Cidades onde deixei meu coração

*Blogagem coletiva “Umas com tanto, outras com nada“, detalhes ao fim do post

Meu pai era do tipo para quem 600km de distância (de carro, bien compris) eram ali do lado. Programar viagem? Claro… Você comprava a passagem, reservava o hotel da chegada e o da volta, alugava um carro, fazia um roteiro aproximado das principais cidades que você queria conhecer e quantos dias gostaria de ficar em cada uma delas, e tava feito.

O estudo era do trajeto. Das cidades pelo caminho onde poderíamos parar. Ou não. Tudo podia ser mudado de última hora se, por exemplo, no meio do caminho tivéssemos um lauto almoço que nos obrigasse a parar para pernoitar no andar de cima do Relais Chateau em questão (como aconteceu uma vez em Dijon, cidadezinha pela qual me apaixonei). Dane-se se com isso um dia de [coloque aqui o nome de uma cidade gracinha da França de sua escolha] ia ser sacrificado. Ele não dava a mínima. “Não recebo do Guia Michelin por cidade ticada”, costumava dizer.

Para ele, realmente interessava o trajeto, e não o destino. “As únicas cidades que merecem 4 ou 5 dias são Paris, Londres, Nova York, Madrid; o resto, um ou dois dias está bom, então pra que se preocupar?”.

Exagero, claro. Mas meu pai era exagerado. Talvez por conta desse exagero, eu seja exatamente o contrário. Até curto o trajeto – porque nele, como bem diz meu sábio filho, normalmente acontecem os micos que distinguem a *nossa* viagem da viagem dos outros mortais.

Por isso, quero voltar sempre (assim como a Mari Campos) aos locais que já estive. Alguns acham isso perigoso. Mas sabem de uma coisa? Só é perigoso se vc quer viver exatamente a mesma experiência que viveu antes. E não dá né? Aquela história do homem no rio, bla bla bla. Mas se você não quiser repetir, e sim *descobrir* mais, devorar a cidade como um gafanhoto, aí é bacana… eu sou uma rata da minha própria cidade e nem mesmo assim consegui esgotá-la 😀

Por conta disso vivo sempre um dilema: quero conhecer lugares novos, mas quero voltar aos antigos. Não fazer isso me parece traição. E como não nasci milionária, instala-se um problema sério…

Tá, eu sei, tô enrolando e vocês querem saber pra quais cidades eu não me canso de voltar. Mas é que eu tô aqui mais interessada no motivo pelos quais as cidades nos fazem voltar. Beleza? Há cidades belas que nos fazem voltar, mas não creio que seja isso. Beleza não é (só) o que nos faz voltar a uma cidade, assim como não costuma ser o que nos prende a um companheiro por um grande período de tempo Adoro aquela música do Vinicius em que ele diz que “…senão, é como amar uma mulher só linda”. A música diz também que uma mulher tem que ter “aquele molejo de amor machucado” (uma frase que não me canso de repetir e de amar – e que espero ser um dia, aos olhos de alguém).

Acho que é isso, sabem?As cidades para as quais voltamos, de um jeito ou de outro, nos emocionam. Sempre. E eu acho que a emoção vem desse tal de “molejo de amor machucado” que cada uma delas tem para nós: o que elas têm de imperfeito que justamente as faz tão… humanas. Talvez seja o jeito de tratar o turista (mal ou bem), talvez sejam seus habitantes, mas de um jeito ou de outro, as cidades para as quais queremos voltar sempre nos aconchegam. E justamente por isso, o que apraz a uns não a outros, do mesmo jeito que eu só olho pra morenos e raramente pra loiros, e com outras pessoas é o inverso. Deu pra entender?

Nova York, apesar de fazer anos que não vou para lá, é quase hors concours: sua vida cultural feérica misturada com aquela bagunça de gentes (que eu enxergo um pouco em Londres) faz com que cada ida pra lá seja sempre tão diferente uma da outra que nem sei se dá pra dizer que você está voltando para a mesma cidade.

 

Paris idem. Paris pra mim tem uma peculiaridade: não dou a mínima se a parte cultural é bacana ou não. Sempre é, mas não é por isso que sempre quero voltar pra lá. Vocês vão rir, mas… é pelo jeito como em algumas padarias eles embrulham as tartelettes de framboesas, parecendo um origami.

Paris está nos detalhes, como eu sempre digo, precisa ser descoberta. E cada vez que estou lá, fantasio que moro lá um pouquinho naqueles dias. Vou comprar meus queijos, meus vinhos, paro pra tomar meu capuccino com croissant… eu não quero “fazer coisas” (como diz meu filho), não quero “ticar monumentos”, ou em ve-ene-vês, não quero fazer lerês; eu quero parisiar, flanar. Como diz a música, J’ai deux amours, mon pays et Paris.

Meu sonho de consumo? Ser clone do Jorge Amado e morar 6 meses em Paris e passar o verão na Bahia. Sim, na Bahia.

Porque eu adoro Salvador né? Aquela cidade feia, meio suja, que ninguém entende direito. Aquela mistura de sacro e profano que me encanta. Aquela mistura de sal, dendê (e xixi no Carnaval). Tem o lado feio também. O racismo (nem tão) surdo que você ouve, e que um dia vai explodir. Mas é ali que me refaço. É ali que chego quase todo final de ano quase rastejante, sem forças, e volto renovada. É, eu sei, eu pego o melhor que Salvador tem pra me oferecer: a cidade no seu auge, no seu melhor, com milhões de coisas acontecendo.

