Youkali e os tons de cinza

Passeando com um dos meus amigos mais queridos da vida (falo dele no último trecho deste post) sábado na feira orgânica da Barra Funda, comentava sobre  um dos últimos textos do Contardo Calligaris, que eu adorei e que muita gente viu como um soco no estômago.

Segundo o Contardo Calligaris, depressão acontece quando as pessoas não conseguem mais ver o encanto do cotidiano, aquilo que eu chamo de ver ritual onde as pessoas vêem rotina aborrecida, ver cor no dia a dia, nas pequenas coisas, porque é disso afinal, que a vida é feita: de pequenos momentos aqui e ali, e não dos momentos grandiosos, dos acontecimentos retumbantes. Estes têm sua força, nos nutrem por certo, mas é nas cores do dia a dia, é na conversa de todo santo  jantar, naquele telefone de boa noite ou pra dizer “não tive um dia bom e precisava falar com você” que as relações se constroem e a vida acontece.

Aí ele responde: ” o problema está justamente aí: não é que você não vê cor; às vezes você até vê cor, mas as únicas cores que você vê são vários tons de cinza”.

Tive que concordar. Quem nunca esteve lá no fundo do poço que atire a primeira pedra.

Inconscientemente ou não (ele sempre teve o dom de saber o que acontece comigo sem que nem mesmo eu saiba, aquela peste), depois do almoço ele me mostrou um vídeo lindo, da soprano Teresa Stratas (que eu, felizmente eterna ignorante, não conhecia), um Tango Habanera tristíssimo chamado Youkali, de Kurt Weill (o mesmo que escreveu a deliciosa Speak Low), cuja música sem a letra originariamente fazia parte de uma peça chamada Marie Galante e que merece ser visto:

 

A

A letra é linda:

C’est presqu’au bout du monde
Ma barque vagabonde
Errant au gré de l’onde
M’y conduisit un jour
L’île est toute petite
Mais la fée qui l’habite
Gentiment nous invite
À en faire le tour

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Youkali
C’est la terre où l’on quitte tous les soucis
C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L’étoile qu’on suit
C’est Youkali

Youkali
C’est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C’est le pays des beaux amours partagés
C’est l’espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Mais c’est un rêve, une folie
Il n’y a pas de Youkali

Et la vie nous entraîne
Lassante, quotidienne
Mais la pauvre âme humaine
Cherchant partout l’oubli
À, pour quitter la terre
Se trouver le mystère
Où nos rêves se terrent
En quelque Youkali

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Youkali
C’est la terre où l’on quitte tous les soucis
C’est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L’étoile qu’on suit
C’est Youkali

Youkali
C’est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C’est le pays des beaux amours partagés
C’est l’espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C’est le pays de nos désirs
Youkali
C’est le bonheur, c’est le plaisir
Mais c’est un rêve, une folie
Il n’y a pas de Youkali

Mais c’est un rêve, une folie
Il n’y a pas de Youkali

(a versão em inglês, pra quem não entende francês, está aqui)

Chorei de borrar o rímel vendo o vídeo. Tá tudo misturado ali: tem mulher velha com moço moço, mulher com mulher, velhinhos, gente gorda, gente magra, todo mundo dançando feliz… Tem esperança. Tem serenidade. Tudo flui.

Mas como a letra bem diz,  isso não existe, né? Principalmente nos dias intolerantes de hoje. Youkali é só um sonho, uma loucura, não existe, nos conta a letra.

O problema é quando a gente não consegue sequer sonhar com ele. Como eu sempre digo, a pior coisa que pode acontecer a alguém é sentir desesperança, ter a plena convicção de que vai ver tudo cinza pra sempre e o pior: se conformar com isso, sequer ter forças de se revoltar com essa cinzidão toda. Ter forças somente para respirar fundo e olhar para o outro lado, colocando um sorriso no rosto quando vê que vai chorar se parar pra pensar em determinados aspectos da vida, porque se parar para pensar, vai chorar dias a fio e entrar num buraco de dar medo aos mais corajosos. Só quem já esteve (ou está) lá sabe como é isso. Não quero isso para o meu pior inimigo. Vou contar pra vocês: sorte daqueles que ainda conseguem sonhar com Youkali.

 

 

Top 10 músicas falando sobre a Lua

Hoje é noite de lua cheia. Adoro lua cheia, por todos os seus simbolismos, por sua beleza, pela luz maravilhosa que deixa qualquer praia e qualquer campo especiais e deslumbrantes. Gosto da energia intensa que a lua cheia proporciona (ainda que a intensidade por vezes me nocauteie). Então, hoje a tarde, quando a lua despontou no horizonte, eu e @marianamsdias corremos para fotografá-la.

Estou estranhamente serena nesta lua cheia, ao contrário das anteriores, e acho ótimo; talvez por isso tenha me vindo à cabeça “Moonlight Serenade”, que não é uma música de explosão; pelo contrário, é lânguida, é introspectiva…Digna de se ouvir enquanto Selene passeia com seu carro no céu, né não?

E por que estava inspirada, e porque tive um fim de semana delicioso, resolvi fazer um Top 10 músicas sobre a lua. Divirtam-se.

1. Clair de Lune, Debussy

Eu falei Moonlight Serenade no twitter, e o @felds lembrou de Clair de Lune, no que foi seguido pelo @alvarofreitas. Tinha que constar da seleção, d’accord?

2. Reflejo de Luna, Paco de Lucia

Eu adoro Paco de Lucia. Sou uma boa daquelas bem aventuradas que teve o privilégio de assistir a um show dele – e confesso achar  suas músicas muito langorosas, sensuais… Aliás, a maioria das cordas me traz esse tipo de sensação, devo admitir… <suspiros> <suspiros>

3. Blue Moon, Ella Fitzgerald

A lua cheia de hoje não é uma blue moon, mas não poderia deixar de incluí-la nessa lista. Rodgers and Hart, inspiradíssimos, aqui interpretada por Ella Fitzgerald

4. Banho de Lua, Cely Campello

Eu ainda tenho o LP de Estúpido Cupido, novela que vi quando menina e lembro muito bem das músicas. Não dava pra não colocar numa seleção de músicas falando sobre a lua…

5. Moonlight Serenade, Glenn Miller

Foi essa a música em que pensei de cara quando vi a lua nascendo essa noite. Uma de minhas preferidas. E mais não digo, porque essa não é música pra se explicar, e sim pra se sentir…


6. Luar do Sertão, Luiz Gonzaga

“se a lua nasce por detrás da verde mata

mais parece um sol de prata prateando a solidão”

Eu adoro a poesia de Luiz Gonzaga, me emociono com suas letras. E Luar do Sertão não poderia ser diferente, né? Me emociono às lágrimas, confesso.

Mas sabem de uma coisa? Quando estou num estado de espírito que me permite olhar pro céu e admirar a lua e sua luz, não sinto jamais solidão; é como se eu tivesse a força do mundo dentro de mim, entendem? É tão grande que não há como se sentir só…

7. Noite de Lua, Dilermando Reis

Faz alguns meses que ando curtindo violão, choros, valsas e afins. Adoro Dilermando Reis, e acho que a música cai muito bem com uma noite de lua cheia.

8. Lua de São Jorge, Caetano Veloso

“lua de São Jorge,

brilha nos altares,

brilha nos lugares

onde estou e vou”

Essa foi a Mariana que lembrou. Tem astral, é animada, e… de certa forma, São Jorge tem andado comigo desde o 10 de janeiro, então não poderia deixar de citá-la.

