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	<title>From Lady Rasta &#187; feminismo</title>
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		<title>Apedrejando a mulher de moral duvidosa</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 16:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ladyrasta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nessa semana, ao menos grande parte das pessoas que me rodeiam (em sentido figurado, estou falando precipuamente da internet) falavam do sumiço da amante de Bruno, goleiro de futebol, e um escândalo pra lá de provinciano envolvendo um triângulo amoroso entre pessoas casadas na cidade de Sorocaba. Muitos condenam &#8220;a sociedade&#8221; ou o próprio Bruno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nessa semana, ao menos grande parte das pessoas que me rodeiam (em sentido figurado, estou falando precipuamente da internet) falavam <a href="http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/07/decisao-sobre-prisoes-no-caso-eliza-saira-da-policia-de-minas-diz-delegado.html">do sumiço da amante de Bruno</a>, goleiro de futebol, e um <a href="http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fg1.globo.com%2Fsao-paulo%2Fnoticia%2F2010%2F07%2Ffoi-uma-reacao-fria-diz-mulher-que-gravou-briga-com-amante-do-marido.html&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNGv_quecGBiRWipUtHAQ-6MI6y2IA">escândalo pra lá de provinciano</a> envolvendo um triângulo amoroso entre pessoas casadas na cidade de Sorocaba.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos condenam &#8220;a sociedade&#8221; ou o próprio <a href="http://www.vooz.com.br/noticias/goleiro-bruno-conheceu-eliza-em-orgia-e-camisinha-estourou-38550.html">Bruno por estar denegrindo a imagem da ex-amante,</a> ao tornar público o fato dela ser garota de programa e participar de &#8220;orgias&#8221; (nunca vou conseguir ouvir essa palavra sem me lembrar do Asterix, <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_lol.gif' alt=':lol:' class='wp-smiley' /> ). Vi inúmeros protestos alegando machismo, dizendo que era um absurdo falarem da mulher desaparecida dessa forma e&#8230; é mesmo, não poderia concordar mais. A moça é (ou era) dona do nariz dela e faz de seu corpo o que bem lhe aprouver.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, foi com desconforto que vi algumas dessas mesmas pessoas se divertindo, se regozijando (para não dizer gozando) com o que convencionou-se chamar de “barraco de Sorocaba”. Desconforto sabem por quê? <strong>Porque é justamente o ato de se achar no direito de jogar pedra na Geni, de se apedrejar em praça pública a mulher adúltera tal qual no Irã (como bem falou meu querido Fabio Rex) que embasa o comportamento do Bruno.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://twitter.com/FabioRex/status/17829167286"><img class="aligncenter size-full wp-image-4757" title="Fábio Rex - barraco sorocaba" src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Fábio-Rex-barraco-sorocaba-e1278519813679.jpg" alt="" width="400" height="198" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, pois fazendo uma análise rápida de ambas as atitudes (a do Bruno e a daqueles que se deliciam com o “barraco”), percebe-se em comum  a noção de que à sociedade é autorizado achincalhar (quiçá matar ou &#8220;dar uns corretivos&#8221;) a mulher de moral duvidosa, aquela cuja conduta sexual não é endossada ou autorizada, pelos “homens e mulheres de bem”. De certa forma, é a mesma conduta que em tese autorizaria o Pelé a não ter reconhecido sua filha: afinal, filhos havidos fora do casamento, com mulher que se submeteu a “isso”, não podem ter o mesmo tratamento daqueles tidos com “dona honesta”, não é mesmo?</p>
<p style="text-align: justify;">Dirão alguns: ah, mas a amante do Bruno não era casada, e&#8230; [coloque aqui a fundamentação moralista que bem lhe aprouver no que tange ao “barraco de Sorocaba”]. De novo, estamos nos prendendo a conceitos machistas e antigos: a de que não se deve olhar para o homem que deu tanto trabalho para uma mulher &#8220;conseguir&#8221;&#8230; Tenham a mais santa paciência, né?</p>
<p style="text-align: justify;">Não, não vou entrar aqui no mérito da relação de amizade das duas, e também não estou endossando a atitude da &#8220;traidora&#8221; &#8211; só estou dizendo que achincalhá-la (ou rir do achincalhe, dá na mesma) é o tipo de comportamento que embasa (ao menos  na cabeça de quem assim pensa) as atitudes de um Bruno. Moçada, não estamos dentro das relações maritais pertinentes ao caso, não sabemos de detalhes da relação de amizade delas, não sabemos nada, a não ser o fato de que a mulher traída achou-se no direito de jogar pedra na Geni (aka, a traidora) de forma pública, sem pensar nas pessoas envolvidas além da própria Geni, ato esse celebrado, comemorado e mesmo elogiado por muitas pessoas. A moça traída está revoltada, indignada? Não quero proibir sua dor &#8211; <span style="text-decoration: underline;">mas ela não tem não, o direito de apontar o dedo inquisidor de &#8220;ela tomou o meu homem&#8221;, como uma criança revoltada que esperneia no shopping</span>.<span style="text-decoration: underline;"> Não é à toa que muitos homens estão se divertindo com a situação: afinal, são duas mulheres de boa aparência (embora seus cabeleireiros, a meu ver, devessem ser condenados à prisão perpétua) lutando por um&#8230; <strong>falo</strong>. Super anos 80, não acham? 1780, bien compris.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Vou repetir: o fato de uma pessoa quebrar cláusulas contratuais (quer maritais, quer de amizade) não pode ensejar esse tipo de apedrejamento público, sob pena de darmos respaldo às atitudes machistas do Bruno (e porque não dizer, do próprio Pelé).  É essa síndrome de irmãs Cajazeira que dá força para um cara se achar no direito de sair contando o que sua amante fazia, ou mesmo para seu vizinho dar uns safanões na mulher ao desconfiar de sua infidelidade, ou mesmo um idiota se achar no <a href="http://ladyrasta.com.br/2009/01/31/assedios/">direito de passar a mão na bunda de uma moça que trabalhava vestida de Coelhinha da Playboy</a>; o cerne do raciocínio é idêntico.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembram do enterro do Presidente Miterrand da França? Lá estavam sua mulher, bem como a amante e a filha do Presidente havida fora do casamento. Ninguém estava se estapeando, não havia barraco &#8211; se houve um dia, foi interna corporis -; e é assim que deve ser, porque não sabemos nada a respeito daquelas pessoas para dizer o que é certo ou errado. Sinceramente? Acho que deveríamos pensar um pouco no que atos aparentemente pequenos e corriqueiros do dia a dia influenciam o modo de pensar da sociedade e como ela se comportará diante de determinadas situações. Afinal, querendo ou não, fazemos parte dessa sociedade. E ela só vai mudar se nós mudarmos e mudarmos o modo de pensar dos que estão a nossa volta. E às vezes, não dar risada ou não ajudar a espalhar determinadas tragédias pessoais é uma atitude que pode fazer diferença daqui a 150 anos. Ao menos quero acreditar nisso.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jsB--twZgng&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/jsB--twZgng&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Mulheres, babás, filhos e feminismo &#8211; parte 2</title>
		<link>http://ladyrasta.com.br/2010/06/22/mulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-2/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 12:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ladyrasta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Continuando o post anterior: 4. mãe realizada e tranquila propicia relação mais saudável com os filhos Sempre tive babá me ajudando a cuidar do meu filho; talvez por isso eu tenha tido (como tenho até hoje) disponibilidade pra ele.  Sempre declinei convites para happy hour por exemplo (até hoje deixo de fazê-los, pensando bem) porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando o <a href="http://ladyrasta.com.br/2010/06/21/mulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-1/">post anterior</a>:</p>
<h3><span style="color: #ff0000;">4. mãe realizada e tranquila propicia relação mais saudável com os filhos</span></h3>
<p style="text-align: justify;">Sempre tive babá me ajudando a cuidar do meu filho; talvez por isso eu tenha tido (como tenho até hoje) disponibilidade pra ele.  Sempre declinei convites para<em> happy hour</em> por exemplo (até hoje deixo de fazê-los, pensando bem) porque queria estar em casa quando meu filho chegasse da escola, queria jantar com ele &#8211; e nessa hora muitas trocas bacanas acontecem, é importante estar ali. Em compensação, sempre saí mais tarde, depois que ele dormia, porque tinha quem ficasse em casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que eu deveria me privar disso? Porque deveria ficar velando o sono dele? Aonde está escrito que para ser uma boa mãe você tem que abdicar de todas as outras facetas da sua vida? Onde fica sua vida sexual, social, afetiva, suas leituras?  Entendo que quem não tenha condições de pagar por esse conforto tenha que lidar com a situação de outra forma (como fazer com que o pai &#8211; caso haja um presente &#8211; seja mais participativo), mas a solução certamente não é apontar dedo acusador praquelas que têm condição de ter uma vida mais confortável.</p>
<p style="text-align: justify;">A mesma coisa com a escolinha. Lá vem a &#8220;galera de Woodstock&#8221; reclamar que não se deve colocar os filhos muito cedo na escola pra trabalhar, porque &#8220;a criança precisa da mãe&#8221;. Em primeiro lugar, esse é um argumento tão esnobe que não mereceria sequer análise (vai ver se lá no morro ou na periferia tem muita opção pra mãe solteira que teve filho e precisa trabalhar&#8230; tem não, moçada); <strong>em segundo lugar, é de novo achar que ter uma mãe frustrada, de saco cheio de limpar fralda de nenê e louca pra voltar a trabalhar é melhor do que ter uma mãe feliz que no fim do dia veja seu filho ao chegar do trabalho, ainda que seja por menos tempo</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong><br />
<em>&lt;abre parênteses&gt; </em>Também não tenho nada contra as mães que decidem, por livre e espontânea vontade, abrir mão de suas carreiras para cuidar dos filhos; aliás, é até normal que durante uns meses estejamos mais focadas na &#8220;cria&#8221; do que na carreira ou em sexo, por exemplo. Algumas mulheres depois da maternidade descobrem que uma profissão não é importante para elas, ou que preferem trabalhar menos para ficar com os filhos. Acho legítimo (embora arriscado, se seu pacto ante-nupcial não for bom <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_lol.gif' alt=':lol:' class='wp-smiley' /> ) e não acho que isso seja machismo, desde que a opção tenha partido dela. Mulheres não são obrigadas a trabalhar fora só porque o movimento feminista permitiu isso, e cuidar exclusivamente de filhos é  nobre, é bonito, é muito trabalhoso e quase ninguém dá valor. <span style="text-decoration: underline;">Em resumo, apoio a decisão que parta da convicção pessoal da mulher e não das pressões sociais impostas</span>; aquela que  busque sua plenitude e o bem estar, e não seguir &#8220;guia da boa mãe&#8221; <em>&lt;/fecha parênteses&gt;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em></em><br />