É um amor de verão. Mas ao menos eu sou uma amante de verão fiel, que a defende com unhas e dentes, e ela sabe disso. Não troco minha querida Salvador e suas festas de largo por praia de areia branca e mar verde do Caribe nenhum. Como diz o Riq Freire, e lá no Caribe tem sirigueloska por acaso? Tem não…

O Rio de Janeiro é outra cidade que não consigo ficar um ano sem ir. Seja pelos amigos queridos que tenho lá, seja pela paisagem impressionante, linda, pelas rodas de samba, calçadão, ah sei lá. Não dá pra falar do Rio depois desse texto aqui. Só sei que o Rio de Janeiro continua lindo, vale mesmo com chuva, e não vivo sem ele.

<abre parênteses>: não sei porque, mas uma cidade que acho visualmente parecida com o Rio, ainda que somente no jeitão, é Honolulu – talvez a Lucia Malla saiba me explicar por quê… </fecha parênteses>

Barcelona é uma cidade para se voltar sempre. Madrid também é, mas eu tenho ascendência catalã, então puxo brasa pro meu lado. Mas preciso conhecer Portugal. Tenho a impressão que vou adorar Lisboa.

E tenho medo de Berlim. Muito medo. Já desmarquei mais de uma vez passagem para Berlim, porque tenho a impressão de que se me soltarem por lá, periga de eu enlouquecer. Feeling. Um dia eu conto o que aconteceu 🙂

Na seção lindinhas queridas pra passar o fim de semana estão Ilhabela e Paraty. Ambas cidades coloniais paulistas (sim, paulistas. Cariocas têm essa mania boba de achar que Paraty lhes pertence só porque a cidade está do lado deles da fronteira, mas é bobagem. Em Paraty o dialeto dominante é o paulistês – nem sei se isso é bom, na verdade, mas é uma curiosidade sobre a cidade, hehehe), com vistas lindas, restaurantes gostosos e um pessoal bacana.

 

Ilhabela vista da pousada onde costumo ficar

 

 

não é uma delícia de lugar pra se tomar café lendo um livro?

Das cidades que eu não faço questão de voltar… Vocês vão me matar, mas Buenos Aires, que todo mundo adora, não me apaixona. Tenho preguiça. Tenho muito mais vontade de conhecer Santiago ou Lima do que voltar pra Buenos Aires. Tô nem aí pra Buenos Aires. Prefiro, sei lá, passar o fim de semana em Paraty (que eu adoro). Eu sei, ela vale a pena, tem os restaurantes, as compras, o câmbio tá bom… mas de novo: eu tenho preguiça.

Não preciso voltar pra Quebec, mas a viagem até lá é linda (alá meu pai influenciando). Niagara Falls definitvamente é lugar que não só não preciso voltar como também um ao qual não precisaria jamais ter ido. É um mix de Poços de Caldas com Chafariz de Shopping (sem o doce de leite de Poços, bien compris – nem o leitãozinho). Las Vegas é divertido, mas também não carece de mais que uma visita (um dia preciso contar o episódio em que o pai de lordrastajr foi preso no caminho de ida e eu tive que trocar travellers num casino furreca para soltá-lo, numa cidade daquelas de filme pesadelo no meio do deserto). Mas sei lá, de repente, num rompante…

Florianópolis é outra cidade pela qual não morro de amores (perdão amigos queridos que moram lá). E é linda né? Mas o tal do molejo de amor machucado, sacumé… Costumo provocar dizendo que praia sem coqueiro eu tenho aqui do lado, em Ilhabela.

 

 

O pôr do sol mais lindo que a poluição pode te proporcionar

Mas sabem? Eu reclamo, reclamo, reclamo… Mas a não ser aquele combo jorgeamadiano que mencionei, não troco esse maldito por do sol cor de rosa aí de cima por nada. Não adianta. Como dizia meu pai, melhor hotel ainda é a minha casa, e pra cá que eu sempre quero voltar. <3

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Sobre a blogagem coletiva:

*Na semana passada, numa troca de tuites entre CláudiaNatalieCarinaPatriciaCarmemMarcie, surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma delas considerava “viu-tá-visto”. Aí a conversa evoluiu e dedidiram fazer também uma segunda lista – com cidades ou países para onde voltariam sempre. Mais gente foi entrando na conversa e, no fim,  a notícia se espalhou e a gente decidiu, vejam só fazer uma blogagem coletiva com o tema “umas com tanto, outras com nada” hoje, dia 19. Então aqui vamos nós. VISITEM OS OUTROS PRA VER O QUE ELES APRONTARAM!!! CORRÃO!!

Blogs que participaram da postagem:

Abrindo o Bico

Agora Vai Mesmo

Aprendiz de Viajante

Área de Jogos da Dri

Big Trip

Blog da Nhatinha

Boa Viagem

Caderninho da Tia Helô

Colagem

Cristomasi

Croissant-Land

De uns tempos pra cá

De volta outra vez

Dicas e Roteiros de Viagens

Dividindo a Bagagem

Donde Ando? Por aí.

Dri Everywhere

Filigrana

Flashes por Si

Guardando Memórias

Inquietos Blog

JB Travel

Jr Viajando

Liliane Ferrari

Ladyrasta

Mi Blogito

Mala de Rodinhas e Necessaire

Mauoscar

Mikix

Olhando o Mundo

O que eu fiz nas Férias

Pela Estrada Afora

Pelo Mundo

Psiulândia

Rezinha Por aí

Rosmarino e Outros Temperos

Sambalelê

Senzatia

Sunday Cooks

Turomaquia

Uma malla pelo mundo

Uno en cada lugar

Viagem pelo Mundo

Viaggiando

Viajar e Pensar

Viagem e Viagens

 


De Nova York: Oscar Wilde na Broadway

Continuando a saga “Andrea em Nova York“, conforme prometido ela agora nos conta sobre a peça de teatro que escolheu para assistir em sua semana por lá. Divirtam-se!!