9. Fly me to the moon

“Fly me to the moon

Let me play  among the stars

Let me see what spring is like

On a Jupiter and Mars

In other words, hold my hand

In other words, baby, kiss me”

Acho que no universo das cantadas cafonas, essa seria uma excelente candidata ao podium. Mas…no caso, é o Frank Sinatra cantando. E quando o moço que faz a cantada é interessante, a gente acha tudo lindo, certo? E a gente quer mesmo fazer ele voar pra lua ou…xapralá… 🙂

10. Recado à minha amada (Lua vai), Katinguelê

Fala a verdade, algum de vocês achava mesmo que eu ia fazer uma seleção de músicas em que não houvesse nenhuma de gosto, hummm….duvidoso? Se tivesse feito isso, não seria uma seleção feita por mim, hehehe…

Adooooro “Recado a minha amada”. Em primeiro lugar, obviamente, porque me traz lembranças boas, evidentemente. Em segundo lugar, porque gosto mesmo, principalmente da versão com a Alcione… E querem saber? A letra  é bonitinha. Eu gosto. E a lista é minha e quem manda nela sou eu :-p

BONUS TRACK

Lua nha testemunha, Cesária Évora

Não conhecia essa música da Cesária Évora, encontrei-a enquanto achava os vídeos para esse post. Achei tão bonita que decidi colocar como bônus aqui também…

E vocês? Qual a música que fala sobre lua predileta de vocês?

Domingão fazendo jus ao nick Lady Rasta

Volta e meia as pessoas perguntam daonde surgiu o nick ladyrasta (já que de rastafari eu não tenho absolutamente nada, :lol:); resumindo muito, a denominação me foi dada por um certo moço há uns anos atrás por causa da minha versatilidade em frequentar lugares absolutamente diferentes com a mesma desenvoltura. Surgiu num momento bacana, num lugar bacana (praia da Almada, pra ser mais precisa), achei que era uma forma sucinta de me definir, e adotei o nome (e hoje, confesso, acho bonitinho todo mundo da internet me chamar de Lady ou Lady Rasta…).

Tava pensando nisso ontem a noite, quando pensei na minha programação dominical (que inclusive, exigiu uma super ginástica de produção, pois os lugares a que fui eram tão díspares que não havia a menor condição de usar a mesma roupa em ambos).

Querem ver?

Comecei meu domingo com um almocinho rápido (já que o café da manhã tinha sido farto e tarde) mas gostoso no Le Vin: aquele tempo plúmbeo simplesmente pe-di-a um Croque Monsieur quentinho (e va lá, calórico) e uma tacinha de vinho básica.

Depois disso, fui assistir a um concerto na Sala São Paulo. Na programação, Quarteto de Cordas da Osesp, este ano patrocinada pelo Itaú Personalité – tinha contrabaixo, e eu sou simplesmente maluca por contrabaixo e violoncelo. Como sou uma moça de sorte, o Nilo, amigo querido de todas as horas (que, ressalte-se, nunca na vida deixou de ter a palavra certa na hora certa quando eu precisei – e acreditem, eu vivo precisando), além de ser meu amigo e meu cabeleireiro, também estudou piano anosssss a fio em conservatório, ou seja, eu não assisti a um concerto: tive uma aula de música clássica (e quase chorei durante a execução de uma peça de Dvorak, confesso).

A Sala São Paulo é um super programa, e está cada vez melhor: agora além de uma Dulca (que adoro), tem também uma loja de CDs e discos, focada em jazz, música clássica e música brasileira de qualidade. Divino.

Depois, pausa rápida para café na Livraria Cultura (onde fui pegar umas reservas) e… toca trocar de roupa pra ir para um samba na Vila Guarani.

Vila Guarani? É, isso mesmo, lá pros lados da Estação Conceição do metrô. Explico: todo mundo sabe que eu frequento uma roda de samba na PraçaRoosevelt todo santo sábado, chova ou faça sol (sério, pra eu deixar de ir lá tem que ter um motivo muito bom mesmo, caso contrário…). E no último sábado, por uma série de razões que não vêm ao caso agora, eu estava muito tristinha. Sabe quando o coração tá pesado? Então, era assim que eu tava. Fui  pra lá porque o antídoto pra isso, como todo mundo bem sabe, é justamente ouvir música, né? (manja aquele “cantando eu mando a tristeza embora” ? Então… 🙂 ).

Quando eu cheguei, tinha um convidado lá, o Renê Sobral. E ao fim de uma música homenageando São Jorge, ele começou a declamar “Jorge da Capadócia” em forma de oração de uma forma tão bonita, tão inflamada, tão emocionada, que eu, com o coração pesado que estava, me pus a chorar (tá, eu sei, até um comercial de margarina mais bem feitinho me arranca lágrimas, mas eu chorei com gosto sabe?). Aquilo me aliviou tanto, tanto, eu fiquei tão melhor depois daquilo que resolvi conferir a casa dele, o Terreirão do Sobral (vocês sabem, sagitariana da gema como eu não deixaria jamais uma coisa dessas passar em branco, jamais, n’ est ce pas?).

E lá fui eu, sozinha, com a cara e a coragem pra Vila Guarani. Lugar super simples, com frequência idem, mas não tive qualquer problema (aliás, falam tanto do preconceito de mulher frequentar determinados lugares sozinha, que é bom frisar isso, né?), fui super bem recebida e pude dançar sossegada. O Renê canta samba de raiz dos bons, e lá pelas tantas começa uma sequência de sambas de terreiro de arrepiar. Gravei o finalzinho da oração de São Jorge pra vocês (apesar da qualidade estar ruim e não transmitir um milésimo da emoção e energia do local):

Jorge Capadócia – Renê Sobral from Lady Rasta on Vimeo.

Jorge da Capadócia

Eu queria tirar fotos bacanas como vários amigos meus sabem (um dia aprendo), mas confesso que a cena que mais me emocionou eu jamais seria capaz de tirar foto, por pudor: um rapaz de seus 25 e poucos anos numa cadeira de rodas dançando com a namorada. Eu às vezes tenho um pouco de receio de parecer aquelas deslumbradas com cenas de Jorge Amado (de achar que tudo que é mais simples e popular é melhor), mas quanto mais reflito, vejo que não é isso: o que me encanta em alguns lugares (e nas rodas de samba isso é muito claro pra mim) é que todo mundo pertence, todo mundo tem seu lugar. Não são lugares onde só pessoas de 20 a 30 anos querendo beijar na boca vão; são lugares em que todo mundo vai, seja da idade que for, seja na condição que for. E isso torna tudo (ao menos para mim) muito mais real. Porque vocês me desculpem, mas eu acho aquela vida “Leblon na vibe Manoel Carlos” chata pra dedeu.

Eu preciso de mais. Eu preciso ir onde coisas bacanas aconteçam, independente do estilo – porque ainda que aos olhos de alguns os programas acima possam parecer um tanto quanto díspares, para mim não são, pois ambos têm personalidade, diferencial, atitude; ambos acrescentam. E isso é o que conta.

Well, acho que deu pra pegar a essência do nick, né? 😉

Boa semana pra vocês. 🙂

****

P.S.  Post dedicado ao Nilo e à @syferrari (ela vai saber por quê)

P.S. II (a missão): Pra não ser injusta, cabe aqui um agradecimento aos meus pais por terem me ensinado que é possível se divertir em (quase) qualquer lugar.

