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Como nossos pais

 

Sim, acordei para o casamento real. Sim, queria ver as roupas e a noiva, e comentar todas aquelas coisas que meninas adoram comentar. Não, não vou entrar na parada de “monarquia é antiquada” bla bla bla. Pode até ser que seja, mas parece que não é a opinião dos britânicos, então acho que o assunto está resolvido.

De minha parte, acho que gosto desses casamentos justamente pelo que muitos detestam: a noção de continuidade e evolução, ainda que lenta.

Evolução? Sim!

 

A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim

Eu tinha 13 anos no casamento de Lady Di e Charles. Lembro bem da comoção que foi saber se ela ainda era virgem ou não (tinha 20 anos, e apesar de ser meio tarde, a maioria das minhas amigas perdeu a virgindade entre 17 e 19 anos, então não era algo totalmente fora dos padrões mais conservadores da época). Diana ainda fez o tal teste de virgindade ao qual as noivas dos futuros reis submetiam-se antigamente, do qual Kate foi dispensada :-)

A meu ver, estão sendo injustos com a Realeza. Nos anos 30 e 40, quando a Betinha (sou íntima, tão pensando o quê?) se casou, não ser virgem no casamento não era exceção, era regra. Isso já era diferente quando Diana se casou com Charles, mas Kate Middleton já não teve que se submeter a essa bobagem toda. O casal já mora junto há 4 anos (espero que ela tenha dado umas passeadas por aí quando brigou com o Príncipe), é nítido que há cumplicidade e convívio entre ambos, enfim é uma estrutura muito diferente do casamento de Diana e Charles – que só “inovaram” dando beijo em público no casamento.

Isso talvez mostre o quanto a sociedade efetivamente mudou nesse tempo todo, desde o casamento de Elizabeth II até o de hoje, né? Não o que é corriqueiro nos grandes centros, mas o que aquela velhinha lá no fim do mundo acha normal.

Kate é uma moça moderna, que sabe o que quer. Não, não venham com a conversa de que ela queria um conto de fadas machista e conseguiu; como bem disse a Renata Correa, ela foi atrás do que queria. Deu certo, mas podia dar errado. Kate está muito mais próxima de Camilla, que ao encontrar o Príncipe Charles pela primeira vez mandou um “ minha bisavó era amante do seu bisavô, vamoaê” na lata, do que aquela sonsa com cara de sofredora, implorando compaixão, que era a Diana.

 

até o vestido dela mostra o drama, o exagero, o "olhem pra mim"

Ser independente é isso né? Fazer o que acha que deve fazer, sem precisar de anuência de ninguém. Até mesmo casar com um príncipe de véu e grinalda e sair acenando numa carruagem, por que não?

Além da evolução, temos a continuidade, mencionada no começo desse texto. Eu lembro de Charles e Diana naquele balcão, assim como vi as fotos da Betinha e de sua mãe no casamento. A Ana Paula Padrão, em narração me-do-nha do casamento, falou uma certa verdade: que por ser uma marca, a realeza tem que se reinventar para continuar a ser aclamada pelos seus súditos (e pelo mundo também). Mas essa reinvenção não vem da Casa Real propriamente dita, não é inventada em agências de publicidade, mas advém dos reflexos da sociedade que finalmente chegam até ela, conseguem ultrapassar os muros dos castelos, digamos assim.

Acho que é  isso que curto tanto: constatar as diferenças fica mais perceptível, mais nítido. É igual, mas não é. O cenário é o mesmo, alguns personagens também, mas aqui e ali vemos mudanças: a idade dos personagens mais antigos, a vinda dos novos com seus “novos” hábitos (como morar junto antes de casar :lol: ).

Longe de achar uma “mesmice”, dá uma sensação de conforto : Lembro da alegria que sinto quando viajo com meus amigos e ficamos deliciados ao ver que nossos filhos são amigos entre si, crescem juntos, e o quanto eles nos mostram coisas diferentes (tanto as que trazem por experiência própria quanto o que fazem com que percebamos em nós mesmos) ao mesmo tempo em que apreendem costumes nossos. Claro que eu quero que meu filho conheça pessoas que eu nunca vi na vida, que ele frequente locais aos quais não terei acesso, que viva tudo o que tem direito, e eu mesma não sou diferente.  Mas ver aquelas cenas de nossos filhos tocar Beatles no violão com 3 gerações juntas (como ocorreu recentemente) sempre vai ser sempre o porto seguro, sempre vai ser uma espécie de referência, pra nós e pra eles.

A mim dá uma sensação boa de continuidade, dá a ideia de que, apesar de um monte de desilusões, de pedras no caminho, de noites chorando no travesseiro (ou bebendo no bar) e de todo cansaço que isso implica, ainda assim há toda uma geração esperançosa, querendo ir em frente, e que tem um pouquinho de nós ali.

É por isso que acho bonito: Mudam os costumes, muda o mundo, nós passamos por fases mais rebeldes querendo se soltar de tudo quanto é amarra mas no fim das contas, quase todos querem ver (ou dar) beijo na boca e ver um casal novo começando a vida.

Que eles sejam felizes enquanto puderem, e que tenham serenidade para enfrentar as desilusões que porventura aparecerem ;-)

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P.S. Ele pensa diferente, mas adorei o texto do @hupsel

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