Indo à Broadway: “The Importance of Being Earnest”

meu ingresso para a peça

Antes mesmo de comprar a passagem para Nova York, eu comprei o ingresso para ir ao teatro. Sim, porque, assim que deitei olhos sobre a programação da Broadway e descobri que estava em cartaz uma peça de um dos meus autores favoritos da literatura inglesa, eu não pensei duas vezes. Foi praticamente o motivo principal que me levou à Big Apple desta vez! 🙂

 

"Playbill", o livreto informativo distribuído ao público antes da peça

“The Importance of Being Earnest”, de Oscar Wilde, foi escrita em 1895, na época Vitoriana, e trata-se de uma comédia farsesca sobre a trivialidade dos costumes e regras sociais de então. O personagem principal, John Worthing (interpretado por David Furr), inventa um novo nome e personagem para si, enquanto no interior inglês, para fugir de certas obrigações. Da mesma forma, seu amigo Algernon Moncrieff (Santino Fontana) inventou um amigo muito doente, coisa que também o livra de certas chatices em momentos cruciais. A partir da mentirinha de John, Algernon – que achava ser o único que cometia “Bunberryism” – acaba criando uma situação hilária e quase desastrosa.  Certamente muitos de vocês leram essa saborosa peça, mas não quero contar mais sobre o plot para não incorrer em “spoiler”- inclusive, nem vou explicar o que é “Bunberryism”! 🙂

 

Apesar de não ser a personagem principal, Lady Bracknell, interpretada pelo próprio diretor da peça, o genial Brian Bedford, torna-se o centro indiscutível das atenções. Lady Bracknell é a mãe de Gwendolen Fairfax (Jessie Austrian) e faz um completo e hilário escrutínio das qualidades e origem familiar de John para aprová-lo como noivo da filha, dentre outros diálogos saborosos. A cada frase dita por Bedford na pele de Lady Bracknell o teatro explode em gargalhadas. Ele é já é sensacional simplesmente movimentando-se pelo palco com vestimentas femininas vitorianas. Imaginem então interpretando um texto cheio de verve como  o de Oscar Wilde.

David Furr e Jessie Austrian como John Worthing e Gwendolen Fairfax

Outro ator cuja interpretação achei ótima foi a de David Furr como John Worthing. Encarna deliciosamente bem um cara-de-pau de carteirinha que não perde a pose, mas que, por amor, assume todos os riscos que sua pequena fraude trouxe à tona. Interpretação muito divertida que também merece menção é a de Jayne Hoydyshell, no papel de Miss Prism, personagem relativamente secundária, mas composta com perfeição.  O elenco é ótimo e todos fazem um trabalho de alto nível.

E, para não perder o costume de mencionar um tema #Brioches, a maquiagem da produção é feita pela MAC Cosmetics. <ladyrasta entra na sala>: aliás, a Andrea está fazendo resenha de vários produtos de maquiagem trazidos da viagem no blog, vai lá! <ladyrasta sai da sala>

Se você ficou interessado/a, a peça fica em cartaz até o dia 03 de Julho, no teatro American Airlines, em Nova York. No mês de Junho, mais precisamente no dia 02 (e algumas outras datas ainda não definidas até o dia 28/06), haverá apresentações em alta definição em salas selecionadas de cinema através dos Estados Unidos.

 

Você pode comprar seu ingresso antecipadamente no site oficial da peça. Há uma pequena taxa de serviço de US$ 2 adicionais ao preço do ingresso. Os assentos do teatro podem ser escolhidos online através do mapa do local.  Onde me sentei, o assento B107, é a terceira fila a partir do palco, e exatamente no centro. Lugar excepcional.

A peça é dividida em 3 atos, com dois intervalos de 15 e 10 minutos. O teatro dispõe de bombonière bacaninha e é bastante confortável. Recomenda-se chegar com 30 a 15 minutos de antecedência para a troca de seu bilhete web pelo bilhete oficial, e para a acomodação do público em seu lugares sem gerar atrasos.

Alexander Mc Queen no Metropolitan: Andrea conta o que achou

Quem conhece a comunidade #brioches no Facebook (tem porta de entrada direta aí nas páginas do blog) sabe muito bem que a @andrea_tedeschi sabe tudo o que você possa imaginar e mais um pouco sobre cosméticos, maquiagem, produtos para o cabelo, tratamentos de pele e o que mais se referir ao assunto. Não bastasse isso, ela ainda é culta como poucas pessoas que eu conheço (e com aquele je ne sais quoi chic minimalista Calvin Klein- Ralph Lauren que eu adoraria ser mas minha personalidade barroca não permite). Junte-se a isso uma ida a Nova York e a ventura que vocês caros leitores (sim, vocês, eu sou só o instrumento, hahaha) têm de eu conhecê-la, e temos aqui uma série de textos sobre Nova York e os mimos que ela comprou (ou viu por lá).

Agora vou ficar quietinha e deixar ela contar como está a exposição do Alexander Mc Queen no Met. Divirtam-se 🙂

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Este será o primeiro de uma série de posts sobre minha viagem a Nova York em Maio deste ano. Desta vez fui pra lá cheia de boas intenções. Pela ordem:

1. Assistir à montagem da peça The Importance of Being Earnest, de Oscar Wilde, dirigida por Brian Bedford (que também faz o papel de Lady Bracknell);

2. Ver a exposição Savage Beauty, em homenagem a Alexander McQueen, no Metropolitan;

3. Visitar o Jardim Botânico do Brooklyn;

4.  Fazer comprinhas de beleza

Desobedecendo a ordem da lista, vou começar falando da exposição no Metropolitan. Primeiramente, estava lotadíssima. A exposição foi inaugurada no baile do Met no dia 02 de Maio, e eu fui no dia 14 – que, como era um sábado, estava mais lotado ainda.