Voltando: o conceito de mãe presente é muito mais amplo do que trocar fralda e ficar o tempo todo com seus filhos. <strong>Mãe presente, em primeiro lugar, está inteira e não ressentida</strong>; mãe presente está feliz em ter o filho do lado e quer saber o que o tem interessado, quer saber o que ele está lendo, qual seu desenho preferido;  direciona os interesses dele, faz programação no fim de semana que o inclua efetivamente (um almoço de 3 horas não inclui uma criança na programação; uma ida a uma exposição seguida de uma livraria e loja de brinquedos onde prestemos atenção ao que o interessa sim); mãe presente não necessariamente tem que viver com a roupa manchada de arroto. Pode, se quiser, mas não precisa se houver alternativa.</p>
<h3><span style="color: #ff0000;">5. Não, babá não é &#8220;coisa de rico&#8221;</span></h3>
<p style="text-align: justify;">Volta e meia vejo pessoas indignadas dizendo que babá é algo atrasado, coisa de &#8220;classe média&#8221; acostumada a ser servida. Acho isso uma tolice e um desserviço à causa feminista.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, eu sei, estou falando aqui de mulheres que ganham muito bem,<span style="text-decoration: underline;"> mas também podemos ter aquelas que, ganhando pouco, ainda assim prefeririam trabalhar  e gastar todo o salário para pagar uma empregada para cuidar da casa ou uma babá para poderem continuar trabalhando &#8211; ou ainda, usar parte de seu salário para ter o conforto de alguém que a ajudasse a cuidar do filho, digamos, aos fins de semana</span>.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, admitamos que uma pessoa gaste todo o seu dinheiro extra com isso &#8211; qual o problema? No que isso a torna uma mãe indigna? Eu acho que em nada; aliás, acho que assumir que há outras facetas da vida dela que não a de mãe só pode contribuir muito para a formação de uma criança saudável, onde não haverá tantas expectativas e frustrações sobre elas.</p>
<p style="text-align: justify;">Comprar a ideia de que ter babá é coisa de rico é cair em uma conversa extremamente machista e patriarcal (ah, como eu detesto esse termo de tanto que ele foi vilipendiado e usado de forma torta); comprar essa ideia é dizer que mulher com filho tem que ficar em casa e se submeter às vontades (e à renda) do marido; é dizer que ou você é a virgem Maria assexuada e dedicada pra sempre à sua cria (Nelson Rodrigues já dizia que era imoral desejar a mãe dos próprios fihos) ou então deve trabalhar &#8220;como homem&#8221; e abdicar da maternidade. Isso não pode estar certo. Tem que ter um caminho do meio. E tem, né?</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que são poucas, infelizmente, as mulheres que podem optar por esse tipo de conforto. Também sei que faltam creches e compreensão por parte das empresas.  <strong>Mas acho que é dando sustentação e apoio a essas poucas mulheres que poderemos no futuro, ter várias delas felizes com a vida que levam, sem ter que abdicar da maternidade</strong>, que não, não é um sacerdócio, mas é sim, uma missão importante e rica nas nossas vidas, que vale ser vivida por quem o deseje da forma mais confortável possível.</p>
<p style="text-align: justify;">E Gisele, faz favor de não dizer que tem &#8220;amiga&#8221; que cuida do filho, né? Você tem direito de desfilar se tiver vontade, viu?</p>
<p><a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F22%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-2%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%202" title="Google Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google_buzz.png" width="16" height="16" alt="Google Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_reader?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F22%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-2%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%202" title="Google Reader" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/reader.png" width="16" height="16" alt="Google Reader"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/dihitt?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F22%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-2%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%202" title="diHITT" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/dihitt.png" width="16" height="16" alt="diHITT"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/yahoo_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F22%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-2%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%202" title="Yahoo Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/buzz.png" width="16" height="16" alt="Yahoo Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F22%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-2%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%202" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a> <a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Mulheres, babás, filhos e feminismo &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 18:06:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ladyrasta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou eu na fila do supermercado quando vejo numas dessas &#8220;revistas de figura&#8221; (Caras, Quem, confundo todas) matéria de capa com a Gisele Bundchen afirmando que contou com a ajuda de uma &#8220;amiga&#8221; para cuidar de seu filho durante os desfiles do SPFW, porque ela não tinha babá, cuidava do filho sozinha. Fico louca da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estou eu na fila do supermercado quando vejo numas dessas &#8220;revistas de figura&#8221; (Caras, Quem, confundo todas) matéria de capa com a Gisele Bundchen afirmando que contou com a ajuda de uma &#8220;amiga&#8221; para cuidar de seu filho durante os desfiles do SPFW, porque ela não tinha babá, cuidava do filho sozinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Fico louca da vida quando ouço esse tipo de bicho-grilice na linha &#8220;woodstock não morreu&#8221; que todos os &#8220;manuais da boa mãe moderna&#8221; pregam por aí atualmente; <strong>a meu ver, eles são extremamente machistas e tolhem o direito de escolha da mulher</strong> &#8211; e não gosto nada nada de ver uma figura pública endossando isso (ainda que imagine que esse endosso seja  para antes visando proteção de sua imagem do que convicção pessoal). Explico  o porquê na sequência.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h3><span style="color: #ff0000;">1. da família décadas atrás</span></h3>
<p style="text-align: justify;">Para explicar minha indignação, terei que voltar uns 50, 60 anos no tempo pelo menos. Naqueles tempos, era muito comum não só uma família maior, como também várias gerações habitando a mesma casa. Isso gerava obviamente problemas complicados (os contos de Nelson Rodrigues estão aí para não me deixar mentir), mas também havia, como contra-prestação dessa (chamemos assim) promiscuidade familiar um apoio maior na criação dos filhos. Quando as mulheres passaram a trabalhar e a geração anterior ainda era dona de casa, essas mulheres ainda podiam contar com essa retaguarda no auxílio da criação dos filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje isso acabou. Já somos a 1a ou 2a geração de mulheres (e nos EUA talvez seja a 3a) cujas mães trabalham, têm suas atividades e não estão disponíveis (ou dispostas) a exercer essa função. Ora, como as relações familiares mudaram muito, <span style="text-decoration: underline;">nós temos que achar um modelo que funcione sem que tenhamos que matar uma faceta de nossas vidas </span>- e a babá (tanto quanto o ingresso na escola mais cedo) podem sim, ser uma solução interessante. Por que então devemos deixar tais soluções de lado?</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><br />
</span></p>
<h3><span style="color: #ff0000;">2. da necessidade de se dessacralizar o conceito de maternidade</span></h3>
<p style="text-align: justify;">É vocês leram certo, estou indo um pouco na contramão mesmo. Falo em dessacralizar não com o fim de tornar a função de mãe menos importante, mas sim na acepção do termo em si, de deixar de tornar sagrado &#8211; sim, porque se de um lado, a maternidade é uma benesse, algo realmente maravilhoso que só quem passa pela experiência pode saber o que tem de transformador nela, por outro, a mulher não passa a ser uma santa só porque exerce essa função (e de outro, não pode ser demonizada porque decide não exercê-la).</p>
<p style="text-align: justify;">Não acho de forma alguma, que educação dos filhos seja algo delegável para empregados domésticos e professores de escolas, por melhores que eles sejam; o conceito de educação de uma criança é algo tão abrangente, tão complexo e tão sério que é uma irresponsabilidade delegá-lo no todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto no entanto não significa que ele deva ser exercido por uma única pessoa (no mais das vezes, a mãe) 24 horas por dia, ou pior ainda, que a mãe não tenha direito a ter prazer em outras atividades da vida que não a de ficar atrás de seu rebento, e que, por ter escolhido a maternidade, tenha que executar inúmeras tarefas mecânicas sem fim. Maternidade não é castigo, né, moçada? Tem que ser legal. E é aí que funcionários contratados para exercer algumas funções burocráticas (e chatas) podem (e devem) entrar na equação.</p>
<h3><span style="color: #ff0000;"> 3.direito ao trabalho e ao lazer da mulher emancipada</span></h3>
