Cidades onde deixei meu coração

*Blogagem coletiva “Umas com tanto, outras com nada“, detalhes ao fim do post

Meu pai era do tipo para quem 600km de distância (de carro, bien compris) eram ali do lado. Programar viagem? Claro… Você comprava a passagem, reservava o hotel da chegada e o da volta, alugava um carro, fazia um roteiro aproximado das principais cidades que você queria conhecer e quantos dias gostaria de ficar em cada uma delas, e tava feito.

O estudo era do trajeto. Das cidades pelo caminho onde poderíamos parar. Ou não. Tudo podia ser mudado de última hora se, por exemplo, no meio do caminho tivéssemos um lauto almoço que nos obrigasse a parar para pernoitar no andar de cima do Relais Chateau em questão (como aconteceu uma vez em Dijon, cidadezinha pela qual me apaixonei). Dane-se se com isso um dia de [coloque aqui o nome de uma cidade gracinha da França de sua escolha] ia ser sacrificado. Ele não dava a mínima. “Não recebo do Guia Michelin por cidade ticada”, costumava dizer.

Para ele, realmente interessava o trajeto, e não o destino. “As únicas cidades que merecem 4 ou 5 dias são Paris, Londres, Nova York, Madrid; o resto, um ou dois dias está bom, então pra que se preocupar?”.

Exagero, claro. Mas meu pai era exagerado. Talvez por conta desse exagero, eu seja exatamente o contrário. Até curto o trajeto – porque nele, como bem diz meu sábio filho, normalmente acontecem os micos que distinguem a *nossa* viagem da viagem dos outros mortais.

Por isso, quero voltar sempre (assim como a Mari Campos) aos locais que já estive. Alguns acham isso perigoso. Mas sabem de uma coisa? Só é perigoso se vc quer viver exatamente a mesma experiência que viveu antes. E não dá né? Aquela história do homem no rio, bla bla bla. Mas se você não quiser repetir, e sim *descobrir* mais, devorar a cidade como um gafanhoto, aí é bacana… eu sou uma rata da minha própria cidade e nem mesmo assim consegui esgotá-la 😀

Por conta disso vivo sempre um dilema: quero conhecer lugares novos, mas quero voltar aos antigos. Não fazer isso me parece traição. E como não nasci milionária, instala-se um problema sério…

Tá, eu sei, tô enrolando e vocês querem saber pra quais cidades eu não me canso de voltar. Mas é que eu tô aqui mais interessada no motivo pelos quais as cidades nos fazem voltar. Beleza? Há cidades belas que nos fazem voltar, mas não creio que seja isso. Beleza não é (só) o que nos faz voltar a uma cidade, assim como não costuma ser o que nos prende a um companheiro por um grande período de tempo Adoro aquela música do Vinicius em que ele diz que “…senão, é como amar uma mulher só linda”. A música diz também que uma mulher tem que ter “aquele molejo de amor machucado” (uma frase que não me canso de repetir e de amar – e que espero ser um dia, aos olhos de alguém).

Acho que é isso, sabem?As cidades para as quais voltamos, de um jeito ou de outro, nos emocionam. Sempre. E eu acho que a emoção vem desse tal de “molejo de amor machucado” que cada uma delas tem para nós: o que elas têm de imperfeito que justamente as faz tão… humanas. Talvez seja o jeito de tratar o turista (mal ou bem), talvez sejam seus habitantes, mas de um jeito ou de outro, as cidades para as quais queremos voltar sempre nos aconchegam. E justamente por isso, o que apraz a uns não a outros, do mesmo jeito que eu só olho pra morenos e raramente pra loiros, e com outras pessoas é o inverso. Deu pra entender?

Nova York, apesar de fazer anos que não vou para lá, é quase hors concours: sua vida cultural feérica misturada com aquela bagunça de gentes (que eu enxergo um pouco em Londres) faz com que cada ida pra lá seja sempre tão diferente uma da outra que nem sei se dá pra dizer que você está voltando para a mesma cidade.

 

Paris idem. Paris pra mim tem uma peculiaridade: não dou a mínima se a parte cultural é bacana ou não. Sempre é, mas não é por isso que sempre quero voltar pra lá. Vocês vão rir, mas… é pelo jeito como em algumas padarias eles embrulham as tartelettes de framboesas, parecendo um origami.