De qualquer forma, a gigantesca fila, que serpenteava por várias outras salas e exposições do museu, estava organizada e andava com agradável regularidade. Os funcionários anunciavam ao público espera de 15 minutos, e assim foi até que eu pudesse entrar na sala da exposição.

 

Foto da montagem da exposição

 

A ambientação criada pelos idealizadores foi primorosa. Trilha sonora, iluminação e painéis estavam fiéis ao estilo de McQueen. Misterioso, denso, algo lúgubre. Muitos modelos escolhidos pertencem às coleções góticas e românticas-naturalistas e primitivistas, No entanto, havia também criações da coleção em tartan (xadrez escocês).

Apontar o esmero e perfeição na confecção de tais indumentárias é quase desnecessário e óbvio. Mas impressionam e encantam de tal forma, que fica impossível não mencionar esse aspecto. Os bordados, brocados, costuras em couro e moulage irrepreensível merecem todo respeito e admiração pela arte, sensibilidade e talento de McQueen.

Acessórios são destacados à parte e o devido crédito lhes é dado nos painéis indicativos da exposição. Muitos chapéus e outros adornos de cabeça foram feitos por Philip Treacy para McQueen.

Dentre muitas informações e declarações relevantes de McQueen para a compreensão de suas criações por parte do público, as que mais me chamaram minha atenção foram aquelas em que ele diz que mulher e romantismo andam juntos, e por isso suas coleções são sempre permeadas de temas românticos; mas ele não consegue ver romantismo entrelaçado com ingenuidade ou fragilidade feminina – daí suas criações mostrarem uma combinação equilibrada de diáfano e obscuro, leve e pesado, delicado e poderoso.

É uma exposição que interessará não apenas a estudantes de moda, fashionistas ou mulheres, mas todos que queiram ter uma compreensão maior do universo de um artista singular e que, dentre vários outros estilistas, reforçou em nossa cultura o conceito de que moda é, também, uma forma de arte (aqui você encontra mais fotos incríveis)

Na lojinha do Met tem vários souvenirs da exposição, desde livros até cartões postais, mas os preços são salgadinhos, em comparação com souvenirs normais.

Eu diria que é imperdível para quem gosta de moda e de observar a cultura através dela: aquilo é litralmente uma aula de McQueen, cultura de moda e cultura geral.

A exposição estará aberta até dia 31 de Julho.

Para saber mais sobre a exposição Savage Beauty clique aqui

Dica: compre com antecedência sua entrada no Met Museum

*** ladyrasta entra na sala***

Folks, pra quem gosta de moda, eu sempre recomendo ler o Fashion Babylon. Explico por quê aqui.

Aguardem cenas dos próximos capítulos, nas “As Aventuras de Andrea nas terras Estadunidenses” (!) 🙂

 

 

Trânsito em: tem como fazer São Paulo parar de parar?

Está começando a temporada chuvosa do nosso clima de monções, digo,   o verão, e como sempre a frase predileta de todo paulistano é “ não aguento mais essa cidade, agora São Paulo vai parar de vez”.

Sim, porque está impossível. Leva-se um tempo absurdo pra se deslocar pela cidade, e se der uma chovidazinha a coisa complica. Coloque na equação um evento qualquer que São Paulo tenha (show no Morumbi, Fórmula 1, SPFW) e temos uma preview de um dos círculos do Inferno de Dante aqui mesmo, for free.

O pior é que esse assunto sempre fica esquecido, ou então requentam-se os velhos discursos de sempre: mais corredores de ônibus, mais metrô, alguns mais radicais dizem que só pedágio vai solucionar e paramos por aí. E como vimos nas últimas eleições, a última coisa que rola é um debate inteligente sobre temas importantes, então estamos fritos, né?

Esse ano, depois que roubaram meu carro dentro de um estacionamento, comecei a pensar que andar de carro é bobagem (até porque eu trabalho em casa) e passei a utilizar o transporte público (táxi ou metrô ou ônibus dependendo da hora e do percurso) e cheguei a algumas conclusões:

1. Construir mais corredores de ônibus é enxugar gelo

Ao menos nos corredores da Nove de Julho e da Rebouças, nosso problema não é falta de ônibus, eles existem aos borbotões, tornando inclusive por vezes os trajetos muito lentos, devido à sua grande quantidade.  Cumpre notar que ao menos na Rebouças (corredor que uso com maior freqüência), não existem linhas totalmente vazias ou ociosas.  Não há portanto, a menor chance de se colocar mais ônibus, ao menos não nos horários de pico. Não tem espaço, simples assim. Mesmo que se diminua mais uma faixa de carros (o que eu acho justíssimo) é o tipo de solução que só adiará o problema; daqui a uns anos teremos a mesma saturação, a menos que conjuguemos essa medida com outras, que vou colocar na sequência.

2. Não temos uma linha de metrô como precisaríamos

Isso sim resolveria, mas entendo que talvez não seja prioridade. Calma que eu explico: até onde percebi, a ideia do plano do metrô é trazer da periferia aqueles que precisam vir ao centro, bem como interligar as linhas de metrô. Tem chão para termos uma estação a cada 4 ou 5 quarteirões como sói acontecer nas grandes cidades do mundo, e que tiraria da rua um monte de carros que fazem trajetos bem bobos, onde o carro é totalmente desnecessário.