<p style="text-align: justify;">Digo isso porque algumas mulheres, a despeito de adorarem ser mães, de terem escolhido ser mães, também adoram trabalhar, namorar, ir ao cinema, etc. Algumas dessas mulheres ganham bem. Ainda há muita desigualdade salarial entre homens e mulheres muitas mulheres hoje em dia são altas executivas de empresas, ou sócias de grandes escritórios de advocacia, ou ainda médicas reconhecidas etc. Ora, é um absurdo que se inculquem nessas mulheres não só <a href="http://www.samshiraishi.com/sera-que-culpa-e-a-principal-inimiga-da-mulher-que-trabalha-diadamulher/">a culpa por não cuidarem </a><em><a href="http://www.samshiraishi.com/sera-que-culpa-e-a-principal-inimiga-da-mulher-que-trabalha-diadamulher/">full time</a></em><a href="http://www.samshiraishi.com/sera-que-culpa-e-a-principal-inimiga-da-mulher-que-trabalha-diadamulher/"> de seus filhos</a> como também a obrigação de terem que estar disponíveis para eles em todo o resto do tempo livre do qual dispõem. <strong>Está errado e é um desserviço à causa feminista à medida em que empresas deixam de investir nas mulheres por medo de que elas parem de trabalhar (</strong>há algumas matérias, como <a title="essa aqui" href="http://www.cbsnews.com/stories/2004/10/08/60minutes/main648240.shtml">essa aqui</a> por exemplo, falando dos efeitos do fenômeno &#8220;stay at home mom&#8221; na economia e na visão das empresas no que tange a contratações de mulheres &#8211;  <a title="esta aqui" href="http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI23703-16366,00-MAE+EXECUTIVA+CARREIRA+ENCURTADA.html">esta aqui</a> também)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong><br />
Sim, porque em resumo, é isso que a turma &#8220;woodstock não morreu&#8221; prega: filho é uma benção divina, e se você precisa trabalhar, vá lá ter alguém para cuidar do seu filho enquanto você trabalha, mas depois, em compensação, todo o seu tempo livre tem que ser dedicado ao filho, senão você não é uma boa mãe (ou então vá trabalhar, se é disso que você gosta, mas esqueça filhos). Sério, as pessoas en-lou-que-ce-ram. Tenho amigas que trabalham pra burro e porque compraram essa bandeira maluca, passam os fins de semana loucas, cansadas e irritadas com seus filhos, sensações essas que geram uma culpa enorme na sequência (eu não posso estar irritada, eu tenho que ser uma mãe de comercial de margarina, e tenho que dar prioridade pro meu filho); na cena seguinte, evidemente,  briga com o marido, com os filhos, e a vida, que poderia ser muito boa, fica um horror.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong><strong>Por que com mil demônios as mulheres bem sucedidas desse mundo estão sendo obrigadas a escolher entre a maternidade e a carreira?</strong> Por que elas não podem ter o seu caminho do meio? Uma babá pode ser importante na vida executiva de uma mulher tanto quanto uma assistente competente &#8211; aliás, é isso que ela é. Por que a mulher não pode ter alguém que seja muito bem pago para realizar tarefas mecânicas, a fim de que a mãe possa ter seus momentos de lazer, ter uma vida plena, realizada e com isso, estar mais disponível para os filhos? Sim, mais disponível. Explico porque no próximo post. <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F21%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-1%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%201" title="Google Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google_buzz.png" width="16" height="16" alt="Google Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_reader?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F21%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-1%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%201" title="Google Reader" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/reader.png" width="16" height="16" alt="Google Reader"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/dihitt?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F21%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-1%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%201" title="diHITT" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/dihitt.png" width="16" height="16" alt="diHITT"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/yahoo_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F21%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-1%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%201" title="Yahoo Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/buzz.png" width="16" height="16" alt="Yahoo Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F06%2F21%2Fmulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-1%2F&amp;linkname=Mulheres%2C%20bab%C3%A1s%2C%20filhos%20e%20feminismo%20%26%238211%3B%20parte%201" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a> <a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Os véus islâmicos e a liberdade da mulher</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 00:21:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ladyrasta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Assunto Sério]]></category>
		<category><![CDATA[burqa]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Islã]]></category>
		<category><![CDATA[muçulmanas]]></category>
		<category><![CDATA[vestes islâmicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem me conhece um pouco sabe que tenho uma fascinação ingênua pelos véus islâmicos; acho que justamente pelo fato de adorar usar um decote, aquele ar de mistério emanado pela burqa e congêneres me é fascinante. Claro que não ignoro o que tem (aos olhos de uma ocidental) de opressão naquelas roupas, e as minhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quem me conhece um pouco sabe que tenho uma <a href="http://ladyrasta.com.br/2008/03/28/burcas-decotes-liberdadee-a-nike/"> fascinação ingênua pelos véus islâmicos;</a> acho que justamente pelo fato de adorar  usar um decote, aquele ar de mistério emanado pela <em>burqa</em> e congêneres me  é fascinante. Claro que não ignoro o que tem (aos olhos de uma  ocidental) de opressão naquelas roupas, e as minhas fantasias são aquelas decorrentes de  toda ocidental que possui plenos poderes e direitos sobre si própria;  mas fantasias, como o próprio nome diz, não são exatamente a realidade,  certo?</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">A polêmica sobre a proibição das <em>burqas </em>na França aguçou minhas  reflexões sobre o tema (li bastante, inclusive<a title="um post ótimo" href="http://cynthiasemiramis.org/?p=1084"> um post ótimo</a> da @semiramis, apesar de não concordar muito com ele) e nunca havia  conseguido  formar uma opinião. Isso porque, se de um lado eu entendia  que a <em>burqa</em> poderia  ser um símbolo da opressão da mulher e da enorme  diferença de direitos existente entre homens e mulheres no Islã, de  outro havia a questão cultural, e por mais que meus olhos ocidentais tendessem  a enxergar alguns costumes como bárbaros, não podia deixar de pensar  que isso é meramente uma questão de ponto de vista.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mais absurdo que  possa parecer, penso eu, o que é bárbaro para uma cultura não necessariamente é  bárbaro para outra &#8211; e o nome que se dá a impor nossos conceitos e  ideias sobre as de outrem não é exatamente democracia, não é mesmo?</p>
<p>Essa semana, com o burburinho causado por  decisão judicial afirmando que não é permitido usar <em>burqa</em> na França,  pensei com mais afinco quanto ao tema e (acho que formei) minha opinião.</p>
<p>Antes porém, queria analisar alguns argumentos utilizados para  proibir a <em>burqa</em> ( e outros contra a proibição) junto com vocês.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong> </strong></span></p>
<div id="attachment_4406" class="wp-caption aligncenter" style="width: 371px"><img class="size-full wp-image-4406" title="véus islâmicos" src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2010/02/véus-islâmicos.jpg" alt="" width="361" height="512" /><p class="wp-caption-text">acima a partir da esquerda: burqa e chador; abaixo: hijab e niqab</p></div>
<h3><span style="color: #ff0000;"><strong>1. Burqa é opressão ao  feminino.</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify;">Sim, é opressão caso seu uso seja imposto  (e nem todas as mulheres gostariam de deixar de usá-lo). <span style="text-decoration: underline;">No  entanto, não acredito que ela seja mais opressiva para as muçulmanas do  que são para nós ocidentais  as revistas com mulheres irreais e a  exigência cada vez mais premente e ridícula da mulher se manter bela e  jovem como se tivesse 25 anos para sempre</span> (<a title="esse artigo  bárbaro" href="http://fredericksburg.com/News/FLS/2008/092008/09072008/407443/index_html?page=3">esse artigo bárbaro</a> nos explica isso muito bem &#8211; e o Fabio Hernandez o resumiu lindamente <a href="http://fabiohernandez.wordpress.com/2010/02/05/o-desejo-da-mulher-que-veste-burca/">aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Ora,  existem grupos feministas que abominam a exposição do corpo da mulher;  mas no que me diz respeito, acredito que somos donas dos nossos  narizes (ou das nossas pernas e peitos) para decidirmos se queremos  mostrá-los ou não (acredito também, com todo o respeito <a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/2009/07/24/da-onda-feminista-i-choose-my-choice/">por quem pensa ao  contrário</a>, que sim, <em>we do choose our choices</em>); então, se vejo capacidade de  discernimento na mulher que opta por andar seminua na rua, não posso  (ou ao menos acho que não posso) negar capacidade de discernimento  a  uma mulher que opte por andar completamente vestida. Simples assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Para mim, a  opressão ao feminino através das roupas  ocorre quando a mulher não escolhe usar  determinada roupa, é obrigada a fazê-lo</strong> (como o marido ou namorado que  proíbe sua mulher de usar roupa decotada ou maquiagem); e se de um lado há mesmo  muitas muçulmanas que são obrigadas a usar <em>burqa</em>, de outro há aquelas  que gostam de fazê-lo, que se sentem mal sem eles.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não pretendo deixar as muçulmanas obrigadas a aceitar o véu à própria sorte; no entanto acredito que a sociedade deva dar  estrutura, força, instrumentos para que elas consigam deixar de ser  obrigadas e façam sua própria opção, e não impor uma alternativa. Com todo o respeito, não faz  sentido tirar a mulher de um algoz (no caso, aquele que a obriga a usar <em> burqa</em>) para entregá-lo a outro (o Estado que a obrigará a usar roupas  ocidentais, ainda que ela não deseja isso).  Aliás,  se não me engano, esse é exatamente o tipo de política que imperou entre os países  europeus na época da colonização da África: o &#8220;branco sabe tudo&#8221; impondo  sua cultura e seus costumes aos &#8220;negros ignorantes&#8221;.   <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<h3><span style="color: #ff0000;"><strong>2. Há mulheres obrigadas a usar <em>burqa</em><br />
</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify;">Há mesmo.  E eu acho que elas não deveriam ser obrigadas a fazê-lo. Mas eu  pergunto: por que a vontade das que são obrigadas a usar burqa deve  prevalecer sobre a vontade daquelas que o usam por prazer? Neste vídeo  temos um exemplo de que elas existem:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=OI7IZ88Xgug]</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho hoje plena  convicção de que ao invés de impor roupas ocidentais às muçulmanas,  dever-se-ia (através, isso sim, de coerção inteligente) dar às mulheres  condição para que exerçam sua vontade, para que sejam independentes.</p>