P.S. (a volta dos que não foram):  Fiquei pensando cá comigo que há muito tempo atrás escrevi um texto num dia super super triste, em que reclamava justamente dessa minha versatilidade; é bom ver que hoje eu a vejo de forma positiva, sabiam? 😉

Os meus 15 trechos da música brasileira

Dia desses o @doni compartilhou um post sobre top 10 primeiras frases da música – versão nacional. Compartilhei o post no meu buzz e um pessoal entrou na brincadeira lá mesmo ; quanto a mim, resolvi fazer um post inspirado naquele, falando sobre 15 frases da música brasileira que eu adoro (sim, 15, sou péssima pra escolher – eu sempre quero tudo, sabem?)

Não as coloquei em ordem de preferência, não saberia como classificá-las, então saibam que a numeração é totalmente aleatória. Um dia faço a versão gringa da lista, prometo.

Divirtam-se:

1. “E eu que não creio peço a Deus por essa gente”

(em  Gente Humilde, música de Garoto, letra de Vinícius e Chico Buarque)

A letra dessa música é maravilhosa, com um milhão de frases que nos fazem pensar:

Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a tudo
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=kgGpOed97PQ]

Adoro  “aí me dá uma inveja dessa gente, que vai em frente sem ter com quem contar” , mas a frase que eu destaquei acho mais forte.  ” E eu que não creio peço a Deus por essa gente. Eu realmente admiro quem consegue viver sem acreditar em nada, sem precisar acreditar que algo pode te dar forças para suportar o insuportável (fé não deixa de ser isso, em última análise). Fico pensando então no desespero e na tristeza que um ateu passa para pedir a Deus por alguém.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=kgGpOed97PQ]

2. “eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida”

(em “Todo amor que houver nessa vida”, de Cazuza)

Amor conturbado é bonitinho em filmes de comédia romântica, onde a gente sabe de antemão que vai dar tudo certo – o que normalmente não acontece na vida real, né? Chega uma hora na vida em que a gente quer só “ter a sorte de um amor tranquilo”. Tranquilo, reparem, não é monótono. E pra mim o “sabor de fruta mordida” diz isso muito bem.  Passa aquela coisa suculenta, sabe? Aquelas frutas que vc morde com gosto, ávida, e o suco é tanto que escorre pelo queixo, sacaram? <pausa para suspiros>. Gosto também do “matando a sede com a saliva”. Só quem já passou hooooras beijando até o lábio inchar sabe o que é isso…delícia né?

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=2cZW4EU2cgI]

3. “e até o tempo passa arrastado, só pra eu ficar do teu lado”

(em “Preciso dizer que te amo”, de  Cazuza e Bebel Gilberto )

A letra dessa música é aquele caso clássico da amiga (o) apaixonada (o) enquanto o outro (a) não percebe, mas eu gosto dessa frase porque quando estou com alguém de quem eu gosto muito muito muito, eu sempre tenho a impressão que estou vivendo em câmera lenta – e isso não é ruim, ao contrário, é uma delícia. Às vezes paro pra pensar em alguns encontros específicos e penso em quanta coisa aconteceu, tendo a impressão de que tudo se passou em muito mais horas do que o tempo real. Sim, eu tenho certeza que o tempo passa arrastado só pra eu ficar do lado dele (o “ele” da época, bien compris)

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=VudS00JZH2c]

4. “e a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não”

(em Samba da Benção, de Vinícius e Baden Powell)

Fico imaginando a tristeza, condenada a ser triste pela eternidade, invejando a felicidade, destinada a ser feliz. Será que dá pra viver assim? Acho que não. Ela tem que acreditar que pra sempre é muito tempo, não acham? 😉

Outra frase que adoro nessa música é aquela dizendo que uma mulher tem que ter “um molejo de amor machucado”. E tem mesmo. Acho que a gente fica mais doce depois disso – e dá valor pras coisas boas que lhe acontecem.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=pdStj4D28vY&feature=player_embedded#at=192]


5.”lágrimas por ninguém, só porque é triste um fim”

(em “Ela disse adeus”, Paralamas do Sucesso)

A letra dessa música deve ser a trilha sonora de muita separação. Marcou a minha, ao menos. Lembro bem dos meus últimos dias de casamento, aquela coisa de duas pessoas que já foram muito muito próximas não conseguirem falar mais nada, aquele silêncio que se corta com faca… Como eu disse, lágrimas por ninguém, só porque é triste um fim…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=WnYSgN3ODAY]

6. “voltar quase sempre é partir para um outro lugar”

(em Samba do Amor, de Paulinho da Viola)

A música é de Paulinho da Viola, mas eu gosto na versão da Teresa Cristina. Gosto da letra inteira, mas esse pedaço aí de cima acho genial. E  serve pra quase tudo, clichezaço.

Serve pra viagens, quando voltamos a uma cidade que já conhecemos; serve para voltar com alguém num relacionamento (tem coisa mais deliciosa do que beijar de novo alguém que imaginávamos nunca mais poder beijar?); serve para rever amigos queridos depois de um tempo sem vê-los; para releituras… a experiência é sempre diferente da primeira.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=vgPeG9YoRiQ]

7. “das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que eu gosto de ter”

(em Outra Vez, de Isolda, mais conhecida pela interpretação do Roberto Carlos)

Essa música entra nos meus top qualquer coisa, porque a letra me diz muito – sobretudo a frase que eu destaquei. Quem me conhece sabe que não sou de olhar pra trás, não fico pensando muito nas pessoas que passaram na minha vida (já foi né? eu acredito que as pessoas tenham um papel a desempenhar na nossa vida, e uma vez cumprido esse papel, não tem porque ficar pensando no assunto), mas algumas pouquíssimas e especiais pessoas (estou deixando a frase no plural mas eu diria que até muito pouco tempo atrás eu colocaria essa frase no singular sem medo de errar 😉 a gente quer ter saudades, a gente gosta de olhar pra trás e lembrar (desde que o tipo de saudade não seja ruim, não há problemas – o duro é quando a saudade é das não-boas).

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=4MKLh-CkbeA&feature=related]

8. “E não diga que a batalha está perdida, se é de batalhas que se vive a vida”

(em “Tente outra vez”, de Raul Seixas)

É, coloquei um “toca Raul” na lista. Sim, eu adoro Raul Seixas, muitas músicas dele, mas essa frase é daquelas na linha ” tomorrow will be another day”, total vibe Scarlett O’ Hara. Pensando bem,  é só uma outra forma de se dizer

“não chores meu filho, que a vida é luta renhida

Viver é lutar

A vida é combate, que aos fracos abate

Que os fortes, os bravos

Só pode exaltar” (Gonçalves Dias, Canção do Tamoio)

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=8OxlAOvAmZk]

Praqueles dias tristes onde tudo parece terrivelmente cinza apesar de estar o maior sol lá fora, porque você não consegue ver outra cor a não ser cinza. Pra mim dá esperança, juro.

9. “liberto-me ficando teu escravo”

(em “Elegia”, letra de Augusto de Campos, música Péricles Cavalcanti)

Eu acho a letra inteira dessa música beeem safada, mas tenho especial predileção por essa frase.

Descobri há pouco tempo atrás que a música é de Péricles Cavalcanti, e a letra é de  Augusto de Campos, uma tradução do belíssimo  poema de John Donne (e a frase que eu gosto, no original, é “to enter in these bonds is to be free).