Paris está nos detalhes, como eu sempre digo, precisa ser descoberta. E cada vez que estou lá, fantasio que moro lá um pouquinho naqueles dias. Vou comprar meus queijos, meus vinhos, paro pra tomar meu capuccino com croissant… eu não quero “fazer coisas” (como diz meu filho), não quero “ticar monumentos”, ou em ve-ene-vês, não quero fazer lerês; eu quero parisiar, flanar. Como diz a música, J’ai deux amours, mon pays et Paris.

Meu sonho de consumo? Ser clone do Jorge Amado e morar 6 meses em Paris e passar o verão na Bahia. Sim, na Bahia.

Porque eu adoro Salvador né? Aquela cidade feia, meio suja, que ninguém entende direito. Aquela mistura de sacro e profano que me encanta. Aquela mistura de sal, dendê (e xixi no Carnaval). Tem o lado feio também. O racismo (nem tão) surdo que você ouve, e que um dia vai explodir. Mas é ali que me refaço. É ali que chego quase todo final de ano quase rastejante, sem forças, e volto renovada. É, eu sei, eu pego o melhor que Salvador tem pra me oferecer: a cidade no seu auge, no seu melhor, com milhões de coisas acontecendo.

É um amor de verão. Mas ao menos eu sou uma amante de verão fiel, que a defende com unhas e dentes, e ela sabe disso. Não troco minha querida Salvador e suas festas de largo por praia de areia branca e mar verde do Caribe nenhum. Como diz o Riq Freire, e lá no Caribe tem sirigueloska por acaso? Tem não…

O Rio de Janeiro é outra cidade que não consigo ficar um ano sem ir. Seja pelos amigos queridos que tenho lá, seja pela paisagem impressionante, linda, pelas rodas de samba, calçadão, ah sei lá. Não dá pra falar do Rio depois desse texto aqui. Só sei que o Rio de Janeiro continua lindo, vale mesmo com chuva, e não vivo sem ele.

<abre parênteses>: não sei porque, mas uma cidade que acho visualmente parecida com o Rio, ainda que somente no jeitão, é Honolulu – talvez a Lucia Malla saiba me explicar por quê… </fecha parênteses>

Barcelona é uma cidade para se voltar sempre. Madrid também é, mas eu tenho ascendência catalã, então puxo brasa pro meu lado. Mas preciso conhecer Portugal. Tenho a impressão que vou adorar Lisboa.

E tenho medo de Berlim. Muito medo. Já desmarquei mais de uma vez passagem para Berlim, porque tenho a impressão de que se me soltarem por lá, periga de eu enlouquecer. Feeling. Um dia eu conto o que aconteceu 🙂

Na seção lindinhas queridas pra passar o fim de semana estão Ilhabela e Paraty. Ambas cidades coloniais paulistas (sim, paulistas. Cariocas têm essa mania boba de achar que Paraty lhes pertence só porque a cidade está do lado deles da fronteira, mas é bobagem. Em Paraty o dialeto dominante é o paulistês – nem sei se isso é bom, na verdade, mas é uma curiosidade sobre a cidade, hehehe), com vistas lindas, restaurantes gostosos e um pessoal bacana.

 

Ilhabela vista da pousada onde costumo ficar

 

 

não é uma delícia de lugar pra se tomar café lendo um livro?

Das cidades que eu não faço questão de voltar… Vocês vão me matar, mas Buenos Aires, que todo mundo adora, não me apaixona. Tenho preguiça. Tenho muito mais vontade de conhecer Santiago ou Lima do que voltar pra Buenos Aires. Tô nem aí pra Buenos Aires. Prefiro, sei lá, passar o fim de semana em Paraty (que eu adoro). Eu sei, ela vale a pena, tem os restaurantes, as compras, o câmbio tá bom… mas de novo: eu tenho preguiça.

Não preciso voltar pra Quebec, mas a viagem até lá é linda (alá meu pai influenciando). Niagara Falls definitvamente é lugar que não só não preciso voltar como também um ao qual não precisaria jamais ter ido. É um mix de Poços de Caldas com Chafariz de Shopping (sem o doce de leite de Poços, bien compris – nem o leitãozinho). Las Vegas é divertido, mas também não carece de mais que uma visita (um dia preciso contar o episódio em que o pai de lordrastajr foi preso no caminho de ida e eu tive que trocar travellers num casino furreca para soltá-lo, numa cidade daquelas de filme pesadelo no meio do deserto). Mas sei lá, de repente, num rompante…

Florianópolis é outra cidade pela qual não morro de amores (perdão amigos queridos que moram lá). E é linda né? Mas o tal do molejo de amor machucado, sacumé… Costumo provocar dizendo que praia sem coqueiro eu tenho aqui do lado, em Ilhabela.

