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Cidades onde deixei meu coração

*Blogagem coletiva “Umas com tanto, outras com nada“, detalhes ao fim do post

Meu pai era do tipo para quem 600km de distância (de carro, bien compris) eram ali do lado. Programar viagem? Claro… Você comprava a passagem, reservava o hotel da chegada e o da volta, alugava um carro, fazia um roteiro aproximado das principais cidades que você queria conhecer e quantos dias gostaria de ficar em cada uma delas, e tava feito.

O estudo era do trajeto. Das cidades pelo caminho onde poderíamos parar. Ou não. Tudo podia ser mudado de última hora se, por exemplo, no meio do caminho tivéssemos um lauto almoço que nos obrigasse a parar para pernoitar no andar de cima do Relais Chateau em questão (como aconteceu uma vez em Dijon, cidadezinha pela qual me apaixonei). Dane-se se com isso um dia de [coloque aqui o nome de uma cidade gracinha da França de sua escolha] ia ser sacrificado. Ele não dava a mínima. “Não recebo do Guia Michelin por cidade ticada”, costumava dizer.

Para ele, realmente interessava o trajeto, e não o destino. “As únicas cidades que merecem 4 ou 5 dias são Paris, Londres, Nova York, Madrid; o resto, um ou dois dias está bom, então pra que se preocupar?”.

Exagero, claro. Mas meu pai era exagerado. Talvez por conta desse exagero, eu seja exatamente o contrário. Até curto o trajeto – porque nele, como bem diz meu sábio filho, normalmente acontecem os micos que distinguem a *nossa* viagem da viagem dos outros mortais.

Por isso, quero voltar sempre (assim como a Mari Campos) aos locais que já estive. Alguns acham isso perigoso. Mas sabem de uma coisa? Só é perigoso se vc quer viver exatamente a mesma experiência que viveu antes. E não dá né? Aquela história do homem no rio, bla bla bla. Mas se você não quiser repetir, e sim *descobrir* mais, devorar a cidade como um gafanhoto, aí é bacana… eu sou uma rata da minha própria cidade e nem mesmo assim consegui esgotá-la :-D

Por conta disso vivo sempre um dilema: quero conhecer lugares novos, mas quero voltar aos antigos. Não fazer isso me parece traição. E como não nasci milionária, instala-se um problema sério…

Tá, eu sei, tô enrolando e vocês querem saber pra quais cidades eu não me canso de voltar. Mas é que eu tô aqui mais interessada no motivo pelos quais as cidades nos fazem voltar. Beleza? Há cidades belas que nos fazem voltar, mas não creio que seja isso. Beleza não é (só) o que nos faz voltar a uma cidade, assim como não costuma ser o que nos prende a um companheiro por um grande período de tempo Adoro aquela música do Vinicius em que ele diz que “…senão, é como amar uma mulher só linda”. A música diz também que uma mulher tem que ter “aquele molejo de amor machucado” (uma frase que não me canso de repetir e de amar – e que espero ser um dia, aos olhos de alguém).

Acho que é isso, sabem?As cidades para as quais voltamos, de um jeito ou de outro, nos emocionam. Sempre. E eu acho que a emoção vem desse tal de “molejo de amor machucado” que cada uma delas tem para nós: o que elas têm de imperfeito que justamente as faz tão… humanas. Talvez seja o jeito de tratar o turista (mal ou bem), talvez sejam seus habitantes, mas de um jeito ou de outro, as cidades para as quais queremos voltar sempre nos aconchegam. E justamente por isso, o que apraz a uns não a outros, do mesmo jeito que eu só olho pra morenos e raramente pra loiros, e com outras pessoas é o inverso. Deu pra entender?

Nova York, apesar de fazer anos que não vou para lá, é quase hors concours: sua vida cultural feérica misturada com aquela bagunça de gentes (que eu enxergo um pouco em Londres) faz com que cada ida pra lá seja sempre tão diferente uma da outra que nem sei se dá pra dizer que você está voltando para a mesma cidade.

 

Paris idem. Paris pra mim tem uma peculiaridade: não dou a mínima se a parte cultural é bacana ou não. Sempre é, mas não é por isso que sempre quero voltar pra lá. Vocês vão rir, mas… é pelo jeito como em algumas padarias eles embrulham as tartelettes de framboesas, parecendo um origami.

Paris está nos detalhes, como eu sempre digo, precisa ser descoberta. E cada vez que estou lá, fantasio que moro lá um pouquinho naqueles dias. Vou comprar meus queijos, meus vinhos, paro pra tomar meu capuccino com croissant… eu não quero “fazer coisas” (como diz meu filho), não quero “ticar monumentos”, ou em ve-ene-vês, não quero fazer lerês; eu quero parisiar, flanar. Como diz a música, J’ai deux amours, mon pays et Paris.

Meu sonho de consumo? Ser clone do Jorge Amado e morar 6 meses em Paris e passar o verão na Bahia. Sim, na Bahia.

Porque eu adoro Salvador né? Aquela cidade feia, meio suja, que ninguém entende direito. Aquela mistura de sacro e profano que me encanta. Aquela mistura de sal, dendê (e xixi no Carnaval). Tem o lado feio também. O racismo (nem tão) surdo que você ouve, e que um dia vai explodir. Mas é ali que me refaço. É ali que chego quase todo final de ano quase rastejante, sem forças, e volto renovada. É, eu sei, eu pego o melhor que Salvador tem pra me oferecer: a cidade no seu auge, no seu melhor, com milhões de coisas acontecendo.

É um amor de verão. Mas ao menos eu sou uma amante de verão fiel, que a defende com unhas e dentes, e ela sabe disso. Não troco minha querida Salvador e suas festas de largo por praia de areia branca e mar verde do Caribe nenhum. Como diz o Riq Freire, e lá no Caribe tem sirigueloska por acaso? Tem não…

O Rio de Janeiro é outra cidade que não consigo ficar um ano sem ir. Seja pelos amigos queridos que tenho lá, seja pela paisagem impressionante, linda, pelas rodas de samba, calçadão, ah sei lá. Não dá pra falar do Rio depois desse texto aqui. Só sei que o Rio de Janeiro continua lindo, vale mesmo com chuva, e não vivo sem ele.