<p style="text-align: justify;">A  proibição da <em>burqa</em> ou do <em>niqab</em> certamente fará com que muitas mulheres não possam  sequer sair mais de casa, e eu acho isso uma temeridade, <span style="text-decoration: underline;">um fato que  deve sim, ser levado em consideração, e não ser considerado um mal menor  perto do &#8220;horror&#8221;  (says who?) de usar a <em>burqa</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, tenho  certeza que ensino fundamental é obrigatório na França, seja para  muçulmanos, para judeus, católicos ou protestantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, não  acho que se possa proibir mulheres de usar o que bem entenderem, mas  acredito ser possível  criar penas severas para os pais que não deixem  suas filhas ir à escola. Estudo e instrução certamente garantirão que em  uma ou duas gerações elas possam estar aptas a impor sua vontade &#8211; até  porque há várias &#8220;categorias&#8221; de véus no Islã, e a combinação  estudo+instrumentos de apoio certamente fará com que aquelas que não  mais desejem usar a <em>burca</em> ou <em>niqab</em> passem a usar outro véu, caso queiram  chegar a um meio termo  entre a  cultura da nação onde  habitam e seus costumes ancestrais. Acredito que as mudanças paulatinas e mais embasadas sejam mais consistentes e por isso, tenham mais chance de se perpetuar (não nos esqueçamos que o finado Xá Reza Pahlevi proibiu o uso do véu como forma de &#8220;civilizar&#8221; seus súditos. Vocês lembram bem o que rolou depois de sua queda, né? Saca o Irã?)</p>
<p style="text-align: justify;">
<h3><strong><span style="color: #ff0000;">3. Vestes incompatíveis com o mundo ocidental<br />
</span></strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Well,  como bem lembrou o <a href="http://twitter.com/pnogueira56">Paulo Nogueira</a>, não há como sustentar esse argumento  quando temos entre nós freiras que se vestem dessa forma:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-4409" title="habito" src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2010/02/habito.jpg" alt="" width="282" height="249" /></p>
<p>A pergunta que não quer calar: no que a veste  acima se distingue da veste abaixo?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_Uan5i7RRjig/SCLVhWxD02I/AAAAAAAAAMI/K9L2FRdJxcY/s400/muslim%2Bveil.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4410" title="muslim+veil" src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2010/02/muslim+veil.jpg" alt="" width="292" height="376" /></a></p>
<p>Não entendo porque não há um movimento proibindo o hábito das freiras,  ou dizendo que eles não cabem no nosso mundo&#8230; Eles não seriam também  opressivos?</p>
<h3><span style="color: #ff0000;">4. País laico não pode permitir tais vestes<br />
</span></h3>
<p style="text-align: justify;">O fato de um país ser laico não significa que seus habitantes devam  igualmente sê-lo. Um país laico significa meramente um Estado separado da  Igreja (qualquer que seja ela), e que não tome decisões ou  promulgue  leis que privilegiem uma religião em detrimento de outra.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;">Não é atribuição de um estado laico impedir que religiosos professem sua  religião em público, ou restrinjam serviços públicos àqueles que o  fazem, pois isto configura cerceamento de livre expressão e de professar  sua fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;">Assim, um estado laico não pode ter uma cruz nas repartições públicas  (como acontece direto e reto aqui no Brasil), mas não vejo porque alguém  que adentre tal recinto não possa usar um crucifixo no pescoço, por  exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do mais, acho esta conduta um tanto quanto &#8220;método avestruz  amedrontada&#8221; : os conflitos inter-religiosos não deixarão de acontecer  porque não vemos seus símbolos em recintos públicos e sim, quando houver tolerância  religiosa &#8211; e esta só vem com o conhecimento e o respeito do que seja &#8220;o  outro&#8221;. É a ignorância e a intolerância ao que seja diferente que causa conflitos, e não a existência de diferenças em si.</p>
<p style="text-align: justify;">Cumpre lembrar que desde 2004 é proibido às mulheres adentrar as escolas    públicas francesas usando qualquer tipo de véu, o que me soa pouco    inteligente: por conta do que para nós não passa de um pano na cabeça,    muitas meninas podem deixar de ir à escola. Eu pergunto: o que é mais    importante? Que elas estudem e se estruturem para fazer uma opção  futura, ou que elas corram o risco de seus pais proibirem-nas de ir à  escola? Será que é mesmo na segurança e no bem estar das mulheres que a  França está pensando?</p>
<p style="text-align: justify;">Há portanto, que distinguir entre estado laico e estado que proíba  manifestações religiosas, motivo pelo qual considero absurda a proibição de meninas usarem o<em> hijab</em> nas escolas sob o argumento da laicidade do Estado.</p>
<h3><span style="color: #ff0000;"> <strong>4. Questão da segurança</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify;">O   <a href="http://www.blogdovladimir.wordpress.com/">@VladimirAras</a>, conversando comigo no Twitter disse uma coisa muito  importante, na qual não havia pensado: que há a questão da segurança. É  impossível reconhecer um criminoso que usa <em>burqa</em>. Tive que dar a mão à  palmatória,  esse é um critério objetivo,  não passa por juízo de valor de se avaliar qual sociedade é bárbara ou  não, qual costume é mais libertário ou não.</p>
<p style="text-align: justify;">Curvo-me portanto a esse  argumento no que tange ao uso do <em>niqab</em> e da <em>burqa</em>; inobstante, acho que  por uma questão de igualdade, deveriam ser proibidas todas as  vestimentas, orientais ou não, que deixassem à mostra apenas os olhos, e  isso não foi aventado, evidenciando que  cerne da questão  não é a  segurança, e  sim a proibição de se usar as vestimentas islâmicas.</p>
<h3><span style="color: #ff0000;">5. Discriminação disfarçada de defesa dos  direitos da mulher</span></h3>
<p style="text-align: justify;">Antigamente, nos <em>blockbusters </em>americanos, o vilão era sempre um &#8220;russo  malvado&#8221;, tendo em vista estarmos vivendo, à época, a Guerra Fria. Nos dias de hoje, o vilão é sempre um árabe (e os  acontecimentos de 11 de setembro não deixam muitas dúvidas do motivo  para que isso ocorra, <em>d&#8217; accord</em>?).</p>
<p style="text-align: justify;">O islã é uma cultura (não acho que estejamos falando apenas de religião,  acredito que seja um conceito mais amplo que isso) que assusta pela sua  unidade, pela sua coesão, pela certeza daqueles que estão vivendo sob  seu manto (gostei da metáfora aqui, <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_lol.gif' alt=':lol:' class='wp-smiley' /> ). É um pouco maluco aos olhos  ocidentais ver religiosos que ainda hoje decidem morrer por sua fé para  praticar atos terroristas, acreditando naquilo, ou mesmo vivendo sob leis e conceitos que nos remetem à Idade Média.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que quando vemos mulheres andando de<em> burqas</em>,<em> niqabs</em> e  congêneres, essas ideias perpassam nosso cérebro, ainda que de forma  muito randômica, e nos assustam. Será que não queremos (estou usando o nós como  ocidentais de uma forma geral)  acabar com a visão dos véus islâmicos  para com isso, esquecer que há pessoas no mundo com valores, conceitos e  ideais muito diferentes dos nossos, <strong>eles também acreditando que nós  somos selvagens?</strong> Será que não queremos acabar com os véus islâmicos para  com isso não precisarmos questionar e refletir sobre nossos costumes? Será que não  estamos almejando uma homogeneidade que, como todos sabemos, sempre é mãe  de ideias tacanhas e da intolerância?</p>
<h3><strong><span style="color: #ff0000;">6. Inexpressividade dos números<br />
</span></strong></h3>
<p style="text-align: justify;">A França tem<a title="63 milhões de hanitantes" href="http://www.brasilescola.com/geografia/franca.htm"> 63  milhões de habitantes</a>, aproximadamente. O total de mulheres adeptas  do <em>niqab</em> e da <em>burqa </em>é de <a href="http://www.20minutes.fr/article/346253/France-Un-peu-moins-de-deux-mille-femmes-portent-la-burqa-en-France.php">menos de 2.000 mulheres</a> (há <a href="http://news.stv.tv/world/112576-only-367-muslim-women-in-france-wear-full-veil-report/">pesquisas falando em 367</a> -!- mulheres). É um número ínfimo perto da  população francesa, vocês hão de convir comigo (não é à toa que alegam interesses do governo francês em aplacar os radicais de direita que detestam os imigrantes&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;">Causa espécie realmente que <strong><a href="http://www.lefigaro.fr/actualite-france/2009/09/09/01016-20090909ARTFIG00040-deux-mille-femmes-portent-la-burqa-en-france-.php">apenas 2.000 mulheres </a>num universo de 64 milhões</strong> consigam nos impingir  um medo do Oriente e dos seus costumes.</p>
<p style="text-align: justify;">Faz pensar mesmo&#8230; Será que  elas não nos assustam porque no fundo, tememos que eles tenham mais  certezas que nós? Porque têm mais apego aos seus costumes que nós, que toda semana mudamos nossos hábitos de acordo com o que dita o mercado? Eu não sei. Mas eu sequer sei se é bom ter certeza de  alguma coisa <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_lol.gif' alt=':lol:' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Em resumo, me decidi: sou contra a proibição que o Governo Francês quer  impor às muçulmanas. E vocês?</p>
<p><span style="color: #ff0000;">******</span><br />
P.S. Não posso deixar de fazer aqui um  agradecimento especial ao <a href="http://colunas.epoca.globo.com/pelomundo">Paulo Nogueira</a> que, por conta desse debate no  Twitter, me municiou de textos, vídeos e ideias para que eu formasse  minha convicção. Muito, muito obrigada, viu? <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>P.S. II. Pra provocar um pouco, termino com o sexy e instigante vídeo  abaixo&#8230;</p>
<p>[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SoCg4wyauWY]</p>