 

 

O pôr do sol mais lindo que a poluição pode te proporcionar

Mas sabem? Eu reclamo, reclamo, reclamo… Mas a não ser aquele combo jorgeamadiano que mencionei, não troco esse maldito por do sol cor de rosa aí de cima por nada. Não adianta. Como dizia meu pai, melhor hotel ainda é a minha casa, e pra cá que eu sempre quero voltar. <3

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Sobre a blogagem coletiva:

*Na semana passada, numa troca de tuites entre CláudiaNatalieCarinaPatriciaCarmemMarcie, surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma delas considerava “viu-tá-visto”. Aí a conversa evoluiu e dedidiram fazer também uma segunda lista – com cidades ou países para onde voltariam sempre. Mais gente foi entrando na conversa e, no fim,  a notícia se espalhou e a gente decidiu, vejam só fazer uma blogagem coletiva com o tema “umas com tanto, outras com nada” hoje, dia 19. Então aqui vamos nós. VISITEM OS OUTROS PRA VER O QUE ELES APRONTARAM!!! CORRÃO!!

Blogs que participaram da postagem:

Abrindo o Bico

Agora Vai Mesmo

Aprendiz de Viajante

Área de Jogos da Dri

Big Trip

Blog da Nhatinha

Boa Viagem

Caderninho da Tia Helô

Colagem

Cristomasi

Croissant-Land

De uns tempos pra cá

De volta outra vez

Dicas e Roteiros de Viagens

Dividindo a Bagagem

Donde Ando? Por aí.

Dri Everywhere

Filigrana

Flashes por Si

Guardando Memórias

Inquietos Blog

JB Travel

Jr Viajando

Liliane Ferrari

Ladyrasta

Mi Blogito

Mala de Rodinhas e Necessaire

Mauoscar

Mikix

Olhando o Mundo

O que eu fiz nas Férias

Pela Estrada Afora

Pelo Mundo

Psiulândia

Rezinha Por aí

Rosmarino e Outros Temperos

Sambalelê

Senzatia

Sunday Cooks

Turomaquia

Uma malla pelo mundo

Uno en cada lugar

Viagem pelo Mundo

Viaggiando

Viajar e Pensar

Viagem e Viagens

 


Tô viva!!

Desculpem o sumiço. Muito trabalho, várias coisas acontecendo e não estou tendo (esse gerúndio está certo?) concentração para arrumar tempo pro blog.

Isso não quer dizer, no entanto, que não esteja escrevendo: nas últimas semanas tenho publicado semanalmente textos no site da Bovap (ideia aliás muito interessante, vale a visita), falando de política. Pra quem se interessar os links dos posts estão aí :

Do Festival de Escândalos em Época Eleitoral

O que o Tiririca tem?

– Quais os defeitos do seu candidato?

Além disso, têm rolado umas discussões interessantes no meu Buzz – sintam-se à vontade para dar pitaco por lá.

Mas prometo: a partir de agora vou me comportar direitinho e voltar a postar com regularidade – ou ao menos vir aqui contar onde estou postando regularmente 😆

Crumb and Shelton

Sábado a noite passei na frente da Tenda dos Autores e do “Muvucão”- como eu chamo a Tenda dos Autores e parecia que eu estava na frente de um estádio de futebol em dia de jogo. Mas era “só” a tenda do Crumb e do Shelton, cartunistas conhecidíssimos.

Teve gente que reclamou muito, dizendo que eles não falaram muito, que a mesa foi chata, e que muita gente saiu no meio.

Eu não entendo nada de quadrinhos, nunca morri pelo Crumb (descobri o Shelton por causa da FLIP) então não vou dar pitaco. Mas cá entre nós, não era muito difícil imginar que essa possibilidade existisse, né? Os caras fazem quadrinhos, criam personagens para se expressar. Via de regra, quem faz isso o faz porque é tímido. Quem é tímido, normalmente trava em público. Até achei que eles se esforçaram, sério. E na boa? Pelo que vi na coletiva, eles não estão dando a mínima pro futuro dos quadrinhos, novos artistas, bla bla bla. Os caras eram uns malucos, viveram os 60 e 70 com literalmente tudo a que tinham direito, deram sorte de ser geniais, de todo mundo curtir seus quadrinhos e hoje são dois velhinhos respeitáveis que moram na França. Acho que é bom pras pessoas verem que as pessoas que idolatramos, por mais que queiramos ver de outra forma, são apenas… pessoas.