<abre parênteses>: não sei porque, mas uma cidade que acho visualmente parecida com o Rio, ainda que somente no jeitão, é Honolulu – talvez a Lucia Malla saiba me explicar por quê… </fecha parênteses>

Barcelona é uma cidade para se voltar sempre. Madrid também é, mas eu tenho ascendência catalã, então puxo brasa pro meu lado. Mas preciso conhecer Portugal. Tenho a impressão que vou adorar Lisboa.

E tenho medo de Berlim. Muito medo. Já desmarquei mais de uma vez passagem para Berlim, porque tenho a impressão de que se me soltarem por lá, periga de eu enlouquecer. Feeling. Um dia eu conto o que aconteceu :-)

Na seção lindinhas queridas pra passar o fim de semana estão Ilhabela e Paraty. Ambas cidades coloniais paulistas (sim, paulistas. Cariocas têm essa mania boba de achar que Paraty lhes pertence só porque a cidade está do lado deles da fronteira, mas é bobagem. Em Paraty o dialeto dominante é o paulistês – nem sei se isso é bom, na verdade, mas é uma curiosidade sobre a cidade, hehehe), com vistas lindas, restaurantes gostosos e um pessoal bacana.

 

Ilhabela vista da pousada onde costumo ficar

 

 

não é uma delícia de lugar pra se tomar café lendo um livro?

Das cidades que eu não faço questão de voltar… Vocês vão me matar, mas Buenos Aires, que todo mundo adora, não me apaixona. Tenho preguiça. Tenho muito mais vontade de conhecer Santiago ou Lima do que voltar pra Buenos Aires. Tô nem aí pra Buenos Aires. Prefiro, sei lá, passar o fim de semana em Paraty (que eu adoro). Eu sei, ela vale a pena, tem os restaurantes, as compras, o câmbio tá bom… mas de novo: eu tenho preguiça.

Não preciso voltar pra Quebec, mas a viagem até lá é linda (alá meu pai influenciando). Niagara Falls definitvamente é lugar que não só não preciso voltar como também um ao qual não precisaria jamais ter ido. É um mix de Poços de Caldas com Chafariz de Shopping (sem o doce de leite de Poços, bien compris – nem o leitãozinho). Las Vegas é divertido, mas também não carece de mais que uma visita (um dia preciso contar o episódio em que o pai de lordrastajr foi preso no caminho de ida e eu tive que trocar travellers num casino furreca para soltá-lo, numa cidade daquelas de filme pesadelo no meio do deserto). Mas sei lá, de repente, num rompante…

Florianópolis é outra cidade pela qual não morro de amores (perdão amigos queridos que moram lá). E é linda né? Mas o tal do molejo de amor machucado, sacumé… Costumo provocar dizendo que praia sem coqueiro eu tenho aqui do lado, em Ilhabela.

 

 

O pôr do sol mais lindo que a poluição pode te proporcionar

Mas sabem? Eu reclamo, reclamo, reclamo… Mas a não ser aquele combo jorgeamadiano que mencionei, não troco esse maldito por do sol cor de rosa aí de cima por nada. Não adianta. Como dizia meu pai, melhor hotel ainda é a minha casa, e pra cá que eu sempre quero voltar. <3

****

Sobre a blogagem coletiva:

*Na semana passada, numa troca de tuites entre CláudiaNatalieCarinaPatriciaCarmemMarcie, surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma delas considerava “viu-tá-visto”. Aí a conversa evoluiu e dedidiram fazer também uma segunda lista – com cidades ou países para onde voltariam sempre. Mais gente foi entrando na conversa e, no fim,  a notícia se espalhou e a gente decidiu, vejam só fazer uma blogagem coletiva com o tema “umas com tanto, outras com nada” hoje, dia 19. Então aqui vamos nós. VISITEM OS OUTROS PRA VER O QUE ELES APRONTARAM!!! CORRÃO!!

Blogs que participaram da postagem:

Abrindo o Bico

Agora Vai Mesmo

Aprendiz de Viajante

Área de Jogos da Dri

Big Trip

Blog da Nhatinha

Boa Viagem

Caderninho da Tia Helô

Colagem

Cristomasi

Croissant-Land

De uns tempos pra cá

De volta outra vez

Dicas e Roteiros de Viagens

Dividindo a Bagagem

Donde Ando? Por aí.

Dri Everywhere

Filigrana

Flashes por Si

Guardando Memórias

Inquietos Blog

JB Travel

Jr Viajando

Liliane Ferrari

Ladyrasta

Mi Blogito

Mala de Rodinhas e Necessaire

Mauoscar

Mikix

Olhando o Mundo

O que eu fiz nas Férias

Pela Estrada Afora

Pelo Mundo

Psiulândia

Rezinha Por aí

Rosmarino e Outros Temperos

Sambalelê

Senzatia

Sunday Cooks

Turomaquia

Uma malla pelo mundo

Uno en cada lugar

Viagem pelo Mundo

Viaggiando

Viajar e Pensar

Viagem e Viagens

 


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Alexander Mc Queen no Metropolitan: Andrea conta o que achou

Quem conhece a comunidade #brioches no Facebook (tem porta de entrada direta aí nas páginas do blog) sabe muito bem que a @andrea_tedeschi sabe tudo o que você possa imaginar e mais um pouco sobre cosméticos, maquiagem, produtos para o cabelo, tratamentos de pele e o que mais se referir ao assunto. Não bastasse isso, ela ainda é culta como poucas pessoas que eu conheço (e com aquele je ne sais quoi chic minimalista Calvin Klein- Ralph Lauren que eu adoraria ser mas minha personalidade barroca não permite). Junte-se a isso uma ida a Nova York e a ventura que vocês caros leitores (sim, vocês, eu sou só o instrumento, hahaha) têm de eu conhecê-la, e temos aqui uma série de textos sobre Nova York e os mimos que ela comprou (ou viu por lá).

Agora vou ficar quietinha e deixar ela contar como está a exposição do Alexander Mc Queen no Met. Divirtam-se :-)

****

Este será o primeiro de uma série de posts sobre minha viagem a Nova York em Maio deste ano. Desta vez fui pra lá cheia de boas intenções. Pela ordem:

1. Assistir à montagem da peça The Importance of Being Earnest, de Oscar Wilde, dirigida por Brian Bedford (que também faz o papel de Lady Bracknell);

2. Ver a exposição Savage Beauty, em homenagem a Alexander McQueen, no Metropolitan;

3. Visitar o Jardim Botânico do Brooklyn;

4.  Fazer comprinhas de beleza

Desobedecendo a ordem da lista, vou começar falando da exposição no Metropolitan. Primeiramente, estava lotadíssima. A exposição foi inaugurada no baile do Met no dia 02 de Maio, e eu fui no dia 14 – que, como era um sábado, estava mais lotado ainda.