Gosto da ideia de alguém poder ser tão livre e desprendido a ponto de poder optar por eventual submissão (uma coisa gueixa que pode escolher seu danna, enquanto assim lhe agradar- afinal ela é livre, certo? 😉 ).

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=qAuNRlAxBQY]

10. “quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém”

(em Berimbau, de Vinicius e Baden Powell)

Vinicius de novo, em parceria com Baden Powell. Porque pra amar é preciso se conhecer, e reconhecer em si a capacidade de se doar. Há que se expor pra amar; imperiosamente nos tornamos vulneráveis – tenho certeza que aqueles em sua torre de marfim, que preferem se preservar a viver não têm condição de amar. Well, dizem que eles não sofrem. Eu não acredito – e ainda acho que o sofrimento é mais frustrante, mas é só a minha opinião…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=jIRkCwqa4Kk]

11. “e pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz”

(em “João e Maria”,  de Chico Buarque)

Pra mim essa frase não fala sobre os primeiros amores da vida, mas sim de todo começo de uma relação amorosa, naqueles primórdios onde tudo dá certo, tudo é o máximo e a a gente simplesmente vai, sem parar pra pensar, porque afinal acha que tem força e coragem pra enfrentar o que quer que haja de problemas (enfrentando todos os canhões com um bodoque, né?). Há no ar aquela inocência, encantamento, ingenuidade… Pena que as coisas não podem ser assim pra sempre, né? Quem não gostaria de um “dia da marmota assim?”. Mas pensando bem, tudo na vida tem que evoluir – ou fenece. E aí as princesas somem no mundo…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=CRIXprZqRd4&feature=related]

12. “quem me vê sorrindo, pensa que estou alegre”

(em “Quem me vê sorrindo, de Cartola)

Outro dia a @marcie14 veio aqui em casa e eu estava chorando horrores. Muito, de verdade. Lá pelas tantas ela olhou pra mim e disse: ” você é uma filha da mãe – vc não está nem com o nariz vermelho!”. Perdi a conta das vezes em que, após ter crises de choro daquelas de novela (saca aquela coisa chorar sentada no box com a água correndo?), eu saía, me maquiava, ia para alguma festa e era elogiadíssima, todos dizendo que eu estava linda e com uma cara ótima. Eu tenho até um pouco de raiva, sabem? Mas pelo que entendi, o mundo decidiu que estar triste não combina comigo. E como por mais dilacerada que eu esteja eu sempre estou sorrindo (ainda que seja um sorriso triste) as pessoas se acostumaram com isso. Mas posso falar? Não é incomum eu sorrir enquanto estou morta por dentro. Well, chorar por aí não vai melhorar minha vida mesmo…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=_o4r5umrg2I]

13. “cantando eu mando a tristeza embora”

(em Desde que o samba é samba, de Caetano Veloso)

Nesse post aqui eu mencionei o seguinte poema:

Quando estamos nos degraus mais baixos da escada do pesar, nós choramos.

Quando chegamos à metade dela, emudecemos.

Mas quando alcançamos o topo da escada do pesar, nós convertemos a tristeza em canto (poema hebraico extraído do livro Felicidade).

Vinícius no “Samba da Benção” fala que pra fazer um samba “é preciso um bocado de tristeza”; Caetano complementa dizendo que apesar da “tristeza ser senhora”, apesar de tudo estar “demorando em ser tão ruim”, cantando a gente manda a tristeza embora. E é assim mesmo. Experimentem fazer isso um dia. Funciona. Não por muito tempo, mas alivia, viu?

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=vOOefwKruDc&NR=1]

14. ” vê-se a vida correndo parada como se não existisse chegada”

(em Rota do Indivíduo, de Djavan)

Pasmem vocês, Djavan não faz apenas aquelas letras incompreensíveis; algumas são cristalinas!!

Essa é uma delas, triste à beça. Se eu tivesse que resumir a letra dessa música em uma só palavra, ela seria ” desesperança”.  Deem um’olhada em alguns trechos:

O frio é o agasalho
que esquenta
O coração gelado
quando venta
movendo a água
abandonada

Restos de sonhos
sobre um novo dia

Recebi certa feita um email de uma pessoa querida mencionando essa música e chorei muito por ela. Já me senti assim, graças a Deus pouquíssimas vezes na vida – eu não suportaria viver desse jeito muito tempo. Desesperança implica em ter certeza que as coisas não vão mudar nunca, né? Achar que tudo vai ser cinza pra sempre. Se até a tristeza tem esperança de um dia não ser mais triste, imagine o que é alguém não ter esperança alguma? Essa música pra mim é isso.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=_7Fp58Z-WHk]

15. “De Todos os Santos, encantos e Axé, sagrado e profano, o Baiano é carnaval”

Eu me lembro da 1a vez que ouvi essa música: era um sábado de  Carnaval em Salvador, e estava no Pelourinho (era 1996, e naquela época o Carnaval do Pelourinho não era tão animado quanto é – era? – nos últimos anos). O trio de Dodô e Osmar (que não tem corda, é pra massa mesmo) passou, e não tinha quase ninguém. Umas 30 pessoas no máximo, mas foi uma cena totalmente Jorge Amado: o Pelourinho escuro, aquele cheiro de mijo e cerveja típico de Carnaval sóteropolitano, umas velhinhas atrás do trio, uma moça com um bebê de colo, um homem com o filho maior no cangote e…nós, os turistas. Quem conhece Salvador com os olhos de quem quer ver, sabe que aquilo é uma mistura de sacro e profano o tempo todo (a mistura de raças já é invencionice, mas tudo bem…). Não poderia deixar essa música de lado, por tudo que ela representa, sobretudo por essa cena que vai ficar na minha cabeça pra sempre.

Chame Gente – Moraes Moreira e Armandinho

Onde ouvir boa música ao vivo em São Paulo

Well, vocês sabem que São Paulo tem eventos para todos os gostos e estilos musicais, então seria absolutamente impossível listar lugares de todos os gêneros da cidade; por isso, a ideia aqui é mostrar os lugares onde há boa música ao vivo do que eu curto, mencionando portanto lugares que eu frequento e que na maioria das vezes, têm uma programação homogênea – ou seja, é raro haver algo ruim.  Tendo bom gosto musical, dificilmente alguém se arrependerá de ter ido a essas casas. Divirtam-se!

Auditório do Ibirapuera

Pra começar, o lugar é lindo.  Projeto de Oscar Niemeyer, programação extremamente diversificada, indo da música clássica à MPB, passando pelo jazz (esta semana por exemplo, tem Villa Lobos na 6a feira – que assistirei – e  Ana Canas no domingo) em espetáculos sempre de grande qualidade). Tenho visto muita coisa boa lá, e os preços são acessíveis. Além disso, há a possibilidade de se fazer reservas de ingressos pelo site. A acústica também é muito boa. Adoro terminar o fim de semana com um espetáculo no começo da noite (19:00). Delícia, viu?

Sala São Paulo

Parte do Complexo Júlio Prestes, localizado no Centro da cidade, a Sala São Paulo era uma antiga estação de trem que foi reformada a fim de tornar-se a maior e mais moderna sala de concertos da América Latina. O Complexo Júlio Prestes também abriga a sede da Osesp, indicada pela revista inglesa Gramophone como uma das três orquestras emergentes no mundo às quais se deve prestar atenção.