De minha parte, achei que eles realmente se esforçaram pra ser simpáticos. Tanto que a @livbrandao, mesmo receosa com a fama do Crumb, pediu autógrafo pra ele e disse que eles foram smpaticíssimos.

Posso dizer o mesmo da entrevista coletiva, que eles fizeram acompanhados das respectivas mulheres, que aliás ajudam bastante, porque falam por eles, dão uma “empurrada” nos caras. Elas são divertidíssimas!

Os chapeuzinhos ali na frente dão um toque diferente, fala a verdade?

Robert Crumb começou criticando forte os Estados Unidos . Quando eu digo forte, digo forte mesmo (vocês vão ver no vídeo). Falou sobre o Gênesis, sobre música brasileira (Crumb coleciona discos de música, está interessado em música brasileira dos anos 20 e 30), e disse não estar a par no que ocorre no atual mercado de comic book.

Perguntei a cada um deles o que mais admirava no trabalho um do outro. Crumb disse que nunca tinha parado pra pensar nisso, que não conversavam sobre esse assunto. Shelton disse que gostava muito do Gênesis, apenas lamentando que este não fosse engraçado (ele repetiu isso na mesa, aliás)

No meio da entrevista, Crumb ficou puto com os fotógrafos e pediu para eles pararem (e querem saber? Faz parte da fama, mas deve ser bem chato viver com aquele barulhinho irritante fazendo parte da trilha sonora da sua vida…).

No final da coletiva, eu, que morro de vergonha de fazer essas coisas, fui pedir um autógrafo para o Shelton. Ganhei mais do que isso, alá:

O primeiro vídeo da entrevista coletiva vocês conferem aí embaixo, durante a semana subo os que faltam…

Untitled from Lady Rasta on Vimeo.

FLIP é festa, não é sarau

Li ontem no UOL : Mauricio Stycer achou que a mesa de Isabel Allende parecia “talk show da Oprah”. Fiquei na dúvida se comentava isso ou não, porque afinal de contas, ele tem a opinião dele, eu tenho a minha, this is a free country e tá tudo certo.

Mas tem um porém: sem querer meter meu bedelho na opinião alheia, e sem nem entrar no mérito da qualidade do programa,  me pareceu que Stycer vê isso como algo negativo, como se uma “Festa Literária” só pudesse ter homens e mulheres sisudos discutindo o futuro da literatura mundial. Só que a pegada da FLIP não é essa. A FLIP, como o próprio nome diz e eu não canso de dizer, é uma FESTA, não um sarau literário. A tônica é a informalidade. A ideia justamente é falar de livros de maneira acessível. Pouco importa se tem gente que vem aqui só pra passear. Uma coisa ou outra sempre se apreende. É assim que o mundo anda. E é bom que crianças associem livros com festa e prazer ao invés de associá-los a bancos escolares (assunto aliás que Burke, Allende e Lionel Shriver abordaram nas coletivas).

Outro ponto que gostaria de observar quanto ao comentário de Stycer: o “talk show da Oprah”está super antenado com o que foi dito em várias mesas. Gilberto Freire, autor homenageado desta FLIP, usou como método para construir o retrato da sociedade brasileira a descrição do dia a dia, as histórias comezinhas a que os historiadores não davam muita importância. Robert Darnton por sua vez, falou em sua mesa das Anedotas da M. Du Barry, ressaltou a necessidade de se analisar os relatos dos cidadãos ditos comuns e também das personalidades- e no caso destas últimas, tais relatos têm o condão de humanizá-las.

Ora, ao ouvir Isabel Allende dizer que queria ser interpretada por Penélope Cruz, que acha Antonio Banderas um gato, por alguns momento nos sentimos próximos dela, uma escritora com milhões de livros vendidos. Talvez eu saiba que ela é uma mulher como todas as outras em algumas situações, talvez Stycer também saiba, mas certamente muitas pessoas que ouviram Isabel naquele tarde não tivessem essa percepção. E tê-la é bom. A Caras vende justamente por isso: porque mostra pessoas que o povo normalmente idealiza em situações comuns. Idem para o Twitter do William Bonner.