De qualquer forma, a gigantesca fila, que serpenteava por várias outras salas e exposições do museu, estava organizada e andava com agradável regularidade. Os funcionários anunciavam ao público espera de 15 minutos, e assim foi até que eu pudesse entrar na sala da exposição.

 

Foto da montagem da exposição

 

A ambientação criada pelos idealizadores foi primorosa. Trilha sonora, iluminação e painéis estavam fiéis ao estilo de McQueen. Misterioso, denso, algo lúgubre. Muitos modelos escolhidos pertencem às coleções góticas e românticas-naturalistas e primitivistas, No entanto, havia também criações da coleção em tartan (xadrez escocês).

Apontar o esmero e perfeição na confecção de tais indumentárias é quase desnecessário e óbvio. Mas impressionam e encantam de tal forma, que fica impossível não mencionar esse aspecto. Os bordados, brocados, costuras em couro e moulage irrepreensível merecem todo respeito e admiração pela arte, sensibilidade e talento de McQueen.

Acessórios são destacados à parte e o devido crédito lhes é dado nos painéis indicativos da exposição. Muitos chapéus e outros adornos de cabeça foram feitos por Philip Treacy para McQueen.

Dentre muitas informações e declarações relevantes de McQueen para a compreensão de suas criações por parte do público, as que mais me chamaram minha atenção foram aquelas em que ele diz que mulher e romantismo andam juntos, e por isso suas coleções são sempre permeadas de temas românticos; mas ele não consegue ver romantismo entrelaçado com ingenuidade ou fragilidade feminina – daí suas criações mostrarem uma combinação equilibrada de diáfano e obscuro, leve e pesado, delicado e poderoso.

É uma exposição que interessará não apenas a estudantes de moda, fashionistas ou mulheres, mas todos que queiram ter uma compreensão maior do universo de um artista singular e que, dentre vários outros estilistas, reforçou em nossa cultura o conceito de que moda é, também, uma forma de arte (aqui você encontra mais fotos incríveis)

Na lojinha do Met tem vários souvenirs da exposição, desde livros até cartões postais, mas os preços são salgadinhos, em comparação com souvenirs normais.

Eu diria que é imperdível para quem gosta de moda e de observar a cultura através dela: aquilo é litralmente uma aula de McQueen, cultura de moda e cultura geral.

A exposição estará aberta até dia 31 de Julho.

Para saber mais sobre a exposição Savage Beauty clique aqui

Dica: compre com antecedência sua entrada no Met Museum

*** ladyrasta entra na sala***

Folks, pra quem gosta de moda, eu sempre recomendo ler o Fashion Babylon. Explico por quê aqui.

Aguardem cenas dos próximos capítulos, nas “As Aventuras de Andrea nas terras Estadunidenses” (!) :-)

 

 

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FLIP – Modo de Usar

Esse post eu tô fazendo meio embalada pelo @riqfreire, que num post daqueles que me deixam toda pimpona chamou a FLIP de “ Lavagem do Bonfim dos livros”, mencionando também o termo que eu uso, que é “Carnaval Cabeça”.

Vocês podem xingar, mas há muitas coincidências entre pular Carnaval e ir à FLIP

a) eventos são anuais;

b) os mais fanáticos ficam contando os dias que faltam para evento chegar;

c) a cidade “sede”, apesar de ficar divertidíssima, é muito diferente da cidade sede quando o evento não rola;

d) há os habituais chatinhos de plantão dizendo que o evento “já perdeu a identidade, que não é mais como era antes”, bla bla bla

A FLIP não é pra ser um debate sério sobre os rumos da literatura; é pra festejar a literatura (tentei explicar isso para os chilenos aqui). É como se os livros fizessem aniversário em julho e todo mundo fosse lá pra Paraty cantar parabéns e dizer que eles são legais. E cá entre nós, entre esse caminho e o da sisudez, fico com o primeiro se tiver que pegar algum deles para estimular a leitura. E vocês?

Tenda dos Autores - fim do dia, ou "antes do drink"

vc sai de uma mesa e dá de cara com um batuque

Paraty é uma teteia de cidade, que tem vista pro mar apesar de não ser uma cidade de praia; tem bons restaurantes, galerias, barzinhos, atmosphère…já valeria por si só uma visita. Se ainda por cima tiver boxixo, umas palestras que te fazem pensar, melhor, né?

Mas vai por mim: o bacana não é ficar enfurnado o dia todo nas tendas – até porque dependendo do que seja nem dá pra apreender tudo; é pegar uma ou duas mesas bacanas por dia e depois disso passear, almoçar, brincar o Carnaval, ops, a FLIP.

O Dunga poderia ter escrito isso, né? No Flipzona

Eu fiquei enfurnada nas entrevistas coletivas na 5a feira e tava postando de lá, então me atrapalhei um pouco no quesito diversão. Mesmo assim, fugi pra praia dois dias (ainda que umas duas horinhas só).

entre uma mesa e outra, caipirinha na praia pra relaxar. que tal?