<p><a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F02%2F05%2Fos-veus-islamicos-e-a-liberdade-da-mulher%2F&amp;linkname=Os%20v%C3%A9us%20isl%C3%A2micos%20e%20a%20liberdade%20da%20mulher" title="Google Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google_buzz.png" width="16" height="16" alt="Google Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_reader?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F02%2F05%2Fos-veus-islamicos-e-a-liberdade-da-mulher%2F&amp;linkname=Os%20v%C3%A9us%20isl%C3%A2micos%20e%20a%20liberdade%20da%20mulher" title="Google Reader" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/reader.png" width="16" height="16" alt="Google Reader"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/dihitt?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F02%2F05%2Fos-veus-islamicos-e-a-liberdade-da-mulher%2F&amp;linkname=Os%20v%C3%A9us%20isl%C3%A2micos%20e%20a%20liberdade%20da%20mulher" title="diHITT" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/dihitt.png" width="16" height="16" alt="diHITT"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/yahoo_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F02%2F05%2Fos-veus-islamicos-e-a-liberdade-da-mulher%2F&amp;linkname=Os%20v%C3%A9us%20isl%C3%A2micos%20e%20a%20liberdade%20da%20mulher" title="Yahoo Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/buzz.png" width="16" height="16" alt="Yahoo Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2010%2F02%2F05%2Fos-veus-islamicos-e-a-liberdade-da-mulher%2F&amp;linkname=Os%20v%C3%A9us%20isl%C3%A2micos%20e%20a%20liberdade%20da%20mulher" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a> <a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Sexo e machismo</title>
		<link>http://ladyrasta.com.br/2009/03/13/imedeen/</link>
		<comments>http://ladyrasta.com.br/2009/03/13/imedeen/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 14:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ladyrasta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[imedeen]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem vi  no Twitter um comentário  sobre um comercial um tanto quanto polêmico  da Imedeen (complemento que ajuda na manutenção da viçosidade da pele). O tweet questionava o anúncio perguntando se o dito cujo era de mau-gosto, machista, criativa, interessante ou somente idiota. Confesso que fiquei meio contrafeita, não pelo fato das pessoas não gostarem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem vi  no Twitter um comentário  sobre um comercial um tanto quanto polêmico  da Imedeen (complemento que ajuda na manutenção da viçosidade da pele).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2549" title="Meu segredo para uma pele bonita? Eu engulo" src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/uploads/2009/03/zoe_tay_swallows3.jpg" alt="" width="485" height="359" /></p>
<p>O<a href="http://twitter.com/viva_/status/1316593923"> tweet</a> questionava o anúncio perguntando se o dito cujo era de mau-gosto, <span class="status-body"><span class="entry-content">machista, criativa, interessante ou somente idiota</span></span>.</p>
<p>Confesso que fiquei meio contrafeita, não pelo fato das pessoas não gostarem do anúncio, ou o acharem grosseiro e inadequado;  isso é questão de gosto pessoal, identificação, uma série de coisas. Mas chamar de machismo achei um pouco meio muito sabem?</p>
<p>Minha idéia aqui não é criticar ou desmerecer ninguém, mas sim, pedir um pouco de reflexão  quanto aos termos que empregamos. Sim, porque de uns tempos pra cá estou vendo as pessoas chamarem quase qualquer coisa de machismo &#8211; e, ao rotularmos tudo de machismo, fazemos com que as reais e efetivas atitudes machistas (como mulheres receberem menos salário para exercer a mesma função, por exemplo) não se destaquem.</p>
<p>Ou seja: ao chamar tudo de machismo, nada é machismo, entendem?</p>
<p>Voltemos ao anúncio: ele faz uma clara alusão à forma como uma mulher pode finalizar o sexo oral  (eu não estou a fim de falar isso em termos chulos &#8211; mas acreditem, eu saberia fazer isso com extrema propriedade <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_lol.gif' alt=':lol:' class='wp-smiley' />  ).</p>
<p>Certamente não é um anúncio convencional, e teria minhas dúvidas se ele poderia ser veiculado em qualquer tipo de mídia. Mas sinceramente? É de mau gosto para quem acha esse tipo de prática (ou falar dele) desagradável.. Tá errado não gostar? Também não &#8211; assim como não está errado achar o comercial de mau gosto. Mas daí a tachar de machista a distância é grande, porque rotula de machista todos aqueles que gostaram do anúncio &#8211; o que não é verdadeiro né?</p>
<p>Confesso que de todos os argumentos que li divergindo do meu posicionamento, o único que balançou um pouco minhas convicções foi um comentário <a href="http://thegrandnarrative.wordpress.com/2009/03/05/zoe-tay-imedeen-skin-whitening-advertisement/">nesse post aqui</a>, onde a moça afirma que tá esperando um  anúncio onde o homem dissesse que nada limpa os dentes como um pelo de&#8230;.bom, vcs entenderam né?</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 30px;">when was the last time you saw an ad in a men’s magazine in which a man said something like, “Nothing cleans the teeth like a beaver pelt. (by Sonagi)</p>
</blockquote>
<p>Mas depois de analisar com calma, cheguei à conclusão de que este  argumento não faz muito sentido: o fato é que o anúncio não apela pura e simplesmente para o sexo, mas sim, nos remete para  uma piadinha (ou lenda urbana, vá lá que seja) afirmando que este fluido específico, caso seja aplicado <em>in loco </em>ou ingerido, faz bem pra pele. <strong>Por isso </strong>o anúncio é engraçado (para os que acham engraçado), e por isso um anúncio de fio dental não funcionaria (acho, também &#8211; mas se conseguirem colocar a história dentro de um contexto interessante dou <em>mó</em> apoio!).</p>
<p>A gente tá num país em que tivemos um<a href="http://eramostops.files.wordpress.com/2008/06/tiazinha.jpg"> ídolo sado-masô </a>(ok, desisti de escrever sem arregaçar) num programa de televisão, tivemos o <a href="http://bigbrother9.org/2009/03/12/video-porno-maira-bbb-9-fazendo-sexo-oral-pagando-boquete/">boquetegate </a>essa semana amplamente divulgado e discutido em toda a mídia (outra bobagem aliás né?)  e é machismo um comercial que faz alusão à velha piadinha de que sêmen faz bem pra pele?</p>
<p>Ah, façam-me o favor!!</p>
<p>Eu, ao contrário, acho essa campanha, longe de ser machista, bastante libertária &#8211; porque, se formos para o outro sentido da frase, a moça ali está dizendo: faço sexo sim, faço algumas coisa na cama que alguns acham nojento, e estou feliz,  isso me faz um bem enorme, me deixa&#8230;.viçosa  (acho até que poderíamos ver  história do fluido esbranquiçado fazer bem pra pele como metáfora: sexo faz bem pra pele, porque nos sentimos vivos e desejados &#8211; que tal? ).</p>
<p>Já tô até vendo a turma do recato falar: ah, mas é que isso estimula um hábito que é pra dar prazer para o homem, faz a mulher achar que tem que satisfazer o homem mesmo contra a vontade dela (do mesmo jeito que falam do sexo anal, ou do sexo oral na modalidade&#8230;humm&#8230;.básica). De minha parte, ao ver  mulheres  em pânico quando falam de práticas que elas não gostam, concluo que no fundo elas gostariam que ninguém fizesse tais &#8220;coisas&#8221; &#8211; pois assim não seriam confrontadas e não teriam que assumir que não gostam de nada. Não precisa gostar! Não se é obrigado sequer gostar de sexo! Mas não venham querer fazer disso a norma geral né?</p>
<p>Feliz ou infelizmente há mulheres  cujo prazer é dar prazer para o homem, e não veem nada errado com isso (até porque sabem que eles irão retribuir à altura)  ou gostam mesmo, de verdade, ali na batata, de algumas práticas sexuais. Elas estão erradas? Elas são machistas? Elas foram ensinadas errado, é isso que vão dizer? Mas e se elas gostarem de ser assim? Elas têm que parar de gostar porque tem gente que diz que  é imposição machista? Porque elas têm que ser reprimidas?</p>
<p>Pergunto: <strong>como pode ser machismo algo que a mulher faz de moto próprio</strong>? E por que  isso não pode ser mostrado? Por que a minoria que gosta disso ou daquilo não pode se reconhecer num anúncio?</p>
<p>O meu problema com certas correntes feministas é que elas veem como machismo tudo aquilo que dê prazer ao homem vindo da mulher que não seja o seu &#8220;intelecto&#8221;. Já já estaremos  num ponto em que não poderemos mais fazer sexo porque com isso o homem vai gozar. Não é um pouco demais?</p>
<p>Já <a href="http://ladyrasta.com.br/2009/01/31/assedios/">falei</a> sobre o meu ponto de vista sobre o tema: eu sou a favor sim, de homens e mulheres receberem os mesmos salários e terem as mesmas oportunidades de vida,  simplesmente porque tenho plena convicção de que homens e mulheres são seres igualmente capazes e dotados de inteligência. Intelectualmente nós somos iguais. Mas eu me insurjo contra  a história de dizer que homens e mulheres são totalmente iguais. Claro que não são!! É até facilmente vizualizável essa diferença não acham? Nós (em termos médios)  raciocinamos diferente até mesmo para chegar ao mesmo resultado, priorizamos coisas diferentes&#8230; Não, não somos iguais (ainda bem!). Mas não é o fato de não sermos iguais que nos impede de exigir sermos tratadas igualmente &#8211; é aí que o raciocínio de algumas feministas, a meu ver,  se equivoca. Cada um tem habilidades e dificuldades e definitivamente eu não acho que as atividades das mulheres sejam &#8220;inferiores&#8221;. E algumas feministas são as primeiras a validar esse pensamento machista. Um exemplo? Quando metem o pau em mulheres que não trabalham e cuidam da casa. Por quê? O trabalho numa multinacional é mais &#8220;nobre&#8221; do que cuidar dos filhos, ou da casa? Eu não acho. Há homens que não valorizam o trabalho doméstico, mas há muitas mulheres que fazem o mesmo.</p>
<p>O meu ponto é sempre o mesmo: eu quero ser tratada com igualdade porque nós temos os mesmos direitos- mas não quero agir como homem para ser tratada igual, porque isso  sim, é machismo pra mim. Machismo é impor a vontade do homem sobre a da mulher. É achar que a mulher é inferior. Notem: achar<strong> inferior</strong>, não<strong> diferente</strong> &#8211; é uma nuance tênue, mas ainda assim existente.  Nada do que a mulher faça por vontade própria deve ser encarado como machismo. Nem mesmo explorar o corpo e ser um bibelô. Afinal, se ela escolheu isso quem sou eu (ou você) para dizer que ela tem que se formar em Física Nuclear?</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ff6600;">****</span></strong></p>
<p>Pra não terminar essa sexta com um tema tão pesado, lembrei daquela animação (que se não me engano é de um filme) e da música do Tenacious D que no fim eu acho até meiguinha, chamada &#8220;Fuck Her Gently&#8221; &#8211; prestem atenção na letra, vale super a pena  (recomendo não abrir no trabalho)</p>
<p>[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=utPEuu49GYc]</p>
<p>(acho que o link não tá funcionando, então vcs vão ter que ir direto<a href="http://www.youtube.com/watch?v=ATf_G-D2CNo"> </a><a href="http://www.youtube.com/watch?v=utPEuu49GYc">lá no youtube</a> ver a bagaça)</p>