A programação é muito bem cuidada (confira aqui a de 2010, com detalhamento no hot site), e os preços da plateia superior (que é muito boa tanto em termos de visão quanto de acústica – já assisti a vários espetáculos de lá) também não são salgados tendo em vista a qualidade oferecida pela casa). Pra quem for cliente Itaú Personalité, dentro da programação Osesp  Personalité (série especial de concertos muitíssimo bem cuidada), o estacionamento é gratuito, viu?

Eu tenho especial predileção por algumas recomendações da casa (confira no setor ingressos) onde nos é informado que crianças são benvindas (havendo inclusive aconselhamento quanto ao tipo de espetáculo adequado) e que trajes adequados são aconselháveis (não, moçada, eu não sou do tipo que acha que se vai a qualquer lugar como se quer – alguém aqui trabalha de biquini, por acaso? :-). A

Ainda quanto à Sala São Paulo, gostaria de destacar uma programação infantil magnífica: a série Aprendiz de Maestro, uma realização da TUCCA (Associção para Crianças e Adolescentes com Câncer). Os espetáculos, realizados uma vez por mês aos sábados de manhã, são voltados para o público infantil com o objetivo de criar o interesse da criança pela música clássica (mas posso dizer? eu adorava levar meu filho, aprendia muito). Falei bastante sobre o projeto nesse post aqui, que inclusive tem vários vídeos – vale a ver, viu?

Programação do Sesc

O Sesc tem sempre uma programação deliciosa em matéria de música. Gosto em especial do Sesc Pompeia e do Sesc Pinheiros (mas é bom deixar claro que há várias unidades espalhadas pela cidade, todas com programação muito boa). Em geral a programação gira em torno de música popular, mas sempre de boa qualidade. Eu nunca errei quando fui parar na choperia do Sesc Pompeia, mesmo sem saber direito o que estava acontecendo – e os preços também são super camaradas.

Jazz nos Fundos

Um dos segredinhos de Pinheiros, o Jazz nos Fundos fica escondido no terreno de um estacionamento. É pequenininho, apertado, simples, mas a qualidade da música é ótima. Super vale a pena!

Syndikat Jazz Club

O Syndikat é outro bar de jazz escondidinho, dessa vez nos Jardins. As apresentações ao vivo, que rolam no porão, são sempre bacanas; as bebidas e os belisquetes também são bons. É um pouco mais caro que o Jazz nos Fundos citado acima.

Teta


Bar pequenininho em Pinheiros (na frente do Cemitério São Paulo), descompromissado, com comidinhas gostosas e bom jazz sempre. Querem uma resenha mais paciente e elaborada que a minha (que, devo admitir, por vezes consiste apenas num “vai lá”)? Tem aqui.

Ó do Borogodó

Casa de samba e choro, de excelente reputação, também em Pinheiros, também pequenininha, com  programação musical excelente. Ano passado ganhou o prêmio de melhor música ao vivo da Veja-SP. Tem um pessoal bonito, viu? 😉

Você vai se Quiser

Já que falei do Ó  do Borogodó e portanto, de samba, não poderia deixar de falar do Você Vai Se Quiser, mais conhecido como Samba da Praça Roosevelt, pois afinal de contas é meio que  a “minha” casa, lugar onde “bato cartão” todo santo sábado a tarde. O lugar é bem simples, a frequência é o que chamo de “samba cosmopolita” e pode assustar alguns pela heterogeneidade (leia o que o meu querido @riqfreire escreveu aqui) mas a música, a feijoada, os petiscos,  bem como a já mencionada frequência (se é que vocês me entendem 😆 ) são ótimos. A roda de samba aos sábados começa às 5 e termina às 9 da noite (o caldinho de feijão servido no fim é bem bom, viu?).

Studio SP

Aqui o ambiente já muda. O Studio SP fica no Baixo Augusta, o estilo de  música é alternativo (mas a programação também é regular, embora os estilos musicais variem muitíssimo) e o clima é mais de “balada” – se faz o seu gênero, dê um’ olhada na programação e se jogue!

Bom folks, é isso. Se alguém tiver dicas de outros lugares, ou impressões sobre os que menciocei, favor deixar nos comentários, tá?


Meu top 5 músicas do Rei

Sábado passado, por conta do post da @samegui falando sobre a exposição dos 50 anos do Roberto Carlos (cuja coordenação aliás, é feita pela @leapenteado – amiga querida que Santo André me deu ), comecei a blipar músicas do #rei. Logo logo, várias pessoas entraram na brincadeira, o Inagaki se empolgou pra atualizar o blog falando sobre suas 5 músicas preferidas e cá estou eu, a convite dele, pra falar das minhas.

 

Meu top 5 é super cliché, devo admitir.  Confesso  não conhecer  a discografia do Roberto tão a fundo para poder desenterrar pérolas (coisa que certamente os outros convidados do meme fizeram – eu não quis ler os posts antes de escrever o meu); mas não posso fazer nada, certo? São as minhas preferidas…

 

5. Debaixo dos Caracois dos Seus Cabelos

A música foi feita para o Caetano Veloso (e se bem me lembro depois disso eles passaram um tempo brigados, mas não achei nada respaldando isso, então me calo). Mas eu gosto dela mesmo porque me lembro de um moço de quem gostei muito muito muito (e eu encheria esse post escrevendo “muito” e ainda sim não seria capaz de começar a dar uma ideia de quantidade pra vocês) que tinha cabelos encaracolados. Só por isso. É um motivo, certo? Coloquei aqui a versão com o Caetano:

watch?v=Ur4KW83CviQ

 

2. É preciso saber viver

 

Essa é uma música que entraria no meu Top 5 Canções de Auto-Ajuda, praquelas horas em que vc precisa de um ânimo, sabe?

É bem aquela coisa de alguém mais sábio dando conselhos de como se viver melhor, de como não desanimar,  de como viver no presente e não de expectativas.

Gosto muito da versão dos Titãs, mas queria colocar uma do Rei aqui – e adorei ter encontrado uma com o Erasmo e a Wanderlea, clipe do  filme Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa


[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=hzaSmrfWt1s]

 

3.Amante à  moda antiga

“Eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores

Aquele que no peito ainda abriga, recordações de seus grandes amores

Eu sou aquele amante apaixonado, que curte a fantasia dos romances
E fica olhando o céu de madrugada sonhando abraçando a namorada
Eu sou do tipo de certas coisas, que já não são comuns nos nossos dias”.

Antes de mais nada: sim, tenho consciência que é a música é meio cafona, que ela soa um tanto quanto antiga… Mas tenho que confessar que adoro.

