Zi crêizi gardener

kinkakuji-gardens-by-m-shades.jpgUltimamente venho descobrindo alguns prazeres. Prazeres que antigamente eu não tinha, e que, após determinada época, eu até me forcei a dizer que existiam, mas que não era bem verdade…Ou seja, eu dizia q ue adorava, que era o máximo, mas era da boca pra fora. Eu ainda não sabia ficar sozinha na minha casa, não sabia ficar comigo. Eu queria, sabia que o caminho era aquele, mas não conseguia. Então, eu falava, mas não fazia…

Um deles é a jardinagem. Desde que me separei já troquei os canteiros da minha varanda umas 3 vezes (e lamba os beiços que eu ainda os troquei, pois durante muito tempo eles eram uma coisa “ode a Cartago” – meaning, não tinha PORRA nenhuma lá – nem sal…) Numa das vezes em que plantei os canteiros (e depois de um tempo em que os dito-cujos não foram pra frente), eu fiquei mal. Sabe por quê? Agora vem o “momento confissão”: lembrei de um filme trash da Sandra Bullock, onde ela é uma alcoólatra recém saída de uma clínica de viciados, e quando ela sai da clínica um dos terapeutas diz pra turma que eles só estarão aptos a desenvolver uma relação afetiva saudável com outra pessoa depois que conseguissem manter um animal de estimação ou uma planta por um bom tempo sem que qualquer um dos dois morresse. Tinha uma cena que era tuuudo, a Sandra Bullock estava numa loja de jardinagem, e entrava um ex “buddy” dela, aos prantos, carregando um vaso de plantas mortas e ele reclamava com o dono ; “ eu juro, eu fiz tudo direitinho, eu reguei, eu cuidei…Não foi minha culpa…” Aí eu olhava praquele canteiro com um monte de plantas mortas (teve uma época em que ele parecia o canteiro da família Adams – só tinha galho seco, e eunem me dava ao trabalho de tirá-los…), e ficava triste e desolada só de pensar : o cara do filme podia ter razão; se eu não conseguia desenvolver o jardim de casa, como iria fazer isso com outro ser humano?

Isso foi há alguns anos atrás, e já faz um ano que consigo manter meu canteiro bonito. Aliás ele está cada vez mais bonito. E eu comecei com só uma floreira bem cuidada, depois duas, depois três…e agora as quatro floreiras estão lá, lindas…E eu olhava aquilo e pensava: será que agora eu estou pronta?

Aiiiiiiiiiií…..deu um bicho no meu manjericão. E eu fiquei de-vas-ta-da. E tb fiquei triste de ver que o pé de manjericão não estava tão bonito quanto antes…e não sabia o que fazer. Colocar inseticida? E eu pensava: caramba, eu planto ervinhas na minha sacada pra não comer inseticida, e eu mesma vou começar a fazer isso? E o medo que meu canteiro morresse vinha na cabeça (e com ele, outros medos também…). Usei produtos naturais. E comecei a cuidar do meu manjericão. Foi quando um amigo meu me ensinou uma descoberta fantástica (pelo menos pra mim): que se eu quisesse que as plantas ficassem mais “cheias” ao invés de mais “altas”, eu devia podá-las. Eis me agora enlouquecida, podando as plantas, ficando brava com os bichos que se atrevem entrar no meu jardim, e a podar as plantas onde eu não quero que elas cresçam para que elas evoluam onde eu quero que isso ocorra. Fazendo isso hoje a tarde, me veio de novo o tal filme da Sandra Bullock. E fiz uma associação entre a poda e os relacionamentos.

Porque alguns deles podem até evoluir, podem até crescer, mas não do jeito que a gente imaginava; não do jeito que a gente queria. E quando isso acontece, se queremos a saúde da “planta”, devemos podá-la. Temos que cortá-la onde o crescimento não é desejado. E torcer para a planta crescer onde queremos. E torcer para que a muda (se por acaso as re-plantamos) vingue. Mas é preciso ânimo, paciência e principalmente disposição para determinar quando essa poda será feita, onde cortaremos a planta, onde plantaremos a muda e, principalmente, para vermos se conseguimos o resultado desejado.

É preciso também, ver se está na hora certa de fazermos essa poda. Porque na natureza, há um tempo para tudo.

Ainda que não concordemos com isso. Ainda que achemos, graças aos recursos tecnológicos de hoje, que nós podemos tudo.

Não podemos não… Sabe o que é o pior (ou o melhor) disso? Só tem um jeito de descobrir…E foi o que fiz.

Podei um MONTE de plantas essa tarde, da mesma forma que podei uma série de coisas da minha vida semana passada…

Let´s wait and see… Ah! Antes que vcs todos me achem muito resolvida: meu jardim está lindo. Mas comprei damas da noite, que são trepadeiras. E fico me gabando de ter parado de tentar controlar a minha vida e o meu destino, mas ultimamente me divirto amarrando os galhos da dama da noite para que eles cresçam na direção em que eu quero…hehehe…

Julho de 2004

Porque eu gosto de São Paulo

Av. Paulista, by Marco Noguti

Av. Paulista - Marco NogutiAv. Paulista - Marco Noguti Av. Paulista - Marco Noguti

Vocês sabem que sexta feira eu fico meio meditabunda (gostaram? hehehe…). Acabei de dar uma volta pela Paulista, e quando estava na frente do Parque Trianon, ouvi uma banda tocando. Nem preciso dizer que fui lá ver qual era o babado né? E era uma moçada simples, tenta Continue lendo “Porque eu gosto de São Paulo”