Arquivo da tag: sexo sem camisinha

Forçar a barra pra transar sem camisinha não é estupro, mas é babaca

Vou aproveitar que o assunto do momento é o estupro à sueca do Assange pra falar de um tema delicado que a gente ouve à boca pequena entre amigas: como é muito mais comum do que se imagina os homens darem uma forçadinha de barra pra transar sem camisinha e como é muito comum as mulheres acabarem deixando, por uma série de razões. Não tô exagerando não, podem perguntar pras suas amigas.

É estupro? Não, e detesto os exageros de algumas culturas quando começamos a falar de sexual harassment; mas também há que se refletir um pouco sobre o comportamento sexual de homens e mulheres atualmente.

Vou dar um exemplo: durante o sexo, o cara tenta transar sem camisinha. Pode acontecer de a mulher topar, e aí beleza, não há o que se falar. Pode acontecer de ela dizer não, o cara tentar de novo e ela topar. Até concordo que tenhamos um consenso aqui, porque afinal de contas há toda uma cultura de a mulher negar certos desejos masculinos para não passar por promíscua ou vulgar. Mas se na 2ª vez a mulher diz não e o cara insiste uma 3ª ou 4ª e ela porventura acaba topando, não acho que a história seja tão consensual assim não, por causa do entorno.

Sim, porque convenhamos, é muito mais gostoso transar sem camisinha mesmo, não dá pra negar isso – ou seja, você já tem que lutar contra a sua própria vontade-; além do contato da pele tem aquela sensação (ainda que fantasiosa) que uma barreira se quebrou (e efetivamente ela não está mais ali), de que o casal está mais próximo (ainda que estejamos falando de encontros mais casuais, o que eu costumo chamar de “cláusula de habitualidade sem exclusividade). E se ainda por cima a mulher gosta do cara é necessária uma dose de esforço hercúleo pra não acabar topando: ela diz não uma, diz não duas, mas na 3a oiu 4a ela acaba sucumbindo.

Só que é a mulher a maior prejudicada, né? É ela quem engravida, é ela que está propensa a contrair mais doenças… Aí no dia seguinte ela se sente mal porque a consciência pesa, acaba pegando uma raivinha do cara e… no final das contas o cara também passa uns perrengues, porque ela vai acabar atormentando o dito cujo, descontando a raiva que ela tem dela própria de não ter se agüentado.

Acho essa questão muito complicada de se abordar porque não existe um “preto no branco”: este seria o modelo sueco onde se a mulher diz “não” e o cara força a barra, ele a leva aos tribunais, e eu acho esse modelo meio bobo, porque ele ignora todo o jogo de sedução (e porque não dizer, de poder também) que envolve uma relação homem- mulher. Como tudo que tem nuances tem uma zona meio cinzenta, há que se ter o bom e velho bom senso, coisa que infelizmente, cada vez menos existe no mundo.

Vocês vão me dizer: ah, mas quer dizer que a culpa é sempre do homem? Não é isso. Claro que a mulher acaba transando sem camisinha por conta das fragilidades, inseguranças e fantasias dela, ou seja, ela também tem sua parcela de culpa, mas não dá pra dizer em algumas situações que ela QUERIA, que ela CONCORDOU. E nem estou mencionando o fato de nossa sociedade na maioria das vezes ainda ver como pilantra a mulher que tem camisinha na carteira ou que insiste na sua utilização – isso é mais difícil de se livrar do que vocês imaginam.

E  eu pergunto: que tipo de cara é aquele que, depois de ouvir 2 vezes da moça que ela não quer transar sem camisinha, insiste? Não me parece ser um cara bacana, né? Eu vejo esse cara como alguém tão inseguro e imaturo em alguns pontos que precisa se aproveitar da fragilidade da pessoa que tá lá se divertindo com ele para se sentir melhor.

E isso não tem relação com o grau de intimidade que o casal tem; pode até ser alguém que ele não saiba sequer o nome, isso não importa. Respeitar o próximo é condição sine qua non pra qualquer tipo de relação. Vale pro porteiro do seu prédio e pra piriguete que se atracou com você na balada e saiu de lá pra sua casa. Transar sem camisinha não é “um 3º território à sua escolha” que deve ser conquistado. Pensem nisso. As moças agradecem.

Share