Quanto a trazer as pessoas da periferia, acho que temos o mesmo problema dos ônibus: não sei se há condições de se colocar mais trens para suprir a demanda – e tantos quantos forem colocados, tantos mais serão necessários.

3. Pedágio Urbano

Sou a favor. Na hora em que for caro andar de carro na cidade as pessoas vão começar a pensar em meios alternativos de locomoção e quem tem melindres para usar transporte público vai começar a pensar em utilizá-lo. Aliás queria muito saber pq andar de metrô em Paris e NY é chic e aqui não (e sim, andei em todos e ao menos no centro expandido não há muita diferença entre eles, as pessoas não andam de transporte público aqui no Brasil porque acham que isso é “coisa de pobre”. Cafona isso, né? Até entendo quem evita usar transporte público nos horários de pico podendo fazê-lo, mas em horários alternativos? É meio jeca – principalmente se você se gaba de andar de metrô em Londres e Nova York.

4. Incentivos fiscais para horário flexível e empresas na periferia que aproveitem funcionários do entorno.

Isso é meio minha menina dos olhos quando o assunto é trânsito em São Paulo. Conversando com o Marcelo Soares outro dia, comentei com ele que uma das formas de transformar o transporte público em algo menos sofrido para a população seria conceder incentivos fiscais às empresas que adotassem horário flexível de trabalho ou home office.

Só que horário flexível acaba tendo mais custos: maior consumo de energia, dependendo do horário dos turnos há a possibilidade de cobrança de adicional noturno, então os sindicatos também teriam que participar desse projeto. Tenho pra mim que este tipo de iniciativa conseguiria desafogar um pouco o afluxo de pessoas aos terminais de ônibus e metrô no horário de rush e consequentemente a qualidade de vida dessas pessoas melhoraria sobremaneira.

O Marcelo Soares na mesma conversa sugeriu incentivos fiscais para as empresas se fixarem na periferia e utilizarem mão de obra local, impedindo assim grandes deslocamentos para se trabalhar. Achei a ideia muito boa, e não é de difícil execução (“só” precisa daquela boa e velha “vontade política).

Por coincidência, dias depois, tive a oportunidade de mencionar esse assunto com o Vereador Floriano Pesaro durante um almoço na Câmara dos Vereadores semana passada. Ele disse que certa feita chegou a perguntar para um representante de RH de um grande banco (e bancos são famosos por sua grande capilaridade, isto é, por estarem presentes em muitas regiões da cidade) se havia algum programa similar a esse na empresa. Nã na ni na não. Na-da. Caramba, será que não é o caso de se pensar? Porque até haveria economia de vale transporte, não?

E vocês? O que acham do trânsito de São Paulo e como melhorá-lo? Alguma sugestão?

***

P.S. Vai um salve especial pro @ibere, que ficou discutindo o assunto comigo na madrugada de 2ª feira passada no Twitter.

FLIP – Modo de Usar

Esse post eu tô fazendo meio embalada pelo @riqfreire, que num post daqueles que me deixam toda pimpona chamou a FLIP de “ Lavagem do Bonfim dos livros”, mencionando também o termo que eu uso, que é “Carnaval Cabeça”.

Vocês podem xingar, mas há muitas coincidências entre pular Carnaval e ir à FLIP

a) eventos são anuais;

b) os mais fanáticos ficam contando os dias que faltam para evento chegar;

c) a cidade “sede”, apesar de ficar divertidíssima, é muito diferente da cidade sede quando o evento não rola;

d) há os habituais chatinhos de plantão dizendo que o evento “já perdeu a identidade, que não é mais como era antes”, bla bla bla

A FLIP não é pra ser um debate sério sobre os rumos da literatura; é pra festejar a literatura (tentei explicar isso para os chilenos aqui). É como se os livros fizessem aniversário em julho e todo mundo fosse lá pra Paraty cantar parabéns e dizer que eles são legais. E cá entre nós, entre esse caminho e o da sisudez, fico com o primeiro se tiver que pegar algum deles para estimular a leitura. E vocês?

Tenda dos Autores - fim do dia, ou "antes do drink"
vc sai de uma mesa e dá de cara com um batuque

Paraty é uma teteia de cidade, que tem vista pro mar apesar de não ser uma cidade de praia; tem bons restaurantes, galerias, barzinhos, atmosphère…já valeria por si só uma visita. Se ainda por cima tiver boxixo, umas palestras que te fazem pensar, melhor, né?

Mas vai por mim: o bacana não é ficar enfurnado o dia todo nas tendas – até porque dependendo do que seja nem dá pra apreender tudo; é pegar uma ou duas mesas bacanas por dia e depois disso passear, almoçar, brincar o Carnaval, ops, a FLIP.

O Dunga poderia ter escrito isso, né? No Flipzona

Eu fiquei enfurnada nas entrevistas coletivas na 5a feira e tava postando de lá, então me atrapalhei um pouco no quesito diversão. Mesmo assim, fugi pra praia dois dias (ainda que umas duas horinhas só).

entre uma mesa e outra, caipirinha na praia pra relaxar. que tal?