Adoro não só pelo fato de curtir moços que fazem a linha old fashion (quando fazem isso na dose certa então, aiaiai…); pra mim ela tem gosto de começo de romance, quando ficamos meio bobos, sabe? Acho que  (quase) todo mundo quando está encantado com alguém se sente assim…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=alKDTZAaDno]

4.Outra vez

Quando escrevi o  “Top 5 canções para cortar os pulsos“, “Outra Vez” estava lá (e só ali descobri que a música não era do Roberto Carlos, apesar de ter sido amplamente divulgada por ele). Reli o post e acho que não tenho nada a acrescentar, então transcrevo pra vocês:

” Outra vez pra mim é aquela constatação pura e simples de que, não importa o que se faça, quanto tempo passe, quantas pessoas passarem na sua vida, aquele moço lá vc não vai conseguir esquecer. Nunca. O cara é simplesmente ” a saudade que gostamos de ter”, e por uns instantes esquecemos de tentar esquecê-lo. Dá pra esquecer alguma coisa que é uma marca indelével no coração da gente? Ah! acho que não… E quando dói muito, mas muito mesmo, a gente pode fingir que ele está perto…outra vez. Só mais uma. Amanhã eu juro que tento de novo…”

Reli isso hoje e não tenho o que acrescentar. Aqueles que já acharam que iriam  morrer de desgosto de tanta saudade, aqueles que já sentiram falta de uma pessoa a ponto de ter dor física por causa disso hão de entender porque ela me emociona às lágrimas sempre.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=0dCHVu]

5. Daqui pra frente

Daqui pra frente pra mim é a versão tupiniquim de ” I will survive” – aquela coisa da pessoa que tomou o pé na bunda e está fazendo a linha “eu sou superior, eu me valorizo, você é um (a) babaca” (eu costumo dizer que essa assertividade toda costuma terminar às 3 da manhã com a pessoa manguaçada ligando para aquele (a) que não vale nada, falando um monte de coisas das quais se arrependerá no dia seguinte  – not a good plan, I shall say…).

Mas apesar de ser um comportamento bem imaturo, atire a 1a pedra aquele que nunca falou pros amigos : “ele tá pensando o quê? ou ele muda ou acabou tudo”. 🙂

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=_kBudP3fbds]

 

****

P.S. Escrevendo esse post lembrei de um clipe (que acreditava ser da TV Pirata mas na verdade é dos Trapalhões) fazendo uma paródia do Café da Manhã. Acho que vale colocar aqui, né? 🙂

 


[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=D930t_d4En4]

***

Não deixem de conferir os posts dos outros blogs! O @inagaki tá centralizando lá no item 3 do post dele!

 

 

 

Top 20 músicas de sexo fácil (ou pago) através dos tempos

Essa lista inicialmente iria chamar-se 10 músicas de moças freteiras; mas enquanto procurava, pensei em várias músicas que não necessariamente envolvessem a prática de atividade aeróbia de cunho heterodoxo mediante paga (ah, advogados, essa raça que transforma até mesmo sexo em algo enfadonho, 😆 ) mas, sim que falasse também de sexo fácil, não romantizado, ou ainda que falassem sobre a prostituição de forma geral.Elas estão (à exceção da última) em ordem de composição, ou data em que a versão mais famosa surgiu – até porque, tendo colocado estilos tão diferentes lado a lado, eu simplesmente não saberia estabelecer prioridades aqui. Os estilos estão misturadíssimos, e sim, tem algumas músicas que serão esnobadas por aqueles chatos que só ouvem o que é considerado cult, cool, sem querer se misturar com a plebe ignara. Mas como vocês sabem, eu não ligo pra isso certo?

1. Just a Gigolo – Irving Cesar, 1929

Confesso pra vocês: eu tinha certeza que essa música era bem mais nova, conhecia a dita cuja na versão do Louis Prima (de 1956), e pesquisando para fazer o post descobri que ela é bem mais antiga. Achei até uma versão num desenho da Betty Boop (que eu amo, e até imito quando estou empolgada na medida certa, hehehe).

A letra fala sobre um heroi de guerra em Paris que se prostitui pra viver. Triste, como (quase) todas as músicas sobre esse tema são…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=MMpXdCkvKZA]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Ub9Oj4LaSUs]

2. Love for sale- Cole Porter, 1931

Costumo dizer (e tem gente que briga comigo) que o Cole Porter tem uma acidez, um cinismo para analisar algumas situações como poucos, ao mesmo tempo em que coloca essa análise com uma elegância deliciosa. E é o que acontece na letra dessa música:

Who would like to sample my supply?

Who’s prepared to pay the price,

For a trip to paradise? Love for sale

Let the poets pipe of love in their childish way,

I know every type of love

Better far than they.

If you want the thrill of love,

I’ve been through the mill of love;

Essa é uma daquelas músicas que faz um par perfeito com aquela famosa frase de Nelson Rodrigues: Dinheiro compra tudo – até mesmo amor sincero…

E eu gosto de ouvir com Ella:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=3GkTsJPDGF0]

3. Lorelei – George and Ira Gerswhin, 1933

Lorelei  na verdade é uma personagem de uma lenda alemã, habitante de um penhasco do mesmo nome, uma espécie de sereia (como foi me dito por um amigo- eu diria náiade) do Reno e a pessoa que canta a música quer ser como ela. A música foi composta pelos irmãos Gershwin para um musical chamado Pardon My English – e eu amo a versão da Ella in Berlin. Eu acho a letra dessa música…safada, dengosa, molinha, insinuante (e tais características ficam ainda mais exacerbadas no tom langoroso que a Ella dá à música) Não tem nada a ver com as tradicionais letras de músicas sobre prostitutas, que basicamente falam de um cara querendo tirar ela dali ou então sobre a vida dura que elas levam.

Lorelei não. Lorelei, mesmo acostumada com os marinheiros rudes do cais do porto, continua a ter sede de  colocar suas  inciais no pescoço de um marinheiro (parte da letra que mais gosto, junto com…xapralá, não vou contar tudo né?); faz isso com gosto.  Eu tenho a nítida impressão de que a Lorelei (se for mesmo puta, não tenho certeza) é daquela linhagem das putas Nelson Rodrigues – é puta porque gosta, e tem muito orgulho!

Ouçam (preferencialmente com champagne, porque a Lorelei pode ser do cais do porto, mas eu gosto de ouvir Ella com champagne. Well, serve um Manhattan também).

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=MbLsyjDbU_8]

4. A dama do Cabaré – Noel Rosa, 1934

Mais uma das muitas músicas que Noel fez para a Ceci, uma prostituta por quem era apaixonado, pra quem escreveu uma das músicas mais bonitas dele  (e uma das minhas preferidas, junto com Três Apitos): Último Desejo.

Interessantes ver a diferença de estilos: enquanto Cole Porter na América é muito cínico com relação à prostituição, Noel Rosa é todo apaixonado ao descrever os modos da moça no Cabaré – vc consegue ver a cena acontecendo na sua frente.

Achei uma versão bem retrô, com Orlando Silva e outra mais moderninha:

[youtube= http://www.youtube.com/watch?v=lYOpFAz4WkI]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=P6N2a4boddE]

5.Quem há de dizer – Lupicínio Rodrigues, 1948

Essa música eu não conhecia, foi-me sugerida por um amigo (que no fundo estava inconformado por não poder me ajudar muito), e realmente é linda – além do mais, nada mais justo do que ter uma música de Lupicínio Rodrigues nesse rol de músicas sobre mocinhas de vida airada, certo? A letra também faz com que nos transportemos para o ambiente dos antigos lupanares, com a descrição da Lapa, bem ao estilo da música anterior do Noel Rosa.
Ela nasceu com o destino da lua
Pra todos que andam na rua
Não vai viver só pra mim
Engraçado, essa é mais uma daquelas letras músicas em que o autor afirma que a moça nunca vai ficar com um cara só, porque “nasceu pra isso”. Fico aqui pensando se isso é aquele conceito antigo de que mulher entra na prostituição por vocação ou uma justificativa que o homem dá pra ele mesmo de medo de ser chifrado depois… Mas, como diz a Gabi Bianco, tegiverso. Vamos ouvir a música que é melhor né?
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Uy_RGc9_mS4]