Em resumo, o bacana é fazer o seguinte:

a) escolher uma ou duas palestras por dia;

b) Se elas estiverem mais perto do almoço, almoce, passeie por Paraty; caso contrário, vá conhecer uma praia bacana perto da cidade (quem tá de carro pode até andar uns 15, 20 km, porque a estrada não tem trânsito e as praias perto da divisa de São Paulo são estonteantes

Crianças na Praça

queria brincar disso mas fiquei com vergonha

doces de rua, outro clássico (delicioso) de Paraty

c) saia de barco, ou alugue uma bike, ou vá fazer trilha na Mata Atlântica (toda aquela região de Paraty é área de proteção ambiental). Depois, pegue as palestras do fim do dia, tome um café na praça e vá jantar linda (o). Que tal?

d) faça almoços gostosos, pare pra tomar drinks, vá tomar café em vários pontos da cidade (eu adoro a Livraria que tem do lado da Pousada do Ouro – não tem nada demais, mas adoro tomar café naquela esquina);

não é uma delícia de lugar pra se tomar café lendo um livro?

e) descubra as outras coisas que estão acontecendo na cidade – tem muita, muita coisa. Só ficar ali ao lado do “Muvucão” que é como eu chamo a Tenda do Telão já é um programa divertido.

não é discussão sobre o futuro da literatura, mas é democrático, né?

f) saia pra jantar cedo se não quiser se aborrecer; faça a linha “ acabei de sair da última mesa morta de fome”, ou imite gringo e chegue às 8 no restaurante. Ou então desencana e fique alegrinha tomando vários drinks enquanto espera uma mesa – também é uma delícia, ainda mais com tanta gente bacana na cidade

tirei foto de costas pro mar pra vocês verem que vale a pena

g) coloque na cabeça que você não vai encontrar a Paraty que você conhece, a Paraty tranquila. Nem quem mora lá encontra essa cidade. Mas se fizer questão, faça como eu: chegue antes. A cidade nos dias em que antecedem a FLIP começa a encher, os autores convidados já estão lá, há um clima diferente na cidade, mas ainda dá pra curti-la.

Como eu disse, a FLIP é uma festa pra quem gosta de livros e leitura. Vá com essa expectativa e você não vai se decepcionar :-)

****

P.S. Vou fazer um post com os lugares gostosos pra comer lá. aguardem….

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Domingão fazendo jus ao nick Lady Rasta

Volta e meia as pessoas perguntam daonde surgiu o nick ladyrasta (já que de rastafari eu não tenho absolutamente nada, :lol: ); resumindo muito, a denominação me foi dada por um certo moço há uns anos atrás por causa da minha versatilidade em frequentar lugares absolutamente diferentes com a mesma desenvoltura. Surgiu num momento bacana, num lugar bacana (praia da Almada, pra ser mais precisa), achei que era uma forma sucinta de me definir, e adotei o nome (e hoje, confesso, acho bonitinho todo mundo da internet me chamar de Lady ou Lady Rasta…).

Tava pensando nisso ontem a noite, quando pensei na minha programação dominical (que inclusive, exigiu uma super ginástica de produção, pois os lugares a que fui eram tão díspares que não havia a menor condição de usar a mesma roupa em ambos).

Querem ver?

Comecei meu domingo com um almocinho rápido (já que o café da manhã tinha sido farto e tarde) mas gostoso no Le Vin: aquele tempo plúmbeo simplesmente pe-di-a um Croque Monsieur quentinho (e va lá, calórico) e uma tacinha de vinho básica.

Depois disso, fui assistir a um concerto na Sala São Paulo. Na programação, Quarteto de Cordas da Osesp, este ano patrocinada pelo Itaú Personalité – tinha contrabaixo, e eu sou simplesmente maluca por contrabaixo e violoncelo. Como sou uma moça de sorte, o Nilo, amigo querido de todas as horas (que, ressalte-se, nunca na vida deixou de ter a palavra certa na hora certa quando eu precisei – e acreditem, eu vivo precisando), além de ser meu amigo e meu cabeleireiro, também estudou piano anosssss a fio em conservatório, ou seja, eu não assisti a um concerto: tive uma aula de música clássica (e quase chorei durante a execução de uma peça de Dvorak, confesso).

A Sala São Paulo é um super programa, e está cada vez melhor: agora além de uma Dulca (que adoro), tem também uma loja de CDs e discos, focada em jazz, música clássica e música brasileira de qualidade. Divino.

Depois, pausa rápida para café na Livraria Cultura (onde fui pegar umas reservas) e… toca trocar de roupa pra ir para um samba na Vila Guarani.

Vila Guarani? É, isso mesmo, lá pros lados da Estação Conceição do metrô. Explico: todo mundo sabe que eu frequento uma roda de samba na PraçaRoosevelt todo santo sábado, chova ou faça sol (sério, pra eu deixar de ir lá tem que ter um motivo muito bom mesmo, caso contrário…). E no último sábado, por uma série de razões que não vêm ao caso agora, eu estava muito tristinha. Sabe quando o coração tá pesado? Então, era assim que eu tava. Fui  pra lá porque o antídoto pra isso, como todo mundo bem sabe, é justamente ouvir música, né? (manja aquele “cantando eu mando a tristeza embora” ? Então… :-) ).

Quando eu cheguei, tinha um convidado lá, o Renê Sobral. E ao fim de uma música homenageando São Jorge, ele começou a declamar “Jorge da Capadócia” em forma de oração de uma forma tão bonita, tão inflamada, tão emocionada, que eu, com o coração pesado que estava, me pus a chorar (tá, eu sei, até um comercial de margarina mais bem feitinho me arranca lágrimas, mas eu chorei com gosto sabe?). Aquilo me aliviou tanto, tanto, eu fiquei tão melhor depois daquilo que resolvi conferir a casa dele, o Terreirão do Sobral (vocês sabem, sagitariana da gema como eu não deixaria jamais uma coisa dessas passar em branco, jamais, n’ est ce pas?).

E lá fui eu, sozinha, com a cara e a coragem pra Vila Guarani. Lugar super simples, com frequência idem, mas não tive qualquer problema (aliás, falam tanto do preconceito de mulher frequentar determinados lugares sozinha, que é bom frisar isso, né?), fui super bem recebida e pude dançar sossegada. O Renê canta samba de raiz dos bons, e lá pelas tantas começa uma sequência de sambas de terreiro de arrepiar. Gravei o finalzinho da oração de São Jorge pra vocês (apesar da qualidade estar ruim e não transmitir um milésimo da emoção e energia do local):

Jorge Capadócia – Renê Sobral from Lady Rasta on Vimeo.

Jorge da Capadócia

Eu queria tirar fotos bacanas como vários amigos meus sabem (um dia aprendo), mas confesso que a cena que mais me emocionou eu jamais seria capaz de tirar foto, por pudor: um rapaz de seus 25 e poucos anos numa cadeira de rodas dançando com a namorada. Eu às vezes tenho um pouco de receio de parecer aquelas deslumbradas com cenas de Jorge Amado (de achar que tudo que é mais simples e popular é melhor), mas quanto mais reflito, vejo que não é isso: o que me encanta em alguns lugares (e nas rodas de samba isso é muito claro pra mim) é que todo mundo pertence, todo mundo tem seu lugar. Não são lugares onde só pessoas de 20 a 30 anos querendo beijar na boca vão; são lugares em que todo mundo vai, seja da idade que for, seja na condição que for. E isso torna tudo (ao menos para mim) muito mais real. Porque vocês me desculpem, mas eu acho aquela vida “Leblon na vibe Manoel Carlos” chata pra dedeu.

