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Sexo e machismo

Ontem vi  no Twitter um comentário  sobre um comercial um tanto quanto polêmico  da Imedeen (complemento que ajuda na manutenção da viçosidade da pele).

O tweet questionava o anúncio perguntando se o dito cujo era de mau-gosto, machista, criativa, interessante ou somente idiota.

Confesso que fiquei meio contrafeita, não pelo fato das pessoas não gostarem do anúncio, ou o acharem grosseiro e inadequado;  isso é questão de gosto pessoal, identificação, uma série de coisas. Mas chamar de machismo achei um pouco meio muito sabem?

Minha idéia aqui não é criticar ou desmerecer ninguém, mas sim, pedir um pouco de reflexão  quanto aos termos que empregamos. Sim, porque de uns tempos pra cá estou vendo as pessoas chamarem quase qualquer coisa de machismo – e, ao rotularmos tudo de machismo, fazemos com que as reais e efetivas atitudes machistas (como mulheres receberem menos salário para exercer a mesma função, por exemplo) não se destaquem.

Ou seja: ao chamar tudo de machismo, nada é machismo, entendem?

Voltemos ao anúncio: ele faz uma clara alusão à forma como uma mulher pode finalizar o sexo oral  (eu não estou a fim de falar isso em termos chulos – mas acreditem, eu saberia fazer isso com extrema propriedade :lol: ).

Certamente não é um anúncio convencional, e teria minhas dúvidas se ele poderia ser veiculado em qualquer tipo de mídia. Mas sinceramente? É de mau gosto para quem acha esse tipo de prática (ou falar dele) desagradável.. Tá errado não gostar? Também não – assim como não está errado achar o comercial de mau gosto. Mas daí a tachar de machista a distância é grande, porque rotula de machista todos aqueles que gostaram do anúncio – o que não é verdadeiro né?

Confesso que de todos os argumentos que li divergindo do meu posicionamento, o único que balançou um pouco minhas convicções foi um comentário nesse post aqui, onde a moça afirma que tá esperando um  anúncio onde o homem dissesse que nada limpa os dentes como um pelo de….bom, vcs entenderam né?

when was the last time you saw an ad in a men’s magazine in which a man said something like, “Nothing cleans the teeth like a beaver pelt. (by Sonagi)

Mas depois de analisar com calma, cheguei à conclusão de que este  argumento não faz muito sentido: o fato é que o anúncio não apela pura e simplesmente para o sexo, mas sim, nos remete para  uma piadinha (ou lenda urbana, vá lá que seja) afirmando que este fluido específico, caso seja aplicado in loco ou ingerido, faz bem pra pele. Por isso o anúncio é engraçado (para os que acham engraçado), e por isso um anúncio de fio dental não funcionaria (acho, também – mas se conseguirem colocar a história dentro de um contexto interessante dou apoio!).

A gente tá num país em que tivemos um ídolo sado-masô (ok, desisti de escrever sem arregaçar) num programa de televisão, tivemos o boquetegate essa semana amplamente divulgado e discutido em toda a mídia (outra bobagem aliás né?)  e é machismo um comercial que faz alusão à velha piadinha de que sêmen faz bem pra pele?

Ah, façam-me o favor!!

Eu, ao contrário, acho essa campanha, longe de ser machista, bastante libertária – porque, se formos para o outro sentido da frase, a moça ali está dizendo: faço sexo sim, faço algumas coisa na cama que alguns acham nojento, e estou feliz,  isso me faz um bem enorme, me deixa….viçosa  (acho até que poderíamos ver  história do fluido esbranquiçado fazer bem pra pele como metáfora: sexo faz bem pra pele, porque nos sentimos vivos e desejados – que tal? ).

Já tô até vendo a turma do recato falar: ah, mas é que isso estimula um hábito que é pra dar prazer para o homem, faz a mulher achar que tem que satisfazer o homem mesmo contra a vontade dela (do mesmo jeito que falam do sexo anal, ou do sexo oral na modalidade…humm….básica). De minha parte, ao ver  mulheres  em pânico quando falam de práticas que elas não gostam, concluo que no fundo elas gostariam que ninguém fizesse tais “coisas” – pois assim não seriam confrontadas e não teriam que assumir que não gostam de nada. Não precisa gostar! Não se é obrigado sequer gostar de sexo! Mas não venham querer fazer disso a norma geral né?