E ó: eu não quero que a FLIP vire uma discussão acadêmica. Quero que ela continue sendo uma festa. Em time que tá ganhando a gente não mexe né? Então, desculpaê Stycer, eu nunca vi um programa da Oprah mas achei que a conversa de comadre que rolou na 5ª foi bem bacana, viu?

Darnton, Burke e os livros

Normalmente acreditamos que os jovens são aqueles que trazem ideias novas, as quais são rechaçadas pelos mais velhos. Devo dizer que não foi o que vimos ontem na mesa em que Peter Burke e Robert Darnton discutiram o futuro dos livros.

No início, Darnton, historiador especializado na história dos livros, falou da importância de se manter escritos triviais e corriqueiros para se entender os hábitos, o cotidiano de cada época para assim se construir um cenário histórico preciso (e por causa disso, escreveu em seu recente livro, é contra o microfilme dos jornais, pois muito se perde à medida em que não há uma visão da estrutura dos jornais, suas manchetes, seus assuntos relevantes e tal).

<abre parênteses> ontem aparentemente, sexo was in the air: depois de Isabel Allende mencionar que “os ouvidos são o verdadeiro ponto G”, foi a vez de Darnton e Burke mencionarem as anedotas de M. Du Barry, não exatamente conhecidas por seu puritanismo, :lol </fecha parênteses>

Foi uma grata surpresa ter descoberto que Darnton e Burke são entusiastas da Wikipedia: Darnton ressaltou que é um momento muito especial, pois todos podem participar da produção do conhecimento, ao contrário do que ocorreu até os dias de hoje.

Burke, falando sobre a questão do meio físico dos livros (e-books X livros de papel) nos lembrou ser um privilégio (para ele desconfortável) participar deste momento de transição da história dos livros. Afirmou ainda estar feliz de ver tantos entusiastas do livro de papel em Paraty, pois isto significaria que a sua morte não é iminente – e em sua opinião, ao menos nos próximos 50 anos os livros físicos continuarão co-existindo com os e-books (embora progressivamente em número menor).

Ainda na coletiva, Burke tocou num ponto que me é caro: a questão da educação. Com uma visão extremente moderna, disse que escolas e educadores estão preocupados com a parcela errada do conhecimento. Quando quase todo conhecimento do mundo está a um clique de distância, disse ele, o importante não é transmitir o conhecimento em si, e sim desenvolver nas crianças o espírito crítico para discernir qual informação é relevante ou não. Como eu sempre digo, não há como se prescindir, ao menos por enquanto, do homem, não importa quantos digam o contrário ? .

Outro assunto importante abordado pela mesa foi a questão dos direitos autorais. Tanto Darnton quanto Burke acham que os direitos autorais têm uma duração muito longa.

Darnton inclusive chegou a citar frase de Thomas Jefferson “knowledge belongs all mankind”.

Como eu disse, esses senhores são muito mais jovens e idealistas que muito jovem que eu conheço…

O verdadeiro ponto G são os ouvidos

“O verdadeiro ponto G são os ouvidos”. Não dá pra não se encantar com uma mulher que consegue insinuar sua sensualidade sem ser vulgar. Posso parecer fútil, mas depois de vê-la na coletiva e na mesa de hoje, esta foi o que mais me marcou.

Isabel começou a mesa contando sobre os rituais que faz para começar a escrever (usualmente todo dia 8 de janeiro, hábito que segundo sua declaração, abandonadonará no próximo livro). Disse que fica com muito medo sempre que vai iniciar um livro, e que os rituais lhe dão forças para começar. Entendi durante a mesa a origem do seu realismo fantástico (que Isabel afirmou na entrevista coletiva não fazer parte da sua atual literatura): ele existe em suas obras porque existe nela. Querem mais um exemplo? Durante a conversa com Humberto Werneck ela mencionou que colocou várias características negativas de seu pai no personagem da Casa dos Espíritos sem nunca tê-lo conhecido, a ponto de sua mãe ficar brava com ela, e atribui isso ao imponderável. Entenderam?

Impressionou ter ouvido que só conheceu o pai depois de morto, quando foi reconhecê-lo no necrotério, e me espantei de ouvi-la contar essa passagem, certamente dolorida de sua vida com um sorriso – mas aí me lembrei da entrevista coletiva, onde ela afirmou que isso a fortalece ao invés de enfraquecer. Como eu falei: não tem como não ser cativado pela conversa de Isabel.