Eu preciso de mais. Eu preciso ir onde coisas bacanas aconteçam, independente do estilo – porque ainda que aos olhos de alguns os programas acima possam parecer um tanto quanto díspares, para mim não são, pois ambos têm personalidade, diferencial, atitude; ambos acrescentam. E isso é o que conta.

Well, acho que deu pra pegar a essência do nick, né? ;-)

Boa semana pra vocês. :-)

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P.S.  Post dedicado ao Nilo e à @syferrari (ela vai saber por quê)

P.S. II (a missão): Pra não ser injusta, cabe aqui um agradecimento aos meus pais por terem me ensinado que é possível se divertir em (quase) qualquer lugar.

P.S. (a volta dos que não foram):  Fiquei pensando cá comigo que há muito tempo atrás escrevi um texto num dia super super triste, em que reclamava justamente dessa minha versatilidade; é bom ver que hoje eu a vejo de forma positiva, sabiam? ;-)

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Onde ouvir boa música ao vivo em São Paulo

Well, vocês sabem que São Paulo tem eventos para todos os gostos e estilos musicais, então seria absolutamente impossível listar lugares de todos os gêneros da cidade; por isso, a ideia aqui é mostrar os lugares onde há boa música ao vivo do que eu curto, mencionando portanto lugares que eu frequento e que na maioria das vezes, têm uma programação homogênea – ou seja, é raro haver algo ruim.  Tendo bom gosto musical, dificilmente alguém se arrependerá de ter ido a essas casas. Divirtam-se!

Auditório do Ibirapuera

Pra começar, o lugar é lindo.  Projeto de Oscar Niemeyer, programação extremamente diversificada, indo da música clássica à MPB, passando pelo jazz (esta semana por exemplo, tem Villa Lobos na 6a feira – que assistirei – e  Ana Canas no domingo) em espetáculos sempre de grande qualidade). Tenho visto muita coisa boa lá, e os preços são acessíveis. Além disso, há a possibilidade de se fazer reservas de ingressos pelo site. A acústica também é muito boa. Adoro terminar o fim de semana com um espetáculo no começo da noite (19:00). Delícia, viu?

Sala São Paulo

Parte do Complexo Júlio Prestes, localizado no Centro da cidade, a Sala São Paulo era uma antiga estação de trem que foi reformada a fim de tornar-se a maior e mais moderna sala de concertos da América Latina. O Complexo Júlio Prestes também abriga a sede da Osesp, indicada pela revista inglesa Gramophone como uma das três orquestras emergentes no mundo às quais se deve prestar atenção.

A programação é muito bem cuidada (confira aqui a de 2010, com detalhamento no hot site), e os preços da plateia superior (que é muito boa tanto em termos de visão quanto de acústica – já assisti a vários espetáculos de lá) também não são salgados tendo em vista a qualidade oferecida pela casa). Pra quem for cliente Itaú Personalité, dentro da programação Osesp  Personalité (série especial de concertos muitíssimo bem cuidada), o estacionamento é gratuito, viu?

Eu tenho especial predileção por algumas recomendações da casa (confira no setor ingressos) onde nos é informado que crianças são benvindas (havendo inclusive aconselhamento quanto ao tipo de espetáculo adequado) e que trajes adequados são aconselháveis (não, moçada, eu não sou do tipo que acha que se vai a qualquer lugar como se quer – alguém aqui trabalha de biquini, por acaso? :-) . A

Ainda quanto à Sala São Paulo, gostaria de destacar uma programação infantil magnífica: a série Aprendiz de Maestro, uma realização da TUCCA (Associção para Crianças e Adolescentes com Câncer). Os espetáculos, realizados uma vez por mês aos sábados de manhã, são voltados para o público infantil com o objetivo de criar o interesse da criança pela música clássica (mas posso dizer? eu adorava levar meu filho, aprendia muito). Falei bastante sobre o projeto nesse post aqui, que inclusive tem vários vídeos – vale a ver, viu?

Programação do Sesc

O Sesc tem sempre uma programação deliciosa em matéria de música. Gosto em especial do Sesc Pompeia e do Sesc Pinheiros (mas é bom deixar claro que há várias unidades espalhadas pela cidade, todas com programação muito boa). Em geral a programação gira em torno de música popular, mas sempre de boa qualidade. Eu nunca errei quando fui parar na choperia do Sesc Pompeia, mesmo sem saber direito o que estava acontecendo – e os preços também são super camaradas.

Jazz nos Fundos

Um dos segredinhos de Pinheiros, o Jazz nos Fundos fica escondido no terreno de um estacionamento. É pequenininho, apertado, simples, mas a qualidade da música é ótima. Super vale a pena!

Syndikat Jazz Club

O Syndikat é outro bar de jazz escondidinho, dessa vez nos Jardins. As apresentações ao vivo, que rolam no porão, são sempre bacanas; as bebidas e os belisquetes também são bons. É um pouco mais caro que o Jazz nos Fundos citado acima.

Teta


Bar pequenininho em Pinheiros (na frente do Cemitério São Paulo), descompromissado, com comidinhas gostosas e bom jazz sempre. Querem uma resenha mais paciente e elaborada que a minha (que, devo admitir, por vezes consiste apenas num “vai lá”)? Tem aqui.

Ó do Borogodó

Casa de samba e choro, de excelente reputação, também em Pinheiros, também pequenininha, com  programação musical excelente. Ano passado ganhou o prêmio de melhor música ao vivo da Veja-SP. Tem um pessoal bonito, viu? ;-)

Você vai se Quiser

Já que falei do Ó  do Borogodó e portanto, de samba, não poderia deixar de falar do Você Vai Se Quiser, mais conhecido como Samba da Praça Roosevelt, pois afinal de contas é meio que  a “minha” casa, lugar onde “bato cartão” todo santo sábado a tarde. O lugar é bem simples, a frequência é o que chamo de “samba cosmopolita” e pode assustar alguns pela heterogeneidade (leia o que o meu querido @riqfreire escreveu aqui) mas a música, a feijoada, os petiscos,  bem como a já mencionada frequência (se é que vocês me entendem :lol: ) são ótimos. A roda de samba aos sábados começa às 5 e termina às 9 da noite (o caldinho de feijão servido no fim é bem bom, viu?).