Feliz ou infelizmente há mulheres  cujo prazer é dar prazer para o homem, e não veem nada errado com isso (até porque sabem que eles irão retribuir à altura)  ou gostam mesmo, de verdade, ali na batata, de algumas práticas sexuais. Elas estão erradas? Elas são machistas? Elas foram ensinadas errado, é isso que vão dizer? Mas e se elas gostarem de ser assim? Elas têm que parar de gostar porque tem gente que diz que  é imposição machista? Porque elas têm que ser reprimidas?

Pergunto: como pode ser machismo algo que a mulher faz de moto próprio? E por que  isso não pode ser mostrado? Por que a minoria que gosta disso ou daquilo não pode se reconhecer num anúncio?

O meu problema com certas correntes feministas é que elas veem como machismo tudo aquilo que dê prazer ao homem vindo da mulher que não seja o seu “intelecto”. Já já estaremos  num ponto em que não poderemos mais fazer sexo porque com isso o homem vai gozar. Não é um pouco demais?

falei sobre o meu ponto de vista sobre o tema: eu sou a favor sim, de homens e mulheres receberem os mesmos salários e terem as mesmas oportunidades de vida,  simplesmente porque tenho plena convicção de que homens e mulheres são seres igualmente capazes e dotados de inteligência. Intelectualmente nós somos iguais. Mas eu me insurjo contra  a história de dizer que homens e mulheres são totalmente iguais. Claro que não são!! É até facilmente vizualizável essa diferença não acham? Nós (em termos médios)  raciocinamos diferente até mesmo para chegar ao mesmo resultado, priorizamos coisas diferentes… Não, não somos iguais (ainda bem!). Mas não é o fato de não sermos iguais que nos impede de exigir sermos tratadas igualmente – é aí que o raciocínio de algumas feministas, a meu ver,  se equivoca. Cada um tem habilidades e dificuldades e definitivamente eu não acho que as atividades das mulheres sejam “inferiores”. E algumas feministas são as primeiras a validar esse pensamento machista. Um exemplo? Quando metem o pau em mulheres que não trabalham e cuidam da casa. Por quê? O trabalho numa multinacional é mais “nobre” do que cuidar dos filhos, ou da casa? Eu não acho. Há homens que não valorizam o trabalho doméstico, mas há muitas mulheres que fazem o mesmo.

O meu ponto é sempre o mesmo: eu quero ser tratada com igualdade porque nós temos os mesmos direitos- mas não quero agir como homem para ser tratada igual, porque isso  sim, é machismo pra mim. Machismo é impor a vontade do homem sobre a da mulher. É achar que a mulher é inferior. Notem: achar inferior, não diferente – é uma nuance tênue, mas ainda assim existente.  Nada do que a mulher faça por vontade própria deve ser encarado como machismo. Nem mesmo explorar o corpo e ser um bibelô. Afinal, se ela escolheu isso quem sou eu (ou você) para dizer que ela tem que se formar em Física Nuclear?

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Pra não terminar essa sexta com um tema tão pesado, lembrei daquela animação (que se não me engano é de um filme) e da música do Tenacious D que no fim eu acho até meiguinha, chamada “Fuck Her Gently” – prestem atenção na letra, vale super a pena  (recomendo não abrir no trabalho)

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=utPEuu49GYc]

(acho que o link não tá funcionando, então vcs vão ter que ir direto lá no youtube ver a bagaça)

Bom fim de semana, e como dia a Lucia Malla que hoje dedicou a Sexta Sub pra mim, tudo de bom sempre!! (aliás Lúcia, não é que acabei falando de beleza também? :lol: )

P.S. II 5 minutos após eu publicar o post o André Dahmer tuitou um texto oriundo de um blog de temática religiosa chamado “Sexo Oral é pecado?“, onde por incrível que pareça, o sexo oral é defendido como prática aceitável, inclusive como citações da Bíblia!!!

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