6. Honky Tonky Women, Rolling Stones, 1969

Sabiam que essa música foi escrita depois que os Stones vieram ao Brasil? Pois é… E a letra é bem explícita ao falar que o cara “met a gin soaked bar-room queen in Memphis” que “tried to take me upstairs for a ride”. Eu particularmente acho a letra da música fraquinha, mas gosto da música, tem uma ginga gostosa…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=5FJYyA4jRdM]

7. Maggie May – 1970, Beatles

Não confundir com Maggie May do Rod Stewart, realmente uma canção sobre um romance entre ele e uma mulher mais velha, que não era prostituta. Maggie na verdade é uma forma como as prostitutas são chamadas em alguns pontos da Inglaterra e Irlanda, e essa música em questão refere-se a uma folk song de Liverpool, bastante antiga,  contando a história de uma dessas moças freteiras que roubou um marinheiro. Os Beatles a gravaram em 1970

[youtube= http://www.youtube.com/watch?v=G5EghllQq7M]

8.Walk on the wild side – Lou Reed, 1972

Outra música que adoooro. Tanto a ginga dela quanto a letra.  A música não fala propriamente de um garoto de programa; na verdade a letra conta a história de como algumas pessoas (ligadas todas a Andy Warhol) foram parar em  em N. York Sugar é uma dessas pessoas: a ” he that became a she”, depois de raspar sua perna com gilete pra ela ficar lisinha. Gosto muito da letra – particularmente do trocadilho baixo (e chulo, por que não dizer, né?) do “she never lost her head even tough she was giving head” E o mais doido é essa letra pesada ter aquele corinho meigo ” and the colored girl say do do ddodoodododo”.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=4FKts1JOaJc]

9. Bad Girls – Donna Summer, 1979

Outra cuja letra é bastante explícita: ” Friday night and the strip is hot, the sun goes down and they’re about to trot”. Acho que essa ficaria na minha categoria “músicas job description”, por não terem tanta poesia, se aterem à crueza e à dureza do trabalho mesmo (não, o duplo sentido não foi intencional, juro, mas é tarde e não vou pensar em outra coisa pra escrever)

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Io_bxHSNkJ0]

10. O mundo é um moinho – Cartola, 1976

Diz a lenda que Cartola fez essa música para a filha, quando ela estava saindo de casa e ele descobriu que ela iria literalmente, “cair na vida”.  Well, imagino que poucas coisas sejam mais difíceis de ser enfrentadas por um pai do que descobrir que a filha é prostituta. Qualquer outro encheria a filha de porrada, mas como ele era o Cartola, escreveu “O Mundo é um Moinho“.

De cada amor tu herdarás só o cinismo,

Quando notares, estás à beira do abismo,

Abismo que cavaste com seus pés.

Essa é mais uma música que eu coloco na categoria das músicas descrevendo o sentimento de desesperança. Apesar de ter procurado e achado essa história em diversos sites, não achei nenhuma fonte pela qual eu pudesse colocar a mão no fogo; a querida Constance Escobar, cujo pai  vem a ser o célebre Guinga, ficou de apurar a história com ele pra ver se procede – mas, como diz o ditado, se no é vero, é benne trovato. E é uma canção maravilhosa. Vou colocar as versões do Cartola e do Cazuza pra vocês:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=hGCTS8Nfwdo]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=qjBZBhx4CAI]

11. 53 and 3rd – Ramones, 1976

No mesmo ano em que Cartola ficava arrasado com a filha que ido ganhar a vida de forma heterodoxa, Dee Dee Ramone caía na viração. Segundo este site aqui, Dee Dee Ramone nos anos 70 costumava fazer ponto na esquina dessas ruas, (conhecidas pela farta oferta de prostituição masculina, digamos assim) para financiar seu vício em heroína. A letra da música fala sobre isso (embora não mencione a heroína). Super  junkie, como não poderia deixar de ser vindo dele, certo? Ah sim! Adoro a frase final, “I proved that I’m no sissy” 😆

[youtube=http://www.azlyrics.com/lyrics/ramones/53rd3rd.html]

12. Eu vou tirar você desse lugar – Odair José

Nem venham dizer que essa música é cafona. Cafona pra mim é não entender que essa música é o máximo. Mais uma daquelas músicas onde um homem se apaixona por uma puta e acredita que vai conseguir tirar ela de lá, pra ela “sair daquela vida”. Triste… Triste como só os amores doídos e impossíveis  conseguem ser; triste como só a realidade te obrigando a deixar um sonho de lado consegue ser…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=0KdctNg2WGY]

13. Folhetim, Chico Buarque, 1977-1978

Essa música faz parte da “Ópera do Malandro”, e certamente estaria nas minhas top 10 do Chico Buarque (aliás, amo de paixão, porque acho safada e dengosa na menina “Se eu fosse o teu patrão”, do mesmo disco – e “O meu amor“, também da Ópera do Mallandro, me arranca suspiros do fundo d’alma…)

letra é linda, também mostra aquela coisa de uma mulher super doce, submissa, subserviente, que diz tudo o que ele quer dizer…mas só naquela hora.

Gosto especialmente do trecho em que ela fala “e eu te farei vaidoso, supor…que és o maior, e que me possuis” – dizem que o Chico entende como poucos da alma feminina, mas acho que aqui ele mostrou que entende bastante da alma masculina também, 😆 (e remeto vocês para o meu post do Johnny Bravo, que costuma irritar os meninos…).

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=drTW-2I6b5U]

14. Roxanne – The Police, 1978

Quase não pus essa música na listagem, de tanto que a ouvi nos anos 80. Mas depois pensei bem e…ouvi tanto, durante aqueles anos todos, gostei tanto dela… Que não dava pra não colocar né? E foi a 1ª música que ouvi e entendi perfeitamente que o assunto era prostituição – também, a letra é super explícita né?

Roxanne, you don’t have to put on the red light
Those days are over
You don’t have to sell your body to the night
Roxanne, you don’t have to wear that dress tonight
Walk the streets for money
You don’t care if it’s wrong or if it’s right

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=_3kG-7I_Y6k&feature=fvst]

E só pra homenagear a Satine, coloco aqui a versão em tango de Roxanne

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=pHO5KWIMZUo]

15. Geni e o Zeppelin – Chico Buarque, 1978

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

A puta é aquela coisa amada e odiada, né? Eu costumo dizer que, não fossem elas, o mundo sofreria uma convulsão social. Sim, claro!! Quem é que iria suprir, satisfazer todos aqueles desejos inconfessáveis? Como seria um mundo onde os desejos mais secretos (e vá lá, os mais comezinhos também) não pudessem ser satisfeitos? Mas uma vez satisfeitos, alguns têm tanto pavor do que desejam que culpam a Geni, que passa a ser bode expiatório. É tão mais fácil tacar pedra na Geni do que olhar pro espelho não? E sabe o que é o pior? Esse é o tipo de sentimento que eu acho que não vai acabar nunca.

Música doída, com letra idem, que também faz parte da Ópera do Malandro.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=jsB–twZgng]

16. Call me – Blondie, 1980

Tá, eu confesso minha ignorância: não sabia que essa música faz parte da trilha sonora de American Gigolo (os que me conhecem bem decerto já ouviram minha teoria sobre cinema ser um “cerceamento ao meu direito de imaginação”, que no fundo nada mais é do que tucanizar o bom e velho “não consigo prestar atenção depois de muito tempo”); sabendo disso, fica mais fácil sacar que essa música fala de programas e não de uma doida desesperada pra ver o bofe, certo? Ah sim! Antes que eu me esqueça: eu adoro a música!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=aH3Q_CZy968]

17. Rocket Queen – Guns and Roses, 1987

O Axl Rose levou pro estúdio uma vez uma moça que queria formar uma banda chamada “Rocket Queen”, fez sexo com ela no estúdio e colocou um pedacinho do barulho da, hum… atividade na música. A letra inteira está aqui.