Studio SP

Aqui o ambiente já muda. O Studio SP fica no Baixo Augusta, o estilo de  música é alternativo (mas a programação também é regular, embora os estilos musicais variem muitíssimo) e o clima é mais de “balada” – se faz o seu gênero, dê um’ olhada na programação e se jogue!

Bom folks, é isso. Se alguém tiver dicas de outros lugares, ou impressões sobre os que menciocei, favor deixar nos comentários, tá?


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Morro de São Paulo : Como R$0,62 arruinam a imagem de um lugar

Olha, eu sei que tem que ser muito ingênuo (ou muito novo) para achar que um lugar pequeno como Morro de São Paulo aguenta o tranco da invasão de turistas na semana do Reveillon; mas também entendo que a Secretaria de Turismo do Estado deve fazer o possível para tornar a estada do turista mais agradável e evitar cenas como esta:

Horror né? E se eu contar pra vocês que a confusão continua e piora?

Sabem o que é isto? A fila para embarque em Morro de São Paulo dia 03 de janeiro. Fila esssa causada pela cobrança da taxa de embarque no valor de… R$0,62!!!

Sério moçada, não é possível que esse seja o meio mais fácil de cobrança, até porque quando se entra na ilha é cobrada uma taxa de turismo; dava perfeitamente para cobrar a taxa de embarque da volta daqueles que voltarão de barco, né?

E a pergunta que não quer calar: por que R$ 0,62? Pra ficar mais difícil de arrumar troco? Ou seria algum número cabalístico?

Vi pessoas chegando (ou seja, que só passaram pelo  perrengue de atravessar a fila- e já era difícil :-( ), que ao ver aquela bagunça, afirmavam peremptoriamente ser a primeira e última vez que iam pra lá.

Alô Governo da Bahia, que tal prestar atenção nisso, hein?  O turista agradece.

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P.S. Vale dizer: a moça aqui estava no contrafluxo; não fico em Morro de São Paulo no Reveillon (tampouco na alta temporada) por nada desse mundo…

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Conhecendo Salvador em 72h sem stress

A @syferrari na última hora decidiu me fazer companhia no Reveillon; só que ela chegou na madrugada do dia 30 pro dia 31 e voltou na madrugada do dia 02 pra 3. Praticamente 72 h na cidade. Não vou dizer que ela conhece a cidade como a palma da mão dela, mas acho que ela saiu de lá com um boa noção dela, sem muita correria, e acho que o nosso roteiro é um excelente guideline para a estréia de alguém  em Salvador.

Querem ver?

1º dia

Acordamos dia 31, e queríamos ir para algum bar na noite, então fomos até a Barra pela orla  para comprar convites – e ela já ficou conhecendo esse pedaço. De lá fomos pra praia, e como íamos “por dentro”, ela já conheceu o Dique do Tororó (sim, o da música) com as imagens dos orixás, que eu julgo um “lerê” bacana da cidade, e que não precisa mais do que uma olhada do carro.

Os orixás são presença constante em Salvador

Fomos pra praia de Aleluia (passando Itapoã, onde ficam as praias e barracas bacanas da cidade). A barraca do Loro estava entupida, idem a Margarita (até porque a ideia é essa, tendo em vista serem pontos de paquera) e acabamos indo parar numa barraca menos badalada, passando o Baionês, mas com sossego na praia, e mais espaço. Recomendo.

atualização (em 24.01.11) : todas as barracas da orla de Salvador foram destruídas por ordem judicial. Parece que vão uniformizá-las, mas enquanto isso não espere um super atendimento nas praias. Há apenas barraquinhas servindo caipirinhas, água de coco e cerveja – mas mesmo assim vale a pena. Com a falta de barracas, na minha última ida à Salvador preferi frequentar a praia do Buracão, no Rio Vermelho, pela proximidade. Adorei.

Voltamos e comemos o acarajé de uma das 3 baianas mais famosas da cidade, o de Cira – as outras duas, também com barraca no Rio Vermelho, são Dinha e Regina.

Descansamos e a noite fomos ver os fogos no Farol da Barra, que estavam maravilhosos, realmente impressionantes – mais do que os da Av. Paulista, que já tive oportunidade de ver. Com as pessoas de branco na praia me senti meio numa mini-copacabaninha sabem?

<abre parênteses> quem vai a Salvador sem ter um Reveillon no meio pode muito bem ir jantar num dos restaurantes bacanas da Marina – eu não recomendo comida régiónal porque acho pesado comer isso a noite   – recomendo o Soho Marina, pelo visual. Vc também pode passear pelos bares do Rio Vermelho </fecha parênteses>

2º dia:

No dia seguinte, era uma 6ª feira, dia de ir ao Bonfim. Como ainda por cima era 1º de ano, lá fomos nós pra missa das 6 da manhã – os detalhes (e os motivos de se ir ao Bonfim às 6as feiras) vocês podem conferir aqui.

Do Bonfim nós fizemos uma vírgula para a ponta de Itapagipe, onde tem o Monte Serrat, que tem uma vista linda. Voltando, dá pra passar no Mercado Modelo, que é no caminho de volta de qualquer hotel.Já compre os berimbaus e lembrancinhas que precisar (eu prefiro o andar de cima) – mas não perca mais do que uma hora lá, afinal, você tem uma cidade a sua espera…

aproveite e compre todos os berimbaus que precisar

Ah, já ia esquecendo: na volta, caso esteja de taxi, peça para o motorista ir pela orla para vc ter uma ideia da cidade e ter uma noção espacial dela. Voltando da Cidade Baixa dá pra passar no Campo Grande, no Corredor da Vitória, na Ladeira da Barra, no Porto da Barra, no Farol da Barra.

Como era dia 1º de janeiro e íamos ver Daniela Mercury no Farol da Barra a noite, voltamos pro hotel, depois de passar pela casa de Yemanjá que fica também no Rio Vermelho; mas quem não tem compromissos pode muito bem escolher entre passear no Forte São Marcelo ou subir pro Pelourinho pelo Elevador Lacerda. Eu gosto de fazer as coisas mais lentas, então iria pro Forte São Marcelo, combinado com o Mercado Modelo e dava o dia de visitas por bom.