Em resumo, o bacana é fazer o seguinte:

a) escolher uma ou duas palestras por dia;

b) Se elas estiverem mais perto do almoço, almoce, passeie por Paraty; caso contrário, vá conhecer uma praia bacana perto da cidade (quem tá de carro pode até andar uns 15, 20 km, porque a estrada não tem trânsito e as praias perto da divisa de São Paulo são estonteantes

Crianças na Praça
queria brincar disso mas fiquei com vergonha
doces de rua, outro clássico (delicioso) de Paraty

c) saia de barco, ou alugue uma bike, ou vá fazer trilha na Mata Atlântica (toda aquela região de Paraty é área de proteção ambiental). Depois, pegue as palestras do fim do dia, tome um café na praça e vá jantar linda (o). Que tal?

d) faça almoços gostosos, pare pra tomar drinks, vá tomar café em vários pontos da cidade (eu adoro a Livraria que tem do lado da Pousada do Ouro – não tem nada demais, mas adoro tomar café naquela esquina);

não é uma delícia de lugar pra se tomar café lendo um livro?

e) descubra as outras coisas que estão acontecendo na cidade – tem muita, muita coisa. Só ficar ali ao lado do “Muvucão” que é como eu chamo a Tenda do Telão já é um programa divertido.

não é discussão sobre o futuro da literatura, mas é democrático, né?

f) saia pra jantar cedo se não quiser se aborrecer; faça a linha “ acabei de sair da última mesa morta de fome”, ou imite gringo e chegue às 8 no restaurante. Ou então desencana e fique alegrinha tomando vários drinks enquanto espera uma mesa – também é uma delícia, ainda mais com tanta gente bacana na cidade

tirei foto de costas pro mar pra vocês verem que vale a pena

g) coloque na cabeça que você não vai encontrar a Paraty que você conhece, a Paraty tranquila. Nem quem mora lá encontra essa cidade. Mas se fizer questão, faça como eu: chegue antes. A cidade nos dias em que antecedem a FLIP começa a encher, os autores convidados já estão lá, há um clima diferente na cidade, mas ainda dá pra curti-la.

Como eu disse, a FLIP é uma festa pra quem gosta de livros e leitura. Vá com essa expectativa e você não vai se decepcionar 🙂

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P.S. Vou fazer um post com os lugares gostosos pra comer lá. aguardem….

Domingão fazendo jus ao nick Lady Rasta

Volta e meia as pessoas perguntam daonde surgiu o nick ladyrasta (já que de rastafari eu não tenho absolutamente nada, :lol:); resumindo muito, a denominação me foi dada por um certo moço há uns anos atrás por causa da minha versatilidade em frequentar lugares absolutamente diferentes com a mesma desenvoltura. Surgiu num momento bacana, num lugar bacana (praia da Almada, pra ser mais precisa), achei que era uma forma sucinta de me definir, e adotei o nome (e hoje, confesso, acho bonitinho todo mundo da internet me chamar de Lady ou Lady Rasta…).

Tava pensando nisso ontem a noite, quando pensei na minha programação dominical (que inclusive, exigiu uma super ginástica de produção, pois os lugares a que fui eram tão díspares que não havia a menor condição de usar a mesma roupa em ambos).

Querem ver?

Comecei meu domingo com um almocinho rápido (já que o café da manhã tinha sido farto e tarde) mas gostoso no Le Vin: aquele tempo plúmbeo simplesmente pe-di-a um Croque Monsieur quentinho (e va lá, calórico) e uma tacinha de vinho básica.

Depois disso, fui assistir a um concerto na Sala São Paulo. Na programação, Quarteto de Cordas da Osesp, este ano patrocinada pelo Itaú Personalité – tinha contrabaixo, e eu sou simplesmente maluca por contrabaixo e violoncelo. Como sou uma moça de sorte, o Nilo, amigo querido de todas as horas (que, ressalte-se, nunca na vida deixou de ter a palavra certa na hora certa quando eu precisei – e acreditem, eu vivo precisando), além de ser meu amigo e meu cabeleireiro, também estudou piano anosssss a fio em conservatório, ou seja, eu não assisti a um concerto: tive uma aula de música clássica (e quase chorei durante a execução de uma peça de Dvorak, confesso).

A Sala São Paulo é um super programa, e está cada vez melhor: agora além de uma Dulca (que adoro), tem também uma loja de CDs e discos, focada em jazz, música clássica e música brasileira de qualidade. Divino.

Depois, pausa rápida para café na Livraria Cultura (onde fui pegar umas reservas) e… toca trocar de roupa pra ir para um samba na Vila Guarani.

Vila Guarani? É, isso mesmo, lá pros lados da Estação Conceição do metrô. Explico: todo mundo sabe que eu frequento uma roda de samba na PraçaRoosevelt todo santo sábado, chova ou faça sol (sério, pra eu deixar de ir lá tem que ter um motivo muito bom mesmo, caso contrário…). E no último sábado, por uma série de razões que não vêm ao caso agora, eu estava muito tristinha. Sabe quando o coração tá pesado? Então, era assim que eu tava. Fui  pra lá porque o antídoto pra isso, como todo mundo bem sabe, é justamente ouvir música, né? (manja aquele “cantando eu mando a tristeza embora” ? Então… 🙂 ).

Quando eu cheguei, tinha um convidado lá, o Renê Sobral. E ao fim de uma música homenageando São Jorge, ele começou a declamar “Jorge da Capadócia” em forma de oração de uma forma tão bonita, tão inflamada, tão emocionada, que eu, com o coração pesado que estava, me pus a chorar (tá, eu sei, até um comercial de margarina mais bem feitinho me arranca lágrimas, mas eu chorei com gosto sabe?). Aquilo me aliviou tanto, tanto, eu fiquei tão melhor depois daquilo que resolvi conferir a casa dele, o Terreirão do Sobral (vocês sabem, sagitariana da gema como eu não deixaria jamais uma coisa dessas passar em branco, jamais, n’ est ce pas?).