Falou também de suas relações familiares, abaladas depois da publicação da “Casa dos Espíritos”. Espirituosamente, disse que a familia só fez as pazes com ela depois que o filme foi lançado, “afinal, tinha Meryl Streep and Jeremy Irons”…

Voltando ao início do texto: é muito bom ver uma mulher bonita, já madura (maturidade da qual falou ao final da conversa) falar de sua sexualidade como qualquer outro assunto sem ser vulgar. Também é muito bom vê-la falar, daquele seu jeito muito engraçado, que gostaria que Penélope Cruz a interpretasse num filme – mostrando aí sua vaidade (que mulher não gostaria de ser Penélope Cruz, não é mesmo?).

Isabel Allende falou que “o verdadeiro ponto G são os ouvidos”, porque não há como se apaixonar sem gostar do que ouve do outro. Tenho certeza que o marido dela é uma pessoa de sorte.

Top 10 músicas falando sobre a Lua

Hoje é noite de lua cheia. Adoro lua cheia, por todos os seus simbolismos, por sua beleza, pela luz maravilhosa que deixa qualquer praia e qualquer campo especiais e deslumbrantes. Gosto da energia intensa que a lua cheia proporciona (ainda que a intensidade por vezes me nocauteie). Então, hoje a tarde, quando a lua despontou no horizonte, eu e @marianamsdias corremos para fotografá-la.

Estou estranhamente serena nesta lua cheia, ao contrário das anteriores, e acho ótimo; talvez por isso tenha me vindo à cabeça “Moonlight Serenade”, que não é uma música de explosão; pelo contrário, é lânguida, é introspectiva…Digna de se ouvir enquanto Selene passeia com seu carro no céu, né não?

E por que estava inspirada, e porque tive um fim de semana delicioso, resolvi fazer um Top 10 músicas sobre a lua. Divirtam-se.

1. Clair de Lune, Debussy

Eu falei Moonlight Serenade no twitter, e o @felds lembrou de Clair de Lune, no que foi seguido pelo @alvarofreitas. Tinha que constar da seleção, d’accord?

2. Reflejo de Luna, Paco de Lucia

Eu adoro Paco de Lucia. Sou uma boa daquelas bem aventuradas que teve o privilégio de assistir a um show dele – e confesso achar  suas músicas muito langorosas, sensuais… Aliás, a maioria das cordas me traz esse tipo de sensação, devo admitir… <suspiros> <suspiros>

3. Blue Moon, Ella Fitzgerald

A lua cheia de hoje não é uma blue moon, mas não poderia deixar de incluí-la nessa lista. Rodgers and Hart, inspiradíssimos, aqui interpretada por Ella Fitzgerald

4. Banho de Lua, Cely Campello

Eu ainda tenho o LP de Estúpido Cupido, novela que vi quando menina e lembro muito bem das músicas. Não dava pra não colocar numa seleção de músicas falando sobre a lua…

5. Moonlight Serenade, Glenn Miller

Foi essa a música em que pensei de cara quando vi a lua nascendo essa noite. Uma de minhas preferidas. E mais não digo, porque essa não é música pra se explicar, e sim pra se sentir…


6. Luar do Sertão, Luiz Gonzaga

“se a lua nasce por detrás da verde mata

mais parece um sol de prata prateando a solidão”

Eu adoro a poesia de Luiz Gonzaga, me emociono com suas letras. E Luar do Sertão não poderia ser diferente, né? Me emociono às lágrimas, confesso.

Mas sabem de uma coisa? Quando estou num estado de espírito que me permite olhar pro céu e admirar a lua e sua luz, não sinto jamais solidão; é como se eu tivesse a força do mundo dentro de mim, entendem? É tão grande que não há como se sentir só…

7. Noite de Lua, Dilermando Reis

Faz alguns meses que ando curtindo violão, choros, valsas e afins. Adoro Dilermando Reis, e acho que a música cai muito bem com uma noite de lua cheia.

8. Lua de São Jorge, Caetano Veloso

“lua de São Jorge,

brilha nos altares,

brilha nos lugares

onde estou e vou”

Essa foi a Mariana que lembrou. Tem astral, é animada, e… de certa forma, São Jorge tem andado comigo desde o 10 de janeiro, então não poderia deixar de citá-la.