Se não der praia, você não quiser piscina e ainda estiver animado, vá almoçar no Paraíso Tropical que já aviso: é longe, não é fácil de chegar, mas vale a pena, acredite. Duvida? Confira aqui.

Sua noite vai depender do dia da semana específico: se for uma 3ª feira, vá ao Pelourinho lá pelas 6, pegue a missa na Igreja do Rosário dos Pretos – vale a pena pelo sincretismo religioso; na seqüência, veja o Olodum se apresentar (confira a programação do Pelourinho aqui).

Às 6as feiras (ao menos nesse verão 2010) no Centro Cultural Barroquinha (na Praça Castro Alves), uma igreja em ruínas restaurada transformada em Centro Culural onde Mariene de Castro comanda o projeto Santo de Casa (uma explicação detalhada você encontra aqui, e o @riqfreire contou nossa ida pra lá nesse post, que tem fotos lindas). Definitely worth going ;-)

Se for um domingo há o sarau de Carlinhos Brown perto do Porto, no Museu do Ritmo.

E moçada, conselho que todo viajante digno desse nome TEM QUE seguir: não deixe de ver a seção de eventos dos jornais da cidade visitada (A Tarde é o maior  em Salvador– com um caderno de eventos às 6as feiras) para ver “qual é a boa”do dia, porque sempre tem alguma coisa – no caso de Salvador, você pode até cair numa festa de largo perto de você…

3º dia

Acordamos com chuva forte. Ela melhorou depois das 10, mas o tempo estava fechado, então invertemos a ordem da programação que eu sugiro aqui. Aliás, em caso de chuva, faça o mesmo (e saia preparada pra ir direto pra praia se der vontade caso o tempo abra – quase todas as barracas têm banheiro pra você se trocar, não precisa andar de biquíni pela cidade).

Vá à praia (eu sugeri pra @syferrari a da Pedra do Sal, escondidinha entre Itapoã e Aleluia.

ah, o fim de tarde em Itapoã...

A Pedra do Sal é uma praia sem muito agito, mas extremamente charmosa). Almoce em uma das duas barracas de lá, a do Francês ou a Goa (conheci nessa viagem, e adorei).

O @riqfreire, darling querido e A pessoa que entende de viajar, adorou (e até exagerou um pouquinho, :lol: )

Depois, troque de roupa e vá conhecer o Pelourinho (caso não tenha ido mais cedo no dia anterior)

Gosto de recomendar a Igreja de São Francisco (aquela da música), a sede dos Filhos de Gandhi (afoxé tradicionalíssimo da cidade) e a loja de cachaças “O Cravinho”. Tem vários endereços aqui

Detalhe da Casa de Jorge Amado - todos os livros dele tem esse desenho (do Caryé)na 1a. página, para proteção, sabiam?

Mas se eu fosse você não ficaria só na parte mais turística do Pelourinho: atravesse a Baixa dos Sapateiros vá até o outro lado, pra Santo Antonio Além do Carmo – no caminho repare na escadaria da Igreja do Paço, que foi cenário de “O Pagador de Promessas”, filme de Glauber Rocha, e que serve de palco para as apresentações gratuitas de Gerônimo, todas as 3as feiras.

atualização (em 24.01.11) : falha lamentável desse post, eu não mencionei aqui a Terça da Benção do Pelourinho, que é um must go quando se está em Salvador (até pra entender aquele melange do sacro-profano e do sincrestismo que tão bem resume a Bahia); ainda bem que meu querido @riqfreire fez post detalhadíssimo, como só ele sabe fazer :-)

No “outro lado” você terá menos casas restauradas, mas eu acho mais autêntico.

Eu pessoalmente acho o máximo o boteco da Cruz do Paschoal (um pouco pra frente do chiquérrimo hotel do Convento do Carmo): mesas (de plástico, infelizmente) no meio da praça com aquela mélange de pessoas que eu adoro: moradores, turistas e por aí afora.

<abre parênteses> se eu tivesse que dar um conselho para alguém tentar entender Salvador, eu diria que o segredo é pensar em contraste, antítese, e ao mesmo tempo na simbiose desses conceitos. Não é licença poética da música; em Salvador o sacro e o profano convivem lado a lado, a festa religiosa ao lado da cachaça; catolicismo e candomblé que convivem através do sincretismo religioso; áreas pobres lado a lado com áreas ricas. A única hora (infelizmente) em que isso não existe é quando se freqüenta lugares mais caros e considerados mais “finos” da cidade – aí, é raríssimo você encontrar um negro na condição de cliente… </fecha parênteses>

é nos detalhes que a cidade se mostra; onde mais você veria uma loja assim?

Tem também um restaurante italiano simples com uma vista deslumbrante chamado Al Carmo – ainda que vc não queira comer, vale uma cerveja.

fala se não é uma delícia de pit stop?

Você decide como quer terminar sua última noite: pode ser mais um jantar regional (pode ser no Yemanjá – que apesar de ser meio turístico é frequentado por locais e tem uma moqueca correta) ou no Amado, que também tem uma vista linda. Nós tentamos ir no Soho Marina mas estava muito lotado – entramos no restaurante ao lado, no Lafayette e comemos muito bem (como eu sempre digo, se o intuito não é comido típica, a Marina é sempre um local para se comer bem).

Claro que faltaram muitas coisas para se ver – mas tenha certeza: você vai embora tendo uma bela noção da cidade (e se for que nem eu, querendo voltar). ?

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Restaurantes, bares e afins dos quais eu gosto e que não mencionei no post:

Mistura: A Constance quando esteve lá disse que não comeu bem, e parece que o restaurante mudou de dono; mas sempre foi um restaurante super tradicional de peixes na cidade (eu fui algumas vezes e não tive problemas)

Rio Vermelho: O Rio Vermelho está cheio de botecos bonitinhos que valem a pena ser descobertos. Atenção pra programação do Café Teatro do Sesi do Rio Vermelho, que sempre tem alguma coisa interessante (e barata rolando). Outro lugar frequentado por quem entende de música com programação variada mas sempre interessante é a Casa da Mãe.