E lá fui eu, sozinha, com a cara e a coragem pra Vila Guarani. Lugar super simples, com frequência idem, mas não tive qualquer problema (aliás, falam tanto do preconceito de mulher frequentar determinados lugares sozinha, que é bom frisar isso, né?), fui super bem recebida e pude dançar sossegada. O Renê canta samba de raiz dos bons, e lá pelas tantas começa uma sequência de sambas de terreiro de arrepiar. Gravei o finalzinho da oração de São Jorge pra vocês (apesar da qualidade estar ruim e não transmitir um milésimo da emoção e energia do local):

Jorge Capadócia – Renê Sobral from Lady Rasta on Vimeo.

Jorge da Capadócia

Eu queria tirar fotos bacanas como vários amigos meus sabem (um dia aprendo), mas confesso que a cena que mais me emocionou eu jamais seria capaz de tirar foto, por pudor: um rapaz de seus 25 e poucos anos numa cadeira de rodas dançando com a namorada. Eu às vezes tenho um pouco de receio de parecer aquelas deslumbradas com cenas de Jorge Amado (de achar que tudo que é mais simples e popular é melhor), mas quanto mais reflito, vejo que não é isso: o que me encanta em alguns lugares (e nas rodas de samba isso é muito claro pra mim) é que todo mundo pertence, todo mundo tem seu lugar. Não são lugares onde só pessoas de 20 a 30 anos querendo beijar na boca vão; são lugares em que todo mundo vai, seja da idade que for, seja na condição que for. E isso torna tudo (ao menos para mim) muito mais real. Porque vocês me desculpem, mas eu acho aquela vida “Leblon na vibe Manoel Carlos” chata pra dedeu.

Eu preciso de mais. Eu preciso ir onde coisas bacanas aconteçam, independente do estilo – porque ainda que aos olhos de alguns os programas acima possam parecer um tanto quanto díspares, para mim não são, pois ambos têm personalidade, diferencial, atitude; ambos acrescentam. E isso é o que conta.

Well, acho que deu pra pegar a essência do nick, né? 😉

Boa semana pra vocês. 🙂

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P.S.  Post dedicado ao Nilo e à @syferrari (ela vai saber por quê)

P.S. II (a missão): Pra não ser injusta, cabe aqui um agradecimento aos meus pais por terem me ensinado que é possível se divertir em (quase) qualquer lugar.

P.S. (a volta dos que não foram):  Fiquei pensando cá comigo que há muito tempo atrás escrevi um texto num dia super super triste, em que reclamava justamente dessa minha versatilidade; é bom ver que hoje eu a vejo de forma positiva, sabiam? 😉

Onde ouvir boa música ao vivo em São Paulo

Well, vocês sabem que São Paulo tem eventos para todos os gostos e estilos musicais, então seria absolutamente impossível listar lugares de todos os gêneros da cidade; por isso, a ideia aqui é mostrar os lugares onde há boa música ao vivo do que eu curto, mencionando portanto lugares que eu frequento e que na maioria das vezes, têm uma programação homogênea – ou seja, é raro haver algo ruim.  Tendo bom gosto musical, dificilmente alguém se arrependerá de ter ido a essas casas. Divirtam-se!

Auditório do Ibirapuera

Pra começar, o lugar é lindo.  Projeto de Oscar Niemeyer, programação extremamente diversificada, indo da música clássica à MPB, passando pelo jazz (esta semana por exemplo, tem Villa Lobos na 6a feira – que assistirei – e  Ana Canas no domingo) em espetáculos sempre de grande qualidade). Tenho visto muita coisa boa lá, e os preços são acessíveis. Além disso, há a possibilidade de se fazer reservas de ingressos pelo site. A acústica também é muito boa. Adoro terminar o fim de semana com um espetáculo no começo da noite (19:00). Delícia, viu?

Sala São Paulo

Parte do Complexo Júlio Prestes, localizado no Centro da cidade, a Sala São Paulo era uma antiga estação de trem que foi reformada a fim de tornar-se a maior e mais moderna sala de concertos da América Latina. O Complexo Júlio Prestes também abriga a sede da Osesp, indicada pela revista inglesa Gramophone como uma das três orquestras emergentes no mundo às quais se deve prestar atenção.

A programação é muito bem cuidada (confira aqui a de 2010, com detalhamento no hot site), e os preços da plateia superior (que é muito boa tanto em termos de visão quanto de acústica – já assisti a vários espetáculos de lá) também não são salgados tendo em vista a qualidade oferecida pela casa). Pra quem for cliente Itaú Personalité, dentro da programação Osesp  Personalité (série especial de concertos muitíssimo bem cuidada), o estacionamento é gratuito, viu?

Eu tenho especial predileção por algumas recomendações da casa (confira no setor ingressos) onde nos é informado que crianças são benvindas (havendo inclusive aconselhamento quanto ao tipo de espetáculo adequado) e que trajes adequados são aconselháveis (não, moçada, eu não sou do tipo que acha que se vai a qualquer lugar como se quer – alguém aqui trabalha de biquini, por acaso? :-). A

Ainda quanto à Sala São Paulo, gostaria de destacar uma programação infantil magnífica: a série Aprendiz de Maestro, uma realização da TUCCA (Associção para Crianças e Adolescentes com Câncer). Os espetáculos, realizados uma vez por mês aos sábados de manhã, são voltados para o público infantil com o objetivo de criar o interesse da criança pela música clássica (mas posso dizer? eu adorava levar meu filho, aprendia muito). Falei bastante sobre o projeto nesse post aqui, que inclusive tem vários vídeos – vale a ver, viu?