<p>Bom fim de semana, e como dia a<a href="http://www.interney.net/blogs/malla/"> Lucia Malla</a> que <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/03/12/sexta_sub_ourico_lapis_vermelho/">hoje dedicou a Sexta Sub </a>pra mim, tudo de bom sempre!! (aliás Lúcia, não é que acabei falando de beleza também? <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_lol.gif' alt=':lol:' class='wp-smiley' />  )</p>
<p>P.S. II 5 minutos após eu publicar o post o <a href="http://www.malvados.com.br/">André Dahmer</a> tuitou um texto oriundo de um blog de temática religiosa chamado <a href="http://www.conselhosdoceu.com/oral.html">&#8220;Sexo Oral é pecado?</a>&#8220;, onde por incrível que pareça, o sexo oral é defendido como prática aceitável, inclusive como citações da Bíblia!!!</p>
<p style="text-align: center;">
<p><a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F03%2F13%2Fimedeen%2F&amp;linkname=Sexo%20e%20machismo" title="Google Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google_buzz.png" width="16" height="16" alt="Google Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_reader?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F03%2F13%2Fimedeen%2F&amp;linkname=Sexo%20e%20machismo" title="Google Reader" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/reader.png" width="16" height="16" alt="Google Reader"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/dihitt?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F03%2F13%2Fimedeen%2F&amp;linkname=Sexo%20e%20machismo" title="diHITT" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/dihitt.png" width="16" height="16" alt="diHITT"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/yahoo_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F03%2F13%2Fimedeen%2F&amp;linkname=Sexo%20e%20machismo" title="Yahoo Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/buzz.png" width="16" height="16" alt="Yahoo Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F03%2F13%2Fimedeen%2F&amp;linkname=Sexo%20e%20machismo" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a> <a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Arte, homens, mulheres e filhos</title>
		<link>http://ladyrasta.com.br/2009/01/20/arte-homens-mulheres-e-filho/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 01:55:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lady Rasta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Wingdings; panose-1:5 0 0 0 0 0 0 0 0 0; mso-font-charset:2; mso-generic-font-family:auto; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:0 268435456 0 0 -2147483648 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-update:auto; mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; text-align:justify; line-height:150%; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:Arial; mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-font-family:"Times New Roman";} a:link, span.MsoHyperlink {color:blue; text-decoration:underline; text-underline:single;} a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed {color:purple; text-decoration:underline; text-underline:single;} p {mso-margin-top-alt:auto; margin-right:0cm; mso-margin-bottom-alt:auto; margin-left:0cm; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;} div.Section1 {page:Section1;} --><a href="http://azulnuvem.blogspot.com/2008/05/gestao-e-gravidez.html"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2136" title="O feto in útero - Leonardo da Vinci" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2009/01/gr-o-feto-in-uter-o-leonardo.jpg?w=216" alt="O feto in útero - Leonardo da Vinci" width="216" height="300" /></a></p>
<p>No último fim de semana resolvi fazer uma maratona da <a href="http://maysa.globo.com/">Maysa</a> (para me atualizar quanto ao assunto do momento &#8211; tenho me achado muito outsider, sabem?). Adorei os figurinos, detestei a maioria das interpretações, mas graças à série pude não só conhecer algumas versões de músicas que adoro, como também me inteirar acerca da vida de Maysa &#8211; e principalmente, em conseqüência do que vi, refletir sobre algumas idéias que vez por outra passam pela minha cabeça.</p>
<p>A primeira delas é que para mim está mais ou menos claro que a genialidade<span style="text-decoration:underline;"> está intrinsecamente ligada à uma dose absurda e excessiva de egoísmo, egocentrismo e na<strong> incapacidade de dar afeto.</strong></span> É isso mesmo,incapacidade de dar afeto. Artistas dizem que amam muito, mas tenho a impressão de que é um pouco diferente: eles não suportam que não os amem, só isso. Xiii&#8230;será que deu pra entender? Explico: tenho a impressão de que eles querem ser aceitos tal como são, sem necessidade de mudar (a tal autenticidade, a tal de “é difícil ser eu mesmo mas não vou mudar” do qual se gabam tanto) e ficam dilacerados quando as pessoas após determinado período de tempo cansam-se de dar sem receber e pulam fora da relação.</p>
<p>Bom, até agora eu talvez não tenha pessoas querendo me empalar viva &#8211; o que possivelmente ocorrerá no decorrer dos próximos parágrafos&#8230;</p>
<p>É o seguinte, moçada:</p>
<p><a href="http://azulnuvem.blogspot.com/2008/05/gestao-e-gravidez.html"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2135" title="gr-mulheres-gravidas-steve-gribben" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2009/01/gr-mulheres-gravidas-steve-gribben.jpg?w=300" alt="gr-mulheres-gravidas-steve-gribben" width="300" height="207" /></a></p>
<p>Eu tenho uma viagem, e penso nela há muito tempo: eu acho que o processo de criação artística (tô falando de arte, de genialidade e não de entretenimento) é muito parecido com o ato de parir um filho;  e homens (talvez) sintam essa necessidade de uma forma mais acentuada que mulheres justamente pela impossibilidade de darem à luz – e (de novo talvez ) por isso, haja muito mais artistas do sexo masculino  geniais do que artistas do sexo femino  geniais.</p>
<p><a href="http://azulnuvem.blogspot.com/2008/05/gestao-e-gravidez.html"><br />
</a></p>
<p>Sim! Se pararmos para pensar nas mulheres que se destacaram nas artes de uma forma geral, verá que a grande maioria não foi mãe ou, tendo parido, não conseguiu exercer o papel de mãe de forma adequada.</p>
<p>Querem ver? <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Safo">Safo</a>, poetisa da antiguidade: não teve filhos. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Austen">Jane Austen</a>, escritora que amo: também não teve filhos. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Frida_Kahlo">Frida Kahlo</a>: sem filhos (<a href="http://ulisses-sem-itaca.blogspot.com/2007/06/pungncia-e-fora-de-frida-kahlo.html">queria muito muito engravidar, mas não conseguiu)</a>.<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Camille_Claudel"> Camille Claudel</a> (sem essa de que ela era melhor que o Rodin moçada, please): idem. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Virginia_Woolf">Virginia Woolf</a>: idem. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sylvia_Plath">Sylvia Plath</a>, poetisa: ah, essa teve filhos sim! E o melhor que pôde fazer por eles foi vedar o quarto em que dormiam enquanto ela enfiava a cabeça no forno. É quase impossível achar alguma exceção (exceções essas que só confirmariam a regra, certo?). Mulheres geniais? Decerto. E têm todo o meu respeito (a idéia aqui não é desmerecê-las tá? que isso fique bem claro); só acho que para chegar lá tiveram que abdicar de alguns aspectos do feminino (o que, repito mais uma vez, não tem nada de mais).</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-2137" title="henry-ford-hospital-the-flying-bed - Frida Kahlo" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2009/01/henry-ford-hospital-the-flying-bed.jpg?w=300" alt="henry-ford-hospital-the-flying-bed - Frida Kahlo" width="300" height="240" /></p>
<p>Eu realmente acho que os homens conseguem ser geniais na arte simplesmente porque não têm capacidade de parir, porque o papel deles na reprodução é menor ( e mesmo assim, os grandes gênios da humanidade, com raras exceções, eram uns rematados egoístas).</p>
<p>Somos nós que parimos, somos nós que carregamos um bebê conosco 9 longos meses; temos condições, sim senhor, de deixar um filho doente em casa e sair para uma reunião (com dor no coração, mas conseguimos), mas não conseguimos ficar anos a fio sem ver um filho; não conseguimos correr o mundo sem data pra voltar, sem saber se estaremos vivas no dia seguinte (sim, estou falando da Maysa &#8211; o fato dela ter sido uma cantora  genial não pode fazer com que ignoremos o fato dela ter sido uma bruxa com o filho dela). É moçada, até pra ser porra louca vc tem que pensar quando tem filho (o que desclassifica a pessoa como porra louca ato contínuo, certo? Porra louca, por definição, não pensa). Esta é a diferença entre ser mãe e não ser: a capacidade de abrir mão de (algumas) de suas vontades em detrimento do seu filho; a capacidade de colocar as prioridades de outra pessoa à frente das suas próprias prioridades.</p>
<p>É difícil? Claro que é! E como! Mas mães (ao menos as dignas desse nome) não saberiam agir de outro modo. Para criar de forma genial, há que se ter uma liberdade, um desprendimento (e por que não dizer, um egoísmo) infinitos. E a maternidade responsável (ou ao menos assim me parece) não é compatível com esses requisitos.</p>
<p>E quer saber? Quando a gente olha pr’essas obras de arte dormindo como anjinhos na cama, ainda que eles já sejam uns baita homenzarrões&#8230;eu não importo nem um pouco que os homens tenham a capacidade de parir obras geniais sabia? <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_lol.gif' alt=':lol:' class='wp-smiley' /> </p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2147" title="a obra de arte da minha vida" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2009/01/imagem-293.jpg?w=300" alt="imagem-293" width="180" height="135" /></p>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#ff6600;">****</span><em></em></strong></p>
<p><strong><em>&lt;Adendo</em>&gt;</strong></p>
<p>Antes que vcs falem algo, devo dizer que discordo frontalmente dos posicionamentos feministas que justificam a inexistência de artistas geniais do sexo feminino tendo em vista a opressão da mulher através dos tempos. E discordo por vários fatores, dentre os quais:</p>
<p>a) apesar da opressão, houve mulheres (poucas, é verdade) que se sobressaíram &#8211; ou seja, podia ser mais difícil mas não impossível;</p>
<p>b) não acho que os artistas tivessem “espaço”, a não ser em alguns períodos muito específicos da história, como Grécia e Roma antigas e Renascimento – e mesmo assim a vida não era fácil&#8230;</p>
<p>Tá na moda agora afirmar que as mulheres não foram “reconhecidas” em sua genialidade porque eram oprimidas. Menos né? Até porque nem todos os artistas geniais do mundo foram reconhecidos na época em que viveram, isso é mais do que sabido.</p>