Preciso conhecer a Moqueca de Don’Ana, famosérrima. Fica em Brotas, que não é uma área turística. Está na minha to do list há séculos…

MAM – o Solar do Unhão é uma construção histórica debruçada na Bahia de Todos os Santos, e aos sábados, no fim de tarde, rola um jazz por lá.

Sorveterias

Eu adoro o sorvete de coco verde da Sorveteria da Barra que fica no Jd. Brasil, não muito longe do Farol da Barra; mas os baianos talvez prefiram sugerir a Cubana (no Pelourinho ou no elevador Lacerda – na Praça da Sé) ou a Sorveteria da Ribeira, que fica lá pros lados do Bonfim.

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P.S. Todas as fotos desse post são da @syferrari – e vale a pena ver seu álbum #SSAfeelings, onde ela associou cada foto a um trecho de música…

P.S. II – Eu adoro ler livros cuja cidade que eu visito serve de cenário para a trama; pra ler em Salvador, recomendo “A casa do Rio Vermelho” da Zélia Gattai,  e o engraçadíssimo “O Compadre de Ogun” de Jorge Amado (vale também Dona Flor e seus 2 maridos).

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Lavagem do Bonfim 2010 – eu fui

Ah, eu vim de Ilha de Maré minha senhora
Prá fazer samba na lavagem do Bonfim
Saltei na rampa do mercado e segui na direção
Cortejo armado na Igreja da Conceição
Aí de carroça andei, comadre,
Aí de carroça andei, compadre

Ah, quando eu cheguei no Bonfim minha senhora
Da carroça enfeitada eu saltei
Com água, flores e perfume
a escada da colina eu lavei
Aí foi que eu sambei, compadre
Aí foi que eu sambei, comadre…
Aí foi que eu sambei, compadre
Aí foi que eu sambei, comadre…

(Ilha de Maré  - veja uma versão aqui)

Vou contar uma coisa pra vocês: se eu tivesse que mostrar uma festa de largo baiana para um gringo, não seria o Carnaval que eu mostraria não; seria a Lavagem do Bonfim.

Digo isso porque pra mim, é a festa que sintetiza, materializa, todo aquele espírito baiano, todas aquelas dicotomias (que aqui, inexplicavelmente, deixam de ser vistas dessa forma) entre sacro e profano, candomblé e catolicismo, branco e preto…

É um percurso de 8 km, que você faz sem sentir e ao fim dele entende perfeitamente porque tanta gente gosta da Bahia: porque o baiano tem orgulho de sua terra,de sua fé, de seus costumes, e tem certeza que aqui é o melhor lugar do mundo – e com isso, o lugar fica exatamente como eles acham que é.

O cortejo sai da Igreja da Conceição, com um super clima de festa. Logo de cara, encontramos o pessoal dos Filhos de Gandhi, afoxé tradicionalíssimo aqui em Salvador:

Acho que se eu colocar som vocês vão pegar o espírito da coisa melhor, né?

Lavagem do Bonfim 1 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010 – Filhos de Gandhi

Pra vocês terem uma ideia da quantidade de gente, lá pelas 10 da manhã:

(e sim, todo mundo está fazendo o percurso de 8 km)

As baianas estão lindas:

(tem gente que, por devoção, vai descalço…)

<abre parênteses> sabe o que eu gosto na Lavagem do Bonfim? Não é aquela coisa devota contida, devoção pretensiosa, devoção sofrida; é alegre – afinal, é uma festa!!!! </fecha parênteses>

Enquanto isso, as bandas vão tocando marchinhas e sambas antigos:

Lavagem do Bonfim 4 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

(lordrastajr adorou o que ele chamou de “tiozinho que manda na banda” ):

É uma delícia ver as plaquinhas da distância diminuindo:

E nós estamos aqui!!!

E ao longo do trajeto tem de tudo (pois todos os grupos querem homenagear o Senhor do Bonfim), vários  mini-shows nessa parade divertidérrima:

Não sei quanto a vocês, mas eu me encanto com os detalhes:

À medida que vai se chegando mais perto, o cortejo vai ganhando tintas de maior fervor – aqui a bandinha já começa a tocar o Hino Do Senhor do Bonfim (ouça uma versão linda dos Novos Baianos aqui)

Lavagem do Bonfim 5 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

E como vocês podem ver, o número de gente só aumenta….

As casas por onde passa o cortejo também se enfeitam e participam da festa:

A gente nem cansa muito, fica nessas de tomar cerveja e ouvir uma coisa aqui e outra ali…

Lavagem do Bonfim 6 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

e quando vê…

estamos subindo a colina!!

Assim que chegam ao topo,

…as pessoas chegam aos portões da Igreja fazer suas preces e agradecer

Chegando lá, o Padre fala às pessoas (novidade, pois até 2 anos atrás a Igreja ficava totalmente fechada, pois o Padre anterior era contra o sincretismo religioso da festa; o Padre atual já entende de forma diferente), reza, e até soltou um pombo branco, seguido de balões e papel prateado.

Enquanto isso, as pessoas cantam o hino, e as e as baianas abençoam quem estiver lá, jogando água de cheiro…

Querem ver como fica com música?

Lavagem do Bonfim 7 from Lady Rasta on Vimeo.

Lavagem do Bonfim 2010

Pronto. A parte sacra da festa acabou – agora é se jogar nos botecos ao lado pra cair na cachaça…

E como vocês podem perceber, tem gente que ainda está chegando à festa, de forma um tanto quanto heterodoxa….

É o que eu digo: para onde você olhe, tem alguma coisa acontecendo. Vão me dizer que isso não é máximo? :-)

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Quando, como e onde:

A Lavagem do Bonfim ocorre em Salvador sempre na 2a 5a feira depois do dia de reis. Começa às 9 horas (chegue uns 15 minutos antes) e depois o cortejo percorre 8 kms, até o Bonfim. Pra sair de lá é um pouco complicado: desça por trás da igreja e pergunte como faz para chegar no “Caminho de Areia. Se táxi estiver embaçado, pegue um ônibus e desça quando vir mais táxis na rua.

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P.S.Era unanimidade a contrariedade quanto ao excesso de cartazes e propaganda política que grassava na festa; e é praticamente impossível tirar uma foto sem que apareça algum tipo de propaganda política; alguns partidos eram mais discretos, mas outros, bem como algumas entidades, passaram dos limites. Feio, né?

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