Programação do Sesc

O Sesc tem sempre uma programação deliciosa em matéria de música. Gosto em especial do Sesc Pompeia e do Sesc Pinheiros (mas é bom deixar claro que há várias unidades espalhadas pela cidade, todas com programação muito boa). Em geral a programação gira em torno de música popular, mas sempre de boa qualidade. Eu nunca errei quando fui parar na choperia do Sesc Pompeia, mesmo sem saber direito o que estava acontecendo – e os preços também são super camaradas.

Jazz nos Fundos

Um dos segredinhos de Pinheiros, o Jazz nos Fundos fica escondido no terreno de um estacionamento. É pequenininho, apertado, simples, mas a qualidade da música é ótima. Super vale a pena!

Syndikat Jazz Club

O Syndikat é outro bar de jazz escondidinho, dessa vez nos Jardins. As apresentações ao vivo, que rolam no porão, são sempre bacanas; as bebidas e os belisquetes também são bons. É um pouco mais caro que o Jazz nos Fundos citado acima.

Teta


Bar pequenininho em Pinheiros (na frente do Cemitério São Paulo), descompromissado, com comidinhas gostosas e bom jazz sempre. Querem uma resenha mais paciente e elaborada que a minha (que, devo admitir, por vezes consiste apenas num “vai lá”)? Tem aqui.

Ó do Borogodó

Casa de samba e choro, de excelente reputação, também em Pinheiros, também pequenininha, com  programação musical excelente. Ano passado ganhou o prêmio de melhor música ao vivo da Veja-SP. Tem um pessoal bonito, viu? 😉

Você vai se Quiser

Já que falei do Ó  do Borogodó e portanto, de samba, não poderia deixar de falar do Você Vai Se Quiser, mais conhecido como Samba da Praça Roosevelt, pois afinal de contas é meio que  a “minha” casa, lugar onde “bato cartão” todo santo sábado a tarde. O lugar é bem simples, a frequência é o que chamo de “samba cosmopolita” e pode assustar alguns pela heterogeneidade (leia o que o meu querido @riqfreire escreveu aqui) mas a música, a feijoada, os petiscos,  bem como a já mencionada frequência (se é que vocês me entendem 😆 ) são ótimos. A roda de samba aos sábados começa às 5 e termina às 9 da noite (o caldinho de feijão servido no fim é bem bom, viu?).

Studio SP

Aqui o ambiente já muda. O Studio SP fica no Baixo Augusta, o estilo de  música é alternativo (mas a programação também é regular, embora os estilos musicais variem muitíssimo) e o clima é mais de “balada” – se faz o seu gênero, dê um’ olhada na programação e se jogue!

Bom folks, é isso. Se alguém tiver dicas de outros lugares, ou impressões sobre os que menciocei, favor deixar nos comentários, tá?


Maureen Bisilliat por Flavita Valsani

<abre parênteses> hoje tenho uma convidada especial aqui no blog, falando sobre fotografia: minha xará queridíssima Flavita Valsani, fotógrafa de mão cheia (e dona de um texto delicioso e perspicaz, verdadeira fotografia em forma de palavras), que encanta a mim e àqueles que têm a sorte de conhecer seu Janela da Alma, . Enjoy <fecha parênteses>

Eu poderia falar sobre a história da fotografia, os grandes mestres, em como a fotografia voltou a se popularizar e se tornar a vedete da vez. Mas hoje quem merece destaque é Maureen Bisilliat, inglesa com ascendência irlandesa e naturalizada brasileira. Sua exposição, desde 02 de março no Sesi é uma ode à fotografia.

Desde o primeiro instante fui invadida por uma sensação mágica. É entrar em um universo de cores e contrastes, pretos e brancos, claros e escuros. Com uma montagem grandiosa e impressionante, Maureen compartilha com o público um olhar que vai além das aparências.

Difícil não se deixar levar pelas cores da terra dos vaqueiros, pelo brilho da pele preta, pelo curioso Oriente ou pelas nossas raízes indígenas. Diante de cada imagem é impossível não sentir algo maior do que o mero ato de registrar um momento. Como a própria Maureen declara, “O meu negócio é a alma, mas ela, sábia, nem sempre e quase nunca se deixa aprisionar”.

É uma exposição para sair pensando. Na vida. No que a gente olha e como olha. No que você troca com o outro e em como as vidas estão interligadas, em como nosso País é grande e diverso e em como a gente não conhece mesmo nada.

Ir à exposição de Maureen é inspirar-se. É ser surpreendido por emoções tão diferentes quanto os olhares que ela cristalizou. E, mais, é entender melhor o processo de toda uma vida dedicada à fotografia. Em série. Em livros. Em palavras.

Não é à toa que boa parte de seu trabalho é inspirado por obras de autores como Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto e Euclides da Cunha. Como eles, ela também conta histórias das entranhas do Brasil. Um Brasil que é necessário conhecer. Saia de casa agora e vá para a exposição. Você não vai se arrepender.

Onde: Galeria de Arte do Sesi. Av. Paulista, 1.313. Tel. 3146-7405. 10h/20h (2ª, 11h/20h; dom., 10h/19h). Até 4/7. Grátis

Vale a pena ler

Tramafotografica: As fantásticas imagens de Maureen Bisilliat (aliás, o blog da jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichetti é obrigatório para quem gosta e acompanha fotografia. Lá tem mais uma dica de exposição no Museu Lasar Segall: Flagrantes de duas cidades em transformação)

Estadão: Maureen Bisilliat abre sua retrospectiva em São Paulo

(Flavita Valsani, 32, paulistana e fotógrafa, nunca mais vai ser a mesma depois dessa exposição)