9. Fly me to the moon

“Fly me to the moon

Let me play  among the stars

Let me see what spring is like

On a Jupiter and Mars

In other words, hold my hand

In other words, baby, kiss me”

Acho que no universo das cantadas cafonas, essa seria uma excelente candidata ao podium. Mas…no caso, é o Frank Sinatra cantando. E quando o moço que faz a cantada é interessante, a gente acha tudo lindo, certo? E a gente quer mesmo fazer ele voar pra lua ou…xapralá… 🙂

10. Recado à minha amada (Lua vai), Katinguelê

Fala a verdade, algum de vocês achava mesmo que eu ia fazer uma seleção de músicas em que não houvesse nenhuma de gosto, hummm….duvidoso? Se tivesse feito isso, não seria uma seleção feita por mim, hehehe…

Adooooro “Recado a minha amada”. Em primeiro lugar, obviamente, porque me traz lembranças boas, evidentemente. Em segundo lugar, porque gosto mesmo, principalmente da versão com a Alcione… E querem saber? A letra  é bonitinha. Eu gosto. E a lista é minha e quem manda nela sou eu :-p

BONUS TRACK

Lua nha testemunha, Cesária Évora

Não conhecia essa música da Cesária Évora, encontrei-a enquanto achava os vídeos para esse post. Achei tão bonita que decidi colocar como bônus aqui também…

E vocês? Qual a música que fala sobre lua predileta de vocês?

Saco é um saco

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Faz um tempinho já que venho dispensando sacos plásticos quando faço minhas compras, porque quando a gente para pra pensar que plástico dura em média 400 ano e que sua produção é incessante, não é difícil visualizar nossos descendentes afogados numa montanha de plástico sem saber o que fazer com aquilo, né? E eu definitivamente não quero isso pra eles.

Fui passear na internet e lá no Ecoblogs encontrei os seguintes dados:

  • Estima-se que o consumo mensal de sacolas plásticas em supermercados seja em torno de 18.000 milhões de unidades, no Brasil;
  • Apenas 20% do plástico pós-consumo, o que equivale a 520 mil toneladas, é reciclado por ano no nosso país;
  • Colocar em duas sacolas de supermercado o que poderia ser levado em três reduziria em 20% sua emissão de CO², segundo a ONG Iniciativa Verde.

Faço o possível para recusar o máximo de sacos plásticos possível e tenho sacolas de pano no carro (ainda não cheguei ao nível da Lu Freitas, que tem uma coleção de sacolas ecológicas, mas eu chego lá :lol:); por isso curti a campanha “Saco é um Saco” (aliás o blog tá legal, vale conferir), lançada pelo Ministério do Meio Ambiente e apoiada pelo Carrefour.

O Carrefour  lançou uma campanha bacanérrima: o concurso   “Sua Frase na Sacola”, onde você cria uma frase falando sobre os benefícios da utilização das sacolas  retornáveis e sobre os pilares da campanha, que são o 3 Rs: Recuse, Reduza e Reutilize

O conceito de cada um desses pilares está bem óbvio, mas vou dar uma moleza e explicar:

RECUSE : quando tentarem dar pra você sacos plásticos, faça a phyna blasé e diga “não, obrigada”, e leve suas compras em sacolas retornáveis ou caixas de papelão;

REDUZA: well, se não tiver jeito, aproveite bem o espaço das sacolas, não as aceite além do necessário;

REUTILIZE: o hábito brasileiro de usar sacolas para acondicionar lixo, por exemplo, é benéfico e adequado.


A frase mais criativa ganha uma viagem para um dos seguintes destinos: Amazônia, Fernando de Noronha e Pantanal, e as outras 4 mais criativas ganham vales-compra Carrefour (e essas frases serão estampadas nas sacolas retornáveis vendidas nas lojas Carrefour). Chic, não acham? Você está praticando consumo racional, ajudando o meio ambiente, e se for criativa ainda ganha uma viagem! Vai  e manda bala, boa sorte!

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P.S. Não é sempre que faço posts pagos por empresas; até em decorrência da minha personalidade, jamais conseguiria elogiar um filme ou livro do qual não tenha gostado, ou uma maquiagem, ou um lugar e justamente por isso me considero impedida de fazer alguns posts; este aqui no entanto, é um tema que me é caro, e que julguei válido me envolver, por isso aceitei (e acho que ter transparência com quem me acompanha aqui é importante, certo?:-)