<p>Sobretudo, acho que esse tipo de choramingo depõe contra nós. Sim!!! Depõe contra nós simplesmente porque não temos a menor obrigação de ser geniais na arte. Por que precisamos? Não temos que provar nada! Só estou dizendo que é mais difícil pra mulher ser genial, não pela sua condição de oprimida social, ou porque não tenha condições intelectuais para tanto, mas sim porque para dar vazão à eventual genialidade, ela terá que abrir mão de determinados instintos femininos &#8211; dos quais a maioria não quer (ou não consegue) abrir mão. Ninguém é melhor ou pior, somos simplesmente diferentes.</p>
<p>E me irritam profundamente argumentos tacanhos, que um monte de mané engole sem pensar. <a href="http://www.mapfre.com/fundacion/es/exposiciones/cultura/Exposiciones_Actuales.shtml">A Fundação Mapfre de Madri</a>, por exemplo, fez uma<a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/02/080201_mostraxenofobiaespanha_ba.shtml"> mostra </a>visando reivindicar reconhecimento de artistas mulheres (o que é uma coisa meio besta, impor reconhecimento só porque as artistas são mulheres, mas anfã&#8230;)</p>
<p>O texto da BBC que eu linkei acima afirma:</p>
<blockquote><p>&#8220;A mostra também destaca a mexicana Frida Kahlo, que viveu sob a sombra do marido, o também pintor Diego Rivera; a belga Anna Boch, única pessoa que comprou um quadro de Van Gogh quando o pintor estava vivo e a musa e amante de Pablo Picasso, Dora Maar.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>PARA TUDOOOOO!!!!</strong> Frida Kahlo viveu à sombra do marido <strong>PORQUE QUIS. PORQUE ESCOLHEU ISSO</strong>. Poderia ter escolhido diferente? Claro que podia!!! Ela não foi oprimida coisa nenhuma. Não mais do que qualquer mulher apaixonada com baixa auto-estima. Não foi oprimida, mas escolheu viver à sombra do homem amado (e repito: eu, particularmente, não vejo nada de errado nisso. Acho que ela teve uma vida sofrida, mas daí a achar que ela não deveria ter vivido daquela forma é outra questão). E digo mais: ela ficaria furibunda da vida se viessem com essa conversa pra cima dela, porque tinha colhões <span style="text-decoration:underline;">e conseguiu ser reconhecida,</span> a despeito de tudo&#8230; E valha-me Deus, se a única qualidade que Anna Boch tem como “artista genial” é ter comprado um quadro do Van Gogh, vocês têm que concordar que isso não lhe dá ingresso automático no clube dos gênios da arte – no máximo, no clube dos bons marchands, certo? Idem para a amante de Picasso né? É com esse argumento que as feministas e os politicamente corretos de plantão querem nos convencer? É melhor arrumar algumas mulheres geniais para ajudá-los, porque a coisa tá preta&#8230;</p>
<p>Engraçado que todas essas mostras não falam das artistas ou de sua obra em si nos releases –<a href="http://br.franceguide.com/Em-2008-a-arte-feminina-tera-o-seu-quinhao.html?nodeID=406&amp;EditoID=180763" class="broken_link"> teimam em colocar os nomes dos machos das moças</a>. Mas que raio de feminismo meia boca é esse? Como assim vc tem que falar da arte de alguém referindo-se ao homem com quem essas mulheres dormiam? Isso é pleitear igualdade? Humpf&#8230; <strong>&lt;/fecha adendo&gt;</strong></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#ff6600;"><strong>****</strong></span></p>
<p>P.S. Quando falo determinadas coisas e sobretudo, quando entro nesse lado meio machista que eu tenho, corro um grande risco de ser mal compreendida. Eu não acho, de forma alguma, que homens são superiores às mulheres, ou mais capazes. Acho apenas que cada sexo, por &#8216;n&#8217; razões, tem habilidades diferentes. Só isso. E isso aqui é especulação, não tem rigor científico nenhum. Digamos que seja um brain storm que um dia, posso estudar mais a fundo.<br />
P.S. 2: Ao me referir a artistas aqui, refiro-me àaqueles remarkable, aos geniais, não aos “apenas” bons. Estou falando de alguém que se compare a Shakespeare, Goya, etc. Estou dizendo que no meu ponto de vista, para conseguir isso, as mulheres acabam abdicando de uma parcela do feminino, que é o de ser mãe. Está errado? Claro que não!!! É uma opção. Eu só não gostaria de ser filha de uma delas <img src='http://ladyrasta.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':-D' class='wp-smiley' /><br />
P.S. 3 – Não briga comigo tá @anarina? Eu penso diferente, só isso!!!<br />
P.S. 4. Achei esse artigo<a href="http://www.ic.arizona.edu/ic/mcbride/ws200/theproblemoffeminisminfemaleart.html"> aqui</a>, para quem quiser começar a se aprofundar a respeito (eu ainda preciso ler muito mais)</p>
<p>P.S. 5: Nesse post <a href="http://ladyrasta.com.br/2008/06/04/amy-winehouse-e-felicidade-o-livro/">aqui</a>, viajei sobre a necessidade do sofrimento  no processo criativo.</p>
<p><a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F01%2F20%2Farte-homens-mulheres-e-filho%2F&amp;linkname=Arte%2C%20homens%2C%20mulheres%20e%20filhos" title="Google Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google_buzz.png" width="16" height="16" alt="Google Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_reader?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F01%2F20%2Farte-homens-mulheres-e-filho%2F&amp;linkname=Arte%2C%20homens%2C%20mulheres%20e%20filhos" title="Google Reader" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/reader.png" width="16" height="16" alt="Google Reader"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/dihitt?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F01%2F20%2Farte-homens-mulheres-e-filho%2F&amp;linkname=Arte%2C%20homens%2C%20mulheres%20e%20filhos" title="diHITT" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/dihitt.png" width="16" height="16" alt="diHITT"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/yahoo_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F01%2F20%2Farte-homens-mulheres-e-filho%2F&amp;linkname=Arte%2C%20homens%2C%20mulheres%20e%20filhos" title="Yahoo Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/buzz.png" width="16" height="16" alt="Yahoo Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2009%2F01%2F20%2Farte-homens-mulheres-e-filho%2F&amp;linkname=Arte%2C%20homens%2C%20mulheres%20e%20filhos" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a> <a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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		<title>Sex and the City: mitos femininos urbanos da atualidade?</title>
		<link>http://ladyrasta.com.br/2008/06/06/sex-and-the-city-mitos-femininos-urbanos-da-atualidade/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 03:14:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lady Rasta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Eu tava pensando...]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[heroínas urbanas]]></category>
		<category><![CDATA[mitos]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres atuais]]></category>
		<category><![CDATA[sex and the city]]></category>

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		<description><![CDATA[Já falei há uns dias atrás que eu adoro Sex and the City, e que vi todos os episódios quando a série estava no ar. E no ano passado, durante um problema de saúde que me deixou de cama uns dias (e não conseguia nem ler &#8211; o que pra mim significa estar às portas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/satcmoviewedding3.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-medium wp-image-137 aligncenter" style="vertical-align:middle;" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/satcmoviewedding3.jpg?w=250" alt="" width="250" height="300" /></p>
<p>Já<a href="http://ladyrasta.com.br/2008/06/03/sex-and-the-city-o-filme/"> falei há uns dias atrás </a>que eu adoro Sex and the City, e que vi todos os episódios quando a série estava no ar. E no ano passado, durante um problema de saúde que me deixou de cama uns dias (e não conseguia nem ler &#8211; o que pra mim significa estar às portas do Apocalipse), revi a série toda.</p>
<p>Junto com o Sex and the City, comecei a ver também a série &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/videos/resenha/resenha.asp?nitem=3204219&amp;sid=20161302410531640821324467&amp;k5=10146435&amp;uid=">O Poder do Mito</a>&#8220;, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Campbell">Joseph Campbell</a><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Campbell">,</a> que trata de mitologia e principalmente, do mito do herói. Eu não entendo muito de mitologia (bem que eu queria!), mas li algumas coisas sobre o assunto. O mito do herói é sempre contado, relatado, porque é o arquétipo da evolução das pessoas (pelo menos foi assim que eu entendi). O herói passa pelas maiores dificuldades, pelos maiores sofrimentos possíveis e imagináveis para, no fim, alcançar o prêmio, realizar a tarefa espinhosa que, por inúmeros motivos a ele era incumbida, e ser reconhecido por isso. Nos mitos essas tarefas são predominantemente monstros que são mortos, guerras impossíveis vencidas graças a algum recurso genial, etc (ou seja, coisa de &#8220;meninos&#8221;).</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/230px-hercules_and_the_hydra_-_antonio_del_pollaiolo.jpg"><img class="size-medium wp-image-142" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/230px-hercules_and_the_hydra_-_antonio_del_pollaiolo.jpg?w=230" alt="" width="230" height="295" /></a></p>
<p>Hércules é um exemplo. Li uma vez um livro que falava justamente da evolução dos<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_doze_trabalhos_de_H%C3%A9rcules"> trabalhos de Hércules</a> &#8211; iniciavam com trabalhos onde lhe era exigido o uso da força bruta (o Leão da Neméia), e terminavam na captura de Cérbero, o guardião do reino de Hades. Isso significaria a evolução humana (e interna de cada ser humano) do uso da força bruta para o uso do intelecto (lembram das crianças que mordem outras no Jardim da Infância? hehehe) e com isso, compreender melhor não só o mundo como também o papel que desempenhamos nele. Esse livro (daqueles beeeem cabeça, que tem que ficar do lado do pior <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chick_lit">chic-lit</a> para dar uma contrabalançada) fala assim em determinada altura:</p>
<blockquote><p>&#8220;O mito, além de ser uma linguagem pedagógica e universal, abria a porta para a magia e o encantamento de si mesmo. Era uma linguagem de inequívoco erotismo, no sentido arcaico, e abria as portas para uma questão fundamental da existência: ensinando a conviver com o absurdo, a contradição e a ambiguidade, ensinava a tolerância e a aceitação. E por que ensinava a conviver com isso? Porque assim era (e sempre foi e será) o viver; morte e vida, essência e aparência, juventude e velhice, saúde e doença, etc. A vida, enfim, era (e é) um coexistir de contradições insolúveis, e não havia (e não há) solução para a morte. [...] Nós somos a própria ambiguidade. (Paidéia, Viktor Salis).</p></blockquote>