I can turn on any one
Just like I turned on you
I’ve got a tongue like a razor
A sweet switchblade knife
And I can do you favors
But then you’ll do whatever I like

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=G-FP8B4cTH8]

18. Rent – Pet Sho Boys, 1987

“You dress me up…I’m your puppet”
A música sugere mais uma coisa “teúda e manteúda”, pra usar termos do agreste, uma coisa “full time gueixa” do que uma puta de rua. E pesquisando, descobri que na verdade a mulher e o cara se gostam, mas ele tem a vida dele e não vai alterá-la por causa dela. Uma  coisa bem anos 50 em pleno consumismo dos anos 80. Mas eu acho que o “I love you, you pay my rent” mostra que a moça está bem mais perto da moça de “Folhetim” do que gostaria de aparentar; afinal, mudou só o preço né? 😉

http://www.youtube.com/watch?v=07Fx0LcyTsM

19. Cilada – Katinguelê, 2000

Antes que vocês me matem: não, esse não é mais um dos (não tão) famosos #duelonalaje que eu e o @ibere de vez em quando fazemos no Twitter; mas a verdade é que a letra dessa música é sim, muito bonita: daquelas dor de corno bravas. Também sei que o Katinguelê está longe de ser um baluarte do samba, mas nem tudo na vida é champagne e cachaça de boa cêpa, certo? Tá, eu reconheço, é um pagode bem rampeiro, mas ela tem valor sentimental, digamos assim. E como ela estava numa coletânea de samba quando eu ainda fingia que não gostava muito daquilo e a Praça Roosevelt não fazia parte da minha vida, tem sim, que fazer parte da lista – até porque a letra é muito sincera, à medida em que fala de um cara que tirou uma puta das ruas pra depois ser belamente corneado. Nelson Rodrigues acharia graça, cer-te-za

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=07Fx0LcyTsM]

20. La Habanera em Carmen de Bizet, por Maria Callas

Não, não é uma música sobre prostituição – mas Carmen, a protagonista da ópera de Bizet, era uma cigana um tanto quanto dada, digamos assim. Eu acho que ela era um puta, mas talvez não fosse; vai ver ela apenas se  valia de seus poderes de sedução para conseguir hummm… facilidades. Mas quero terminar com esse trecho da Habanera, lindo cantado pela Maria Callas (uma pessoa que sofreu muito por amor, diga-se de passagem):

L’amour est un oiseau rebelle que nul ne peut apprivoiser,

et c’est bien en vain qu’on l’appelle,s’il lui convient de refuser.

Por que ele é né? E no fundo, todos querem encontrá-lo, ainda que façam de conta que não ligam isso e cinicamente digam que é só sexo que importa.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=6fZRssq7UlM]

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P.S. 1: Não percam também os posts : Música de Zona e Top Hooker Songs
P.S. Não, não coloquei Private Dancer na lista. Eu conheço, sei que ela é pertinente ao tema, mas tenho um PUTA BODE dessa música – acho que ela foi executada tantas e tantas vezes que não posso ouvir meio acorde que já me irrito. E a lista é minha, eu ponho o que eu quiser tá? humpf…
P.S. 3: Aqui vc encontra uma lista imensa de músicas sobre prostitutas

Cidade Maravilhosa

Urca - Rio de Janeiro - Flavia Penido

Como hoje é 6ª feira, dia de pegar mais leve e ninguém fala de outra coisa a não ser na escollha da cidade que será sede das Olímpiadas de 2016, tendo em vista o Rio de Janeiro está concorrendo,vou contar uma historinha que ouvi ontem de um amigo meu que num surto johnnybravístico dos fortes fez uma dissertação de mestrado sobre o Noel Rosa ao telefone.

Ele disse que há uma grande discussão – ou ao menos grandes e fortes suposições que “Cidade Maravilhosa”, hino do Rio de Janeiro, não teria sido composta apenas por seu autor conhecido, André Fialho, mas sim por ele em parceria com Noel Rosa – com quem já havia anteriormente composto. Confesso que nunca tinha ouvido falar dessa história, fui pesquisar,  e descobri que há mesmo essa discussão. Não tenho os trechos da biografia do Noel onde essa história é contada, mas achei algumas explicações corroborando o que ouvi ontem. Vejam só trecho da discussão no mesmo site do link anterior:

É difícil provar mas parece que a música “Cidade Maravilhosa”, hino do Rio, autoria de André Filho, na verdade seria uma parceria dêste com Noel Rosa. Na ocasião do concurso para a escolha do hino da cidade, o André teria omitido o nome do Noel. Este, então, teria composto “Cidade Mulher”, digamos, em “represália”. Duas coisas: 1ª. Noel e André são parceiros em “Filosofia”, o que prova que os dois, de alguma forma, poderiam mesmo ser parceiros em “Cidade Maravilhosa”. 2ª. Preste atenção nas segundas partes do hino e você reconhecerá,
claramente, o estilo do Noel:

“… berço do samba e de lindas canções/que
vivem n’alma da gente/és o autar de nossos corações/que cantam
alegremente…”; “…jardim florido de amor e saudade/terra que a todos
seduz/que Deus te cubra de felicidade/ninho de sonho e de luz…”.

E então?
Outro ponto é a referência a Deus em “Cidade Maravilhosa” e a Jesus Cristo em “Cidade Mulher”. Apenas coincidência? Continuemos analisando o estilo e outras semelhanças, agora em “Cidade Mulher”:

“Cidade de amor e ventura/que tem mais doçura/que uma ilusão/cidade mais
bela que o sorriso/maior que o paraíso/melhor que a tentação./Cidade que
ninguém resiste/na beleza triste/de um samba-canção/cidade de flores sem
abrolhos/que encantando nossos olhos/prende o nosso coração…

…Cidade notável/inimitável/maior e mais bela/que outra qualquer/cidade
sensível/irresistível/cidade do amor/cidade mulher…

…Cidade de sonho e grandeza/que guarda riqueza/na terra e no mar/cidade do
céu sempre azulado/teu sol é namorado/das noites de luar/cidade padrão de
beleza/foi a natureza/quem te protegeu/cidade de amores sem pecado/foi
juntinho ao Corcovado/que Jesus Cristo nasceu…

…Cidade notável…”

[…] Pra mim este é o hino do Rio. Agora, tudo isso que eu
falei são conjecturas. Se me levarem ao tribunal, nego tudo na cara de pau.

Well, eu não tenho conhecimentos musicais pra dar pitaco nisso aqui, mas que é uma boa historinha de salão, ah isso é né?

Fiquem então com a versão de Cidade Maravilhosa do Caetano (queria a original, mas não achei) enquanto pensam no assunto:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=CqmVI4q-caw]

E pra quem gosta do Rio de Janeiro, não perca esse post do @riqfreire “Valsa de uma Cidade

Bom fim de semana !

****

Pros mais CDF’s: achei uma versão da música Cidade Mulher, do Noel Rosa (que eu não conhecia, btw) em um CD do Moacyr Luz.