da cama, vc cuidou de tudo e me trouxe comida na bandeja, e aí me fez chorar? Ou num dos muitos dias em que eu estava irritada, eu falei pra vc “Filho, desculpa, sua mãe não tá boa hoje” e vc respondeu com ” que tal a gente ir numa livraria Mã? Você sempre se acalma quando vai lá, vive falando isso”. Como não ficar orgulhosa ao ver que vc me dá limites ao não deixar me intrometer demais na sua vida, como quando eu perguntei (vc tinha uns6 anos), se vc tinha namorada na escola e vc respondeu ” eu não gosto de falar dessas coisas com você, Mã”. Ou quando vc era bem pequenininho e a gente tava sozinho na estrada medonha de Caraíva e Trancoso, com uma puta chuva, e o carro atolou e eu te disse ” filho, fica quietinho que a mamãe fez uma puta barbeiragem e precisa sair disso”. E vc ficou quieto até que, um tempão depois vc falou “mamãe – naquela época vc me chamava de mamãe-,  vc já consertou a babelagem? Já posso falar?”. Aliás, vc sempre foi um super companheiro de viagens, filho, já te falei isso…

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Eu podia ficar horas aqui falando das coisas que vc já me disse, como aquela frase clássica ” a paciência, Mã, é uma virtude”, e eu nunca entendi como você, tão pequenininho, disse isso pra mim, ou daonde vc tinha tirado aquilo. Podia falar também das vezes em que vc foi muito mais adulto do que eu quando eu perco a paciência de vez em quando e tem coragem de me falar o que eu preciso ouvir (como no dia em Fortaleza em que eu estava insuportável com você, fui estúpida e você me disse  “Mã, não vem descontar em mim seu nervosismo, eu não tenho culpa” – e eu fiquei quieta e te pedi desculpas, porque eu estava errada. Mas também me emociono quando, nas poucas vezes em que vc não faz troça, e para de bancar o durão (normalmente porque estamos numa situação limite qualquer) e diz que eu sou a melhor mãe do mundo, só porque cuido de você.

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Mas é a tua coragem, a tua determinação e as suas convicções que mais invejo sabia? Já te falei mil vezes isso. Quando você largou o Tae Kwon Do tendo sido campeão sul americano sem perder uma luta, e começou a treinar tênis e a perder um jogo atrás do outro sem desanimar, porque vc tinha consciência que estava melhorando, tive um orgulho daqueles de explodir – juro, o mundo anda precisando de gente como você; só espero que você continue assim e não perca essa determinação, mesmo com as porradas que virão por aí (e vc sabe que elas vêm né? é, acho que sabe).

Também engraçado ver como vc está se tornando um hominho. Dá pra perceber que vc está indo mais perfumado pra escola, que vc tem feito planos concretos pra tua vida (sim, me assustei horrores quando vc disse que se puder, não vai fazer faculdade aqui – mas eu sempre soube que você não era daqueles que ficaria na barra da saia da mãe, né? Vc sempre foi muito dono do seu nariz. Não é à toa que vivo grudada em você; afinal, já já isso acaba e você vai viver a tua vida né? E está certo que seja assim).

Eu sei que hoje dia do seu aniversário, e que eu devia te dar parabéns, e dizer que eu quero que os seus sonhos se realizem; mas na verdade, eu não consigo dizer outra coisa a não ser obrigado, meu príncipe velazquiano. Obrigado por ser quem você é e por eu ter a sorte de poder privar da sua companhia ao longo desses 13 anos; obrigada por ter feito com que eu me tornasse uma pessoa melhor. Obrigado por ter tido força de ficar nesse mundo quando tudo parecia indicar que isso não ia rolar. Obrigada do fundo do coração por ter feito com o que eu entendesse o que é ser mãe. Em resumo meu filho, obrigado por existir.

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A long long time ago, numa galáxia distante, um querido me mostrou essa música linda do Vinicius que fala sobre o filho que ele queria ter. A letra é linda, e a história da criação dela mais ainda

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Pra quem não estiver suficientemente satisfeito com tanta pieguice, tem mais mãe boba falando do filho no blog da Lucia Malla