<p align="justify">
<p align="justify">Bom, vendo o Poder do Mito junto com Sex and the City (eita mistura né? dava até samba enredo de escola de samba&#8230;já tô até pensando na Samantha na ala das baianas&#8230;), comecei a pensar em um coisa: no quanto aquelas quatro personagens (arquétipos das personas femininas que habitam as grandes cidades) evoluíram interna e emocionalmente, do começo até o fim da série. E pensei que, realmente, elas são as atuais heroínas dos antigos mitos. Uma releitura feminina nowadays. Mulheres não vão se identificar com o Hércules né? Precisamos de algo mais próximo a nós para podermos entender o processo de evolução que é possível ocorrer dentro de cada uma de nós&#8230;</p>
<p align="justify">
<p style="text-align:center;"><a href="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/sex-and-the-city-movie-all-girls-01.jpg"><img class="size-medium wp-image-138" style="vertical-align:middle;" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/sex-and-the-city-movie-all-girls-01.jpg?w=300" alt="" width="300" height="271" /></a></p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">Eu sei que muitas feministas criticaram o fim do seriado, com todas elas com um &#8220;moço&#8221; do lado delas, dizendo que aquilo era sexista, que era um retocesso, que o seriado dizia que as mulheres para serem felizes teriam necessariamente que ter alguém do lado delas, bla bla bla. Eu já tenho uma idéia diametralmente oposta: <span style="text-decoration: underline;"><strong>acho que a trajetória daquelas 4 mulheres é a cara do novo feminismo, ou melhor dizendo, da sua maturidade.</strong></span> Sim, porque depois de passar pela fase em que mulheres tinham que confrontar os homens para mostrar que tinham o mesmo valor (e eu falo mesmo valor, mas não falo em &#8220;iguais&#8221;) e a mesma capacidade deles no mercado de trabalho, passada a fase em que as mulheres tinham que (por vezes) demonstrar mais masculinidade do que os próprios homens para mostrar sua competitividade, elas não só convenceram os homens de que são realmente capazes e habilidosas, como também <strong>SE CONVENCERAM</strong> disso. E a partir do momento em que isso é compreendido, elas podem ser mais suaves, mais brandas (com elas e com o que elas esperam do mundo), permitir-se mais, porque já sabem qual é o lugar que ocupam e estão seguras dele, não estão mais em guarda. <span style="text-decoration: underline;">E, se ter um homem ao lado delas não significa que elas sejam melhores do que as solteiras, também não significa que sejam piores; </span><span style="text-decoration: underline;">por serem tão independentes, podem optar por ser menos independentes</span>, só porque <strong>querem</strong> assim. Mas para isso, não só as personagens da série como o feminismo de uma forma geral tiveram que passar por evoluções &#8211; que nem Hércules ao cumprir os 12 trabalhos. Olha só:</p>
<p style="padding-left:90px;" align="justify"><a href="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/sic_londonnyc.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-143" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/sic_londonnyc.jpg?w=300" alt="" width="300" height="266" /></a><a href="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/carrie.jpg"> </a></p>
<p align="justify">
<p align="justify">Cada uma daquelas personagens, a seu modo, saiu de um padrão que elas pré-definiram como o padrão correto (ou socialmente aceitável dentro do seu meio) estereotipado, para alcançar a paz interior, e a felicidade ainda que a felicidade fosse diferente do que elas imaginavam. Nós vimos uma patricinha <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/WASP">WASP</a> certinha (Charlotte), que somente pensa em casar-se com um mauricinho rico, bonito e chique, converter-se ao judaísmo para casar-se com um judeu (a questão aqui não é de preconceito gente, WASPS são protestantes e com protestantes se casam) feioso, peludo, meio sem modos, e ainda por cima adotar duas crianças chinesas, ante a impossibilidade de ter filhos. Vimos uma advogada cheia dos &#8220;eu tenho que&#8221; (Miranda), completamente cínica no que tange aos relacionamentos afetivos casar-se com um bartender com padrão de vida economicamente inferior e ainda por cima morar em um subúrbio cuidando da sogra doente, que foi morar com eles (isso não é algo usual nos Estados Unidos, apesar de ser aqui no Brasil; lá é algo quase impensável). E a Samanta? Aquela que saía com todos os caras e amor era algo que só existia nos contos de fadas, e definitivamente, não uma coisa que pertencesse ao mundo real? Começou a namorar um cara muito mais jovem que ensinou a ela que é possível sim, ter uma convivência a dois, uma parceria, sem que os parceiros se sufoquem. E que isso não é ruim, ou demonstração de fraqueza, muito pelo contrário&#8230;Olha nunca vou esquecer do episódio em que ela ficava em pânico quando o namorado queria andar de mãos dadas na rua&#8230;Fazer sexo com um estranho todo dia podia, mas andar de mão dada era despudorado, pode?</p>
<p style="padding-left:120px;" align="justify"><a href="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/119934547.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-144" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/119934547.jpg?w=300" alt="" width="300" height="187" /></a></p>
<p align="justify">
<p align="justify">E a Carrie? Bom, acho que a Carrie tinha um pouco de cada uma das três. Ela não tem um perfil tããão definido assim &#8211; justamente porque é a somatória das outras. Ela tem as neuras dela, dos &#8220;eu tenho que&#8221; (se bem que menos que as outras) que nem a Miranda, não é tão ninfomaníaca que nem a Samantha, e tampouco tem aquelas maluquices de &#8220;vc não pode transar com um cara antes do 3o encontro&#8221; como a Charlotte. E tomou taaanta cabeçada, mas taaaanta cabeçada&#8230;sofreu tanto por causa de um amor, mas tanto&#8230;e no final, que nem Cinderela, o príncipe finalmente conseguiu encontrá-la e colocar o sapatinho de cristal (será que tem Manolo de cristal? hehehe). Elas precisavam de um homem do lado delas? Não sei se precisavam, mas queriam. Não para sustentá-las, não porque essa é a postura socialmente aceitável, mas simplesmente porque&#8230;é gostoso. É gostoso dividir a vida com alguém de uma forma mais íntima. É gostoso um pouco de aconchego (e esse tipo de aconchego é diferente do tipo de aconchego que a amizade proporciona), então qual o mal em querer isso?</p>
<p align="justify">
<p align="justify">Sinal de que mudam as roupas, mudam as músicas do baile, muda até mesmo a forma de se deixar ser cortejada. Mas sim, todas temos uma cinderelazinha lá dentro, acreditando que true love is, after all, true and beautiful love, e que não há nada de errado nisso. Pelo menos até o príncipe virar sapo.</p>
<p align="justify">
<p style="padding-left:150px;" align="justify"><a href="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/frog_prince_by_phoenix771.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-141" src="http://ladyrasta.files.wordpress.com/2008/06/frog_prince_by_phoenix771.jpg?w=225" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#ff6600;"><strong>****</strong></span></p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="justify">P.S. : As críticas que eu li feitas em outros países, falam meio mal do filme: que não tem nada de novo, que é uma repetição de sequências onde roupas e mais roupas são mostradas, bla bla bla. Acho que temos que fazer uma ponderação aqui: imagino que ninguém esteja esperando uma obra prima do cinema, algo que vá transformar o cinema mundial, pois a proposta em momento algum foi essa. Esse filme é, basicamente, para as mesmas pessoas para as quais o seriado era, as quais por sua vez querem, pura e simplesmente, ver mais um episódio da série &#8211; e melhor ainda se ele for de tamanho duplo. É só pra gente matar as saudades (e quem fez o filme fazer uma grana preta, ça va sans dire&#8230;).</p>
<p align="justify">
<p align="justify">P.S. II. Não vi o filme quando escrevi isso aqui, mas já me adiantando (uma vez advogada sempre advogada, não tem jeito), dei uma xeretada nos &#8220;spoilers&#8221; (que não vou contar aqui, não se preocupem) e tenho a dizer o seguinte: apesar de o filme ser uma coisa &#8220;à parte&#8221;, mantenho tudo o que eu disse aí em cima. Porque se teve uma conquista que fizemos foi a de que quando o príncipe vira sapo, a gente pode querer não ir pro brejo com ele&#8230;</p>
<p align="justify">P.S. III &#8211; Achei <a href="http://www.culturabrasil.pro.br/campbell.htm">aqui </a>uma entrevista com o Joseph Campbell muito legal, pra quem quiser se enfronhar mais no assunto.</p>
<p><a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2008%2F06%2F06%2Fsex-and-the-city-mitos-femininos-urbanos-da-atualidade%2F&amp;linkname=Sex%20and%20the%20City%3A%20mitos%20femininos%20urbanos%20da%20atualidade%3F" title="Google Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google_buzz.png" width="16" height="16" alt="Google Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/google_reader?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2008%2F06%2F06%2Fsex-and-the-city-mitos-femininos-urbanos-da-atualidade%2F&amp;linkname=Sex%20and%20the%20City%3A%20mitos%20femininos%20urbanos%20da%20atualidade%3F" title="Google Reader" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/reader.png" width="16" height="16" alt="Google Reader"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/dihitt?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2008%2F06%2F06%2Fsex-and-the-city-mitos-femininos-urbanos-da-atualidade%2F&amp;linkname=Sex%20and%20the%20City%3A%20mitos%20femininos%20urbanos%20da%20atualidade%3F" title="diHITT" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/dihitt.png" width="16" height="16" alt="diHITT"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/yahoo_buzz?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2008%2F06%2F06%2Fsex-and-the-city-mitos-femininos-urbanos-da-atualidade%2F&amp;linkname=Sex%20and%20the%20City%3A%20mitos%20femininos%20urbanos%20da%20atualidade%3F" title="Yahoo Buzz" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/buzz.png" width="16" height="16" alt="Yahoo Buzz"/></a> <a href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fladyrasta.com.br%2F2008%2F06%2F06%2Fsex-and-the-city-mitos-femininos-urbanos-da-atualidade%2F&amp;linkname=Sex%20and%20the%20City%3A%20mitos%20femininos%20urbanos%20da%20atualidade%3F" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a> <a class="a2a_dd addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save" target="_blank"><img src="http://ladyrasta.com.br/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share/Bookmark"/></a> </p>]]></content:encoded>
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